quarta-feira, abril 13, 2022

Preparação dos jovens para o futuro: o papel da educação na formação dos líderes do futuro

 Sean Quinn*

Gazeta do Povo

 Foto: Unsplash, Taylor Wilcox/Reprodução

O papel da educação na formação dos líderes do futuro| 

Existe uma preocupação legítima dos familiares e sociedade em torno da preparação das crianças e jovens para o futuro. Em um contexto de intensa transformação tecnológica, em escala global, com o digital assumindo o protagonismo dessas mudanças, todo o mercado vem sendo impactado por essa evolução. A necessidade de adequação aos preceitos do mundo contemporâneo atinge também o ensino, que desempenha um papel crucial na formação dos jovens.

Esse cenário de mudanças trouxe ainda mais relevância para o espaço educacional, que tem participação fundamental na preparação dos alunos para o futuro. Para além das habilidades profissionais, os centros de ensino precisam refletir os valores de uma sociedade mais plural, diversa e inclusiva. Neste sentido, questões importantes como liberdade, capacidade crítica e reflexiva assumem o centro do debate no ambiente privado e público, contribuindo para a formação de um mundo melhor.

Diante desses desafios, percebe-se a necessidade de uma evolução também nos centros de ensino, seja em suas metodologias ou modelos de aprendizagem, para proporcionar aos alunos os recursos necessários ao seu desenvolvimento pessoal e acadêmico de acordo com as novas expectativas da sociedade. Portanto, a educação é o pilar central da preparação dos jovens para o futuro.

Foco em desenvolvimento de habilidades pessoais e criativas 

Quando se aborda a necessidade de formar os jovens para o porvir, muitos pensam imediatamente em trabalho. Todavia, tal necessidade refere-se ao desenvolvimento de uma série de competências bem mais complexas em que a parte laboral deixa de ser, muitas vezes, a mais importante do debate. As escolas, até mesmo pela sua função social, não têm como objetivo qualificar seus agentes para atuarem em atividades profissionais – função que cabe às universidades e cursos técnicos, por exemplo.

Neste cenário de incertezas e complexidades, a contribuição dos centros de ensino para com os jovens ocorre por meio do apoio ao desenvolvimento e potencialização de suas habilidades, como a capacidade de comunicação com outras pessoas ou culturas, resiliência e criatividade. Em suma, as escolas devem oferecer todo o suporte necessário para os alunos potencializarem suas competências e, dessa forma, conseguirem resolver as questões que se imporem em seu caminho, sejam elas relacionadas a trabalho, família ou qualquer outro assunto.

Ademais, o ambiente escolar é um espaço de descobertas, em que a troca de experiências é constante e, naturalmente, os alunos, muitas vezes, ainda não sabem qual carreira seguir. Por isso, as escolas não devem limitar nesse processo de escolha, mas prepará-los para superarem os desafios do futuro, independentemente do caminho que trilharem.

Escolas devem investir em metodologias inovadoras

Os desafios que as escolas enfrentam para cumprir sua função na contemporaneidade são muitos, sem dúvidas. Para desempenhar com eficiência sua responsabilidade, é imprescindível investimentos na educação. A modernização dos sistemas de ensino, com investimentos em infraestrutura tecnológica e em outras frentes é parte necessária deste processo, contribuindo, essencialmente, para a maximização de resultados no espaço escolar.

Além disso, também é importante cuidar da parte humana, ou seja, a equipe pedagógica. Isso significa que os gestores precisam destinar recursos para programas de capacitação e treinamentos periódicos. É essencial ter uma equipe técnica capacitada para conduzir os trabalhos no âmbito escolar e assegurar que as propostas pedagógicas caminhem em sintonia com as metas propostas nos planos de ensino.

Por fim, a educação tem pela frente um desafio enorme na preparação dos alunos para o futuro. Em meio às constantes transformações que vêm acontecendo no cenário global, os desafios são cada vez mais complexos, o que demanda, por vezes, habilidades humanísticas para resolver tais problemas. Assim, as escolas devem focar em processos de aprendizagem que maximizem as competências pessoais dos alunos, o desenvolvimento criativo e que contribuam com a retenção do conhecimento no espaço escolar.

*Sean Quinn é Diretor Geral na PlayPen | Ecj.


Votar é um dos nossos maiores legados

 Ynaê Lopes dos Santos

Coluna Negros Trópicos

Deutsche Welle

A luta e a conquista de diferentes segmentos sociais por participação política são parte importante da história do Brasil República. E hoje poder votar é nosso presente.

 Foto: Abdias Pinheiro/SECOM/TSE

A história brasileira está repleta de personagens e trajetórias interessantes que, infelizmente e graças à lógica racista que nos ordena, são pouco ou nada conhecidas. Sem dúvida alguma, a vida de Almerinda Faria Gama se enquadra nessa categoria de histórias incríveis que foram silenciadas

Almerinda nasceu em Maceió em 1899. Assim que perdeu o pai, a jovem menina negra se mudou para o Pará, onde foi educada por uma de suas tias. Ao contrário do que acontecia com a maior parte das jovens negras da época, Almerinda conseguiu estudar datilografia e passou a escrever para o jornal paraense A Província. Aos 30 anos, quando descobriu que seu salário era menor do que o dos seus colegas homens, Almerinda se mudou para o Rio de Janeiro, então capital federal, em busca de condições de trabalho mais justas.

No Rio de Janeiro, Almerinda se filiou à Federação Brasileira pelo Progresso da Mulher, se engajando ativamente na emancipação feminina. Sua primeira grande batalha foi pelo direito das mulheres votarem. 

Única mulher na Constituinte de 1934

Quatro anos depois de chegar ao Rio de Janeiro, em 1933, Almerinda foi indicada pelo Sindicato das Datilógrafas e Taquígrafas e pôde votar para a escolha da bancada da Assembleia Nacional Constituinte.

Essa mulher, que viveu quase um século, também foi uma advogada feminista, com forte atividade política tanto no que tange a luta sindical, como no que diz respeito à ampliação do direito da mulher.

Mesmo diante de tamanha trajetória, foi o feito naquele fevereiro de 1934 que fez com que Almerinda entrasse para a história, tendo sido a única mulher a votar na Assembleia Constituinte, que assentaria o futuro do Brasil nas décadas seguintes.

Para muitos jovens de hoje em dia, o feito de Almerinda pode parecer coisa miúda, sem grande importância. Afinal, o que tem demais eleger os representantes políticos do país?

Absolutamente TUDO. 

Para quem conhece pouco a história brasileira, é fundamental lembrar que o direito ao voto, como conhecemos hoje, foi resultado de uma longa luta travada por diferentes segmentos sociais.

Durante o Império do Brasil, o exercício do voto estava vetado aos escravizados (que compunham cerca de 35% da população até a década de 1850- 1860), e mesmo para aqueles que eram tidos como livres, o direito ao voto e à possibilidade de ser eleito estava atrelado ao patrimônio dos cidadãos, o que excluía um percentual significativo dos ditos cidadãos brasileiros, isso sem contar o impedimento imposto às mulheres.

Lei excludente limitava eleitorado

Na Primeira República (1889-1930), a escravidão não mais existia. Mesmo assim, a possibilidade de votar continuava restrita a um punhado de gente, na sua imensa maioria, os homens brancos que compunham as elites políticas, econômicas e intelectuais do país. Não havia uma proibição expressa definindo os cidadãos que podiam e os que não podiam votar. Entretanto, fazendo uso de uma lei engenhosa e abertamente excludente do final do Império - a lei Saraiva de 1871 -, a primeira Constituição do Brasil Republicano (1891) definia que apenas os cidadãos letrados poderiam votar. Uma régua que privou aproximadamente 85% dos cidadãos respeitados brasileiros do exercício do voto. 

Desde então, parte importante da história do Brasil tem sido a história da luta de diferentes segmentos sociais pela maior participação política. Seja na luta pela educação pública - que demorou muito tempo para ser compreendida como um direito dos cidadãos -, seja no embate mais direto pela participação de sujeitos historicamente alijados do processo eleitoral, como as mulheres. Isso sem contar os momentos críticos e violentos nos quais os direitos cidadãos foram suspensos, por meio da instauração de regimes ditatoriais. 

A trajetória da nossa República é também a da conquista da maior participação cidadã nas decisões políticas do país. Por isso, engrossando o coro entoado pela Anitta e por muitos outros artistas brasileiros, se você tem entre 16 e 18 anos, exerça esse direito que nos foi legado por grandes homens e mulheres, tire seu título de eleitor até o próximo dia 4 de maio, e vote nas próximas eleições.

Porque a história se faz no presente. 

E o nosso presente também é poder votar.

O texto reflete a opinião da autora, não necessariamente a da DW.


Uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes põe colégios em alerta

 Exame

Com Estadão Conteúdo

Em alguns casos, os jovens já conhecem os riscos da substância, mas usam como forma de pertencer ao grupo ou como válvula de escape para questões emocionais 

(Reuters/Kim Kyung-Hoon)

O cigarro eletrônico é um problema crônico em outros países, 

como os Estados Unidos. No Brasil, ganhou força mais recentemente. 

O uso de cigarros eletrônicos pelos adolescentes tem colocado colégios brasileiros em alerta. A preocupação cresceu neste ano, com a retomada das aulas presenciais. O consumo é comum em ambientes reservados, como nos banheiros, e há casos até de venda dos dispositivos, que são proibidos no Brasil, nas escolas.

Colégios privados fazem comunicados aos pais e abordam em aulas os riscos da substância, vista muitas vezes como inofensiva. O desafio do cerco ao cigarro eletrônico, no entanto, é grande: como são discretos (alguns se parecem com pendrives), podem passar despercebidos pelos professores.

Os dispositivos funcionam por meio de uma bateria que esquenta um líquido interno (uma mistura de água, aromatizante alimentar, nicotina, propilenoglicol e glicerina vegetal). Também chamado de vape ou pod, o dispositivo é tragado pela boca e cria uma fumaça branca e sem cheiro ou com um cheiro que se dissipa rapidamente no ar.

Adolescentes ouvidos pelo Estadão dizem que o consumo é comum entre grupos de estudantes, principalmente do ensino médio, nos banheiros, no fundo da sala de aula ou nas quadras. Os jovens enviam mensagens de celular uns aos outros para marcar encontros em áreas mais reservadas das escolas, onde fumam juntos. O uso também ocorre fora do colégio, na saída da aula ou no intervalo entre os turnos.

Os estudantes fazem ainda vaquinhas para comprar cigarros eletrônicos. Como são caros - um vape pode custar de R$ 60 a R$ 680 -, o hábito é mais comum em escolas particulares. Apesar de proibidos no Brasil, cigarros eletrônicos são facilmente encontrados em tabacarias, lojas de conveniência e redes sociais. Na escola, são passados de mão em mão ou dentro dos estojos, contam os estudantes.

Em alguns casos, os jovens já conhecem os riscos da substância, mas usam como forma de pertencer ao grupo ou como válvula de escape para questões emocionais. Em outros, se surpreendem com a informação de que pode ser cancerígeno, viciante e causar danos aos pulmões.

‘MODA’

Diretora de um colégio particular na zona sul de São Paulo, Ana Paula de Oliveira diz que o auditório da escola, formado por alunos do ensino médio e fundamental, "foi abaixo", surpreso, durante uma palestra sobre os riscos do cigarro eletrônico na semana passada. "Eles não entendem que tem nicotina, o mal que faz para a saúde. Apenas cumprem uma moda", diz.

A palestra ocorreu depois que a escola presenciou a venda do vape entre dois estudantes - esses alunos foram convidados a se desmatricular. "Cumprimos o que nosso regimento prevê", explica a diretora, citando a proibição da venda de drogas lícitas ou ilícitas na escola. Para ela, após o afastamento do ambiente escolar na pandemia, os adolescentes retornaram com dificuldades de seguir as regras.

O cigarro eletrônico é um problema crônico em outros países, como os Estados Unidos. No Brasil, ganhou força mais recentemente. "Vai todo o mundo para a cabine de cadeirante (no banheiro), mais espaçosa, e ficam todos lá", conta um adolescente de 17 anos, aluno de uma escola particular em Brasília. Outra estudante, da rede estadual paulista, de 14 anos diz ter começado a usar há um mês, na escola, e compartilha o vape de sabor de uva com três colegas. O consumo, diz, é para aliviar tensões. "Nunca tive relação boa com minha mãe e, desde o início da pandemia, só tem piorado."

Um colégio particular tradicional de Salvador, o Antônio Vieira, enviou comunicado aos pais no fim de março sobre o risco do cigarro eletrônico. A direção diz não ter registrado consumo no colégio, mas percebe aumento do problema entre jovens de modo geral. O comunicado fala até em "transferência compulsória" em caso de uso na escola.

"Eles acham interessante a tecnologia do aparelho, que pode botar água e o sabor que quer", diz a diretora acadêmica do Antônio Vieira, Ana Paula Marques. "As próprias famílias muitas vezes não têm clareza do que é isso." Os professores vêm buscando informações sobre o tema.

Novidades como sabores diferentes e dispositivos que brilham no escuro atraem os adolescentes. "Há a sensação de que não é viciante e pode parar a qualquer momento", diz Mario Fioranelli Neto, coordenador pedagógico no Centro Educacional Pioneiro, na zona sul de São Paulo. A escola registrou um caso pontual de uso no colégio - o próprio estudante buscou a direção -, mas também se preocupa com a difusão do cigarro eletrônico fora do ambiente escolar, como em festas ou na saída dos alunos para o almoço.

Luciana Nogueira, professora do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), diz ter recebido relatos de colégios sobre o problema e afirma que a visão positiva em relação ao vape torna o dispositivo ainda mais perigoso. Diferentemente do cigarro tradicional, que tem cheiro forte e incomoda quem está perto, o eletrônico é socialmente aceito, "como algo cool, legal, da moda".

Ela alerta que mesmo dispositivos eletrônicos sem nicotina são viciantes, já que o vício de fumar não tem apenas origem química mas principalmente psíquica. "Eles estão adquirindo o hábito de levar um objeto à boca e tragar", diz Luciana, especialista em vulnerabilidades da adolescência.

AUTOAFIRMAÇÃO

Outro problema é a dificuldade de identificar o dispositivo. "Pelo fato de (o cigarro eletrônico) ter a carinha pequena, camuflada, moderna, para passar batido é muito fácil, a menos que você esteja procurando por ele", conta Edgar Crispino, professor de Biologia da Escola Carandá Educação, na zona sul de São Paulo. Ele afirma ter flagrado um grupo com o vape certa vez na porta do banheiro e, a partir disso, começou um trabalho de trazer informação para dentro da sala de aula.

O assunto entrou em pauta, nas perguntas dos próprios estudantes em aulas sobre fisiologia e poluição. "Se eles estão usando é por um motivo, precisamos entender qual é e conversar sobre o assunto. Muitas vezes, usam porque é a coisa legal do momento, por pressão social", diz o professor, que também vê impacto do distanciamento causado pela pandemia na necessidade de autoafirmação dos adolescentes. "Queremos que procurem ajuda sem se sentirem acuados ou demonizados, o que pode fazer com que se afastem da gente e continuem usando."

Depois que o tema foi abordado, o professor diz que houve uma "quebra de gelo" entre professores e estudantes, que se sentiram mais abertos para dialogar até sobre outros temas espinhosos da adolescência. No Pioneiro, também estão previstas abordagens em aulas de convivência ética. Procurada, a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo reforça que o consumo é proibido e diz desenvolver projetos e produzir conteúdos de conscientização para os alunos. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo



Exclusivo: médicos querem exigir ‘prova da OAB’ para exercer profissão

 Duda Monteiro de Barros 

Veja online

Associação Médica Brasileira entregou no Senado proposta para a criação do Exame Nacional de Medicina

  demaerre/Getty Images

Estudantes de medicina precisarão passar em prova para exercer o ofício. 

A Associação Médica Brasileira (AMB) entregou ao  senador Randolfe Rodrigues no fim de março um projeto de lei que para instituir o Exame Nacional de Proficiência da Medicina (ENPM). A avaliação funcionaria como a prova de OAB para advogados, só que para médicos, com testes teóricos e práticos obrigatórios.

A ideia  surgiu  a partir da preocupação da AMB com a proliferação de cursos de má qualidade no país. Atualmente, 37 mil médicos são formados por ano nos 343 cursos de graduação em território nacional, o segundo maior número do planeta, só perdendo para a Índia.

As únicas exigências atuais para a atuação médica são a conclusão da graduação em algum curso reconhecido e a inscrição no Conselho Regional de Medicina. A medida visa garantir uma prática  mais segura para os pacientes e transparente para a população.

“Não existe nenhum órgão que ateste a qualidade de formação dos alunos. Muitas escolas surgem de forma indiscriminada, sem a menor preocupação com a excelência do ensino”, afirma José Eduardo Lutaif Dolci, diretor científico da AMB. “Se tivermos um exame bem feito, teremos um retorno positivo para toda a sociedade. Outro efeito colateral é que as universidades terão que se preocupar de verdade com a formação do aluno.”

Com relação aos alunos da graduação, desde 2014 uma resolução institui a Matriz de Competências, parte das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de Medicina, mas que não são rigidamente cumpridas. “Temos um índice alto de acidentes evitáveis que são fruto de uma instrução duvidosa”, diz Dolci, que também é Diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

 


Veja quem consegue a aposentadoria por idade do INSS com 61 anos e meio em 2022

 Cristiane Gercina

Folha de São Paulo 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As mulheres que já completaram ou vão completar 61 anos e seis meses de idade até o final de 2022 conseguem a aposentadoria por idade do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) se tiverem ao menos 15 anos de contribuições previdenciárias.

Esse é o último ano em que as seguradas terão acesso ao benefício abaixo da idade mínima que vai valer a partir de 2023. No ano que vem, conforme as regras da reforma da Previdência, as trabalhadoras só terão a aposentadoria por idade a partir de 62 anos.

As normas das aposentadorias mudaram em novembro de 2019, com a publicação da emenda constitucional 103. Antes da reforma, as mulheres se aposentavam com 60 anos de idade e 15 anos de contribuições ao INSS.

Com a alteração, foi implantada a idade mínima de 62 anos para as novas seguradas, mas quem já estava no mercado de trabalho tem direito à regra de transição. A idade mínima aumentou seis meses a cada ano.

A regra de transição para a aposentadoria por idade das mulheres chega ao final neste ano. Para os homens, a reforma não alterou a idade mínima e eles seguem se aposentando aos 65 anos, caso tenham 15 anos de contribuição à Previdência.

Outra alteração trazida pela emenda constitucional 103 foi no cálculo do benefício, que está entre os que mais mudou. Houve duas mudanças significativas: na média salarial e no valor final da aposentadoria.

Antes da reforma, a média salarial era calculada levando-se em conta os 80% dos maiores salários do segurado de julho de 1994 até a data da aposentadoria. Sobre essa média, aplicava-se um percentual conforme o tipo de benefício.

Na aposentadoria por idade, o percentual aplicado era de 70% mais 1% a cada ano de contribuição. Como todos tinham que ter 15 anos de pagamentos ao INSS, a aposentadoria era calculada com o mínimo de 85% sobre a média do segurado. Com 30 anos de INSS, mulheres e homens se aposentavam com o benefício integral, ou seja, recebiam 100% de sua média salarial.

Como ficou o novo cálculo da aposentadoria por idade após a reforma Agora, após a reforma, o cálculo ficou diferente. Houve alteração na forma como se faz a conta da média salarial e também no percentual que se paga de aposentadoria aos segurados. Para calcular a média salarial hoje, levam-se em conta todos os salários do trabalhador, ou seja, os 20% menores também entram na conta, diminuindo a média sobre a qual será calculada a aposentadoria.

Sobre essa média salarial, aplica-se o percentual mínimo de 60% mais 2 % a cada ano que ultrapassar 15 anos, para as mulheres. No caso dos homens, o percentual extra é aplicado após 20 anos de pagamentos ao INSS.

Com isso, as mulheres, que antes se aposentavam aos 60 anos de idade com, no mínimo, 85% sobre a sua média salarial, hoje, se tiverem só 15 anos de INSS vão se aposentar com 60% de sua média salarial. Uma segurada com média salarial de R$ 2.000, por exemplo, receberia R$ 1.700 de aposentadoria antes da reforma. Hoje, com a mesma média salarial, receberá o salário mínimo de R$ 1.212.

VEJA O PERCENTUAL APLICADO NA APOSENTADORIA DA MULHER

Tempo de contribuição ao INSS - Percentual aplicado na aposentadoria

15 anos 60%

16 anos 62%

17 anos 64%

18 anos 66%

19 anos 68%

20 anos 70%

21 anos 72%

22 anos 74%

23 anos 76%

24 anos 78%

25 anos 80%

26 anos 82%

27 anos 84%

28 anos 86%

29 anos 88%

30 anos 90%

31 anos 92%

32 anos 94%

33 anos 96%

34 anos 98%

35 anos 100%

COMO SIMULAR O VALOR DO BENEFÍCIO E FAZER O PEDIDO

As seguradas que vão se aposentar podem fazer a simulação do valor do benefício pelo aplicativo ou site Meu INSS. É preciso ter senha de acesso, que pode ser gerada na hora. Além disso, para acessar, é necessário informar o CPF. No site do Meu INSS, na página inicial, vá em "Simular aposentadoria", do lado direito da tela.

Aparecerão as regras em que a segurada se encaixa e o valor do benefício. Se houver alguma diferença no que esperava receber, a trabalhadora deve reunir todos os documentos que tem consigo para fazer o pedido. Caso o INSS tenha registrado valores errados, a documentação fará com a falha seja corrigida.

Quem fez a simulação pode ir no botão ao fim da página e clicar em "Pedir aposentadoria". No caso de quem está entrando no aplicativo ou site, na página inicial, vá em "Novo pedido" e escolha "Aposentadorias e CTC e Pecúlio". Depois, clique em "Aposentadoria por idade urbana". Informe os dados e siga o passo a passo. Ao final, fotografe ou imprima o protocolo e encerre a solicitação.

O pedido pode ser acompanhado pelo aplicativo ou site Meu INSS. A documentação necessária pode ser enviada também pela internet. Quem preferir pode fazer a solicitação pelo telefone 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.

VEJA QUEM TEM DIREITO ADQUIRIDO AO BENEFÍCIO

Quem conseguir comprovar que completou as condições de se aposentar por idade com as regras anteriores à reforma da Previdência ainda pode fazer o pedido e ter o cálculo mais vantajoso.

Outro diferencial da aposentadoria por idade pré-reforma é que a média salarial será calculada com a retirada das 20% menores contribuições desde julho de 1994. Este descarte deixou de valer para quem se aposenta com as regras posteriores à reforma.

Para quem tem o chamado direito adquirido, os atrasados começam a contar desde a data em que é registrado o pedido da aposentadoria no INSS.

DONAS DE CASA E MEIS TAMBÉM TÊM APOSENTADORIA POR IDADE

A aposentadoria por idade também é o benefício a ser concedido para quem contribui ao INSS como MEI (Microempreendedor Individual), como autônomo, com a alíquota de contribuição de 11%, e para donas de casa de baixa renda, que contribuem com 5% do salário mínimo.

Nesses três casos, será concedida a aposentadoria no valor do salário mínimo (R$ 1.212 em 2022). O segurado que consegue a aposentadoria por idade está na lista dos que têm direito ao 13º do INSS.


Maiores beneficiados pela correção do limite de isenção do IR não são trabalhadores de menor renda

 Bernard Appy*

O Estado de São Paulo

Nos últimos dias, voltou à pauta nacional a possibilidade de o governo reajustar a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Seria mais uma medida de cunho eleitoral, na linha do que já vem sendo feito nas últimas semanas.

Quando se trata do reajuste da tabela do Imposto de Renda, o céu parece ser o limite para os políticos. O presidente Bolsonaro já chegou a dizer que iria aumentar o limite de isenção do IRPF dos atuais R$ 1,9 mil para cinco salários mínimos, ou seja, R$ 6 mil. O problema é que essa discussão é feita sem qualquer avaliação sobre qual seria um valor razoável para a demarcação.

É verdade que, em termos reais, o limite de isenção vigente na data da última correção da tabela do IRPF (em abril de 2015) corresponde a cerca de R$ 2,8 mil. Mas esse é um valor razoável? Ou R$ 6 mil seria mais razoável?

Uma forma de avaliar essa questão é olhar para outros países. Na França e na Alemanha, cuja renda média é muito superior à do Brasil, o limite de isenção do IRPF é, pelo câmbio atual, de cerca de R$ 4 mil por mês. Não faz nenhum sentido um país mais pobre ter um limite de isenção do Imposto de Renda superior ao de países mais ricos.

Outro parâmetro é o limite de isenção medido em termos relativos, ou seja, como proporção do salário médio do país. Na média dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o limite de isenção do IRPF é de cerca de 30% do salário médio da nação. Aplicado ao Brasil, isso resultaria em um limite de isenção inferior a R$ 1 mil.

Obviamente não estou defendendo reduzir o limite de isenção do IRPF. Entendo, no entanto, que o reajuste da tabela do Imposto de Renda deva ser avaliado com cuidado, até pelo seu grande custo. A fixação do limite de isenção em R$ 3 mil (mantendo a diferença, em reais, entre as faixas do IRPF) custa R$ 40 bilhões por ano, valor que sobe para R$ 85 bilhões se o limite de isenção for fixado em R$ 5 mil. Dá para financiar uma ampliação expressiva de bons programas sociais com esse montante.

Adicionalmente, os maiores beneficiados pela correção da tabela do IRPF não são os assalariados de menor renda. No caso da fixação do limite de isenção em R$ 5 mil, por exemplo, o aumento da renda disponível seria de 2,6% para os trabalhadores com salário entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, e 7,5% para aqueles com salário entre R$ 8 mil e R$ 16 mil.

O reajuste da tabela do IRPF é um tema importante. Mas seria bom que a discussão começasse pela avaliação de quais seriam as faixas de tributação adequadas para um país como o Brasil.

* DIRETOR DO CENTRO DE CIDADANIA FISCAL



Lula e Bolsonaro, mais uma vez, vão trair os eleitores.

 COMENTANDO A NOTÍCIA:

Semana passada, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, em campanha visando eleger-se presidente, em um daqueles discursos eleitoreiros, cheios de demagogia e mentiras, válidos apenas enquanto durar a campanha, defendeu que a isenção do imposto de renda na fonte deveria ser de cerca de 5 salários mínimos.  Ok, também defendemos esta faixa. Só que voltando ao passado, precisamente a janeiro de 2.003, era justamente este o limite de isenção existente quando Lula assumiu a presidência. e, vejam só: quando saiu, em dezembro de 2.010  o limite caíra para menos de 3  salários mínimos. 

É bom a gente ter memória, justamente para não dar crédito a tamanha cretinice. Foi Lula, justamente ele, defensor dos fracos e oprimidos trabalhadores, quem deu o ponta pé inicial da compressão do salário mínimo,  via imposto de renda. Alguém há de lembrar que ele deu sequência aos aumentos reais  do mínimo iniciado com Fernando Henrique. Mas, enquanto dava com a mão direita, apressava-se em tirar com a esquerda. Na sequência, Dillma Rousseff, a Medíocre, apenas deu continuidade ao assalto. 

Conforme a Operação Lava Jato, sufocada mais tarde pelos bondosos ministros do STF,  deixou claro  que dinheiro público nas mãos dos políticos brasileiros é festa. Basta que haja algum acréscimo na arrecadação de impostos, e eles prontamente criam programas e meios para aproveitarem-se e enfiar a mão, o pé, a boca, o pescoço, o próprio umbigo. Basta ver o quanto aumentaram os fundos eleitorais, além do tal orçamento secreto, totalmente inconstitucional. Assim, o aumento que o IRF proporcionou via saque, em momento algum beneficiou os mais pobres que viram, impotentes, a sua renda despencar ano após ano. Pesquisem na internet e vejam o quanto de valor real o salário mínimo perdeu para a inflação desde 2015, ano do último reajuste.

Para ficar bem demonstrado temos: em 2.002, o salário mínimo era de R$ 200,00 e a isenção ia a R$ 1.058, ou, 5,29 salários mínimos. Ao assumir, Lula elevou o salário para R$ 240,00,  mas a isenção manteve-se em R$ 1.058, ou 4,40 salários mínimos. Ao deixar a Presidência, oito anos depois, o mínimo era de R$ 510,00  e o limite de isenção era de R$ 1.499,15, ou 2,94 salários mínimos. 

Salário

 mínimo

Limite

de isenção

Qtde salários

mínimos isentos

200,00

1058,00

5,29

240,00

1058,00

4,40

510,00

1499,15

2,94


Jair Messias Bolsonaro não deixou por menos. Também em sua campanha em 2018, jurou que corrigiria a tabela do imposto de renda pessoa física. Quando assumiu, a isenção alcançava  em torno de 2,5 salários. Hoje sequer chega a 2 salários, além de outras promessas não cumpridas, e estamos diante de um claro estelionato eleitoral.  O conjunto da obra tem tal programa de privatização (R$ 1,00 trilhão de arrecadação), bujão de gás a R$ 35,00, reforma tributária dentre outras reformas que jamais saíram do papel.

Fica claro o quanto o Estado brasileiro tem sido danoso para os trabalhadores da iniciativa privada por parte de seus governantes que hoje lideram as pesquisas de intenção de voto para presidente..  Já os servidores públicos tem a seu favor a arma da greve (quando irão regulamentá-la, hein?), e podem chantagear os governantes em busca de reajustes dentre outros privilégios que requerem. Assim, é o próprio estado quem proporciona o aumento da pobreza, da miséria, da fome,  da desigualdade e da perda de qualidade de vida de grande parte da população. Observem a quantidade cada dia maior de sem- teto nos grandes centros.

Agora, às vésperas de novo pleito eleitoral, Bolsonaro lança mão de sua antiga (e esquecida) promessa para tentar capitular simpatia junto aos eleitores. Depois de eleito, novamente irá argumentar que o reajuste da tabela terá que esperar já que o governo federal não pode  perder arrecadação. Arrecadação que serve para alimentar a elite estatal sentada nos 3 Poderes para ser agraciada com vinhos importados, picanha, salmão, camarão, lagosta, jatinho da FAB e férias no exterior. Enquanto aqueles que financiam esta farra imoral, precisam enfileirar-se para a xepa dos ossos. E não se trata de perda de receita coisa nenhum. Ao manter inalterada a tabela, o governo está é aumentando sua arrecadação de impostos nas costas dos trabalhadores.

Já nem vamos abordar aqui a pobreza dos serviços públicos, cada dia mais deteriorados. Portanto, não há uma única e miserável razão para que se dê sequência a imutabilidade da tabela do imposto de renda. E vale lembrar: auditores fiscais já apontaram  uma defasagem na tabela superior a 100%. 

Também é bom lembrar a declaração cretina do senhor Paulo Guedes diante do clamor dos servidores por aumento. Disse o preclaro ministro da Fazenda que conceder reajuste de salário “quebraria a economia”. Não sei onde este cidadão estudou economia, mas é sabido que, trabalhadores, privados ou públicos, bem remunerados é que fazem a roda da economia girar, condição  indispensável para o crescimento do país acontecer.  . 

Como se vê nem Lula tampouco Bolsonaro merecem crédito de confiança. Ambos aplicam, e um e outro se eleito continuará aplicando, sem dó nem piedade, nem vergonha na cara, uma tremenda mentira eleitoral. E o pior, é que tem uma imensa tropa que ainda acredita num e noutro. 

E o que sobra para os mais pobres? Quatro cruzes pesadíssimas  para carregar: o imposto sobre a renda, a inflação alta, queda total ou parcial de renda e os juros nas alturas, com tendência de elevar-se ainda mais. Consola só o fato de a pandemia querer sair de cena. Portanto, podia ser pior. Pior? Não vamos esquecer o desemprego alto e a alarmante queda no rendimento médio dos salários a partir de 2012 Como diriam os antigos, “desgraça pouca é bobagem”.

Carga tributária não para de subir

 Editorial

O Estado de São Paulo 

Ninguém aguenta mais essa carga tributária “enorme e escorchante”, dizia há pouco mais de um ano o presidente Jair Bolsonaro, referindo-se a um dos maiores pesos que a economia tem de suportar para sustentar um setor público ineficiente e caro demais. O que diria agora, depois que um relatório do próprio governo mostrou que a carga tributária aumentou de 31,77% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 para 33,90% no ano passado? Com esse aumento de 2,13 pontos porcentuais, a carga tributária de 2021 é a maior dos últimos 12 anos.

Após criticar a carga tributária no início do ano passado, Bolsonaro garantiu que o ministro da Economia, Paulo Guedes, buscava uma reforma tributária “para buscarmos uma solução para isso”. Meses depois, voltaria a criticar a carga tributária, “enorme”, e a insistir na necessidade de reformas. Retomava um tema que agitava desde a campanha eleitoral. Medidas pontuais foram anunciadas, mas elas não alteram a estrutura tributária que produz essa carga tributária realmente excessiva.

Queda no peso dos tributos sobre a economia foi registrada em 2020 excepcionalmente, interrompendo uma sequência de alta que se observava desde 2014. Mas 2020 foi um ano excepcional, por causa da pandemia. À paralisação de diversos segmentos da economia, governos de vários países responderam com medidas de apoio às empresas. Entre as medidas, além da ampliação da oferta de crédito, estava o adiamento do recolhimento de tributos. A drástica redução da atividade, de sua parte, também fez cair a arrecadação.

São esses os principais fatores que explicam a redução da carga tributária em 2020. Não houve uma decisão deliberada do governo nesse sentido. A alta no ano passado, de sua parte, se explica pela retomada da atividade econômica depois da queda brutal em 2020 e pelo recolhimento de tributos adiados no exercício anterior. Também neste caso pouco se pode dizer de ação deliberada do governo.

O relatório do Tesouro Nacional com a estimativa da carga tributária bruta envolvendo os três níveis de governo mostra que, no Brasil, esse peso é, historicamente, maior do que a carga média da América Latina, que passou de 20,95% do PIB da região em 2010 para 22,95% em 2019.

Mostra também que o peso dos tributos no Brasil é equivalente ao da média dos países associados à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A OCDE é formada pelos países mais desenvolvidos do mundo, nos quais à carga tributária mais alta correspondem serviços públicos melhores. No Brasil, a má qualidade desses serviços foi acentuada pelo descaso do governo Bolsonaro com setores essenciais como saúde e educação, bem como seu desprezo pela preservação do meio ambiente.

A arrecadação em alta criou uma folga financeira para o governo, que até reduziu alguns tributos, mas não se preparou para os desafios que a situação fiscal continua a apresentar. O equilíbrio das contas públicas não está assegurado. O avanço do Centrão sobre o Orçamento é outra ameaça ao equilíbrio fiscal, qualquer que seja a carga tributária.


5 visões do mercado sobre a inflação novamente acima das expectativas

 Beatriz Quesada

Exame

Analistas classificam o IPCA de março como 'assustador' e 'preocupante' e revisam projeções para a taxa Selic ao fim do ano

 (Agência Brasil/Marcello Casal Jr)

Analistas apostam que a disparada da inflação pode

 levar o BC a subir juros por mais tempo 

Investidores e analistas de mercado foram mais uma vez pegos de surpresa pelos números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o principal índice inflacionário brasileiro. Divulgado na sexta-feira, dia 8, pela manhã, o IPCA acelerou de 1,01% em fevereiro para 1,62% em março – a maior variação para o mês desde 1994. 

O número ficou bem acima do consenso de projeções de economistas, que apontavam para uma variação de 1,28%. O IPCA acumulado de 12 meses saltou de 10,54% para 11,30%, o maior patamar desde 2003.

Os números do IPCA voltaram a reforçar a expectativa por novas altas da taxa básica de juros, a Selic, que está em 11,75% ao ano. As previsões dos analistas vão contra o que tem sido sinalizado pelo Banco Central. Em sua última ata, a autoridade monetária havia apontado que haveria apenas mais uma alta em maio, com a taxa estacionando em 12,75% ao ano. Analistas apostam, no entanto, que a disparada da inflação pode obrigar o BC a reavaliar sua postura.

Veja abaixo 5 opiniões do mercado sobre os reflexos do IPCA:

 "Números desagradáveis"

Para analistas do Bradesco BBI, a inflação repetiu a tendência recente de surpresas de alta nas divulgações do IPCA. “Desta vez, foi a divulgação do mês inteiro que apresentou números desagradáveis acima do esperado – e os dados foram ainda piores se considerarmos que as projeções para a inflação de março já estavam bastante altas”, disseram em relatório.

A divulgação reforçou a visão do BBI de que o BC provavelmente precisará elevar a taxa Selic além dos 12,75% sugeridos nos últimos comunicados. “Ao todo, considerando os números divulgados hoje, atualizamos nosso IPCA do ano 2022 para 7,8% (de 6,8% antes), enquanto também ajustamos nossa projeção do IPCA do ano 2023 para 4,0% (de 3,8%)”.

 “Preocupante”

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, classificou o IPCA de março como "preocupante". Segundo ele, é possível que os juros não só subam além de 12,75%, como foi sinalizado pelo Banco Central, mas também permaneçam em patamar elevado por mais tempo. "A inflação foi constantemente alta durante todo o ano passado e parece que vai ser assim de novo.”

“Inflação altamente disseminada”

“A inflação está agora não apenas muito alta mas também altamente disseminada; com manchete projetada para permanecer acima de 10% até agosto de 2022”, afirmaram os analistas do Goldman Sachs em relatório.

O banco americano espera que a alta nos preços das commodities e outros custos de produção mantenham as pressões inflacionárias em alta. “O cenário desafiador da inflação atual e prospectiva e a sinalização hawkish [favorável ao aumento de juros] do Federal Reserve [Fed, o banco central americano] exigem uma calibração conservadora da política monetária.”

“Extremamente desfavorável”

Os analistas do banco Modalmais enxergaram o IPCA de março com composição “extremamente desfavorável não somente nos itens administrados ou em alimentos, que foram as maiores contribuições para o headline no mês, mas também nos itens subjacentes e núcleos e difusão”. O banco colocou um viés altista para sua projeção da Selic para 2022 após a divulgação do IPCA.

“Resultado assustador”

“O resultado é assustador ao passo que se trata de mais uma surpresa altista do índice inflacionário”, avaliou Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, em nota. A divulgação fez a casa recalibrar suas expectativas. “Com a curva da Selic no Focus em 12,75% e o desvio inflacionário para 2023 da própria autoridade em cerca de 15 bps [pontos base], além de 2024 desancorando, seria necessário conduzir o juro para além dos 13,50% para restabelecimento da convergência e ancoragem (matematicamente)”.


Comida cara volta a puxar a inflação

 Editorial

O Estado de São Paulo 

Persistentemente alta e sem sinais de arrefecimento no curto prazo, a inflação é ruim para todos, pois se dissemina por todos os grupos de produtos e serviços, mas voltou a ser bem pior para os mais pobres. Em média, o preço da alimentação está subindo mais do que todos os demais componentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), uma prévia da variação mensal do principal indicador da evolução dos preços aferido pelo IBGE. Assim, as famílias que gastam proporcionalmente mais de sua renda para colocar comida na mesa são as que mais sofrem com a inflação. E as famílias nessa situação são as de renda mais baixa, as mais vulneráveis aos problemas que afetam o mercado de trabalho, como desemprego alto e rendimento real em queda.

O IPCA-15 de março subiu 0,95%, variação um pouco menor do que a de fevereiro (de 0,99%), mas a maior para o mês desde março de 2015 (de 1,24%), quando a economia do País mergulhava em profunda crise. Em 12 meses até março, a alta acumulada do IPCA-15 chega a 10,79%, praticamente o dobro da variação acumulada um ano antes (de 5,52%). A inflação vem se acelerando desde o início do ano passado e, apesar do endurecimento da política monetária conduzida pelo Banco Central (no período, a taxa Selic passou de 2% para 11,75% ao ano), continua alta e com sinais de que ainda pode subir.

Em boa parte desse período, a alta da inflação foi impulsionada pelos preços dos alimentos. Grande exportador de algumas das principais commodities agrícolas, o Brasil tem obtido resultados muito satisfatórios em sua balança comercial. Mas a elevação da cotação desses produtos no mercado externo teve impacto também sobre os preços internos, que até há pouco absorviam também o efeito da alta do dólar.

Boa parte desse impacto parecia superada. Mas riscos ao abastecimento mundial trazidos pela invasão da Ucrânia pela Rússia (dois dos principais países exportadores de trigo, milho e fertilizantes) criaram instabilidades que estão forçando novas altas. As consequências para o consumidor brasileiro estão sendo pesadas.

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE registraram preços mais altos no IPCA-15. A difusão da alta ficou mais intensa em março do que em fevereiro. Mas o maior impacto sobre o resultado veio do grupo alimentação e bebidas, com alta de 1,95%, o que o torna responsável por 0,40 ponto porcentual da variação do IPCA-15. Se se considerar apenas os alimentos para consumo no domicílio, a alta foi ainda mais notável, de 2,51% (a alimentação fora do domicílio subiu bem menos, 0,52%).

Alguns produtos hortigranjeiros tiveram alta de mais de 40% entre fevereiro e março. Embora não conste do grupo de alimentos, o gás de botijão (parte do grupo habitação) também torna a alimentação em domicílio mais cara. Segundo o IBGE, a alta no mês foi de 1,29%.

Aumentos expressivos estão sendo observados também nos preços dos combustíveis. Outra consequência da guerra da Ucrânia é a volatilidade dos preços do petróleo, que há pouco alcançaram seu nível mais alto em muitos anos, oscilaram em seguida, mas continuam muito elevados. Era inevitável que os preços dos derivados no mercado interno também subissem.

Há pouco, a Petrobras anunciou correção de até 24% nos preços dos principais derivados (gasolina, óleo diesel e gás de botijão). Essa alta não deverá ser repassada integralmente ao consumidor final, e o repasse, ainda que não total, não é imediato. Analistas de índices de preços de instituições privadas estimam que, até agora, apenas metade do repasse chegou ao consumidor. É possível que o restante chegue até o fim do mês, o que tem levado esses analistas a rever, para cima, sua estimativa para o IPCA fechado para o mês de março. Há previsão de inflação de até 1,25% neste mês. Alívio, se houver, não deverá ser sentido antes de maio. Projeções privadas indicam melhora só no segundo semestre.

O Banco Central estima que o ciclo de aperto monetário acabará justamente em maio. Espera-se que não tenha de rever suas projeções.


Por que a guerra na Ucrânia pode ser benéfica para o Brasil

 Alexander Busch

ColunaTropiconomia

Deutsche Welle

País é um dos poucos que se beneficiará com mudanças geopolíticas resultantes da invasão russa. Produtos de exportação e economia fechada são o diferencial brasileiro. Quão bom é isso para a população é outra questão.

 Foto: Weimer Carvalho/dpa/picture alliance

Preços das commodities produzidas no Brasil 

vem aumentando desde o início deste ano

Ao observar os desenvolvimentos econômicos após a invasão russa na Ucrânia, surpreendentemente se constata que poucos países se beneficiaram tanto das mudanças ocorridas desde então nos fluxos comerciais quanto o Brasil – e essa tendência deve se manter.

Isso pode ser percebido na valorização surpreendente do real: o dólar caiu 20% em relação à moeda brasileira desde a virada do ano. O real também ganhou paralelamente com o crescente risco de uma guerra na Europa. O mesmo se aplica a Bovespa, cujo índice subiu 17% desde o início de 2022.

Há diversos motivos para esse desenvolvimento inesperado:

A indústria da exportação brasileira se beneficia com o aumento dos preços das matérias-primas e energia: os principais produtos agrícolas brasileiros ou derivados – soja, milho, carne, mas também suco de laranja, por exemplo – , que já estavam num patamar alto, se valorizaram ainda mais desde o início do ano. O mesmo ocorreu com o minério de ferro e quase todos os minérios e metais que o Brasil também exporta. Além disso, o Brasil é em grande parte autarca na sua produção de petróleo.

Embora os preços de energia e alimentos também estejam aumentando no Brasil. Com a falta de fertilizantes no mercado mundial, o nível do preço dos produtos agrícolas aumentará em mundo todo e também no Brasil.

O abastecimento, porém, não está ameaçado, como no caso de uma interrupção no fornecimento de gás russo para a indústria europeia, e principalmente alemã. Também não é esperada uma escassez de alimentos, como possivelmente em breve ocorrerá em países do Oriente Médio que dependem dos grãos importados da Rússia e Ucrânia. Com o aumento da taxa de juros, o Banco Central brasileiro também reagiu mais rápido à pressão inflacionária do Banco Central Europeu ou o Fed, nos Estados Unidos.

O Brasil também se beneficia com administradores de fundos que estão mudando seus investimentos. Eles estão tirando seu capital de empresas, setores e regiões que foram afetadas negativamente pela guerra ou em cumprimento das sanções aplicadas pelo Ocidente contra corporações russas. As entradas de capital no Brasil cresceram em ritmo recorde nos três primeiros meses.

As consequências negativas da guerra serão sentidas em menor grau no Brasil. O Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo. O consumo local é decisivo para o crescimento econômico, e não o comércio exterior. Além disso, na última década, o Brasil se desacoplou cada vez mais das cadeias de valor internacionais.

Antes da guerra na Ucrânia, a pandemia já havia fortalecido o isolamento brasileiro na economia mundial. Para o cientista político Oliver Stuenkel, da FGV em São Paulo, isso leva o Brasil a "lidar melhor com o choque de desglobalização atualmente em curso". Ao contrário da Alemanha que, como campeã mundial da exportação, depende extremamente de uma economia global em bom funcionamento.

O peso geopolítico e importância do Brasil em um mundo cada vez mais polarizado pode ainda aumentar: cada uma das potências – Estados Unidos, China, Rússia e União Europeia – vão tentar conquistar o Brasil como parceiro. Na história de sua política externa, o Brasil geralmente foi hábil em utilizar as diferentes ofertas para parceira em seu interesse, sem se vincular muito a uma das potências ou entrar em conflito com alguma delas. O desastre diplomático do governo de Jair Bolsonaro é uma exceção.

A questão é, porém, se esse crescente afastamento do mundo é bom para os brasileiros. Um isolamento – econômico, técnico, científico, assim como cultural e intelectual – deve, na verdade, ser muito mais prejudicial ao Brasil.

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O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente da DW.


O rentismo está de volta, e pode ser um problema para a economia do país

 Luana Meneghetti 

Revista VEJA

Se para o investidor a renda fixa é uma facilidade, para o Brasil desestimula o crescimento econômico, o ganho produtivo e a criação de mais empregos

 //Getty Images

EM ALTA - A taxa de juros disparou: dos 2% 

aos 11,75% da Selic em apenas um ano - 

Por anos seguidos, os ganhos a partir de aplicações financeiras de renda fixa foram a forma mais segura e lucrativa de engordar o capital entre os brasileiros, em um cenário de inflação e taxas de juros elevadas. Mas, em um contexto de juros modestos e com opções como as aplicações na bolsa, dólar e até criptomoedas, a clássica ideia do rentismo passou a ser uma opção obsoleta, restrita a investidores de padrão altamente conservador — ou, pior, desinformados. Não à toa, quando fintechs como o Nubank passaram a oferecer a seus clientes, há cerca de três anos, a correção monetária de 100% do CDI, atrelada à Selic, a taxa básica de juros, nas contas-correntes, poucos deram atenção ao benefício. Com a nova política de juros do Banco Central e a expectativa de a Selic se aproximar dos 13% até o fim de 2022, a situação mudou e o país retomou a lógica em que o dinheiro rende por si só, ao ritmo de aproximadamente 1% ao mês.

Mesmo descontada a forte inflação, é um ganho difícil de conseguir em outras modalidades de investimentos. Não surpreendentemente, a renda fixa acumula, no primeiro trimestre do ano, a maior captação líquida entre as classes de ativos, atingindo 109 bilhões de reais, enquanto fundos e ações sofrem com retiradas de dinheiro. Juntas, essas duas classes já perderam mais de 70 bilhões de reais de recursos retirados até março. Apesar de ser uma opção excelente para os investidores, é impossível não deixar de encarar tal fenômeno como uma regressão a um passado em que os juros nas alturas, alimentados pela inflação e pelas contas públicas descontroladas, estimulavam os investidores a estacionar os recursos nas opções de renda fixa, arriscando apenas ocasionalmente em ações ou outras categorias de aportes.

Se para o investidor o rentismo é uma facilidade, para o país como um todo está longe de ser um bom negócio, pois desestimula o crescimento econômico, o ganho produtivo e a criação de mais empregos. A volta do rentismo coloca sob risco importantes conquistas recentes. A mais relevante é a expansão do mercado de capitais, que injetou substanciais recursos em empresas e negócios país afora. Muitos dos investidores que hoje se voltam com entusiasmo para a renda fixa foram justamente os responsáveis por levar a B3, a bolsa de valores brasileira, a registrar um aumento inédito no número de pessoas físicas comprando e vendendo ações. Tal volume passou de menos de 1 milhão de pessoas no começo de 2019 para os atuais 5 milhões. Como principal indutor desse movimento estava exatamente a Selic na mínima histórica de 2%, ao fazer com que a renda fixa deixasse de entregar rendimentos acima da inflação.

Para não perder dinheiro, todos, inclusive os investidores de perfis mais conservadores, precisaram partir para novas opções. E esse processo induziu a um novo ecossistema em que proliferaram cursos de educação financeira e o surgimento de casas de análises. Gerou até mesmo novidades como a fintwit, uma comunidade de tuiteiros em que tubarões do mercado e jovens novatos no universo dos investimentos trocam ideias e dicas de investimentos — e também insultos. “Vivemos um movimento natural de migração para a renda fixa, em que muitos desses investidores recém-chegados ao mundo das ações vendem suas participações na bolsa para colocar na renda fixa”, constata Yago Pacheco Teixeira, 29 anos, dono do canal Simplesmente Investidor no Instagram e ativo participante da fintwit. Ele próprio, que desde 2018 investia tanto em renda fixa quanto em variável, agora tem dedicado maior parte do seu patrimônio à primeira.

 – Suamy Beydoun/AGIF/AFP

EXPANSÃO – Sede da B3: 5 milhões de investidores em ações 

A persistência da inflação em alta traz preocupações de que o cenário atual possa perdurar por longo tempo. A expansão nos preços foi alimentada primeiramente pelo descompasso global entre demanda e oferta de produtos e serviços, além das dificuldades de logística, causadas pela pandemia. Contribuiu ainda o dólar, que disparou no Brasil entre 2020 e 2021. Nas últimas semanas, quando esses efeitos deveriam começar a se dissipar, veio a guerra entre Rússia e Ucrânia, causando novas pressões inflacionárias, em especial para commodities como o petróleo e o trigo. “O mundo também passou a viver com um nível de inflação que já tínhamos aqui. Agora, os países estão tendo de reajustar a rota”, diz Marilia Fontes, analista de renda fixa e cofundadora da empresa de análises Nord Research. 

No Brasil, a inflação medida pelo IPCA atingiu, no acumulado de doze meses até fevereiro, o patamar de 10,75%. O mercado projetava no início do ano uma taxa de 5,6% para 2022, mas em um mês a estimativa já aumentou para 6,86%, muito acima da meta do BC, de 3,5%. Inflação descontrolada é combustível para a fogueira dos juros — e sem extintores por perto. Para desestimular o aumento dos preços e ainda trazer rendimento real aos investidores, a Selic precisa ficar posicionada acima do IPCA. No cenário mais otimista, a estimativa é que os juros permaneçam acima dos 10% pelo menos até a metade do próximo ano, e se acomodem a partir de 2024. “Na melhor das hipóteses, a Selic volta a 7%”, avalia Gilberto Kfouri, especialista em renda fixa e multimercados do banco de investimentos BNP Paribas Asset Management.

No Brasil, infelizmente, estamos dando um passo atrás rumo ao “eldorado do 1%”. Mas o atual cenário de inflação e de alta de juros não é uma exclusividade nossa. No mês passado, o Banco Central americano elevou, pela primeira vez em quatro anos, a taxa para 0,25% ao ano. Existe uma expectativa de um novo aumento no fim deste mês, com analistas estimando mais 0,5 ponto porcentual de aumento, uma situação rara na história americana. Para piorar, caso a inflação lá fora permaneça elevada, esse movimento tende a continuar, o que pode fazer com que recursos que viriam para o Brasil migrem na direção dos Estados Unidos. Se isso se confirmar, é possível que os juros por aqui aumentem ainda mais numa roda-viva bastante negativa. Evidentemente, investidores podem até se beneficiar dessa situação. Mas ela terá impactos sobre o crescimento do PIB e jogará água fria num vibrante mercado de investimentos que crescia no Brasil. Uma pena.

Publicado em VEJA de 13 de abril de 2022, edição nº 2784


Especialistas preveem que renda média do brasileiro continuará a cair

 Metrópoles

Economistas apontam que, mesmo com taxa de desemprego menor, brasileiro sofrerá mais com redução da média salarial

 Getty Images

O rendimento médio do brasileiro no primeiro bimestre de 2022, estimado em R$ 2.511 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está no nível mais baixo desde 2012. E o cenário, segundo especialistas, é de piora para os próximos meses.

O consenso entre analistas econômicos é de que o ano é cercado de incertezas, e a retomada na economia perdeu força com a chegada da Ômicron, em janeiro deste ano. O temor do surgimento de uma nova variante veio exatamente no momento em que empregadores começaram a reabrir as portas de forma mais geral. Com isso, a expectativa é de que a insegurança faça a média salarial continuar a cair, embora o emprego possa seguir com alguma recuperação – mais tímida, mas ainda assim, positiva.

O economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas Rodolpho Tobler aponta que esse índice está diretamente ligado à inflação, que roda, há sete meses consecutivos, acima dos dois dígitos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março teve alta de 1,62%, ante 1,01% em fevereiro. Essa é a maior variação para o mês de março desde 1994, quando o índice foi de 42,75%, no período que antecedeu a implementação do Plano Real.

O mercado de trabalho teve uma desaceleração significativa neste primeiro bimestre. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, enquanto o saldo de vagas nos primeiros dois meses de 2021 foi de 651.756, o número de 2022 foi de 475.862, o equivalente a uma queda de 27%.

Os especialistas ressaltam que a guerra na Ucrânia também intensificou a piora no cenário econômico, deixando empregadores cautelosos e embalando a alta de preços. “As pessoas estão sentindo no bolso a locomoção, a alimentação, um rol de coisas bastante pesadas”, diz o professor.

coldsnowstormv/ Getty Images

***Foto-mulher-olhando-para-papel-com-as-maos-na-boca-2.jpg

Ao contrário do que parece, a inflação não é de todo mal. Quando controlada, é sinal de que a economia está bem e crescendo da forma esperada. No Brasil, por exemplo, temos uma meta anual de inflação para garantir que os preços fiquem controlados. O que não pode deixar, na verdade, é chegar na hiperinflação - quando o controle de todos os preços é perdido

Salários em queda limitam crescimento econômico do Brasil

 Alexandre Garcia,

Site  R7

Corte dos rendimentos tira dinheiro dos setores de comércio e serviços e dificulta recuperação pós-pandemia

MARCELLO CASAL JRAGÊNCIA BRASIL - 13.10.2020

Salário médio dos brasileiros figura em R$ 2.511

Os brasileiros amargam um cenário adverso com inflação e desemprego em níveis elevados e queda da renda dos trabalhadores. A "tempestade perfeita" surge diante do processo de recuperação econômica após as perdas causadas pela pandemia do novo coronavírus e tende a dificultar o crescimento efetivo do PIB (Produto Interno Bruto) — soma de todos os bens e serviços produzidos no país — nos próximos anos.

Em fevereiro, o salário médio de admissão dos trabalhadores com carteira assinada caiu a R$ 1.878,66, remuneração 3,15% menor do que a de janeiro e representa uma perda real de 11,78% em 12 meses. Ao mesmo tempo, o rendimento médio real recebido pelos brasileiros figura em R$ 2.511, o valor mais baixo já registrado para um trimestre encerrado em fevereiro.

Ao avaliar um impacto econômico dos dados na produção, Fausto Augusto Junior, diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), afirma que Investimento e renda do trabalho são as únicas formas de alavancar o crescimento do PIB de uma nação.

“Quando você coloca recursos na parte de baixo da pirâmide, esse dinheiro é injetado na economia. Nós observamos isso com o auxílio emergencial, que impediu um tombo maior do nosso PIB, porque os mais pobres tiveram rodagem na economia”, avalia Augusto Junior.

O presidente do Cofecon (Conselho Federal de Medicina), Antonio Corrêa de Lacerda, reforça que os indicadores mais recentes indicam que há mais de 29 milhões de brasileiros economicamente ativos sem uma colocação profissional, o que trava ainda mais o avanço do PIB.

"Além de fora do mercado de trabalho, esses 25% da população ativa não integra o mercado consumidor, também afetado pelo menor poder de compra da população com a alta da inflação. Assim, temos uma expressiva de contração do potencial de demanda, afetando o crescimento em uma espiral viciosa", afirma Lacerda.

Para Augusto Junior, o cenário de queda da massa salarial dos profissionais ocupados transforma a saída do colapso sanitário em uma crise econômica. “Apesar da geração de mais empregos, a quantidade de dinheiro circulando na economia é menor do que há um ano, quando estávamos no auge da pandemia”, lamenta.

Salário mínimo

O ambiente desfavorável para a economia brasileira conta ainda com a perda de poder de compra do salário mínimo, que serve como piso para diversos setores e não é reajustado com ganho real desde 2019.

Anteriormente, a lei 13.152, de 2015, determinava que o salário mínimo deveria ser calculado com base na expectativa para o INPC do ano e a taxa de crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes, o que garantia uma alta salarial.

O ambiente desfavorável para a economia brasileira conta ainda com a perda de poder de compra do salário mínimo, que serve como piso para diversos setores e não é reajustado com ganho real desde 2019.

Anteriormente, a lei 13.152, de 2015, determinava que o salário mínimo deveria ser calculado com base na expectativa para o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano vigente e a taxa de crescimento real do PIB de dois anos antes, o que garantia um ganho real.

De acordo com Augusto Junior, do Dieese, a política extinta garantia melhores salários não só para aos profissionais remunerados com o piso, mas também elevava a renda dos informais e dos trabalhadores domésticos.

Lacerda, por sua vez, destaca a geração de emprego e renda com o “motor” do crescimento econômico. “Um país com as nossas carências não pode deixar de priorizar o crescimento em bases sustentáveis. [...] A ausência de políticas de melhora dos salários, em especial o mínimo e aposentadorias, agravam a questão”, analisa o presidente do Cofecon.

A percepção dos economistas é refletida também nos dados do Salariômetro, da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). De acordo com o indicador, 55,7% das negociações encerradas fizeram os trabalhadores amargar uma perda real em fevereiro e apenas 29,2% tiveram uma nova remuneração com ganho acima da inflação.


Brasil fecha 2021 com 25,9 milhões trabalhando por conta própria

 Gabriel Buss

Poder 360 

O número de pessoas que trabalham por conta própria no Brasil chegou a 25,9 milhões no 4º trimestre de 2021. Desses, 19,5 milhões de trabalhadores executam suas atividades sem CNPJ. Os dados são do FGV Ibre.

A faixa de pessoas que atuam por conta própria foi responsável por 35,2% do incremento da população ocupada no último ano.

 © Fornecido por Poder360

A pesquisadora da FGV Ibre e autora do estudo, Janaína Feijó, afirma que as pessoas que estão trabalhando por conta própria sem CNPJ ficam “mais vulneráveis” e tendem a estar em “serviços mais vulneráveis, e que apresentam oscilações na renda“.

Do total da população ocupada no Brasil, os que trabalham por conta própria representam 27,1%. Ou seja, 3 em cada 10 brasileiros.

Quando se trata da composição gênero-racial, percebe-se que a maioria dos brasileiros que trabalham por conta própria sem CNPJ são homens pretos/pardos (40,9%). Já a maioria dos autônomos com CNPJ são homens brancos/amarelos (36,2%).

A taxa de mulheres negras/pardas trabalhando por conta própria cresceu 23,1%, atingindo o maior nível da série histórica, com 933 mil pessoas. No entanto, as mulheres negras atualmente representam apenas 14,6% de todos com CNPJ, enquanto entre os sem CNPJ, esse percentual é 18,5%.

Em níveis de escolaridade, 54,7% do total dos que trabalham por conta própria sem CNPJ tem menos do que o ensino médio completo como formação. Os que possuem ensino superior nessa categoria são 10,6%. E 34,7% tem ensino médio completo ou superior incompleto.

Já no segmento dos que tem CNPJ, apenas 26% tem menos do que o ensino médio completo. Os que tem ensino médio completo ou superior incompleto chegam a 43%, e os com nível superior representam 31,1%.

No cenário geral, 47,6% têm menos do que o ensino médio completo. São 36,7% que tem ensino médio completo ou superior incompleto. Só 15,7% tem ensino superior completo.

Eis a íntegra (266 KB) do estudo feito pela pesquisadora Janaína Feijó.

https://static.poder360.com.br/2022/04/estudo-fgv-ibre-conta-propria-4-tri-2021.pdf

A autora do estudo avalia que a tendência é que os números de pessoas que trabalhem por conta própria no Brasil siga crescendo, não ascendente como nos últimos anos, mas crescente. Segundo ela, as pessoas estão buscando horários mais flexíveis de trabalho.

“Há também uma tendência mundial de trabalhadores autônomos que conseguem adequar melhor a sua vida com a jornada de trabalho” afirmou.


Como os motoristas brasileiros vão recarregar seus veículos elétricos?

 Sérgio Ripardo

Bloomberg

Associação das montadoras cria grupo de trabalho para expandir a infraestrutura de eletromobilidade, enquanto frota elétrica cresce no país

 (Mikael Sjoberg/Bloomberg)

Recarga -  O avanço das vendas de carros elétricos no Brasil fez a Anfavea

 criar um grupo de trabalho para expandir a infraestrutura de carregamento das unidades 

São Paulo — A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) criou um grupo de trabalho com foco em infraestrutura para eletromobilidade, com o objetivo de estudar a necessidade de instalação de carregadores de veículos elétricos, no momento em que as montadoras apostam cada vez no processo de descarbonização, aposentam modelos que consomem combustíveis fósseis e tentam reanimar as vendas após dois anos de pandemia da Covid-19.

O governo paulista está acompanhando esse processo e cogita criar incentivos à expansão da frota elétrica, como condições diferenciadas na cobrança de taxa em praças de pedágio.

A entidade informou que a atual frota brasileira de veículos elétricos é estimada em 10 mil unidades, enquantos os pontos de recarga disponíveis somam apenas 1.000. A título de comparação, a Europa possui uma frota de 3,9 milhões de veículos elétricos que contam com 225 mil pontos de recarga. A Anfavea diz que esses dados de 2020 foram apurados pela Electromaps, empresa de soluções para carregamento de veículos elétricos.

 “A gente precisa se preparar na infraestrutura de carregamento de veículos elétricos”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, durante entrevista coletiva para divulgar o balanço do setor.

A entidade trabalha com estimativa de expansão para os próximos 10 e 15 anos, com a frota brasileira de veículos elétricos atingindo 3,2 milhões de unidades em 2035 diante de 154 mil pontos de recarga no país.

A participação de veículos elétricos no total de vendas está em tendência de crescimento gradual. De janeiro a março, houve emplacamento de 1.291 veículos elétricos (automóveis e comerciais leves), próximo do total de todo o acumulado do ano passado (2.860). No primeiro trimestre, as novas tecnologias de propulsão (elétricos e híbridos) já respondem por 2,6% do total de vendas, acima da fatia de 1,8% de todo o ano de 2021 e 1% em 2020.

Entre os veículos pesados, foram 348 caminhões e ônibus elétricos emplacados no primeiro trimestre, acima dos 313 registrados em todo o ano de 2021. Incluindo os veículos a gás, as vendas desse segmento (elétricos e a gás) já representam 1,3% do total de vendas de caminhões e ônibus licenciados no país, acima de 0,3% de 2021.

“Várias montadoras já estão trazendo veículos elétricos. Os volumes estão aumentando gradativamente. Isso mostra a importância da eletrificação. Decidimos trazer esse desafio de como implementar a infraestrutura de carregamento para veículos elétricos no Brasil”, disse o presidente da Anfavea, em referência à criação do grupo de trabalho.

Quanto petróleo o Brasil produz no pré-sal e para onde vai o dinheiro

 Célio Yano

Gazeta do Povo

 Foto: Geraldo Falcão/Agência Petrobras

Plataforma de petróleo da Petrobras: 2,23 milhões 

de barris por dia produzidos no pré-sal.| 

Em meio a um cenário de alta no preço do petróleo no mercado internacional, a Petrobras anunciou no início do mês a descoberta de uma nova acumulação no pré-sal da porção sul da Bacia de Campos, em um poço pioneiro no bloco Alto de Cabo Frio Central, a 230 km da cidade do Rio de Janeiro. Responsável pela área, o consórcio formado pela estatal e pela BP Energy do Brasil ainda precisa finalizar a perfuração para avaliar o tamanho da reserva e caracterizar a qualidade dos fluidos.

Nos próximos anos, os novos reservatórios vão ajudar a elevar a produção brasileira de petróleo e gás natural, hoje altamente dependente da exploração em águas profundas. Em razão do volume de reservas disponíveis e da opção da Petrobras de investir no pré-sal, mais de três quartos dos hidrocarbonetos extraídos no país vêm hoje dessa província petrolífera.

O ritmo é crescente. Para se ter uma ideia, em 2010, três anos após a descoberta das reservas de pré-sal no Brasil, o país produzia em média 41 mil barris de petróleo por dia a partir dessa camada. Em 2014, o volume chegou a 500 mil. Três anos depois, em 2017, a produção no pré-sal superou, pela primeira vez, a do chamado pós-sal. No ano seguinte, já se extraía 1,5 milhão de barris diários, segundo dados da estatal.

No relatório mais recente da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referente a fevereiro, foram produzidos no país, por dia, 2,235 milhões de barris de petróleo, além de 96,4 milhões de metros cúbicos de gás natural nos 127 poços localizados na camada do pré-sal. Isso equivale a 75,7% de toda a produção em território nacional, que foi de 2,235 milhões de barris de petróleo e 133 milhões de metros cúbicos de gás natural.

Quase a totalidade da produção conta com a participação da Petrobras, que até 2016 era a única operadora responsável pela operação de atividades de exploração no pré-sal. A partir daquele ano, a empresa deixou de ser monopolista no setor, mas passou a ter o direito de preferência para adquirir ao menos 30% de participação nos consórcios de exploração de áreas leiloados.

Campos operados pela estatal, sozinha ou em consórcio, produziram 94,1% do petróleo e do gás natural em fevereiro. Os campos operados exclusivamente pela Petrobras responderam por 28,5% do total.

Ao todo, as commodities extraídas em território brasileiro provêm de 6.149 poços, sendo 468 marítimos e 5.681 terrestres. Os campos marítimos responderam por 97,1% de toda a produção de petróleo e de 87,5% do de gás natural.

Apesar de o volume de petróleo extraído hoje no Brasil corresponder ao necessário para suprir a demanda do mercado interno, parte do óleo produzido aqui é do tipo pesado e precisa ser misturado a outros tipos para poder ser refinado. Além disso, a capacidade de refino do petróleo para geração de derivados, como gasolina e diesel não atende à necessidade de consumo do país.

Segundo a ANP, em fevereiro, o Brasil precisou importar 5,78 milhões de barris de petróleo ao custo de US$ 482,2 milhões, além de outros 8,98 milhões de barris de derivados, que custaram US$ 723,47 milhões. Na outra ponta, o país exportou 49,46 milhões de barris do óleo bruto, arrecadando US$ 3,45 bilhões.

Para onde vai o dinheiro da produção

Por meio dos chamados contratos de partilha, parte do petróleo e gás natural que é extraído da camada do pré-sal pertence à União. Desde 2010, todo o dinheiro arrecadado com a comercialização desses recursos vai para o chamado Fundo Social, uma reserva destinada a investimentos em saúde educação, cultura, esporte, saúde pública, ciência e tecnologia e meio ambiente.

Em agosto de 2020, o Congresso chegou a aprovar uma lei que alterava a destinação desse capital, distribuindo 50% para o Fundo Social, 30% para o Fundo de Participação dos Estados e Distrito Federal (FPE) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e outros 20% para a um fundo para expansão de gasodutos, o chamado Brasduto. O dispositivo, no entanto, foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em 2013, para gerir os contratos de partilha de produção e a comercialização de petróleo e gás e representar a União nos acordos de unitização, foi criada a estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME).

De acordo com a PPSA, em todo o ano passado a União recebeu R$ 1,22 bilhão com a comercialização da parcela de petróleo e gás natural nos contratos de partilha de produção. A cifra superou em 74% o valor de 2020, de R$ 704 milhões, e foi recorde na série histórica, superando o R$ 1,1 bilhão referente a 2018.

Foram comercializados 3,5 milhões de barris de petróleo da União do Campo Entorno de Sapinhoá e da Área de Desenvolvimento de Mero (Libra), além de 57,6 milhões de metros cúbicos de gás natural provenientes de União dos Campos de Búzios, Entorno de Sapinhoá, Tartaruga Verde Sudoeste e Tupi.

De 2013 até o ano passado, foram arrecadados R$ 3,9 bilhões para a União, sendo R$ 2,6 bilhões com a atividade de comercialização do petróleo e gás e R$ 1,3 bilhão com equalização de gastos e volumes realizada pela companhia em áreas onde a União tem participação nos Acordos de Individualização da Produção (AIPs).

No balanço, divulgado em janeiro, o diretor-presidente da PPSA, Eduardo Gerk, disse considerar o resultado o início de uma curva de crescimento para os próximos anos. Um estudo divulgado pela empresa no fim de 2021 estima que até 2031 deverão ser produzidos 8,2 bilhões de barris de petróleo em regime de partilha de produção, sendo de 1,5 bilhão de barris a parcela da União. “Esperamos arrecadar US$ 116 bilhões com a comercialização destes volumes”, afirmou Gerk.