COMENTANDO A NOTÍCIA:
Semana passada, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, em campanha visando eleger-se presidente, em um daqueles discursos eleitoreiros, cheios de demagogia e mentiras, válidos apenas enquanto durar a campanha, defendeu que a isenção do imposto de renda na fonte deveria ser de cerca de 5 salários mínimos. Ok, também defendemos esta faixa. Só que voltando ao passado, precisamente a janeiro de 2.003, era justamente este o limite de isenção existente quando Lula assumiu a presidência. e, vejam só: quando saiu, em dezembro de 2.010 o limite caíra para menos de 3 salários mínimos.
É bom a gente ter memória, justamente para não dar crédito a tamanha cretinice. Foi Lula, justamente ele, defensor dos fracos e oprimidos trabalhadores, quem deu o ponta pé inicial da compressão do salário mínimo, via imposto de renda. Alguém há de lembrar que ele deu sequência aos aumentos reais do mínimo iniciado com Fernando Henrique. Mas, enquanto dava com a mão direita, apressava-se em tirar com a esquerda. Na sequência, Dillma Rousseff, a Medíocre, apenas deu continuidade ao assalto.
Conforme a Operação Lava Jato, sufocada mais tarde pelos bondosos ministros do STF, deixou claro que dinheiro público nas mãos dos políticos brasileiros é festa. Basta que haja algum acréscimo na arrecadação de impostos, e eles prontamente criam programas e meios para aproveitarem-se e enfiar a mão, o pé, a boca, o pescoço, o próprio umbigo. Basta ver o quanto aumentaram os fundos eleitorais, além do tal orçamento secreto, totalmente inconstitucional. Assim, o aumento que o IRF proporcionou via saque, em momento algum beneficiou os mais pobres que viram, impotentes, a sua renda despencar ano após ano. Pesquisem na internet e vejam o quanto de valor real o salário mínimo perdeu para a inflação desde 2015, ano do último reajuste.
Para ficar bem demonstrado temos: em 2.002, o salário mínimo era de R$ 200,00 e a isenção ia a R$ 1.058, ou, 5,29 salários mínimos. Ao assumir, Lula elevou o salário para R$ 240,00, mas a isenção manteve-se em R$ 1.058, ou 4,40 salários mínimos. Ao deixar a Presidência, oito anos depois, o mínimo era de R$ 510,00 e o limite de isenção era de R$ 1.499,15, ou 2,94 salários mínimos.
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Salário
mínimo
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Limite
de isenção
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Qtde salários
mínimos isentos
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200,00
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1058,00
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5,29
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240,00
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1058,00
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4,40
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510,00
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1499,15
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2,94
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Jair Messias Bolsonaro não deixou por menos. Também em sua campanha em 2018, jurou que corrigiria a tabela do imposto de renda pessoa física. Quando assumiu, a isenção alcançava em torno de 2,5 salários. Hoje sequer chega a 2 salários, além de outras promessas não cumpridas, e estamos diante de um claro estelionato eleitoral. O conjunto da obra tem tal programa de privatização (R$ 1,00 trilhão de arrecadação), bujão de gás a R$ 35,00, reforma tributária dentre outras reformas que jamais saíram do papel.
Fica claro o quanto o Estado brasileiro tem sido danoso para os trabalhadores da iniciativa privada por parte de seus governantes que hoje lideram as pesquisas de intenção de voto para presidente.. Já os servidores públicos tem a seu favor a arma da greve (quando irão regulamentá-la, hein?), e podem chantagear os governantes em busca de reajustes dentre outros privilégios que requerem. Assim, é o próprio estado quem proporciona o aumento da pobreza, da miséria, da fome, da desigualdade e da perda de qualidade de vida de grande parte da população. Observem a quantidade cada dia maior de sem- teto nos grandes centros.
Agora, às vésperas de novo pleito eleitoral, Bolsonaro lança mão de sua antiga (e esquecida) promessa para tentar capitular simpatia junto aos eleitores. Depois de eleito, novamente irá argumentar que o reajuste da tabela terá que esperar já que o governo federal não pode perder arrecadação. Arrecadação que serve para alimentar a elite estatal sentada nos 3 Poderes para ser agraciada com vinhos importados, picanha, salmão, camarão, lagosta, jatinho da FAB e férias no exterior. Enquanto aqueles que financiam esta farra imoral, precisam enfileirar-se para a xepa dos ossos. E não se trata de perda de receita coisa nenhum. Ao manter inalterada a tabela, o governo está é aumentando sua arrecadação de impostos nas costas dos trabalhadores.
Já nem vamos abordar aqui a pobreza dos serviços públicos, cada dia mais deteriorados. Portanto, não há uma única e miserável razão para que se dê sequência a imutabilidade da tabela do imposto de renda. E vale lembrar: auditores fiscais já apontaram uma defasagem na tabela superior a 100%.
Também é bom lembrar a declaração cretina do senhor Paulo Guedes diante do clamor dos servidores por aumento. Disse o preclaro ministro da Fazenda que conceder reajuste de salário “quebraria a economia”. Não sei onde este cidadão estudou economia, mas é sabido que, trabalhadores, privados ou públicos, bem remunerados é que fazem a roda da economia girar, condição indispensável para o crescimento do país acontecer. .
Como se vê nem Lula tampouco Bolsonaro merecem crédito de confiança. Ambos aplicam, e um e outro se eleito continuará aplicando, sem dó nem piedade, nem vergonha na cara, uma tremenda mentira eleitoral. E o pior, é que tem uma imensa tropa que ainda acredita num e noutro.
E o que sobra para os mais pobres? Quatro cruzes pesadíssimas para carregar: o imposto sobre a renda, a inflação alta, queda total ou parcial de renda e os juros nas alturas, com tendência de elevar-se ainda mais. Consola só o fato de a pandemia querer sair de cena. Portanto, podia ser pior. Pior? Não vamos esquecer o desemprego alto e a alarmante queda no rendimento médio dos salários a partir de 2012 Como diriam os antigos, “desgraça pouca é bobagem”.