Por Adelson Elias Vasconcellos
Acabo de ler a relação de “emoções” que o PAC de Lula (ou seria do seu marqueteiro), irá anunciar nesta segunda-feira. Confesso que levei um susto: são 500 bilhões de reais em investimentos diversos, metade dos recursos saídos dos cofres do governo, o restante, privado. O caixa-forte da operação toda que mais vai “contribuir” é o da Petrobrás. Depois, a Eletrobrás vai ao mercado captar recursos para os investimentos em energia. Ainda tem o FGTS, dinheiro do trabalhador, que também vai entrar na roda. E, nunca esquecendo, tem o cofre-forte do BNDES.
Do governo federal se sabe que haverá redução do superávit primário de 4,25% para 3,75%, o que permitirá uma sobra para investimentos. O impressionante é o volume de recursos. Existe tanto dinheiro dando sopa por aí ? Isto é o que iremos ver. Se até agora, sequer 10% deste montante se conseguia investir por ano, 500 milhões em quatro anos, o que dá uma média de 125 milhões anuais, convenhamos, é uma cifra prá ninguém botar.
A ministra Dilma diz que este dinheirão todo irá para projetos específicos, não se trata mais de carta de intenções. Será ? Ninguém quer o mal do Brasil, mas certamente que este número gigantesco de investimentos em projetos específicos tem lá seu exagero. Primeiro, que não há tanto projeto “específico” dando sopa por aí. Segundo, para o governo fazer sobrar este volume, precisará fechar a torneirinha dos gastos públicos. E disto não se tem notícia alguma.E também precisará mexer em algumas reformas das quais também nada ainda foi anunciado. Existe uma certa desoneração no pacote, muito mais na base do empurrar prá frente, do que reduzir a carga. Prevê-se redução de alíquota do IPI em 50 itens.
Claro que se der tudo certo, bem como a iniciativa privada veja vantagem em bancar os outros 50% do pacote de investimentos, evidentemente que o pacote pode ser um indutor do crescimento do país. Mas tem uma coisa: a expressão PAC precisará ser alterada. A razão é simples: o que o pacote contempla são investimentos em infra-estrutura, rodovias, portos, energia, ferrovias de um lado, e saneamento e habitação popular de outro lado. Ou seja, o volume maior de recursos incidirá em atividade meio, e não em atividade fim. Infra-estrutura demanda tempo para ser construída. E somente a partir dela é que investimentos produtivos passam a se tornar viáveis. No fundo a leitura que se faz do pacote é que suas metas são de longo prazo, e não de curto prazo como o “Acelerado” da expressão PAC quer significar. Tanto que o pacote é estendido até 2010.
Mesmo assim, não se nota no pacote grandes atrativos para o investimento produtivo. Claro que ele se beneficia pelos investimentos em infra-estrutura. Porém, isto só não é o bastante. Mesmo assim, o mínimo que se pode dizer do pacote é que é ambicioso. Talvez até demais. Quem sabe com um pouco menos, a expectativa de dar certo pudesse ser mais encorajadora. O que se teme é que o governo Lula sempre tem sido festeiro ao anunciar pacotes, cujo resultado é pífio ou nulo na medida em que o tempo passa. Vamos torcer para que desta vez a festa se faça no final, e não no anúncio. Conforme já afirmamos de outras vezes, o de que mais precisamos é de ação de governo. Dispensados, neste caso, ficam o plano de marketing, os discursos e as boas intenções, ou seja, jogue-se no lixo as fanfarras por inúteis e dispendiosas. Que se dê vez a um programa de governo consistente e realista. É disto que o Brasil precisa, é isto que o País merece.
Acabo de ler a relação de “emoções” que o PAC de Lula (ou seria do seu marqueteiro), irá anunciar nesta segunda-feira. Confesso que levei um susto: são 500 bilhões de reais em investimentos diversos, metade dos recursos saídos dos cofres do governo, o restante, privado. O caixa-forte da operação toda que mais vai “contribuir” é o da Petrobrás. Depois, a Eletrobrás vai ao mercado captar recursos para os investimentos em energia. Ainda tem o FGTS, dinheiro do trabalhador, que também vai entrar na roda. E, nunca esquecendo, tem o cofre-forte do BNDES.
Do governo federal se sabe que haverá redução do superávit primário de 4,25% para 3,75%, o que permitirá uma sobra para investimentos. O impressionante é o volume de recursos. Existe tanto dinheiro dando sopa por aí ? Isto é o que iremos ver. Se até agora, sequer 10% deste montante se conseguia investir por ano, 500 milhões em quatro anos, o que dá uma média de 125 milhões anuais, convenhamos, é uma cifra prá ninguém botar.
A ministra Dilma diz que este dinheirão todo irá para projetos específicos, não se trata mais de carta de intenções. Será ? Ninguém quer o mal do Brasil, mas certamente que este número gigantesco de investimentos em projetos específicos tem lá seu exagero. Primeiro, que não há tanto projeto “específico” dando sopa por aí. Segundo, para o governo fazer sobrar este volume, precisará fechar a torneirinha dos gastos públicos. E disto não se tem notícia alguma.E também precisará mexer em algumas reformas das quais também nada ainda foi anunciado. Existe uma certa desoneração no pacote, muito mais na base do empurrar prá frente, do que reduzir a carga. Prevê-se redução de alíquota do IPI em 50 itens.
Claro que se der tudo certo, bem como a iniciativa privada veja vantagem em bancar os outros 50% do pacote de investimentos, evidentemente que o pacote pode ser um indutor do crescimento do país. Mas tem uma coisa: a expressão PAC precisará ser alterada. A razão é simples: o que o pacote contempla são investimentos em infra-estrutura, rodovias, portos, energia, ferrovias de um lado, e saneamento e habitação popular de outro lado. Ou seja, o volume maior de recursos incidirá em atividade meio, e não em atividade fim. Infra-estrutura demanda tempo para ser construída. E somente a partir dela é que investimentos produtivos passam a se tornar viáveis. No fundo a leitura que se faz do pacote é que suas metas são de longo prazo, e não de curto prazo como o “Acelerado” da expressão PAC quer significar. Tanto que o pacote é estendido até 2010.
Mesmo assim, não se nota no pacote grandes atrativos para o investimento produtivo. Claro que ele se beneficia pelos investimentos em infra-estrutura. Porém, isto só não é o bastante. Mesmo assim, o mínimo que se pode dizer do pacote é que é ambicioso. Talvez até demais. Quem sabe com um pouco menos, a expectativa de dar certo pudesse ser mais encorajadora. O que se teme é que o governo Lula sempre tem sido festeiro ao anunciar pacotes, cujo resultado é pífio ou nulo na medida em que o tempo passa. Vamos torcer para que desta vez a festa se faça no final, e não no anúncio. Conforme já afirmamos de outras vezes, o de que mais precisamos é de ação de governo. Dispensados, neste caso, ficam o plano de marketing, os discursos e as boas intenções, ou seja, jogue-se no lixo as fanfarras por inúteis e dispendiosas. Que se dê vez a um programa de governo consistente e realista. É disto que o Brasil precisa, é isto que o País merece.