Adelson Elias Vasconcellos
É, mais uma pesquisa Datafolha, os números se repetem e, ao que parece, a eleição estaria encerrada. É? Fosse assim, é simples: empossa-se a Dilma, ela posa para a foto oficial com a faixa presidencial e direito a mais um daqueles discursos cheios de pompa, sem deixarem de ser canalhas e mistificadores, e que só os petistas são capazes de pronunciar, e se poupa um montão de dinheiro público, ok?
Acontece, entretanto, que ainda não se depositou um miserável voto na urna e, neste caso, a eleição propriamente dita sequer começou. Até lá, faltam exatos 23 dias. Portanto, como pesquisa não ganha eleição, apesar de que sua influência conforme já provei aqui, pode induzir o povão ao erro de votar em quem está sendo, manipuladamente, apresentado como vencedor. Sendo assim, melhor aguardar pela dita cuja, não é mesmo?
Fiquei nos últimos dias matutando com meus botões algumas coisinhas um tanto esquisitas. Por que razão, a nossa prestimosa e decantada Polícia Federal, antes sempre presente no noticiário, andava assim tão quieta, sem aquelas fabulosas operações caça-fantasmas com direito a nomenclaturas gregas ou estranhas ao idioma?
Também as pesquisas eleitorais, que se comunicavam dia sim, dia também, deram uma parada de cerca de 10 dias? Por que, na medida em que a data da eleição mais se aproximava, as tais pesquisas ficaram mudas, quando deveria ocorrer justamente o contrário? Mudança de critérios? Vá saber!
De repente, estoura o escândalo dos dossiês e, na medida em que toma conta dos noticiários da imprensa, a gente percebe um movimento diferente. Reparem: primeiro, foi o caso em Dourados, Mato Grosso do Sul, com a prisão de prefeito, vereadores e mais um monte de gente bacana. Contudo, a operação não teve o dom de retirar do ar o assunto dos sigilos violados. Dourados e suas prisões, correu de forma secundária. Novos fatos sobre o sigilo e o assunto crescendo, e pimba: dois fatos, um, o relatório da PF sobre o mensalão do Arruda, saindo como “mensalão do DEM” – bastante significativo – como a reforçar a lembrança para os eleitores sobre a lambança de um dos partidos da coligação de Serra. Mas o assunto sigilo ficou no ar com novas revelações. Aí, veio o estouro das escutas ilegais no Rio Grande do Sul. Mas o assunto sigilo continuava na primeira página. Lula, resolveu que era hora dele assumir a campanha de Dilma, que feito laranja de presidente, terceirizou sua campanha. Saiu dando bordoada em Deus, no mundo e, lógico, nos tucanos. Por onde passou nesses dias, ultrapassou todos os limites da decência e do decoro, sem, claro, deixar de agredir a verdade. E somente, então, temos nova pesquisa no ar e nova operação da Polícia Federal, desta vez, no Amapá.
Quem olhar a pesquisa vai achar que ficou tudo na mesma. Mas há diferenças que, muito embora pequenas, podem fazer a diferença na reta final. Ocorre que, entre os mais escolarizados e mais bem remunerados, Dilma perdeu pontos. É onde a informação é bem melhor assistida, tem forte impacto sobre decisões eleitorais. Tradicionalmente, esta classe de pessoas, acreditem, acaba influenciando o voto de outros. São os formadores de opinião. Formador de opinião, gente, não são apenas jornalistas, comentaristas e analistas políticos que perambulam pela mídia. São os mais bem informados e escolarizados, com capacidade crítica mais acentuada do que outras classes. E fica claro, seja pelos números do Datafolha, quanto pelas reações de Lula que, inclusive agrediu o que ele chamou de “pseudoformadores de opinião”, que há uma preocupação no núcleo da campanha de Dilma quanto ao impacto que a questão dos sigilos poderá causar daqui prá frente. Daí, porque se entende a agressividade e contundência verbal de Lula nos últimos dias.
Terá tudo isso reflexo no resultado do primeiro turno? Como já disse, não sei. Não tenho bola de cristal, tampouco faço torcida por este contra aquele. Sei em quem não quero votar, não por questão programática ou de simpatia. Digo “não” a tudo o que de ruim representa para o país a permanência do PT no poder, e o quanto de despreparo se percebe na candidata governista. Não me atrai pessoa que faz da mentira um método de fazer política, da mistificação uma forma de concorrência e da falsidade um atributo de caráter.
A minha análise se centra em valores que defendo e entendo serem os melhores para o país. Para um Brasil ainda entregue à escuridão do conhecimento, cuja maior parte de sua população sequer acesso à informação consegue ter, precisamos de governantes, em seus diferentes graus, que sirvam de exemplo para elevar tanto o conhecimento quanto o acesso à informação. E não vejo no PT um partido interessado neste aspecto. Até pelo contrário. Ele aposta na ignorância., na desinformação e no baixo nível de escolaridade para vingar seus valores autoritários.
Quem tem tido a felicidade de compar o Brasil real exibido pelo Jornal Nacional, não consegue identificá-lo no Brasil da campanha governista da Dona Dilma. A mentira salta aos olhos também, quanto confrontamos o que se diz na campanha e nos palanques pela dupla Lula/Dilma, com os dados revelados pelo IBGE nesta semana.
Concluo dizendo que se identifica, claramente, nas ações do Estado, uma confluência criminosa com as ações de governo, que, por sua vez, se embaralham com a campanha eleitoral. Que o povo não tenha esta percepção é até compreensível, dado o volume de propaganda oficial mentirosa que o governo Lula tem despejado diariamente. Já para um juiz eleitoral ou até para a turma do Ministério Público, a cegueira é injustificável. Há muito tempo venho trazendo fatos que demonstram, de forma indiscutível, que a coligação da senhora Dilma está abarrotada de crimes eleitorais que caracterizam o abuso do poder político e do poder econômico, dado que recursos e dependências do governo que, no fundo são de Estado, estão sendo utilizadas em favor da candidatura Dilma. Tudo feito às claras, acintosamente, desafiando os ministros do TSE como a dizer: se vocês têm coragem, apliquem-nos a lei eleitoral.
A conclusão que se tira de todo este quadro, acreditem, em nada nos engrandece como nação democrática: as instituições, bem como as leis vigentes, estão sendo esbulhadas e esmigalhadas por uma máquina partidária autoritária e sem limites. Se Dilma ganhar a eleição, estejam certos, quem perde é o país, é a democracia, são as instituições, é o estado de direito. E, se adicionado à sua vitória, resultar um Congresso majoritariamente composto pelos candidatos de sua coligação, quem perde, em última análise, é o próprio povo brasileiro, que se verá despojado de muitas de suas conquistas previstas na constituição. A partir de janeiro de 2011, podem escrever, o povo brasileiro estará menos livre do que já esteve antes do Petê chegar ao poder.
Insisto numa questão: não me interesse qual será a escolha do povo brasileiro. O que sei é que ela, de fato, aianda não foi feita. O que sei é que há casos nebulosos que esta campanha, simplesmente, pôs de lado, ocultando do eleitor informações indispensáveis para que ele tivesse melhor avaliação sobre os candidatos e candidatas e, assim, de maneira soberana e com conhecimento prévio do "quem é quem", pudesse escolher com sabedoria o que entende ser melhor para ele e para o país.
Talvez, até em função das pesquisas, a oposição se dê conta que a sua decisão de não criticar um governo tido por popular, mas que age nas sombras para não parecer o populista que realmente é o que é, só colabora para sua própria derrota e para que o governo navegue de braçada, porque não está sendo contestado. Em artigos anteriores, toda as vezes que me dediquei a apresentar fatos sobre o governo Lula, o resumo nunca ficou menor do que, pelo menos, 10 acontecimentos graves que a oposição deveria ter melhor explorado, escancarando a verdade, independente se isto lhe amealharia votos ou não. O país de uma oposição digna do nome, não a tem para esconder-se, fugindo do bom combate político. Ali está, primeiro, porque representa uma parcela considerável da sociedade. Segundo, sua missão é justamente vigiar e fiscalizar o governo de plantão, e, se for o caso, denunciar seus erros e abusos, porque é isto que lhe cabe. Ninguém, por mais errado que esteja, se não for criticado e confrontado, adquirirá consciência de seus próprios erros. Como dizia Nelson Rodrigues, toda a unanimidade é burra.
Portanto, que a oposição cumpra com seu papel: o que não faltam são motivos para criticar, para denunciar e para mostrar ao país que, o continuísmo de que se gabam Lula e Dilma nos palanques, representa a manutenção de esquemas de porão que não interessam ao país livre, democrático, ético e desenvolvido. Cabe, portanto, ao senhor Serra, impor a agenda do debate. Enquanto insistir em fugir da missão que lhe cabe, ou por covardia ou por orientação de seus marqueteiros, mais mostras dará ao país de que, realmente, não está a altura de exercer a presidência.