terça-feira, agosto 28, 2007

Elites, estagnação e bolhas

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Um dos “chavões” nos discursos de Lula é desancar em cima das “elites” toda a crítica a seu alcance. Quando não recorre ao habitual “governo anterior”, alvo preferencial de sua doentia obsessão, as “zelite” são, invariavelmente, culpadas por todas as mazelas, os erros, os atrasos, as corrupções, os desmandos que fazem a desgraça nacional. E Lula, justiça se faça, não é o único político demagogo no país a descer o sarrafo nas “zelites”. Contudo, experimentem lhes perguntar quem são as personagens, ou nonimar alguns como exemplo, que é para gente poder enxergar esta instituição fantasmagórica que nos atormenta há mais de 5 séculos. Eles simplesmente não conseguirão apontar ninguém. Será sempre uma afirmação abstrata.

Aqui, e praticamente desde que o COMENTANDO A NOTÍCIA passou a existir, nós temos apontado que, toda a classe política, em todas as esferas, judiciário, executivo e legislativo, e em todos os níveis, municipal, estadual e federal, formam um imenso contingente de elitistas. Até cunhamos a expressão “Gigolôs da Nação” para que ficasse clara nossa posição em relação à elite alvo de nossas críticas.

Pois bem: reparem agora o quanto o governo federal arrecada de impostos. Façam um cálculo razoável do percentual que este mesmo governo devolve à sociedade em termos de investimentos em serviços. Agora, comparem este percentual com o que a elite política consome com ela mesma, salário, previdência, benefícios, privilégios e custeio. Impossível não se indignar, não é mesmo ?

Bastante seria que a gente tomasse um instrumento dito “moralizador” do gasto público, para que pudéssemos aferir o quanto a elite política é, de fato, o grande gigolô da nação. Estamos falando da Lei de Responsabilidade Fiscal. Lá está dito que a entidade pública não poderá exceder seus gastos com pessoal além de 60% de tudo que arrecada. Ou seja, criou-se uma lei para tabelar o gasto público com seu próprio pessoal, estabelecendo um limite além da metade da arrecadação de tributos, pois houve tempo em que alguns governos excediam seus gastos além dos 60%, e casos até em que este gasto consumia toda a arrecadação.

Numa excelente reportagem de Fabio Zanini, na Folha nesta segunda, tem-se alguns dados interessantes sobre o governo Lula no quesito “inchaço” da máquina pública:
- o número médio da criação de cargos de confiança saltou de 23,8 no primeiro mandato de Lula para 179,7 entre janeiro e julho deste ano — média 7,6 vezes maior do que no primeiro mandato;
- Lula já criou, em 2007, 1.258 cargos comissionados, chegando ao número recorde de 22.345. Lula herdou do antecessor, FHC, 19.943. Aumentou, portanto, os cargos de confiança em 12%.
- No último ano da administração FHC, havia 809 mil funcionários federais. No fim do ano passado, 997 mil —188 mil a mais (ou 23,23%).
- Em oito anos, FHC criou 4 novos órgãos federais. Em 4 anos e sete meses, Lula criou 12.

Ora diante desta expansão é de se perguntar: melhorou o retorno à sociedade diante deste descontrole ? Para Lula não adianta perguntarem, ele responderá com o indefectível “nunca dantez neztepaiz”. Mas analisem: tivemos o apagão aéreo, do qual ainda não saímos e que causou 353 vítimas fatais, afora o enorme prejuízo praticamente incomensurável nas vidas das pessoas, pois foram compromissos e negócios que tiveram que ser adiados, além da repercussão no turismo e em toda a cadeia econômica a ele agregado. Agora, o apagão na saúde está atingindo seu clímax. Não há um só dia que a imprensa não noticia, em algum rincão do pais, gente morrendo nos hospitais por falta de atendimento, por gente que tem que entrar na justiça para obter medicamento para tratar-se, gente que fica aguardando 40 a 60 dias na fila para realização de simples exames laboratoriais, gente perambulando de um lado para outro para ser atendida nas unidades de emergência. O apagão na educação já vem acontecendo desde 2003. Os resultados dos exames de avaliação mostram estudantes com níveis inferiores aos obtidos há dez anos atrás. O apagão de energia continua nos rondando, e só não aconteceu pela combinação de dois fatores: de um lado, porque o país não conseguiu crescer como o resto do mundo , e de outro, porque as chuvas tem sido abundantes o suficiente para manter cheios os reservatórios.

O apagão na infra-estrutura já consegue produzir o desastre e a vergonha nacional: hoje, as estradas brasileiras são as responsáveis pelo maior número de mortes no país, além de câncer, AIDS, doenças cardíacas ou degenerativas. Morre-se no ar e terra. E, por fim, a segurança pública, que melhor seria chamá-la de insegurança pública, porque há o terror no campo e nas cidades, que, além de invasões, também matam. Muito.

O país, apenas em 2007, arrecadou, até julho, R$ 795 bilhões, sendo 55 bilhões pagos a mais do que 2006. Dinheiro que poderia ter ficado para investimentos e consumo privado. Em vez disso, foi para o governo gastar basicamente com pessoal, previdência, assistência social e custeio. E, claro, os serviços da dívida pública. Para investimentos, no ano passado, o governo federal gastou menos de 1% do PIB.

Semana passada, o Congresso nacional aprovou aumento de salário para aquela turma de comissionados que a reportagem da Folha se referiu, em até 139%.

Agora, me respondam com sinceridade: apesar da arrecadação, aponte-me qual serviço público justificou o aumento na arrecadação de impostos ? Nenhum !!!! Ah, mas e os PACs que estão sendo anunciados não são investimentos ? Infelizmente não, o que Lula tem anunciado são intenções de investimentos, mas ainda precisará arranjar o dinheiro que bancará tudo isto. Ele próprio, quando no início do ano anunciou o PAC, informou que metade do dinheiro sairá da iniciativa privada. Não está saindo. Os investimentos maiores que a iniciativa privada tem feito, são no exterior, não no Brasil. Além disso, a metade que competirá ao governo federal é para ser realizado ao longo dos próximos 3 anos e meio em alguns casos, ou em até 5 anos, como o da Segurança, em outros casos. A capacidade de investimento anual do país não nos permite, assim, sonhar muito. E a continuarem a criação sem limites para cargos e mais órgãos, secretarias, ministérios, autarquias e tantos outros sorvedouros de recursos públicos para consumo interno da própria administração federal, a sociedade brasileira continuará sendo extorquida de maneira formidável. E, dentro do pior vaticínio possível, com zero de retorno.

O senhor Luiz Inácio insiste em fazer discursos conclamando os empresários a investirem, contudo seu governo não tem sido capaz de oferecer condições razoáveis para que estes investimentos aconteçam. Seja pela excessiva carga tributária, seja pela insegurança jurídica agora piorada em face do anúncio de modificações nas agências reguladoras, seja pela infra-estrutura falida, seja pelo nível de ensino de péssima e baixa qualidade, incapaz assim de formar profissionais devidamente capacitados, e a teimosia em continuar expandindo o tamanho do Estado num sinal eloqüente de que não se pensa em reduzir seu peso e seu custo para abrir espaço para o investimento acontecer naturalmente.

Ou seja, muito embora todos os indicadores macroeconômicos do país apontem uma estabilidade econômica consistente, e uma menor vulnerabilidade a fatores externos, ainda não foram criadas as condições necessárias arrancar o país da estagnação permanente em que se encontra.

E aqui um alerta: seria bom que Lula se preocupasse um pouco em analisar as razões para a recente crise financeira nos Estados Unidos e com alguns respingos no restante do mundo. O crédito tem limites sim, e quando se avança além da conta, ele gera o que comumente se chama de “bolhas”. E elas cedo ou tarde estouram. Assim, achar que é crescimento a oferta de crédito barato e abundante, é um erro que não podemos incorrer. O resultado sempre é desastroso.

Primeira etapa

por Maria Lucia Victor Barbosa, site Diego Casagrande
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Escreveu Maquiavel em O Príncipe: "...conhecendo-se de longe (o que só é dado ao homem prudente) os males que virão, pode-se curá-los facilmente, mas, quando esses males se avolumam, por falta de tal conhecimento, de modo que todos podem já reconhecê-los, não há mais remédio que possa estancá-los".Tomemos o caso da Venezuela, país em que se consolidou a ditadura de Hugo Chávez, considerada pelas esquerdas latino-americanas modelo de democracia como, aliás, é declarado também o sistema totalitário de Fidel Castro:Chávez, primeiramente golpista, acabou se tornando presidente da República da Venezuela através do voto. Uma vez alcançado seu objetivo dominou os Poderes Legislativo e Judiciário, anulou os meios de comunicação livres, cooptou o Exército, seduziu com programas assistencialistas a camada mais pobre da população.

Agora ele apresentou um projeto de reforma da Constituição Venezuelana, cuja finalidade é perpetuá-lo no poder. Um dos meios para isso é acabar com as oligarquias e entronizar o "poder popular", que não é expresso pelo voto, mas por versões dos sovietes stalinistas, ou seja, pelos conselhos operários, camponeses e estudantis que, naturalmente irão lhe assegurar apoio unânime.

Na "reforma", Chávez definiu mais claramente o "socialismo do século 21" ao classificar a propriedade em cinco tipos:

1) social (pertencente ao povo e controlada pelo Estado); 2) coletiva (pertencente a grupos sociais ou comunitários, mas sob o controle do Estado); 3) mista (com participação do setor privado e do Estado, mas sob controle deste); 4) pública (administrada pelo governo, ou seja, pelo Estado); 5) privada (que poderá ser confiscada quando afetar os direitos de terceiros ou da sociedade, quer dizer, do Estado). É preciso lembrar que o Estado é Hugo Chávez.
Observemos agora o Brasil: Em seu primeiro mandato, através de Lula da Silva, o PT no poder dominou o Congresso Nacional pela compra de votos, o que foi chamado pelo então deputado Roberto Jefferson, de "mensalão". Foi também no primeiro mandato que estouraram os escândalos envolvendo a cúpula do PT, inclusive, a que ocupava ministérios ou cargos importantes. A estratégia, então, foi distanciar Lula da Silva de seu partido para que não fosse contaminado pelos fartos e fortes indícios de crimes cometidos pelos correligionários. A manobra deu certo e ele foi reeleito, dizendo sempre que nada via, de nada sabia, que não era responsável pelos errinhos cometidos por companheiros traidores.

No momento o STF está decidindo se acata ou não a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra quarenta acusados que, segundo ele, formam uma quadrilha, sendo o chefe do bando o ex-chefe da Casa Civil, deputado cassado e companheiro íntimo do presidente da República, José Dirceu. O STF, que sob a presidência de Nelson Jobim, atual ministro da Defesa, livrou das penalidades legais certos companheiros, agora pode dar sinais de independência acatando a denúncia. Mas, ao final de um longo processo os ministros poderão inocentar vários dos réus alegando falta de provas.

O PT tentou criar mecanismos para cercear completamente a liberdade de imprensa. Não conseguiu, se bem que parte da mídia se assemelha a "voz do dono". Para reforçar vem ai a TV Pública (leia-se estatal) conduzida por Franklin Martins. Será a TV Lula.

No mais, repito: estamos sem oposições configuradas em partidos políticos, governos estaduais, instituições e entidades. E a um esboço de oposição, apresentada de forma difusa por vaias ou por movimentos sem objetivo claros, Lula da Silva respondeu de forma ameaçadora, dizendo que é bom em "por gente na rua". Não se trata de desempregar opositores, mas de conclamar as numerosas hostes que servem ao PT como, por exemplo, o MST, a CUT, a UNE (camponeses, operários, estudantes) e demais movimentos sociais.

Ao mesmo tempo, o presidente da Republica ensaia sua democracia de massas, como no recente encontro (que dizem foi financiado pelo governo) que teve com as "margaridas". Naquela ocasião, mais uma vez, ele clamou contra as elites (oligarquias?) e disse governar para os pobres. Na candente retórica de palanque a clara pregação da luta de classes, a intenção de dividir para governar, o envenenamento de mentes e corações.

Quanto ao MST, que terá em Goiás um curso de Direito só para sem-terra, não se limita mais a invadir propriedades. Invade universidades junto com outras organizações. Nas invasões, o estímulo ao ódio racial, que vem sendo insuflado pelo PT no poder.

Para culminar, o partido pretende conseguir um plebiscito (democracia de massas?) para aprovação de uma Constituinte. Note-se que será exclusiva para reforma política e já se murmura sobre um terceiro mandato.

Há quem diga que não há mais remédio. Eles vieram para ficar e o que se viu até agora foi a primeira etapa. Nela, o mal já se enraizou.

A dialética de "Seu Quié"

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

"Seu Quié" era fogueteiro em Casa Amarela, no Recife. Passou a vida enfeitando o céu de taliscas incendiadas e espocando alegrias nas noites de São João. Mas "Seu Quié" tinha suas fidelidades políticas, sonhos revividos de velhos tempos da Coluna Prestes, do Cavaleiro da Esperança.

Todo ano, dia 3 de janeiro, "Seu Quié" fornecia os foguetões que estouravam de madrugada anunciando o aniversário de Luís Carlos Prestes. Iam lá buscar, ele entregava e só. Era sua participação política. E sua glória.

Em 64, vem o golpe, prendem "Seu Quié". Interrogado, nega tudo: - Faço fogos há mais de 50 anos. Não vou ficar apurando quem compra e para o que é que compram. Vendo, levam, acabou-se.
- Você fazia foguetões para o aniversário de Luís Carlos Prestes. Você sabe quem é ele?
- Não sei não. Sei só que é um moço aí, que é contra umas coisas aí e a favor de outras coisas aí. Mas quem é ele não sei não.

Dialética
"Seu Quié" foi solto. Voltou ao xadrez para pegar a escova, a pasta de dentes, seus trecos. Os outros presos queriam saber como tinha sido o interrogatório.

"Seu Quié" estava de fala curta:
- Neguei. Neguei tudo.
- Mas você negou?
- E eu ia gastar minha dialética com eles?

E voltou para Casa Amarela, seus foguetes, sua dialética.

Dirceu
Ensinaram a Lula a dialética de "Seu Quié" e ele fez dela sua Bíblia. Nega tudo. Não sabe de nada. Nunca soube de nada. Nunca foi informado de nada. Para ele, o "Mensalão" foi uma traição: "Fui apunhalado pelas costas". José Dirceu, chefão dos "traidores" de Lula, aprendeu com ele e, com a dialética da negação, estava certo de livrar-se da acusação do procurador geral da República, que provou ser ele o "chefe da quadrilha dos 40".

A "dialética" de José Dirceu é dizer que, na Casa Civil, não sabia de nada, que os mais de 100 milhões de reais que Delubio Soares e Marcos Valério repartiram com o indecente presidente da Câmara João Paulo Cunha, com os corruptos presidentes e líderes de partidos aliados, inclusive do PT, tudo foi criação de Delubio, com seu ar sonâmbulo de mosca de curral, e Marcos Valério, com aquela careca de Kojac da maracutaia.

Pré-pagos
José Dirceu compra e recompra colunistas pré-pagos nas TVs e jornais para tentar convencer o País de que as reuniões dele, no Palácio do Planalto, com Marcos Valério, José Genoino, Delubio Soares, Silvinho Pereira e os presidentes e líderes do PTB, PP, PL, PMDB e outros, para a distribuição de dezenas de milhões em troca da sustentação da base parlamentar do governo no Congresso; que os encontros dele com os banqueiros do Banco Rural e do BMG, levados por Marcos Valério ao Palácio do Planalto; e que o jantar a três com a presidente do Banco Rural, Kátia Rabelo (ele, ela e Marcos Valério), tudo isso eram apenas luminosos foguetes nos céus encantados do governo. Nem "Seu Quié" acreditaria.

Clandestino
Já tivemos no Brasil todo tipo de presidentes. Agora, temos um "presidente clandestino". Só pode "aparecer escondido":

1 - "No Paraná, para evitar possibilidade de vaias, o evento (de mais um anúncio do PAC, na sexta-feira) foi dentro de uma escola municipal (sic), em Guarituba, no município de Piraquara (nem o governador Requião sabe onde fica), cuja platéia foi cadastrada previamente. Todo o público tinha crachá de identificação, repassado anteriormente pelo cerimonial".

2 - "Em Porto Alegre, na Federação das Indústrias (também na sexta, para mais um PAC), temendo protestos, o cerimonial da Presidência montou um roteiro que dificultou a aproximação ao presidente. O temor era de que se repetissem as vaias que aconteceram no Maracanã, na abertura dos Jogos Pan-Americanos. Lula chegou ao aeroporto e foi direto para a sede da FIERGS, entrando pela lateral (sic) do prédio. Havia um forte esquema de segurança, dentro e fora do evento. Só entraram pessoas credenciadas" ("O Globo"). Triste país e triste presidente que só pode entrar pela porta dos fundos.

Amiguinhos
A ministra Dilma Rousseff mais uma vez provou que manda mais no governo do que José Dirceu. A Denise Abreu, diretora da Anac, posta lá por Dirceu, teve que se escafeder. O Milton Zuanazzi, sustentado pela Dilma, continua lá, com seu ar superior de quem tem graves segredos da República.

O "Estado raquítico" de Unger-Pochmann

Ubiratan Iorio, economista, Jornal do Brasil

Certos ocupantes de altos cargos na hierarquia pública parecem crer que os cidadãos são idiotas. Ao tomar posse na presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), agora deslocado - na mais recente contra-dança do minueto que vem ensaiando desde a sua fundação - para a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (sic), o economista (da Unicamp, naturalmente) Márcio Pochmann, secretário de Planejamento da ex-prefeita paulista, trombeteou a redefinição do papel do Estado brasileiro, que, segundo suas doutas palavras, seria "raquítico".

É preocupante que o respeitado órgão da Av. Presidente Antonio Carlos 51, abrigo de tantos economistas competentes, passe a ser comandado por quem, contra as evidências, emita juízo - falso e puramente ideológico - de tais proporções. Mais inquietante é que seu atual chefe, o excêntrico, ininteligível e "legendário" professor de Direito de Harvard, de sotaque e idéias tão claros quanto as águas do Tietê, Roberto Mangabeira Unger (o mesmo que há pouco tempo taxara o governo a que hoje pertence de "o mais corrupto da República"), tenha debuxado, na solenidade de posse de seu subalterno, a necessidade de uma simbiose "dialética" entre economistas de diversas tendências.

Para o simbiôntico professor, ao que parece, se alocarmos em uma mesma pesquisa um economista ortodoxo e uma heterodoxa, e se ambos seguirem os nada cândidos conselhos relaxantes da atual ministra do Turismo, virá à luz, em nove meses, um genial bebê "moneterodoxo", ou "desenvolvimentarista", superior aos pais... Essa parvoíce hegeliana ignora que tal gestação é impossível, pela mesma razão que "ou está chovendo ou não está": são atributos contraditórios, e não contrários, não admitindo meios termos.

Não é preciso explicar, para não subestimarmos a inteligência do leitor, mas é recomendável chamar a atenção para a gravidade das sandices fantasiadas de sabedoria pronunciadas naquele evento. Se nosso Estado é raquítico, só pode ser em termos da eficácia, caráter, eficiência, integridade, ética, moral, correção, idoneidade, honestidade, virtuosidade, dignidade e retidão de propósitos para com o bem comum, com que desenvolve as suas ações. É desnecessário buscar exemplos: basta observarmos que ano após ano trabalhamos para sustentá-lo até o dia 26 de maio, e lembrarmo-nos da própria assertiva do agora "secretário da Bola de Cristal", quando o qualificou como o mais deteriorado da República.

Não poucos dos que ocupam ou ocuparam o poder, incluindo vários ministros, ex-ministros, secretários e, obviamente, presidentes e ex-presidentes, não se limitam a validar o pitoresco "Princípio de Peter", proposto por Laurence Peter em 1969 e hoje considerado um clássico no campo da gestão: "In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence" (em uma hierarquia, todo funcionário tende a ser promovido até o seu nível de incompetência) - a partir do qual já não possui capacidade para exercer a função que ocupa. Vão além: tornam tímida a modificação ao Princípio de Peter proposta por Frey, para quem "há pessoas que sobem três níveis acima de seu nível de incompetência, até a ocasião em que sua incompetência é notada". Três níveis, só? Mais, por favor... Neste governo, em particular, parece viger um terceiro aforismo, que podemos denominar de "Princípio de Camargo": "Quanto pior, melhor para o cargo"... Como as nomeações são feitas pelas hierarquias superiores, que se encontram num claro "nível de incompetência", podemos deduzir facilmente da máxima de Peter quão rasteiro deve ser o grau de nivelamento.

Estado raquítico no Brasil? "Dialética" entre liberais e intervencionistas? Pensar no "longo prazo", justo um governo que há 56 meses ainda não deslanchou? Menos, por favor - até porque o grau de QI médio dos brasileiros é bem maior do que os 25 que caracterizam a idiotia...

Avaliando a formação dos macaquitos

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Fiz uma leitura e uma análise sobre a prova do ENEM. A conclusão que se pode chegar é a de que se, o nível de ensino pretendido para 2020, são os seis pontos da escala atual da média Européia, então erraram o caminho. Porque se esta prova é para a média dos conhecimentos dos estudantes, e isto claro é baseado naquilo que se considera termos médios de eficiência em termos educacionais, então a conclusão é uma só: estão matando a capacidade e a inteligência brasileiras.

Impossível não constatar o víeis ideológico em todas as questões abordadas. Impossível não se abstrair das entrelinhas a tentativa de ceifar da cabeça dos nossos jovens quaisquer pensamentos fora do eixo marxista da sub-cultura, da sub-inteligência, da sub-intelectualidade. Ou seja, o sub-analfabeto que redigiu com uma enorme habilidade questões de lixo ideológico merecia ir pra cadeia, pela apologia e incitação criminosa que está provocando no desvirtuamento da capacidade de pensar da juventude brasileira.

Até o próprio tema “sugerido” no quesito redação é de uma descomunal imbecilidade. Leiam, “(...)Todos reconhecem a riqueza da diversidade no planeta. Mil aromas, cores, sabores, texturas, sons encantam as pessoas no mundo todo; nem todas, entretanto, conseguem conviver com as diferenças individuais e culturais. Nesse sentido, ser diferente já não parece tão encantador. Considerando a figura e os textos acima como motivadores, redija um texto dissertativo-argumentativo a respeito do seguinte tema “O desafio de se viver com a diferença” (...)”. Ou seja, a anta ou o anta que redigiu este texto está indicando um sub-pensamento cultural, um acinte à qualquer inteligência mediana que realmente tenha tido uma forma mais acadêmica, e menos ideológica, na sua formação escolar.

Quando o governo atual lançou seu pac da educação dissemos aqui que, não apenas os recursos eram ridículos face ao desafio da revolução pretendida, como também não se pode mudar o quadro apenas com intenções. Fruto do que se lê nas questões do ENEM, a revolução pretendida não tem a menor pretensão com a qualidade e a modernidade. Esta “revolução” é muito mais de conteúdo, e de conteúdo ideológico, de conteúdo marxista. Ninguém está minimamente preocupado em formar cidadãos brasileiros, e sim, em servidores do regime, em varapaus bestificados, sem capacidade de pensar fora do âmbito da ideologia marxista. Ou seja, o país vai gastar uma montanha de dinheiro não para formar gerações competentes e capazes de enfrentar os desafios do mundo moderno, mas para a formação de idiotizados ideologicamente. Em outras palavras, estão matando o nosso futuro.

A lavagem cerebral está em curso. Esta a razão para o desespero de Lula e seus capangas amestrados quando ainda encontram resistências. O desespero vai mais longe por ainda não terem conseguido por de joelhos parte da mídia de verdadeiros pensadores que insistem em serem independentes, e não admitem não apenas serem condescendentes em suas consciências, mas que não se prestam a alugar sua inteligência a serviço de arcaísmos e retrocessos.

Se ainda permanece não sei, mas até alguns anos atrás, os argentinos para zoar dos brasileiros nos chamavam de “macaquitos”. Inteligentes, já previam em como nos tornaríamos um dia. De fato, com este “estilo” educacional, logo logo os argentinos terão de inventar outro apelido para zoar dos brasileiros. A pecha de macaquito não mais nos ofenderá. Seremos os próprios. Brabo vai ser um macaco ficar ofendido diante de tanta idiotia... Assim, dá pra gente sacar que o PAC da Educação de Lula é, de fato, “animal” na própria extensão do termo.

TOQUEDEPRIMA...

***** Ex-diretora do FMI: "CPMF é o pior imposto inventado"

De acordo com a ex-diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional) Anne Krueger, a CPMF é o pior imposto já inventado no mundo inteiro. Anne disse que a desculpa de que o Brasil não tem dinheiro não serve. "Há países que não têm recursos para investir. Não é o caso do Brasil. O governo arrecada tributos que representam uma elevada porcentagem do PIB, mas há algo de errado, pois não se sabe para onde vai esse dinheiro. O ideal seria que o governo fizesse um uso melhor dos recursos públicos", constatou Anne.

A ex-diretora disse que é "inacreditável" o depósito compulsório de 45% sobre os depósitos à vista. Anne ressaltou que alguma coisa deve estar acontecendo de errado na economia brasileira, que tem carga tributária elevada, mas não consegue fazer que o nível de crédito em relação ao PIB cresça.

Ela destacou que o crédito é uma questão importante e que precisa ser melhorado no sistema financeiro brasileiro. "Os bancos trabalham com um 'spread' [diferença entre juros captados e repassados ao consumidor] imenso. Há uma série de indicadores e práticas do mercado que precisam ser melhoradas", declarou.

***** Dispara criação de cargos de confiança no governo

De Fábio Zanini na Folha de S.Paulo

O governo Luiz Inácio Lula da Silva ignorou acusações de aparelhamento da máquina e acelerou o ritmo da criação de cargos comissionados da administração federal no segundo mandato. A média agora é 7,6 vezes a do primeiro mandato.

O número médio mensal de postos desse tipo criados saltou de 23,8 no primeiro mandato de Lula para 179,7 entre janeiro e julho deste ano. Também chamados de cargos de confiança, esses empregos são muitas vezes destinados a apadrinhados políticos.

Os dados constam da nota informativa 304/07 do Ministério do Planejamento, datada de 16 de agosto, que foi enviada em resposta a requerimento do líder do PPS na Câmara, Fernando Coruja (SC).

Com quatro páginas, a nota traz o primeiro raio-X da expansão da máquina pública federal no segundo mandato. Os dados mostram que Lula já criou, em 2007, 1.258 cargos comissionados, chegando ao número recorde de 22.345.

Lula herdou do antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso, 19.943 desses cargos, o que significa que o aumento em quatro anos e sete meses de gestão petista é de 2.402 postos, o equivalente a 12%.

***** Joaquim Barbosa: "Caso Collor não pode ser usado como procedente"

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa, relator do caso mensalão, afirmou que o julgamento do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que foi absolvido no Supremo, não pode ser usado como procedente neste inquérito. O caso do ex-presidente foi apresentado na defesa de Valdemar Costa Neto, um dos acusados pelo Ministério Público Federal.

"O precedente do caso Collor diz respeito ao julgamento do mérito daquela ação penal, fase a que ainda não chegamos neste processo", declarou Barbosa. Segundo ele, o que o STF está decidindo agora é apenas contra quem será aberto o processo. O ministro analisa o item 6 da denúncia, que diz respeito à imputação feita pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, a parlamentares pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, quadrilha e lavagem de dinheiro de parlamentares do PP, do PL, do PTB e do PMDB.

***** Chávez anuncia compra de mais armas para "guerrilha"

O presidente venezuelano Hugo Chávez voltou a anunciar compra de armas. Ele está adquirindo 5 mil fuzis Dragunov da Rússia para "guerra de guerrilhas". "Vou comprar dos russos 5 mil fuzis Dragunov (...) com a melhor mira do mundo, com infra-vermelho para visão noturna", afirmou o tiranete, que já tinha adquirido armamentos que seriam utilizados por franco-atiradores.

Chávez ainda tornou a afirmar que os EUA planejam a sua morte e que ele estaria se protegendo de uma tentativa de golpe. "Imperialista que apareça, nós o derrubaremos", declarou. A Venezuela negocia também a compra de submarinos russos.

***** Mensaleiros fizeram operações suspeitas no valor de R$ 1,23 bilhão

Dos 40 denunciados por suposto envolvimento em crimes no caso mensalão, 27 foram citados em relatórios reservados nos quais o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) aponta indícios de operações suspeitas. Os nomes dos mensaleiros estão relacionados a operações financeiras que totalizam R$ 1,23 bilhão no período e apresentam algum indício de prática de lavagem de dinheiro.

As somas são ainda maiores quando o levantamento do Coaf tem como referência transações financeiras ligadas aos 37 envolvidos no caso do mensalão que foram alvo de cinco ações de improbidade administrativa apresentadas à Justiça pelo Ministério Público Federal em Brasília. Seus nomes estão associados a R$ 1,89 milhão em operações financeiras consideradas atípicas em 2001.

Fazendo o balanço, o Coaf diz que as cifras do total de transações financeiras têm distorções. É possível contar duas vezes o mesmo dinheiro que entrou e saiu de uma conta, o que duplicaria o valor.

***** Jefferson: Dirceu é quem fechava acordos

O presidente nacional do PTB, ex-deputado Roberto Jefferson, disse há instantes no programa "Canal Livre", da Band, que os acordos para a distribuição de dinheiro no mensalão eram negociados por dirigentes do PT, como o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-secretário petista Silvio "Land Rover" Pereira, mas que só era fechado pelo então ministro José Dirceu (Casa Civil). Referiu-se especificamente aos R$ 20 milhões para o PTB em troca apoio ao governo, a pretexto de financiar as campanhas municipais petebistas. Autor da denúncia do mensalão, Jefferson foi arrolado como réu e não como testemunha, no julgamento no Supremo Tribunal Federal.

***** Serra diz que Aécio pode ser candidato em 2010

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse que gostou das declarações de Aécio Neves sobra possibilidade de lançamento de candidato à presidência da República em 2010. "Não li a entrevista. Mas estamos de acordo sobre o essencial, de que vamos ambos estar juntos em 2010, no mesmo partido", declarou Serra.

No entanto, o tucano afirmou que não é hora de falar em candidatura. "Não, não. É muito cedo. Fui eleito para governar São Paulo e não para ser candidato a outra coisa. Vamos com calma, ainda falta muito tempo", concluiu.

Na cerimônia de lançamento de um selo contra o consumo de cigarro nas empresas, Serra criticou o suposto uso de verbas do Ministério da Saúde para pagamento do Bolsa-Família. Ele ainda cobrou a regulamentação da emenda constitucional 29, aprovada em 2000, que obrigaria a União a aplicar recursos fixos na Saúde. Estados e municípios já são obrigados a a aplicar, respectivamente, 12% e 15% no setor.

"O pano de fundo dessa crise que aparece no Nordeste é a insuficiência de recursos na esfera federal pelo não cumprimento da emenda constitucional que o Congresso Nacional aprovou há alguns anos", disse Serra.

O manifesto comunista do PT

Olavo de Carvalho, filósofo, Jornal do Brasil

Depois de engolir e absorver o Estado, fazendo dele um órgão e extensão de si próprio, o PT dá agora um tremendo "salto qualitativo" - como o chamaria Mao Dzedong - na marcha acelerada do Brasil rumo ao comunismo.

Extinguir o capitalismo, instaurar em lugar dele uma "democracia popular" socialista - eis o programa do Partido-Estado, finalmente assumido, às escâncaras, nos anúncios do seu 3º Congresso. Não, não acreditem em mim. Cliquem aqui e depois perguntem a seus olhos e ouvidos o que eles viram e ouviram.

A campanha é lançada simultaneamente com uma onda de esforços gerais para assegurar ao atual presidente da República um terceiro mandato - provavelmente também um quarto, um quinto e um enésimo.

Um detalhe interessante do vídeo é que nele, pela primeira vez, o PT assume diante do público maior as glórias de fundador do "espaço de articulação estratégica continental" (sic), o Foro de São Paulo, aquela entidade que, segundo os eruditíssimos senhores Luiz Felipe de Alencastro e Kenneth Maxwell, jamais existiu. Ao fazê-lo, o partido não só admite oficialmente a parceria política com gangues de narcotraficantes e seqüestradores que atuam no território brasileiro (as Farc e o Mir, por exemplo), mas torna visível o seu papel de criador - junto com Fidel Castro - dos fenômenos Chávez, Morales etc, aos quais, por isso mesmo, jamais poderia servir de "alternativa democrática".

É natural que tão formidável upgrade das ambições partidárias venha acompanhado de um equivalente decréscimo da tolerância petista para com qualquer forma de oposição externa (a interna faz parte do "centralismo democrático" leninista, e não há indícios de que venha a ser extinta antes do Quarto Congresso; talvez dure mesmo até o Quinto).

As empresas de mídia que ajudaram a camuflar as atividades do Foro de São Paulo e a embelezar a imagem eleitoral do PT como um partido curado de ilusões marxistas já são, hoje em dia, abertamente condenadas como "de extrema direita", anunciando para mais breve do que imaginam o prêmio da sua subserviência, o assalto chavista aos seus meios de expressão.

Na maré montante de furor revolucionário, a intelligentzia esquerdista, antes ciosa da sua aparência de bem educadinha e moderadíssima, já não hesita em mostrar seus dentes de ogro. Tenho um caso pessoal a relatar sobre isso. Os senhores já ouviram decerto falar de João Quartim de Moraes, um dos mandantes do assassinato do capitão do Exército americano Charles Chandler (acusado na época de pertencer à CIA, coisa que qualquer garoto de escola americano sabe ser uma impossibilidade administrativa absoluta). Quartim foi condenado por homicídio em 1977. A sentença já transitou em julgado. Muito bem: ao chamar esse assassino de assassino, coisa banal que todos os dias se faz no jornalismo, devo ter acidentalmente tocado em algum ponto secreto e dolorido do esquema revolucionário brasileiro, pois suscitei uma reação estranha, desproporcionalmente histérica: um manifesto furibundo apoiado oficialmente pelo PT, assinado por Marco Aurélio Garcia, Ricardo Berzoini e mais de 600 professores universitários que me rotulam de "názio-fascista", "irracível", "entiético" e termos similares, não só exemplificando a crescente impaciência comunista ante qualquer contrariedade, mas provando a coexistência pacífica entre o analfabetismo e a condição de intelectual de esquerda.

A denúncia do mensalão convertida em crime

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
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Até agora 37 se transformaram em réus. Dentre eles, os petistas abaixo:

José Dirceu – deputado cassado do PT e ex-ministro da Casa Civil
Corrupção ativa
Luiz Gushiken - Ex-ministro da secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica e quadro do PT
Peculato
José Genoino – deputado federal do PT-SP e ex-presidente do partido
Corrupção ativa
Delúbio Soares – ex-tesoureiro do PT
Corrupção ativa
João Paulo Cunha – deputado federal do PT-SP
Corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculato
Henrique Pizzolato – Ex-diretor do Banco do Brasil e membro do PT
Peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro
Paulo Roberto Galvão da Rocha – Deputado federal (PT-PA)
Lavagem de dinheiro
Professor Luizinho – Ex-deputado (PT-SP)
Lavagem de dinheiro

Mesmo não sendo do partido, e apenas considerando o processo do mensalão, há que se incluir o ex-Anderson Adauto, que foi ministro de Lula.

Se a gente fosse relacionar todos os petistas do poder, que caíram por envolvimento em crimes e corrupção, esta lista ficaria ainda mais gorda.

É importante destacar aqui não apenas o envolvimento do grupo dirigente do partido e que formavam o time de primeira linha com Lula poder. Fica claro que, em primeiro lugar, o mensalão nem tampouco foi um folclore do Congresso, como Lula insinuou, nem tampouco se transformou em “piada” como Delúbio Soares certa feita chegou a declarar, nem ainda nem é intriga da oposição e da imprensa, como também o papo furado de tentarem converter tudo em “crime eleitoral”, para o STF não colou. É crime tipificado no Código Penal a “doação” de recursos de um partido político com o propósito de conquistar o alinhamento de políticos em votações no Congresso Nacional.

Na sessão desta segunda feira, tudo ficou muito claro. Nem a tentativa isolada do ministro Ricardo Lewandovski de servir como escudeiro e advogado de defesa dos mensaleiros mais do que como ministro do STF, não acolhendo o crime de formação de quadrilha, o que até pode parecer piada, não evitou a transformação de praticamente todos os denunciados em réus. Escapou apenas Silvio Pereira “Land Rover”, até porque este “presente” não foi denunciado no caso do mensalão, o que não significa que ele escapará de uma outra denúncia neste sentido.

Mas devemos destacar alguns fatos interessantes na sessão desta segunda-feira: a primeira, e triste, foi a tentativa inútil do ministro Lewandovski em servir como advogado de defesa. O contra-argumento do ministro Cezar Peluzo foi providencial e definitivo: organizações criminosas quando se formam, não têm por costume a redação de uma ata narrando e descrevendo a formação da quadrilha e seus propósitos criminosos. Outro fato a destacar, é a afirmação do ministro Marco Aurélio quanto ao montante movimentado pela quadrilha: “banalização de milhões” o que vem de encontro com outra afirmação feita pelo ministro Joaquim Barbosa, o relator, estranhando a “facilidade na movimentação de recursos públicos”.

Isto reforça o argumento do Procurador Geral, Antonio Fernando de Souza, de que o mensalão somente seria possível de acontecer se estivesse estreitamente “autorizado” pelo poder público, no caso, pelo governo Lula.

Menos mal que no final, pela tendência que se vê, quase todos os denunciados deverão ser réus em processo penal e deverão responder pelos crimes de que são acusados. Assim, caem por terra todos os argumentos e afirmativas no sentido de desqualificar a atuação do bando todo. E a esta altura, reforço o que afirmei aqui no fim de semana: o governo Lula, por mais que queira evitar e negar sua ligação com o escândalo todo, ficará eternamente marcado por ele. O escândalo é sim, pelas feições e o vultoso montante de recursos envolvidos, obra daquele que foi eleito sob a bandeira da ética, e acabou naufragando justamente por agir fora dela. Não importa quanto tempo o processo perdurará ou se haverá alguém punido. O que importa é a admissibilidade de que o mensalão existiu.

E aqui seria interessante que as oposições pudessem mostrar claramente que o mensalão é a formação de uma quadrilha com o fito de assaltar os cofres públicos, e comprar favorecimento junto ao Poder Legislativo. Muita gente ainda não sabe disto, por mais estranho que possa parecer. E em nada isto alivia o governo Lula. Até pelo contrário. Se, por um lado, afasta algumas sombras que prometiam voltar caso a denúncia não fosse aceita, por outra gruda no governo a ação de compra de favores de políticos no congresso. E reforça a ação fiscalizadora daqui pra frente em ações do mesmo tipo que, se sabe, continuam a ocorrer.

Talvez não mais se utilizem Valeriodutos, afinal, o crime organizado se sofistica sempre no delírio de driblar a lei e os órgãos fiscalizadores tanto da sociedade quanto do Estado. Ou de que outra forma se pode conceber o assédio e a cooptação de parlamentares de uma sigla de oposição para transferirem-se para siglas da base aliada ? Acaso se pode imaginar este troca-troca apenas por ideologia? Seria imaginá-los ingênuos por demais, o que definitivamente nenhum deles é. E que fique registrado: a oferta de cargos na administração federal para os “apadrinhados” usufruírem das benesses do poder é sim uma forma criminosa que, mesmo não oferecendo vantagens pecuniárias diretas, ainda assim oferece oportunidades destas vantagens existirem e serem obtidas por outros meios que não malas forradas de dinheiro. A corrupção quando praticada não precisa necessariamente ter como contraprestação o envolvimento de valores, e sim de vantagens “consentidas” fora da normalidade.
Portanto, que se atentem as oposições para aquilo que está ocorrendo nos subterrâneos do Planalto. Mesmo porque a coordenação tem sido desencadeada ou pelo próprio presidente Lula ou sob sua inspiração. Mesmo sendo ele a autoridade maior do país no campo político, está sujeito às mesmas leis em vigor a que são submetidos os demais cidadãos.

Planalto ‘assedia’ oito senadores do DEM e do PSDB

Blog do Josias de Souza
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Na boca do palco, Lula costuma fazer defesas enfáticas da reforma política. Seu ministro da Justiça, Tarso Genro, é simpático a um modelo que tem na fidelidade partidária um dos pilares. Nos bastidores, porém, o Planalto assedia, com sofreguidão, pelo menos oito senadores filiados a legendas oposicionistas. Tenta convencê-los a trocar de camisa, migrando para um dos onze partidos associados ao consórcio governista.

Encampado por Lula, o cerco tem na figura bonachona do vice-presidente José Alencar o seu principal ponta-de-lança. Flerta-se sobretudo senadores do DEM, a legenda mais anti-governista do Senado. O Planalto cobiça, nos subterrâneos, sete "demos": César Borges (BA), Adelmir Santana (DF), Maria do Carmo Alves (SE), Kátia Abreu (TO), Romeu Tuma (SP), Edison Lobão (MA) e Demóstenes Torres (GO). Do PSDB, corteja-se, nos subterrâneos, Lúcia Vânia (GO).

Por trás das "cantadas" esconde-se uma preocupação com a fragilidade política do governo no Senado. Ali, diferentemente do que ocorre na Câmara, a maioria governista é tênue. Tão frágil que o governo passou a recear pelo futuro da CPMF. Não teme propriamente a rejeição da prorrogação do imposto do cheque.

Preocupa-se com a hipótese de ter de fazer concessões: a redução da alíquota de 0,38% para 0,20% e a divisão dos cerca e R$ 36 bilhões anuais que lhe rende a CPMF com governadores (20%) e prefeitos (10%). Impostas inicialmente pelo PSDB, tais condições começam a ganhar adeptos em outros partidos, mesmo naqueles consorciados com o Planalto.

Para renovar a CPMF até 2011, Lula precisa dos votos de 49 senadores. Por ora, dispõe, com absoluta segurança, de 44. Daí o esforço para passar a lábia em adversários. Deu-se no último dia 8 de agosto o lance mais ousado da empreitada. Lula estava fora do país. No exercício da presidência, Alencar pediu à secretária que telefonasse para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Convidou-o para uma conversa no Planalto. Ao pôr os pés no gabinete presidencial, momentaneamente ocupado pelo vice, Demóstenes teve uma surpresa. Deu de cara com outros dois senadores "demos": Romeu Tuma (SP) e Edison Lobão (MA). Ao lado do senador Marcelo Crivella (RJ), manda-chuva do PRB, Alencar não fez rodeios.

Primeiro, esclareceu que Lula via com bons olhos o encontro. Depois, convidou Demóstenes, Tuma e Lobão a ingressar no PRB. Escolhera os interlocutores com esmero. Pareceu familiarizado com as agruras enfrentadas pelos três no DEM. E disse que, mudando-se para o PRB, teriam total liberdade para organizar como bem entendessem seus respectivos projetos nos Estados.

Demóstenes deseja renovar o mandato de senador em 2010. Mas disputa a vaga com outros dois "demos": o deputado Ronaldo Caiado e o ex-deputado Vilmar Faria, que conta com o apoio explícito do morubixaba Jorge Bornhausen (DEM-SC). Tuma também quer se recandidatar. Mas Bornhausen costura em São Paulo o apoio a outro "demo": Guilherme Afif Domingos. Quanto a Lobão, há muito se encontra desconfortável no DEM, cuja cúpula o vê como um quinta-coluna a serviço dos interesses do governo.

A conversa resultou conclusiva. Mas, exceto por Demóstenes, que declara, em timbre peremptório, que não arredará pé do DEM, os outros dois deixaram a porta entreaberta para o entendimento. Também César Borges (DEM-BA), asfixiado na Bahia pelo ex-governador Paulo Souto, hoje o principal expoente dos "demos" no Estado, revela, em privado, uma propensão à composição. A direção do DEM, em estado de alerta, ergue barricadas. Afaga os assediados. Tenta acomodar os interesses. Mas não dispõe do mesmo poder de sedução do Planalto, traduzido na forma de cargos, verbas orçamentárias e oportunidades que só o governo pode proporcionar.

A tributação e a capacidade contributiva

Por Misabel Abreu M. Derzi, Valor Econômico

O peso da carga tributária deve ser compatível com as riquezas produzidas em uma sociedade, de modo a não se travar o desenvolvimento econômico. Esta questão tem merecido os mais calorosos debates, pois uma carga justamente distribuída, de cerca de 36% do PIB nacional, pode não ser impeditiva do progresso social. Não obstante, ela é justamente criticada em nosso país pelo fato de emperrar o desenvolvimento econômico e castigar com mais intensidade as famílias mais pobres, assim como os entes políticos mais carentes, como os municípios, concentrando renda e poder de forma nociva.

No Brasil, os investimentos produtivos esbarram em um sistema tributário amplamente cumulativo, em que os tributos federais sobre o consumo, como o IPI e as contribuições sobre o PIS e a Cofins incidem sobre o ICMS dos Estados e o ISS dos municípios, embutidos no faturamento/receita das empresas. Assim, as alíquotas efetivas são muito superiores, pois os tributos caem uns sobre os outros, em cascata. Isso contrasta com o IVA não-cumulativo, considerado o melhor imposto de mercado, instituído em mais de 130 países, inclusive China e Japão. Mas por aqui ainda toleramos a ampla cumulatividade sobre a produção. Ocorre ainda que os investimentos produtivos, se elevados, podem levar determinadas empresas a amargar prejuízos em determinado exercício, que, no Imposto de Renda, não podem ser compensados com até 30% dos lucros de exercícios subseqüentes. Esta trava obriga as empresas a pagar o IR e a CSLL sobre o lucro inexistente, ou seja, sobre os 70% restantes, que são um lucro fictício, se os prejuízos são maiores do que o limite de 30% à dedução.

No Brasil, transforma-se o imposto sobre a renda em imposto sobre a atividade econômica, independentemente de seu resultado, para que a Fazenda arrecade de qualquer maneira. Paga-se tributo sem a necessária capacidade contributiva. A tendência nos países desenvolvidos é justamente oposta, para capitalizar rapidamente a iniciativa empresarial, permitindo-se a dedução dos prejuízos retroativamente (em exercício anterior, em que houve lucro e pagamento de imposto, o que gera crédito para o contribuinte em face da Fazenda), indo ainda o saldo dos prejuízos, se houver, à compensação com exercícios futuros. Isso sim, muda o perfil das empresas e de suas ações em bolsa.

O tema "capacidade contributiva" é valor que se presta à realização de outros valores, como a igualdade, cerne do próprio princípio da Justiça. Pagar o tributo de acordo com a capacidade contributiva de cada contribuinte é, no entanto, entre nós, um dos aspectos mais negligenciados. É que os tributos incidentes sobre o consumo, como o ICMS e as contribuições PIS e Cofins, estão ocultos no preço das mercadorias e serviços adquiridos e sacrificam mais impiedosamente as famílias de baixa renda. Referindo-se a esta carga tributária invisível, o senador Francisco Dornelles salienta, com base em pesquisa de economistas da Universidade de São Paulo (USP), que as famílias que ganham até dois salários mínimos suportam em impostos um peso de 48% sobre sua renda, enquanto aquelas de renda superior a 30 salários mínimos suportam somente 26%. Enfim, "a proporção dos impostos diminui à medida que a renda aumenta", preconizando aquele senador maior transparência e conscientização dos cidadãos, como estratégia para correção das injustiças sociais.

A injustiça da distribuição da carga é tão grande que atinge até as relações entre os entes da federação. É que os municípios são grandes pagadores de tributos à União e aos Estados. Em suas despesas, suportam, como os contribuintes, o IPI, as contribuições PIS/Cofins e o ICMS, embutidos nos preços dos bens do ativo e de uso e consumo que adquirem. Estudos feitos em Belo Horizonte registram que este município devolve pelo menos 20% dos recursos que recebe dos fundos à União e aos Estados, por meio dos impostos que lhes paga em suas compras. Na França, as municipalidades são compensadas do IVA que suportam em suas aquisições. A capacidade contributiva se entrelaça com o respeito às garantias constitucionais da propriedade e da segurança, da vedação do confisco, da preservação das empresas, do direito da concorrência e da liberdade e proteção das famílias.

Misabel Abreu Machado Derzi é professora de direito tributário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sócia do escritório Sacha Calmon - Misabel Derzi Consultores e Advogados, membro da Academia Internacional de Direito e Economia, presidente da Associação Brasileira de Direito Tributário (Abradt) e palestrante do 11ª Congresso Internacional da Abradt, que ocorre em Belo Horizonte de 22 a 24 de agosto
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