sábado, julho 07, 2007

CPI cobra contrato do negócio

Kayo Iglésias , Jornal do Brasil

A CPI da Varig na Assembléia Legislativa do Rio deu na última sexta-feira mais um passo para esclarecer as circunstâncias da compra da ex-maior companhia aérea do país. O presidente da Gol Linhas Aéreas, Constantino de Oliveira Júnior, terá que mostrar o contrato do negócio fechado em abril aos parlamentares da comissão, presidida pelo deputado Paulo Ramos (PDT).

Os trabalhos vão continuar: Ramos vai enviar os resultados das apurações da CPI às comissões que investigam o apagão aéreo na Câmara e no Senado federal. Com isso, ganham mais respaldo os esforços para quebrar na Justiça o sigilo fiscal e bancário dos envolvidos.

Constantino prestou depoimento diante de cerca de 20 ex-funcionários da Varig, que vestiam camisetas de repúdio à derrocada da companhia. Paulo Ramos suspeita que os empresários Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo, sócios da Volo - controladora da VarigLog, que arrematou a Nova Varig em 20 de julho de 2006 por cerca de US$ 20 milhões - atuaram como intermediários da Gol, que, no segundo leilão, comprou a empresa por US$ 320 milhões.

O presidente da companhia aérea disse não conhecer os empresários. Constantino justificou a diferença de preço entre os dois leilões alegando que houve investimentos feitos durante o período de nove meses em que a Volo atuou como controladora da Varig.

- Na ocasião da nossa compra, a VRG tinha, além da concessão, áreas em aeroportos necessárias para atividade operacional, 16 aeronaves Boeing 737, uma 767 e duas MD-11. Não entramos no primeiro leilão porque estávamos em negociação para assumirmos uma empresa mexicana. A Varig, quando foi vendida para a Volo, tinha apenas duas aeronaves em operação. E esse tipo de reparo não custa pouco.

Questionado a respeito da contratação de funcionários, Constantino disse estar dando preferência a ex-trabalhadores da Varig.

De todas as vagas que estão sendo criadas, 90% estão sendo preenchidas por ex-colaboradores Varig. Estamos mandando correspondência a eles.

Naturalmente, não temos condições de atender a todas as expectativas, devido a nosso processo de seleção.

O advogado das associações de trabalhadores da Varig e procurador da Justiça aposentado Jorge Lobo também prestou depoimento. Emocionado, contou que o Conselho de Administração da Companhia teria que aprovar a venda da Varig antes de a empresa ser arrematada pelos US$ 20 milhões, o que, suspeita, não aconteceu.

Lobo também contou que a empresa de consultoria Deloitte teria ganhado cerca de R$ 12 milhões para realizar a recuperação judicial da Varig. Segundo o deputado Paulo Ramos, é uma quantia muito alta para uma recuperação que, na verdade, não houve.

- Só a marca Varig valia US$ 1 bilhão. A empresa foi vendida pelo preço ridículo de US$ 20 milhões. E o mais incrível: foi vendida a uma empresa que era devedora da Varig - declarou o advogado. - Eu tenho a minha missão, defender os empregados - disse, com a voz embargada.