sábado, dezembro 16, 2006

O sumiço do comandante

Por Augusto Nunes
Coisas da Política - JB

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A habilidade em lidar com o mau tempo transformou Luiz Inácio Lula da Silva no Grande Timoneiro do PT. O apreço por tempestades desapareceu com a promoção a comandante da nau do Planalto. O clarão do primeiro relâmpago o emudece. O estrondo do primeiro raio o impele a recolher-se à cabine do capitão e ali ficar enfurnado até que a tormenta amaine. Só então se ouvirá de novo o falante compulsivo.
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Encerrado o sumiço, dirá que não foi informado a tempo da iminência do temporal. Que não o alertaram para o conteúdo perturbador das previsões meteorológicas. Que não ouviu a trovoada. Que a rota foi traçada por tripulantes aloprados. Que é ocupado demais para prevenir trapalhadas do imediato, do ordenança e do grumete.
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Em casos especialmente complicados, trata de atirar às ondas algum velho companheiro, e viagem que segue. Os insatisfeitos que se queixem ao capelão. O capitão sempre reassume o leme com a expressão beatífica de quem não terá contas a ajustar no dia do Juízo Final.
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Adotado na chuvarada do mensalão, o truque funcionou razoavelmente. Reprisado à exaustão nestes quatro anos, livrou Lula de exposições constrangedoras e permitiu-lhe prolongar até 2010 a permanência no posto. É compreensível que o comandante tenha recorrido à mesma tática para contornar o apagão aéreo, cujas turbulências afligem há quase 50 dias multidões de brasileiros.
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Nesse período, pediu votos para o amigo Hugo Chávez, fez cafunés no meninão Evo Morales, descansou numa praia, jogou conversa fora com o terrorista em recesso Muammar al Khaddafi, passou pitos no PT, adulou o PMDB, brincou de presidente eleito entretido na montagem do novo ministério.
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Sobre a conflagração nas áreas de embarque, nenhuma palavra. Mas o chefe só pensa nisso, juram assessores. Em encontros reservados com ministros de estimação, critica os ausentes, exige explicações sobre a imensa confusão, cobra respostas claras e providências urgentes, estabelece prazos improrrogáveis. Faz e acontece. De vez em quando, sublinha manifestações de impaciência com socos na mesa. O homem está indignado, informam jornalistas federais.
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Indignados estão centenas de milhares de passageiros insultados pelo triunfo da incompetência. Lula deveria estar é envergonhado com o que fez e faz. "Quem decide os rumos da política econômica sou eu", avisou quando o ministro Tarso Genro anunciou "o fim da era Palocci". Foi ele, portanto, quem resolveu sacrificar investimentos essenciais no altar do superávit primário.
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Desta vez, só colunistas de aluguel ousam atribuir culpas à herança maldita produzida por FH, o Grande Satã. Lula atolou no próprio legado. Desde 2003, o governo reduziu dramaticamente despesas com estradas, portos, rodovias, ferrovias, hidrovias. Há pelo menos três anos, autoridades minimamente sensatas advertem a cúpula do governo para a erosão do sistema de controle de vôos. Os donos do dinheiro resolveram desperdiçá-lo em obras cosméticas e bijuterias arquitetônicas. Deu no que deu.
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Lula já percebeu que o truque agora não funcionou. Terá de explicar-se ao país. O problema é que não sabe o que dizer.

Lula dá 18 voltas ao redor do mundo em 4 anos de governo

Eduardo Scolese e Pedro Dias Leite
da Folha de S.Paulo, em Brasília

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Em busca de um "tête-à-tête" com diferentes líderes mundiais --como gosta de dizer--, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou 13,2% de seu primeiro mandato em viagens ao exterior. Ontem, ele esteve na Bolívia, na última viagem internacional deste ano.
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Em quatro anos, apenas em deslocamentos internacionais, foram cerca de 900 horas em aeronaves da Presidência, percorrendo trajetos que, somados, seriam suficientes para dar 18 voltas ao redor do mundo.
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Com esse ritmo, Lula bateu todos os seus antecessores. Entre janeiro de 2003 e este final de semana, quando participou da reunião de cúpula na Bolívia, o presidente petista fez 102 visitas a outras nações.
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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, registrou 55 em seu primeiro mandato, de 1995 a 1998. Em seu governo, FHC ganhou fama de caixeiro-viajante, mas, diante de Lula, o tucano ficou longe nessa estatística.
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Em seu primeiro mandato, FHC cravou uma média um pouco superior de um país visitado a cada mês (1,14), contra uma média de 2,12 países do petista. Em 48 meses de governo, Lula passou 193 dias em deslocamentos internacionais, o que representa um avanço de 15% sobre a primeira gestão de Fernando Henrique.
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A política externa foi apresentada por Lula como uma das principais vitrines de seu governo. Entre as bandeiras, a busca por um assento permanente no Conselho de Segurança das ONU (Organização das Nações Unidas), a integração física da América Latina, a aproximação com os países africanos e o aprimoramento do comércio com Estados Unidos e União Européia.
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Atrás disso, passou o equivalente a 38 dias só dentro de cabines de aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira), percorrendo uma distância total de pouco mais de 700 mil km.
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Líder do ranking
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O ritmo de viagens de Lula ao exterior, além de FHC, supera também as médias de Itamar Franco (1992-1994), Fernando Collor de Mello (1990-1992) e José Sarney (1985-1990).
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Itamar, por exemplo, em dois anos e três meses de governo, fez 15 visitas a países do exterior. Já Collor, em dois anos e sete meses no Palácio do Planalto, passou por 27 nações. Sarney, por sua vez, cumpriu 145 dias de agenda no exterior, em 41 visitas internacionais em cinco anos de mandato.
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Uma análise dos destinos dos presidentes revela claramente as preferências de cada um em sua política externa.
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Em seus deslocamentos, o presidente Lula priorizou a América do Sul: foram 40 visitas a países da região, o que representa 39% de suas viagens ao exterior. A África também teve atenção especial. Em quatro anos, foram 20 visitas de Lula a países africanos.
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Já FHC, em oito anos, passou apenas por África do Sul (duas vezes), Angola e Moçambique..Na Presidência, Lula passou 51 dias na Europa e 29 na África. Já Fernando Henrique, entre 1995 e 1998, permaneceu 58 dias em nações européias e apenas cinco em solo africano.
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De janeiro de 2003 até agora, a bordo do "Sucatão" (Boeing-707) ou do Santos-Dumont (o Airbus apelidado de AeroLula), o petista passou por 52 diferentes nações. Incluindo as repetições, são 102 visitas.
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O petista priorizou alguns deles. Em 48 meses, passou sete vezes pela Argentina, seis por Estados Unidos e Venezuela e cinco por Bolívia e Peru.

Ricardo Teixeira e Joseph Blatter no caminho da aventura

Favorecem a TV Globo, se eternizam no Poder
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Por Helio Fernandes, na Tribuna da Imprensa
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Indiciado em 7 processos (lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, falsidade nas declarações de bens e de renda, envio de dinheiro para o exterior, formação de quadrilha, e com o Ministério Público se preparando para a qualquer momento pedir sua prisão preventiva), Ricardo Teixeira viajou às pressas para a Suíça. Para fugir do Ministério Público? Não, para se reforçar contra ele, servindo a interesses colossais da TV Globo.
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A questão era tão importante para os dois lados que Ricardo Teixeira saiu do Brasil na véspera da festa que a própria CBF organizou. Malandro, espertíssimo, incluído na categoria daqueles que quando recebem um livro pedem faca e garfo, pensam que é coisa de comer (royalties para Millor Fernandes), é um vitorioso. Em tudo o que se mete ou quaisquer que sejam os interesses que defenda.

O que Ricardo Teixeira foi fazer na Suíça no interesse da TV Globo? Simplesmente isto: manter com EXCLUSIVIDADE a transmissão da Copa do Mundo de 2010 e 2014 para a TV Globo. É o domínio vergonhoso e MONOPOLISTA de um grupo contra a coletividade. Valia a viagem às pressas? O leitor pode avaliar e julgar por si mesmo, lendo.
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A TV Globo ofereceu "oficialmente" pelas duas Copas 90 milhões de dólares. A TV Record, que tem mais dinheiro do que a Globo, mas não tem 10 por cento do prestígio e do Poder da concorrente, ofereceu 180 milhões, também de dólares. Mas como nos cálculos, na contabilidade, na aritmética e até no encontro de contas com Ricardo Teixeira 90 é mais do que 180, Ricardo Teixeira foi à Suíça conversar com o parceiro Joseph Blatter.
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Para não parecer que viajou como caixeiro viajante da TV Globo (seria melhor usar a denominação adequada e dizer que ele é "o Teixeira viajante" da Globo), anunciou que de lá vai assistir à Copa das Confederações. Mas telefonou, satisfeito e empolgado, comunicando: "Tudo resolvido, a EXCLUSIVIDADE da TV Globo foi mantida, a proposta da Record, mesmo oferecendo o dobro, não foi considerada".
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Aproveitando, Teixeira tratou com Blatter de um assunto que interessa muitíssimo aos dois: a presidência da Fifa. Blatter seria eleito mais uma vez em 2011, está no limite, só agüenta outro mandato. E Ricardo Teixeira seria seu sucessor em 2014, que agora dizem que é 2015. O presidente da CBF e apaniguado da TV Globo está com 58 anos, 62 no fim de Blatter, mocíssimo.
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Nesse jogo de interesse, entra a Copa do Mundo de 2014, que teoricamente seria no Brasil. Como teria sido também a de 1986, no Brasil, e que também não foi. E aqui vai um recado para o senador Alvaro Dias, preocupadíssimo com a realização ou não realização dessa Copa de 2014. Acredita no que dizem, será no Brasil. Não embarque nessa, senador, em 2014, só o fim do teu mandato, a não ser que você mude para o governo do Paraná em 2010. A badalação em cima da "realização" da Copa no Brasil é jogo viciado e marcado, como acontece em Las Vegas. Blatter e Ricardo Teixeira querem se beneficiar, diante da "impossibilidade" do Brasil sediar a Copa.
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Blatter e Teixeira sabem o que fazem, prejudicam fingindo que ajudam. A China quer a Copa, mas a Ásia já fez em 2002. A África realiza a próxima em 2010. Se o Brasil não pode fazer, imaginem os outros países.
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Então a opção é a Europa (mesmo tendo sediado em 2006), mais precisamente na Inglaterra, que realizou a última em 1966. Serão 48 anos.
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Com isso, Blatter espera todos os votos da Europa para se reeleger mais uma vez. E Ricardo Teixeira garantiria (herdaria) esses votos para ele mesmo na sucessão de Blatter em 2010 ou 2011. Teixeira foi à Suíça, em missão arriscada e angustiosa para a TV Globo e para ele.
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Conversando na Suíça, Blatter e Teixeira colocaram um novo item, no plano, urdido, que palavra, para confundir mais ainda a Copa de 2014. Lançaram o Canadá como sede, perdão, subterfúgio dessa Copa. O Canadá não disputa nenhuma Copa. Mas fica na América do Norte, que realizou a Copa mediocríssima de 1994. Só 20 anos, o Brasil, em 2014, seria sede depois de 64 anos.
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Para tripudiar e favorecer a eles, Blatter reduziu o tempo da escolha. Sempre foi de 6 anos, seguindo o calendário das Olimpíadas. Agora, diminuíram o tempo, querem "emparedar" o Brasil.
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PS - Para a TV Globo, a Copa no exterior é muito melhor do que a Copa aqui. Em 54 jogos, pelo menos 3 milhões de pessoas assistiriam aos jogos nos estádios. Realizada no exterior, todos têm que ver pela televisão.

Aqui se paga

Por Fabio Grecchi, na Tribuna de Imprensa
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No caso de Augusto Pinochet, o crime compensou. Aqueles que saíram às ruas de várias cidades chilenas, domingo, para festejar, não se deram conta de que, com a partida do general para o inferno, jamais respondeu à Justiça dos homens pelas barbaridades que cometeu. Até ao contrário: na sua cabeça psicótica, deve ter acreditado até o final na justeza de seus atos. Provavelmente achava que o Chile deveria ser eternamente grato ao genocídio que promoveu.
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Deveriam, todos, temer as ironias da História. E trabalhar para que a morte nem absolvesse os facínoras, tampouco igualasse vítimas de algozes.
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Slobodan Milosevic paga pela limpeza étnica que pensou um dia em fazer na Bósnia, livrando-a dos muçulmanos. No massacre de Ruanda, os tutsis não passaram incólumes ao terrível assassinato maciço de hutus. Saddam Hussein, que até tem despertado simpatias por causa da situação caótica na qual mergulhou o Iraque, tem que ser condenado pela morte de curdos e de xiitas, durante as décadas em que tornou o país sua sala particular de tortura.
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As Nações Unidas têm uma iniciativa fabulosa, a de transformar as flácidas leis da anistia em leis da verdade. Aquilo que é iniciativa de uns poucos e corajosos países - sobretudo a Argentina - seria adotado por todos para que uma pesada pedra não absolvesse, pelo silêncio, os psicopatas que se divertiam barbarizando pessoas em nome de um regime político qualquer.
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Os Estados Unidos é um dos países que não querem este ajuste de contas: promotor de algumas das mais violentas ditaduras na América Latina, na África e na Ásia, teme ser confrontado com seu passado de desmando em casa alheia.
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Inclusive, vários de seus personagens hoje vivem uma espécie de prisão domiciliar em seu próprio território. É o caso do ex-secretário de Estado Henry Kissinger, que não pode sair dos EUA para parte alguma do mundo, pois corre o risco de ser preso. E julgado por sua ativa participação em golpes militares como o do próprio Pinochet.
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Mas se a iniciativa da ONU parece um sonho de justiça distante demais, os países podem se reencontrar com seu passado. Se a Argentina, com Kirchner, pôde, por que aqui, com Lula, não podemos? Desde Fernando Henrique Cardoso são muitos os nomes de personagens de peso do governo que sofreram nas mãos do regime militar. As reações contrárias, daqueles que de alguma forma acham isto assunto superado, são sempre iguais, mas com o passar do tempo são vencidas pelo clamor popular.
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Enquanto nos faltar coragem para dar aos assassinos, torturadores, a punição que merecem depois de passarem pelas cortes de Justiça, estaremos sempre perto de vê-los gargalhar de todos. Afinal, se já não riem pelo silêncio de que desfrutam, vão se comprazer ao não serem alcançados por nós assim que descerem à tumba.

Opinião: A revolução dos tolos

Por Ubiratan Iorio, economista, JB Online
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O que é, o que é? É uma figura patética, mas perigosa. Banha-se em uma piscina de petrodólares, mas tem o aspecto de quem não é chegado a uma boa ducha. Tem cara de bobo, mas é esperto e anda armado... Refiro-me ao grotesco e paleolítico coronel Hugo Chávez - o "Chapolim de Miraflores" - que, mercê de uma farsa democrática, quer perpetuar-se no poder até - vejam! - o ano de 2030... E que, a cada reeleição - que vence, sabe-se lá como - apresta-se a mudar sua bíblia, a Constituição "bolivariana" de seu país, para moldá-la à sua ganância de poder.
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Os escravos de Nabucodonosor da Babilônia ralavam 20 horas por dia porque não havia outro jeito, por causa das chibatadas e, em casos extremos, da morte, mas, se tivessem chance, colocariam veneno na lauta refeição do tirano. Hoje, os socialistas, comunistas e "teólogos" de falsas libertações criaram outra forma de servidão, desta vez consentida e, até, agradecida. Na América Latina, só são considerados intelectuais os artistas, cineastas, escritores, sociólogos, invasores de propriedades alheias e catadores de lixo que têm a aquiescência e complacência das esquerdas. Como disse Nelson Rodrigues, "não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer".
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Até o século 19, os tolos eram apenas tolos, nada mais do que tolos e que se comportavam como tolos. Mas, com Marx e a ascensão das ideologias, descobriram que eram em maior número e revestiram-se de súbita sabedoria, passando a "pensar" pelos preparados e inteligentes, com o apoio da mídia socialista, que infesta os cadernos ditos "culturais" dos jornais. Em outros tempos, os melhores pensavam pelos idiotas. Hoje em dia, são os idiotas que pensam pelos melhores, porque ou estes se submetem aos primeiros ou são por eles engolidos.
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Ser professor em uma universidade estatal, ou cineasta, escritor, sociólogo, artista ou socialista do Leblon, eis, com poucas exceções, os modos mais fáceis e diretos de ser intelectual sem ler, sem pensar e sem precisar esforçar-se para ligar duas simples idéias. Basta simular defender uma estranha liberdade, aplicável a eles, mas não aos demais, esganar-se de berrar contra todos os regimes de força de direita mas levar em sua algibeira a sua ditadurazinha particular e, naturalmente, socialista...
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A Revolução dos Tolos acusa Pinochet, Médici e qualquer outro direitista (especialmente Bush) de carniceiros e ditadores, enquanto entoa hosanas a Lênin, Mao, Guevara, Fidel, Saddam, Morales, Chávez e outros monstros autores de crimes bem mais brutais, como se fossem deuses libertadores. Voltemos a Nelson Rodrigues: "A URSS, a China e Cuba são nações que assassinaram todas as liberdades, todos os direitos humanos, que desumanizaram o homem e o transformaram no anti-homem, na antipessoa. A história socialista é um gigantesco mural de sangue e excremento. Tão parecidos Stalin e Hitler, tão gêmeos, tão construídos de ódio. Ninguém mais Stalin do que Hitler, ninguém mais Hitler do que Stalin".
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Na América Latina o marxismo adquiriu uma forma difusa, volátil, caleidoscópica e etérea. É-se marxista sem estudar, sem pensar, sem ler, sem escrever, nem - seria exigir demais - pensar, pois basta respirar e assumir ares de "socialmente engajado". Vêem-se em cada beco "amantes espirituais" de Hugo Chávez e outros idiotas perigosos, formados por jornalistas, sociólogos, intelectuais, ex-frades, poetas, cineastas, taxistas e bombeiros hidráulicos. Só falta pôr na parede retratos do pelintra, em uma pederastia fantasiada, idealizada, utópica, pornofotográfica...
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Sua raiva contra a pobreza e a má distribuição de renda é altamente profissional. Essa gente vive da fome dos que morrem de fome, mas em plena abundância. "Bolivariana", é claro...

TOQUEDEPRIMA...

Aperto no Galeão
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Que falta de sorte a do senador Wellington Salgado (PMDB-MG), relator do projeto de lei que divide com os Esportes a grana reservada até aqui com exclusividade para a Cultura.
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Salgado está no aeroporto do Galeão, no Rio, à espera do embarque para Brasília do vôo 1820 da GOL marcado para às 21h40.
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Deu de cara com um grupo de atores passageiros do mesmo vôo que irão a Brasília brigar pela preservação do dinheiro da Cultura - entre eles, Fernanda Montenegro e Ney Latorraca.
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E há mais de duas horas que ouve um sermão deles.
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- Mas eu sou o senador dos Esportes - balbuciou, há pouco, Salgado.
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- Me desculpe, mas o senhor é senador do Brasil - retrucou Fernanda.
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O projeto que divide com os Esportes o dinheiro da Cultura será examinado, hoje, pela Comissão de Educação do Senado presidida por Salgado. E amanhã deverá ser votado pelo plenário do Senado.
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- Somente duas pessoas me fariam tirar o projeto da pauta da Comissão: os senadores José Sarney e Renan Calheiros - disse Salgado a Fernanda.
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Contra o apagão, fé e orações
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Tem algo errado no diagnóstico de nossas principais autoridades sobre o estágio atual do apagão aéreo.
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Lula disse no fim de semana que a situação estava sob controle e o apagão praticamente no fim.
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O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), contou que ouviu do ministro da Defesa, Waldir Pires, a afirmação de que "é necessária muita fé, rezar um pouco para que dê tudo certo".
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Pires se referia ao mesmo apagão objeto da declaração eufórica de Lula. E às chances do governo de resolver até o fim do ano a crise no setor aéreo.
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Idoso de esquerda tem problema, diz Lula, 61 anos
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Roney Domingos, do G1, em São Paulo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu nesta segunda-feira (11) que a permanência no governo pode provocar até mudanças ideológicas. Em discurso para uma platéia de empresários durante evento promovido pela revista IstoÉ, em hotel da Zona Sul de São Paulo, ele deixou claro que anda politicamente mais moderado e flexível.
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“Quem é mais de direita vai ficando mais de centro. Quem é mais de esquerda, vai ficando social-democrata. As coisas vão se confluindo de acordo com a quantidade de cabelos brancos que você vai tendo e de acordo com a responsabilidade que você tem. Não tem outro jeito. Se você conhecer uma pessoa idosa esquerdista é porque está com problema. Se acontecer de conhecer alguém muito novo de direita é porque também está com problema. Quando a gente tem 60 anos está no equilíbrio porque a gente não é nem um e nem outro”, diz Lula.
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O presidente discursava a respeito das alternativas que o Brasil tem para promover o crescimento econômico. Lula voltou a criticar as diversas barreiras legais e ambientais que travam as iniciativas de governo.
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Sobre esse assunto, Lula fez inclusive um elogio ao deputado federal Delfim Neto (PMDB)-SP, ex-ministro da Fazenda durante a ditadura militar e considerado por décadas rival de Lula e do PT. “Eu agora sou amigo do Delfim Neto. Passei vinte e poucos anos criticando-o e agora o Delfim Neto é meu amigo e eu sou amigo dele”, disse o presidente. “Acho que é a evolução da espécie humana”, observa.
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O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, defendeu a meta de crescimento do governo e disse que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é "questão de tempo".
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Mudanças no horizonte da Fazenda
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Subiram no telhado o secretário do Tesouro, Carlos Kawal, e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy.
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Nenhum dos dois tem agradado Lula na discussão do pacote para o crescimento da economia de 5% em 2007.
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Lula os considera ortodoxos demais e criativos de menos para sugerir mudanças que contribuam para o crescimento da economia.
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No PT, todo apoio é dado para uma troca na Fazenda. Na bancada, Kawal é apontado como “homem de mercado” e Appy é chamado de Capitu, a personagem de Dom Casmurro, de Machado de Assis, que tinha “olhar dissimulado”.
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Pobre Daslu

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A butique de luxo Daslu será autuada pela Receita Federal em R$ 236.371.942,45 por falta de pagamento de impostos de importação na compra de produtos no exterior feita pela Multimport entre 2001 e 2005.
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A empresa deverá sofrer até mais cinco autuações no próximo ano, por suposta sonegação de impostos internos.
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Os proprietários da Daslu, Eliana Tranchesi e seu irmão, Antônio Carlos Piva de Albuquerque, além de outros cinco importadores, são acusados de formação de quadrilha, descaminho aéreo (importação de produtos lícitos, mas de maneira irregular) e falsidade ideológica.
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Irrita qualquer um
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Do G1
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"O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse nesta sexta-feira (15), ao comentar o aumento dos salários dos parlamentares do Congresso, que é “extremamente irritante” a diferença entre o piso e o teto salarial pago ao funcionalismo público (o mesmo dos ministros do Supremo Tribunal Federal e dos congressistas).
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“O Brasil deveria ter um teto bem mais baixo do que tem. Deveríamos seguir o exemplo de países altamente desenvolvidos e que têm experiência social democrática”, disse Tarso, que participou do Seminário Reforma Política e Cidadania, realizado pela Fundação Perseu Abramo, em São Paulo.
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Nesses países, segundo o ministro, a relação entre o menor e o maior salário no regime público é de até um para sete. “Aqui no Brasil, é extremamente irritante porque reproduzimos as desigualdades (que existem fora do Estado). Acho que podemos ter uma regulamentação bem moderadora disso. Essa é uma questão que a sociedade deve colocar e sobre a qual o próprio Congresso legislar”, disse o ministro."

Os Três Pantafaçudos (*)

Por Giulio Sanmartini, no Prosa & Prosa
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Os Três Patetas (Three Stooges) eram os personagens que faziam uma comicidade duvidosa no cinema estadunidense nos anos 1940/50. Eram, como na foto: Moe (Moe Howard) e Curley (Jerome Lester Horwitz) e Larry (Larry Fine).
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Fizeram quase uma centena de curtas metragem que tiveram muito sucesso na televisão, inclusive na brasileira.
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Todavia e expressão ganhou fama em Pindorama, quando o político Ulisses Guimarães classificou os componentes da junta militar que governou o Brasil de 30 de agosto a 30 de outubro de 1969, composta pelos general, Lira Tavares, almirante Augusto Rademack e brigadeiro Marcio de Souza Melo.
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Ulisses Guimarães como presidente da Constituinte (1968) deixou uma Carta que tornou o Brasil ingovernável, tendo ainda, com a cumplicidade de Nelson Jobim (então deputado) incluído ilegalmente alguns artigos.
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Tão esperto o doutor Ulisses, que forçou um fraco piloto a decolar com seu helicóptero em condições meteorológicas desfavoráveis, vindo a morrer no acidente que essa besteira causou. Tivesse morrido somente ele, tudo bem, mas com sua patetice levou também o piloto, a mulher e um casal amigo.
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Olhando a foto ao lado que junta num só balaio Hugo Chavéz, Evo Morales e o indefectível Luiz Inácio Lula da Silva, pensei inicialmente nos Três Patetas, mas estes são muitos bons, os três presidente são mesmo três pantafaçudos
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(*) Pantafaçudo: muito estranho, excêntrico, grotesco, monstruoso

Impressões da Imprensa

Por Ronald de Carvalho, no Blog do Noblat
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Éramos felizes e não sabíamos.
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O jornalista traz a competição na musculatura de seu corpo profissional. Sua função é contar histórias e, de preferência, primeiro que os outros. Sempre competimos entre nós e vivíamos felizes nessa disputa enfezada e agressiva. Fazíamos críticas ao sucesso do outro, mas guardávamos em silêncio uma ponta de admiração e encantamento. A inveja era prima legítima do respeito e reconhecimento de talento.
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Mino Carta, esse baixinho irritante, foi o gênio que inventou o Jornal da Tarde e ensinou muita gente. Alberto Dines, autoritário e impaciente, fez do Jornal do Brasil a melhor escola de bom jornalismo. Armando Nogueira, diletante e desfrutável, criou as bases do mais competente telejornalismo brasileiro. Samuel Wainer, esperto e ambicioso, foi o primeiro a pagar salários dignos em uma redação.
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Assim foram muitos. Entre críticas ácidas e públicos reconhecimentos, todos conviviam em harmonia efusiva com tapas e beijos.
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Hoje, um fundamentalismo ideológico dividiu a todos. Em nome dos valores de um mito, as pessoas foram tomadas pela raiva. Franklin Martins não presta, Paulo Henrique Amorim é mercenário, Ricardo Kotscho ficou bobo, Ricardo Noblat, um irreverente.
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Onde ficou o Franklin inteligente e boa praça; onde o Paulo Henrique com seu texto impecável e sensibilidade sutil; Onde o Kotscho com sua alma investigativa; onde o Noblat e seu faro de repórter insaciável? Por onde andam todos, tragados pelo sectarismo e irracionalidade?
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Essa é a herança maldita que o jornalismo recebeu desses tempos de intolerância política. O mal que petismo religioso fez à imprensa é irrecuperável.
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Estamos todos divididos e assim ficaremos por muito tempo. Cada um carrega muito mais certezas do que dúvidas; muito mais respostas que perguntas.
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Assim aconteceu no stalinismo e no macartismo. Assim sucede agora nas disputas religiosas das seitas do Islã.
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O jornalismo brasileiro está condenado a ser um ofício de versões. Perdeu os objetivos da verdade na troca pelos adjetivos da crença.
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Tudo isso porque passou a viver dividido entre a confirmação ou a denúncia de um mito.
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John Kennedy, que viveu em um país onde a iconoclastia política destruiu muitos ídolos da imprensa, propôs uma reflexão que deve calar fundo na antropofagia ideológica dos jornalistas brasileiros. O grande inimigo da verdade, disse Kennedy, não é a mentira – deliberada, forjada e desonesta – mas o mito – persistente, persuasivo e irrealista.
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Em nome desse mito brasileiro do metalúrgico iletrado que chegou ao poder para dividir os privilégios da elite com a multidão de excluídos, a convicção profissional do jornalismo foi feita em pedaços.
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A troca de insultos, os insultos impensados, a falta de compostura e a agressão grosseira que se instalou na imprensa, nesse momento de paixão vermelha, embriaguês colorida ou irracionalidade azul, vitima nossa alma e mais que ninguém, o leitor.
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Somos infelizes e bem sabemos por quê.

TOQUEDEPRIMA...

Lula afirma que tudo foi controlado
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Pouco depois de dizer que precisava deixar evento da Comunidade Sul-Americana de Nações, na Bolívia, mais cedo, devido à crise aérea, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que tudo estava sob controle. Porém, um a cada três vôos saíram com atrasos de mais de uma hora. Segundo a Anac, dos 1.092 vôos previstos até as 17h, 354 sofreram atrasos; outros 32 foram cancelados.
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No Aeroporto Internacional Tom Jobim, de 88 vôos, 26 atrasaram e 5 foram cancelados. O transtorno foi atribuído ao aumento no intervalo das saídas, de 3 para 5 minutos, devido a "manutenção" na central de áudio do Cindacta 1, de 11h08 a 11h16 e de 11h25 a 11h32, quando o rádio ficou inoperante. A manutenção foi feita pelo italiano Umberto Cagni, que inspecionou o equipamento que entrou em pane terça-feira e concluiu que não houve sabotagem, mas erro de manuseio.
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Diálogo difícil de entender
O Dia online
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O cansaço dificulta qualquer conversa, mas, quando o idioma é o inglês e o diálogo é para orientar pousos e decolagens, os riscos são enormes. Piloto do Rio cita caso contado pelo especialista em fraseologia aeronáutica Daniel Celso Calazans. O professor ensina que o uso inadequado do inglês tem colocado aviões em situações de risco, como no dia em que um controlador, tentando evitar o choque entre duas aeronaves, disse a um piloto: "You should descend to FL 230" — "você deveria descer ao nível de vôo 230", ou 23 mil pés.
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Depois o controlador perceberia que o piloto mantinha o nível inicial de vôo, precisando de nova orientação para evitar a colisão. A intenção era orientar o piloto a reduzir a altitude, mas a expressão utilizada não tinha tom imperativo. Bastava dizer "desça" ou "você tem de descer". Em artigo, Calazans recorda de controlador que pôs avião em rota de colisão com outro, ao tentar desviá-lo de uma nuvem. A dificuldade em formular a frase em inglês acabou levando o controlador a dar a orientação "To avoid CB, don’t turn right (para evitar a nuvem, não vire à direita)", instrução confusa que acabou levando o piloto a virar à direita, entrando na rota de outra aeronave. A colisão foi evitada por pouco.
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Jorge Oliveira reconhece o problema e diz que a Infraero deveria oferecer cursos de inglês para elevar a fluência dos controladores, mas as aulas são esporádicas. "Deveríamos ter curso para elevar a proficiência em inglês, mas não há continuidade", critica.
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Pilotos adotarão no Brasil regra de vôo usada na África
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Duas companhias aéreas da Europa decidiram alertar seus pilotos sobre as "dúvidas de segurança no espaço aéreo" do Brasil e a orientá-los sobre novas medidas para minimizar os riscos. Uma das medidas - usada freqüentemente na África - ordena que os pilotos se distanciem lateralmente um quilômetro do centro das aerovias. Isso equivale a um motorista se afastar da faixa central em uma estrada e dirigir perto do acostamento. O distanciamento sugerido visa assegurar que, além da separação vertical, haja outra horizontal no caso de algum problema de altitude, semelhante ao que houve no choque do Legacy com a aeronave da Gol.
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A decisão foi tomada com a atual crise no controle de vôo no país. A declaração foi dada em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo por Christoph Gilgen representante da Federação Internacional dos Controladores de Tráfego Aéreo (Ifatca), que reúne mais de 50.000 profissionais em 125 países. Segundo Gilgen, a estratégia de manter distanciamento lateral é comum na África, “porque lá não há muito controle aéreo e os pilotos chegam a se autocontrolar”.
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Para ele, o controle de vôo no Brasil está "sob suspeita", mas não a ponto de a Ifatca declarar a região "perigosa" - embora a entidade tenha discutido "seriamente" essa possibilidade. "Essa idéia de declarar perigoso era forte demais. Então cada companhia está procurando medidas mais suaves para dar uma certa segurança aos pilotos, que estão preocupados."
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Província
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Jaques Wagner prometeu um secretariado com nomes nacionais, na Bahia, depois cogitou nomes estaduais e acabou montando uma equipe municipal.
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Bela saída
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Lula acertou com o presidente eleito do Equador uma “saída para o Brasil no Pacífico”. Uma saída para Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo etc.
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Mantega quis vetar Murilo
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Guido Mantega anda tão ansioso para impor os próprios indicados em cargos de sua influência que até tentou desfazer o convite a Murilo Portugal, ex-secretário-executivo da Fazenda, para ser o nº 2 do FMI. Foi preciso o espanhol Rodrigo Ratto, diretor-gerente do Fundo, lembrar a Mantega que o convite é pessoal e independe da vontade do governo brasileiro.
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Presidente do PT diz que coalizão se faz com “idéias e interesses”
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Marco Aurélio Garcia, presidente interino do PT desde o afastamento de Ricardo Berzoini pelo escândalo dossiê, sustentou nesta segunda-feira (11.12) que um governo de coalizão “se faz em torno de idéias e em torno de interesses”. Ele falava na abertura de um seminário com governadores e deputados estaduais do PT sobre o “frentão” que o presidente Lula pretende implementar em seu segundo mandato.
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“Essa idéia de que temos que diluir, pôr água no nosso programa, não é bem assim. Mas não devemos ser ingênuos de achar que governo de coalizão se faz em torno só de idéias. Se faz em torno de idéias e em torno de interesses. Às vezes é mais fácil acomodar idéias do que interesses”, justificou Garcia aos petistas..O presidente petista comentou ainda a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Ele qualificou o líder do governo na Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP) como "um bom nome, mas não é um nome 'inamovível'". Garcia ressaltou que Chinaglia "está sendo submetido à (avaliação da) coalizão”.
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Anunciado nome do novo presidente do Banco do Brasil
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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta segunda o nome do novo presidente do Banco do Brasil. Antônio Francisco de Lima Neto, funcionário de carreira da instituição, substitui Rossano Maranhão.
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Lima Neto, 41 anos, ingressou no BB em 1979 e era o vice-presidente de Varejo e Distribuição. O atual presidente, Rossano Maranhão, pediu para deixar o cargo para assumir um posto na iniciativa privada e disse que não há qualquer motivação política para deixar o cargo.
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CPI das ONGs fica para 2007
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Um acordo entre governo e oposição adiou para 2007 a criação de uma CPI para investigar o repasse de dinheiro público para ONGs.
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A CPI seria instalada nesta semana, mas funcionaria no máximo até 31 de janeiro, data em que termina esta legislatura.
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Para a recriação da CPI, a oposição precisa recolher novamente 27 assinaturas. E não terá dificuldades para tanto, desde que haja vontade, o que poucos no PFL têm demonstrado.
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Procurados
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Três dos principais ex-executivos do Banco Santos foram incluídos pela Polícia Federal na lista de foragidos da Justiça.
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São eles Mário Arcângelo Martinelli (ex-superintendente), Álvaro Zucheli Cabral (ex-diretor administrativo) e Ricardo Ferreira de Souza e Silva (ex-diretor da Santos Seguradora e sobrinho do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira).
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O trio integra a lista de cinco executivos que tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz federal Fausto Martin de Sanctis no âmbito do processo que apurou os responsáveis pela quebra do Banco Santos.

Da ingenuidade à covardia

Por José Eli da Veiga(*), em O Estado de São Paulo
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Claro que certos investimentos seriam desinibidos pela relaxação de restrições à possibilidade de depredar recursos naturais e de poluir. Tanto quanto outros o seriam pela relaxação de restrições à possibilidade de explorar crianças ou o trabalho forçado. Ou, ainda, pela relaxação de tantas outras instituições criadas no século passado para proteger as pessoas e a natureza da voracidade desse gênero de investidores.
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Como a aceleração do crescimento requer elevação da taxa de investimento de 20% para 26%, é óbvia a vantagem imediata de retrocessos sociais que removam travas impostas à apropriação “a ferro e a fogo” dos biomas nacionais.
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Não se trata de saber se a proteção legal do meio ambiente é ou não entrave ao crescimento. Afinal, o sindicato que o presidente liderou no início dos anos 1980 também o era -e é. Sob prisma tão bitolado, só se pode mesmo enxergar espetáculo de crescimento em um país dotado de amplos mercados consumidores e que não ligue nem sequer para a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
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Muito menos para uma Constituição como a de 1988. Aí está a China, onde nem existe efetivo Poder Judiciário.
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Visão menos ingênua da questão supõe entendimento dos dois padrões essenciais de crescimento econômico. O que reinou quase absoluto por mais de dez mil anos foi chamado de “extensivo” por historiadores pois espalhava os acréscimos populacionais por novas áreas geográficas, enquanto o produto aumentava no mesmo compasso. Em raras ocasiões e em poucos lugares, algumas sociedades elevaram a renda per capita mediante o aumento da produtividade total dos fatores (recursos naturais, força de trabalho e capital). Mas foram proezas passageiras, que não tardaram a decair ou colapsar. Esses surtos de crescimento “intensivo” compõem a “história das grandes civilizações”.
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Essa forma intensiva de crescimento acabou por se tornar recorrente. Isso só foi possível porque o casamento da ciência com a tecnologia multiplicou de forma exponencial a capacidade de inovação das sociedades.
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Enquanto no crescimento antigo predominava a devora de recursos naturais pela força física do trabalho humano, o alicerce do crescimento moderno passou cada vez mais a depender do uso inteligente das inovações que tornam o trabalho mais decente e qualificado, além de conservar os ecossistemas.
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Por dez milênios predominou o tutano sobre o neurônio, mas isso vem se invertendo com rapidez nos últimos 150 anos. A ponto de nada poder ser mais estranho ao padrão moderno do que a ânsia de turbinar o PIB pela depredação do patrimônio natural.
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Por isso, em vez de exigir recuo da legislação ambiental, o crescimento moderno se apóia na capacidade de inovação da sociedade, que resulta de forte interação entre a ciência e a tecnologia (C&T). O Brasil não voltará a crescer bastante, com constância e qualidade, enquanto não atribuir a seu sistema de C&T um valor ao menos equivalente ao que dá ao futebol.
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Simples miragem, claro, para uma sociedade que se faz governar por uma coalizão incapaz de desonerar a carga tributária com contenção das despesas correntes do setor público, incapaz de fazer reformas imprescindíveis (como a da Previdência), incapaz de melhorar a eficiência do sistema judiciário, de rever a CLT etc.
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Em tais circunstâncias, não passa de covardia a propensão para escolher índios, quilombolas e ambientalistas como bodes expiatórios.
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A sociedade brasileira está diante de troca intertemporal. É preciso que domine anseios ilusórios por imediatos saltos triplos do PIB para que seus filhos, netos e bisnetos tenham chance de abrir caminho ao desenvolvimento sustentável.
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Por isso, um estadista não cederia a pressões dos arautos de obsoleto padrão de crescimento. Ao contrário, adotaria uma estratégia focada em decisivos investimentos públicos no sistema de C&T. Assim, estimularia os melhores investidores privados, em vez de promover os jurássicos que querem fazer da Amazônia e do que resta do cerrado exatamente aquilo que seus pais, avós e bisavós fizeram da mata atlântica e da caatinga.
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(*) Por José Eli da Veiga, professor titular e coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental da USP e autor de, entre outros livros, “Meio Ambiente e Desenvolvimento”.

A longa noite

por Rodrigo Constantino, no Blog Diego Casagrande
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Pinochet simbolizou um período sombrio na história da América do Sul; foi uma longa noite em que as luzes da democracia desapareceram." (Presidente Lula)
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Morreu o ex-ditador chileno Augusto Pinochet. Creio que ditador algum mereça absolvição por parte de quem luta pela liberdade. O general Pinochet deve ser condenado e ponto final. Dito isto, podemos deixar as emoções e a parcialidade de lado e partir para uma análise mais fria dos fatos. São basicamente três pontos relevantes que não devem ser ignorados com a morte de Pinochet: o contexto do seu golpe; o legado econômico; e a comparação com outros ditadores curiosamente idolatrados pela esquerda.
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Comecemos pelo contexto do golpe em 1973. Salvador Allende era um revolucionário socialista que desrespeitava a Constituição chilena e lançava seu país no completo caos. Foi eleito com 36% dos votos, o que mostra que não desfrutava de amplo apoio popular. Em seguida, partiu para um aberto desrespeito às leis e às propriedades privadas. Com o tomas, avançou sobre as terras agrícolas e expropriou várias, incluindo o uso de violência. Usou brechas legais para infernizar empresas que estavam contra seu governo, montou uma espécie de guarda pessoal, aproximou-se de grupos revolucionários como o MIR, iniciou um programa de nacionalização de diversos setores da economia etc. Seu governo recebeu ajuda dos comunistas soviéticos para solapar de vez com a democracia no país. Allende, que enquanto ministro tentou adotar medidas nazistas como a eugenia, mostrou enorme desdenho pelas leis e pelo Congresso quando eleito presidente. Chegou a afirmar que o importante era a revolução socialista, não a verdade. E com suas medidas, jogou a economia chilena na completa miséria, com enorme desemprego e queda de produção, concomitante a uma galopante hiperinflação. Em resumo, eis o contexto do golpe, o que se não absolve Pinochet, serve como atenuante, posto que era isso ou o socialismo. Inexplicável mesmo é uma figura como Allende ainda ser visto como “guru” da esquerda. É preciso idolatrar muito mesmo o fracasso.
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Fora isso, não há como negar o legado econômico deixado pela era Pinochet. Os “Chicago boys” foram chamados para reformar a economia, e várias medidas colocaram o país no rumo certo. Muito ficou faltando ainda para que o Chile fosse realmente um ícone do sucesso liberal, mas o choque dado já foi suficiente para transformar o país no melhor exemplo de estabilidade da região. A previdência, privatizada por Pinochet, é estudada pelo mundo todo como caso de sucesso. Da miséria total herdada da era Allende, o Chile passou para o país com os melhores indicadores econômicos após o período Pinochet. Tanto que quando veio a abertura política, os candidatos não ousaram mexer na “vaca sagrada”, mantendo o básico da trajetória econômica. Portanto, o julgamento do período ditatorial chileno serve ao menos para corroborar, uma vez mais, com a infinita superioridade do modelo de liberdade econômica vis-à-vis o intervencionismo estatal.
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Por fim, o que é totalmente incompreensível é alguém condenar Pinochet pela ditadura mas aliviar o pior ditador de todos da vizinhança, o carniceiro cubano. Fidel Castro perde, e muito feio, simplesmente em todos os aspectos se comparado a Pinochet. Na ditadura chilena, foram mortos cerca de 3 mil pessoas, sendo que quase a metade logo no começo, numa guerra civil com comunistas. Não eram inocentes, na maioria dos casos, mas guerrilheiros tentando transformar o Chile em Cuba. Já na ditadura cubana, que ainda sobrevive depois de quase meio século, foram assassinados, por baixo, uns 20 mil inocentes. Isso para não falar dos que morreram tentando fugir da Ilha-presídio, algo inexistente no Chile, pois qualquer um poderia deixar o país livremente. Nos indicadores sociais e econômicos, o Chile de Pinochet dá uma lavada no regime cubano, onde a miséria é total. Fidel adotou um claro culto à personalidade, típico de ditadores socialistas, e trata o país como seu, pretendendo passar o poder ao irmão, enquanto o próprio Pinochet chamou eleições depois dos 17 anos no poder. Poderíamos continuar a comparação ad infinitum, mas o resultado seria sempre o mesmo: Fidel Castro é infinitamente pior que Pinochet em todos os quesitos. Logo, somente a demência explica alguém condenar Pinochet ao mesmo tempo que inocenta Fidel Castro.
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No entanto, é justamente o que faz a nossa esquerda. Pinochet é a encarnação do mal, mas Fidel compete com os santos pelo seu lugar no céu. A esquerda não agüenta viver dois segundos sequer sem os dois pesos e duas medidas. Como pode o nosso presidente falar em período sombrio, em longa noite em que as luzes da democracia desapareceram, ao mesmo tempo que idolatra seu mui amigo Fidel Castro? Será que tamanha contradição não lhe incomoda nem um pouco? Se com Pinochet o Chile viveu uma “longa noite”, com Fidel Castro Cuba ainda encontra-se completamente submersa em uma eterna sombra, onde as luzes da democracia foram totalmente apagadas. Não obstante, a morte de Pinochet é celebrada pela esquerda, mas a de Fidel, que está por vir, irá gerar enorme comoção. Faz-se necessário o consumo de muito Engov para viver num país desses...

TOQUEDEPRIMA...

Caos na aviação: os bastidores da crise
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Rodrigo Nery
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Rio - Pilotos e especialistas em aviação trazem na memória bastidor que, para leigos, é assustador. Nenhum deles gosta de precisar data dos episódios de claro risco de colisão, mas todos conhecem ao menos uma história. "No Rio, o controle já deu orientação para piloto de Boeing fazer movimento e se esqueceu dele. Só não houve acidente porque o piloto era experiente, desconfiou e por três vezes pediu confirmação dos dados, até restabelecer contato", conta aviador.
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Um oficial superior ouvido por O DIA revela estatística aterradora: o número de aeronaves executivas cresce 20% ao ano, enquanto o de operadores diminui. Presidente da Associação dos Controladores de Tráfego Aéreo do Rio, Jorge Nunes Oliveira contabiliza a falta de pessoal nos aeroportos: "O Santos Dumont opera com 4 controladores, quando o mínimo deveria ser de 6 a 8. O Tom Jobim precisa de 75, mas lá só trabalham de 40 a 48, porque uns 10 foram convocados para Brasília".
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Coronel da reserva da Aeronáutica, Franco Ferreira lembra a colisão de avião da Lufthansa com montanha na Serra das Araras, em 1979. "O controlador determinou ao piloto, que decolou do Tom Jobim, que fizesse curva à esquerda na direção da serra, mas esqueceu da aeronave, que seguiu até colidir", recorda o oficial.
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Ferreira aponta a falta de treinamento como causa de desastres e cita o que tirou a vida dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas, há 10 anos. "Gravações mostraram que o controlador pedia ao piloto informações a que ele respondia de forma errada, por não estar familiarizado com o GPS, que era novidade. Perderam 12 minutos no diálogo, em percurso de 14 minutos", disse o coronel da reserva.
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Controle pode ficar com civis
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Outro ponto fraco do setor é o militarismo do controle aéreo, marcado pela falta de jogo de cintura. "Um militar tem que comunicar o fato ao superior, que comunica ao superior etc. O civil tem autonomia para decidir", compara o sindicalista Jorge Oliveira. O piloto Célio Eugênio, do grupo interministerial que trata da crise, aponta a transferência do controle para órgão civil, subordinado à Presidência ou à ministra Dilma Rousseff.
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A maioria dos profissionais do setor critica a decisão do governo de convocar aposentados — o ministro da Defesa, Waldir Pires, admitiu que só 37 voltaram. "A profissão exige atenção e agilidade demais para quem está afastado, aumentando o risco de acidentes", diz o diretor-técnico do Sindicato dos Trabalhadores em Proteção ao Vôo, Ernandes Pereira da Silva. Oficial ouvido por O DIA compara: "Um cirurgião, ao se aposentar, ainda vai cortar alguém?".

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Nacionalistas deviam agradecer Hollywood
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Igor Gielow, Folha de São Paulo
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O aspecto mais curioso do nacionalismo brasileiro é que ele se manifesta por conta dos motivos mais risíveis. Como uma dermatite dormente, só explode em comichão de tempos em tempos, reagindo a "ameaças". Os defensores da nação brasileira agora miram alvo fácil, um filmeco B. "Turistas" mostra uma terra de ninguém em que você pode se dar mal na mão dos locais e acabar sem um rim, talvez coisa pior.
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Estereótipos? Bravo nacionalista, passe a noite numa "no-go area" de qualquer cidade brasileira e me conte depois. O filme fantasia sobre eventos que estão no noticiário. A realidade não o incomoda? Ah, mas você usou a camisa do "Eu sou da paz" quando foi moda, ou quando a realidade tocou alguém próximo. Mas sem sair do shopping, ou do jipão blindado, não é? No máximo, deu um trocado para o projeto que um amigo do amigo seu toca naquela favela -qual mesmo?.
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"Turistas" deve ser tolo, trash. Não sei, só li a respeito. Mas absurdo é acreditar que isso, e não a indecência do nosso cotidiano, irá manchar a imagem pátria. É como se o ótimo "Massacre da Serra Elétrica" (1974) o levasse a crer que o Texas é uma terra de canibais. Há vários motivos para não ir à terra dos Bush, mas medo de virar almoço não é um deles.
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O nacionalismo local é burlesco, o que acaba sendo algo bom. Nacionalismo é perigoso. A lista de "ismos" associados a ele fala por si só: fascismo, nazismo, jacobinismo, imperialismo, comunismo e afins.
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Nossa variante é tão fajuta que apareceu só depois da formação do Estado nacional, com certeza por ser bom negócio. De tempos em tempos, volta: Estado Novo, ditadura militar e, agora, no governo Lula. Dificilmente haveria um presidente mais adequado para o clima de boicote xenofóbico.Afinal de contas, Lula não gosta de jornalista gringo que não fale bem do governo (na verdade, não gosta de nenhum que não fale bem), estimula empresa amiga a dizer que "sou brasileira, com muito orgulho", diz que "brasileiro não desiste nunca", exalta a trinca cachaça-feijoada-pagodinho e até torrou US$ 10 milhões para levar um brazuca de carona ao espaço. Na terra dos mensalões, a jequice desfila livre.
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Espera-se que Lula não repita FHC e perca seu tempo passando recibo, como o tucano fez com quando os "Simpsons" avacalharam o Rio. Alguém pode perceber, e verá que a matéria-prima para a crítica abunda. Os nacionalistas deviam é agradecer o fato de que Hollywood não nos leva a sério.
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Bebê Seqüestrado
Burocracia impede mãe de levar filho de volta para casa

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"DO AGORA"
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Após o susto de ter o filho roubado e a alegria de reencontrá-lo, Eliene Brandão de Souza, 34, ainda não conseguiu levá-lo para casa. O hospital onde Gabriel está exige documento que comprove a maternidade. O bebê, de 23 dias, não foi registrado porque ela queria perguntar ao pai dele, que está preso, se ele gostaria de emprestar o sobrenome.
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Índio deve se cuidar
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Do Blog Alerta Total
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O índio Evo Morales está com os dias contados no poder da Bolívia.
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E deve tomar cuidado para que não sofra qualquer “acidente” ou “fique doente”, de repente.
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Álvaro Garcia Linera, vice-presidente da Bolívia, que já foi radical e guerrilheiro, quer tirar o cacique Evo da presidência.
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A manobra golpista conta com o apoio de venezuelanos e cubanos, que consideram Evo incompetente para implantar o “socialismo” na Bolívia.
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Como o Alerta Total informou semanas atrás, a manobra para derrubar Evo Morales contaria com o apoio financeiro das grandes petroleiras, como a British Gás, a Shell e até a brasileira Petrobrás - o que pareceria, à primeira vista, uma notícia absurda.
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Oposição se intensifica
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O grande problema de Morales é não dar conta da oposição.
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Nesta sexta-feira, ocorre a votação sobre a autonomia dos departamentos (estados) de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija.
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Se esses departamentos da media Luna se declararem autônomos, 80% do PIB boliviano ficará nas mãos dos Cívicos (opositores de Morales).
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Por isso, numa manobra radical, não será surpresa se Linera virar presidente da Bolívia na semana que vem.

A manifestação do Mal

Por Márcio Accioly, no Alerta Total
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Torturador, assassino, covarde e ladrão. Os adjetivos adornam, à perfeição, a personalidade sinistra do general Augusto Pinochet, sanguinário ditador do Chile (1973-90), quando assumiu o poder depois de chefiar golpe militar que derrubou Salvador Allende (1970-73). Pinochet morreu domingo.
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Mas, responsabilizá-lo sozinho é conferir crédito além da medida a um facínora que jamais conseguiria se movimentar além da extensão dos cordéis manipulados por seus patrocinadores, à frente os EUA.
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É como dizer que Adolfo Hitler é o único culpado pelas atrocidades cometidas contra o povo judeu, durante a Segunda Guerra Mundial.
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Ou afirmar que a chacina ora cometida contra a população civil iraquiana, na mutilação e extermínio indiscriminado de homens, mulheres e crianças (por conta de milhares de bombas despejadas sob as ordens do presidente norte-americano, George Bush), deve-se, tão-somente, a crimes anteriores praticados por Saddam Hussein.
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Quando ainda se respirava o ar da chamada guerra fria, tudo se permitia para impedir o avanço de ideologias estranhas no quintal de cada qual. No “bloco comunista”, a extinta União Soviética cuidava de seus interesses com mão de ferro, ameaçando e invadindo países satélites que rejeitassem seguir sua cartilha..No bloco ocidental (sob disfarce de sistema democrático cuja representação se conquista a peso de ouro), nuvens negras se abateram sobre o continente sul-americano (no final dos anos 60). Mesmo com a “redemocratização” do poente do século, os crimes cometidos permanecem impunes, com a hipocrisia emitindo sinais de vitória.
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O então deputado federal Chico Pinto, em 1974, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal e preso por seis meses (com base na Lei de Segurança Nacional), por ter feito discurso na tribuna onde chamou Pinochet de “assassino”..O parlamentar não sabia que o general era também ladrão. No ano de 2004, o Senado norte-americano revelou contas secretas mantidas por Augusto Pinochet nas instituições financeiras da terra do Tio Sam, nas quais milhões de dólares circularam.
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E o ex-ditador, recentemente declarado “demente” pela (in) justiça de seu país, foi reabilitado judicialmente como “são”, sem sofrer embora qualquer condenação por crimes cometidos.
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Hoje, ainda se aguarda a reforma daquela sentença esdrúxula, depois de confirmada a veracidade das palavras de Chico Pinto.
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É um mundo louco esse em que o único animal aparentemente capaz de raciocinar insiste em aprimorar estratagemas e esquemas com a finalidade única de subjugar o semelhante. As religiões pregam a paz, mas seus seguidores agem com violência. As instituições, de maneira geral, vão em sentido contrário às proposições.
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O que se percebe no mundo todo é o Estado ser conduzido por quadrilheiros que pregam determinadas regras, mas seguem na direção oposta. Eles nada têm a ver com os ditos representados, pois alcançam o poder depois de tantas manobras e circunvoluções que nada mais resta da identidade original.
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Nos anos de chumbo das ditaduras no nosso continente, a maioria dos militares foi confundida e usada pela mesma inteligência manipuladora que elegeu o lucro como deus supremo, sem se importar com os desastres causados. Mudam-se as máscaras, os objetivos permanecem.
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O general Augusto Pinochet foi apenas uma pequena peça na aviltante engrenagem da miséria humana. A existência nos condena a tal degradante convivência.
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Márcio Accioly é jornalista.

Onde está o partido do Brasil?

Por Adriano Benayon (*), no Alerta Total
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O que cresce são as transferências de recursos para o exterior, a deterioração da política, o arrasamento cultural e a manipulação ideológica. Ou seja: ao mesmo tempo em se agigantam os males socioeconômicos, vai minguando o entendimento de suas causas. Ora, diagnóstico errado significa campo para a doença agravar-se. Sintomático desse quadro é o “affaire” Ustra.
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Criou-se uma indústria de indenizações milionárias em favor de pessoas que combateram os governos militares, e agora, configura-se a tendência a considerar inconstitucional a Lei da Anistia, para pôr no banco dos réus os acusados de autorizar e de praticar torturas, como se está fazendo na Argentina..A reação a isso na grande maioria das Forças Armadas é fortalecer-lhes o espírito corporativo, de há muito nutrido por convicções como:
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1) o movimento de 1964 teria salvo o Brasil do comunismo;
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2) correntes de esquerda pegaram em armas, e a repressão fez parte de uma guerra;
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3) os governos militares demonstraram competência muito superior aos dos da Nova República, comparando-se as taxas de crescimento do PIB.
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De outra feita poder-se-ia discutir o que há de certo e de errado nessas idéias. No imediato, temos de nos preocupar com o fato de se estar radicalizando a questão “direita versus esquerda”. A quem interessa aprofundar os dissensos entre brasileiros, senão aos grupos hegemônicos mundiais que intensificam o saqueio das riquezas do País?
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Em 1964, o resultado foi pôr a política econômica a serviço da consolidação do poder das transnacionais sobre o mercado brasileiro. Sob o comando de Roberto Campos, indicado a Castelo Branco pela oligarquia anglo-americana, foram inviabilizadas muitas das melhores empresas nacionais. Nova dizimação ocorreu de 1979 a 1983, sob Simonsen e Delfin Neto, com a crise da dívida administrada segundo os ditames dos “credores”.
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Mas, apesar de a Fazenda, o Banco Central etc. nunca terem saído das mãos da oligarquia financeira mundial, os governos militares foram, na média, à exceção de 1964 a 1966, menos deletérios que os da Nova República, todos subordinados ao “serviço da dívida”, de resto privilegiado na Constituição, em 1988, por meio de estelionato, ou seja, de uma inserção contrabandeada para dentro do Texto.
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Que quer dizer tudo isso? Que, depois de ter suscitado a mudança do regime e de ter transformado as estruturas, passando o controle dos meios de produção e do mercado às transnacionais, o sistema de poder oligárquico estrangeiro pôde ampliar, ainda mais profunda e rapidamente, sua máquina de sugação de recursos, a partir da reorganização política dos anos 80. Em outras palavras, o domínio exercido por esse sistema tornou-se maior sob a pseudodemocracia do que sob o regime militar.
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De fato, as eleições dependem de recursos financeiros, mais concentrados que nunca, e dos meios de comunicação, tendo o cúmulo do poder totalitário sido atingido com a urna eletrônica e a supressão do voto impresso. Muitos oficiais das FFAA equivocam-se ao pensar que o descalabro produzido de 1985 ao presente: .
1) começou nesse ponto;
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2) decorreu do sistema democrático (que não existe);
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3) foi causado por políticos de esquerda.
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Nem Sarney nem Collor, nem FHC ou Lula são de esquerda. Estes dois confirmam a definição de Karl Mannheim, de que ideologia é tese a serviço de interesses. Pertencem ao partido contrário à independência nacional - e que a considera impossível - de que falava Barbosa Lima Sobrinho. Não obstante, intelectuais ligados a serviços secretos estrangeiros, - bem como a maioria da oficialidade, que lhes dá crédito - dizem que Lula atua em função de uma estratégia gramcista, cujo objetivo seria implantar um regime socialista.
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Isso não deve ser descartado, mas o mais provável é que o núcleo de poder petista tenha transformado o objetivo de locupletar-se em um fim em si mesmo. De resto, falta-lhes estofo para enfrentar os magnatas. Como quer que seja, o que está acontecendo é pior que um governo socialista, pois leva à liquidação da nacionalidade.
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Esse processo, acelerado nos últimos 21 anos, tem de ser sustado, já que o País está sendo não apenas espoliado, mas descaracterizado, com a deliberada deformação cultural e de valores, a cargo do marketing transnacional, que está criando um povo de escravos.
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(*)Adriano Benayon é Doutor em Economia, Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”.

A amizade dos ex-esquerdistas Lula e Delfim e a ética da raposinha

Por Reinaldo Azevedo
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Lula pode não ter lido O Príncipe, mas aprendeu direitinho a lição da raposinha de O Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Ora se deu que o Raposão (não fica bem associar um vulto histórico a um diminutivo) cativou o deputado Delfim Netto (PMDB-SP), ex-socialista fabiano, ex-guru da ditadura, atualmente mestre-escola do lulismo. Os dois caminharam, como sabemos, para “o centro”. Lula já fez 60 e não é bobo de continuar esquerdista, não é mesmo? Ele não tem esse “problema”. Um caso relativamente recente ilustra bem como a amizade faz prosperar a governança. Delfim atuou firmemente para que o governo despaiz deixasse de lado besteiras como licitação, por exemplo. Poderíamos mesmo dizer que se trata de mais um dos entraves para o crescimento. Delfim sabe muito bem como a democracia pode atrapalhar o Brasil.
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Vocês já ouviram falar de “portos secos”? A Receita Federal explica o que é: “São recintos alfandegados de uso público, situados em zona secundária, nos quais são executadas operações de movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias e de bagagem, sob controle aduaneiro. (...)No porto seco são também executados todos os serviços aduaneiros a cargo da Secretaria da Receita Federal, inclusive os de processamento de despacho aduaneiro de importação e de exportação (conferência e desembaraço aduaneiros), permitindo, assim, a interiorização desses serviços no País.”
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A atividade é regulada por uma porção de leis e portarias. Até que alguém começasse a achar que a exigência de licitação — processos, como sabem, públicos e transparentes (ou assim deveriam ser) — atrapalhava o andamento destepaiz. O projeto de lei 6370/05 eliminava a exigência da licitação. O governo não teve dúvida, como sempre. Já que não vai na lei, vai na marra. E baixou uma Medida Provisória, a de nº 320/06. Quem atuou para tanto? Voltamos à máxima da raposinha — ou do raposão. Informa o noticiário de agosto: “Segundo a deputada federal Mariângela Duarte (PT-SP), conversas com colegas parlamentares revelam que a ministra [Dilma Rousseff] ‘’já comprou a idéia de transformar o PL em MP’’. Ela afirmou que a estratégia já vem sendo operacionalizada na Casa Civil. ‘O Delfim Netto praticamente fechou o cerco para viabilizar a MP. Ele conversou com um representante do Ministério da Fazenda, que tem trânsito com os deputados na Câmara, com os ministros Guido Mantega (Fazenda), Furlan (Planejamento) e a própria Dilma e, também, com o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid’, relatou a parlamentar.”
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No dia 22 do mês passado, a Câmara aprovou a MP. O crescimento poderia deslanchar, amigos. Os portos secos não precisariam mais de licitação. Bastaria que a Receita concedesse uma permissão às empresas, sem a necessidade de pregão. É isso aí. Lula já se disse contrário a privatizações — todas elas feitas, como se sabe, por meio de leilão público. O que precisamos mesmo é de um governo de permissionários. E de permissivos.
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Como disse Carlos Drummond, “a amizade salta o vale, o muro, o abismo do infinito”.

Eles são tudo de bom

Por Percival Puggina, para jornal Zero Hora
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Acabo de ler um livro recém lançado na Itália, país onde vários setores de atividade estão sendo afetados pelo furacão chinês. O autor de "Chi ha paura della Cina" ("Quem tem medo da China"), Francesco Sisci, é um jornalista nascido na Puglia, que há mais de duas décadas decidiu mudar-se para Beijing. Lá, além de correspondente da Stampa, tornou-se o primeiro estrangeiro a integrar a Escola Superior da Academia Chinesa de Ciências Sociais. Pode-se questionar os conceitos que inspiram a obra, mas não parece sensato duvidar das informações que presta. O livro, cujo título contraria o texto, é assustador, pois mostra que está em curso um processo de transformação global como os que sucederam ao desmanche do Império Romano, às Grandes Navegações e à Revolução Industrial. Com a enorme diferença de que transcorre num mundo muito mais populoso, menor e veloz.
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Sisci sustenta a idéia de que Mao foi uma bênção para o Ocidente. Em 1949, observa ele, os PIB da China e do Japão se equivaliam. Um quarto de século mais tarde, graças ao comunismo, o PIB chinês era uma nona parte do japonês. Houvesse evoluído no ritmo de Taiwan, por exemplo, já em fins dos anos 70 a economia chinesa teria superado a norte-americana e é inimaginável o que teria ocorrido com a geopolítica planetária. Pois é exatamente isso que vem por aí. Estima-se que dentro de 14 anos, mantidos os ritmos atuais, a economia chinesa alcançará um porte igual à ianque, e manterá um potencial de crescimento muito superior: 80% do atual PIB chinês é produzido por 400 milhões de trabalhadores, mas o país tem um bilhão na fila de espera. E a Índia entrou na mesma balada, com suas taxas avançando de modo consistente, já se aproximando dos 10% anuais, e se perfilando como potência produtiva e consumidora. A Índia, caro leitor, chegará à metade do século com dois bilhões de habitantes. E nesse momento – se as coisas andarem bem no Ocidente – a Ásia responderá por bem mais de dois terços do PIB do planeta.
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No início deste milênio, dizia-se que o futuro da economia mundial se inclinava para um bloco que recebeu a alcunha de BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Dos quatro, o Brasil é o único que ficou parado no box porque marcou encontro com o passado. E compareceu. Nos últimos seis anos, enquanto a economia chinesa dobrava de tamanho, a nossa avançou esquálidos 17%. Lula pede que não lhe perguntem como isso vai mudar e Fernando Henrique Cardoso arruma o nó da gravata para seu quarto mandato.
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Estou exagerando? Leia em ZH da última terça-feira, página 20, a matéria sobre os países em desenvolvimento. Ali poderá ver, em números, o que nos separa das potências mundiais emergentes. Só faltaria acrescentar que chegamos ao fim de 2006 crescendo, outra vez, menos de 3% (e apenas 0,5% no último trimestre). Mas convencidos de que Mao, Lênin, Che, e seus discípulos Chávez, Evo e Lula, são tudo de bom.