sexta-feira, abril 20, 2007

PT é alérgico à imprensa, diz El País

Jornal do Brasil, com agências

Uma reportagem do jornal El País trata de uma questão que, para os brasileiros de bom senso e que não se deixam seduzir pela cantilenária petista, já sabiam há muito tempo: a de que o PT tem verdadeiro horror à imprensa. Não uma imprensa qualquer, mas aquela livre das artimanhas esquerdopatas, que tem miolos, que pensa, que critica, que pondera, que sabe identificar a idiotia, a ideologia, a partidarização das instituições, e da anarquização das instituições. Em suma, uma imprensa livre das tolices do atraso e da mistificação com que as esquerdas tentam se valer para impor seu anacronismo.

Hoje, a tática das esquerdas caducas é se valerem dos caminhos que a democracia proporciona, para atingirem o poder e ceifar a própria democracia. Na legislatura passada, vimos como isto se dá: o governo tudo fez para amordaçar a justiça e censurar a imprensa. Depois, tratou de enterrar a credibilidade como instituição do Poder Legislativo colocando-o a reboque do Executivo em favor de uma causa, a causa socialista. Ainda no tempo da campanha presidencial, alertamos várias aqui no COMENTANDO A NOTICIA que, se reeleito, Lula endereçaria sua estratégia para cima do judiciário.

Claro que o Legislativo em muito facilitou o caminho para os esquerdopatas doentios do petê. Claro que um juiz vendido e corrupto não é bom para o sistema político de nenhum país. Mas a investida violenta com que o petê jogou a Polícia Federal, (que um dia foi republicana e hoje se tornou em polícia política a serviço de um partido), para cima do judiciário nos últimos dias, é apenas o começo de tudo que se alertou aqui. É parte consistente de um método, aquele que se serve do Estado para minar sua resistência até este cair enfraquecido no colo do regime pretendido.

No caso da reportagem do El País, eles comentam acerca da mudança de gabinete de Arlindo Chinagglia, presidente da Câmara, distanciando-se o mais que pode da imprensa. Entrará e sairá sem ser visto ou sequer notado. Os autoritários tem muito disto: detestam prestar contas na forma como a democracia impõem aos governantes. Eles se colocam no altar da suprema graça, e acham que tudo que dizem e fazem deve ser aceito e reverenciado sem discussão ou contrariedades.

Sendo assim, não apenas os petistas são alérgicos à imprensa livre de sua cretinice ideológica: eles nutrem verdadeiro ódio à democracia, ao capitalismo, às liberdades de expressão e de pensamento. Seu desejo maior seria trancafiar a todos os “liberais” em um casulo irreversível. Por conta disso, por onde passaram, o rastro de cadáveres que deixaram somou milhões. Nem todos são idiotas, nem todos se contentam com a ração diária de atraso com que os canalhas tentam alimentar e subjugar as “massas“.

Leiam a reportagem e reflitam sobre as escolhas que este país têm feito. Apesar de ser difícil a empreitada, ainda há tempo de revertemos o quadro de imbecilidade com que o governo Lula tenta conduzir o Brasil.
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A decisão do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), de afastar os jornalistas dos deputados durante as sessões no plenário teve repercussão internacional. O jornal espanhol El País deu destaque para a iniciativa de Chinaglia, que quer mudar o local de trabalho da imprensa, e chamou de confinamento a idéia de transferir os profissionais para um espaço isolado do plenário.

O jornal frisa que o presidente da Câmara pretende instalar seu próprio gabinete deixando para os jornalistas um pequeno espaço sem acesso direto aos deputados. O jornal questiona a intenção de Chinaglia ao propor a mudança. Levanta a hipótese de a medida funcionar como manobra para driblar o assédio dos profissionais.

A reportagem também relembra que, há 30 anos, o espaço é destinado aos jornalistas com o propósito de oferecer aos deputados a oportunidade de conversar com os comunicadores.

Mas, a presidência da Câmara rebate e informa que a proposta de mudança se apoiou em dois motivos: o primeiro seria a existência, no projeto original, de um espaço reservado para o gabinete da presidência da Casa e o segundo a necessidade de alojar o PSOL. O que os socialistas negam.

"Há tempo que Chinaglia trabalha para evitar que os jornalistas entrassem no sistema de intranet parlamentar, uma página interna em que aparecem as decisões administrativas do Congresso, mas uma revolta dos jornalistas o fez desistir", publicou o jornal espanhol. "O certo é que o PT sempre demonstrou uma certa alergia à excessiva presença dos jornalistas no parlamento. Recentemente enviou uma circular aos novos deputados em que aconselhou evitar longas conversas com a imprensa".

O El País atribuiu a "alergia" dos petistas aos escândalos de corrupção que atingiram o partido em 2005. Até mesmo a decisão do presidente Lula de criar uma TV pública foi citada na matéria como forma de contornar o tratamento negativo do governo no noticiário.

Ontem, o presidente da Câmara admitiu que poderá mudar o comitê de imprensa da Casa de lugar para acomodar lideranças partidárias no espaço. Chinaglia negou, no entanto, que isso seja uma estratégia para evitar o contato com a imprensa - já que o seu gabinete ficaria onde funciona atualmente o comitê.

Com a eventual mudança, Chinaglia teria do novo gabinete uma passagem direta para o plenário da Casa, o que evitaria os jornalistas que ficam nos corredores da Câmara.

- Isso surgiu como especulação - rebateu o petista. - Agora que já foram feitos estudos em legislaturas passadas, vamos analisar a ocupação do espaço, pois algumas bancadas não tem nenhum espaço na Câmara.

O presidente da Câmara negou que a Mesa Diretora tenha discutido a mudança:

- Isso foi inventado, não falaram comigo.

Chinaglia, porém, reconheceu que as modificações poderão efetivamente ocorrer:

- É obvio que isso pode acontecer nesta legislatura ou em qualquer outra.”

TOQUEDEPRIMA...

Lula autoriza aumentar repasse para prefeituras

Após se reunir com cerca de três mil prefeitos nesta terça-feira, Lula anunciou que vai autorizar a base aliada a votar a favor do aumento de um ponto percentual no FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Ou seja, o repasse para os municípios passará de 22,5% para 23,5% de IR (Imposto de Renda) e de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
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Segundo cálculos da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), que organizou a marcha dos prefeitos, o aumento de 1% significa R$ 1,3 bilhão a mais por ano para os cofres municipais.
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Com isso, Lula afirmou que enviará outra proposta de reforma tributária para o Congresso. Ele afirmou que a atual não lhe interessa mais.

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CNT/Sensus: Governo é o grande culpado pela crise aérea

Segundo a pesquisa CNT/Sensus, 21,2% das pessoas acreditam que o governo federal é o grande culpado pelo caos aéreo. Tomando por base apenas brasileiros que freqüentam os aeroportos, o número sobe para 25,8%.
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Do total de entrevistados, 12,4% pensam que os responsáveis pela crise são os controladores de vôo e 8% acham que a culpa é das companhias aéreas. A Aeronáutica e a Infraero aparecem com 8,1% e 7,6%, respectivamente.
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Dentre os que tiveram contato com o assunto, 15% acreditam que a responsabilidade é dos controladores, 10% culpam as companhias aéreas e 18% culpam as empresas estatais como a Aeronáutica e a Infraero.

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Temporão nega defesa do aborto e pede debate
De O Globo:

"O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse ontem que nunca defendeu a legalização do aborto, e sim que o tema seja debatido pelo Congresso e pela sociedade. Apesar de repetir declarações claramente favoráveis à interrupção da gravidez, sempre com o argumento de que as cirurgias clandestinas são um problema de saúde pública, ele demonstrou que não está disposto a carregar essa bandeira. Durante audiência pública na Câmara, chegou a dizer que considera o aborto, por si só, um disparate.

— É um disparate alguém defender o aborto, mas eu disse que não se pode fechar os olhos para mulheres que, por "n" questões, realizam o abortamento em situação insegura. É uma questão de saúde pública, e quero que a sociedade discuta, apenas isso — disse."

COMENTANDO A NOTÍCIA: As declarações do Temporão estão toda aí. Impossível ele querer agora desmentir-se. A verdade é que o ministro não esperava a reação negativa da sociedade à sua proposta. A partir da pesquisa de opinião pública, indicando que mais de 60% da população são contrárias à mudança na lei de aborto, o Temporão voltou atrás, e mudou o discurso. Mas não pensem que o assunto não prosseguirá. O petê, que sorrateiramente escondeu este assunto durante a campanha de 2003, não desistirá de ver aprovado este projeto. O recuo de agora será para buscarem uma estratégia em que consigam enganar a população para verem o projeto aprovado.

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Dengue: casos passam dos 100 mil
Do Jornal do Brasil:

"No Estado do Rio, uma pessoa pega dengue a cada 12 minutos. Do início do ano ao dia 4 de abril, foram registrados 12.864 casos da doença - dos quais 4 mil registrados nos últimos 12 dias. Se os números parecem desagradáveis, a realidade pode ser ainda pior. Médicos ouvidos pelo JB garantem que as estatísticas abrangem apenas 10% dos infectados pelo mosquito Aedes aegypti. Ou seja: mais de 100 mil pessoas podem ter adquirido a doença. E, nos próximos meses, a situação pode piorar."

COMENTANDO A NOTÍCIA
: Taí uma boa causa para o ministro Temporão brigar, ao invés de ficar enchendo a paciência com a idéia ridícula do aborto: que tal ministro, o senhor se dedicar em acabar com a dengue, hein ? Esta é uma tarefa de saúde pública, ministro. Coisa que, a bem da verdade, este governo tem sido muito, mas muito negligente e incompetente !!!

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MST decide fazer ataques diretos a Lula
Da Folha de S.Paulo:

"No momento em que organiza uma série de ações pelo país, no chamado "abril vermelho", o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) decidiu focar seus ataques diretamente na figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além disso, os sem-terra romperam qualquer tipo de negociação com ministérios até que sejam recebidos por Lula em audiência no Planalto.

A decisão foi tomada por unanimidade em reunião da direção nacional do MST na semana passada, em São Paulo."

COMENTANDO A NOTÍCIA: Como Lula detesta ser pressionado, ele por certo fará mais um daqueles discurso ridículos e imbecis, e é claro, abrirá um pouco mais a torneira das generosas doações do Tesouro Nacional arrecadados com o dinheiro do contribuinte, para que o MST possa continuar roubando as terras e os bens do mesmo contribuinte. Ah, por favor: não pensem que esta gente deseja “oportunidades” de trabalho. Quanto a isto, esqueçam.

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BB deixa de contribuir para a Previ
Radar, Veja online

Um caso inédito ocorreu no sempre tão pedregoso mundo dos fundos de pensão de estatais: o Banco do Brasil deixará de desembolsar 325 milhões de reais este ano em contribuições para a Previ, o poderoso fundo de previdência dos funcionários do banco, dono de um patrimônio de 100 bilhões de reais. Numa palavra, o BB não dará um centavo para a Previ em 2007.
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O motivo é o superávit atuarial que a Previ conseguiu nos últimos anos. A decisão foi tomada hoje e é retroativa a janeiro. É válida por um ano e poderá ser estendida por um período maior - dependerá de avaliações anuais, enquanto existir superávit. Os associados da Previ, da mesma forma, deixarão de contribuir para o fundo neste ano.
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No final de 2006, a Previ já acumulara 34,8 bilhões de reais de superávit. A partir deste valor, pode-se projetar que por muitos anos mais o BB deixará de desembolsar suas contribuições para a Previ - para que isso ocorra, evidentemente, dependerá do desempenho do fundo daqui para frente.
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É uma boa notícia. Afinal, a regra nos fundos de pensão de estatais sempre foi o contrário: os déficits, frutos da incúria ou da malversação, eram constantemente cobertos pelas tetas gordas e dadivosas do estado. A Petros, o fundo dos funcionários da Petrobras, é um dos exemplos mais flagrantes desse descalabro.
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Governadores cobram promessas
De O Globo:

Enquanto o presidente Lula transformava críticas dos prefeitos em elogios, com a promessa de aumentar o valor do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), os governadores manifestavam irritação com a falta de resposta do governo às reivindicações apresentadas ao próprio Lula há um mês, em reunião na Granja do Torto. Insatisfeitos, ameaçam dificultar no Congresso — onde exercem mais influência do que os prefeitos — a prorrogação da CPMF e da DRU (Desvinculação de Receita da União).

Um abismo na insegurança

Pedro do Coutto , Tribuna da Imprensa

A reportagem de Túlio Brandão, "O Globo" de 14/04, focalizando a nova tragédia de Edna Ezequiel, que depois de perder a filha, Alana, durante confronto entre a PM e bandidos, atingida por uma bala sem rumo, revê seu irmão, Hélio José, assassinado num duelo entre grupos rivais de traficantes, reflete o fracasso do sistema de segurança no Rio. Há um abismo à frente de cada um dos 6 milhões de habitantes da cidade. Neste setor vital da vida urbana, o governador Sergio Cabral ainda não encontrou o caminho certo. Comunicação só não basta. As ações concretas são indispensáveis. Tampouco marketing. Ainda não se fizeram sentir.

Para Edna Ezequiel, o raio caiu duas vezes no mesmo lugar no espaço de trinta dias. Morro dos Macacos, Vila Isabel. Ela se tornou um símbolo de sofrimento, vítima do brutal absurdo, como também aconteceu com o menino João Hélio. Seus pais e a mãe de Alana são testemunhas diretas do tempo de cólera em que vivemos.

Reforçando a imagem da tragédia carioca, fundamental também a matéria de Fátima Sá e Fábio Brizolla, "Veja Rio" desta semana, iluminando a trajetória das balas perdidas, que fazem uma vítima por dia na cidade. Com isso, ninguém pode sentir-se seguro. Os disparos podem estar vindo em nossa direção, a qualquer momento. Viver no Rio transformou-se em algo lotérico, como num programa de Silvio Santos, no SBT. Tanto assim que o próprio governador recorreu ao presidente Lula e às Forças Armadas para garantir a ordem, que o sistema estadual não está conseguindo assegurar.

O panorama dramático decorre principalmente de omissões acumuladas nas administrações anteriores, Garotinho, Benedita da Silva, atual secretária de Assistência Social, e Rosinha Mateus. Nesta última, nem Agatha Christie imaginaria tal calamidade: o chefe de Polícia Civil figura entre os acusados, inclusive teve sua própria voz gravada, por uma série de ilegalidades. A Polícia Federal possui as fitas. O delegado Paulo Lacerda, diretor do órgão, montou um dossiê terrível. No governo Rosinha, assinala o "Jornal do Brasil" de 16, três mil integrantes da PM foram desviados de suas funções. O que dizer?

São fatos, todos estes, de conhecimento público, que antecederam a chegada de Sergio Cabral ao Palácio Guanabara, deve-se reconhecer. Mas é igualmente fundamental dizer que ele não está sabendo enfrentar a crise que se projeta e cresce. Esta crise exige liderança efetiva e capacidade de combate administrativo e operacional. O Exército, a Marinha e a Aeronáutica são presenças essenciais no território carioca e fluminense, mas não têm o poder de resolver, como num passe de mágica, a guerra urbana que se desenrola.

Os habitantes do Rio, é lógico, são favoráveis à vinda das Forças Armadas, mas sua concessão, pelo presidente Lula, não é algo que dependa apenas da caneta do Planalto. Pela lei complementar que rege a hipótese, número 97 de junho de 1999, tem que passar pela decisão do ministro Valdir Pires e pela aprovação dos três comandantes militares. Só depender da vontade de Valdir Pires já deve constituir uma odisséia. Ele não consegue resolver nada. No momento em que escrevo o artigo, o desfecho final permanecia no ar.

De qualquer forma, o lance de dados feito por Sergio Cabral é de alto risco. Se o socorro não vier como todos esperamos, ele terá sofrido novo rebate e ficado ainda mais vulnerável do que se encontra. Aliás da mesma maneira que todos nós. A hidra do crime cresceu demais. A PM e a Polícia Civil recebem salários baixíssimos.

Há oito anos não são feitas reposições inflacionárias. Como não pode haver débito sem crédito, ou ação sem reação, princípios insuperáveis, as conseqüências aí estão. Avanço da corrupção, da criminalidade, da violência, resultado de uma conspiração inspirada pelo menos no silêncio e na omissão. O que os governadores Anthony Garotinho, Benedita da Silva e Rosinha Mateus fizeram para evitar que o patamar do medo chegasse ao ponto a que chegou? E o que, no momento, faz o governador Sergio Cabral? É preciso sair da utopia e passar ao plano da realidade. Qual a idéia que possui a respeito da segurança o secretário José Mariano Beltrame? Ainda não se sabe ao certo.

O presidente Lula não deve querer deixar Sergio Cabral sem cobertura política. Mas desejará proporcionar apoio e dividir a responsabilidade? Vai querer participar de um gesto aparentemente heróico? A decisão não é fácil. Provavelmente optará por uma solução de meio termo, como é de seu estilo. Mas isso não resolve. Produzirá apenas um efeito passageiro, sem a profundidade que a grave questão exige. Some-se a tudo isso a ausência, até agora, de um planejamento envolvendo todos os ângulos do problema. Uma descompressão é tão indispensável quanto inadiável. No Rio, de outro lado, não está havendo erro de execução de uma política, está ocorrendo equívoco de concepção.

O confronto direto entre a Polícia Militar e os bandidos está acarretando - como Fátima Sá e Fábio Brizolla comprovaram - a morte de inocentes nas ruas da cidade. Um inocente perder a vida é o que de mais injusto pode acontecer. O sistema policial tem que encontrar outros caminhos para combater o crime. O que foi colocado em prática deixou uma trilha sinistra que leva ao fracasso. Coloca em xeque a posição política do governador e a vida de todos nós. Portanto, não serve.

TOQUEDEPRIMA...

Um furacão no crime organizado
Alerta Total

Afilhado falando
Numa das escutas da Operação Furacão, o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas, Ernesto da Luz Pinto Dória, aparece chamando o bicheiro Antônio Petrus Kallil, o Turcão, de “padrinho”.
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Dória se refere ao pagamento mensal pelos serviços prestados de “meu oxigênio”. Preso com outros 24 magistrados, bicheiros, advogados e um procurador federal, Dória decidiu colaborar com as investigações, revelando as tramas do esquema criminoso que atingiria até o Carnaval do Rio.
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Ernesto da Luz Pinto Dória seria o intermediário entre a máfia dos bingos, advogados e um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a Polícia Federal (PF).
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Viva o crime organizado
Relatório da Polícia Federal revela que bicheiros presos pela Operação Hurricane deram R$ 1 milhão ao ex-vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região José Eduardo Carreira Alvim, em troca de decisões favoráveis a donos de bingo no Rio de Janeiro. A PF relata que os acusados pagavam um mensalinho de R$ 10 mil ao desembargador do Tribunal Regional do Trabalho paulista Ernesto da Luz Pinto Dória.
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Também são acusados de terem recebido suborno o desembargador José Ricardo Siqueira Regueira, o procurador regional da República João Sérgio Leal Pereira, três delegados da PF e policiais civis do Rio. Os valores das propinas variavam de R$ 100 mil a R$ 1 milhão.
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Boa política do Bicho
O inquérito sigiloso da Operação Hurricane, que já prendeu 25 suspeitos de explorar e favorecer a exploração do jogo no País, sustenta haver 'indícios e provas' do 'pagamento rotineiro' de propinas a congressistas.
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A PF cita os deputados Marina Maggessi (PPS-RJ) e Simão Sessim (PP-RJ) como supostos participantes do esquema. Os parlamentares negam tal envolvimento, mas sofrerão apurrinhações na Câmara.
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Máquinas de lavar
Há indícios de que pelo menos quatro presos na operação Hiricane sejam beneficiados de remessas ilegais para fora do País.
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A estimativa é de que membros da quadrilha tenham até US$ 10 milhões em paraísos fiscais. Os policiais fizeram também um levantamento das contas existentes no Brasil em nome dos envolvidos e estão conferindo saques e depósitos.

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Os aliados e suas listas de cargos
De O Globo

"Assustados com o apetite dos partidos aliados por cargos poderosos em órgãos técnicos do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus auxiliares decidiram estabelecer um limite na composição do segundo escalão: líderes e presidentes de partidos da base foram avisados que estão fora da divisão política postos de comando de Petrobras, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e o BNDES.

Antes do escândalo do mensalão, em 2005, boa parte desses cargos era ocupada por indicações políticas. A presidência da Caixa é um exemplo. Até o ano passado o titular era Jorge Matoso, afilhado da atual ministra do Turismo, Marta Suplicy. Matoso caiu no escândalo que também derrubou o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci."

COMENTANDO A NOTICIA: Incrível, não ? Você só ouve falar de lista de cargos, lista de indicados, porteira fechada, bases governistas, coalizão, etc. Mas alguém viu por aí algum candidato a cargos apresentar programas e projetos caso seja nomeado ? Alguém discute idéias ? Alternativas para melhorar o país ? Pois é, os gigolôs se assanham para terem acesso ao dinheiro público. Quanto ao interesse da população, nenhum destes cretinos está minimamente preocupado.

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Carlos Wilson volta à Câmara e apóia CPI
De O Globo

"O clima no governo mudou em relação à instalação da CPI do Apagão Aéreo no Congresso Nacional. Ontem, o sinal amarelo acendeu por dois motivos: a percepção de que uma investigação no Senado está cada dia mais próxima de se tornar uma realidade, e a defesa da investigação do caos aéreo feita pelo deputado Carlos Wilson (PT-PE). Ex-presidente da Infraero, Carlos Wilson subiu à tribuna para informar que esteve fora por duas semanas para tratamento de saúde, mas que está de volta e disposto a colaborar com a CPI.

Carlos Wilson afirmou que, na condição de ex-presidente da Infraero, poderia ajudar no esclarecimento de fatos. As declarações surpreenderam petistas e líderes governistas na Câmara. O objetivo da oposição com a CPI é investigar denúncias de irregularidades na gestão da Infraero nos últimos anos.

— Fiquei afastado por 15 dias para fazer um tratamento médico, que foi exitoso. Quero dizer que sou a favor da CPI do Apagão Aéreo. Fui presidente dessa grande empresa e poderia colaborar com algumas informações, apesar de a Infraero não estar ligada diretamente ao caos aéreo — avisou Carlos Wilson."

O ministro da Justiça, Tarso Genro, informou ontem que determinou a abertura de inquérito, pela Polícia Federal, para apurar denúncias de irregularidades na Infraero. Ele negou, porém, que a medida tenha como objetivo inviabilizar a instalação da CPI do Apagão Aéreo, que ontem recebeu parecer favorável do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

— Há uma seqüência natural de fatos administrativos que determinaram que essa investigação seja procedida também pela Polícia Federal — disse o ministro. — A Controladoria Geral da União (CGU) fez sua investigação e notou a possibilidade de delitos que devem ser investigados pela PF. E assim foi determinado.

COMENTANDO A NOTÍCIA: A posição de Carlos Wilson no que tem de surpreendente ? Alguém já viu um político comandando órgão público ser preso e condenado ? Não goza a figura de imunidade parlamentar que lhe permite continuar impune apesar de qualquer coisa de errado ou de criminoso que venha cometer ? Ele sabe bem que na Câmara, a base governista por ter maioria, qualquer CPI tende a ser nula em termos de esclarecimentos.

Quanto ao Tarso Genro, a balela de abrir inquérito na Polícia Federal para investigação , é uma bobagem. Quais inquéritos a Polícia Federal abriu e encerrou com sucesso nas investigações feitos nos crimes cometidos em nível de governo federal ? O histórico, como já sabemos, é zero de produtividade. Primeiro, que a Polícia Federal é comandado pelo próprio ministério que tem o Tarso à frente. Segundo, que o caso mais recente, que foi o do dossiê fajuto, além de decepcionante o resultado final, tratou-se de pilhéria as conclusões da Polícia Federal. E dos envolvidos, quantos estão presos, indiciados ou respondendo processo por conta do inquérito da Polícia Federal? Portanto, que Tarso Genro páre de encher o saco e de querer enrolar. A polícia federal neste governo está a serviço apenas para fazer marketing em operação sensacionalista na prisão de sonegadores de impostos . Ou como polícia política a serviço de um partido político. O resto é balela, pura embromação. Quesito, aliás, no qual Tarso Genro tem muitas habilidades...

Com CPI não se brinca

Villas-Bôas Corrêa, NoMínimo
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A oposição deve guardar seus foguetes para não cair no erro da precipitação. Em tempos contraditórios como o que estamos atravessando, com pequena queda dos índices de popularidade do Presidente Lula nas últimas pesquisas, debitadas às inacreditáveis trapalhadas dos irresponsáveis pelo controle aéreo e a reincidente bagunça dos atrasos de horas que viram madrugada nos aeroportos afetados por greves em série - é natural que as lideranças oposicionistas comemorem a instalação de uma ou duas CPIs: uma no Senado, com a entrega do pedido com sobra de assinaturas; outra na Câmara que também quer o seu show. CPI demais pode embrulhar o estômago e provocar azia.
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É ainda incerta a reação da opinião pública, paralisada no seu desencanto com a desmoralização do Congresso, nos estertores de uma das mais graves crises de sua crônica de altos e baixos. Claro, parece razoável acreditar que ela tende a concordar com a reação do minoritário bloco oposicionista, ainda sangrando com as baldeações dos ladinos para o generoso latifúndio governista, atraídos pelos milhares de cargos para distribuir às mãos cheias, para os que prometam votar nos projetos palacianos e não aborrecer o presidente com picuinhas e exigências. Cada um que pegue o mimo e lamba os beiços.
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Bastou partir para a ofensiva para melhorar o clima soturno do bloco dos tucanos e dos ex-pefelistas que estréiam a nova sigla: são os Democratas (DEM) de roupa mudada. Os holofotes do palco iluminado, dezenas de câmeras de TV, repórteres amontoados por todos os cantos são lembranças que acariciam as mágoas dos que as urnas negaram as venturas da fruição do poder.
São muitas as incertezas no roteiro das esperanças. De saída, convém podar expectativas encharcadas de otimismo: a fase dourada das CPIs dos Correios, do mensalão, do caixa dois, das ambulâncias superfaturadas, da orgia dos milhões de dólares nas contas fantasmas do exterior terminou da maneira mais melancólica e desonrosa com as absolvições por atacado pelos acordos por baixo do pano; na impunidade que esvaziou as cadeias e o retorno triunfal de maioria embrulhada pela insensibilidade do eleitorado, desatento e desinteressado.
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Mais do que a confirmação do baixo nível ético que contamina o Congresso como praga incurável, o 1% do índice de credibilidade do Congresso, registrado pela recente pesquisa, adverte as reservas morais que ainda resistem ao descalabro, para as dificuldades de uma recuperação do mais democrático dos poderes.
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A instalação das CPIs do Apagão Aéreo é um dever de casa da oposição. Tão legítimo quanto o esforço do governo para abortá-las. Pois, mesmo com as debilidades do Congresso enfermo, os riscos do inesperado estouro de um novo escândalo escondido basta para povoar de fantasmas o sono dos que dormem na maciota dos colchões oficiais.
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A aragem mudou de direção e vem castigando o presidente Lula e seus ministros que escapam do bolo dos incógnitos com seguidos puxões de orelha. A cada dia, a sua provação: dos excessos das invasões de fazendas e da ocupação de prédios público no abril vermelho do MST às enchentes que inundam várias áreas do país e expõem a deficiência da rede rodoviária, a precariedade morosa dos socorros e a surpresa dos serviços públicos corroídos pelas deficiências crônicas.
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Mas, devagar com a louça. As CPIs do Apagão não repetirão o sucesso de emoção nacional do seu grande momento na crista da esperança nem estão condenadas, por antecipação, ao fracasso.
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Os que assumiram a iniciativa de brigar pela sua instalação devem saber o que fazem e dispor de informações para as denúncias que renovem o repertório do já conhecido e apurado pela Justiça, a Procuradoria Geral da República, a Promotoria Pública, a Polícia Federal que estão vivas e apresentando um trabalho de encher as medidas.
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Quem não pode com o pote não pega na rodilha, ensina e adverte a sabedoria do povo.
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E só 1%, vizinho do traço, confia no Congresso.

Psicopatias

Reinaldo Azevedo

A quantidade de besteiras que se produz aqui e alhures – incluindo os EUA – sobre Cho Seung-Hui é impressionante. Nenhum conhecimento se banalizou mais no século passado do que a psicanálise. A perfeita expressão dessa banalização, entre nós, é o famoso “Freud explica”. A maioria das pessoas que fazem esse comentário não sabe quem foi Freud, o que ele fez e por que ele explicaria o que quer que seja.
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O clichê, no entanto, traz embutida uma suposição falsa sobre a psicanálise: a de que ela sempre fornece uma explicação para os atos humanos, a de que podemos sempre ser apresentados à causa original de qualquer ocorrência. É mais uma das ilusões da razão. Misturem-se a essa banalização do “freudismo” as generalizações da psicologia social, sempre empenhada em demonstrar como o meio atua de forma definitiva na escolha dos indivíduos, e se tem um coquetel verdadeiramente explosivo, assassino da inteligência.
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Por que Cho Seung-Hui fez o que fez? Porque era psicopata. E isso não tem cura nem causa conhecida. Vale dizer: Freud não explica. Ninguém explica. A nossa aposta na razão supõe sempre que um conjunto de conhecimentos pode chegar ao “é” da coisa, a seu âmago, para agir de forma preventiva. Não podemos.É o caso de não confundir Cho Seung-Hui com uma modalidade bem brasileira, embora não exclusiva, de assassino em série: os que habitam os morros do Rio ou a periferia de São Paulo. Sem que se descarte a existência de psicopatas nesses lugares, trata-se, no mais das vezes, de crimes ditados pela impunidade, pela frouxidão da repressão e da educação e pela inexistência de estado.Em suma: não há o que fazer contra Cho Seung-Hui. Mas há o que fazer contra Fernandinho Beira-Mar.


Agora é psicanalista?
Ihhh, a petralhada agora deu pra me importunar porque afirmei que psicopata não tem cura: “Agora você é psicanalista também?” Não, é claro. Mas garanto que li mais Freud (o Sigmund; quem reza pela cartilha do outro, o Godoy, é Lula) do que a larga maioria deles. Ora, não acreditem em mim. Perguntem aos especialistas sérios se não estou certo. O que fazer? Não há o que fazer a não ser tirar o doente do convívio social — ou limitá-lo ao menos — quando identificado.Em relação ao Brasil — ou às mortes no Rio —, eu não fiz “paralelo” nenhum. Ou, a rigor, fiz: as paralelas não se encontram, certo? São coisas absolutamente distintas. Chamei atenção para outra coisa: por falta de educação, relaxamento da lei, desídia do estado, muitas pessoas, no Brasil e no mundo, perdem a noção do certo e do errado sem que sejam necessariamente doentes: simplesmente deixam de interiorizar certos valores. Escrevi sobre esse tema na Veja no mês passado. O indivíduo que não acredita em nenhuma forma de “pecado” (e só vai entre aspas porque esse termo vale também para os ateus: que seja o “pecado social” se for o caso) está apto a qualquer coisa. São Paulo, o apóstolo dos gentios, pôs isso de outra maneira. Em termos não literais é o seguinte: nem tudo o que me convém me é permitido. Nem tudo o que concorre para o meu bem-estar momentâneo ou para alcançar meus objetivos me é lícito.
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Ter clareza disso é estar preparado para viver em sociedade. Acima, existe embutida mais do que uma moral individual: existe uma ética. Certos períodos da história são especialmente favoráveis à transgressão. Num país em que, por exemplo, os governantes roubam e dizem fazê-lo para o nosso bem, é claro que se está dando um exemplo. Num país em que o criminoso é bem-sucedido, o crime se mostra um meio eficiente de inserção social e de conquista do poder. Esse país pode ser o Brasil? É claro. Esse país é o Brasil — não só ele, mas também. O que eu disse, em suma, é que nada há a fazer com psicopatas, e há tudo por fazer contra o banditismo, que não é uma psicopatia. Ao contrário até: o Brasil criou o mito do bom bandido, o Anjo dos Morros, o Justiceiro da Periferia. O crime, no país, se torna uma forma de integração, não de marginalização.
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Acho, e vocês sabem disso, que a decadência da cultura religiosa responde em boa parte pela miséria moral brasileira. Se todos interiorizassem o “não matarás”, por exemplo, então não mataríamos. É evidente que a interdição ao homicídio está também nas leis civis, na legislação laica. Mas esta só pode prever a punição social. As leis punem, quando punem, os assassinos que escapam de uma outra forma de interdição — esta, sim, eficiente: a interdição moral.

Lá vêm os chineses de novo

Carlos Sardenberg, Portal G1
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Lembra daquela turbulência nos mercados internacionais – com quedas fortes na Bolsa de São Paulo – em fevereiro?
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Pois é, começou de novo.
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A Bolsa de Xangai, a principal da China, caiu 4,5% nesta quinta-feira, que lá já é de noite, com mercados fechados. Enquanto isso, já meio dia na Europa, as bolsas, todas, estão em queda, replicando a onda chinesa.
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Primeira diferença em relação à crise iniciada em 27 de fevereiro: naquela vez, a bolsa de Xangai caiu 8,8% no primeiro movimento; agora, começou com uma queda de metade disso. Menos mal.
Os motivos também são algo diferentes. Em fevereiro, ninguém soube exatamente a causa imediata que desfechou as vendas de ações e altas de juros. Havia uma sensação de desconforto com o “excesso” de crescimento chinês – que está puxando para a frente a economia mundial e pode puxar para trás se houver uma crise por lá. Mas não havia nada que indicasse essa marcha a ré.
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Agora, a sensação de desconforto é a mesma, com um dado concreto. Hoje, no fim da quinta chinesa, o governo anunciou que no primeiro trimestre a economia chinesa cresceu fortíssimos (mesmo para os padrões deles) 11,1%, com uma inflação ao consumidor, em março, subindo para 3,3% anualizada.
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Isso, sim, pode ser sinal de superaquecimento da economia, comentaram as próprias autoridades chinesas. Excesso de demanda, aumentos de preços – tudo pode levar à reação clássica do Banco Central com alta de juros para esfriar a economia e conter a inflação.
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Eis o medo: a fábrica do mundo, que consome insumos do mundo todo, estaria em desaceleração?
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Vendam ações, é a ordem que se espalha pelo mundo.
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Essa é a primeira reação. A segunda será assim: mas como é mesmo que seria essa desaceleração chinesa? Quer dizer que eles não vão crescer 11%, vão crescer só 9%? Que eles vão reduzir o crescimento das exportações e aumentar o das importações?
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Ora, então tudo bem, não é mesmo?
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Quanto à crise de fevereiro, acabou em março, quando o pessoal realizou que era só isso, uma confusão. Agora deve ser algo parecido.
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Mas quem sabe a turbulência ajuda ao BC brasileiro a dar uma subidinha no dólar.
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COMENTANDO A NOTICIA: Isto já comentamos aqui, portanto, não se trata de novidade: a economia chinesa, segundo os dirigentes do gigante asiático precisa crescer menos. Isto é um ponto.Apenas, é de se entender, que eles não sairão mundo alardeando esta necessidade. A razão: evitar o pânico e os incêndios que o anúncio provocaria. Porém, de uma forma ou de outra, os chineses precisarão por o pé no freio de seu crescimento, e não apenas por questão de elevação da inflação dentro do país. A China tem uma capacidade limitada para suprir sua demanda por energia elétrica. E isto num tempo que o terror do meio ambiente se espalho pelo mundo feito tsumani, faz a autoridade chinesa pensar duas vezes nos investimentos que precisa compor em sua matriz energética.

Num primeiro momento, se a China de fato reduzir a velocidade, por exemplo, algo dos atuais 11% para algo ao redor de 7 a 8% (e vai precisar), a conseqüência para nós é uma redução na venda de commoditties. O mercado chinês, e graças a ele, sustentou em boa parte o peso de nossos produtos agrícola na balança comercial de 2006, e graça ao fluxo que ocorre e se mantém inalterado em 2007, tende a dar mais fôlego ao setor agropecuário brasileiro, que assim poderia recuperar-se em boa parte da grave crise que viveu principalmente em 2006.
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Nossa balança comercial poderia ver seu saldos positivos andando em menor velocidade. E por duas razões distintas: de um lado, claro, por conta de um volume de compras da China em menor volume. E de outro, pelo crescimento acelerado das importações, o dobro em relação às exportações, por conta do câmbio com um real aquecido. No curto prazo, nada com que se preocupar, mas no médio prazo é que deveria o governo Lula passar a tratar da questão cambial com mais carinho.

ENQUANTO ISSO...

PAC: R$ 7 milhões em marketing

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva montou uma força-tarefa para impulsionar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a grande aposta do governo para o segundo mandato. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, prepara uma prestação de contas pública sobre o andamento do megaprojeto.

O balanço está previsto para ser divulgado no fim do mês, quando o plano completa três meses, mas também poderá ocorrer no aniversário de 120 dias, em maio, para ficar mais robusto.

Uma campanha publicitária na TV - que já está no ar e tenta "traduzir" o PAC para a população - será reforçada pela propaganda no rádio. Até agora, o governo federal investiu aproximadamente R$ 7 milhões no marketing do programa.

A ofensiva não pára aí: Dilma e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foram escalados para conversar com governadores, prefeitos e secretários sobre projetos que podem ser financiados com recursos do plano, principalmente nas áreas de habitação e saneamento.

Lula despachou ontem Dilma para São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde ela participou de debate sobre o PAC. Paulo Bernardo, por sua vez, foi para Belém (PA). A convite da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, que é do PT, Bernardo expôs o programa para uma platéia de 500 pessoas, entre prefeitos, secretários representantes de sindicatos e organizações não-governamentais.

Na segunda-feira, o ministro estará em Curitiba (PR) com a mesma missão: explicar como as ações e metas do PAC estão organizadas num pacote de investimentos em infra-estrutura. "É um exercício de divulgação para atender as demandas", afirmou Bernardo.

"Temos um grande volume de projetos nas regiões metropolitanas e interesse em soluções integradas com estados e municípios, principalmente nas áreas de habitação e saneamento."

Levantamento da Casa Civil mostra que 74% das principais obras do PAC estão em ritmo "adequado", 17% merecem "atenção" e 9% encontram-se em estágio "preocupante". O esforço concentrado do governo para empinar o PAC na mídia tem motivo: o Planalto avalia que começou a perder a batalha da comunicação, porque o número destacado é sempre o pior.

Mais: a última pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT)/Sensus, realizada entre os dias 2 e 6, revela que 59% dos entrevistados nunca ouviram falar do PAC. "Não acho que esse pessimismo quanto ao PAC seja procedente", argumentou Dilma, que guarda informações sobre o andamento de todas as obras num laptop acomodado em seu gabinete com 577 slides.

"Estamos abertos a negociações com estados e municípios, até porque é lá que estão as obras." Para líderes da oposição, o PAC está se transformando num "pactóide" - uma referência a um fato criado artificialmente para causar impacto.

"Até agora, o que o governo chama de PAC é um pacote de intenções", comparou o líder do DEM (ex-PFL) no Senado, José Agripino (RN). "O plano prevê um crescimento ilusório de 5% e um aporte monumental de recursos privados que não ocorrerá enquanto os juros estiverem exorbitantes", disse ele.

Números

Números divulgados pelo governo mostram que o PAC vai aplicar, em quatro anos, R$ 503,9 bilhões em investimentos em infra-estrutura nas áreas de transporte, energia, saneamento, habitação e recursos hídricos. Deste total, R$ 67,8 bilhões estão previstos no orçamento do governo federal. A expectativa é de que R$ 436,1 bilhões sejam provenientes de estatais e do setor privado.

COMENTANDO A NOTICIA: Tem razão a ministra Dilma: o PAC não está parado. Pelo menos no marketing e na gastança de dinheiro público, ele vai muito bem obrigado...
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Quanto às obras citadas pela ministra (ver post anterior), seria oportuno lembrar que as obras existem e estariam em andamento com ou sem PAC. Por sinal, em se tratando de obras novas, o PAC, convenhamos, não traz absolutamente nada. Fica muito fácil (e cretino também) afirmar de forma tão leviana e desonesta que as obras que inclusive começaram algumas no governo FHC agora fazem parte do PAC sem ao menos fazer referências ao seu idealizador. Como da mesma forma gaba-se o PT de ter conquistado a estabilidade econômica totalmente implantada e conquistada no governo anterior.
Porém, a cretinice de cumprimentar com o chapéu alheio, que tanto caracteriza o governo Lula, precisa ter um amparo muito convincente, razão pela qual o investimento (?) em publicidade enganosa, a que usa a mentira com peça folclórica para criar uma realidade virtual acaba por consumir imensos recursos. Afinal, mentir para mais de 60 milhões não deve ser muito fácil, pelo que o gasto em publicidade precisa ser imenso para consagrar a mistificação de um canalha.

Dilma nega que PAC esteja parado

SÃO PAULO - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou ontem que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) esteja paralisado e que suas medidas no Congresso Nacional estejam travadas. "Para falar que o PAC está travado tem que me dizer onde, em que área e em que projeto", questionou. Segundo ela, não há como negar que o projeto tenha problemas pontuais.

"Se eu negasse, eu estaria cometendo, aqui, uma inverdade, subestimando a inteligência da população. Mas também é subestimar a inteligência da população achar que o PAC não tem obras em andamento", afirmou. A ministra citou como exemplo de obras já em andamento: os gasodutos Coari-Manaus e Gasene (Gasoduto do Nordeste), o trecho norte da ferrovia Norte-Sul e as rodovias BR-101 e BR-163.

Conforme Dilma, há uma série de obras em fase diferenciadas de construção. "Não estão todas na fase final, mas muitas terão conclusão até setembro de 2007, outras em 2008 e outras que estão se iniciando agora. Portanto, nós não fazemos essa análise de que o PAC está atrasado", disse.

Medidas
Dilma destacou que, embora a aprovação das medidas do PAC que tramitam hoje no Congresso seja importante, a maior parte das obras do programa não depende da apreciação dos parlamentares para começar ou ter continuidade. "É muito importante aprovar as medidas do PAC que estão no Congresso porque elas criam um ambiente mais sinérgico e favorável para o desenrolar das obras", declarou.

Dilma Rousseff listou uma série de entraves que impedem a evolução de algumas obras. "O projeto básico está pronto? A licença prévia foi emitida? O problema da desapropriação foi solucionado?", exemplificou. Na avaliação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, as características específicas de cada projeto é que são os verdadeiros gargalos do PAC.

Ela admitiu, entretanto, que é fundamental a aprovação de medidas que desonerem os novos investimentos do pagamento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS e Cofins. Questionada sobre se não seria necessário realizar uma reforma tributária mais ampla, a ministra respondeu apenas que a diminuição de tributos cria um ambiente favorável ao PAC.

A ministra fez essas declarações após participar do seminário promovido pela Petrobras, em São Bernardo do Campo (ABC paulista), sobre os impactos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na competitividade da indústria petroquímica do ABC.

Dilma Roussef garantiu que os trabalhadores que decidirem investir recursos do FGTS em fundos de infra-estrutura, ligados às áreas de petróleo, gás natural e energia elétrica, podem esperar rentabilidade. "Com a queda da taxa de juros, que acho que tem tudo para ser contínua e sistemática, os rendimentos tradicionais em renda fixa vão perder atratividade", afirmou.

"Novos investimentos produtivos vão-se tornar mais atraentes que os investimentos financeiros. Essa é a grande conquista que o Brasil vai ter na área de investimentos", acrescentou. Na avaliação da ministra, os trabalhadores também devem ter acesso aos fundos "extremamente atraentes" a que os grandes investidores já têm. Ao ser questionada sobre declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Dilma evitou entrar em polêmica.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, FHC disse que a estabilidade econômica é uma conquista do governo tucano, que o PT não tem empenho em fazer as reformas política, tributária e trabalhista, e que o PAC, embora seja um bom programa, deveria ter sido implantado no primeiro dia do governo Lula. "Não acho que constrói nada eu ficar debatendo com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso", limitou-se a dizer.

Integração e investimentos regionais
Na palestra que proferiu em seminário promovido pela Petrobras, em São Bernardo do Campo, sobre os impactos do PAC na competitividade da indústria petroquímica do ABC, a ministra destacou as conquistas do primeiro governo do presidente Lula na área econômica.

Segundo ela, os desafios para o futuro são: acelerar o crescimento econômico, mantendo a inflação baixa e o equilíbrio fiscal, reduzir o custo-Brasil, aumentar os investimentos em infra-estrutura, manter e ampliar os programas sociais e incentivar a integração dos entes federativos para os investimentos regionais.

Além disso, enfatiza a ministra, é importante diminuir os juros e os "spreads" bancários (diferença entre a taxa de juros cobrada de quem toma um empréstimo bancário e o custo de captação desses recursos pelo banco), expandir o crédito para habitação e acelerar o crescimento da indústria da transformação. A ministra ressaltou que será dada preferência a setores estratégicos, com uso de mão-de-obra intensiva para fabricação de produtos de alta tecnologia e valor agregado.

Sarney e Ulysses

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

No dia 30 de dezembro de 1973, o jornal "O Estado", do Maranhão e de Sarney, ex-governador e já senador, deu esta manchete: "Sarney: Abertura só virá com a expansão do sistema". E lá dentro: "Brasília - Ao fazer ontem a `O Globo' essa advertência, o senador José Sarney, da Arena do Maranhão, explicou que pensar em qualquer outra espécie de abertura que não seja a expansão (sic) do sistema (sic) é cair no irrealismo, na falta de objetividade".

"Expansão" era ampliação, aprofundamento, agravamento do "sistema", da ditadura, no seu período mais duro, mais torturador, mais sanguinário, em 1973, no governo Médici, AI-5 massacrando a Justiça, a imprensa, o País. E Sarney, "realista", "objetivo" (até hoje), achando pouco, querendo mais.

Constituintes
Amigos do Maranhão reclamam que gosto de pegar no pé de Sarney. Pego pouco. Sarney não é um qualquer. Mais antigo dos senadores (começou em 1970), recorde nacional de mandatos (quatro de oito anos, começando o quinto), escritor, acadêmico, intelectual, ex-presidente, não tem o direito de ficar por aí mordendo o calcanhar da história. Escreveu na "Folha":

1 - "As constituintes foram sempre marcos históricos. Elas foram reveladoras de estadistas e construtores de nações. Da de Filadélfia (EUA) permanecem vivos até hoje Madison, Franklin, Hamilton, Washington e outros".

2 - "No Brasil, a de 1823 revelou os Andradas, Antonio Carlos e José Bonifácio, Cairu (José da Silva Lisboa), Jequitinhonha (Francisco Acaiaba de Montezuma), Olinda (Pedro de Araujo Lima) e nomes que construíram as instituições brasileiras. Em 1890, Rui, Prudente de Morais e Campos Sales".

3 - "A de 1988 não revelou ninguém (sic). Não há um destaque (sic) a fazer, a não ser a redação dos direitos individuais, de Afonso Arinos. Um nome (sic) sequer apareceu. Todos dedicaram-se ao clientelismo do Estado".

Tancredo
O único objetivo dessa conversa de Sarney é deixar escorrer a baba da inveja, do ressentimento, e agredir Ulysses Guimarães, que já não está aí para se defender e a quem sobretudo ele deveu ter sido presidente da República. Primeiro, por Ulysses o ter levado para o PMDB, quando ele mal saía da presidência do PDS e lutava ferozmente para ser o vice na chapa de Maluf. A maioria do PMDB não o queria e na lista de Tancredo era o último.

Segundo, pelo gesto de desprendimento de Ulysses, na madrugada de 15 de março de 85, quando Tancredo foi operado em Brasília e era preciso empossar o substituto. Quem estava lá, como eu, viu e ouviu. Desde o primeiro instante, Ulysses disse que quem devia assumir era Sarney, o vice eleito com Tancredo no Colégio Eleitoral, e não ele, presidente da Câmara.

Era o certo, o legal, e Sarney assumiu, sabendo que o presidente Figueiredo e os ministros militares não o queriam, acusado por Figueiredo de "traidor", tanto que não o esperou no Planalto e não lhe passou a faixa. Sarney escrever, agora, que a Constituinte de 88 "não revelou ninguém" é uma agressão gratuita, despropositada, despeitada, a Ulysses. A Constituição de 88 tem o rosto, o caráter, a bravura, a grandeza e a honra de Ulysses.

Democracia
Pondo os gregos na Ágora, a praça de Atenas, para votar, Péricles inventou a democracia, 500 anos antes de Cristo. Mas quem criou o Estado democrático de direito foi Montesquieu, em "L'esprit des lois" (1748), no qual "os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário estariam nitidamente separados e cada um independentemente (sic) dos outros, para a melhor garantia da liberdade dos cidadãos e da eficiência das instituições políticas".

A Constituição brasileira sacramenta isso em duas linhas, no art. 2º: "São poderes da União, independentes (sic) e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário". Agora vem Lula, que jurou cumprir e honrar a Constituição, e diz: "Foi dada ordem (sic) à base do governo para votar o aumento do FPM." É um perjuro. A democracia de Lula é anterior a Montesquieu.

Paulista
A Prefeitura de São Paulo proibiu o 1º de maio, a marcha dos evangélicos, o réveillon e outras celebrações na Avenida Paulista. Uma exceção: continua permitida a "Parada Gay". Os heteros, em franca minoria, precisam começar a se organizar para garantirem ao menos algumas cotas.

Ó quem fala!
Segunda-feira, Fernando Henrique chegou a São Paulo de madrugada, dos Estados Unidos, e à noite já estava, como estrela, em um jantar do banco BNP Paribas, fazendo uma palestra. Mônica Bergamo, da "Folha", contou: "Foi saudado efusivamente por Roger Agnelli, presidente da Vale:
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- Mas você só viaja. Não pára mais aqui!"

Ó quem fala!

FHC falou de desemprego, cidadania e da necessidade de os brasileiros resgatarem valores, como os de família: "Hoje em dia, todo mundo casa, descasa, não casa. Todo mundo tem filho aqui, tem filho ali"...

Ó quem fala!

TOQUEDEPRIMA...

BC perde R$ 1,9 bi com ação no câmbio
Da Folha de S.Paulo:

"As operações que o Banco Central faz no mercado para tentar conter a queda do dólar já renderam, só neste ano, um prejuízo de R$ 1,9 bilhão à instituição, o que representa um ganho da mesma proporção para bancos e investidores. Esse é o valor da perda acumulada, até a primeira semana de abril, com a negociação dos chamados contratos de "swap reverso".

Esses contratos equivalem a uma compra de dólares no mercado futuro. Na operação, o BC recebe dos bancos a variação que for registrada pelo câmbio em determinado período. Em troca, paga uma determinada taxa de juros. Se o dólar cai -como tem acontecido nos últimos meses-, o balanço final é negativo para o BC. A moeda dos EUA acumula queda de quase 5% neste ano.

As perdas do BC no primeiro trimestre equivalem a quase o triplo dos R$ 690 milhões investidos no período pelo Ministério dos Transportes (responsável pelos maiores investimentos do governo federal)."

COMENTANDO A NOTÍCIA: Eis aí matéria que deveria ser mais divulgada, e com maior estardalhaço do que a gente vê ser feita. Em quanto já soma o imenso prejuízo engolfado pelo BC (e claro por todos nós que pagamos a festa), com esta palhaçada promovida pelo governo federal, em relação ao câmbio ? Quanto de recursos já se queimou na sustentação de um câmbio artific9ial apenas para facilitar a entrada de dólares para financiar sem impostos a dívida pública interna? Porque aquela conversa fiada de que a valorização do real se dá por conta das exportações espera-se que ninguém mais caia nela, por ser mentirosa. Adoraria, portanto, saber quanto já soma este prejuízo praticado pelo governo para a população bancar e pagar !Sei dizer que não é pouca coisa não. Não é mesmo !!!

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Chinaglia quer imprensa distante
De O Globo:

"A dificuldade já revelada pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para lidar com as cobranças da imprensa e com o trabalho de cobertura dos jornalistas na Casa levou-o a desengavetar um projeto do ex-presidente João Paulo Cunha (PT-SP) de transferir o Comitê de Imprensa do local em que funciona há mais de 30 anos para outra área. Considerado um espaço privilegiado pela amplitude, proximidade e acesso direto ao plenário, o comitê dará lugar ao gabinete do próprio Chinaglia.

Com a mudança, discutida ontem em reunião da Mesa, os cerca de 200 profissionais de rádio, jornais, TVs e veículos de comunicação de todo o país que cobrem diariamente as atividades da Câmara serão acomodados em um espaço menor, um pouco mais distante e sem acesso direto ao plenário. O comitê será transferido para o espaço onde hoje funciona a primeira vice-presidência."

COMENTANDO A NOTÍCIA: Eis aí um cretino que deveria aprender a dura lição que todo o político, cedo ou tarde, acaba aprendendo duramente: a de que o cargo que ostenta não pertence a ele, pertence ao povo que o escolheu. Quando o safado precisou da imprensa para eleger-se deputado e depois presidente da Câmara, uso e abusou. Falava pelos cotovelos e mostrava-se sempre sorridente. Depois, uma banana ! De tanto andar de salto alto, um dia a figura pode ainda tropeçar na própria vaidade e orgulho e se machucar. Além disso, senhor canalha, digo Chinagglia, quem desfruta do conforto de um cargo deve saber que prestar contas à sociedade é um dever inarredável.

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MST invade pelo país e pede audiência a Lula
De O Globo

"O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fez ontem uma série de invasões e protestos em todo o país para marcar o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, dentro do "Abril vermelho", e lembrar os 19 mortos no massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996. Os sem-terra agiram em pelo menos 11 estados para pedir a agilização da desapropriação de fazendas improdutivas. Em meio à onda de invasões e de bloqueios de estradas, o MST protocolou ontem um pedido oficial de audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o processo de reforma agrária.

Segundo a coordenadora nacional do MST, Marina dos Santos, há um ano Lula promete receber o movimento, mas até agora não foi marcada a audiência. Na carta ao presidente — protocolada no Palácio do Planalto, enquanto Lula estava na Venezuela —, foi anexada uma pauta com dez itens, entre eles a aceleração das desapropriações para o assentamento de 140 mil famílias acampadas."
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Alguém duvida que Lula os receberá ? E que ainda vestirá um boné vermelho do movimento de saqueadores ? E de fará um daqueles seus discursos cretinos ? E de que ainda abrirá mais o assalto aos cofres públicos com doações cada vez mais generosas ? E de que tudo isso não impedirá que o MST continue a invadir prédios públicos, propriedades privadas e economicamente ativas ?

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Estatística do crime: atualização difícil
Mauro Braga e Redação, Tribuna da Imprensa

O crime no Rio caminha em tal velocidade que a soma dos mortos dos conflitos de rua tem que ser revista de hora em hora, pelo menos. Os jornalistas de rádio e televisão, que saem com a informação na hora, logo a seguir precisam fazer a retificação, que nem é culpa deles. (MB)

Já os que escrevem em jornais e trabalham com horário ficam numa tremenda dificuldade. Anteontem, no tiroteio do Rio Comprido-Itapiru, aconteceu isso. Às 2 horas da tarde eram 8 mortos, às 3 já eram 11, a catástrofe do dia ficou em 19. Do dia, não nos esqueçamos. (MB)

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Polícia Bandida
Alerta Total
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Thiago de Melo Castro, o traficante que comandou o ataque do Comando Vermelho ao Morro da Mineira, no Catumbi, resultando na morte de 13 pessoas, chegou a ser detido pela polícia.
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Mas os PMs que o levaram à delegacia esconderam do delegado a informação de que Thiago participara do confronto.
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Os meganhas alegaram que ele estava apenas passando pelas cercanias.Por isso, o narco-varejista acabou liberado e está de volta à quadrilha que inferniza o Rio.

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Gata e Santo inspiram Comissão de Orçamento
Cláudio Humberto

Gata escaldada, a nova Comissão Mista do Orçamento, foco de tantos escândalos no Congresso, trata de se precaver. Criou quatro comitês permanentes para evitar problemas. Um avalia receita, antes de criar despesa. Outro fiscaliza a execução dos gastos. Um terceiro faz uma prévia da enxurrada de emendas. Mas é o quarto comitê que promete sensação. Leva o pomposo nome de "Comitê de Avaliação das Informações sobre Obras e Serviços com Indícios de Irregularidades Graves". Só no Brasil o Congresso é obrigado a inventar um mecanismo sobre corrupção em potencial. E permanente, já que o fantasma de José Carlos Alves dos Santos, santo padroeiro dos anões do Orçamento, ainda paira por ai.

Brasil busca parceiros para comprar gás

Do G1, com informações do Jornal Nacional

Na reunião da coordenação política desta quinta-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas à posição da Bolívia em relação à venda de gás natural. Ponderou que o Brasil já está buscando parceiros como a Argélia e a Arábia Saudita para a compra do combustível. Lula relatou aos líderes como foi a conversa com Evo Morales.
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“O presidente definiu a postura do Brasil perante a Bolívia nessa relação comercial através da Petrobras. Se houver qualquer tipo de ação contra o país, haverá retaliação nos investimentos, enfim, nos posicionamentos comerciais tomados pela Petrobras”, declarou o senador Romero Jucá (PMDB-RR).
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O presidente Evo Morales, que há um ano nacionalizou a exploração e a comercialização do petróleo e do gás natural, quer comprar as duas refinarias da Petrobras que atuam lá por preço abaixo de mercado. O Brasil não se opõe à venda das refinarias, mas quer US$ 200 milhões por elas.
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O ministro das Relações Exteriores disse que o presidente pontuou o risco político de Evo Morales não levar em conta os nossos interesses.
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“Tem que respeitar os princípios que são do nosso interesse. Inclusive da credibilidade empresarial da Petrobras e eu acho que isso tem que ser preservado. E é isso que o presidente Lula deixou muito claro para o presidente Evo Morales”, disse Celso Amorim.
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Na Bolívia, manifestantes atacaram na madrugada de hoje instalações para exploração de gás e petróleo. As províncias do sul do país disputam a receita da exportação do gás natural e a propriedade dos campos de exploração.
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Os protestos se acirraram nos últimos dias e é mais combustível para a crise que está dentro e fora da Bolívia. No início da semana, o presidente Lula avisou: se o governo boliviano insistir na imposição de regras vai ter que arcar com as conseqüências.

COMENTANDO A NOTICIA: Não saberia dizer se a notícia é apenas uma “manchete de terror” para assustar Morales, e fazê-lo criar juízo, ou se Lula deu-se conta de que em relação à Bolívia, e depois de tantos chute no traseiro, está mais do que na hora do Brasil seguir outra estratégia.

A verdade, senhores, é que Lula já deveria ter fincado pé desde que Morales invadiu as refinarias da Petrobrás na Bolívia com o exército. Foi uma excessiva demonstração de força e um desrespeito em relação ao Brasil que, com seus investimentos, abriu um mercado para o gás boliviano e viabilizou sua comercialização. Não fosse isto, a Bolívia não teria o quê e para quem vender. Ninguém é contra aos atos de estatização, desde que se respeite contratos e, se for o caso, se indenize a quem direito de forma justa.

Por outro lado, Morales seguiu um receituário equivocado. Buscou em Hugo Chavez apoio político e logístico para sua aventura. Chavez não negou, até pelo contrário,. Incentivou o quanto pode o boliviano a fazer o que fez. Porém, nem um nem outro, consideraram que Lula jamais praticou oposição a ambos, deu-lhes apoio político, para Chavez principalmente, e sempre se alinhou como amigo de ambos.

À atitude imbecil de Moralez, por isso, deveria receber do governo brasileiro uma ação mais severa e, o que se viu, foi uma tibieza e cautela excessiva como que a incentivar que Moralez continuasse a brincar de caudilho. A Bolívia continuou recebendo apoio e investimentos do Brasil, muito embora não os merecesse e Moralez continuou a tratar-nos como o lixo do continente. Neste ano, bateu pé no reajuste, e mais uma vez Lula cedeu e consentiu. Chegando a hora de indenizar a Petrobrás pelas refinarias, Moralez se dispõem a pagar um terço do que vale cada uma das duas que a estatal brasileira tem no território boliviano. Um acinte.

Sabemos, também Lula e a Petrobrás, que é uma questão de tempo para o Brasil produzir a totalidade do gás que consome. Portanto, não precisamos nos meter em uma aventuras megalomaníacas com parceiros que não merecem confiança e capazes de, ao primeiro espirro, quebrarem contratos e acordos.

Demorou muito para Lula dar-se conta disto. Insisto que isto a se confirmar as negociações para diversificações de fornecedores para o gás. Se tal decisão é definitiva, é bem vinda. O Brasil é grande demais para ficar submisso a caudilhos latinos ridículos feito Moralez. E, é preciso ter-se isto em conta: tanto a Venezuela quanto a Bolívia precisam muito mais do Brasil do que o Brasil deles. E em todos os sentidos, político, econômico, social e até cultural.

E que tal decisão também sirva de lição para Argentina. No auge da crise dos portenhos, o Brasil foi o aliado de fé, irmão camarada, que segurou o rojão. Na recuperação econômica atual, Nestor Kirchner deve agradecer muito a FHC e Lula que bancaram uma aliança que permitiu à Argentina ter um mercado seguro.

Portanto, e Celso Amorin, das Relações Exteriores, deve levar em conta sempre este detalhe, o Brasil pode sim andar sem muletas de espécie alguma dos irmãos sul-americanos. Ninguém quer isto. A integração continental é importante para todos, e a América do Sul, afinal, é a nossa casa. Mas que não retaliem o Brasil por qualquer impulso: o Brasil é muito maior e independe dos hermanos para o seu desenvolvimento. Convivência pacífica é boa e é bem vinda, mas respeito é indispensável e fundamental. E isto é o mínimo que se pede, respeitem nossa grandeza. E que Lula passe a entender definitivamente que ele foi eleito para ser presidente do Brasil e não das Américas. O interesse do país, portanto, deverá ser sempre prioritário nas suas decisões, mesmo que colida com os hermanos botocudos do continente.

O brioche e o pescoço

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

PARIS - Daqui de cima, Maria Antonieta disse que se o povo não tinha pão comesse brioche. Também não havia brioche para comer. Comeram o reino dela, o pescoço dela, do marido dela, da família dela. Só restou o rei sobre seu cavalo, na frente do palácio. E a névoa desmanchando a tarde e compondo a noite, como o tempo que desmanchou a eternidade deles. Há muitos anos, já lá se vão mais de 50, sempre que volto a Paris venho a Versailles. Foi aqui que tudo começou. Foi aqui que a revolução francesa fez com sangue o parto da democracia. O mundo deve muito ao pescoço dela.

Do alto dessas janelas que vêem o infinito sobre os jardins desenhados e lagos mansos, bosques em pé e campos deitados, Luís XVI e Maria Antonieta jamais imaginaram que um dia tudo isso ia se acabar como se acabou: levando seus divinos pescoços. Em frente ao palácio, dois prédios solenes: um era a estrebaria do rei, o outro a estrebaria da rainha. Lá ficavam seus cavalos e éguas. O povo, longe.

Universidade
Era aqui o "chateau" onde o rei e a rainha passavam os fins de semana, as férias, e, quando começou a revolução, se escondiam da fúria do povo. No outono passado, não havia este sol de luminosa primavera. A tarde estava coberta por uma bruma fria que descia sobre as árvores secas. De quando em quando, uma folha caía devagar, como uma nobre lágrima dourada.

As alamedas enevoadas cheias de faróis acesos e turistas encapotados. Só faltavam mesmo, aqui, nos salões, quartos, pátios e corredores imensos, eles, os reis e seus nobres de roupas complicadas e cabelos encaracolados. Isto aqui é uma universidade do poder. Ninguém, por mais poderoso, é divino e eterno. Quem derrubou o rei também pensou que era.

Robespierre
Robespierre, 30 anos, furioso à frente das multidões, proclamou-se "pontífice do Ser Supremo", vestiu uma bata longa, cintilante, pôs um barrete frígio, de cardeal, e desfilou em Paris à frente de todos. Nas mãos, rosas e espigas, como em um gala-gay. E de 24 de outubro de 1793 a 27 de junho de 1794, oito meses, Robespierre cortou a cabeça, na guilhotina, de 2.596 pessoas. Só em Paris. No interior, outro tanto. Até que cortaram a dele também.

É um engano pensar que só nascem tiranos nas tiranias. Nas democracias, também. O grego Sófocles, 500 anos antes de Cristo, avisou, no "Édipo rei", que "o tirano nasce do ventre da insolência e não sai do poder pela própria vontade". O russo Dostoievski, que sofreu a tirania nos grilhões da "casa dos mortos", a prisão da Sibéria onde esteve preso e estive visitando, ensinou que "a tirania a tal ponto se dilata que acaba virando doença".

Mais perto de nós, Bolívar, herói da unidade sul-americana, avisou: "Nada é tão perigoso como deixar um cidadão permanecer no poder por muito tempo. O povo acostuma-se a obedecer e ele a mandar, de onde se originam a usurpação e a tirania"'.

Sarkozy
Domingo, a França elege seu novo presidente: mandato de cinco anos (já foram sete) com direito à reeleição. Aparentemente, não há risco. O francês já tem o couro bem curtido de impérios, bonapartismos, dominações e tiranias.

Entre doze, os quatro candidatos que disputam dois lugares no segundo turno podem levar a eleição aos mais inesperados e disparatados resultados. Nicolas Sarkozy, até há pouco durão e temido ministro do Interior, candidato da direita, do governo e do presidente Chirac, continua à frente das pesquisas, em torno de 28%. Ségolene Royal, do Partido Socialista, deputada da esquerda, auxiliar de Mitterrand, 24%. François Bayrou, do "centro liberal", 18%. E Jean Marie Le Pen, o tarado da extrema-direita, que quer enforcar o último imigrante africano com as tripas do último imigrante árabe, 15%.

Le Pen
O perigo mora aí. Nas últimas eleições, Le Pen superou o socialista Jospin, foi para o segundo turno e a França, assustada, reelegeu Chirac. Agora, ninguém aqui imagina Le Pen no segundo turno. É evidente que ele apoiaria Sarkozy. Juntos, só os dois fariam 45%. É quase uma eleição ganha.

O cortiça Bayrou, boiando no centro, é o mistério. Pelas pesquisas, se fosse para o segundo turno, derrotaria todos. Se não, e o mais provável é que não vá, para onde iriam seus votos? Para a esquerda, elegeria Ségolene. Para a direita, garantiria Sarkozy. Mas quem iria cobrar caro o apoio seria Le Pen. Como seria um governo Sarkozy, com a participação forte de Le Pen?

Ségolene
Já se foi o tempo em que a Soborne, "Le Monde", "Figaro", as elites "superiores", a classe média escolarizada e bem informada, decidiam eleições aqui. Hoje, quem elege são os "banlieues", as periferias empobrecidas, os quarteirões entupidos de imigrantes africanos, árabes, latino-americanos.

Por isso, a campanha é feita sobretudo para "o homem comum", o povo. Os candidatos adaptam a linguagem para falarem ao "homem comum". A velha esquerda, que comandava esses votos liderada pelo poderoso Partido Comunista, e acabava apoiando o Partido Socialista, em 74 tinha mais de 30%. Hoje, junta, não faz 10%. Ségolene ficou só e Sarkozy-Le Pen ameaçam.

Oportunidade perdida

por Carlos Alberto Sardenberg, site Instituto Millenium

Pessoal, é preciso reparar: a economia mundial está simplesmente sensacional. Com as boas perspectivas para 2007 – crescimento esperado de 4,9%, segundo o relatório divulgado ontem pelo FMI – serão cinco anos seguidos de expansão forte, na média de 5% anuais. A última vez que isso aconteceu foi no início do século passado.

Mais recentemente, houve crescimento acelerado no período 1970/73, quatro anos, pois, e que terminaram da pior forma: crise do petróleo, inflação, juros altos, recessão.

A quadra 2002/05, portanto, já é de qualidade superior à de 30 anos atrás. Não há sinais de crise aguda no horizonte. Ao contrário, o FMI e muitos outros analistas acreditam que a expansão mundial pode continuar ao longo de 2008.

Além disso, por obra da globalização, todas as regiões do mundo estão em crescimento. Também é um dado a reparar. Há mais equilíbrio, um país, uma região apoiando a outra. Neste momento, por exemplo, os EUA estão em desaceleração, compensada, porém, pela aceleração de Japão e União Européia, especialmente da Alemanha.

Há riscos no horizonte, como o enorme déficit dos EUA com o resto do mundo, mas parece que podem ser administrados sem crises maiores, isto é, sem recessão.

Por outro lado, excetuado um ou outro país, também não há inflação. Nas regiões importantes, fica na faixa de 2 a 3% ao ano. Nos EUA, o índice está um pouco acima do tolerável, mas, de novo, a probabilidade maior é de controle sem necessidade de políticas recessivas.

Essa inflação no chão é conseqüência de múltiplos fatores – como a produção barata da China e dos asiáticos em geral – mas muito especialmente da aplicação generalizada do regime de metas de inflação com banco central independente.

O comércio mundial (exportações mais importações de mercadorias e serviços) cresce na média de 10% ao ano. Qualquer país que tenha alguma coisa para vender está fazendo dinheiro. As companhias fazem lucros, suas ações se valorizam, as bolsas estão bombando no mundo todo. Sobram recursos para investimentos.

Em resumo, tem para todos. Claro que países com boas políticas devem se beneficiar mais desse ambiente. O que nos remete ao Brasil. Primeira observação: a sorte do presidente Lula. Ele ganha as eleições e o mundo entra em crescimento espetacular. Exatamente o contrário da era FHC, com altos e baixos, e sucessivas crises internacionais.

Lula, de todo modo, teve o mérito de manter o tripé de política econômica erguido na era FHC – superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante – o que permitiu superar rapidamente a crise de confiança gerada pela própria vitória petista. Depois, a expansão mundial fez o resto do serviço. Propiciou, por exemplo, o forte crescimento das exportações, as quais, de sua vez, trouxeram os dólares que eliminaram o problema da dívida externa.

Sem inflação, sem dívida externa, com superávit primário e redução do endividamento público, os indicadores macroeconômicos brasileiros nunca foram tão adequados. Tudo de positivo que ocorre neste momento, e que puxa o crescimento local, vem dessa política econômica. Por exemplo, o consumo das famílias cresce por causa dos ganhos de renda e do aumento do crédito – as duas coisas sendo conseqüências diretas do fim da inflação.

O país hoje colhe os frutos de uma política que vem sendo construída desde o lançamento do Real, em 1994. No início do governo Lula, na era Palocci, ainda houve alguns avanços – reforma da previdência pública, medidas microeconômicas – que melhoraram o desempenho macro. Depois, parou.

De modo que o governo Lula ficou assim: a “herança maldita” mantém a estabilidade econômica, garante um mínimo de crescimento. Ao lado disso, a ampla distribuição de dinheiro público aos mais pobres, via bolsa família e aumentos do salário mínimo, que reajustam o piso das aposentadorias e pensões, forma a marca Lula.

É simples assim: a política econômica herdada de FHC, agora turbinada pelo crescimento mundial, mais as bolsas e o mínimo.

Mas é por isso que o país não cresce mais. Falta a perna dos investimentos. E estes dependem de reformas que o presidente Lula deixou de lado.

Os investimentos do governo federal em infra-estrutura nem chegam a 1% do Produto Interno Bruto. Para aumentá-los, o governo precisaria gastar menos em custeio, pessoal e Previdência. Isso exige reformas da Previdência e da administração pública.

Para abrir espaço ao investimento privado, também são necessárias reformas de cunho liberal, como as que levem à redução da carga tributária e dos custos trabalhistas. Também é preciso destravar o ambiente de negócios e voltar às privatizações, especialmente às concessões de serviços públicos (estradas, portos, aeroportos) à iniciativa privada.

Na verdade, nem haveria problema se o governo se concentrasse na distribuição de renda, desde que abrisse amplo espaço para o investimento privado.

Mas não há investimento público por falta de dinheiro, nem privado por causa das restrições ideológicas e da pura incompetência. O que significa que o país perde a oportunidade de ampliar sua capacidade de crescimento.

ENQUANTO ISSO...

Jarbas, do PMDB: ‘Temos o dever de resistir’
De O Globo:

"Momentos antes de o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), ser recebido ontem em audiência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) subiu à tribuna para cobrar uma reação dos partidos de oposição e dissidentes da base governista diante da estratégia do governo "de se tornar uma unanimidade e de cooptar a todos". Para o ex-governador de Pernambuco, o Senado deveria ser a principal trincheira de resistência "à submissão total aos interesses" do Planalto.

— Temos o dever de resistir. Insisto na tecla de que o nosso papel como oposicionistas é essencial para a democracia brasileira. Não vamos repetir o equívoco cometido pela oposição na Venezuela, que abriu mão do enfrentamento parlamentar, permitindo que o governo do presidente Hugo Chávez estabelecesse uma vitória por WO, para usar uma metáfora futebolística, que o presidente Lula aprecia tanto — advertiu Jarbas, de um partido que apóia o governo e tem cinco ministros."


Enquanto isso...

Sem falar da CPI do Apagão Aéreo
De O Globo Online:

"Ao final de uma conversa de cerca de uma hora no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ao presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), que respeita a iniciativa da oposição de abrir uma CPI da crise aérea no Senado.

"Não tratamos desse assunto na conversa, mas o presidente Lula me disse, já na saída, que compreende e respeita nossa posição de instalar a CPI", disse Jereissati a jornalistas depois da audiência.

A conversa com Jereissati faz parte da aproximação de Lula com os oposicionistas. Há quinze dias ele recebeu o senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA) e, na quarta-feira, o governador tucano de São Paulo, José Serra.

"Ele foi eleito presidente pelo povo e nós fomos mandados para a oposição pelo povo, mas se alguns pleitos podem ser resolvidos pelo diálogo, isso é sempre bom para o país", disse o senador tucano."

Quase ninguém a favor

José Paulo Kupfer, NoMínimo

As deserções desta vez foram mais significativas. Não são apenas os industrialistas e desenvolvimentistas de sempre, mas gente do mercado financeiro que abandonou o barco do conservadorismo excessivo da política monetária praticada pelo Banco Central. Nem mesmo é gente qualquer do mercado financeiro. Do bloco dos descontentes agora fazem parte economistas com relevante experiência financeira, caso de Edmar Bacha e Ibrahim Eris, entre outros menos votados.

Até mesmo na mesa que decide a taxa básica houve, agora, deserções mais nítidas. A taxa para os próximos 45 dias recuou apenas 0,25 ponto por placar apertado: quatro a três. Está agora em 12,5% nominais ao ano. É a menor taxa básica da história, mas, ainda assim, a mais alta do mundo – cerca de 8,5% em termos reais.

A tradução disso é que, por enquanto, os problemas provocados pelos juros excessivos continuarão. Já as vantagens que eles possam trazer, sobretudo uma inflação no chão e longe do centro da meta, com a inestimável contribuição de um câmbio valorizado também em função dos juros descompassados, faz tempo que foram alcançadas.

Tanto isso é verdade que a notícia da nova taxa, definida no começo da noite de quarta-feira, não mereceu maiores manchetes. Às 21h30, nos grandes portais de notícias, a nova taxa Selic ocupava, quando muito, uma terceira ou quarta chamada. Em alguns casos, não passava de uma linha fina, no pé de uma notícia de economia considerada mais relevante – a escolha do economista Luciano Coutinho para a presidência do BNDES, por exemplo.

Defender a funcionalidade das taxas de juros estabelecidas pelo BC, com base nas vantagens para o controle da inflação é como olhar o azul do céu pelo espelho retrovisor. O que se vê para trás pode agradar tanto à vista que o motorista, distraído, corre sério risco de enfiar o carro no poste ou no precipício à frente.

Ao dificultar crescimento e investimento, taxas de juros fora do lugar desarticulam a economia por diversos caminhos. No curto prazo, o dano mais visível e perigoso é o cambial.

Dá pena de quem ainda se esforça na tentativa de argumentar não haver relação entre o atual nível dos juros e a valorização cambial de longa duração que a política monetária ajuda a perpetuar. O argumento de que a taxa de juros já caiu sete pontos desde meados do ano passado, mas o câmbio teima em continuar seu processo de derretimento só serve para deixar claro que os cortes feitos, nas atuais condições da economia mundial, foram insuficientes.

Em entrevista ao jornalista Sergio Lamucci, do “Valor Econômico”, Ibrahim Eris lembrou dois pontos importantes. Um deles é que os gastos públicos correntes, em alta, contribuem para a valorização cambial, pois o governo gasta muito no mercado interno e importa quase nada. Além disso, até o crescimento brasileiro abaixo do obtido pela economia global pressiona para derrubar o dólar.

Em certas circunstâncias – e o Brasil já as viveu algumas vezes no passado – saldo comercial avantajado é antes sintoma de economia doméstica fraca do que de pujança produtiva. Um mercado interno fraco estimula exportações, visto que vender para o exterior pode ser uma saída a todo custo para a anemia interna. E inibe importações, pois não haverá no mercado interno demanda suficiente para incentivar planos consistentes de importar para aumentar a produção ou de produtos prontos para consumo.

Há situações – como é o caso atual do Brasil – em que uma economia fraca gera uma moeda forte, contrariando o senso comum, segundo o qual moedas fortes refletem economias idem. São cada vez menos, mas ainda há quem, juntamente com o Banco Central, se iluda com isso.

O ganho alheio

por Denis Rosenfield, filósofo, Blog Diego Casagrande
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Em algum momento, o Brasil deverá superar a esquizofrenia que marca a política agrária do governo Lula. Provavelmente, em nenhum país do mundo, há dois ministérios que tratam das questões agrícolas: o Ministério da Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ademais, ambos ministérios conduzem políticas antagônicas. Um defende o agronegócio, a propriedade privada e a liberdade econômica; o outro, o MST, a CPT e organizações congêneres, procura abolir a propriedade privada e suprimir a liberdade. Não espanta, neste contexto, que não haja propriamente dito política governamental para esse setor, senão sob a forma de avanços e recuos. Atender a um, significa descontentar a outro.
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O embate está ainda mais duro pelo fato de Lula, candidato, ter prometido revisar os índices de produtividade para efeitos de desapropriação de terras. Na verdade, no Brasil de hoje, líder na produção de alimentos, não há mais terras improdutivas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste no Brasil. O Incra, nessas regiões, não possui mais funções, senão marginalmente, não se entendendo, portanto, o por quê de mais cargos para esse órgão estatal. A moderna propriedade agrícola mudou a face do país. Discursos sobre “latifúndios improdutivos” não correspondem mais à realidade. Até o próprio MST se deu conta disto, procurando mudar a sua demagogia sobre a grande propriedade, produtiva ou não. Investe, também, contra as empresas de reflorestamento, papel e celulose, em nome de um pretenso “deserto verde”. Trata-se, para eles, de uma apropriação de questões ambientais para fortalecer a corrente ecossocialista do governo e da opinião pública.
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Como todo mundo sabe, basta olhar uma floresta verde para constatar que não há nenhum deserto. Deserto, segundo o Houaiss, significa “zona árida, com precipitações atmosféricas irregulares ou escassas, vegetação inexistente ou rara, relevo formado pela alteração de determinadas rochas, e desprovida de habitantes permanentes. Ou ainda, ausência total de alguma coisa; aridez”. Poderíamos ainda acrescentar que o deserto é associado à cor bege, à areia, nada, portanto, que corresponda ao que observamos nas plantações de pinus ou de eucaliptos. O problema central, porém, reside em que o MST, a CPT e outras organizações políticas procuram destruir a propriedade privada, não se preocupando minimamente com o estado de direito.
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Acontece, porém, que, se os atuais índices de produtividade forem mantidos, eles estão manietados. Eis por que o próprio INCRA e o Ministério do Desenvolvimento Agrário propuseram, em acordo com o MST e a CPT, uma revisão desses índices, aproximando-os aos índices efetivos de exploração atual das propriedades. Caso vier a ser aprovada, tal revisão precipitará uma onda generalizada de invasões, chamando o Incra para as novas tarefas de desapropriação. Lula, pessoalmente, se engajou com essa revisão quando de sua campanha eleitoral. Agora, nesses últimos dias, procura cumprir a promessa, anunciando uma revisão dos índices que não seria tão radical quanto à proposta pelo INCRA e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Em caso de publicação de tal portaria, o MST e organizações congêneres teriam em suas mãos um poderoso instrumento para destruir a propriedade privada “legalmente”. A instabilidade social, na verdade a “luta de classes” como dizem, poderia se desenvolver sem nenhum tipo de obstáculo legal. De toda maneira, qualquer revisão terá como efeito uma generalização de invasões no campo brasileiro, visando ao agronegócio enquanto tal, independentemente do setor, atingindo tanto a soja, a cana de açúcar, quanto as empresas de reflorestamento e as empresas de papel e de celulose.
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O argumento de que se torna necessária uma revisão desses índices por datarem da década de setenta não se sustenta. Na verdade, os que defendem essa posição querem se apropriar dos ganhos de produtividade das empresas privadas, para os quais não contribuíram. Pretendem apenas uma transferência de propriedade em proveito próprio e em prejuízo do trabalho alheio. Querem para si o que não lhes pertence. É como se um indivíduo, tendo comprado uma casa velha, feito uma bela reforma, deve, agora, transferir parte dela porque o governo acha que ele muito ganhou com ela! Aliás, fica uma sugestão, por que não começar por uma análise dos índices de produtividade dos assentamentos? Será que eles estão adequados aos atuais? E que dirá dos novos propostos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário?

Alguém precisa explicar-lhe

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

Atacou novamente o presidente Lula, esta semana, ao criticar pela milésima vez os meios de comunicação, que em suas palavras só divulgam coisas más e omitem as coisas boas. Condenou o que chamou de generalizações perigosas, pois, quando a imprensa denuncia a existência de um deputado corrupto, dá a impressão de todo o Congresso ser corrupto, o que não corresponde à realidade.

No cerne dessa nova confusão feita pelo presidente está sua reação ao chamado noticiário policial. Ele não entende por que os jornais e os telejornais dedicam tanto espaço e tempo aos crimes mais recentes, acontecidos na véspera ou no próprio dia, com ferimentos e mortes causados por balas perdidas, assaltos e seqüestros, sem a contrapartida de que milhões estão trabalhando, não foram seqüestrados, nem assaltados, muito menos atingidos por balas perdidas.

Mídia é pautada pelo inusitado
Agora que o governo dispõe de um novo ministro-secretário de Comunicação Social, o competente Franklin Martins, quem sabe Lula acabe convencido de que a mídia, pelo menos nas democracias, é pautada pelo inusitado. Pelo que acontece de diferente na sociedade, tanto faz se através de notícias "boas" ou "más". Até porque, quando o PT era oposição, as notícias "boas" eram as "más", capazes de incrementar a ação política do partido e ganhar eleições, como ganharam.

Tivesse o chefe do governo a possibilidade de entrar na máquina do tempo e aterrissar, por exemplo, na União Soviética dos tempos de Stalin, ficaria surpreso e indignado com as manchetes e o noticiário do "Pravda", que em meio a crises, desastres e violência registrados no mundo e no país dedicava-se a exaltar a magnífica colheita de batatas daquele ano ou abria suas colunas para registrar as mensagens de solidariedade dos Partidos Comunistas amigos ao guia genial dos povos. Para ficar na outra face da moeda, que tal lembrar os tempos da ditadura no Brasil, quando a censura proibia informações sobre o surto de meningite que matava gente aos montes, ou vetava menções a Juscelino Kubitschek, D. Helder Câmara e muitos outros?

Seria útil se Franklin Martins convencesse o presidente de que quando um cachorro morde um homem não é notícia, a menos se tiver sido um pitbull estraçalhando uma criança. Já quando um homem morde um cachorro... Se os aviões estivessem saindo no horário, o fato não mereceria sequer uma nota de pé de página, mas se o caos é estabelecido nos aeroportos, dá manchetes e fotografias. Agora, como estamos no Brasil, e as concepções presidenciais continuam singulares, quem sabe se aproxime o tempo em que as notícias "boas" venham a merecer grande destaque? Porque logo representarão o inusitado, o anormal, tendo em vista a avalanche de notícias "más"...

Deus nos livre, mas pode estar próximo o dia de um jornal estampar na primeira página que "um determinado cidadão conseguiu trafegar do Rio a Salvador, em seu carro, sem encontrar buraco nas rodovias". Ou que um telejornal chamará a atenção para o fato de que, "ontem, ninguém morreu vitimado por balas perdidas".

Acresce estar S. Exa. sendo injusto para com a mídia amiga e amestrada (royalties para mestre Helio Fernandes). Ou a sociedade não acaba de ser bombardeada com centenas de informações sobre sua popularidade ter crescido?

Coincidência?
Apenas esta semana assistimos a nada menos do que 21 ações violentas do MST e do Movimento dos Sem-Teto. Ocupação de propriedades produtivas e assalto a repartições públicas urbanas pelos sem-terra e fechamento de ruas, além de invasão de prédios abandonados por seus primos. Alguém concluirá tratar-se de mera coincidência, de simples acaso gerado pelo desespero de multidões carentes?

Infelizmente, e mesmo com toda razão de protestar, os cidadãos sem moradia nem chão para cultivar estão extrapolando. Não dá para aceitar que não se trate de uma ação coordenada entre todos os movimentos e até suas dissidências. Que tipo de tolerância deve ser concedida aos grupos revoltados? Botar a polícia em cima deles não resolve, nem haveria cadeia em condições de abrigar tanta gente. A médio e longo prazos, a solução seria implementar a reforma agrária e adotar plano habitacional imediato, mas a curto prazo, fazer o quê?

Instrumentos de informação o governo dispõe. Não seria difícil identificar o que os líderes vêm tramando, tomando-se como correta a determinação de não permitir a baderna. Afinal, o maior prejudicado é o cidadão, a quem cabe ao Estado proteger. Se descerem um mínimo ao fundo poço, concluirão todos estar em curso uma ação desagregadora do poder público. Uma provocação que, por maiores justificativas que possua, contraria os princípios da vida em sociedade.