Sérgio Ripardo
Bloomberg
Associação das montadoras cria grupo de trabalho para expandir a infraestrutura de eletromobilidade, enquanto frota elétrica cresce no país
(Mikael Sjoberg/Bloomberg)
Recarga - O avanço das vendas de carros elétricos no Brasil fez a Anfavea
criar um grupo de trabalho para expandir a infraestrutura de carregamento das unidades
São Paulo — A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) criou um grupo de trabalho com foco em infraestrutura para eletromobilidade, com o objetivo de estudar a necessidade de instalação de carregadores de veículos elétricos, no momento em que as montadoras apostam cada vez no processo de descarbonização, aposentam modelos que consomem combustíveis fósseis e tentam reanimar as vendas após dois anos de pandemia da Covid-19.
O governo paulista está acompanhando esse processo e cogita criar incentivos à expansão da frota elétrica, como condições diferenciadas na cobrança de taxa em praças de pedágio.
A entidade informou que a atual frota brasileira de veículos elétricos é estimada em 10 mil unidades, enquantos os pontos de recarga disponíveis somam apenas 1.000. A título de comparação, a Europa possui uma frota de 3,9 milhões de veículos elétricos que contam com 225 mil pontos de recarga. A Anfavea diz que esses dados de 2020 foram apurados pela Electromaps, empresa de soluções para carregamento de veículos elétricos.
“A gente precisa se preparar na infraestrutura de carregamento de veículos elétricos”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, durante entrevista coletiva para divulgar o balanço do setor.
A entidade trabalha com estimativa de expansão para os próximos 10 e 15 anos, com a frota brasileira de veículos elétricos atingindo 3,2 milhões de unidades em 2035 diante de 154 mil pontos de recarga no país.
A participação de veículos elétricos no total de vendas está em tendência de crescimento gradual. De janeiro a março, houve emplacamento de 1.291 veículos elétricos (automóveis e comerciais leves), próximo do total de todo o acumulado do ano passado (2.860). No primeiro trimestre, as novas tecnologias de propulsão (elétricos e híbridos) já respondem por 2,6% do total de vendas, acima da fatia de 1,8% de todo o ano de 2021 e 1% em 2020.
Entre os veículos pesados, foram 348 caminhões e ônibus elétricos emplacados no primeiro trimestre, acima dos 313 registrados em todo o ano de 2021. Incluindo os veículos a gás, as vendas desse segmento (elétricos e a gás) já representam 1,3% do total de vendas de caminhões e ônibus licenciados no país, acima de 0,3% de 2021.
“Várias montadoras já estão trazendo veículos elétricos. Os volumes estão aumentando gradativamente. Isso mostra a importância da eletrificação. Decidimos trazer esse desafio de como implementar a infraestrutura de carregamento para veículos elétricos no Brasil”, disse o presidente da Anfavea, em referência à criação do grupo de trabalho.
