domingo, janeiro 21, 2007

Até que enfim uma instituição em defesa do Brasil

PFL condena ataques de Hugo Chávez à imprensa

A Comissão Executiva do PFL divulgou comunicado oficial neste fim de semana condenando a agressão virulenta do presidente venezuelano Hugo Chávez à liberdade de imprensa e à democracia. Assinado pelo presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), o documento critica ainda o apoio do governo Lula ao projeto de tiranete.
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Leia, abaixo, a íntegra do documento:
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Nota à imprensa
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O PFL vem a público repudiar o comportamento antidemocrático e agressivo à liberdade de imprensa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
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O PFL considera igualmente inaceitável o apoio do governo brasileiro ao presidente da Venezuela, em claro desrespeito à cláusula diplomática do Mercosul.
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O PFL reafirma a defesa da liberdade de imprensa e se solidariza com os jornalistas e funcionários das Organizações Globo, agredidos por Chávez sob o silêncio cúmplice das mais altas autoridades do País.
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Brasília, 20 de janeiro de 2007
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Jorge Bornhausen
Comissão Executiva Nacional do PFL.

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COMENTANDO A NOTÍCIA: Pelo menos, de parte do PFL, existe alguém que ama este país, que é capaz de defendê-lo a todo custo quando agredido de forma imbecil, ainda mais quando esta agressão parte de um cafajeste e calhorda feito o miliquinho venezuelano. De maneira alguma é admissível o comportamento incivilizado do senhor Chávez, ainda mais quando se encontra em solo brasileiro, dentro de uma instituição do estado brasileiro, sendo homenageado por brasileiros, e como se cuspisse no prato que lambeu, se volta estupidamente contra uma organização jornalística do país para agredi-la e ofendê-la sob aplausos de um bando de idiotas e mais imbecis do que o próprio ditadorzinho latino e latrina.

Pode ser que agora outras “vozes” da sociedade se sintam compelidas em seguir no mesmo caminho. Mas só o farão (e se o fizerem) movidas pela ação de não ficar para trás, levadas pela onda. Aqui, no sábado, afirmamos sobre este assunto que o governo brasileiro, ao agachar-se com tamanha indecência, mostrou ser moralmente fraco para defender os interesses do país, para defender os brasileiros, as instituições brasileiras. E isto se dá pela simples razão de que estamos sendo governados por gente sem caráter, sem moral, sem amor ao seu próprio país. Para esta gente o que conta é fazer filantropia com chapéu alheio. É defender os pobres, mas dos outros países. É bater palmas para mediocridade. Aliar-se ao atraso.

E o PAC vem aí. E daí ?!

Por Adelson Elias Vasconcellos

Acabo de ler a relação de “emoções” que o PAC de Lula (ou seria do seu marqueteiro), irá anunciar nesta segunda-feira. Confesso que levei um susto: são 500 bilhões de reais em investimentos diversos, metade dos recursos saídos dos cofres do governo, o restante, privado. O caixa-forte da operação toda que mais vai “contribuir” é o da Petrobrás. Depois, a Eletrobrás vai ao mercado captar recursos para os investimentos em energia. Ainda tem o FGTS, dinheiro do trabalhador, que também vai entrar na roda. E, nunca esquecendo, tem o cofre-forte do BNDES.

Do governo federal se sabe que haverá redução do superávit primário de 4,25% para 3,75%, o que permitirá uma sobra para investimentos. O impressionante é o volume de recursos. Existe tanto dinheiro dando sopa por aí ? Isto é o que iremos ver. Se até agora, sequer 10% deste montante se conseguia investir por ano, 500 milhões em quatro anos, o que dá uma média de 125 milhões anuais, convenhamos, é uma cifra prá ninguém botar.

A ministra Dilma diz que este dinheirão todo irá para projetos específicos, não se trata mais de carta de intenções. Será ? Ninguém quer o mal do Brasil, mas certamente que este número gigantesco de investimentos em projetos específicos tem lá seu exagero. Primeiro, que não há tanto projeto “específico” dando sopa por aí. Segundo, para o governo fazer sobrar este volume, precisará fechar a torneirinha dos gastos públicos. E disto não se tem notícia alguma.E também precisará mexer em algumas reformas das quais também nada ainda foi anunciado. Existe uma certa desoneração no pacote, muito mais na base do empurrar prá frente, do que reduzir a carga. Prevê-se redução de alíquota do IPI em 50 itens.

Claro que se der tudo certo, bem como a iniciativa privada veja vantagem em bancar os outros 50% do pacote de investimentos, evidentemente que o pacote pode ser um indutor do crescimento do país. Mas tem uma coisa: a expressão PAC precisará ser alterada. A razão é simples: o que o pacote contempla são investimentos em infra-estrutura, rodovias, portos, energia, ferrovias de um lado, e saneamento e habitação popular de outro lado. Ou seja, o volume maior de recursos incidirá em atividade meio, e não em atividade fim. Infra-estrutura demanda tempo para ser construída. E somente a partir dela é que investimentos produtivos passam a se tornar viáveis. No fundo a leitura que se faz do pacote é que suas metas são de longo prazo, e não de curto prazo como o “Acelerado” da expressão PAC quer significar. Tanto que o pacote é estendido até 2010.

Mesmo assim, não se nota no pacote grandes atrativos para o investimento produtivo. Claro que ele se beneficia pelos investimentos em infra-estrutura. Porém, isto só não é o bastante. Mesmo assim, o mínimo que se pode dizer do pacote é que é ambicioso. Talvez até demais. Quem sabe com um pouco menos, a expectativa de dar certo pudesse ser mais encorajadora. O que se teme é que o governo Lula sempre tem sido festeiro ao anunciar pacotes, cujo resultado é pífio ou nulo na medida em que o tempo passa. Vamos torcer para que desta vez a festa se faça no final, e não no anúncio. Conforme já afirmamos de outras vezes, o de que mais precisamos é de ação de governo. Dispensados, neste caso, ficam o plano de marketing, os discursos e as boas intenções, ou seja, jogue-se no lixo as fanfarras por inúteis e dispendiosas. Que se dê vez a um programa de governo consistente e realista. É disto que o Brasil precisa, é isto que o País merece.

O chefe dos quadrúpedes

Por Reinaldo Azevedo

O ataque do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, à imprensa brasileira, em especial ao jornal O Globo, é inaceitável. O bufão estava aqui como convidado e recebia uma homenagem — de resto, ridícula — na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (leia abaixo). Brandindo o jornal, protestava contra um texto que lembrava as óbvias incongruências entre o regime que ele comanda e os compromissos do Mercosul com a democracia.

Na galeria, um charabiá esquerdopata juntava zurrados, relinchos e urros, numa impressionante diversidade de quadrúpedes morais. O coronel — um chefe de Estado! — comandou pessoalmente uma vaia ao jornal. Seria uma atitude desrespeitosa também com o governo brasileiro, não fosse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seu aliado incondicional. Acho um engano da generosidade supor que possa haver alguma divergência importante entre o Apedeuta brasileiro e o milico venezuelano. Ao contrário: as relações entre os dois países só fazem se estreitar. Isso é estratégico. O resto é tático.
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Quando classifico o episódio de “inaceitável”, não estou me deixando mover por qualquer impulso corporativista — eu nem mais sou dono de revista, hehe... — ou por um sentimento, sei lá, parente do patriotismo. Isso é bobagem. Não devemos aceitar é que um ditador vagabundo, que censura a imprensa e ameaça jornalistas com a cadeia — num país em que Legislativo e Judiciário já passaram pela fagocitose autoritária —, venha lançar sua baba hidrófoba contra a imprensa de um país que vive plenamente a democracia, a despeito dos arreganhos autoritários do PT e das penas de aluguel.
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Sim, é o caso de se cobrar o pronunciamento do governo brasileiro — um dos fiéis depositários da Constituição, que assegura a liberdade de imprensa —, das entidades de classe dos jornalistas (quem quer apostar a mão que a Federação Nacional dos Jornalistas e os sindicatos vão ficar de bico calado?), das empresas de comunicação, dos políticos, das entidades representativas da sociedade civil, dos presidentes da Câmara e do Senado, dos governadores, de todo aquele, enfim, a quem cumpre ser protagonista na defesa das liberdades públicas quando ela é atacada.
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Sabem o que penso. As eventuais diferenças entre Chávez e Lula me parecem irrelevantes. O Brasil é hoje o principal fiador político da ditadura venezuelana. Os laços entre os dois países, sob o governo petista, não fazem senão se estreitar. Marco Aurélio Garcia já fala no Brasil como uma espécie de gestor de um modelo de “substituição de importações” na Venezuela. Escrevi sobre isso ontem. Vejam lá. Chávez é o retrato do perfeito idiota latino-americano, mas seus passos jamais são ignorados pelo Brasil.
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Aquela excitação quadrúpede que emanava das galerias expressava o juízo que o próprio PT — e quase toda a esquerda — faz da imprensa. Eles querem censura. Eles querem cassar concessões, eles querem silenciar as dissensões, eles querem impor o “seu” consenso. Já não lhes basta mais aparelhar praticamente todas as redações do país com sua ideologia perturbada. Por isso gostam tanto do coronel. Ele lhes oferece ação direta e emoções baratas.
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Mas que ninguém se engane. O chefe estratégico dessa onda chama-se Partido dos Trabalhadores. E seu líder inconteste é Lula. É como se o Apedeuta estivesse ali, ele próprio, comandando a vaia à democracia. Tudo o mais constante, é só questão de tempo.

Hoje Somália, amanhã...

Carlos Chagas, na Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA - Não dá para calar, tanto a indagação quanto a indignação: por que diabo os Estados Unidos estão bombardeando a Somália? Em nome de que megalomania o presidente George W. Bush decidiu enviar um avião bombardeiro para destruir parte de uma miserável aldeia de um dos países mais pobres e famintos da África?

Se foi para derrotar tropas fundamentalistas já derrotadas pelo exército da Etiópia, aliás subvencionadas pelos americanos, tratou-se de desperdício de material bélico. Estava destroçada a força que pretendia estabelecer naquele país um governo xiita, nos moldes do Irã. Por que, então, matar civis inocentes já morrendo de fome?

O pretexto para o ataque à aldeia de Hayo surge pior ainda, se foi para eliminar um chefe da al-Qaeda supostamente envolvido nos atentados de 1988 às embaixadas americanas na Tanzânia e no Quênia. Esperar esse tempo todo equivale a mais do que guardar ódio na geladeira.

No fundo, tratou-se de nova demonstração de força por parte de quem não precisa demonstrar mais nada, depois da invasão do Afeganistão e do Iraque. Continuando as coisas como vão, não haverá lugar no planeta que o presidente dos Estados Unidos não possa enviar seus mísseis. Qualquer dia desses o mundo muçulmano resolverá unir-se e o pior acontecerá, porque como disse Einstein uma vez, sobre a Terceira Guerra Mundial ele não faria previsões, mas tinha certeza de que a Quarta seria travada com paus e pedras...

O povo americano nada tem a ver com a insânia de seus dirigentes atuais. Aliás, menos de 50% dos cidadãos votaram nas últimas eleições. Nem 2% saberão onde fica a Somália, mas o triste é que tudo o que acontece acaba sendo atribuído "aos americanos". Melhor teria feito Bush se, em vez de matar dezenas de civis na Somália, tivesse despejado lá algumas toneladas de alimentos.

O jornal tinha razão
A propósito, conta-se uma historinha que foi hilariante, mas, com o passar do tempo, ameaça tornar-se verdadeira. Na virada da Segunda Guerra os exércitos do general Mark Clark aproximavam-se de Roma. Os alemães se retiraram um dia antes da entrada vitoriosa e a imprensa italiana, livre da censura, saudava os americanos em vibrantes manchetes: "Bem-vindos Libertadores!", "Salve a Democracia!" "Estamos Livres" e outras. Um pequeno jornal comunista, porém, destoou. Sua manchete: "Americanos, fora de Roma!"
Continuando as coisas como vão, será esse o sentimento geral, em Roma e fora de Roma. Em pouco tempo os cidadãos do mundo inteiro desenvolverão para com os Estados Unidos um generalizado sentimento de medo e de repúdio. Imagine-se um chefe qualquer da al-Qaeda ou entidade parecida homiziado em Caracas, por exemplo. Ou em (cala-te boca)...

Vingança pura
Para ficar no plano internacional, mas em tema correlato, registre-se o choque que tem sido esta semana a divulgação sucessiva de imagens da execução de Saddam Hussein. Transformaram o ditador em mártir e ainda passam recibo através de vídeos e fotografias. Quem transformou?

Ora, se feita uma pesquisa, a maioria dirá: os americanos...O enforcamento de Saddam constituiu ato de vingança, em tudo diferente do enforcamento dos principais líderes nazistas condenados em Nuremberg por um tribunal internacional. Eles tiveram direito de defesa, tanto que alguns foram absolvidos.

Lixo da História
O governo títere do Iraque justificou, dois dias atrás, mais um ataque aéreo dos Estados Unidos a um bairro de Bagdá, a pretexto de acabar com partidários de Saddam Hussein refugiados na sede do Partido Baht, que um dia chegou a unir o Oriente Médio. Não adianta dizer que nenhum inocente morreu. A intensidade do bombardeio não deixa dúvidas.

Como passarão à História os trêfegos governantes que justificam, quando não pedem, o assassinato de seus irmãos? Não ficam atrás do atual presidente da Somália, que da capital, Mogadíscio, justificou a ação do bombardeio americano em Hayo, dizendo que os Estados Unidos têm o direito de assassinar terroristas onde quer que eles se encontrem.

Até numa pobre aldeia de seu país, onde, pelas primeiras informações, assassinaram cinqüenta civis inocentes. E não se sabe se conseguiram acertar o suposto auxiliar de Osama bin Ladem...

Brasil é penúltimo no ranking

Brasil é penúltimo em crescimento entre países emergentes
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GENEBRA - O Brasil será o penúltimo colocado em termos de crescimento entre as 25 maiores economias emergentes do mundo. A avaliação é da ONU, que publicou seu relatório sobre crescimento em 2007 e prevê um aumento do PIB brasileiro de apenas 3,5% para 2007.

Só o México, com uma estimativa de 3%, terá um desempenho pior que o do Brasil. A ONU ainda alerta para os riscos de que países emergentes sofram com uma maior volatilidade dos mercados neste ano.

Segundo as avaliações dos economistas da ONU, a economia mundial sofrerá uma desaceleração em 2007 em comparação ao ano passado e crescerá 3,2%. Os americanos devem apresentar uma taxa de 2,2%, contra 2,4% nos 27 países da União Européia (UE). Já o Japão apresenta um crescimento previsto de 2%.

No caso dos países emergentes, porém, o cenário é mais positivo. A previsão é de um aumento do PIB de 5,9%. A África deve crescer em 5,6%, contra 6,9% no leste e sudeste asiático. A liderança ficará mais uma vez com a China, com 8,9%, seguida pela Índia, com 7,9% e o Paquistão com 6,2%. A Rússia ainda apresenta uma taxa de crescimento de 5,8%.

A América Latina, porém, será a região em desenvolvimento que apresenta a pior perspectiva: 4,2%, contra 5% no ano passado. Se o México e a América Central forem retirados do cálculo, a região apresenta uma estimativa de aumento de PIB de 4,7% para este ano. Os países latino-americanos ainda estão citados como os que apresentaram o pior crescimento nos últimos dez anos entre as economias em desenvolvimento: 2,7% em média desde 1997.

Na região, a Argentina deve apresentar o melhor desempenho para 2007, com 6,1% de crescimento, contra 6% para a Venezuela. Chile, Peru e Colômbia, país que ainda vive um conflito armado, terão um crescimento superior ao do Brasil.

Segundo a avaliação da ONU, a queda no crescimento da América Latina entre 2006 e 2007 ocorre diante da redução da demanda externa e uma queda nos preços das commodities. No relatório, publicado em Nova Iorque e em Genebra, os economistas apontam que o Brasil tomou em 2006 um caminho contrário ao dos demais países da região, apresentando uma queda da produção industrial em relação ao que era esperado como crescimento. As exportações, segundo o documento, também poderiam ter crescido a um ritmo maior.

Política monetária
Para 2007, a ONU prevê uma flexibilização da política monetária do Brasil diante da desaleceração da produção industrial nos últimos meses de 2006 e da redução da inflação. Mesmo assim, em 2006, as taxas de juros continuaram sendo as mais altas da região.

Quanto à inflação da região, as taxas caíram de 11,3% em média em 2003 para 5,7%, em grande parte graças ao Brasil. Para 2007, a previsão da ONU é de um aumento de 4% nos preços no País, contra 10,6% na Argentina ou 16,1% na Venezuela.

Se o Brasil contribuiu para reduzir inflação média, o mesmo não ocorreu no que se refere às taxas de desemprego. O índice ficou em 8,7% na América Latina, o melhor desde meados dos anos 90. Mas a redução foi pequena entre 2005 e 2006, em parte por causa do Brasil que ?impediu uma queda maior?. Segundo a ONU, o crescimento das economias emergentes ainda não está sendo revertido em um aumento suficiente do número de postos de trabalho.

Comércio
As exportações latino-americanas devem também sofrer uma redução de sua expansão em 2007. Depois de um aumento de 20% em 2006, 2007 deve apresentar um crescimento em dólares nas vendas de apenas 3%. A previsão mundial será de um crescimento de 11,7%, com 15% para a China.

A América Latina sofrerá com a apreciação de moedas locais e a queda de demanda externa, além da redução dos preços de commodities. No caso do açúcar, porém, a estimativa é de que o preço se mantenha alto, tanto por causa da produção de etanol no Brasil como graças a incertezas sobre as condições climáticas do País.

Em termos de volume, porém, o aumento das exportações latino- americanas será maior e atingirá 7,1%. Mesmo assim, ficará abaixo da média mundial de 7,7%. Em 2006, o mundo atingiu um aumento de 10% em suas exportações. Quanto às importações, a América Latina terá um aumento de 8,6% em valores e 9,6% em volume, taxa superior à média mundial de 6,8%. Em 2006, a região latino-americana conseguiu um saldo positivo em sua conta de comércio exterior de US$ 20 bilhões. Quase um terço foi gerado pela Venezuela e suas exportações de petróleo.

Pelos cálculos da ONU, a China deve se tornar o maior exportador do mundo em três anos, superando Alemanha e Estados Unidos. Os economistas lembram, porém, que 50% dessas vendas são geradas por empresas estrangeiras instaladas no país e 60% da exportações seriam de produtos apenas montados na China.

Riscos
No geral, a ONU ainda alerta para os riscos que a economia mundial sofrerá em 2007, entre eles o desequilíbrio nas contas americanas e inflação. Para os países emergentes, o momento seria de mais cautela, já que devem sofrer uma maior volatilidade dos mercados diante da queda da demanda externa por seus produtos e um fluxo menor de capitais.

TOQUEDEPRIMA...

Dilma defende suspensão de licitação de estradas

BRASÍLIA - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o programa de concessões de rodovias federais para a iniciativa privada foi suspenso porque os critérios estão sendo avaliados pelo governo. Ela afirmou que esta decisão segue orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que o objetivo do governo é ter as menores tarifas de pedágio possíveis.

Dilma afirmou que as concessões poderão vir sob um novo modelo, mas não detalhou quais seriam os critérios, além das tarifas baixas. Dilma ponderou que o governo já investiu recursos para recuperar parte dessas estradas que seriam licitadas. Segundo ela, o governo pretende tomar uma decisão sobre o assunto o mais rápido possível, ainda este ano, mas não definiu uma data para conclusão dos trabalhos, que serão feitos pela Casa Civil e pelos ministérios do Planejamento e Transportes, além da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Uma das idéias que estão em estudo, segundo fontes do governo, é a de que o governo explore as praças de pedágio e, com os recurso arrecadados, faça a manutenção dos trechos.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Sempre que o governo se meteu em arrecadador, fiscalizador e investidor em determinada atividade, deu “caca”. Alguém duvida que, se a idéia do governo ser arrecadador vingar,sob a promessa de que barateará o pedágio, e com a arrecadação fará a manutenção, que, no final das contas, o dinheiro será desviado e a estradas continuarão as mesmas porcarias de hoje ? Ah, mas tem gente que acredita no “milagre”. Para estes “crentes” na boa intenção federal vale lembrar o caos aéreo. As taxas de embarque nos aeroportos brasileiros, as mais caras do mundo, “deveriam” ser investidos em que mesmo ? Pois é, deu no deu ...

Portanto, dona Dilma, sem essa de que a arrecadação pelo governo será “investida” na manutenção. Uma ova. E só para não esquecermos: alguém lembra para que foi criada a CPMF ? Agora perguntem ao governo o quanto do total que se arrecada em CPMF efetivamente vai para a saúde ! Perguntem..

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Tortura ainda é ´problema sério´ no Brasil, diz ONG
BBC do Brasil
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SÃO PAULO - O Brasil raramente pune os responsáveis por violações de direitos humanos, afirma um relatório da organização Human Rights Watch, que identifica a tortura como um "problema sério no País".

"Relatórios apontam que policiais e agentes penitenciários torturam pessoas sob sua custódia como forma de punição, intimidação e extorsão", diz a ONG na sua avaliação anual sobre a situação dos direitos humanos em 75 países, divulgada nesta quinta-feira. "A polícia também usa a tortura como meio de obter informações ou confissões forçadas de pessoas suspeitas de terem cometido crimes."

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Ibama autoriza Petrobras a operar o campo de Manati
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SÃO PAULO - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a licença de operação (LO) para o Campo de Manati, a primeira exploração off-shore da Bahia. Com isso, a oferta de gás natural no Estado será incrementada em seis milhões de metros cúbicos por dia. O consórcio empreendedor do projeto Manati é composto pela Petrobras, pela Queiroz Galvão e pela Petroserv.

A entrada em operação de Manati é fundamental para o mercado de gás natural na Bahia. Hoje, o consumo no Estado é de três milhões de metros cúbicos diários, mas estimativas indicam que há uma demanda reprimida de dois milhões de metros cúbicos por dia. O documento outorgado pelo Ibama tem validade até janeiro de 2011 e possui 17 condicionantes. Os empreendedores possuem 30 dias para apresentar o cronograma de implementação dos projetos ambientais.

O historiador do futuro

por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, no Blog do Noblat
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Não sei se os amigos vão concordar comigo, mas ando com muita pena do historiador que no futuro resolver se debruçar sobre o Brasil. Acredito que terá uma ajuda inestimável da tecnologia, com certeza não vai precisar digitar, pensa e tudo aparece na tela de seu monitor. Monitor? Que sei eu, vai ver o pensamento já sai copidescado e impresso.
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Será que isso vai ser a maravilha que eu estava imaginando? Ele vai ter que tomar muito cuidado com o que pensa e não vai poder desviar o pensamento do assunto nem um segundo. Imagina se no meio de um parágrafo pensa “mas ora vejam, esse cara era um bom isso ou aquilo”, e lá aparece a frase no meio do texto. Com toda certeza, porém, há de ter um mecanismo que rebobine o pensamento e acerte tudo. Ah! o progresso!
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Lá está o historiador: verá que no Brasil de 2006, quase no fim do ano, o Presidente da República foi reeleito por mais quatro anos. Por ocasião da posse, faz um discurso inflamado, extremamente preocupado com a situação da segurança pública no Estado do Rio de Janeiro. “É terrorismo” diz ele. “São terroristas”, classifica assim os indivíduos que estão a queimar vidas humanas dentro dos ônibus, criminosos sem alma que ultrapassam o crime comum, que matam a torto e a direito, sem trégua, e que atentam, sim, contra a segurança nacional.
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O historiador se prepara para estudar a visita que o Presidente fará ao estado assim mortalmente ferido. Para sua surpresa, verá que o homem toma outro rumo: segue para o Forte dos Andradas, praia de Guarujá, litoral do Estado de São Paulo. Acha que fez bem. Se há terroristas no Rio de Janeiro, para a proteção do líder máximo da Nação, é muito apropriado que vá se abrigar em um forte militar. A Nação, num ataque terrorista, deve proteger seu Chefe, não pode arriscar ficar acéfala.
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Ao examinar a localização e as fotos do tal forte, o primeiro susto: em uma praia, um pequeno edifício de dois andares, todo envidraçado, com vista para as águas cristalinas de uma bela baía. E que faz o presidente, mal se instala no forte? Vai caminhar na beira mar, vai pescar, vai velejar. O que? Ora, o homem está de férias. “Férias?”, espanta-se o historiador. Toma posse, adverte a Nação contra o terrorismo que faz vítimas fatais e entra em férias?
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Costumes estranhos. Aos poucos, porém, ele verá que nos idos de 2006, tudo era diferente. Um Procurador da República detido após ser gravado ao tramar a morte de um colega de Ministério Público; vereadores de uma cidade do interior filmados no momento em que recebem gorda propina e, felizes, cheiram a bolada, quando um deles solta a frase que retrata a década: “Dinheiro novinho, cheirosinho, hein?". No Estado do Rio, a senhora nomeada Secretária de Assistência Social do novo governo estadual, escolhe como assessor um cidadão acusado de beneficiário de um esquema chamado ‘mensalão’. Advertida, usa como justificativa: “Pensei que o assunto havia saído de pauta”.
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Desse momento em diante, temo pela saúde mental do historiador. Mensalão? O que será isso? Um crime, com certeza. Com esse nome feio...Saído de pauta? Então o crime foi solucionado. Ele segue com a pesquisa. Aos poucos, verá que o Mensalão, os Sanguessugas, o Crime do Dossiê, o Mistério das Cartilhas Desaparecidas, não eram títulos de filmes de terror, como calculou no início de seu trabalho. Não... eram crimes ainda por solucionar, que não haviam ‘saído de pauta’ coisa nenhuma. Quer dizer, só não estavam mais nas primeiras páginas dos jornais, em parte tomadas pelas tragédias das enchentes e deslizamentos, mortes, vazamentos químicos, seca, desgraças, miséria. Em parte? Sim, em parte.
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Apesar da gravidade das notícias, o assunto mais palpitante, mais apaixonante, que ocupa os corações e os dias dos políticos é um só: a presidência da Câmara dos Deputados. Esse é o ponto nevrálgico, o x da questão, a fonte de todas as benesses. Dessa eleição depende o sossego, o equilíbrio e o rumo do país. Isso tudo deixa nosso historiador perplexo. E, intrigado, corre com as notícias que lê, apressa o passo, por assim dizer. Quer ver o que fez, diante de tudo isso, o novel-antigo Presidente.
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Continua em férias. Ele, mulher, filhos, noras, netos, amigos, no aprazível Forte dos Andradas, assim batizado em homenagem a uma das famílias fundadoras da Pátria Brasileira. Não sei se o historiador vai chegar à mesma conclusão que eu. Espero que não. Mas não é que nós conseguimos desmoralizar com tudo? Os Andradas não mereciam isso, não mesmo.

Mão pesada

José Paulo Kupfer, NoMínimo
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Com a divulgação pelo IBGE do IPCA de 2006, fica comprovado que o Banco Central errou na mão e apertou além do necessário a política monetária. Mais um pouco, de acordo com o sistema de metas de inflação, e o presidente do BC teria de enviar ao ministro da Fazenda uma carta com desculpas e explicações para o tiro fora do alvo. Desta vez, um inédito pedido de “waver” por ter errado…para baixo.
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A inflação de 2006 ficou em 3,14% quando a meta era 4,5%, com margem de 2 pontos para cima ou para baixo. Assim, se a inflação tivesse ficado abaixo de 2,5%, o ritual do pedido de desculpas, já usado no Brasil em 2001 e 2002, teria de ser repetido, só que, no caso, pelas razões inversas. Formalmente, não foi preciso. A inflação, ainda que mais próxima do piso, ficou dentro da meta. Mas bem que a diretoria do BC poderia se desculpar pela barbeiragem. Afinal, quanto se perdeu de crescimento econômico, de empregos, arrecadação tributária e câmbio mais favorável à produção com a manutenção de juros básicos acima do suficiente para cumprir a meta?
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Desde o Plano Real, só houve inflação mais baixa em 1998, quando os preços, medidos pelo IPCA, subiram 1,65%. O detalhe é que não terá sido mera coincidência o fato de que, naquele ano como em 2006, o real estive valorizado. No caso brasileiro recente, depois de derrubada a inércia inflacionária, nada é mais eficaz para segurar preços do que o câmbio valorizado.
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O ano 1998, para quem não lembra, foi o último em que vigorou o sistema de câmbio fixado que acompanhou o Plano Real em seus primeiros três anos e meio. Na defesa de uma taxa de R$ 1,20 por dólar, em meio à crise russa, o governo literalmente torrou, em menos de seis menos, US$ 40 bilhões – dois terços das reservas internacionais acumuladas com uma taxa de juros acima das nuvens.
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Em 2006, o câmbio valorizado fez, mais uma vez, o serviço de segurar os preços. Prova disso é que as maiores altas se concentraram em setores de serviços, em que, obviamente, não há influência da taxa de câmbio. Como destaca o IBGE, na nota que divulgou sobre o resultado do IPCA, os itens que exerceram maior pressão no resultado do ano foram planos de saúde, colégios, tarifas de ônibus urbanos e salários de empregados domésticos.
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Nos produtos de higiene pessoal, eletroeletrônicos e artigos de limpeza, três importantes segmentos, no conjunto dos preços ao consumidor, que puxaram o IPCA para baixo, o efeito do câmbio é direto. Mas esse efeito também esteve presente, ainda que menos diretamente, na boa oferta de produtos agrícolas no mercado interno e até mesmo em preços administrados, como os de energia elétrica, telefonia fixa e combustíveis.
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No caso dos alimentos, pelo desvio para o mercado interno de parte da produção normalmente destinada ao exterior, por conta dos preços desfavoráveis de exportação. Na energia e na telefonia, porque o reajuste dos contratos anuais é indexado ao IGP-M. O IGP-M é diretamente impactado pelo Índice de Preços no Atacado (IPA) e este pelo câmbio. Quando aos combustíveis, a influência do câmbio é mais do que óbvia.
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Com os 3,14% de 2006, a inflação brasileira, na América Latina, só é maior do que a chilena, que fechou o ano em torno de 2,5%. E não fica muito distante nem mesmo do mundo desenvolvido. No Reino Unido, os preços subiram 2,7% no ano e em torno de 2% tanto nos Estados Unidos como na União Européia.
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Sem dúvida, um ótimo resultado. A questão é saber se a forma como ele foi obtido é a mais eficaz e se o custo de alcançá-lo está de bom tamanho. E se, enfim, era preciso aplicar mão tão pesada.

Hugo Chávez ainda prefere os sonhos à realidade

Por Willian Waack, G1

Hugo Chávez e o que ele representa são um perigo sério para a estabilidade, a prosperidade e a democracia na América do Sul. O governo brasileiro não vê ou não quer ver que cada abraço de urso do "muy amigo" é seguido de uma punhalada nas costas.

O que o presidente venezuelano a caminho de ser ditador ressuscitou é um zumbi político. Nada existe de consistente no "socialismo bolivariano" que ele propõe, a não ser a centralização do poder político e econômico nas próprias mãos. Nada existe em suas propostas que possa significar a médio e longo prazo uma diminuição da pobreza na Venezuela (que aumentou em 8% nos seus anos de governo).

Chávez pratica um tipo de populismo que pode ser comparado, em alguma medida, ao que fez outro colega coronel 60 anos atrás, Juan Domingo Perón, na Argentina: é comprar o voto das massas através de políticas assistencialistas que só perpetuam a dependência do Estado e aliviam um pouco a miséria, sem jamais erradicá-la.

O caudilho venezuelano esbanjou dinheiro do petróleo da mesma maneira que outros países o fizeram (há muitos exemplos no Oriente Médio, na África e na Ásia Central): sem criar estruturas que permitam ao país diversificar a economia ou diminuir a própria dependência das vendas do petróleo. Em termos econômicos, é uma visão simplista e de curto prazo.

O grave de Chávez é o que ele significa para todos nós do ponto de vista político. Sua mescla de Fidel e Cristo é pura retórica ôca que mal disfarça o que um coronel golpista tem na cabeça: esmagar oposicionistas, reprimir a liberdade de expressão, declarar-se como "a verdade" e proclamar uma utopia que está criando ao seu redor novos riquíssimos e mais corrupção.

Não há critérios puramente racionais no comportamento de dirigentes políticos - assim como se pode dizer (sem nenhum rigor científico, é claro) que, igualmente, há um "inconsciente coletivo" no comportamento de massas e eleitores. No caso de alguns países sul americanos, existe um fortíssimo apego à noção - quase supersticiosa? - de que a mão do Estado tudo fará pelo bem estar de cada indivíduo. É o que em parte explica os aplausos que Chávez e outros dirigentes sul americanos recebem toda vez que tratam de privatização como um mal a ser combatido, e a estatização/nacionalização como um bem a ser reconquistado.

Outro elemento inalienável nesse "inconsciente" popular é a idéia de que sempre há um inimigo responsável pelo percebido atraso e abismos sociais. No caso de Chávez, são os Estados Unidos, país com o qual ele manteve até agora as melhores relações comerciais possíveis, desfrutando na prática de um tratado de comércio bilateral que ele execra no caso de outros países latino-americanos (no caso do Brasil, o tal inimigo são "as elites", nunca claramente definidas, mas sempre mencionadas).

Algumas correntes intelectuais no Brasil e na América do Sul abominam Chávez pelo que ele representa de atraso político mas, ao mesmo tempo, apressam-se em dizer que o surgimento de personagens negativos, como é o presidente venezuelano, deve-se ao fracasso de políticas econômicas ditadas lá fora - no fundo, a repetição da idéia de que há uma "conspiração" para nos manter na lanterninha do mundo.

Na verdade, o que nos falta em primeiro lugar é deixar de lado esse apego ao "realismo mágico" da política, que nos faz, em geral, preferir o sonho à realidade (conforme dizia o escritor peruano Mário Vargas Llosa). Nesse sentido, ironicamente, Chávez tem toda razão. O apelo que ele constrói juntando Fidel Castro, Simón Bolívar e Jesus Cristo não tem de ser considerado a partir do que fizeram esses personagens, históricos ou míticos. O que está tão presente no nosso "inconsciente" é a crença de que a igualdade social é uma redenção que virá pela mão forte e segura de um messias.

Não seria, porém, o Caribe se tudo o que Chávez faz e diz não estivesse cercado de um ar de palhaçada, e ele costuma ser cômico voluntária e involuntariamente. O grave problema é que, do ponto de vista dos interesses políticos brasileiros, nós continuamos batendo palmas achando que é um número de circo sem perceber que somos parte do que acontece no picadeiro.

A condução da política externa brasileira em relação à nossa esfera mais vital é dificultada pela visão ideológica e atrasada de seus principais formuladores - se é que fazer nada pode ser considerado "formulação". Gostando ou não de Chávez, é inegável que ele tem um rumo, uma direção e um sentido. Quais são os nossos?

TOQUEDEPRIMA...

Goldman diz que governo Lula é "samba do crioulo doido"

SÃO PAULO - O vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), afirmou ontem não entender a desistência do governo Lula em conceder sete trechos de rodovias federais - entre eles trechos da Fernão Dias e da Regis Bittencourt - para a iniciativa privada. Ex-ministro dos Transportes do governo Itamar Franco e secretário estadual do Desenvolvimento, Goldman ainda ironizou, classificando a atitude do governo petista de "samba do crioulo doido".

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou que as praças de pedágio dessas rodovias serão administradas pelo governo federal e o dinheiro arrecadado será investido na manutenção e recuperação das próprias estradas. "Nesses últimos quatro anos, o que vimos foi o empenho do governo perante o Tribunal de Contas da União (TCU) para aprovar licitações com o objetivo de conceder a administração das rodovias federais para a iniciativa privada. Toda vez que um edital aparecia, havia uma contestação e o TCU vetava. E a última notícia que eu tinha, de menos de 30 dias, era que o TCU havia aprovado os editais", disse, após visitar o Centro Paula Souza e reunir-se com a diretoria da instituição.

"De repente, eu leio hoje nos jornais que isso não vai mais ser feito. Sobre isso, não me pergunte, porque é um samba do crioulo doido e eu não entendo", acrescentou. Goldman defendeu a transferência da concessão das rodovias federais para a iniciativa privada como a melhor solução para a manutenção das estradas. "Para fazer os investimentos que as estradas necessitam, são necessários recursos que o Estado não tem", afirmou.

"Se os pedágios fossem administrados pelo governo, os recursos seriam suficientes apenas para fazer a manutenção das rodovias, sem a realização de novos investimentos. Pela experiência que eu tenho e pelo que vi até hoje, isso não vai dar certo", assegurou. Segundo o vice-governador, as rodovias Ayrton Senna e Carvalho Pinto são um exemplo raro de estradas bem administradas por um órgão público - Dersa.
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Honduras toma posse temporária de petrolíferas estrangeiras

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, anunciou que o país tomará posse temporariamente de terminais de armazenamento de petróleo de companhias estrangeiras. A medida, segundo a agência Reuters, faz parte de um programa de importação do governo com o objetivo de reduzir os preços do produto.
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Zelaya ordenou a ação depois que não conseguiu chegar a um acordo com grandes companhias petrolíferas, como Exxon Mobil e Chevron, assim como com a local DIPPSA, para arrendar os terminais.
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“Não é uma nacionalização, é um uso temporário dos tanques de armazenagen por meio de um arrendamento e pagamento de um preço razoável”, afirmou ele. Honduras, que não produz petróleo e não tem mais refinarias, tem seu mercado do produto dominado por Shell, Exxon Mobil e Chevron.
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O programa do governo retira o controle das importações do reduzido grupo de companhias petrolíferas que opera os postos de abastecimento no país. Essas companhias se opuseram ao novo sistema, dizendo que ele é anti-competitivo.
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A estimativa de uma comissão do Congresso formada para estudar o novo sistema calcula que a economia para o país pode chegar a US$ 66 milhões por ano.
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Presidente da Nicarágua promete reformas constitucionais “profundas”

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou neste domingo que realizará reformas constitucionais “profundas”, com o objetivo de promover “uma democracia direta do povo”. “Nossa idéia é essa, [fazer] reformas profundas, reformas constitucionais”, declarou em entrevista a uma televisão local.O presidente nicaragüense, que tomou posse na quarta-feira para um mandato de cinco anos, não confirmou se parte destas reformas incluiria a reeleição presidencial, que atualmente está restrita a dois períodos não sucessivos.
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“Vamos apresentar estas reformas no momento apropriado”, disse Ortega, que exerce seu segundo mandato e estaria impedido de voltar a se candidatar uma terceira vez.
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“Eu vou promover a democracia direta. Isto é, que o povo exerça o poder e para isto temos uma proposta. Fazer uma mudança profunda no regime de instituições em nosso país”, disse o presidente.
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Ortega, que esteve 16 anos na oposição, é favorável à transformação do atual regime presidencialista a outro parlamentarista, que dê maior participação a setores diferentes na tomada de decisões.

O Brasil de Bento XVI

Olavo de Carvalho, filósofo, no Jornal do Brasil

Sua Santidade Bento XVI afirma que no Brasil reina a democracia e que o nosso governo está seriamente empenhado em combater a corrupção e o narcotráfico. Se essas coisas fossem sentenças doutrinais proferidas ex cathedra, os católicos brasileiros estariam na difícil contingência de ter de dizer amém a falsidades óbvias. Felizmente, são apenas declarações à mídia, opiniões pessoais do filósofo alemão Joseph Ratzinger. Não impõem aos fiéis senão o dever de admitir que estão erradas.

A democracia brasileira é um grotesco simulacro inventado para encobrir a exclusão sistemática de toda oposição ideológica. A corrupção tornou-se lei e autoridade. A violência criminosa chega à taxa de 50 mil homicídios por ano, a mais alta do universo. O partido governante continua amigo da narcoguerrilha colombiana, fornecedora de cocaína ao mercado nacional e sócia das quadrilhas de assassinos que aterrorizam a população do Rio e de São Paulo. O jornalismo chique, com unanimidade admirável, vai cumprindo sua obrigação rotineira de fazer de conta que tudo o que acontece é coincidência, mera coincidência.

Enquanto isso, a soberania nacional está sendo negociada entre dois esquemas multinacionais de poder sem que a população receba a menor informação a respeito. O primeiro deles é o CFR, Council on Foreign Relations, empenhado em criar um governo mundial por meio de integrações parciais como por exemplo a North American Commonwealth, que fundirá numa pasta indistinta os EUA, o México e o Canadá no prazo máximo de dez anos. O segundo é o projeto da futura União das Repúblicas Socialistas Latino-Americanas, em pleno curso de implementação através das assembléias e grupos de trabalho do Foro de São Paulo, dos quais o povo também não tem notícia. Os dois esquemas são convergentes. A divisão aparente entre os dois partidos que monopolizam o espaço político brasileiro não passa de uma expressão local dessa unidade dual mais vasta. O braço nacional do CFR, o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), fundado em 1998 com amplo suporte financeiro do Ministério das Relações Exteriores e de várias megaempresas estatais e privadas, tem como presidente de honra o senhor Fernando Henrique Cardoso e como conselheiro o senhor Marco Aurélio Garcia, HD auxiliar do presidente Lula e secretário-executivo do Foro de São Paulo. O Cebri é o ponto focal da coincidentia oppositorum que nos governa em nome do Foro e do CFR.

Nas eleições, o povo é convidado a escolher seus governantes com base em dados sobre as tarifas de ônibus, a exportação de frangos e a distribuição estatal de camisinhas. Nem uma palavra sobre os fatores maiores que decidem os destinos da nação. A democracia brasileira é um cenário de alienação surrealista no qual o dever moral número um dos formadores da opinião pública é prestar falso testemunho. Se Bento XVI involuntariamente reforça a boa consciência com que se dedicam à tarefa, isso não santifica nem um pouco o estado de coisas. O país que o papa vai visitar em maio não é bem aquele que ele imagina.

Walt Disney e a polêmica com o Zé Carioca

Rodrigo Morais,

Um papagaio que fuma charuto, veste colarinho e usa bengala faz as malas rumo a Hollywood. A legenda informa: “Walt Disney levou o papagaio.” O macaco, um dos bichos que observam a cena, comenta: “Esse papagaio vai ser um sucesso de bilheteria; fotogênico, orador e, sobretudo: impróprio para menores...” O desenho de J. Carlos, considerado por muitos o maior cartunista brasileiro, foi capa da revista Careta em outubro de 1941, pouco depois de Disney ter feito um tour pela América do Sul.
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No ano seguinte, Zé Carioca, o papagaio malandro da Vila Xurupita, surgiria no cinema em Alô Amigos, ciceroneando o Pato Donald no carnaval do Rio. Em 1944, voltaria às telas, mais uma vez ao lado de Donald, em Você já Foi à Bahia? Nos filmes, coincidentemente, o louro fuma charuto, veste colarinho e se apóia em um guarda-chuva. Claro, também usa chapéu de palhinha e gravata borboleta, além de paletó. O contato entre J. Carlos e Disney está documentado e é praticamente consenso entre pesquisadores que, de alguma forma, Zé Carioca foi inspirado pelo artista brasileiro, cujo primeiro nome também é José.
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A Seleções Reader’s Digest, revista americana publicada em todo o mundo, não teve dúvidas. Em edição de 1969, creditou a origem de Zé Carioca a J. Carlos. “Em Alô Amigos, Disney criou um novo personagem - o Zé Carioca, um papagaio inspirado num desenho do inesquecível caricaturista brasileiro J. Carlos, que Disney tentou levar para Hollywood para trabalhar em seus estúdios. O Zé Carioca de J. Carlos até hoje pode ser visto na Disneylândia.”
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Walt Disney desembarcou no Brasil com status de celebridade ao mesmo tempo em que a 2ª Guerra Mundial devastava a Europa. Veio acompanhado por uma equipe de desenhistas, músicos e escritores. No Copacabana Palace, onde se hospedaram, um estúdio foi montado. Disney, porém, não estava no Brasil apenas como homem de cinema. A exemplo de outras personalidades, foi agente da política da boa vizinhança, o modo que o governo dos Estados Unidos encontrou para reforçar sua hegemonia no continente, estreitando laços afetivos por meio da indústria cinematográfica, em um período altamente conturbado. O arquiteto da viagem foi Nelson Rockefeller, coordenador de Assuntos Interamericanos no governo Franklin Delano Roosevelt, que financiou os filmes da Disney.
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Em entrevistas a jornais da época, Disney anunciou que um dos objetivos da viagem à América do Sul era colher material para personagens e enredos. “Uma das minhas preocupações presentes é fazer coleta de material folclórico, de histórias populares, de canções e de temas musicais característicos, quer do Brasil, quer de outros países do continente, para em torno deles bordar alguns dos meus filmes”, declarou Disney, segundo reportagem de A Noite Ilustrada.
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Muitos artistas locais o assediaram em busca de uma opor tunidade na meca do cinema. Mas Disney também fez a corte. Durante exposição organizada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo Getúlio Vargas, na Associação Brasileira de Imprensa, a equipe americana se impressionou com os desenhos de J. Carlos que tinham como tema o papagaio brasileiro. O episódio é relatado pelo cartunista Nássara, que participou da montagem da exposição, e foi incluído no artigo J. Carlos, O Cronista do Traço, de Isabel Lustosa, pesquisadora da Fundação Casa de Ruy Barbosa. O texto foi publicado nos Estados Unidos, na França e, no Brasil, no livro História e Linguagens.“O trabalho de J. Carlos foi o que mereceu maior atenção de Disney. Conta o caricaturista Antônio Gabriel Nássara, um dos organizadores da mostra, que ‘no dia da exposição, dois fotógrafos da equipe do Disney começaram a fotografar aqueles painéis com caricaturas. Mas nos painéis de J. Carlos, eu pude observar que eles demoraram mais, principalmente nas folhas onde estavam desenhados os papagaios’.”
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Em seguida, Disney fez pessoalmente um convite para J. Carlos trabalhar em seus estúdios. A oportunidade veio em um almoço no Itamaraty, oferecido pelo chanceler Oswaldo Aranha. “(Disney) fez questão de sentar-se ao lado de J. Carlos. Naquela ocasião, ele convidou J. Carlos a integrar-se à sua equipe nos EUA. J. Carlos não aceitou”, relata Isabel Lustosa. Também consta de seu artigo a informação de que, mais tarde, um desenho de J. Carlos teria chegado às mãos de Disney: “O desenho de um papagaio vestido com o uniforme da Força Expedicionária Brasileira, abraçado ao Pato Donald vestido de marine”. Mas, ressalva a pesquisadora, “isso nunca foi provado”.
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Um esboço desse desenho está em poder dos herdeiros de J. Carlos. Na casa de um de seus filhos, Eduardo Augusto de Brito e Cunha, é possível ver uma reprodução. Cauteloso, ele não afirma de modo definitivo que o Zé Carioca é obra de J. Carlos. “Existe a hipótese de que o Zé Carioca tenha sido uma cópia do J. Carlos. Eu não posso garantir”, disse. “O Disney deve ter copiado o desenho, mas é uma coisa que ninguém pode dar certeza.”
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Em busca da prova concreta do “Zé Carioca de J. Carlos”, a pesquisadora Tetê Amarante voou até a sede da Disney, em Burbank, na Califórnia, em 2002. Mas o desenho que teria sido modelo para o personagem não foi localizado por Tetê, neta do escritor Herman Lima, autor do primeiro livro sobre J. Carlos e da famosa História da Caricatura no Brasil, editada em 1950. “O desenho do J. Carlos é muito próximo do Zé Carioca definitivo. Mas não temos prova concreta para dizer que ele deu o desenho para o Walt Disney”, disse.
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Apesar de todas as evidências que apontam para J. Carlos, cuja família jamais reivindicou algo da Disney, há outras pessoas dispostas a isso. Marcos Sampaio Guimarães alega que foi seu avô, Félix Sampaio, o autor do personagem. Para provar o que diz, Guimarães reuniu material durante anos e elaborou um dossiê, em inglês, de 124 páginas: The Parrot Brief. Guimarães acredita que, mais de 60 anos depois do surgimento do papagaio, pode obter uma vitória sobre a Disney na Justiça americana.

Enfim, a revolução

Por Guilherme Fiúza, Política & Cia, NoMínimo
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As veias abertas da América Latina estão em festa. Finalmente, o povo está chegando ao poder. O índio Evo Morales bota os capitalistas estrangeiros para correr, o caloteiro Kirchner consegue índices quase peronistas de aprovação, o coronel Hugo Chávez bota a bola debaixo do braço, avisa que é o juiz de seu próprio jogo e leva a massa ao delírio.
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É comovente ver professorezinhos universitários brasileiros acalentando a guinada autoritária do continente com o verniz da justiça social. Chávez empanturrou seu povo com o cheque-cidadão do petróleo caro, saiu estatizando tudo, vai propor a reeleição sem fim e prepara medidas que lhe permitirão prescindir (ainda mais) do parlamento.
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É, de fato, uma revolução – e a América Latina a merece, pois é disso que ela gosta: de um patriarca para chamar de seu.
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O Brasil ainda chega lá. Santificado depois do mensalão, Lula sabe que pode tudo, e pela primeira vez um presidente da Câmara será escolhido no uni-duni-tê pelo presidente da República. Quem está encantado com a Venezuela pode aguardar emoções fortes mais ao sul.
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Passou despercebido um trecho do último artigo de Fernando Henrique Cardoso, e seria bom prestar atenção nele. Sem apontar o dedo – em seu estilo às vezes indireto demais – o ex-presidente alerta para os ingredientes perigosos do desequilíbrio entre poderes:
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“Mas, cuidado, se a democracia representativa que temos consagra um presidente legítimo, não se pode dizer que o Congresso resulte de uma deliberação cidadã, no sentido forte da palavra. O sistema de voto desvincula o eleitor dos representantes e, portanto, cria-se uma fragilidade institucional que, se hoje não é ameaçadora, amanhã poderá ser, pois enquanto a cultura democrática não se enraizar há risco de retrocessos.”
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Tradução: Brasília está pronta para ser lambida pelos ventos do chavismo. Viva Bruno Maranhão. Viva o povo. Chega de intermediários.

O fracasso da política externa brasileira

Decisões de Chávez estampam fracasso da política brasileira
Denise Chrispim Marin, Estadão on line

BRASÍLIA - As decisões tomadas nesta semana pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, estampam o fracasso da tática utilizada pelo governo brasileiro para lidar com atitudes e declarações histriônicas do líder venezuelano e também o acúmulo de erros estratégicos cometidos por Brasília.

Para diplomatas ouvidos pelo Estado, o pior dos equívocos foi seu total apoio à apressada adesão do país vizinho ao Mercosul na condição de membro pleno, sob a ilusão de que esse compromisso ampliaria a capacidade de o Brasil limitar os arroubos de Chávez. Outra falha foi sua omissão, diante das ações sucessivas de Caracas, sob o pretexto do princípio brasileiro da não-intervenção em assuntos internos de outras nações.

Experientes diplomatas afirmaram ao Estado que a receita de paciência alargada e de toureio permanente de Chávez adotada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva mostrou-se ineficiente para impedir a gradual concentração de poder pelo Palácio de Miraflores, o esfacelamento de princípios democráticos e a conversão da economia do país para um modelo autocrático. Essa política, agora, coloca em risco a identidade do próprio Mercosul e não terá como impedir os arroubos de Chávez de expandir seu "Socialismo do Século XXI" a outros rincões da América do Sul e ao próprio projeto de integração do continente.

Mercosul
As "questões internas" da Venezuela, adverte o ex-chanceler Celso Lafer, tornaram-se "questões do Mercosul" e tendem a esfacelar a identidade, a eficiência e o poder de atração do bloco.

"As recentes iniciativas de Chávez terão impacto grave no Mercosul. Por isso, não se tratam de temas de ordem interna, mas de questões do Mercosul, bloco do qual o Brasil é um dos sócios fundadores e que hoje tem a Venezuela em seu bojo", afirmou Lafer.

Para alguns diplomatas, o fato de não ser uma instituição sólida, que aplica critérios bem-definidos sobre as práticas democráticas, impede ao Mercosul qualquer iniciativa de "domesticar" os impulsos revolucionários de Chávez.

"O governo brasileiro está encalacrado com esses desvarios do Chávez. O pior é que todo o Brasil e o Mercosul está na mesma situação", resumiu um experiente negociador.

Na quinta-feira, os anúncios de Chávez da mudança do nome oficial da Venezuela - de República Bolivariana para República Socialista -, do fim dos municípios como unidades federativas e da efetiva nacionalização do setor de energia elétrica e da CA Teléfonos de Venezuela (CANTV) somente elevaram os dissabores e os risos nervosos no Itamaraty. Em especial, porque há certeza nos quadros da diplomacia de que o governo brasileiro não mudará sua forma de agir.

Pouco antes da vitória de Chávez nas eleições de 3 de dezembro de 2006, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, explicou a assessores que "o Brasil não é os Estados Unidos" e que, portanto, jamais "apontaria o dedo a Chávez para dizer que está errado".

Para Amorim, não há outra alternativa. Qualquer atitude de Brasília poderia ser observada como uma ingerência em assuntos internos e elevar a temperatura das reações de Caracas contra o Brasil.

TOQUEDEPRIMA...

Preço do petróleo atinge menor nível em 19 meses
Nicola Pamplona, Estadão, com agências internacionais

RIO - As cotações internacionais do petróleo atingiram o menor nível dos últimos 19 meses, em um reflexo do inverno atípico no Hemisfério Norte e de movimentos especulativos nos mercados de commodities. Em Nova York, a cotação do óleo tipo WTI fechou o pregão a US$ 51,88 por barril baixa de 3,96% com relação ao dia anterior. A queda acumulada no ano chega a 15%. Analistas do mercado brasileiro, no entanto, não esperam repasses aos preços internos da gasolina e no diesel neste momento.

A avaliação geral é que a Petrobras deve esperar o mercado se estabilizar antes de decidir o que fazer. "Foi assim no ano passado, quando o petróleo chegou perto dos US$ 70 e a empresa não promoveu nenhum reajuste. A Petrobras deve usar o mesmo modelo agora, com o petróleo em baixa", diz o analista do setor de petróleo da corretora Ágora Sênior, Luiz Otávio Broad. "Ainda não dá para dizer que os preços estão em um novo patamar", completa a especialista Fabiana D´Atri, da Tendências Consultoria.

Procurada pelo Estado, a Petrobras limitou-se a reafirmar sua política de preços de combustíveis, que prevê o acompanhamento do mercado internacional em um prazo mais longo. Ou seja, só haverá mudanças caso os preços permaneçam em baixa por meses. Os últimos reajustes nos preços da gasolina e do diesel foram promovidos em setembro de 2005, quando o barril do petróleo estava cotado na casa dos US$ 60.
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Chávez muda o nome da Venezuela e anuncia novas medidas
Estadão, com Agências internacionais

SÃO PAULO - Um dia após tomar posse como presidente reeleito, Hugo Chávez anunciou novas mudanças no país, a começar pelo nome oficial da Venezuela, que passará de "República Bolivariana" para "República Socialista", além do fim dos municípios como unidades federativas.

Com a mudança no nome do país, Chávez quer conferir à nação uma nova "divisão política territorial", que substituirá prefeituras por conselhos de cidadãos, eliminando o risco de derrota nas eleições municipais.

Além disso, o ministro das Finanças, Rodrigo Cabezas, informou que o plano de estatização do governo atingirá todas as empresas que atuam no setor de eletricidade do país.

Cabezas disse ainda que o governo pode nacionalizar completamente os quatro projetos de exploração de petróleo extra-pesado na faixa do Rio Orinoco, multinacionais de capital americano, além de aumentar os impostos das empresas que tiverem "lucros elevados".

Na quarta-feira, durante a posse para seu terceiro mandato, Chávez anunciou, além da nacionalização dos setores de eletricidade, telefonia e água, que pretende pedir ao Congresso a aprovação de uma lei que lhe conferirá ´maiores poderes´ e que permita a reeleição de forma indefinida, reformulando assim o ambiente jurídico do país.
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Governadores acusam Morales de terrorismo de Estado

BOLÍVIA - Os governadores dos departamentos mais importantes do país denunciaram ontem, em comunicado, que o governo faz "terrorismo de Estado" contra eles, a fim de derrubá-los. A declaração, publicada em vários jornais nacionais da Bolívia, é assinada pelos governadores de La Paz, Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, em apoio de seu colega de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, cuja renúncia é exigida pelos camponeses que cultivam coca e os sindicalistas que apóiam o governo, porque tenta formar um governo autônomo no departamento.

Centenas de manifestantes desses grupos fazem, há uma semana, protestos de rua que deixaram dezenas de feridos e resultaram no incêndio de parte do prédio do governo. Desde terça-feira, os manifestantes também fazem bloqueios nas estradas e já conseguiram isolar Cochabamba do restante do país, por via terrestre.

O documento, intitulado "Pela paz, o fim do terrorismo de Estado e o cumprimento da ordem constitucional", mostra que os atos de violência são "fomentados pelo Movimento ao Socialismo (MAS)", de Morales, de quem exige cumprir e fazer cumprir as leis, "pois a sua desobediência o torna passível de uma conduta ilegal". Na mensagem, os governadores indicaram que seu objetivo é exigir o fim das hostilidades para seus governos.

Sem mensalão não tem solução!

Ruy Fabiano, Blog do Noblat

O fator Severino volta a assustar o governo. Não há felizmente nenhum Severino à vista, mas o fenômeno que ensejou sua condução ao terceiro posto mais importante na hierarquia da República – a presidência da Câmara dos Deputados – corre o risco de se repetir.

O desafiante, o deputado paranaense Gustavo Fruet, é tucano e, do ponto de vista da conduta ética, é antípoda a Severino Cavalcanti, o arquétipo do baixo clero, que compôs a galeria de tipos bizarros da República no curso do drama do Mensalão.

Severino e Fruet, independentemente do fato de nada terem em comum, emergem de uma mesma realidade política: a falta de unidade na base governista. Esta, por sua vez, decorre de um fato simples – e trágico: a disfuncionalidade do sistema político brasileiro.

Sem fidelidade partidária, sem barreiras legais que impeçam o troca-troca de legendas, sem instrumentos que possibilitem ao eleitor “deseleger” os que desonram o mandato (o recall) - e sobretudo a indigência ética que disso tudo deriva, não há, do ponto de vista do governante, como abrir mão do fator fisiológico.

Quanto a isso, justiça se faça: Lula não está inventando nada. Os que o antecederam também apelaram para o fisiologismo para sustentar suas respectivas bases de apoio. O detalhe é que Lula e o PT fizeram da denúncia desse processo espúrio – e do compromisso de transmutá-lo - o estandarte de sua ascensão ao Poder. Garantiram ao distinto público que era possível construir outra realidade, fundada na ética. Mas, uma vez vitoriosos, deixaram a promessa para lá.

O que se constata é que esse processo, que parecia ter chegado ao fundo do poço em momentos como o da votação da emenda da reeleição, conseguiu se deteriorar ainda mais. Ao que parece, esse poço não tem fundo, e a frase-síntese que resume a catástrofe em cena, e leva governo e oposição a um comportamento conformista é: sem Mensalão, não há solução.

O Mensalão pode ser visto de diversas maneiras. Não é apenas aquele fixo mensal, revelado por Roberto Jefferson. A oferta de cargos nos postos da administração pública em troca de apoio é uma forma de Mensalão. Visto como contrapartida fisiológica à adesão, assume formas diversas e, a rigor, tem estado presente na história do Brasil desde as origens de sua formação.

O uso do cachimbo, diz o ditado, faz a boca torta. E a naturalidade com que os candidatos hoje se movem e coletam apoio, prometendo cargos não apenas na direção do Legislativo, mas também no Executivo, comprova o axioma. O PMDB, hoje o fiel de balança da República, reúne na sua linha de frente alguns personagens altamente emblemáticos, para os quais a expressão cara-de-pau é insuficiente.

Estiveram sempre na oposição a Lula, opondo-se às instâncias decisórias do partido, sob o argumento de que não apoiariam um governo aético. Entre outros, os deputados Geddel Vieira Lima, Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco, ex-aliados dos governos tucano-pefelistas e hoje lulistas desde a infância. São chamados pelos companheiros de “cristãos-novos”.

A oposição que exerceram no curso do mandato anterior decorria não de rejeição moral aos fatos denunciados, mas de uma aposta pragmática. Supunham que Lula não resistisse ao desgaste da crise do Mensalão e desabasse de vez. Como resistiu, despojaram-se do pudor postiço que exibiam, arregaçaram as mangas e aí estão, a cobiçar ministérios “de porteira fechada” – expressão que diz muito do teor moral do processo.

Trata-se de receber as pastas com carta branca para preencher todos ao cargos de todos os órgãos a elas vinculados. Um banquete fisiológico. O termo equivale a uma confissão de propósitos. Arlindo Chinaglia, do PT, e Aldo Rebelo, do PC do B, dividem a base governista diante de um presidente Lula que os chama de “filhos”. Hugo Chavez não encontraria vocábulo melhor para resumir a ópera.

Ao mesmo tempo em que o presidente da República garante não interferir nos assuntos do Legislativo e diz que os Poderes são independentes, incide no ato falho de chamar aqueles dois parlamentares de “filhos”, deixando escapar a visão tutelar com que acompanha e administra o processo. Qualquer resultado o levará às mesmas providências. A diferença é que, com Chinaglia, os ministros serão uns, e com Aldo serão outros. Mudam apenas as moscas.

O fator Severino surge exatamente aí: a falta de acordo divide a base governista e abre espaço para o triunfo de um azarão. Com Severino foi assim, mas, em face de seu perfil fisiológico, não foi difícil cooptá-lo. O jogo tinha a sua cara.

Gustavo Fruet é vinho de outra pipa. Eventual vitória sua poria um freio de arrumação à farra fisiológica em curso. Poderia, quem sabe, ser o ponto de partida para uma reforma política consistente, há muito reclamada pelo país. Uma reforma que desse funcionalidade e nobreza ao processo político. Um antídoto, enfim, à síndrome do Severino.

Sob a expectativa do PAC

Por Adelson Elias Vasconcellos

Na semana que entra, o governo anunciará o seu PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. Pelo Brasil e pelo povo brasileiro, estou ajoelhado rezando para dar certo. Por desconhecer os detalhes, não se pode julgar um programa apenas por sua aparência. Mas, a partir do modo como este plano vem sendo construído se podemos ter esperanças, por outro lado, não se poderá soltar foguetes.

Vejamos: Lula entrou no segundo mandato em melhores condições do que no primeiro ? Sim, não havia, pelo mercado, a desconfiança sobre Lula. Agora, ele não precisa mais dar sinais de que respeitará contratos e de que manterá os fundamentos macros da economia no lugar em que FHC os deixou. Aliás, pelo fato de que a economia mundial andou em céu brigadeiro como não fazia há mais de trinta anos, a economia brasileira beneficiou-se enormemente deste clima. Primeiro, os preços das commodities compensaram as desvantagens do câmbio. Isto permitiu que atingíssemos superávits comerciais capazes de dar à nossa economia sustentação e estabilidade. Tudo isso sem que o governo tivesse assinado uma só medida provisória ou decreto. Apenas na carona da economia dos ... outros.

Foram quatro anos em que Lula voou para lá, voou para cá, mas projeto de governo que é bom, nada. As reformas que o país precisava continuam estacionadas aguardando o comando de “avançar”.

Lula terminou o primeiro mandato sem este projeto, e com um ministério que, convenhamos, parece muito mais aqueles “expressinhos” de times de futebol. Só de reservas.

Começa o segundo como terminou o primeiro: sem plano de vôo e sem ministério formado. O plano será divulgado agora, mas já nasceu de forma ridícula: quem deu-lhe o nome foi um marqueteiro. E pela informações que se tem, sua montagem reuniu mais marqueteiros do que economistas. Portanto, sem que se conheça os detalhes, é preciso cautela. Mas, decididamente, não se pode esperar muito. O que o país mais precisa é de ação de governo, e não de plano de marketing.

E digo porquê: Lula deveria ter iniciado seu segundo mandato a 180 km por hora. Tinha tudo para isto, e uma expectativa muito grande. Ao entrar em férias logo após a posse, a segundo no espaço de 70 dias, ao não divulgar seu ministério, a ser formado a partir da eleição das presidências da câmara e do senado, portanto em fevereiro, ao deixar para quase um mês de espera a divulgação de seu plano de governo, Lula arrefeceu um ritmo que deveria ser de aceleração, mas tem sido de lassidão, de lentidão, de devagar quase parando. Ora, será que nossos problemas são tão fáceis de serem resolvidos assim ? Ou será que eles nada tem de urgência, e podem ficar à mercê da vontade pessoal de um governante que se disponha a apertar o botão do “liga”, na hora que bem entende ? Definitivamente, o ritmo que precisamos é outro. Para quem tem pressa, e o país a tem, iniciar neste ritmo não dá para animar. Imagine alguém com desejos de investir em grandes plantas industriais, ter de cruzar os braços e ficar esperando que os governantes do país se decidam trabalhar e demorem todo este tempo para dizer o que pretendem fazer ?

E mais constrangedor é sabermos que a equipe responsável por colocar o tal PAC para funcionar, dependerá da eleição do presidente da câmara de deputados, cuja campanha conseguiu a proeza de tornar mais imunda a imagem daquela Casa! Como fevereiro tem carnaval, o Brasil, do Lula-II, nascerá a partir de março. Somando com os 48 meses de inércia do primeiro mandato, lá se vão 50 meses de um país sem avançar.
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Portanto, neste momento, o que podemos fazer é seguir a recomendação do Ministro da Defesa, Waldir Pires, para contornar crises: vamos rezar ! Amém.