Comentando a Notícia
Se observarem as campanhas e os discursos dos candidatos à presidência, TODOS enchem a boca para falar de educação. Claro, pesquisas apontam o tema como uma das principais dos eleitores. Então, dê-lhe falação. Contudo, propostas consistentes, o diagnóstico correto dos problemas e, principalmente, as soluções adequadas, quase não se vê. Se a gente analisar, por exemplo, a candidata favorita, então, o deserto chega a assustar. Para a mãe do PAC empacada, agora tornada avó na vida real, parece que o Brasil já atingiu o topo do mundo civilizado. Para esta deslumbrada pelo poder, os oitos anos de governo Lula resultaram em perfeição, não há problemas, tudo está devidamente ajustado, e 2003 marca a descoberta do país e sua independência. Ora, se tudo beira à perfeição, então prá quê campanha?
É evidente que o país real é completamente diferente do imaginário de Lula, Dilma e a propaganda, seja a eleitoral seja a oficial, muito embora uma seja correlata a outra. Vimos posts abaixo os problemas nas áreas da educação, infraestrutura, economia, seguridade social, a questão fiscal, assim, em outras ocasiões, abordamos nossas imensas carências nas áreas de segurança e saúde pública.
Nesta semana, Lula parece que esqueceu ser ele o presidente do Brasil, e que o país, a par estar em marcha uma campanha eleitoral para a escolha de seu sucessor, não pode simplesmente parar de ser governado, para que seu presidente se torne um palanqueiro – aliás, desde que assumiu jamais deixou de ser -, e assuma o traje de candidato, apesar de que seja Dilma, a escolhida pelo partido.
Mas estas trivialidades não fazem do decore de Lula. Para ele, que se danem nossos problemas. E manda a alei eleitoral às favas e sai país misturando governo, Estado e partido. Muito embora as misturas resultem em graves crimes eleitorais, parece que nossos juízes eleitorais vivem em outro planeta, e não estão nem aí: sua preocupação é somente com os fichas limpa ou suja, apesar de que Lula insiste em sujar o caos político que nos ronda.
Dentre as declarações estúpidas que fez nesta semana de comícios, e foram muitas – e danem o país futebol clube -, a que diz respeito a educação, não pode nem deve deixar de ser confrontada. Mentiras têm limites, até o senhor Luiz Inácio. Outra coisa, aliás, este senhor não fez senão acintosamente chutar a verdade para o mato, e deitar falação de coisas que não fez, e o que fez, serem sinônimos de incompetência e irresponsabilidade.
Em outras vezes, já demonstrei que o discurso de Lula sobre educação é uma piada grotesca e de mau gosto. Infelizmente, com tantos outros assuntos em pauta, precisamos retornar ao tema: mostrando o Brasil real que Lula produziu em oito anos de poder.
Se a avaliação de um governo, qualquer governo, deve ser medida pelo seu resultado prático, vejam lá embaixo no post sobre a perda de competitividade o que resultou oito anos de Lula, em diversas áreas, mas, sobretudo, no campo educacional. Reproduzimos o parágrafo:
“Em especial, ocupou o 126.º lugar em qualidade em Matemática e Ciências e o 127.º, em qualidade do ensino primário. Da falta de conhecimento básico em Português e Matemática ao analfabetismo funcional é um passo.”
Não é a toa que, 1 em cada 5 brasileiros, são analfabetos funcionais, o pior resultado do continente. Agora comparem a pujança da nossa economia em relação aos demais países da América Latina, e o que dela resulta em impostos para o caixa do governo federal, e depois avaliem se o desastre acima estampado, pode ser justificado!!!
O jornalista Reinaldo Azevedo, em seu blog, fez um apanhado bem sintético mas suficiente para dar a dimensão exata do desastre e, claro, da mentira. Leiam e tirem suas conclusões. Depois, em 3 de outubro, cada eleitor terá o direito de votar ou na verdade, ou na empulhação.
Segue o texto do Reinaldo.
O Estado de São Paulo é um dos poucos a ter universidades estaduais e é o único que tem três delas, inclusive a USP, a maior e mais importante do país. E o número de vagas se expandiu durante os governos tucanos, atacados com ferocidade bucéfala.
De todas as áreas do governo Lula superfaturadas pela propaganda, a educação é certamente aquela em que se mente mais. Relembro alguns números que já publiquei aqui — números oficiais. Volto em seguida:
1 - Lula afirma por aí ter criado 13 universidades federais. É mentira! Com boa vontade, pode-se afirmar que criou apenas seis; com rigor, quatro. Por quê? A maioria das instituições que ele chama “novas universidades” nasceu de meros rearranjos de instituições, marcados por desmembramentos e fusões. Algumas universidades “criadas” ainda estão no papel. E isso, que é um fato, está espelhado nos números, que são do Ministério da Educação;
2 - Poucos sabem, certa imprensa não diz, mas o fato é que a taxa média de crescimento de matrículas nas universidades federais entre 1995 e 2002 (governo FHC) foi de 6% ao ano, contra 3,2% entre 2003 e 2008 - seis anos de mandato de Lula;
3 - Só no segundo mandato de FHC, entre 1998 e 2003, houve 158.461 novas matrículas nas universidades federais, contra 76.000 em seis anos de governo Lula (2003 a 2008);
4 - Nos oito anos de governo FHC, as vagas em cursos noturnos, nas federais, cresceram 100%; entre 2003 e 2008, 15%;
5 - Sabem o que cresceu para valer no governo Lula? As vagas ociosas em razão de um planejamento porco. Eu provo: em 2003, as federais tiveram 84.341 formandos; em 2008, 84.036;
6 - O que aumentou brutalmente no governo Lula foi a evasão: as vagas ociosas passaram de 0,73% em 2003 para 4,35% em 2008. As matrículas trancadas, desligamentos e afastamentos saltaram de 44.023 em 2003 para 57.802 em 2008;
7 - Sim, há mesmo a preocupação de exibir números gordos. Isso faz com que a expansão das federais, dada como se vê acima, se faça à matroca. Erguem-se escolas sem preocupação com a qualidade e as condições de funcionamento, o que leva os estudantes a desistir do curso. A Universidade Federal do ABC perdeu 42% dos alunos entre 2006 e 2009.
8 - Também cresceu espetacularmente no governo Lula a máquina “companheira”. Eram 62 mil os professores das federais em 2008 - 35% a mais do que em 2002. O número de alunos cresceu apenas 21% no período;
9 - No governo FHC, a relação aluno por docente passou de 8,2 para 11,9 em 2003. No governo Lula, caiu para 10,4 (2008). É uma relação escandalosa! Nas melhores universidades americanas, a relação é de, no mínimo, 16 alunos por professor. Lula transformou as universidades federais numa máquina de empreguismo.
Voltei
Um dia talvez a imprensa chegue ao requinte de não permitir que uma mentira prospere. O sujeito diz um batatada ou um dado impreciso, isso é informado ao leitor, e os dados corretos são fornecidos em seguida — não precisa haver uma bendita ou maldita opinião no texto. Só a informação. Um dia, talvez até a oposição faça isso.
E uma palavra sobre o ProUni: trata-se do maior programa da história brasileira de repasse de dinheiro público para entidades mantenedoras do ensino privado. Seria eu contra o ensino privado? Eu não! Sou a favor de privatizar até Jardim da Infância, embora não seja uma proposta muito influente. Agora, se é para repassar dinheiro público para quem quer que seja, é preciso exigir um padrão mínimo de qualidade no serviço oferecido. É o caso do ProUni? Não é.
Instituições que têm um desempenho ridículo no antigo “provão”, que foi desmoralizado pelo governo Lula, continuam a receber o leite de pata. O governo, com efeito, tem pagado para que os pobres estudem em verdadeira cabeças de porco disfarçadas de universidades.