domingo, setembro 12, 2010

O retrocesso às nossas liberdades e uma democracia na corda bamba

Adelson Elias Vasconcellos

É, mais uma pesquisa Datafolha, os números se repetem e, ao que parece, a eleição estaria encerrada. É? Fosse assim, é simples: empossa-se a Dilma, ela posa para a foto oficial com a faixa presidencial e direito a mais um daqueles discursos cheios de pompa, sem deixarem de ser canalhas e mistificadores, e que só os petistas são capazes de pronunciar, e se poupa um montão de dinheiro público, ok?

Acontece, entretanto, que ainda não se depositou um miserável voto na urna e, neste caso, a eleição propriamente dita sequer começou. Até lá, faltam exatos 23 dias. Portanto, como pesquisa não ganha eleição, apesar de que sua influência conforme já provei aqui, pode induzir o povão ao erro de votar em quem está sendo, manipuladamente, apresentado como vencedor. Sendo assim, melhor aguardar pela dita cuja, não é mesmo?

Fiquei nos últimos dias matutando com meus botões algumas coisinhas um tanto esquisitas. Por que razão, a nossa prestimosa e decantada Polícia Federal, antes sempre presente no noticiário, andava assim tão quieta, sem aquelas fabulosas operações caça-fantasmas com direito a nomenclaturas gregas ou estranhas ao idioma?

Também as pesquisas eleitorais, que se comunicavam dia sim, dia também, deram uma parada de cerca de 10 dias? Por que, na medida em que a data da eleição mais se aproximava, as tais pesquisas ficaram mudas, quando deveria ocorrer justamente o contrário? Mudança de critérios? Vá saber!

De repente, estoura o escândalo dos dossiês e, na medida em que toma conta dos noticiários da imprensa, a gente percebe um movimento diferente. Reparem: primeiro, foi o caso em Dourados, Mato Grosso do Sul, com a prisão de prefeito, vereadores e mais um monte de gente bacana. Contudo, a operação não teve o dom de retirar do ar o assunto dos sigilos violados. Dourados e suas prisões, correu de forma secundária. Novos fatos sobre o sigilo e o assunto crescendo, e pimba: dois fatos, um, o relatório da PF sobre o mensalão do Arruda, saindo como “mensalão do DEM” – bastante significativo – como a reforçar a lembrança para os eleitores sobre a lambança de um dos partidos da coligação de Serra. Mas o assunto sigilo ficou no ar com novas revelações. Aí, veio o estouro das escutas ilegais no Rio Grande do Sul. Mas o assunto sigilo continuava na primeira página. Lula, resolveu que era hora dele assumir a campanha de Dilma, que feito laranja de presidente, terceirizou sua campanha. Saiu dando bordoada em Deus, no mundo e, lógico, nos tucanos. Por onde passou nesses dias, ultrapassou todos os limites da decência e do decoro, sem, claro, deixar de agredir a verdade. E somente, então, temos nova pesquisa no ar e nova operação da Polícia Federal, desta vez, no Amapá.

Quem olhar a pesquisa vai achar que ficou tudo na mesma. Mas há diferenças que, muito embora pequenas, podem fazer a diferença na reta final. Ocorre que, entre os mais escolarizados e mais bem remunerados, Dilma perdeu pontos. É onde a informação é bem melhor assistida, tem forte impacto sobre decisões eleitorais. Tradicionalmente, esta classe de pessoas, acreditem, acaba influenciando o voto de outros. São os formadores de opinião. Formador de opinião, gente, não são apenas jornalistas, comentaristas e analistas políticos que perambulam pela mídia. São os mais bem informados e escolarizados, com capacidade crítica mais acentuada do que outras classes. E fica claro, seja pelos números do Datafolha, quanto pelas reações de Lula que, inclusive agrediu o que ele chamou de “pseudoformadores de opinião”, que há uma preocupação no núcleo da campanha de Dilma quanto ao impacto que a questão dos sigilos poderá causar daqui prá frente. Daí, porque se entende a agressividade e contundência verbal de Lula nos últimos dias.

Terá tudo isso reflexo no resultado do primeiro turno? Como já disse, não sei. Não tenho bola de cristal, tampouco faço torcida por este contra aquele. Sei em quem não quero votar, não por questão programática ou de simpatia. Digo “não” a tudo o que de ruim representa para o país a permanência do PT no poder, e o quanto de despreparo se percebe na candidata governista. Não me atrai pessoa que faz da mentira um método de fazer política, da mistificação uma forma de concorrência e da falsidade um atributo de caráter.

A minha análise se centra em valores que defendo e entendo serem os melhores para o país. Para um Brasil ainda entregue à escuridão do conhecimento, cuja maior parte de sua população sequer acesso à informação consegue ter, precisamos de governantes, em seus diferentes graus, que sirvam de exemplo para elevar tanto o conhecimento quanto o acesso à informação. E não vejo no PT um partido interessado neste aspecto. Até pelo contrário. Ele aposta na ignorância., na desinformação e no baixo nível de escolaridade para vingar seus valores autoritários.

Quem tem tido a felicidade de compar o Brasil real exibido pelo Jornal Nacional, não consegue identificá-lo no Brasil da campanha governista da Dona Dilma. A mentira salta aos olhos também, quanto confrontamos o que se diz na campanha e nos palanques pela dupla Lula/Dilma, com os dados revelados pelo IBGE nesta semana.

Concluo dizendo que se identifica, claramente, nas ações do Estado, uma confluência criminosa com as ações de governo, que, por sua vez, se embaralham com a campanha eleitoral. Que o povo não tenha esta percepção é até compreensível, dado o volume de propaganda oficial mentirosa que o governo Lula tem despejado diariamente. Já para um juiz eleitoral ou até para a turma do Ministério Público, a cegueira é injustificável. Há muito tempo venho trazendo fatos que demonstram, de forma indiscutível, que a coligação da senhora Dilma está abarrotada de crimes eleitorais que caracterizam o abuso do poder político e do poder econômico, dado que recursos e dependências do governo que, no fundo são de Estado, estão sendo utilizadas em favor da candidatura Dilma. Tudo feito às claras, acintosamente, desafiando os ministros do TSE como a dizer: se vocês têm coragem, apliquem-nos a lei eleitoral.

A conclusão que se tira de todo este quadro, acreditem, em nada nos engrandece como nação democrática: as instituições, bem como as leis vigentes, estão sendo esbulhadas e esmigalhadas por uma máquina partidária autoritária e sem limites. Se Dilma ganhar a eleição, estejam certos, quem perde é o país, é a democracia, são as instituições, é o estado de direito. E, se adicionado à sua vitória, resultar um Congresso majoritariamente composto pelos candidatos de sua coligação, quem perde, em última análise, é o próprio povo brasileiro, que se verá despojado de muitas de suas conquistas previstas na constituição. A partir de janeiro de 2011, podem escrever, o povo brasileiro estará menos livre do que já esteve antes do Petê chegar ao poder.

Insisto numa questão: não me interesse qual será a escolha do povo brasileiro. O que sei é que ela, de fato, aianda não foi feita. O que sei é que há casos nebulosos que esta campanha, simplesmente, pôs de lado, ocultando do eleitor informações indispensáveis para que ele tivesse melhor avaliação sobre os candidatos e candidatas e, assim, de maneira soberana e com conhecimento prévio do "quem é quem", pudesse escolher com sabedoria o que entende ser melhor para ele e para o país.

Talvez, até em função das pesquisas, a oposição se dê conta que a sua decisão de não criticar um governo tido por popular, mas que age nas sombras para não parecer o populista que realmente é o que é, só colabora para sua própria derrota e para que o governo navegue de braçada, porque não está sendo contestado. Em artigos anteriores, toda as vezes que me dediquei a apresentar fatos sobre o governo Lula, o resumo nunca ficou menor do que, pelo menos, 10 acontecimentos graves que a oposição deveria ter melhor explorado, escancarando a verdade, independente se isto lhe amealharia votos ou não. O país de uma oposição digna do nome, não a tem para  esconder-se, fugindo do bom combate político. Ali está, primeiro, porque representa uma parcela considerável da sociedade. Segundo, sua missão é justamente vigiar e fiscalizar o governo de plantão, e, se for o caso, denunciar seus erros e abusos, porque é isto que lhe cabe. Ninguém, por mais errado que esteja, se não for criticado e confrontado, adquirirá consciência de seus próprios erros. Como dizia Nelson Rodrigues, toda a unanimidade é burra.

Portanto, que a oposição cumpra com seu papel: o que não faltam são motivos para criticar, para denunciar e para mostrar ao país que, o continuísmo de que se gabam Lula e Dilma nos palanques, representa a manutenção de esquemas de porão que não interessam ao país livre, democrático, ético e desenvolvido. Cabe, portanto, ao senhor Serra, impor a agenda do debate. Enquanto insistir em fugir da missão que lhe cabe, ou por covardia ou por orientação de seus marqueteiros, mais mostras dará ao país de que, realmente, não está a altura de exercer a presidência.

O Polvo no Poder

Por Diego Escosteguy, Revista Veja
Reportagem de Rodrigo Rangel, Daniel Pereira, Gustavo Ribeiro e Paulo Celso Pereira


Bem próximo do gabinete presidencial, o filho da ministra Erenice Guerra, chefe da Casa Civil, comanda um esquema de lobby que conta com a ajuda da mãe para atrair empresários interessados em contratos com o governo

A reportagem de capa de VEJA da semana passada relatou o escândalo da quebra do sigilo de adversários políticos promovida por militantes do PT e deu uma visão panorâmica da imensidão e profundidade do aparelhamento do estado brasileiro por interesses partidários. A presente reportagem foca nos detalhes de um caso de aparelhamento muito especial.

Os eventos são protagonizados por pessoas que dão expediente no Palácio do Planalto, em um andar logo acima do ocupado pelo presidente Lula, e são quase todos filiados ao PT, em cujo nome eles agiram em seu relacionamento com empresários em busca de contratos milionários com órgãos do governo.

A figura de proa da história é Erenice Guerra, ministra chefe da Casa Civil, pasta na qual sucede Dilma Rousseff, a candidata petista à presidência da República. Lula inventou Dilma, que inventou Erenice, que é mãe de Israel, personagem que nos leva ao segundo capítulo da narrativa. Ela começa em abril do ano passado, quando Erenice era secretária-executiva da candidata Dilma Rousseff. Lula sabia tudo que a ministra Dilma fazia, que sabia tudo que Erenice fazia?

À frente da Casa Civil desde abril deste ano, Erenice despacha a poucos metros do presidente, coordenando o trabalho de todos os ministérios da Esplanada. Esse extraordinário poder político compreende as bilionárias obras do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, e a atuação de gigantes como o BNDES, a Petrobras e os Correios.

Hoje, qualquer grande ação do governo precisa receber o aval de Erenice. Ela chegou ao cargo pelos bons trabalhos prestados ao partido nos últimos sete anos. Tornou-se então a principal assessora e confidente da candidata do PT à Presidência. Num eventual governo Dilma, portanto, ela é presença certa.

O Brasil ouviu falar pela primeira vez de Erenice em 2008, quando se revelou seu papel na criação de um dossiê ( banco de dados, na versão oficial) sobre os gastos da ex-primeira dama Ruth Cardoso e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Antes dos detalhes, segue-se aqui um resumo do enredo. Ele ajuda a entender a história que se vai ler a seguir.

Em abril do ano passado, um empresário aterrissa em Brasília em busca de vender ao governo um serviço de transporte aéreo de correspondências e pacotes, justamente o que os Correios procuram. O empresário sabe que sem o empurrão de algum poderoso, por melhor que seja sua proposta em termos de custo e eficiência, ela não será nem analisada. O vendedor então procura um nome forte o bastante para fazer sua proposta tramitar na máquina governamental.

Surgem sugestões de nomes de consultores, como são chamados os lobistas em Brasília. O nome de Israel Guerra se impõe. Ele é filho de Erenice, então secretária executiva de Dilma na Casa Civil. Monta-se um contrato com uma cláusula que prevê “taxa de sucesso” de 6% para Israel caso a licitação pouse suavemente na pista correta.

Dá tudo certo, a empresa prestadora de serviços para os Correios embolsa 84 milhões de reais e entrega pouco mais de 5 milhões para o consultor, lobista, filho da futura ministra chefe da pasta mais poderosa do governo e que despacha no andar de cima do presidente da República. As partes despendem-se e já esquentam os motores para a próxima aventura de ganhar um contrato milionário no governo com ajuda de figura da alta hierarquia.

Casos com enredos semelhantes a esse ocorrem em Brasília a toda hora. Ocorrem no atual governo. Ocorreram em governos passados. A aventura em pauta é diferente por alguns motivos, como se vai ler em seguida. Um dos principais: a “taxa de sucesso” cobrada se destinaria no total, ou em parte, não se sabe bem, a “saldar compromissos políticos”. Para os petistas envolvidos na transação, um claro ato de corrupção capitulado na Constituição, em leis ordinárias e no Estatuto do Servidor Público, era uma ação cívica, um dízimo ideológico destinado a plantar fundações ainda mais sólidas do projeto de poder do grupo.

Nada a esconder. Nada que possa envergonhar cristão. Para eles, desviar dinheiro do bolso dos pagadores de impostos – brasileiros que trabalham cinco meses do ano para o estado -- por meio do direcionamento da licitação fraudulenta, a “taxa de sucesso”, se confunde com as ações rotineiras que cumprem como servidores públicos. Governo e partido, na visão deles, são a mesma coisa.

Nas últimas semanas, VEJA entrevistou clientes do esquema e lobistas que participaram dos negócios. Também teve acesso a emails, contratos, notas fiscais e comprovantes bancários relacionados a essa central de lobby. Dessa investigação, emergem contundentes evidências de que o filho de Erenice e seus sócios usam a influência dela para fechar negócios com o governo.

O grupo, do qual fazem parte dois funcionários da Casa Civil, oferece livre acesso ao Palácio do Planalto, à ministra e ao poder que ela detém de azeitar a obtenção de facilidades e lucros na máquina pública. Em troca, exige pagamentos mensais e a notória “taxa de sucesso”

A empresa do filho da ministra chama-se Capital Assessoria e Consultoria e foi aberta oficialmente em julho do ano passado. No papel, constam como sócios Saulo Guerra, outro filho da ministra, e Sônia Castro, mãe de Vinícius Castro, assessor jurídico da Casa Civil. São dois laranjas. Sônia Castro é uma senhora de 59 anos que reside no interior de Minas Gerais e vende queijo.

A reportagem entrevistou empresários, lobistas, advogados, funcionários e ex-funcionários de alto escalão para tentar entender a história de sucesso da Capital. Na junta comercial, informa-se que ela encerrou suas atividades recentemente. No endereço onde deveria funcionar, na periferia de Brasília, existe um sobrado residencial, e, numa primeira visita, ouve-se do morador que ali é uma casa de família. Uma verificação mais minuciosa, porém, revela que no endereço registrado oficialmente como sede da Capital mora Israel Guerra.

Na ultima quinta-feira, VEJA localizou Israel em sua casa – ou melhor, na sede da empresa. Empresa? Segundo ele, não sabia de empresa alguma funcionando ali. Capital? Nunca ouviu falar. Vinícius? Não se lembrava ao certo nome. Stevan? Este, salvo engano, era amigo de um amigo.

O Vinícius, que ele não se lembrava, era Vinícius Castro, funcionário da Casa Civil, parceiro dele no escritório de lobby. O advogado Stevan Knezevic, o amigo do amigo, o terceiro parceiro, é servidor concursado da Agência Nacional de Aviação Civil, a ANAC, cedido à Presidência da República desde setembro de 2009. Os três se conheceram quando trabalharam na burocracia de Brasília, tornaram-se amigos inseparáveis – amizade que voou a jato para o mundo dos negócios.

Como a sede da empresa funciona em uma residência, quando precisam despachar com os clientes, os três lobistas recorrem ao escritório da banca Trajano & Silva Advogados, que fica num shopping de Brasília. O escritório não tem placa de identificação, mas em cima da mesa de reunião, há vários cartões de visita que indicam que lá trabalha gente famosa e importante. Um dos sócios do escritório é advogado Márcio Dilma, ninguém menos que o coordenador em Brasília da banca que cuida dos assuntos jurídicos da campanha presidencial de Dilma Rousseff. Quem mais trabalha lá?

Antônio Alves Carvalho, irmão de Erenice Guerra e, portanto, tio de Israel Guerra. Há um terceiro sócio, Alan Trajano, que dá expediente no gabinete do deputado mensaleiro João Paulo Cunha. Eles admitem que a turma do filho da ministra usa as dependências do escritório – e até que já tentou intermediar negócios com a banca. “O Israel tinha sido procurado por uma construtora mineira, que queria contratar um escritório de advocacia, mas acabou não dando certo”", disse Márcio Silva.

VEJA localizou o empresário que participou das reuniões com o filho, os funcionários da Casa Civil e Erenice. Em abril do ano passado, o paulistano Fábio Baracat, dono da ViaNet Express, empresa de transporte de carga aérea e então sócio da MTA Linhas Aéreas, queria ampliar a participação de suas empresas nos Correios. A ideia era mudar as regras da estatal, de modo que os aviões contratados por ela para transportar material também pudessem levar cargas de outros clientes. Isso elevaria o lucro dos empresários.

Baracat também desejava obter mais contratos com os Correios. Ele chegou ao nome do filho de Erenice por indicação de um diretor dos próprios Correios. Diz Baracat: “Fui informado de que para conseguir os negócios que eu queria era preciso conversar com Israel Guerra e seus sócios”. O empresário encontrou-se com o filho da entáo secretária executiva de Dilma e o assessor Vinícius Castro. Explicou a eles o que queria – e ouviu a garantia de que poderiam entregar o que ali se encomendava.

“Bastava pagar”, afirma Baracat. Nos encontros que se seguiram, Israel disse que poderia interceder por meio do poder da Casa Civil: “Minha mãe resolve”. Conta o empresário: “Impressionou-me a forma como eles cobravam dinheiro o tempo inteiro. Estavam com pressa para que eu fechasse um contrato”.

Após algumas conversas de aproximação, segundo o relato de Baracat, os sócios da Capital informaram: “Está na hora de você conhecer a doutora”. Os dois levaram o empresário para o apartamento funcional onde Erenice morava até março deste ano. Para entrar, Baracat teve que deixar do lado de fora celulares, relógio, canetas – qualquer aparelho que pudesse gravar o encontro. Erenice foi amável, abriu um vinho. “Ela conversou sobre amenidades e assuntos do governo. Erenice não mencionou valores ou acordos. Deixou evidente, porém, que seu filho e o sócio falavam com aval dela”, diz.

“Depois que eles me apresentaram a Erenice, senti que não estavam blefando”, admite Baracat, em conversas gravadas. “Israel e Vinícius passaram a me cobrar um pagamento mensal e exigiam que somente eles me representassem em Brasília.” A partir de agosto de 2009, o empresário topou acertar um contrato e efetuar os pagamentos mensais.

O filho da ministra também se encarregou de operar as mudanças que beneficiariam a empresa nas licitações da estatal. E dá-lhe dinheiro. Diz o empresário: “Pagava os 25 mil reais em dinheiro vivo, sempre para Vinícius Castro. Os acertos davam-se em quartos de hotel, restaurantes e dentro do carro. Ele nunca contava o dinheiro”. No segundo semestre do ano passado, no auge desses pagamentos de propina, Baracat encontrou-se mais duas vezes com Erenice. Como no jantar inicial, as conversas versavam sobre planos de governo, fofocas políticas e a situação dos Correios. Afirma Baracat: “Ela sabia de tudo que se passava. Dava respaldo aos meninos”.

O primeiro bônus pago pelo empresário à turma de Israel Guerra veio em dezembro do ano passado – quando Dilma ainda era ministra. A licença de voo da MTA havia expirado, e a empresa chegou a ficar 4 dias sem operar por ter dificuldades na renovação desse documento junto à ANAC. Aos diretores da MTA e a Baracat, Israel Guerra informou que as dificuldades se traduziam em cobrança de propina.

Diante do impasse, no dia 17 de dezembro Baracat fez uma transferência eletrônica bancária (TED) de 120 mil reais, de sua conta pessoal, para a conta da Capital Consultoria no Banco do Brasil. Além da “taxa de sucesso” do filho de Erenice, o pagamento também contemplou, segundo os sócios da Capital, distribuição de propina na ANAC. Narra-se a trajetória dessa renovação em emails trocados entre os diretores da MTA e a Capital. No mesmo dia 17, Stevan Knezevic, o terceiro sócio da turma, informou por email aos clientes que a renovação sairia naquele dia. Assinava apenas “Capital”.

Em abril, assim que Erenice assumiu o cargo de ministra, houve um novo encontro entre ela, o empresário e os dois lobistas. A conversa ocorreu numa padaria. Desta vez, Erenice estava incomodada com o atraso de um dos pagamentos. Israel abordou o assunto, e ela emendou: “Entenda, Fábio, que nós temos compromissos políticos a cumprir”. O empresário anuiu, e nada mais se disse.

Com o apoio da empresa do filho da ministra, a MTA, que até então ganhava cerca de 40 milhões por ano em contratos emergenciais com os Correios, faturou, num arco de dois meses, 84 milhões de reais em novas licitações. Em outra demonstração da força da ministra Erenice e de seus sócios-juniores, o dono da MTA foi nomeado no final de julho diretor de Operações dos Correios – sim, precisamente o cargo que controla seus contratos como pessoa jurídica. Consolidou-se, assim, a mais perfeita simbiose entre os interesses do grupo de Erenice e as necessidades empresariais dos fornecedores de serviços aos Correios.

Na sexta-feira, Israel Guerra, parece ter recobrado a memória. Por e-mail, ele admitiu ter feito o “embasamento legal” para a renovação da licença da MTA na ANAC, em dezembro. Disse que recebeu o pagamento por meio da conta da empresa do irmão – que no dia anterior ele nem se lembrava que existia – e confirmou que até emitiu notas fiscais. Israel também admitiu ter apresentado o empresário Fábio Baracat à mãe-ministra, mas apenas “na condição de amigo”.

O fato é que a vida do filho da ministra mudou significativamente desde que a mãe ascendeu na hierarquia federal. Depois de vagar por vários empregos públicos, sempre por indicação de alguém, ele parece ter se estabilizado financeiramente. Na garagem de sua casa, podem-se ver sinais de que a vida como lobista está lhe fazendo bem: ele tem dois carrões, um Golf preto e uma caminhonete Mitsubshi L-2000 – somente a caminhonete está avaliada em 100 mil reais. Os carros estão em nome da ministra Erenice.

Casa Civil se transformou num covil. E faz tempo, né Dirceu?

Comentando a Notícia

Impressionante como um dos mais importantes ministérios do governo, a Casa Civil, desde 2003, quando seu ocupante foi José Dirceu, se transformou num verdadeiro covil. Ali, afora a coordenação dos diferentes ministérios, foi instalado um balcão de negócios e intermediações, onde a ética está impedida de entrar. Se for amigo do poder,ou for alguém a ele ligado que recomenda, então todas as barreiras são derrubados, e o interesse do país é jogado no lixo.

E que fique claro: não é por ser véspera de eleição, que se aborda este tipo de assunto que choca e indigna a todos aos que trabalham com extrema honestidade e precisam enfrentar dificuldades comuns a todos os mortais. Quando se toma conhecimento de como o poder põe de lado o interesse maior dos brasileiros, para abrigar a pilantragem que desvia milhões da saúde, da educação, da segurança, da infraestrutura, apenas com o propósito de privilegiar a um seleto grupo que a ele se une para beneficiar interesses pessoais, impossível não conter a indignação. Nem seria preciso que a Polícia Federal se deslocasse ao Amapá para enjaular corruptos. Próximos a sua sede, poderia iniciar um processo indispensável de depuração dos costumes políticos que assaltam e envergonham o país.

Justamente pela repetição sistemática desta ações escandalosas que o país assiste incrédulo desde 2003, tendo em vista que o PT chegou ao poder embalado pela confiança nele depositada pela maioria do povo brasileiro de justamente por fim à patifaria dos grupos oligárquicos que se alimentam do poder, independente de quem ocupe a cadeira presidencial, é que tomamos a iniciativa de abrir este espaço. Outra coisa não temos feito, desde então, senão tentar conscientizar, da forma como pudermos e tantos quantos for possível alcançar, para que não permaneçamos anestesiados pela corrupção os valores mais elevados do país, pela banalização da corrupção resultante de um governo organizado para o crime. Se o propósito é esclarecer, a ele nos dedicamos. Mas a iniciativa de reagir e cobrar uma completa mudança de costumes, é tarefa de responsabilidade da sociedade como um todo, ou pelo menos, a grande maioria honesta, que se sente, além de envergonhada, se sente também indignada e ultrajada pela forma como a política no Brasil é realizada e manipulada em favor de uns poucos.

No próximo post, vamos transcrever parte da reportagem da revista Veja que saiu neste final de semana, onde é detalhado o esquema montado dentro da Casa Civil do Governo Lula, e comandado por Erenice Guerra, braço direito de Dilma Rousseff, e que a substituiu tão logo Dilma renunciou para se dedicar à campanha eleitoral.

Nos post anteriores vimos que os grandes “lances” protagonizados por Dilma, sempre tiveram o acompanhamento servil de Erenice. Como Dilma a tem em alta conta, não seria surpreendente que Erenice num provável governo Dilma, faria parte da primeira fila de sua equipe de trabalho, o que assegura-nos fortes emoções a serem vividas pelo país. Nunca duvidem da capacidade do PT de descer ainda mais no poço da indignidade. Esta gente, sem dúvidas, não tem limites...

A reportagem da VEJA, como seria de se esperar, recebeu .repúdio imediato de Erenice que divulgou uma nota desqualificando a reportagem. E também como seria de se esperar, talvez temendo represália, o empresário Fábio Baracat, que entrevistado, fez declarações bombásticas contra Erenice e sua turma, divulgou ao longo do sábado, um desmentido sobre a reportagem, desdizendo o que havia declarado à reportagem da VEJA.

A Revista, por seu turno, até para se precaver contra prováveis ações que pudesse vir a sofrer, não centrou a reportagem exclusivamente nas declarações do empresários. Não apenas gravou toda a entrevista, como ainda reuniu documentos que comprovam que as acusações de Fábio tem embasamento. E, em contrapartida, distribuiu uma nota ao final da tarde, que a seguir reproduzimos:

"Por norma, todas as informações dadas a VEJA são gravadas. Não seria diferente com relação à reportagem em questão. A reportagem não foi construída com base em declarações, mas em intensa apuração jornalística e sobre documentação, parte da qual ainda não foi publicada. Direção da Veja."

Há um trecho na reportagem que convém ressaltar.
(...)
Nas últimas semanas, VEJA entrevistou clientes do esquema e lobistas que participaram dos negócios. Também teve acesso a e-mails, contratos, notas fiscais e comprovantes bancários relacionados a essa central de lobby. Dessa investigação, emergem contundentes evidências de que o filho de Erenice e seus sócios usam a influência dela para fechar negócios com o governo.”

E sobre a nota da Revista Veja, que se preste atenção a este detalhe.” (...)mas em intensa apuração jornalística e sobre documentação, parte da qual ainda não foi publicada(...)".

Ora, quem se dedica a praticar jornalismo sério, responsável e independente não considere calendário eleitoral, tampouco as pesquisas que a ele fizem respeito. Toda a informação precisa ser apurada, e não apenas no que é dito por uma das fontes. É precisa investigar, apurar, colher dados e documentos que embasem aquilo que será publicado. E este cuidado a Veja, tanto que, antecipando-se aos bate-estacas do partido e de parte da imprensa submissa, declarou na sua CARTA AO LEITOR, que seu compromisso é com a verdade, doa a quem doer. Como sua missão é o jornalismo sério, ignorou pura e simplesmente, no que fez bem, o calendário eleitoral. Diante do fato, devidamente apurado e comprovado, o publicou. Ponto final.

DILMA: ações que não a recomendam nem para síndica. – III

Adelson Elia Vasconcellos

Assim, pelo perfil aqui demonstrado, não resta dúvidas sobre a senhora Dilma não ser nem confiável tampouco recomendada sequer para ser síndica de condomínio de quinta, quanto mais para ocupar o cargo público mais importante do país.

Em agosto do ano passado, Lina Vieira, ex-secretária da Receita denunciou que a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, havia pedido a ela que, aliviasse o cerco à família Sarney, que estava sob investigação. Quem foi à sala de Lina e fez o primeiro contato, convidando-a a ir falar com a ministra no Palácio do Planalto? Erenice Guerra, a mesma que reportagem da revista Veja aponta como lobista, ou seja, uma intermediária de negócios privados em conluio com órgãos e agentes de governo, claro, mediante o pagamento proporcional ao volume dos negócios realizados. Sobre isto, trataremos mais adiante. Afinal, o bom do governo Lula, é que a gente pode contá-lo cronologicamente pelos inúmeros escândalos que aprontou. Infelizmente, foram tantos que o espaço fica pequeno para descrevê-lo. Então a gente acaba resumindo de acordo com a ocasião.

Retomando. Vamos relembrar a seguir um trecho da entrevista de Lina dada à Folha de São Paulo, esclarecendo o que de fato houve.

FOLHA - A Folha obteve a informação de que a sra. foi chamada pela ministra Dilma ao Planalto e que ela lhe pediu para encerrar logo uma fiscalização nas empresas da família Sarney. Como foi a conversa?

LINA VIEIRA - O encontro ocorreu, mas não posso dar detalhes.

FOLHA - O próprio Fernando Sarney, em carta enviada à Folha e publicada no dia 26, confirmou a investigação da Receita nas empresas da família.

LINA - Tenho que respeitar o sigilo fiscal previsto no CTN [Código Tributário Nacional].

FOLHA - Vamos nos ater apenas ao encontro com a ministra. Como foi a conversa?

LINA - Na verdade, a chefe de gabinete dela, a Erenice, foi até a Receita e disse que a ministra queria conversar comigo. Eu perguntei do que se tratava, e Erenice disse que não sabia. Foi uma conversa muito rápida, não durou dez minutos. Falamos sobre algumas amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho de Sarney. Eu disse que não sabia da auditoria e que ia verificar.

FOLHA - Mas o que sra. respondeu?

LINA - Não fiz comentário, nem se eu ia atender, se não ia atender. Fui embora e não dei retorno.

FOLHA - Qual o recado que a sra. entendeu ali?

LINA - Para encerrar [a fiscalização]. Estava no processo de eleição do Senado, acho que não queriam problema com Sarney.

Vocês vão lembrar que Dilma, à época, negou até que tivesse recebido a Ex-Secretária. Dilma inclusive desafiou Lina Vieira a exibir sua agenda, que dera um depoimento ao senado contando em minúcias como foi o encontro. A oposição pediu ao Gabinete de Segurança Institucional, as fitas do Palácio do Planalto para comprovar o dia e a hora em que Lina Vieira se dirigiu para o encontro com Dilma, Não é preciso dizer que tais fitas jamais foram mostradas, sobre um argumento estupidamente ordinário e fajuto de que, após determinado período de tempo, tais fitas são apagadas. Porém, o técnico de informática, Demetrius Sampaio Felinto desmentiu dona Dilma, afirmando que o vídeo gravado está no Palácio do Planalto e mostra que a ex-secretária esteve na Casa Civil, tal qual testemunhara.

Fica, claro, que nos três episódios descritos neste e nos posts anteriores, a senhora Dilma tem uma certa propensão à mentira, bem como, em armar conluios para a realização de negócios escusos, ou montagem de dossiês contra adversários, não importando atingir a honra de pessoas que o país conhecem como correta e ilibadas, e ainda, se necessário, agir para acobertamento e até interferência direta sobre investigações contra amigos e aliados do poder. Pessoa assim, merece crédito de quem, afinal? Talvez de seu chefe maior, ou até de seus prestimosos assessores, capazes de mentir em seu nome

Assim, pelo perfil aqui demonstrado, não resta dúvidas sobre a senhora Dilma não ser nem confiável tampouco recomendada sequer para ser síndica de condomínio de quinta, quanto mais para ocupar o cargo público mais importante do país.

O que vimos não são questões opinativas: são fatos que se documentam e se comprovam.

No próximo post, vamos comentar a reportagem da Veja sobre as ações pouco...honestas, nos subterrâneos do poder, onde se tem como protagonista o braço direito de Dilma que, caso eleita, sem dúvida, até pelos serviços sujos que já lhe prestou, será imensamente agraciada com a condução a cargos do primeiro time da senhora. Afinal, para toda a prestação de serviços que se faça, haverá uma justa recompensa a receber. Na Era Lula, e Dilma é sua extensão, todo o crime em nome do partido, compensa e é reconhecido.

Dilma: ações que não a recomendam nem para síndica - II

Adelson Elias Vasconcellos

O vergonhoso caso do dossiê contra FHC e dona Ruth Cardoso, foi uma das ações mais repugnantes e abjetas das tantas engendradas pelo governo Lula.

Este blog ainda estava no seu começo, lá no já distante 2006, e já insistíamos que, tanto a oposição mas, principalmente, o Congresso deveria cobrar maior transparência e providências no sentido de se apurar as razões pelas quais o governo Lula estava aumentando em progressão geométrica, o volume de gastos com cartões corporativos.

Quando o tema se tornou foco de interesse, Lula, ao invés de providenciar maior transparência, agiu exatamente no sentido contrário: assinou um decreto pelo qual se determinava sigilo para os gastos com cartões corporativos realizados pela presidência da República. Para quem se lembra do Lula na oposição, de fato, dá para perceber que o cara no poder, mudou da água prô vinho... Começou seu governo chutando a ética para escanteio.

Já nem vou me deter em aspectos pessoais, como o seu “Ronaldinho” – a expressão foi cunhada por ele próprio – no caso, o seu filho que, de zelador de zoológico, com o pai no poder, virou empresário de “sucesso”...

Voltemos ao caso dos cartões corporativos. Em julho de 2007, publicamos uma notícia sob o título E a farra dos cartões continua. Até quando ? (clique aqui para acessar). Leiam este trecho:

Funcionários do governo Lula batem recorde no gasto com cartões
Correio Braziliense

Dados disponibilizados pelo Portal da Transparência, mantido pela Controladoria-Geral da União (CGU), mostram a evolução dessas despesas desde 2004, quando o serviço foi lançado. Naquele ano, os registros não ultrapassaram os R$ 14,1 milhões. Em 2005, o governo federal anotou R$ 21,7 milhões. No ano passado foram registradas despesas de R$ 33 milhões.

Parte do que é gasto com os cartões corporativos é protegida pelo sigilo de informação. Sob o argumento do risco que a publicidade dos dados poderia representar para a segurança do presidente da República e também do país, alguns órgãos mantêm as informações em segredo.

É o caso da Presidência da República. O órgão registrou R$ 9,7 milhões em despesas com os cartões somente entre janeiro e junho deste ano, mas não são divulgados detalhes sobre R$ 9,1 milhões. Não há dados sobre quando, onde ou como foram empregados os recursos. A maior parcela dos registros nessa condição coube à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), considerado setor estratégico na segurança do presidente e que anotou R$ 6,9 milhões em despesas. A Secretaria de Administração da Presidência da República, responsável pelas despesas diárias do gabinete do presidente faz o mesmo, mantendo em segredo dados referentes a R$ 2,3 milhões dos R$ 2,5 milhões gastos com os cartões no primeiro semestre.

Saques
O governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) aderiu aos cartões corporativos em 1998 sob o argumento de facilitar a rotina de pagamentos de autoridades e servidores da administração pública. Ano passado, depois de denúncias sobre supostas irregularidades no serviço, principalmente em despesas realizadas pela Presidência, o Tribunal de Contas da União (TCU) passou a acompanhar o serviço. O tribunal recomendou ao governo mais transparência nas informações e melhoria nos sistemas de controle, além de restrições aos saques para pagamentos de despesas. O percentual de retiradas em dinheiro em relação ao total de gastos chegou a atingir 41% em 2004.

Voltamos:
Pois bem. Em razão do que se antevia como descontrole e excesso no uso dos referidos cartões, principalmente o abuso nas retirados de dinheiro em espécie, a oposição conseguiu instalar uma CPI que, a base aliada a Lula, BOICOTOU e IMPEDIU que realizasse a necessária apuração do que se escondia por detrás do abuso verificado.

Tentando criar constrangimento e até coagir a oposição a não dar prosseguimento no seu intento de apuração, o governo Lula sacou de sua arma mais poderosa, e na qual o PT se tornou perito e profissional: deu-se início a montagem de um dossiê, que na época Dilma Rousseff insistia em dizer que se tratava apenas de “um banco de dados” – e que acabou virando motivo de piadas pelo país – para levantar informações sobre os gastos feitos pela presidência da República, quando ocupada por FHC. Alvos do dossiê: o próprio FHC e a então primeira dama, dona Ruth Cardoso, já falecida. Tal levantamento coletou dados desde 1998.

A descrição a seguir do caso – sujo em toda a extensão, baixaria infame suprema - feita por Reinaldo Azevedo em seu blog, sintetiza bem com que tipo de quadrilha de pistoleiros políticos tiveram e tem no poder.

No começo de 2008, a farra com os cartões corporativos fervia no noticiário. Fiel a seu espírito, caráter e moralidade, o que fez o governo Lula, por intermédio da Casa Civil, de que Dilma era ministra? Mobilizou funcionários que trabalham para o Estado brasileiro e os colocou para fazer um dossiê contra FHC e, pasmem!, Ruth Cardoso — talvez a figura mais correta e avessa a mundanismos que já pisou em Brasília. E quem comandou a armação? Erenice Guerra, aquela que não existe, aquela que é nada mais do que um dos braços operativos de Dilma. Abaixo, uma reportagem da Folha de 8 de abril de 2008, que faz uma boa síntese do caso.

Os primeiros extratos do dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que a Casa Civil chama de banco de dados, foram montados em dez dias.

Segundo a Folha apurou, a primeira reunião de trabalho para definir como o material seria organizado ocorreu logo após o Carnaval, na semana encerrada na sexta-feira, dia 8 de fevereiro. Da reunião participaram a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra, o secretário de Administração, Norberto Temóteo Queiroz, o secretário de Controle Interno, José Aparecido Nunes Pires, a chefe-de-gabinete de Erenice, Maria de La Soledad Castrillo, que também responde pela Dilog (Diretoria de Logística), e o responsável pela Dirof (Diretoria de Orçamento e Finanças), Gilton Saback Maltez.

Na segunda-feira seguinte, 11 de fevereiro, segundo arquivo digital gerado dentro da Casa Civil, ao qual a Folha teve acesso, os trabalhos de desarquivar os documentos do arquivo morto e lançá-los nas planilhas paralelas começaram a ser feitos nas dependências da Dilog. Entre a sexta-feira daquela semana, dia 15, e a segunda-feira da semana seguinte, dia 18, as primeiras cópias em papel dos relatórios parciais do banco de dados paralelo começaram a ser feitas. Na quarta-feira, dia 20, como depois relatou a Folha, a ministra Dilma Rousseff disse a empresários em um jantar promovido pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) que o governo coletava dados sobre gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso. “Não vamos apanhar quietos”, disse ela.

Começo
A Casa Civil reconhece que a ordem para o início da preparação do banco de dados, baseado em um conjunto de planilhas paralelo ao Suprim (Sistema de Controle de Suprimento de Fundos), foi dada por Erenice. A própria Dilma admitiu, em entrevista na semana retrasada, que a direção do trabalho ficou a cargo de sua subordinada direta. A Casa Civil não nega que tenha havido uma reunião de trabalho logo após o Carnaval. Também não nega que a coordenação dos trabalhos de desarquivar os documentos referentes ao período de 1998 a 2002 e lançá-los nas planilhas paralelas foi delegada a Soledad, chamada pelos colegas de Marisol. Mas nega que Erenice tenha participado dessa reunião e não explica como as ordens foram dadas nem como a equipe foi montada.

Comento:
Este é o PT e o governo Lula: sob hipótese alguma admitem serem investigados. E o pior é que o histórico desta gente nas diferentes administrações de prefeituras e governos estaduais não os recomenda. Se, se sentirem pressionados, lançam mão de qualquer estratagema para impedir que qualquer investigação bata em sua porta e revele à sociedade seu submundo.

No próximo post, veremos outro caso espantoso e tendo a senhora Dilma como protagonista. Ali, já se percebia a máquina partidária em ação, não medindo esforços para controlar e interferir nas instituições de Estado.

DILMA: ações que não a recomendam nem para síndica. - I

Adelson Elias Vasconcellos

Esta senhora,  além de incompetente, não merece ser presidente do Brasil.

Faz poucos dias, reproduzimos aqui reportagem da Folha de São Paulo sobre o prejuízo que dona Dilma Rousseff, a candidata ungida por Lula, tida e havida como competente, a mão do PAC, a heroína da ditadura no dizer de Lula, (na verdade ela lutava era por substituir a ditadura militar por outra, de cunho comunista), e a quem sempre me refiro como incompetente e inábil, engavetou por três vezes parecer do TCU, em que se alertava a então Ministra das Minas e Energia, sobre erro de cálculo na tarifa social de energia elétrica. O primeiro aviso foi dado em 2003. Em nota, a Casa Civil querendo esquivar-se da encrenca, informou que foram efetivados levantamentos e estudos para saber-se se o alerta do TCU era ou não procedente. Pois bem: somente em 2010, pasmem!, é que a distorção foi corrigida em ato assinado por Lula. Entre 2003, data do primeiro aviso do TCU, e a correção efetiva da tarifa, decorreram precisos 7 anos. Moral da história: os consumidores foram tungados em cerca de R$ 1,0 bilhão de reais.

Isto, por si só, em um país, já teria o dom de despencar o favoritismo de dona Dilma. Como no Brasil, 905 da população não tem acesso à informação, o episódio se restringiu a grupo de reduzido de pessoas.

Contudo, talvez este fato da tarifa social, possa servir de fio condutor para que se analise não a terrorista, dos mil nomes e disfarces, mas de seu período como uma das pessoas mais importantes do governo Lula, já que, após a queda de José Dirceu, chefe da quadrilha do mensalão, quem assumiu em seu lugar, no comando da Casa Civil, foi sua afilhada, Dilma Rousseff.

Não vou aqui me deter em avaliar o destempero com que muitas vezes esta senhora tratou pessoas de dentro e fora do governo. Vou apenas relatar fatos que possa nos dar o perfil exato de quem se trata. Afinal, é indispensável conhecer esta figura que, se nenhuma hecatombe vier acontecer, poderá ser eleita presidente do país. Suas decisões, é bom lembrar, influenciarão nossas vidas nos próximos quatro anos ou até oito anos. Não é pouco não.

O primeiro evento envolvendo Dilma hospedada no gabinete mais importante do governo Lula que se tem notícia foi o rumoroso – até não completamente esclarecido – caso do leilão da VARIG.

Na época, publiquei uma série de artigos em que se comprovava um dos maiores crimes já cometidos pelo Estado contra a iniciativa privada na história do Brasil. A mistura de interesses escusos tanto quanto ocultos, sinalizaram um verdadeiro lesa-pátria, cometidos contra, quiçá, a maior referência de competência e capacidade que uma empresa brasileira exibiu no exterior ao longo de décadas.

Erenice e Dilma foram personagens centrais da tumultuada venda da Varig, operação de que participou Roberto Teixeira, o já lendário e onipresente “compadre” de Luiz Inácio Lula da Silva. Denise Abreu, ex-diretora da Anac, botou a boca no trombone e contou como se deu a operação nos bastidores. Detalhe: um dos compradores da Varig confirmou o relato de Denise — que, acreditem, chegou a ser ameaçada por um “dossiê”. Segue uma síntese do caso em reportagem publicada pelo Estadão no dia 4 de junho de 2008.

(...)
Uma briga entre sócios da empresa de transporte aéreo de cargas VarigLog está trazendo à tona informações que circulavam apenas no submundo dos negócios, relacionadas à venda da Varig, em 2006 e 2007. O fundo de investimentos americano Matlin Patterson e os sócios brasileiros Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Gallo disputam na Justiça o comando da VarigLog. No bate-boca entre os sócios, surgiram histórias de tráfico de influência, abuso de poder pelo primeiro escalão do governo, acusações de suborno e a elaboração de um dossiê falso. As denúncias envolvem o Palácio do Planalto e o advogado Roberto Teixeira.

Para falar sobre esse tumultuado período da aviação brasileira, a reportagem procurou a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu. Ela deixou o cargo em agosto de 2007, sob pesadas críticas e acusações durante a CPI do Apagão Aéreo. Chegou a ser responsabilizada pelo caos aéreo e pelo acidente da TAM. Também foi acusada de fazer lobby para a TAM. Embora não fosse presidente da agência, por seu estilo agressivo, era considerada a diretora mais forte.

(…)
Denise conta que foi pressionada pela ministra Dilma Rousseff e pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, a tomar decisões favoráveis à venda da VarigLog e da Varig ao fundo americano Matlin Patterson e aos três sócios brasileiros. Como a lei brasileira proíbe estrangeiros de ter mais de 20% do capital das companhias aéreas, a diretora queria documentos comprovando a origem de capital e a declaração de renda dos sócios brasileiros para verificar se tinham recursos para a compra. “A ministra não queria que eu exigisse os documentos. Dizia que era da alçada do Banco Central e da Receita e falou que era muito difícil fazer qualquer tipo de análise tentando estudar o Imposto de Renda porque era muito comum as pessoas sonegarem no Brasil.”

Quem representava os compradores da VarigLog e da Varig era o escritório do advogado Roberto Teixeira, amigo do presidente Lula. Na Anac, a filha e o genro de Teixeira, os advogados Valeska Teixeira e Cristiano Martins, circulavam livremente, conta Denise. Ela descreve a atuação de Valeska como truculenta. “Ela liga direto da reunião para o pai. Sabe pressão psicológica? Ao fim da reunião, ela diz: agora temos de ir embora porque papai já está no gabinete do presidente Lula.”

Outro personagem importante desse período da aviação brasileira, o empresário Marco Antônio Audi, sócio da VarigLog, também falou sobre o episódio. Hoje afastado da gestão da VarigLog pela Justiça de São Paulo - que acusa ele e dois sócios de serem “laranjas” do fundo americano -, Audi diz que só foi possível aprovar a compra da VarigLog pela influência de Teixeira no governo e na Anac. “Paguei US$ 5 milhões ao Roberto Teixeira para cuidar do caso”, diz Audi.

Com a aprovação da compra da VarigLog pelo fundo Matlin e seus sócios brasileiros, eles puderam levar a Varig, em leilão, por US$ 24 milhões. Meses mais tarde, a empresa foi revendida à Gol, por US$ 320 milhões.

Hoje, Teixeira advoga para o maior inimigo de Audi, Lap Chan, representante do Matlin Patterson. “Tenho medo do Roberto Teixeira.”, diz Audi.

CONCLUINDO:
Vale lembrar que, foi a partir do assassinato da VARIG que se instalou no país o inferno do caos aéreo, de terríveis consequências. Foram mais de 300 mortes em dois dos maiores acidentes aéreos de nossa aviação comercial, em toda a história.

Infelizmente, este caso foi abafado pelo governo Lula que, como vimos acima, envolvia gente muito próxima e íntima, dentro e fora de seu governo.

No post seguinte, vamos relembrar outro fato escabroso, o dossiê contra FHC e3 sua esposa, dona Ruth Cardoso, montado de forma vergonhosa dentro do gabinete de Dilma que, ainda, estava no comando da Casa Civil.

Negócios da empresa cresceram a partir de ligação com Teixeira

O Estado de S.Paulo

A Master Top Linhas Aéreas (MTA), empresa montada pelo coronel Eduardo Artur Rodrigues da Silva, se especializou em contratar terceiros para serviços de transporte de cargas e prestar serviços de "despachante" para companhias brasileiras que compravam peças no exterior ou estrangeiras interessadas em operar no País. Os negócios da MTA só ganharam impulso em 2008, a partir da ligação de seu então presidente, o coronel Artur, com a VarigLog, empresa defendida pelo advogado Roberto Teixeira.

Sem frota, a MTA foi registrada em 2006 na Junta Comercial de São Paulo por Jorge Augusto Dale Craddock e Anna Rosa Pepe Blanco, sogros de Tatiana Silva Blanco, filha do coronel Artur. Em dezembro daquele ano, conseguiu autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar no setor de transporte aéreo de cargas e mala postal nacional e internacional por três anos, com possibilidade de prorrogação por mais sete anos. Em dezembro de 2009, conseguiu autorização de dez anos - prazo maior possibilitado pelas novas regras do setor.

A MTA iniciou seus voos próprios com um velho DC-10, modelo de avião fabricado nos anos 1970 e 1980, o mesmo que era usado pela antiga Varig na rota Guarulhos-Brasília. Muitos dos 17 aviões da companhia foram vendidos para pequenas empresas aéreas e transformados em cargueiros.

O sucateamento de companhias como Varig, Vasp e Transbrasil garantiu a frota de pequenas empresas de carga que nunca tiveram linhas de financiamento definidas pelos bancos oficiais, avaliou um antigo dirigente do extinto Departamento de Aviação Civil (DAC). Foi o caso da empresa do coronel Artur.

Ao longo de 2008, a MTA adquiriu outros três DC-10 e passou a operar na concorrida rota Campinas-Manaus. E também passou a atuar na linha Guarulhos-Brasília e Guarulhos-Nordeste. A MTA ainda faz charters entre Campinas e Miami.

Ascensão.
O aumento dos negócios da MTA significou a ascensão social da família nos banquetes do setor. Entre 24 e 26 de junho de 2008, Tatiana era uma das quatro representantes de empresas aéreas privadas que acompanharam dirigentes da Anac, secretários dos ministérios do Turismo e das Relações Exteriores em encontro com autoridades de Washington para discutir normas de voo entre os dois países. Ainda integravam o grupo uma subordinada do coronel Artur na VarigLog e representantes da TAM.

Coronel Artur é homem de hábitos simples, dizem duas pessoas que participaram com o militar da reserva de rodas de conversas de lobby. Formado na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em 1965, ele trabalhou na Força Aérea Brasileira e no DAC. O estilo "duro" é outra marca. Sindicalistas reclamam que o coronel não atendeu, até agora, pedido de conversas com a categoria.

Discrição.
Nos corredores e gabinetes da empresa, funcionários dizem que ele é homem discreto. Foi assim que o coronel acompanhou o presidente Lula em viagem a Israel e à Palestina, em março. Estava no grupo de convidados pelo Itamaraty para fazer negócios no Oriente Médio. A jornalistas, coronel Artur disse que tinha planos "maiores" e pretendia buscar parcerias com empresas israelenses que tinham interesse em operar a rota Tel Aviv-São Paulo.

Compadre de Lula ''nomeia'' nos Correios

Leonencio Nossa e Karla Mendes - O Estado de S.Paulo

Sugerido por Roberto Teixeira, novo diretor de Operações tem ligações familiares com empresa que presta serviços para a estatal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu no dia 28 de julho a cúpula dos Correios por temer que o fisiologismo partidário ampliasse a crise administrativa na estatal e respingasse na campanha eleitoral, mas a iniciativa pode ter sido infrutífera. O novo diretor de Operações dos Correios, Eduardo Artur Rodrigues da Silva, assume o cargo sob uma nuvem de suspeita.

Conhecido no setor da carga aérea como "coronel Artur" ou "coronel Quaquá", ele chegou à estatal com o apoio do compadre de Lula, o advogado Roberto Teixeira. Presidia uma empresa de transporte de mala postal, a Master Top Linhas Aéreas (MTA). Vinte dias antes de ser escolhido para a função, a MTA arrematou o contrato de uma das principais linhas da estatal, a Linha 12, que opera no trecho Manaus-Brasília-São Paulo. A empresa, com sede em Campinas, venceu o pregão eletrônico com o lance de R$ 44,9 milhões.

É uma linha estratégica nos negócios dos Correios - representa 13% do valor total da malha e 14% da capacidade de carga contratada. Ao assumir a diretoria nos Correios, no dia 2 de agosto, o coronel entregou o comando da MTA nas mãos de uma filha, Tatiana Silva Blanco.

Com essa triangulação, a MTA tem agora a família Rodrigues da Silva como contratada e, ao mesmo tempo, contratante. Em site na internet, a MTA destaca que tenta ser uma "extensão" das empresas com as quais mantém parceria.

Além desse aspecto da relação entre os Correios e a MTA, há outro fato a ser observado: um dia antes da escolha do coronel Artur para a diretoria de Operações e menos de uma semana antes de sua posse, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anulou a suspensão da certificação da Master Top Linhas Aéreas. No dia 22 de julho, a MTA fora multada por excesso de trabalho de seus tripulantes e teve o Certificado de Homologação de Empresa Aérea suspenso pela Anac.

A suspensão foi retirada pela agência e a decisão publicada no Diário Oficial da União do dia 27, véspera do anúncio da indicação do coronel Artur para o cargo nos Correios. A Anac aceitou uma proposta de mudança na escala de trabalho dos funcionários e liberou a empresa para voltar a voar.

VarigLog e Teixeira.
O coronel Artur, de 61 anos, é um personagem do polêmico processo de venda da VarigLog, em 2008. Em 8 de abril daquele ano, ele foi nomeado para o conselho de administração da empresa de transporte de cargas desmembrada da Varig, que tinha Roberto Teixeira como principal advogado e consultor.

À época, a Fundação Ruben Berta, uma das acionistas da empresa, denunciou uma fraude na ata da reunião, que teria sido patrocinada pela advogada Larissa Teixeira, filha de Roberto, e pelo representante do fundo americano Matlin Patterson, que também participava do negócio. A Fundação Ruben Berta disse que não mandou representantes para o encontro. Larissa respondeu que o representante da fundação, João Luís Bernes de Souza, estava presente. Bernes negou a versão apresentada pela advogada.

O que não ganhou destaque, à época, foi o motivo da realização da assembleia. O encontro serviu para nomear o coronel Artur como integrante da VarigLog. O caso está sendo analisado pela Polícia Federal e pela 17.ª Vara Cível de São Paulo.

Da assembleia até meados de outubro daquele ano, o coronel Artur presidiu a VarigLog. No período, acumulou o cargo com a presidência da MTA. Artur se apresentava como presidente da MTA, "empresa que presta consultoria e administra a VarigLog". A empresa do coronel aumentou de 2 para 11 o número de voos cargueiros após dar consultoria à companhia VarigLog, defendida por Teixeira.

A MTA também foi contratada pelo chinês Lap Wai Chan, representante no Brasil do fundo americano Matlin Patterson, que tinha a maioria do capital da VarigLog. O advogado de Chan era Roberto Teixeira, acusado pela ex-diretora da Anac Denise Abreu de tentar influenciar a agência a aprovar a venda da Varig para a VarigLog de Chan.

Um ano antes, em 2007, Teixeira participou das negociações de venda da Varig para a Gol, da família Constantino. O advogado defendia o fundo Matlin Patterson e três outros sócios da Varig. Um desses sócios, Marco Antônio Audi, disse que Teixeira recebeu US$ 5 milhões para usar sua suposta influência no governo e derrubar exigências impostas pela Anac.

O advogado negou as informações de Audi.

Padrinho.
Um dos entraves para a nomeação do coronel Artur para o cargo nos Correios era justamente a relação dele com uma empresa que presta serviços para a estatal. Foi dado então um verniz político para a nomeação, pois faltava um padrinho para o indicado. À época da nomeação foram divulgadas informações apontando o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) como padrinho do novo diretor. "Ah, estou aqui, no Tocantins, fazendo campanha há tempo", disse o parlamentar ao Estado, em tom de queixa. "Essa informação (da indicação do coronel) não procede, não tem nada disso."

À frente da diretoria de Operações dos Correios, o coronel Artur tem por tarefa tirar do papel o plano de reestruturação da estatal, que se arrasta há uma década e inclui a criação de uma subsidiária com aviões para transportar a carga especial de encomendas.

Deixa “a mulher" falar, presidente!

Ruth Aquino, Revista Época

O paternalismo de Lula é patético. Ele é quem menos confia na capacidade de Dilma andar sozinha

Lula é hoje talvez o brasileiro que menos confia na capacidade de Dilma Rousseff de andar com os próprios pés, falar com a própria boca, pensar com a própria cabeça. O rompante demagógico e sentimental do presidente no dia 7 de setembro atropelou sua candidata. Na TV, Lula afirmou que associar o PT à quebra de sigilo fiscal de parentes de José Serra é “um crime contra a mulher brasileira”. Não, presidente, a violação do sigilo é um crime contra a Constituição. Crime contra a mulher é outra história.

Mais chato e pernicioso que o jogo de empurra entre personagens menores na Receita com nomes mirabolantes como Adeildda, que fuçam como tatus a vida de milhares de cidadãos e falsificam assinaturas, é esse discurso sobre a mulher intocável e santa. Quando os debates começaram, Lula disse que esperava de concorrentes e entrevistadores “mais delicadeza” com Dilma, por ser ela do sexo feminino. Também afirmou que “finalmente o país está preparado para ter uma mulher como presidente”. Como se antes não estivesse. E como se ser mulher fosse pré-requisito para uma boa Presidência. A vizinha Cristina Kirchner não nos deixa mentir.

Agora, o paternalismo do presidente tornou-se patético. Dilma foi jogada para escanteio, numa rouquidão providencial, seguida do nascimento tuitado do primeiro neto. Lula deu uma de macho, falando por uma ex-ministra que nada tem de frágil, conhecida pelo temperamento forte e por um passado de luta contra a ditadura. Em seu ufanismo pontuado pelo Hino Nacional, de terno e broche da Presidência, Lula fez-se de vítima e infantilizou seus eleitores, tratando-os como analfabetos desprovidos de raciocínio.

Como chamar a oposição de “turma do contra”, sem amor pelo país, que “quer destruir tudo o que foi feito”, se o adversário José Serra, à revelia ou não do PSDB, adotou um discurso atabalhoado de continuidade e quis pegar carona nas conquistas sociais do presidente? Lula não tentou destruir tudo o que foi feito por FHC. Ao contrário, manteve a política econômica do governo anterior e caiu de amores por impostos que considerava “assalto ao povo”, como a CPMF. Quando fala da “zelite” para o povão, Lula omite que os banqueiros estão entre os mais satisfeitos com o governo do PT. Esse é o maniqueísmo favorito do ex-sindicalista. Ricos contra pobres. Doutores contra operários. Uma dicotomia falsa no Brasil de hoje, felizmente.

Nenhum presidente de outro partido ousaria mexer no que está dando certo. Um exemplo positivo, a comemorar, é a contínua redução da desigualdade. Apesar da crise internacional, 1 milhão de brasileiros deixaram de ser pobres no ano passado, nos cálculos da Fundação Getulio Vargas.

A atitude intempestiva de Lula não é novidade para quem acompanha seus oito anos de mandato. Sua incontinência verbal se aprofundou e hoje resvala no vulgar. Chamar os Estados Unidos de “elefante que se borra para o rato” é uma expressão não apenas gratuita e ofensiva. Ela não faz jus ao relacionamento adulto entre os dois países. Lula tem dito impropérios, mas pede “equilíbrio”. A baixaria é de quem?

Dilma era considerada pelo próprio PT um poste, por jamais ter disputado uma eleição. Hoje é favorita, pelo milagre da transferência de votos, mas também por seus próprios méritos. Dificilmente esse escândalo obscuro pode mudar o panorama. Os números explicam isso. Somente 40 milhões no Brasil declaram Imposto de Renda. Mas, dos 130 milhões de eleitores, 54% são analfabetos, analfabetos funcionais ou não terminaram o ensino fundamental. E a maioria deles idolatra Lula.

Sob pressão de seu mentor, Dilma disse em comício em Goiás que “eles (os tucanos) estão com medo de uma mulher dar certo”.

Governar não é uma questão de gênero. Ser presidente da República é o desafio de uma vida. Se eleita, Dilma vai querer imprimir sua marca e não se conformará em ser vista como interina, esquentando cadeira para a volta de Lula após quatro anos sabáticos.

Conseguirá o “pai dos pobres” calar-se e deixar o país em suas mãos de mulher? Ou exigirá guarda compartilhada?

O ‘nuncantismo’

Míriam Leitão, O Globo

O Banco Central ontem anunciou mais um avanço brasileiro: as taxas de juros de equilíbrio podem ser mais baixas. Equivale a dizer que o país precisa de menos juros para manter a inflação sob controle. O IBGE divulgou na quarta-feira uma série de dados mostrando várias boas notícias. O país avança, só não é nunca antes. Avança como antes, em alguns pontos devagar, em outros mais rapidamente.

Uma das mais irritantes obsessões do governo atual é a apropriação indébita do mérito alheio, expresso no “nuncantismo”. Na ata do Copom, a excelente notícia que o Banco Central deu é que a potência da política monetária é maior, o que pode levar a taxa de juros para níveis mais baixos. O BC precisa explicar melhor sua afirmação e deve fazê-lo no próximo relatório de inflação, e assim acabar com algumas dúvidas que surgiram nos últimos meses sobre sua comunicação com o mercado. Mas até esse ritual de reuniões, atas e relatórios foi institucionalizado antes do governo Lula.

O pior do “nuncantismo” é que ele emburrece e desinforma. Levado a extremo eliminará Pedro Álvares Cabral para entregar o feito do descobrimento ao próprio Lula. Além disso, o cacoete do presidente produz desperdício de esforços. Gasta-se um tempo enorme, páginas de jornais, minutos de mídia eletrônica para repor os fatos e dar os méritos a quem os tem em cada etapa do processo histórico do país.

O IBGE está ainda protegido desse vírus que hoje inutilizou parte do Ipea como centro de inteligência — lá ainda resistem alguns devotos do pensamento livre; poucos, mas valorosos. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios exibiu um retrato desse processo de evolução pegando o período desde o fim do governo Collor. Estão lá erros, omissões e vitórias de três governos: o curto período de Itamar, oito anos de Fernando Henrique e sete anos de Lula. O resultado anima e desanima, depende do que se olha e como se olha.

Na informação conjuntural dada pelo Banco Central, ontem, o que se vê é também o quadro de um filme. A hiperinflação derrubada em 94 levou a um corte com o passado com grandes reflexos nos anos seguintes. A nova ordem monetária foi garantida e depois consolidada. Mais recentemente, no governo Lula, tem sido possível ampliar o crédito e agora — oxalá o BC tenha razão — ter taxas de juros que, com movimentos menores, mais sutis, evitem qualquer elevação indesejada da taxa de inflação. Com o IPCA de 0,04% de agosto, o país completa três meses de inflação zero, o que, num contexto de crescimento forte, melhoria de renda, aumento de emprego, é uma excelente notícia. Cada ponto da melhoria de renda é capturada pelo seu dono — o trabalhador, a trabalhadora — e as pessoas preservam seu poder de compra.

Que diferença com o antes, o muito antes, quando perdia-se metade do salário real num mês. O IBGE mostrou que houve um salto ornamental na renda após a queda da inflação no Plano Real. Tão alto — de 43% — nos primeiros dois anos, que até hoje, mesmo com o aumento da renda desde 2004, não interrompida nem mesmo no ano de crise de 2009, o país ainda não voltou ao melhor ano da renda do trabalhador que foi 1996. Outra excelente notícia: desde 2001 cai sistematicamente a desigualdade de renda.

A educação avança morosamente e reduziu o passo em alguns indicadores. O mercado de trabalho acelerou a melhora, com a elevação do percentual dos trabalhadores do mercado formal. Ainda assim, o Brasil tem 22 milhões de trabalhadores informais, oito milhões de desempregados, e quatro milhões de brasileiros trabalhando antes dos 17 anos. Pior é ter ainda um milhão de crianças, de cinco a 13 anos, trabalhando, quando deveriam estar apenas estudando e brincando.

O passo de cágado do avanço do saneamento é uma vergonha nacional. Melhorar, melhoramos, mas ninguém pode se vangloriar de um fato até estranho: o encolhimento de 59,3% para 59,1% de domicílios com esgoto ou fossa séptica ligada à rede coletora. Isso acontece após dois anos de funcionamento do PAC que, a julgar pela ensurdecedora publicidade do governo, é o coração do “nuncantismo”.

Herdeira do defeito lulista de negar o mérito alheio e inflacionar o próprio, a candidata Dilma Rousseff poderia ter diante desse dado de saneamento uma epifania: a de que os dados são teimosos e os fatos se impõem por si mesmos, independentemente do que diga o marketing. É bom para todos que o Brasil tenha avançado no passado, esteja avançando agora e se prepare para novos avanços.

É natural comemorar o próprio êxito, o que não é honesto é negar o dos outros. Nem honesto, nem produtivo, porque sem aprender com os acertos alheios e os próprios erros, certamente, ninguém consegue acertar o passo, insistir no que deu certo, preparar o caminho para novas arrancadas. Entende-se que numa campanha todos ressaltem os próprios acertos, mas o problema do presidente Lula é que ele faz isso antes, durante e depois das campanhas.

Na quarta, Lula disse que só agora o Brasil é independente e enfrenta as outras nações. Deu como exemplo a briga na OMC contra o subsídio do algodão dos Estados Unidos. Quem começou a briga foi Pedro de Camargo Neto, no governo Fernando Henrique. A propósito: a expressão usada por Lula para definir os Estados Unidos, “o elefante que se borra”, é... como dizer... Melhor nem tentar definir. Perda de tempo. Todos sabem que presidentes não falam assim de países com quem temos densas, intensas e produtivas relações econômicas e políticas.

Fraldas e fraudes

Guilherme Fiúza, Revista Época

Cuidando do neto recém-nascido, Dilma Rousseff trocou fraldas. Mais precisamente, trocou fraldas por fraudes.

A candidata do PT iniciara a entrevista coletiva dizendo que só ia tratar de assuntos de bebê. Mas quando um repórter, aceitando o jogo, foi lhe perguntar sobre fraldas, ela se irritou e negou-se a falar sobre fraudes. No fundo, dá no mesmo.

As fraldas de Dilma são, em si, uma fraude. Sua campanha oferece ao eleitorado infantilóide a maternidade como plataforma de governo. E sob essa fraude desfilam todas as outras, tranqüilamente, imunes às pesquisas de opinião.

O bom entendedor – essa espécie em extinção – já notou que Dilma representa a privatização partidária do Estado brasileiro. E o escândalo da Receita Federal em plena eleição veio ilustrar, como uma charge gritante e bizarra, esse projeto deletério de poder. E agora?

E agora, nada. A pesquisa Datafolha mostrava Dilma com 50% de intenções de voto antes do escândalo. E mostra Dilma com 50% das intenções de voto depois do escândalo.

É um escândalo.

E não vale nada a ressalva de que a candidata do PT caiu 5 pontos nas faixas de maior escolaridade. No Sudeste inteiro, São Paulo e Rio em particular, continua desenhada a vitória de Dilma. A população mais esclarecida, capaz de entender perfeitamente a gravidade desse atentado, com pegadas petistas e complacência governamental, não está nem aí.

O Brasil culto (sic) está alinhado aos grotões na aprovação ao jogo bruto da conspiração.

Pensando bem, não é novidade. O mensalão também foi aprovado pela opinião pública. Dilma e seus companheiros não têm o que temer. O cidadão violentado, como diria Marta Suplicy, relaxou e gozou.

São tantas as cartas marcadas, que ninguém mais presta atenção. A despachante de Dilma na Casa Civil, Erenice Guerra, apontada por testemunhas como operadora do dossiê Ruth Cardoso, não só saiu do episódio sem um arranhão. Virou ministra.

Agora é denunciada por tráfico de influência. Adivinhem envolvendo que estatal? Sim, uma das preferidas pelo apetite petista: os Correios.

Não se sabe ainda ao certo o que se passou desta vez. O que se tem, por enquanto, é uma nota da ministra acusada em que ela, em vez de refutar a denúncia, faz um editorial contra a imprensa burguesa.

O Brasil não está cansado desse filme velho. As pesquisas mostram que a troca de fraldas e fraudes está liberada.

Educação do governo Lula: o falso discurso e a verdade dos números

Comentando a Notícia

Se observarem as campanhas e os discursos dos candidatos à presidência, TODOS enchem a boca para falar de educação. Claro, pesquisas apontam o tema como uma das principais dos eleitores. Então, dê-lhe falação. Contudo, propostas consistentes, o diagnóstico correto dos problemas e, principalmente, as soluções adequadas, quase não se vê. Se a gente analisar, por exemplo, a candidata favorita, então, o deserto chega a assustar. Para a mãe do PAC empacada, agora tornada avó na vida real, parece que o Brasil já atingiu o topo do mundo civilizado. Para esta deslumbrada pelo poder, os oitos anos de governo Lula resultaram em perfeição, não há problemas, tudo está devidamente ajustado, e 2003 marca a descoberta do país e sua independência. Ora, se tudo beira à perfeição, então prá quê campanha?

É evidente que o país real é completamente diferente do imaginário de Lula, Dilma e a propaganda, seja a eleitoral seja a oficial, muito embora uma seja correlata a outra. Vimos posts abaixo os problemas nas áreas da educação, infraestrutura, economia, seguridade social, a questão fiscal, assim, em outras ocasiões, abordamos nossas imensas carências nas áreas de segurança e saúde pública.

Nesta semana, Lula parece que esqueceu ser ele o presidente do Brasil, e que o país, a par estar em marcha uma campanha eleitoral para a escolha de seu sucessor, não pode simplesmente parar de ser governado, para que seu presidente se torne um palanqueiro – aliás, desde que assumiu jamais deixou de ser -, e assuma o traje de candidato, apesar de que seja Dilma, a escolhida pelo partido.

Mas estas trivialidades não fazem do decore de Lula. Para ele, que se danem nossos problemas. E manda a alei eleitoral às favas e sai país misturando governo, Estado e partido. Muito embora as misturas resultem em graves crimes eleitorais, parece que nossos juízes eleitorais vivem em outro planeta, e não estão nem aí: sua preocupação é somente com os fichas limpa ou suja, apesar de que Lula insiste em sujar o caos político que nos ronda.

Dentre as declarações estúpidas que fez nesta semana de comícios, e foram muitas – e danem o país futebol clube -, a que diz respeito a educação, não pode nem deve deixar de ser confrontada. Mentiras têm limites, até o senhor Luiz Inácio. Outra coisa, aliás, este senhor não fez senão acintosamente chutar a verdade para o mato, e deitar falação de coisas que não fez, e o que fez, serem sinônimos de incompetência e irresponsabilidade.

Em outras vezes, já demonstrei que o discurso de Lula sobre educação é uma piada grotesca e de mau gosto. Infelizmente, com tantos outros assuntos em pauta, precisamos retornar ao tema: mostrando o Brasil real que Lula produziu em oito anos de poder.

Se a avaliação de um governo, qualquer governo, deve ser medida pelo seu resultado prático, vejam lá embaixo no post sobre a perda de competitividade o que resultou oito anos de Lula, em diversas áreas, mas, sobretudo, no campo educacional. Reproduzimos o parágrafo:

Em especial, ocupou o 126.º lugar em qualidade em Matemática e Ciências e o 127.º, em qualidade do ensino primário. Da falta de conhecimento básico em Português e Matemática ao analfabetismo funcional é um passo.”

Não é a toa que, 1 em cada 5 brasileiros, são analfabetos funcionais, o pior resultado do continente. Agora comparem a pujança da nossa economia em relação aos demais países da América Latina, e o que dela resulta em impostos para o caixa do governo federal, e depois avaliem se o desastre acima estampado, pode ser justificado!!!

O jornalista Reinaldo Azevedo, em seu blog, fez um apanhado bem sintético mas suficiente para dar a dimensão exata do desastre e, claro, da mentira. Leiam e tirem suas conclusões. Depois, em 3 de outubro, cada eleitor terá o direito de votar ou na verdade, ou na empulhação.

Segue o texto do Reinaldo.

O Estado de São Paulo é um dos poucos a ter universidades estaduais e é o único que tem três delas, inclusive a USP, a maior e mais importante do país. E o número de vagas se expandiu durante os governos tucanos, atacados com ferocidade bucéfala.

De todas as áreas do governo Lula superfaturadas pela propaganda, a educação é certamente aquela em que se mente mais. Relembro alguns números que já publiquei aqui — números oficiais. Volto em seguida:

1 - Lula afirma por aí ter criado 13 universidades federais. É mentira! Com boa vontade, pode-se afirmar que criou apenas seis; com rigor, quatro. Por quê? A maioria das instituições que ele chama “novas universidades” nasceu de meros rearranjos de instituições, marcados por desmembramentos e fusões. Algumas universidades “criadas” ainda estão no papel. E isso, que é um fato, está espelhado nos números, que são do Ministério da Educação;

2 - Poucos sabem, certa imprensa não diz, mas o fato é que a taxa média de crescimento de matrículas nas universidades federais entre 1995 e 2002 (governo FHC) foi de 6% ao ano, contra 3,2% entre 2003 e 2008 - seis anos de mandato de Lula;

3 - Só no segundo mandato de FHC, entre 1998 e 2003, houve 158.461 novas matrículas nas universidades federais, contra 76.000 em seis anos de governo Lula (2003 a 2008);

4 - Nos oito anos de governo FHC, as vagas em cursos noturnos, nas federais, cresceram 100%; entre 2003 e 2008, 15%;

5 - Sabem o que cresceu para valer no governo Lula? As vagas ociosas em razão de um planejamento porco. Eu provo: em 2003, as federais tiveram 84.341 formandos; em 2008, 84.036;

6 - O que aumentou brutalmente no governo Lula foi a evasão: as vagas ociosas passaram de 0,73% em 2003 para 4,35% em 2008. As matrículas trancadas, desligamentos e afastamentos saltaram de 44.023 em 2003 para 57.802 em 2008;

7 - Sim, há mesmo a preocupação de exibir números gordos. Isso faz com que a expansão das federais, dada como se vê acima, se faça à matroca. Erguem-se escolas sem preocupação com a qualidade e as condições de funcionamento, o que leva os estudantes a desistir do curso. A Universidade Federal do ABC perdeu 42% dos alunos entre 2006 e 2009.

8 - Também cresceu espetacularmente no governo Lula a máquina “companheira”. Eram 62 mil os professores das federais em 2008 - 35% a mais do que em 2002. O número de alunos cresceu apenas 21% no período;

9 - No governo FHC, a relação aluno por docente passou de 8,2 para 11,9 em 2003. No governo Lula, caiu para 10,4 (2008). É uma relação escandalosa! Nas melhores universidades americanas, a relação é de, no mínimo, 16 alunos por professor. Lula transformou as universidades federais numa máquina de empreguismo.

Voltei
Um dia talvez a imprensa chegue ao requinte de não permitir que uma mentira prospere. O sujeito diz um batatada ou um dado impreciso, isso é informado ao leitor, e os dados corretos são fornecidos em seguida — não precisa haver uma bendita ou maldita opinião no texto. Só a informação. Um dia, talvez até a oposição faça isso.

E uma palavra sobre o ProUni: trata-se do maior programa da história brasileira de repasse de dinheiro público para entidades mantenedoras do ensino privado. Seria eu contra o ensino privado? Eu não! Sou a favor de privatizar até Jardim da Infância, embora não seja uma proposta muito influente. Agora, se é para repassar dinheiro público para quem quer que seja, é preciso exigir um padrão mínimo de qualidade no serviço oferecido. É o caso do ProUni? Não é.

Instituições que têm um desempenho ridículo no antigo “provão”, que foi desmoralizado pelo governo Lula, continuam a receber o leite de pata. O governo, com efeito, tem pagado para que os pobres estudem em verdadeira cabeças de porco disfarçadas de universidades.

Revoltante: R$ 520,00 por uma vida

Comentando a Notícia

A Revista Época traz uma reportagem no mínimo revoltante. Revolta contra todos os envolvidos. União, estado e município deveriam ser intimados pela Justiça a pagarem pesada indenização pela vida que sua omissão, descaso, irresponsabilidade, incompetência, desumanidade, ceifou de forma absurda, aos 14 anos de idade.

Não há desculpas. Não há justificativas. Nada devolverá a vida ao garoto, é claro. Mas obrigar o Poder Público, de todos os níveis, a pelo menos reparar o dano que causaram, seria o mínimo a se esperar de um país onde nossas autoridades parecem e preocuparem, única e exclusivamente, com seus próprios umbigos. Dilma Rousseff, virtual presidente do país, viu nascer seu neto em um hospital privado. Não deveria. Ela e seu padrinho e mentor Lula da Silva, assim como toda a raia de políticos que habitam neste país, deveriam ser condenados a frequentarem os hospitais da rede pública. Talvez parassem de mentir nos palanques sobre seus enormes e nulos investimentos.

O sentimento, em casos semelhantes a este do garoto Fábio Nascimento, é de pura indignação, muito embora seja o retrato dramático do caos a que o governo Lula está deixando os serviços públicos do país. Preocupado que está em fazer doações para países onde reina a tirania, esquece de seu próprio povo, para depois, culpar seus próprios erros a conta de gente que está longe do poder há oito anos. Enquanto pratica benemerência com o dinheiro do povo brasileiro, para alimentar sua vaidade pessoal, exclusivamente, relega ao abandono a missão para a qual foi eleito.

Infelizmente, esta tragédia se repete por todo país dia sim, dia também. Pode ser que um dia, este povo sofrido e tratado de forma sub-humana, venha se dar conta de que os bolsas caça votos servem apenas para anestesiar sua indignação, fazendo-o fechar os olhos para os absurdos que em nome dele têm sido cometidos. E os governantes, em palanque, enchem a boca para falarem de justiça social!!!

Reparem neste trecho: “(...) A União se defendia na Justiça dizendo que o Sistema Único de Saúde (SUS) descentraliza esse tipo de demanda, e quem devia pagar o aparelho era o Estado ou o município(...)”.

Será que o governo Lula não podia ter pago o aparelho, salvo a vida do garoto e depois discutir com Estado e Município4s de quem seria a responsabilidade pela despesa? Será que R$ 520,00 fazem tanta falta assim ao governo federal? Será que os lençóis egípcios da residência oficial não teriam custado bem mais?

Lula se jacta de ser o “pai dos pobres”. Com um pai assim, melhor é ser órfão logo.

A reportagem é de Martha Mendonça, com Cristiane Segatto. Segue trecho da reportagem.

A história absurda do menino de 14 anos que morreu porque as autoridades se recusaram – mesmo com ordem da Justiça – a fornecer um aparelho simples para ajudá-lo a respirar

SAUDADE
Maria das Graças e Antônio na sala de casa coma foto de Fabinho.
Eles sentem tristeza e revolta com a perda do filho

Eram 16h06 do dia 9 de agosto quando Fábio de Souza do Nascimento morreu de insuficiência respiratória. Ele viveu 14 anos, com os pais e a irmã mais velha, num condomínio popular de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Gostava de pipa e videogame, de desenho animado e futebol. Torcia pelo Flamengo. Adorava churrasco e misto-quente. Sonhava em ser motorista de caminhão.

Um mês depois de sua morte, a pipa rosa que Fabinho gostava de empinar está presa na parede, na entrada da sala do sobrado humilde de seus pais. É o símbolo de uma vida interrompida, de um drama familiar – e também de um crime. Intimadas pela Justiça a fornecer a Fabinho um balão de oxigênio que poderia ter lhe salvado a vida, ao custo de R$ 520 por mês, autoridades dos governos federal, estadual e municipal discutiram, procrastinaram, ignoraram a determinação judicial até que fosse tarde demais.

O caso de Fabinho revela as falhas trágicas do sistema de saúde no Brasil, que pela lei deve garantir tratamento a qualquer cidadão, mas na prática tem de lidar com recursos escassos, que, em muitas ocasiões, levam ao descaso com as ordens judiciais. Submetido a um transplante de medula há quatro anos, ele desenvolveu uma doença pulmonar. Necessitava de um balão de oxigênio em casa. Seus pais conseguiram o equipamento na Justiça. Mas nunca o receberam. A União, o Estado e o município do Rio de Janeiro levaram seis meses empurrando a responsabilidade um para o outro. Aí ficou tarde demais.

Fabinho não teve uma vida fácil. A mãe – Maria das Graças Ferreira de Souza, mineira de Ponte Nova, uma dona de casa de 57 anos – e o pai – Antônio Serafim Nascimento, de 56, paraibano que faz bicos como pedreiro – se alternam ao contar sua história. De vez em quando param de falar para chorar. Outras vezes sorriem juntos com alguma lembrança. Com apenas 1 ano e 7 meses, o filho foi diagnosticado com câncer. Tinha linfomas pelo corpo e teve de passar por vários tratamentos. Até que aos 10 anos passou por um transplante de medula, no Instituto Nacional de Câncer (Inca). A irmã, Fiama, três anos mais velha, foi a doadora. A cirurgia, bem-sucedida, parecia ser o início de uma nova vida para ele.

Não foi.

Perto do Natal de 2006, quando Fabinho parecia ter pela primeira vez uma rotina normal de criança, começou a ter tosse constante e dificuldade de respiração. O diagnóstico: doença do enxerto contra-hospedeiro, uma reação do organismo às células recebidas no transplante. Ela pode atingir vários órgãos. No caso de Fabinho, foi o pulmão. Após alguns períodos de tratamento no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, os médicos recomendaram que ele tivesse em casa um aparelho concentrador de oxigênio. “Era uma forma de dar dignidade a sua vida e protegê-lo de crises respiratórias mais graves e fatais”, diz a pneumologista Marina Andrade Lima, que o atendeu nos últimos meses de vida e fez o laudo médico para a Justiça. Com o aparelho, as crises de Fabinho poderiam ser controladas, e, na avaliação dos médicos, ele tinha grandes chances de viver muitos anos.

Maria das Graças e Antônio procuraram a Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro para entrar com uma ação. A Justiça lhes deu ganho de causa em dois dias: a União, o Estado ou o município do Rio deveriam fornecer o equipamento – imediatamente. Dois meses depois, em abril, a Defensoria telefonou para os pais de Fabinho. O aparelho não chegara. A União se defendia na Justiça dizendo que o Sistema Único de Saúde (SUS) descentraliza esse tipo de demanda, e quem devia pagar o aparelho era o Estado ou o município. O Estado apresentara decisões judiciais anteriores que dirigem ao município a atribuição. O município alegava que, por se tratar de um fornecimento de “alto custo” e “média complexidade”, era de responsabilidade estadual. Um aparelho desse tipo custa R$ 3.800. Ele requer um cilindro de alumínio, que custa R$ 50. É no cilindro que fica a carga de oxigênio, que deve ser renovada todo mês, a um custo de R$ 40. O Poder Público em geral não compra aparelhos, aluga-os. O preço, nesse caso, seria de R$ 520 por mês.