sexta-feira, abril 20, 2007

ENQUANTO ISSO...

PAC: R$ 7 milhões em marketing

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva montou uma força-tarefa para impulsionar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a grande aposta do governo para o segundo mandato. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, prepara uma prestação de contas pública sobre o andamento do megaprojeto.

O balanço está previsto para ser divulgado no fim do mês, quando o plano completa três meses, mas também poderá ocorrer no aniversário de 120 dias, em maio, para ficar mais robusto.

Uma campanha publicitária na TV - que já está no ar e tenta "traduzir" o PAC para a população - será reforçada pela propaganda no rádio. Até agora, o governo federal investiu aproximadamente R$ 7 milhões no marketing do programa.

A ofensiva não pára aí: Dilma e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foram escalados para conversar com governadores, prefeitos e secretários sobre projetos que podem ser financiados com recursos do plano, principalmente nas áreas de habitação e saneamento.

Lula despachou ontem Dilma para São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde ela participou de debate sobre o PAC. Paulo Bernardo, por sua vez, foi para Belém (PA). A convite da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, que é do PT, Bernardo expôs o programa para uma platéia de 500 pessoas, entre prefeitos, secretários representantes de sindicatos e organizações não-governamentais.

Na segunda-feira, o ministro estará em Curitiba (PR) com a mesma missão: explicar como as ações e metas do PAC estão organizadas num pacote de investimentos em infra-estrutura. "É um exercício de divulgação para atender as demandas", afirmou Bernardo.

"Temos um grande volume de projetos nas regiões metropolitanas e interesse em soluções integradas com estados e municípios, principalmente nas áreas de habitação e saneamento."

Levantamento da Casa Civil mostra que 74% das principais obras do PAC estão em ritmo "adequado", 17% merecem "atenção" e 9% encontram-se em estágio "preocupante". O esforço concentrado do governo para empinar o PAC na mídia tem motivo: o Planalto avalia que começou a perder a batalha da comunicação, porque o número destacado é sempre o pior.

Mais: a última pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT)/Sensus, realizada entre os dias 2 e 6, revela que 59% dos entrevistados nunca ouviram falar do PAC. "Não acho que esse pessimismo quanto ao PAC seja procedente", argumentou Dilma, que guarda informações sobre o andamento de todas as obras num laptop acomodado em seu gabinete com 577 slides.

"Estamos abertos a negociações com estados e municípios, até porque é lá que estão as obras." Para líderes da oposição, o PAC está se transformando num "pactóide" - uma referência a um fato criado artificialmente para causar impacto.

"Até agora, o que o governo chama de PAC é um pacote de intenções", comparou o líder do DEM (ex-PFL) no Senado, José Agripino (RN). "O plano prevê um crescimento ilusório de 5% e um aporte monumental de recursos privados que não ocorrerá enquanto os juros estiverem exorbitantes", disse ele.

Números

Números divulgados pelo governo mostram que o PAC vai aplicar, em quatro anos, R$ 503,9 bilhões em investimentos em infra-estrutura nas áreas de transporte, energia, saneamento, habitação e recursos hídricos. Deste total, R$ 67,8 bilhões estão previstos no orçamento do governo federal. A expectativa é de que R$ 436,1 bilhões sejam provenientes de estatais e do setor privado.

COMENTANDO A NOTICIA: Tem razão a ministra Dilma: o PAC não está parado. Pelo menos no marketing e na gastança de dinheiro público, ele vai muito bem obrigado...
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Quanto às obras citadas pela ministra (ver post anterior), seria oportuno lembrar que as obras existem e estariam em andamento com ou sem PAC. Por sinal, em se tratando de obras novas, o PAC, convenhamos, não traz absolutamente nada. Fica muito fácil (e cretino também) afirmar de forma tão leviana e desonesta que as obras que inclusive começaram algumas no governo FHC agora fazem parte do PAC sem ao menos fazer referências ao seu idealizador. Como da mesma forma gaba-se o PT de ter conquistado a estabilidade econômica totalmente implantada e conquistada no governo anterior.
Porém, a cretinice de cumprimentar com o chapéu alheio, que tanto caracteriza o governo Lula, precisa ter um amparo muito convincente, razão pela qual o investimento (?) em publicidade enganosa, a que usa a mentira com peça folclórica para criar uma realidade virtual acaba por consumir imensos recursos. Afinal, mentir para mais de 60 milhões não deve ser muito fácil, pelo que o gasto em publicidade precisa ser imenso para consagrar a mistificação de um canalha.