Por Fabio Grecchi, na Tribuna de Imprensa
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No caso de Augusto Pinochet, o crime compensou. Aqueles que saíram às ruas de várias cidades chilenas, domingo, para festejar, não se deram conta de que, com a partida do general para o inferno, jamais respondeu à Justiça dos homens pelas barbaridades que cometeu. Até ao contrário: na sua cabeça psicótica, deve ter acreditado até o final na justeza de seus atos. Provavelmente achava que o Chile deveria ser eternamente grato ao genocídio que promoveu.
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No caso de Augusto Pinochet, o crime compensou. Aqueles que saíram às ruas de várias cidades chilenas, domingo, para festejar, não se deram conta de que, com a partida do general para o inferno, jamais respondeu à Justiça dos homens pelas barbaridades que cometeu. Até ao contrário: na sua cabeça psicótica, deve ter acreditado até o final na justeza de seus atos. Provavelmente achava que o Chile deveria ser eternamente grato ao genocídio que promoveu.
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Deveriam, todos, temer as ironias da História. E trabalhar para que a morte nem absolvesse os facínoras, tampouco igualasse vítimas de algozes.
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Slobodan Milosevic paga pela limpeza étnica que pensou um dia em fazer na Bósnia, livrando-a dos muçulmanos. No massacre de Ruanda, os tutsis não passaram incólumes ao terrível assassinato maciço de hutus. Saddam Hussein, que até tem despertado simpatias por causa da situação caótica na qual mergulhou o Iraque, tem que ser condenado pela morte de curdos e de xiitas, durante as décadas em que tornou o país sua sala particular de tortura.
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As Nações Unidas têm uma iniciativa fabulosa, a de transformar as flácidas leis da anistia em leis da verdade. Aquilo que é iniciativa de uns poucos e corajosos países - sobretudo a Argentina - seria adotado por todos para que uma pesada pedra não absolvesse, pelo silêncio, os psicopatas que se divertiam barbarizando pessoas em nome de um regime político qualquer.
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Os Estados Unidos é um dos países que não querem este ajuste de contas: promotor de algumas das mais violentas ditaduras na América Latina, na África e na Ásia, teme ser confrontado com seu passado de desmando em casa alheia.
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Inclusive, vários de seus personagens hoje vivem uma espécie de prisão domiciliar em seu próprio território. É o caso do ex-secretário de Estado Henry Kissinger, que não pode sair dos EUA para parte alguma do mundo, pois corre o risco de ser preso. E julgado por sua ativa participação em golpes militares como o do próprio Pinochet.
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Mas se a iniciativa da ONU parece um sonho de justiça distante demais, os países podem se reencontrar com seu passado. Se a Argentina, com Kirchner, pôde, por que aqui, com Lula, não podemos? Desde Fernando Henrique Cardoso são muitos os nomes de personagens de peso do governo que sofreram nas mãos do regime militar. As reações contrárias, daqueles que de alguma forma acham isto assunto superado, são sempre iguais, mas com o passar do tempo são vencidas pelo clamor popular.
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Enquanto nos faltar coragem para dar aos assassinos, torturadores, a punição que merecem depois de passarem pelas cortes de Justiça, estaremos sempre perto de vê-los gargalhar de todos. Afinal, se já não riem pelo silêncio de que desfrutam, vão se comprazer ao não serem alcançados por nós assim que descerem à tumba.
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Slobodan Milosevic paga pela limpeza étnica que pensou um dia em fazer na Bósnia, livrando-a dos muçulmanos. No massacre de Ruanda, os tutsis não passaram incólumes ao terrível assassinato maciço de hutus. Saddam Hussein, que até tem despertado simpatias por causa da situação caótica na qual mergulhou o Iraque, tem que ser condenado pela morte de curdos e de xiitas, durante as décadas em que tornou o país sua sala particular de tortura.
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As Nações Unidas têm uma iniciativa fabulosa, a de transformar as flácidas leis da anistia em leis da verdade. Aquilo que é iniciativa de uns poucos e corajosos países - sobretudo a Argentina - seria adotado por todos para que uma pesada pedra não absolvesse, pelo silêncio, os psicopatas que se divertiam barbarizando pessoas em nome de um regime político qualquer.
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Os Estados Unidos é um dos países que não querem este ajuste de contas: promotor de algumas das mais violentas ditaduras na América Latina, na África e na Ásia, teme ser confrontado com seu passado de desmando em casa alheia.
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Inclusive, vários de seus personagens hoje vivem uma espécie de prisão domiciliar em seu próprio território. É o caso do ex-secretário de Estado Henry Kissinger, que não pode sair dos EUA para parte alguma do mundo, pois corre o risco de ser preso. E julgado por sua ativa participação em golpes militares como o do próprio Pinochet.
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Mas se a iniciativa da ONU parece um sonho de justiça distante demais, os países podem se reencontrar com seu passado. Se a Argentina, com Kirchner, pôde, por que aqui, com Lula, não podemos? Desde Fernando Henrique Cardoso são muitos os nomes de personagens de peso do governo que sofreram nas mãos do regime militar. As reações contrárias, daqueles que de alguma forma acham isto assunto superado, são sempre iguais, mas com o passar do tempo são vencidas pelo clamor popular.
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Enquanto nos faltar coragem para dar aos assassinos, torturadores, a punição que merecem depois de passarem pelas cortes de Justiça, estaremos sempre perto de vê-los gargalhar de todos. Afinal, se já não riem pelo silêncio de que desfrutam, vão se comprazer ao não serem alcançados por nós assim que descerem à tumba.