quarta-feira, julho 24, 2013

E tudo na frente do papa

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

O papa Francisco viu tudo - mas, homem educado e gentil, fará aos brasileiros a gentileza de esquecer aquilo que viu.

O papa percebeu, antes ainda de descer no Brasil, o quanto um Governo pode ser grosseiro. A presidente Dilma não se deu ao trabalho de chegar ao Rio mais cedo, para receber o visitante. Saiu de Brasília na última hora. Para que o protocolo se cumprisse, o avião do papa precisou dar voltas sobre Valença, no Estado do Rio, esperando que o avião de Dilma pousasse antes e ela pudesse recebê-lo.

O papa sentiu, já no Brasil, o quanto a falta de noção resvala para a inconveniência. Aos 76 anos, depois de viajar de Roma ao Rio, depois de enfrentar o trânsito carioca, teve de ouvir meia hora de discurso eleitoral da anfitriã a respeito das maravilhas de seu Governo - justo Francisco, que nem vota no Brasil! Como comparação: seu próprio discurso, bonito e preciso, durou 15 minutos.

O papa viu que a loucura por uma foto a seu lado (que terá, sem dúvida, alto valor eleitoral) superou qualquer outra consideração. Cardeais, arcebispos e bispos não tiveram oportunidade, no Palácio Guanabara, de aproximar-se de seu dirigente espiritual: todos os espaços estavam ocupados por José Eduardo Cardozo, Renan Calheiros, Henrique Alves, os próceres de sempre da República.

O papa foi testemunha próxima de uma imensa grosseria: o presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, o cumprimentou e, em seguida, passou direto pela presidente Dilma, sem olhá-la. Foi um desrespeito à mulher e à presidente. 

Guerra aberta
É fato que boa parte do Governo concentra esforços em tentar desmontar a imagem do ministro Joaquim Barbosa, considerado uma ameaça à reeleição da presidente. Os jornalistas de sempre se dedicam a divulgar que o ministro costuma almoçar e jantar, e que isso é um escândalo inominável num país em que - antes da salvação trazida pelos Governos petistas - havia gente passando fome. 

Mas a causa da imperdoável descortesia do ministro, ao negar cumprimento à presidente, vem sendo atribuída à história do apartamento de quarto e sala que comprou em Miami. Atribui-se ao Governo Federal a entrega à imprensa de informações (por lei, sigilosas) sobre a forma de compra do imóvel nos EUA. 

A voz do poeta
O grande Olavo Bilac é o autor frase pinçada pelo portal jurídico Migalhas(www.migalhas.com.br): "Há indivíduos que, quando vão a um teatro, levam para lá a sua melhor sobrecasaca, mas deixam em casa toda a sua educação."

As confissões
Nesta sexta, o papa ouvirá a confissão de três brasileiros, na Quinta da Boa Vista. Nada de política na cerimônia: cada um terá três minutos para a confissão. 

Dificilmente se encontrará político capaz de confessar-se em três minutos.

Os novos milagres
Já há piadas sobre a visita do papa e os milagres a ele atribuídos. Ficou preso num congestionamento no Rio, de janela aberta, e não foi assaltado; cumprimentou toda aquela gente importante que vimos na TV e continua com seu anel de prata; fez com que o governador Sérgio Cabral andasse de carro; foi fotografado sem que a cabeça do ministro Mercadante aparecesse em seu ombro direito. 

Os velhos milagres
Religião é coisa forte. Há muitos anos, um grande jornalista, conhecidíssimo, viajou à França, com passagem por Lourdes. A família inteira, religiosa, lhe pediu que trouxesse água benta do Santuário. Ele, claro, esqueceu. Quando as tias lhe pediram a água benta, comprou diversos frascos, encheu-os com água comum e os entregou como se fossem de Lourdes. A família inteira ficou felicíssima. 

E logo no dia seguinte já havia notícias de cura, graças à sua água benta.

O milagre do Homem Novo
O papa é argentino, Deus é brasileiro e o dom da dupla idade é coisa nossa. O ministro Raimundo Carreiro, do Tribunal de Contas da União, foi em outros tempos secretário-geral da Mesa do Senado. Aposentou-se em março de 2007, obviamente com vencimentos integrais, por ter completado 60 anos. Em seguida, foi nomeado para o TCU. Deveria aposentar-se por idade aos 70 anos, em 2016 - mas, com isso, perderia a chance de ser presidente do tribunal. Resolveu o problema de maneira simples: entrou na Justiça do Maranhão para corrigir a data de seu nascimento, que passou de 1946 para 1948. Assim, só precisará aposentar-se em 2018, podendo presidir o TCU. Perfeito? Quase: e a aposentadoria por idade, no Senado? Teria de ser anulada, já que ele era mais jovem do que se imaginava? Ou, pelo menos, teria de devolver dois anos de vencimentos integrais aos quais não fizera jus? Nada disso: fica tudo na mesma. 

Para o Senado, ele nasceu em 1946; para o TCU, em 1948. E o cidadão paga o presente pelos dois aniversários. 

Agora, vai! 
O governador paulista Geraldo Alckmin assinou o decreto 59.374, alterando o nome da Divisão de Investigações sobre Infrações contra o Meio Ambiente para Divisão de Investigações sobre Infrações de Maus Tratos a Animais e Demais Infrações do Meio Ambiente. Pronto: todos os problemas estão resolvidos.

carlos@brickmann.com.br 
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O papa e o palanque de Dilma

O Estado de S.Paulo

Fiel à ideia, por ela mesma proclamada, de que em campanha eleitoral é permitido fazer "o diabo", a presidente Dilma Rousseff transformou seu encontro protocolar com o papa Francisco num ato de palanque. Esse comportamento condiz perfeitamente com um governo fundado em artimanhas marqueteiras e disposto a fazer de tudo para recuperar a popularidade perdida.

Em lugar de dirigir algumas palavras de boas-vindas ao papa e desejar-lhe sucesso na Jornada Mundial da Juventude, Dilma fez um discurso mais longo que o do próprio pontífice, o que já foi, em si, um despropósito. Em seu pronunciamento, a presidente Dilma Rousseff empenhou-se não em recepcionar o papa, mas em explorar a figura do pontífice para fazer o elogio dos governos lulopetistas e reafirmar sua missão quase mística de salvar os miseráveis de todo o mundo.

"O Brasil muito se orgulha de ter alcançado extraordinários resultados nos últimos dez anos na redução da pobreza, na superação da miséria e na garantia da segurança alimentar à nossa população", discursou Dilma, reafirmando o evangelho petista segundo o qual só houve avanços sociais "nos últimos dez anos" e que, antes disso, só havia trevas.

Investida da condição de missionária, Dilma destacou também que seu governo "tem buscado apoiar a disseminação das experiências brasileiras em outros países", como o Bolsa Família, o programa assistencialista que deveria ser apenas temporário, mas que vai se perpetuando graças à incapacidade do governo de criar condições para que seus beneficiários possam dele abrir mão.

Em seguida, a presidente achou adequado convidar Francisco a integrar uma "ampla aliança global de combate à fome e à pobreza, uma aliança de solidariedade, uma aliança de cooperação e humanitarismo", naturalmente liderada pelo messianismo lulista.

A título de dar razão à voz dos jovens que saíram às ruas em protestos, Dilma tornou a dizer que as manifestações foram o efeito da melhoria de vida dos brasileiros, pois "inclusão social provoca cobrança de mais inclusão social, qualidade de vida desperta anseios por mais qualidade de vida". E então a presidente e candidata à reeleição fez escancaradas promessas de campanha: "Para nós, todos os avanços que conquistamos são só um começo. Nossa estratégia de desenvolvimento sempre vai exigir mais, tal como querem todos os brasileiros e todas as brasileiras. Exigem de nós aceleração e aprofundamento das mudanças que iniciamos há dez anos". Só faltou entregar um santinho a Francisco e pedir-lhe voto.

O contraste com o sereno discurso do papa acentuou ainda mais o deslocamento da fala eleitoreira de Dilma. Em seu rápido pronunciamento, Francisco não fez menção aos protestos nas ruas nem a questões políticas, preferindo dirigir-se aos jovens e deixando claro que sua visita tem caráter eminentemente religioso. Ele disse que a juventude é "a janela pela qual o futuro entra no mundo" e cobrou de sua geração que dê aos jovens condições para seu pleno desenvolvimento intelectual, material e moral.

"Não trago nem ouro nem prata", disse Francisco, repetindo fala de São Pedro, o primeiro papa, para enfatizar o despojamento de seu papado e a necessidade de retomar a essência dos valores espirituais. Segundo o Vaticano, essa mensagem norteará os discursos de Francisco sobre temas políticos, nos quais refutará "a opressão de interesses egoístas".

Em outras oportunidades, quando ainda era o cardeal Jorge Mario Bergoglio, o papa já criticou a substituição da política pela mera propaganda. "Endeusamos a estatística e o marketing", disse Bergoglio, no que poderia ser uma descrição dos governos lulopetistas. Para ele, "seria necessário distinguir entre a Política com P maiúsculo e a política com P minúsculo".

Como Francisco deve ter percebido logo em seu primeiro dia no Brasil, é longo o caminho para o resgate da política como atividade nobre, para, em suas palavras, acentuar valores "sem se imiscuir na pequenez da política partidária".

Francisco bota fé no povo

Elio Gaspari
O Globo

O Papa ensinou a um país de tropas de choque que as ruas são um lugar de todos e não é nelas que mora o perigo

No primeiro dia de sua visita Francisco lavou a alma do Brasil. Engarrafado na Presidente Vargas, num carro com a janela aberta, acariciou uma criança. Era apenas um homem que não tem medo do povo. Percorreu a muy leal cidade de São Sebastião em cenas inesquecíveis. Seu percurso não foi demarcado pelos batalhões de choque, mas por cordões de jovens voluntários, com camisetas amarelas (oh, que saudades da cor das Diretas Já).

Pouco depois, o Papa estava no jardim do Palácio Guanabara, num cenário cavernoso, com o prédio protegido pelo Batalhão de Choque. Submeteram-no a um protocolo redundante, obrigando-o a apertar as mãos de pessoas que já havia cumprimentado na Base Aérea. Havia hierarcas que ganhavam beijinho da doutora Dilma e ai daqueles que saíram só com o aperto de mão. (Noves fora o ministro Joaquim Barbosa, que passou batido pela chefe do Poder Executivo. Ele não faria isso com o prefeito de Miami.) No Guanabara estava a turma do andar de cima. Nela havia gente que, tendo ouro e prata, anda protegida por seguranças pagos pela patuleia da Presidente Vargas.

Até o momento em que Francisco chegou ao Rio o país viveu o clima neurastênico, no qual confundia-se uma peregrinação da fé com uma operação militar que, avaliada pela sua própria pretensão, foi uma catedral de inépcia. Vinte e cinco mil homens da polícia e das Forças Armadas para proteger o Papa. De quem? Num dos momentos mais ridículos já ocorridos em visitas do gênero, um soldado foi fotografado verificando o nível de radioatividade do quarto de Francisco em Aparecida. Os sábios da demofobia planejaram tudo e, como sucede a milhares de cariocas, o Papa acabou engarrafado na Presidente Vargas. Evidentemente, a prefeitura responsabilizou a Polícia Federal e a Polícia Federal responsabilizou a prefeitura, mas isso não é novidade. Para alegria de quem estava na avenida, deu tudo errado e eles puderam ver o Papa de perto.

Todos os detalhes da neurastenia foram conscientes, da divulgação do aparato de segurança à exposição de temores com manifestações. Nenhuma das duas iniciativas era necessária. A exaltação da máquina policial é uma indiscrição, a menos que seu objetivo seja apenas causar temor. Os distúrbios ocorridos nas cercanias do Palácio Guanabara faziam parte do cotidiano do governador Sérgio Cabral, não da rotina de Francisco. Nesse sentido, a janela aberta do carro, o papamóvel com as laterais livres e o cordão dos voluntários vinham da agenda da Igreja, botando fé no povo e nos jovens.

Num discurso impróprio, a doutora Dilma referiu-se às "mudanças que iniciamos há dez anos". Louvava a década de pontificado petista diante de um pastor cujo mandato começou há 2013 anos. Não entenderam nada.

O Brasil é uma democracia que passa por momentos de saudável tensão. Os hierarcas de Brasília e do Rio celebraram a suposta eficácia de geringonças eletrônicas (com contratos milionários) e, inexplicavelmente, ecoaram a demofobia e os rituais dos comissários poloneses durante a visita de João Paulo II a Varsóvia, em 1979. Onde havia fé, viram jogos de poder. Perderam uma santa oportunidade de celebrar a fé dos peregrinos baixar as tensões que envenenam a política nacional.

Discurso errado na hora errada

Eliane Cantanhêde
Folha de São Paulo

BRASÍLIA - O encontro com o papa Francisco no Rio foi a grande chance de Dilma Rousseff aparecer bem desde que a economia derrubou 8 pontos de sua popularidade e as manifestações lhe roubaram outros 27. No mínimo, ela ganhou uma excelente foto, num dia em que as pessoas foram às ruas felizes por receber o papa --e não só para reclamar.

Nesse momento de profunda descrença nos partidos e muita crença na chegada de um papa que simboliza ruptura e humildade, o contraste só pode ter sido proposital: com o mesmo voluntarismo de sempre, Dilma não foi à reunião do diretório do PT por um motivo pueril, numa clara provocação, e foi ao papa com um discurso político e fora de lugar.

Digamos que Francisco foi Francisco, Dilma foi Dilma. Um foi o papa despretensioso, que dispensa ouro, capas de veludo e pompas para se colocar cada vez mais próximo do povo. A outra foi a presidente de expressão arrogante, num momento em que está acuada, precisa se justificar e luta bravamente para recuperar a popularidade perdida.

Enquanto a fala do papa foi essencialmente religiosa e despojada, num português agradável e cheia de adjetivos gentis para o Brasil e para os jovens, Dilma recorreu a todos os chavões lulistas, enalteceu as mudanças "que inauguramos dez anos atrás" e amplificou a versão de Lula no "New York Times", definindo as manifestações que atingiram em cheio seus índices nas pesquisas não como a derrota que foi, mas como uma vitória sua e de Lula.

No discurso da presidente, pulularam autoelogios ao Brasil e à era petista, além de chavões de palanque: direitos, justiça social, solidariedade, fome, desigualdade, ética, transparência. Eis a dúvida: para quem Dilma estava falando? Para o papa ou para o eleitor?

Para o milhão e meio da Jornada Mundial da Juventude ou para o milhão e meio de pessoas nas ruas exigindo dignidade, fim da corrupção, serviços decentes?

Valeu pela foto, não pela fala.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Ficou visível a intenção premeditada de Dilma de praticar, como definiu Merval Pereeira, um proselitismo religioso. Valeu-se da proximidade do papa para tentar angariar simpatias junto ao eleitorado, católico principalmente. 

Não sei quem redigiu aquele discurso inoportuno. Ou imaginava que Dilma estaria indo para uma reunião partidária, ou não tem a menor noção do momento e da instituição que Dilma estaria representando. 

Foi patético. E pior: que Dilma minta para o eleitorado, estamos cansados de ouvir. Que minta para os militantes petistas, isto até faz parte da falta de caráter desta gente. Mas que minta para o Papa? Convenhamos, é muita falta de sensibilidade, de habilidade e de respeito.

O Brasil não é o Brasil por obra e conta do governo petista. Pelo contrário. Poderíamos ser mais e melhor não fossem os boicotes dos governos petistas enquanto oposição, através dos tempos. Se temos uma economia forte, moderna, estável, com políticas sociais bem definidas isto se deve ao governo que o PT combateu e boicotou, inclusive criticando e condenando abertamente, tanto a política econômica que Lula seguiu e Dilma agora tenta destruir, quanto as políticas sociais, com metas definidas e portas de saída bem estabelecidas e que Lula acabou por enterrar. 

Dilma deveria respeitar não apenas o momento e a figura religiosa que a suportou neste discurso melancólico.  Mas, sobretudo, respeitar a  história e a inteligência dos brasileiros que sabem bem o que PT fez no passado!

Proselitismo religioso

Merval Pereira 
O Globo

Pelo menos no seu primeiro pronunciamento em solo brasileiro, o Papa Francisco não deu margem à politização de sua mensagem, como esperavam o governo brasileiro e os católicos ligados à Teologia da Libertação.

Ao contrário da presidente Dilma, que aproveitou a ocasião para fazer um discurso de cunho eminentemente político, com autoelogios aos 10 anos de governo do PT, o Papa ateve-se à exaltação da força dos jovens, tema específico da Jornada Mundial da Juventude: “Cristo bota fé nos jovens e confia-lhes o futuro e sua própria casa. E também os jovens botam fé em Cristo”, garantiu o Papa na cerimônia de boas-vindas no Palácio Guanabara.

Enquanto o Papa discursou por apenas 15 minutos, a presidente Dilma levou o dobro do tempo para dar um tom político claramente fora de hora. Como que esperando que o Papa fosse se referir aos recentes protestos ocorridos pelo país, Dilma tratou de se justificar, repetindo a tese de Lula, que atribuiu os protestos aos sucessos dos governos petistas: “Democracia gera desejo de mais democracia. E inclusão social provoca cobrança de mais inclusão social. Qualidade de vida, desperta anseios por mais qualidade de vida. Para nós todos os avanços que conquistamos são só um começo”, disse a presidente.

Ela afirmou que a juventude brasileira clama por mais direitos sociais. “Mais Educação, melhor Saúde, mobilidade urbana, segurança, qualidade de vida na cidade e no campo”. Na parte mais diretamente partidarizada, a presidente Dilma afirmou ainda que o Brasil “se orgulha de ter alcançado extraordinários resultados nos últimos dez anos na redução da pobreza. Fizemos muito e sabemos que ainda há muito a ser feito."

O Papa Francisco, que em outras oportunidades tratou de temas como a desigualdade e a necessidade de haver melhor distribuição de renda, estava a fim de falar apenas no seu objetivo central, que é a arregimentação da juventude para o catolicismo: “Cristo abre espaço para eles, pois sabe que energia alguma pode ser mais potente que aquela que se desprende do coração dos jovens”, afirmou em seu discurso.

Como já havia feito na sua chegada ao Rio, quando se arriscou, sem perder o bom humor, no contato físico com o povo que cercou seu automóvel, o Papa Francisco fez questão de reafirmar a busca do despojamento ao destacar que não trazia “nem ouro nem prata, mas apenas Jesus Cristo”.

Como se quisesse acentuar sua preocupação com o aspecto religioso de sua visita, ele garantiu que depois de amanhã pedirá por todos os brasileiros a Nossa Senhora Aparecida, “invocando sua proteção materna sobre seus lares e famílias”.

Num país em que a Igreja Católica já foi hegemônica e hoje é amplamente majoritária, mas aonde o pluralismo religioso vem se consolidando, com o crescimento dos evangélicos, o Papa parece mais empenhado em aproximar os jovens da religião, num proselitismo mais religioso que político.

O professor Cesar Romero Jacob, diretor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, lançou recentemente o e-book “Religião e Território no Brasil: 1991/2010”, da Editora da PUC, que mostra que a Igreja Católica perdeu 24 pontos percentuais em 30 anos, quando o número de católicos caiu de 89% da população para 65%.

Provavelmente o Papa Francisco terá ocasião, em sua visita ao país, de abordar temas como transparência na Igreja Católica e na política, globalização, opção preferencial pelos pobres, diálogo com os não crentes e ateus, que o aproximam da Igreja da América Latina. Mas assim como é muito crítico a uma “civilização consumista, hedonista, narcisista”, com “pessoas descartáveis”, ele também tem uma visão crítica da política atual: “Algo aconteceu com nossa política, ficou defasada em relação às ideias, às propostas... As ideias saíram das plataformas políticas para a estética. Hoje importa mais a imagem que o que se propõe. (...) Saímos do essencial para o estético, endeusamos a estatística e o marketing”.

Vaticano rejeita aliança com o governo

Jamil Chade 
O Estado de S. Paulo

Santa Sé insiste que não quer que a visita seja usada politicamente por Dilma

RIO - O Vaticano se distancia da tentativa do governo brasileiro de propor uma aliança para o combate à pobreza, enquanto nos bastidores a Santa Sé insiste que não quer ser usada politicamente no Brasil pelo governo, principalmente em um momento delicado, de manifestações pelas ruas e preparação para as eleições de 2014.

Na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff não perdeu a chance de, no primeiro discurso ao lado do papa Francisco, descrever a política social do governo e formular uma proposta de se aliar ao Vaticano para desenvolver uma política internacional baseada no combate à pobreza. O papa tem cobrado governantes e até mesmo a Igreja para que adotem um discurso e atitudes concretas para ajudar os mais pobres.

A Santa Sé confirmou que, além do discurso, Dilma levantou essa questão com o papa no encontro que mantiveram. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, garantiu ao Estado que o pontífice "apreciou" o tom do discurso e que existem "pontos de sintonia". Mas ele insistiu que não há nada concreto quanto a uma aliança e que, no momento, a Santa Sé não tem a intenção de assinar acordos nessa direção. "Não existe compromisso nesse sentido."

Lombardi explicou que não se trata de um desacordo com a linha adotada pelo Brasil. Mas, ao Estado, pessoas próximas ao papa garantiram que o argentino e o Vaticano sabem do momento vivido pelo Brasil e da necessidade de Dilma de colar sua imagem à popularidade de Francisco. Para completar, a Santa Sé aponta que tanto na Organização das Nações Unidas (ONU) quanto em outros organismos internacionais, o Vaticano e o Brasil já têm uma posição de sintonia.

O distanciamento do Vaticano não significa, segundo seus auxiliares, que o papa não reconheça que tem um papel político importante. "O papa quer ter esse papel. Mas ele defende uma ação política com P maiúsculo, e não a política partidária", explicou um auxiliar.

Carta. 
Dilma fez de tudo para politizar a viagem do papa ao Brasil. Ela enviou uma carta ao argentino pedindo que ele a transformasse em uma "visita de Estado" e fosse a Brasília. Mas Francisco rejeitou o convite. Nos próximos meses, o governo tentará promover uma aproximação das diplomacias do Vaticano e do Itamaraty para debater estratégias de ação conjunta em fóruns internacionais.

O Vaticano também já deixou claro que nesta quarta-feira, 24, quando o papa visitar a favela de Varginha, no Rio, ele não quer a presença de políticos. "O contato é com o povo, e justamente com o povo mais esquecido pelos governantes", declarou um representante do Vaticano.

Público enfrenta dificuldade para sair de Copacabana após missa da JMJ. Imagina na Copa!!!

Carolina Oliveira Castro
O Globo

Além de problemas na chegada, houve filas em banheiros químicos e em lanchonetes

Pedro Kirilos / Agência O Globo 
Peregrinos tentam entrar em ônibus na Avenida Princesa Isabel, 
após o término da missa de abertura da Jornada 

RIO - Nas principais vias de saída de Copacabana, os peregrinos que deixaram a praia a pé - após a missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude - tiveram que dividir espaço nas ruas com ônibus, táxis e carros. A Rua Barata Ribeiro e a Avenida Princesa Isabel viu um grande fluxo de pedestres, que acabaram invadindo as pistas, que não estavam interditadas ao trânsito. Nas proximidades da estação de metrô Cardeal Arcoverde, a situação ficou ainda mais caótica. Em alguns pontos, peregrinos chegam a ocupar duas faixas da Rua Barata Ribeiro, em frente à estação, dividindo espaço com veículo. Para facilitar o escoamento da multidão, todos os acessos ao bairro foram interditados pela CET-Rio por volta das 22h15m, e liberados cerca de meia hora depois. Agentes orientavam os motoristas.

Por volta das 22h45m, todas as vias do Leme já estavam liberadas pelos agentes da CET-Rio. Os peregrinos que cruzaram o túnel e estavam diante do shopping RioSul não estavam conseguindo pegar ônibus, os poucos que vinham estavam lotados. De Recife, a jovem Fernanda Gonçalves reclamava da situação:

- Quando passou um ônibus, eu não sabia em que ponto parararia e ele passou reto por mim, pois eu estava no lugar errado. A sinalização não está boa. É difícil voltar pro alojamento.

O lixo da região ainda não tinha sido recolhido no final do evento, o que criava mais obstáculos para os peregrinos. Muitos reclamavam que os taxistas não estavam usando taxímetro e cobravam preços abusivos nas corridas.

Cerca de 400 mil pessoas acompanharam a missa de abertura em Copacabana, segundo PM
Apesar dos problemas no fim da festa, nem a chuva da tarde mais fria do ano tirou a animação de fiéis e peregrinos que assistiram à cerimônia de abertura da Jornada Mundial da Juventude, que lembrou uma noite de réveillon. Às 19h30m, teve início a missa, presidida pelo arcebispo da Arquidiocese do Rio, dom Orani Tempesta, que logo em sua primeira fala anunciou que a celebração era em nome das vítimas das chacinas da Candelária e de Vigário Geral, que estão completando 20 anos. O arcebispo também dedicou o evento aos jovens mortos no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no início deste ano. Muito aplaudido, também lembrou dos jovens perdidos por causa das drogas e dos presos. Na homilia, deu boas-vindas aos peregrinos. Os organizadores calculam que um milhão de pessoas participaram do evento, que terminou com apresentações musicais, mas a PM calculou que 400 mil estavam no local.

— Essa cidade maravilhosa tornou-se ainda mais bela com a presença de vocês! Uma grande alegria nos invade: vocês estão aqui! Vieram de todos os lugares da Terra! Durante estes dias, aqui será a casa de todos vocês! Vocês estão fazendo parte de nossa família nesse belo e importante momento da história! — disse ele, acompanhado por sete bispos auxiliares do estado e cerca de 1500 ministros, entre cardeais, bispos e sacerdotes. — Nesta semana, o Rio se torna o centro da Igreja, viva e jovem. Todos os caminhos para cá nos conduzem. Vocês vieram de diferentes partes do mundo para juntos partilharmos a fé e a alegria do discipulado.

Por reunir pessoas de todos os cantos do mundo, a primeira leitura da missa foi em espanhol; o salmo e o evangelho, em português; a segunda leitura, em inglês. Uma mensagem do cardeal Stanislaw Rylko, presidente do Pontifício Conselho para Leigos, encerrou a celebração eucarística. Antes dela, os jovens, emocionados, entoavam “essa é a juventude do Papa”.

A programação do evento começou às 15h, com a acolhida de peregrinos de todo o mundo e apresentações artísticas, além de momentos de oração no palco montado em Copacabana. Por volta das 18h, a Cruz Peregrina e o Ícone de Nossa Senhora, símbolos da Jornada Mundial da Juventude, entraram em cena. Pelas ruas do bairro, o clima desde o início da tarde era de réveillon. Em grandes grupos, os peregrinos andavam quase sempre de mãos dadas.

Câmeras fotográficas à mostra revelavam que a segurança não era preocupação. Longas filas se formaram nos banheiros químicos, mas as cenas de mijões sujando calçadas não eram vistas. Os ambulantes que vendiam bebidas amargavam prejuízos, enquanto os que optavam por bandeiras comemoravam os lucros. Mas, apesar de não perderem a alegria, as milhares de pessoas que lotaram a orla enfrentaram uma chegada confusa. Principalmente após a pane que fechou o metrô. Ônibus chegavam abarrotados, e houve engarrafamentos nas vias de acesso.

Enquanto o metrô esteve em funcionamento, uma cena chamou a atenção, na saída da estação Cardeal Arcoverde. Os próprios voluntários criaram uma espécie de grade humana para evitar que os peregrinos atravessassem no sinal vermelho ou fora da faixa de pedestres. Havia um “grupo de sinalizadores”, cuja subcoordenadora, Cláudia Cruz, afirmou que foi feito um planejamento de pontos estratégicos para ajudar o trânsito:

— Pensando no bem das pessoas, nós nos dividimos em dois turnos: um de meio-dia às 18h, e outro que vai até meia-noite.

O comércio na Rua Barata Ribeiro e na Avenida Nossa Senhora de Copacabana permaneceu aberto, e a movimentação foi grande, principalmente nas lanchonetes. Uma delas tinha uma fila que dobrava quarteirão. A espera por um sanduíche era de mais de meia hora.

— Tem que vir comer antes de apresentar um sinal de fome, porque quando conseguir comer já vai estar com muita — brincou irmã Stela, que foi a Copacabana acompanhada de outras duas freiras de Pernambuco, irmãs Rosilene e Eucivana.

Na praia, os banheiros químicos também tinham filas imensas. A peregrina Mariluce Macedo, de Ribeirão Preto, esperou meia hora até chegar sua vez:

— E o banheiro está muito sujo. Estamos usando bandanas no rosto para poder amenizar o mau cheiro. Por outro lado, o bom é que a gente não vê tanta gente fazendo xixi na rua, como em outros eventos em que estive aqui no Rio.

Na areia, as pessoas passavam boa parte do tempo cantando e dançando as músicas da jornada. A maioria não trouxe cangas, e quase todos vieram com bandeiras de seu país ou estado de origem. A quantidade de ambulantes não era grande. E quem apostou nas bebidas, como Luiz José da Silva, ficou decepcionado com as vendas fracas:

— O movimento está muito aquém do que a gente imaginava — disse ele, acrescentando que já havia levado menos cerveja, e mais refrigerante e água.

Por outro lado, Roberto de Lima conseguiu vender 30 bandeiras do Brasil em meia hora, a R$ 10 cada:

— Normalmente vendo na Central, mas aqui está melhor porque as pessoas estão querendo uma recordação. O clima é de festa, está ótimo, sem brigas.

No meio da multidão, a gaúcha Adriana Agueiro, de 28 anos, participa de sua terceira jornada. Ela já esteve na Espanha e na Alemanha. E elogiou o evento carioca.

— Eu esperava o caos porque, ao contrário de outras jornadas feitas em períodos onde as cidades estão vazias, o Rio não para — afirmou Adriana, reclamando apenas dos preços altos.

Uma camisa do evento, por exemplo, estava custando R$ 35. Com as ciclovias ocupadas pelos jovens, os moradores do bairro alteraram sua rotina e usaram uma das pistas da Avenida Atlântica para o lazer.

Dilma entre o PT e o cargo

Editorial
O Globo

Temerosas diante do risco de derrota de seu projeto de poder em 2014, facções do partido querem que a presidente seja mais militante e menos chefe da nação

À medida que saem pesquisas que mostram redução de apoio popular a Dilma Rousseff e cresce a possibilidade de segundo turno nas eleições do ano que vem, o PT se agita e a relação com a presidente fica tensa, enquanto cresce no partido a turma do “queremismo”, pela volta de Lula. Muita coisa, afinal, está em jogo: 22 mil cargos de confiança, usados no aparelhamento da máquina pública, controle de estatais com ambicionados orçamentos etc.

É neste contexto que a presidente, no fim de semana, não foi à reunião da executiva nacional do partido, alegando uma agenda de trabalho sobre a visita do Papa Francisco. Em carta aos militantes, defendeu as “ruas”, o plebiscito da reforma política e se colocou ao lado de Lula. Dilma está entre o partido e a Presidência. Como a reeleição entrou em zona de risco, surgem pressões de alas petistas para que ela seja mais militante e menos presidente do Brasil. É uma armadilha, na qual Dilma cairá se não agir como chefe da nação. Ela não deve se impressionar com pesquisas feitas a mais de um ano das urnas. Neste momento, elas refletem o clima detectado nas manifestações. A presidente deve é se concentrar em governar, ser intransigente com a corrupção, levar a inflação o mais rapidamente possível para a meta (4,5%), recuperar, enfim, a credibilidade da política econômica, por ações como a restauração da seriedade na apresentação das contas públicas.

Isso atrairá investimentos externos em geral, e, em particular, para as licitações de projetos de infraestrutura a serem feitas neste segundo semestre. Assim, poderá conseguir uma taxa de crescimento econômico mais elevada este ano. E, se tudo isso acontecer, deverá chegar ao final do primeiro semestre de 2014 com boa parte da popularidade recuperada.

Ela precisa fugir da agenda de confronto a que petistas tentam levá-la. A ideia do plebiscito surgiu da inviabilidade legal da “constituinte exclusiva”, sonho de consumo destas alas do partido, para, numa assembleia sem a barreira da maioria qualificada, poder-se alterar regras eleitorais e, com facilidade, contrabandear para a Carta mecanismos de “democracia direta” de inspiração chavista.

Querer forçar Dilma e aliados a entrar em rota de colisão com o Poder Judiciário, em nome do tal plebiscito, é um desvario. Fingem esquecer a nota do Tribunal Superior Eleitoral, em que é reafirmada a barreira da anualidade para qualquer alteração na legislação eleitoral entrar em vigor. A tese de facções petistas está isolada. O deputado Candido Vaccarezza, de São Paulo, escolhido pelo presidente da Câmara, Henrique Alves, para presidir a comissão da reforma, foi alvo de manifesto de um grupo do partido por não ser muito firme na defesa do plebiscito. O PMDB, o maior aliado, nunca embarcou no projeto. Mesmo assim, forçam Dilma a tomar o rumo de uma crise político-institucional.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Excelente editorial do jornal O Globo. Se ele tivesse sido escrito logo após a eleição de Dilma Rousseff não teria nada a ser alterado. Isto dissemos aqui tanto antes dela assumir, quanto ao longo de seu mandato. Dilma precisaria escolher entre o projeto de poder do PT e o projeto de país em favor do Brasil. E, apesar de dois anos e meio no poder, Dilma ainda não se definiu. 

Tenta atender às demandas mais urgente do país e acaba se chocando com parte dos líderes petistas que, entendem eles, isto colocaria em risco o projeto de hegemonia política do PT. 

Em razão das  respostas que estão sendo dadas às manifestações, creio que Dilma vai acabará optando pelo interesse do seu partido, em detrimento do interesse do país. Infelizmente.

Mundo da Lua

Dora Kramer  
O Estado de S.Paulo

O grande tema que emergiu da reunião do Diretório Nacional do PT realizado no fim de semana, em Brasília, não foi a "renovação profunda" proposta dias antes pelo comandante em chefe da tropa, Luiz Inácio da Silva.

O assunto foi uma briga da bancada na Câmara dos Deputados e a aprovação de um documento que repetia sugestão feita pelo PMDB sobre mudanças no Ministério e na política econômica.

Do ponto de vista do que vem acontecendo no Brasil, da virada do processo eleitoral de 2014 de cabeça para baixo, dos problemas que o partido no poder tem para resolver e os desafios que precisa enfrentar, uma reunião pífia, desconectada da realidade.

Neste aspecto, fez bem a presidente Dilma Rousseff de não comparecer ao encontro a pretexto de ter mais o que fazer em reunião de trabalho para tratar da visita do papa Francisco. Passou o recado de que o momento é de dar mais atenção ao País que ao partido, não se contaminou com divisões internas e evitou ser fotografada com José Dirceu, que lá estava.

O PT engalfinhou-se na irrelevante questão: a presença de Cândido Vaccarezza no comando da comissão que vai elaborar proposta de reforma política porque não "representa" a bancada devido à sua proximidade com o PMDB. No fim, foi indicado Ricardo Berzoini como o representante do pensamento do partido sobre a reforma.

Sim, Berzoini. O mesmo que presidia o PT na época em que petistas foram presos com dinheiro para comprar um dossiê contra o tucano José Serra e foi apontado pelo então presidente Lula como responsável pela contratação dos por ele chamados de "aloprados".

Para a bancada petista na Câmara esse deputado "representa" o partido que não vê nada demais em dizer isso no momento de intenso questionamento externo e nenhuma autocrítica interna. No lugar de "reformulação profunda", o que se tem é a renovação do visto de permanência dos petistas no mundo da Lua.

Gabeira. 
Os partidos o têm procurado, o mundo político muito tem especulado sobre a possibilidade de uma candidatura de Fernando Gabeira ao governo do Rio, mas ele manterá afastado de si esse cálice.

Cético quanto à hipótese de se realizarem mudanças de fundo nos meios e modos de governar, Gabeira prefere se manter no rumo da volta ao jornalismo a se comprometer com esse ou aquele partido, cujas estruturas estão "ancoradas no século passado".

Pretende, sim, ajudar a oposição tanto no plano estadual quanto local, mas acha que pode dar maior contribuição na retaguarda analítica escrevendo artigos, fazendo palestras e reportagens sobre a complicada cena brasileira.

Aprendiz. 
Quando apareceu na sexta-feira passada para falar brevemente sobre o quebra-quebra que se seguiu aos protestos nas cercanias do edifício onde mora no Leblon, o governador Sérgio Cabral referiu-se ao "aprendizado" do poder público no trato desse tipo de situação.

Incorreu numa inversão de valor: governantes não têm que usar o governo para "aprender"; candidatos é que precisam estar suficientemente preparados para, uma vez eleitos, enfrentar os problemas e oferecer soluções.

O uso abusivo do marketing nas campanhas esconde defeitos, ressalta qualidades inexistentes e dificulta a avaliação correta por parte do eleitor.

De outro lado, o deslumbramento com as facilidades do poder leva boas ações de governo a se perderem nos desvãos do mau comportamento de governantes.

Eles estão de brincadeira

Marco Antonio Villa
O Globo

Dois poderes acabaram concentrando a indignação popular: o Executivo e o Legislativo. Contudo, o Judiciário deve ser acrescido às vinhas da ira

No já histórico junho de 2013, as ruas foram ocupadas pelos cidadãos. Foi um grito contra tudo que está aí. Contra os corruptos, contra os gastos abusivos da Copa do Mundo, contra a impunidade, contra a péssima gestão dos serviços públicos, contra a violência, contra os partidos políticos.

Dois poderes acabaram concentrando a indignação popular: o Executivo e o Legislativo. Contudo, o Judiciário deve ser acrescido às vinhas da ira.

Neste mesmo espaço, em 13 de dezembro de 2011, escrevi um artigo (“Triste Judiciário”) tratando do Superior Tribunal de Justiça, o autointitulado tribunal da cidadania.

Um ano e meio depois resolvi consultar o site do tribunal (www.stj.jus.br) para ver se tinha ocorrido alguma modificação nas mazelas que apontei. Para minha surpresa, tudo continua absolutamente igual ou, em alguns casos, pior.

Busquei inicialmente o número de cargos. Vi uma boa notícia. Eram 2.741 em 2012 e em 2013 tinha diminuído para…. 2.740. Um funcionário a menos pode não ser nada, mas já é um avanço para os padrões brasileiros. Porém, ao consultar as funções de confiança, observei que nos mesmos anos tinham saltado de 1.448 para 1.517.

Fui pesquisar a folha dos funcionários terceirizados. São 98 páginas. Mais de 1.550 funcionários! E tem de tudo um pouco. São 33 garçons e 56 copeiras. Afinal, suas excelências têm um trabalho desgastante e precisam repor as energias. No STJ ninguém gosta de escadas. É a mais pura verdade. São 34 ascensoristas: haja elevadores! Só de vigilantes — terceirizados, registre-se — são 264. Por ironia, a empresa contratada chama-se Esparta. E se somarmos os terceirizados mais os efetivos, teremos muito mais dos que os 300 espartanos que acompanharam Leônidas até as Termópilas, longe, evidentemente, de comparar suas excelências com o heroísmo dos lacedemônios.

Resolvi consultar a folha de pagamentos de junho. Fiquei só na letra A. Não por preguiça. É que preciso trabalhar para pagar os impostos que sustentam os salários das suas excelências.

Será que o tribunal foi isento da aplicação do teto constitucional? Dos cinco ministros que abrem a lista, todos recebem salários acima do que é permitido legalmente.

Vamos aos números: Antonio Carlos Ferreira recebeu R$ 59.006,92; Antonio Herman de Vasconcelos e Benjamin, R$ 36.251,77; Ari Pargendler, R$ 39.251,77; Arnaldo Esteves Lima, R$ 39.183,96; e Assusete Dumont Reis Magalhães, R$ 39.183,96. Da lista completa dos ministros, a bem da verdade, o recordista em junho é José de Castro Meira com o módico salário de R$ 63.520,10. Os ministros aposentados também recebem acima do teto. Paulo Medina, que foi aposentado em meio a acusações gravíssimas, recebeu R$ 29.472,49.

O STJ revogou o artigo 5º da Constituição? Ou alterou a redação para: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, exceto os ministros do STJ”?

O tribunal é pródigo, com o nosso dinheiro, claro. Através do que chama de aviso de desfazimento, faz doações. Só em 2013 foram doados dezenas de veículos supostamente em estado “antieconômico.” Assim como refrigeradores, mobiliário, televisores e material de informática. É o STJ da felicidade. Também, numerário não falta. Para 2013 o orçamento é de 1 bilhão de reais. E estamos falando apenas de um tribunal. Só para pagamento de pessoal e de encargos sociais estão alocados 700 milhões. Sempre pródiga, a direção do STJ reservou para a contribuição patronal da seguridade social dos seus servidores a módica quantia de 100 milhões (mais que necessário, pois há servidores inativos recebendo R$ 28.000,00, e pensionistas com R$ 35.000,00).

O tribunal tem 166 veículos (dos quais 20 são ônibus). Por que tantos veículos? São necessários para o trabalho dos ministros? Os gastos nababescos são uma triste característica do STJ. Só de auxílio-alimentação serão destinados R$ 24.360.000,00; para assistência médica aos ministros e servidores foram previstos R$ 75.797.360,00; e à assistência pré-escolar foram alocados R$ 4.604.688,00. À simples implantação de um sistema de informação jurisdicional foi destinada a fabulosa quantia de R$ 22.054.920,00. E, suprema ironia, para comunicação e divulgação institucional, o STJ vai destinar este ano R$ 14.540.000,00.

A máquina do tribunal tem de funcionar. E comprar. Em um edital (e só consultei os meses de junho e julho) foram adquiridos 1.224 copos. Noutro, por R$ 11.489,00, foi contratada uma empresa de eventos musicais. Estranhamente foram adquiridos 180 blocos para receituário médico, 50 blocos para ficha odontológica e 60 pacotes — cada um com 100 unidades — de papel grau cirúrgico (é um tribunal ou um hospital?).

É difícil entender a aquisição de 115 luminárias de uma só vez, a menos que o prédio do tribunal estivesse às escuras. Pensando na limpeza dos veículos foram adquiridas em julho 70 latas de cera para polimento. Tapetes personalizados (o que é um tapete personalizado?) custaram R$ 10.715,00 e de uma vez compraram 31 estiletes.

Não entendi, sinceramente, a razão de adquirir 3.360 frascos de 1.000 ml cada de álcool. E o cronômetro digital a R$ 1.690,00? Mas, como ninguém é de ferro, foi contratada para prestar serviço ao STJ a International Stress Manegement Association.

Mas, leitor, fique tranquilo. O STJ tem “gestão estratégica”. De acordo com o site, o tribunal “concentra esforços na otimização dos processos de trabalho e na gestão da qualidade, como práticas voltadas à melhoria da performance institucional e consequentemente satisfação da sociedade”. Satisfação da sociedade? Estão de brincadeira.

Déficit de clareza

Celso Ming  
O Estado de S.Paulo

Em entrevista ao Estadão deste domingo, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, advertiu que a política fiscal (receitas e despesas do governo) "não é clara".

As decisões de ontem anunciadas pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostram um esforço destinado a aumentar a transparência das contas públicas.

No entanto, o desempenho da política fiscal continua despertando dúvidas, mesmo depois de anunciada e reafirmada a resposta da presidente Dilma às manifestações, constituída de cinco pactos, o primeiro deles o compromisso com um pacto de responsabilidade fiscal.

O governo Dilma comprometera-se em lei, a observar neste ano um superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) de 3,1% do PIB ou de R$ 155,9 bilhões, com redução prevista de R$ 65, 2 bilhões. Como os resultados apontavam grande distância de objetivo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, comprometeu-se, em junho, a cumprir meta de superávit primário equivalente a 2,3% do PIB.

Ontem, esse número foi formalmente mantido, mas pressupõe o crescimento econômico (PIB) para este ano de 3,0%, projeção irrealista diante do fraco desempenho da economia.

Essa variável é crucial. Um PIB mais raquítico implica arrecadação mais baixa. Assim, até mesmo os números revistos e atualizados não são integralmente confiáveis. O ministro Mantega alega que não pode rever para baixo as projeções do PIB "como se muda de roupa". No entanto, ele mesmo já não vinha sustentando essa projeção, admitindo que, em 2013, a economia apenas crescerá mais do que os 0,9% do ano passado.

Mas, se é assim, a revisão das contas públicas ontem divulgada continua apresentando déficit de clareza.

A arrecadação da União obtida em junho, ontem divulgada pela Receita Federal, foi decepcionante. Uma vez descontada a inflação do período, a evolução da receita do mês sobre junho do ano passado foi negativa (-0,99%) e em relação a maio, também (-2,73%). No primeiro semestre, a evolução foi positiva, mas pouco expressiva (+0,49%). 

Diante da forte reação da opinião pública aos métodos heterodoxos aplicados sobre o resultado fiscal do ano passado, quando o secretário do Tesouro, Arno Augustin, submeteu os cálculos a critérios espúrios, o governo não parece disposto a repetir as mesmas arbitrariedades contábeis.

No entanto, já se sabe que boa parte dos resultados deste ano só será obtida com receitas atípicas e de qualidade discutível. Será constituída tanto de bônus de assinatura previstos com leilões de concessão agendados para este segundo semestre quanto de dividendos pagos por estatais à custa de injeções do Tesouro que, por sua vez, implicam aumento da dívida pública. Além disso, cortes de despesa de apenas R$ 10 bilhões parecem insuficientes para a obtenção do objetivo desejado. Enfim, a robustez das contas públicas apontada pela presidente Dilma - mas não confirmada pelo Banco Central - não apresenta a necessária firmeza.

Em vez de tentar resgatar a credibilidade para sua política, o governo está mais focado em ganhar tempo com o objetivo aparente de salvar a candidatura da presidente Dilma a um segundo mandato.

Filme antigo

Míriam Leitão 
O Globo

Nos últimos dois anos, o governo fez o mesmo que ontem: anunciou corte de gastos contando que as despesas não aumentariam como o previsto. E elas aumentaram. No passado, foram anunciados cortes em seguro-desemprego e na folha de salários, através do combate às fraudes. Os dois itens subiram. Agora, anunciam reduções de despesas do INSS e na lista dos gastos cotidianos.

Os ministros de Planejamento e Fazenda anunciaram cortes em viagens, contas de luz, fabricação de notas e moedas, alguns concursos, que serão postergados, locação de imóveis, material de limpeza. Ou seja, todo o ano, a lista é a mesma.

O que há de novo é a desistência de fazer o truque de transformar em receita imediata os recebíveis de Itaipu. Eles fariam assim: lançariam títulos para ter agora o dinheiro que receberiam da usina até 2023. Esse dinheiro capitalizaria uma conta chamada CDE, que cobre o aumento do custo da energia quando se usa térmicas em época de seca. Antes, isso era pago pelo consumidor. Com a decisão de reduzir o preço da energia, abriu-se um rombo nessa conta, até porque o baixo nível dos reservatórios exigiu muito uso de térmicas. Agora será feito de forma mais simples: o Tesouro vai transferir dinheiro na medida da necessidade. A próxima parcela será de R$ 400 milhões.

O economista Gil Castelo Branco, do site Contas Abertas, conta que vários dos objetivos dos anos anteriores não foram alcançados. Em termos reais, descontando a inflação do período, as despesas aumentaram.

- Os gastos com pessoal e encargos da União no primeiro semestre de 2012 foram de R$ 107,6 bilhões e em 2013 foram de R$ 108 bi. O pagamento do seguro-desemprego subiu de R$ 13,6 bilhões para R$ 14,4 bilhões. Os gastos com passagens aéreas e diárias, também no primeiro semestre, saíram de R$ 615 milhões, em 2011, para R$ 882,5 milhões, no ano passado, e R$ 942 milhões, este ano - explica.

O governo fez o de sempre: anunciou intenção. Isso não se cumpriu nos últimos anos. E em 2011 o governo chegou a garantir que conseguiria essas reduções no gasto da folha, porque havia contratado uma consultoria para avaliar as despesas e verificar fraudes.

Uma diferença forte é que em 2011 o anúncio do corte foi de R$ 50 bilhões; no ano passado, de R$ 55 bilhões; e este ano, de R$ 10 bilhões. Mas ele se soma a outros R$ 28 bilhões já contingenciados.

Por causa da inflação alta, o corte este ano deveria ser maior para ajudar no combate à alta dos preços. O problema é que a arrecadação está decepcionando e já não há mais folga na receita. Segundo a Receita Federal, a arrecadação cresceu apenas 0,49% no primeiro semestre. Chega-se a esse número baixo percebendo o que aconteceu com as desonerações - recursos que o governo abre mão - que dispararam 75%, de R$ 19,9 bilhões, no mesmo período de 2012, para R$ 35,1 bi, este ano.

Os ministros anunciaram outros cortes que não se sabe se conseguirão cumprir. Um deles é o dos R$ 4,4 bilhões do INSS, de recálculo de despesas que eles tinham feito antes com as desonerações da folha salarial das empresas. Aliás, 79% dos cortes em gastos obrigatórios, que apresentaram, saíram de cálculos refeitos das contas que eles mesmos tinham feito, segundo Gil Castelo Branco.

Para o economista Felipe Salto, o corte foi tímido diante da necessidade do governo de economizar para cumprir o superávit primário. Alertou que o gasto que vai cobrir a CDE não entrou nas contas ainda, nem foi detalhado o corte de R$ 2,5 bilhões com subsídios, e fica uma enorme dúvida de onde virá.

O anúncio de ontem não trouxe a confiança esperada. Apenas deixou a sensação de filme antigo e muito visto.

"Ufa!..."

Maria Helena RR de Sousa
Brickmann & Associados Comunicação

... Não sei onde ele viu essa menina, pois não foi a que todos vimos discursar um discurso palanqueiro como são todos os que ela aprendeu com seu tutor, o ausente Luiz Inácio. Ela saudou o Papa como se ele fosse um eleitor e não o Pastor que aqui veio como missionário de Cristo...

Uma vez petista, sempre petista, não é? Olhem como começa o artigo de Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, "Onde estará o Papa?", que leio no Jornal O Globo desta terça-feira 23 de julho, segunda dia da visita do Papa ao Rio de Janeiro:

"O Papa Francisco chegou ao Rio sorridente, a ponto de contaminar a presidente Dilma, que parecia http://oglobo.globo.com/rio/onde-estara-papa-9137657#ixzz2Zsv7WaTW ">uma menina no dia de sua Primeira Comunhão".

Não sei onde ele viu essa menina, pois não foi a que todos vimos discursar um discurso palanqueiro como são todos os que ela aprendeu com seu tutor, o ausente Luiz Inácio. Ela saudou o Papa como se ele fosse um eleitor e não o Pastor que aqui veio como missionário de Cristo.

Ele, inclusive, usou as mesmas palavras de São Pedro: "Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo".

Acredito que o Papa vá alcançar o coração da juventude. É simpático, fala em linguagem simples, não é pedante, nem se põe acima das pessoas comuns como um santo vivo caminhando sobre o fogo. Fica mais fácil segui-lo. 

Porém penso que se ele quer orientar os jovens devia falar sobre o momento pelo qual passamos - a meninada nas ruas pedindo mais atenção e cuidado do Governo Federal e não, como disse dona Dilma ecoando Lula, uma juventude ambiciosa, já coberta de bênçãos pelos dez anos de PT, a querer mais...

Leio também uma pesquisa do IBOPE sobre o pensamento dos jovens: "Com opiniões que divergem das práticas da Igreja, a maioria dos jovens brasileiros apoia o uso da pílula do dia seguinte para evitar a gravidez (80%), o fim do celibato para os padres (74%) e a possibilidade de mulheres celebrarem a missa (61%). Quando se fala em casamento de pessoas do mesmo sexo, o resultado é apertado, mas 51% das pessoas com idades entre 16 e 29 anos concordam com a união". Jornal O Globo 

Não sei como o Papa Francisco vai sair desse imbroglio, os meninos querendo uma coisa que ele não pode dar, sob pena de ficar na História como o Papa que acabou com o catolicismo no Brasil.

Sou também de opinião que em seu dia de folga da agenda que promete ser pesada, ele podia fazer uma visitinha ao PM que foi incendiado por um coquetel molotov quando guardava o Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, local que ele insistiu seria - e foi - seu encontro com as autoridades brasileiras.

A polícia tem sido violenta? Mas qual deveria ser seu modus operandi diante do que fazem esses arruaceiros, os marginais, que não querem nada a não ser a destruição de tudo? Tratá-los a pão de ló?

Tem outro espinho em seu caminho carioca: frei Leonardo Boff, o ex-frade franciscano, que foi punido com o silêncio. Silêncio que ele só exerce nos púlpitos, porque artigos e palestras ele produz às centenas. Fala o que quer para quem quiser ouvi-lo. Parece que o Papa Francisco pediu seu livro para ler. Custo a crer que na Biblioteca do Vaticano não exista um exemplar desse livro... mas tudo pode ser...

Sem falar nas alopradas tupiniquins que imitam as que andam peladas pelo mundo em busca de holofotes e que começam a se exibir no Rio. Como tudo que vem do estrangeiro, logo copiamos, já repararam?

Coitado do Papa. Apesar de bem disposto, imagino que quando sentar na poltrona do voo da Alitalia que o levará de volta para Roma, vá dar um longo suspiro de alívio.

Como eu que direi, aliviada: "Ufa!"


Links: 

1) uma menina - 1º parágrafo
http://oglobo.globo.com/rio/onde-estara-papa-9137657#ixzz2Zsv7WaTW 

2) Jornal O Globo -
http://oglobo.globo.com/rio/jovens-querem-uma-igreja-mais-aberta-9137016#ixzz2Zt26uB10

Dilma, não desperdice nossos recursos nesse sistema educacional

Gustavo Ioschpe
Revista VEJA

O Brasil não gasta pouco em educação

Excelentíssima presidente da República, deputados e senadores: Está em suas mãos a decisão de aprovar ou vetar dois projetos de lei que aumentam o gasto em educação, um deles destinando 75% dos royalties do pré-sal para a área e o outro, o Plano Nacional de Educação, estipulando que dobremos o volume de gastos nos próximos dez anos, dos atuais 5% do PIB para 10% do PIB.

Nos últimos dez anos eu venho escrevendo sobre educação brasileira, e nela militando, com apenas um propósito: melhorar radicalmente a qualidade do ensino no país para que possamos dar um salto de desenvolvimento. Faço-o por espírito público, mas também por egoísmo: quero que meus filhos vivam em um país melhor que este que temos agora. Não ganho dinheiro com esse tema, não defendo interesse de nenhum grupo público ou privado, nacional ou estrangeiro. Ajo como se munido de uma procuração para falar em nome dos milhões de alunos das péssimas escolas públicas brasileiras, que não têm voz nem vez no debate político nacional. Por isso, espero que a senhora e os senhores acreditem em mim quando digo: eu defenderia qualquer medida para a qual houvesse evidências de que impacta positivamente o nível de aprendizado dos nossos alunos. Se essa medida fosse algo tão fácil e simples quanto aprovar uma lei, então eu ficaria mais feliz ainda. E, se essa medida tivesse como consequência secundária melhorar a renda dos 5 milhões de brasileiros que trabalham no sistema educacional, isso me deixaria triplamente contente. E, mesmo que não busque popularidade nem pretenda fazer-lhes companhia em atividades eleitorais, tampouco sou masoquista, de forma que ficaria mais alegre ainda em defender algo que vem sendo pedido pelos manifestantes de rua e por uma série de almas caridosas que clamam para que a senhora e os senhores aprovem as ditas leis. 

Por tudo isso, adoraria me juntar a esse coro dos que bradam por mais recurso. Mas não posso. Porque não consigo faltar com a verdade. nem ignorar décadas de evidências, nem consentir que duas dádivas que recebemos – a capacidade de trabalho do povo brasileiro, que gera os impostos de que os senhores estão prestes a se apropriar; e as riquezas minerais enterradas em nossa costa – sejam tão clamorosamente desperdiçadas em um sistema que é um Midas ao contrário: transforma o ouro que recebe em desperdício e ignorância.

A senhora e os senhores devem ter ouvido que o Brasil investe pouco em educação. Que os países que deram grandes saltos educacionais aumentaram seus gastos no setor para viabilizar seus avanços. Que se gastarmos mais conseguiremos resolver nossos problemas. Que se pagarmos mais aos nossos professores haveremos de recuperar sua combalida autoestima e finalmente trazer “os melhores” alunos para o magistério, para que elevemos a qualidade dos mestres de amanhã. Bem, desculpem-me pela franqueza e pela linguagem direta, mas a urgência e a gravidade do assunto tomam-nas necessárias: isso é tudo mentira. Deslavada.

O Brasil não gasta pouco em educação. Como mostram os dados do levantamento mais respeitado do mundo na área, o Education ata Glance de 2013, investimos em nossa educação básica 4.3% do PIB, contra 3,9% do PIB dos países desenvolvidos. Se olharmos para os gastos educacionais como um todo, ainda gastamos um pouco menos, mas isso é basicamente porque nosso sistema universitário público é minúsculo e gasta bem menos, no total, do que esses países, em que a maioria da população da faixa etária correspondente cursa o ensino superior. Nosso investimento por aluno, quando comparado ao nível de renda brasileiro, é basicamente o mesmo dos países desenvolvidos. (A senhora e os senhores, cercados por gente que quer ter mais dinheiro para administrar, provavelmente viram esses dados em seus valores absolutos nominais, em dólares. Como se fizesse sentido comparar gastos nominais em países que têm renda três ou quatro vezes maior do que a nossa, e como se em alguma atividade os valores nominais de países desenvolvidos e em desenvolvimento fossem semelhantes…).

Talvez a senhora e os senhores já saibam que gastamos o mesmo que os países com os melhores sistemas educacionais do mundo, mas acreditem que esses são patamares de nações que “já chegaram lá”. Já devem ter ouvido alguém falar que, quando esses países deram seu salto educacional, gastaram perto dos 10% do PIB que tencionamos agora gastar. Novamente: é mentira. Creio que o gráfico ao lado se encarrega de desmontar essa empulhação sem maiores delongas (os dados originais e outras bibliografias estão em twitter.com/gioschpe). São dados da Unesco para países que são referência no mundo em melhoria educacional, além dos nossos vizinhos. Cobrem o período de 1970 (quando esses dados começam a ser coletados) a 2012. Tanto faz se olharmos para o período todo ou só para o momento (1970-89) em que a maioria desses países começou a dar seu salto, a conclusão é a mesma: não houve elevação de investimento antes, durante ou depois das melhorias, e os patamares de investimento chegam no máximo à casa dos 5% do PIB. Tanto faz se o PIB é de país rico, como Espanha e Inglaterra, ou de países em desenvolvimento, como China e Chile.

Finalmente, sobre os professores. Como já escrevi em vários artigos aqui, há diversas pesquisas em que os próprios professores são entrevistados, e a maioria diz que escolheu a profissão porque a ama, gosta dela e não pretende abandoná-la. Não creio que essa categoria tenha uma autoestima menor do que a média, portanto. Muito se fala dos poucos casos de países que conseguem atrair os estudantes mais talentosos para a docência, mas esse é o típico caso da exceção que confirma a regra. Mesmo nos países mais bem-sucedidos, em geral o jovem que opta pela carreira de professor não é o mais qualificado de seu grupo etário. Os mais competentes acabam optando por profissões da iniciativa privada, em que seu talento será valorizado. Professor é carreira pública, com as limitações, engessamentos e estabilidade comuns às demais funções públicas. O que a maioria dos países top consegue fazer é pegar esse jovem mediano e, através de formação excelente e acompanhamento continuado ao longo da carreira, transformá-lo em um profissional competente. É o que deveríamos buscar fazer também.

Entendo que a senhora e os senhores querem fazer algo pela educação brasileira. Porém, como diz o vulgo, de boas intenções o inferno está cheio. Estão agindo sob a premissa errada: de que nossos problemas se resolvem com dinheiro. Isso é falso. Não é nem uma questão da quantidade de dinheiro, nem da forma como esse dinheiro é gerido. Precisamos de muitas coisas para nossa educação, e as mais importantes não têm nada a ver com dinheiro. Onde focar? Na melhoria das universidades de pedagogia/licenciatura, que são totalmente teóricas e ideológicas e não preparam ninguém para a docência. Na seleção criteriosa de diretores de escola. No estabelecimento de um currículo nacional. Na criação de expectativas altas para todos os nossos alunos, especialmente os mais pobres. Coibindo o absenteísmo docente. Fazendo com que a jornada de aulas seja aproveitada, sem tempo desperdiçado com atrasos, anúncios, chamadas, conselhos de classe. Impedindo professores de achar que encher a lousa de matéria e mandar que os alunos copiem é uma aula. Alfabetizando aos 6 anos de idade. Desinchando o currículo, especialmente no ensino médio, e dando opção de cursos técnicos e profissionalizantes nessa etapa. Prescrevendo e corrigindo mais dever de casa. Utilizando avaliações constantes e intervenções rápidas quando se identifica um aluno com problema.

Poucos itens acima podem ser resolvidos na esfera federal. A maior parte é de responsabilidade de prefeitos, governadores e seus secretários de Educação. Hoje, a maioria deles faz um trabalho muito ruim. Jogar mais um caminhão de dinheiro nas mãos dessas pessoas, com esse sistema, será a garantia de um desperdício colossal. Se ao fazerem um péssimo trabalho eles são recompensados com o dobro de recursos, que incentivo terão para melhorar?! Espero que os senhores parlamentares não se rendam ao populismo. Caso sucumbam, presidente Dilma, use o seu poder de veto. Talvez não ajude na sua próxima eleição, mas certamente beneficiará os colegas do seu neto.

Corrupção não é o pior mal do nosso país

Luiz de Campos Salles(*)
Brickmann & Associados Comunicação

No caso da Educação, precisamos de uns 15 anos após a reforma da primeira série escolar para formar a primeira turma que terá recebido um ensino de padrão internacional. Quinze anos, porque não adiantaria começar pelas últimas séries, visto que os alunos que lá chegarem estarão despreparados para...

Não é que não deva ser combatida a corrupção. É importante fazê-lo, sem dúvida. Mas convenha-se que é uma ação de defesa. Precisamos mais de ações de ataque. Ações ativas que nos tirem da pasmaceira social e econômica em que estamos boiando inertes. Apegar-se a temas como o da corrupção é um vicio como o de assistir todas as noites ao noticiário policial das TVs, com sempre os mesmos assuntos: crimes, assaltos, roubos, etc. Afinal, nesse assunto, somos todos muito bem informados. Falar de corrupção, incluindo-se nela o uso de aviões da FAB, nomeação de parentes e cupinchas e um monte de outros abusos do que é o bem comum de todos os brasileiros é um assunto que vicia e, principalmente, distrai a população como o noticiário policial cotidiano. Assim não se fala sobre o que precisa ser discutido e feito e sobre como fazê-lo.

O corte de 14 ministérios é manchete. Não se discutem os absurdos que os levaram a ser criados, e assim talvez diminuindo as chances de que se repita a façanha. Apesar de não ter pedido permissão à jornalista Eliane Cantanhede, da Folha, copio em seguida parte de seu artigo de 18 de julho. Referindo-se a um dos temas da atualidade, 

"....parece briga de marido e mulher, mas é disputa entre Poderes e entre partidos aliados, com troca de provocações cada vez mais escancaradas." 

"Convenhamos: nem Dilma está tão desesperada pelo plebiscito nem o nosso PMDB cansado de guerra (e cheio de cargos) parece tão preocupado com a moralidade pública e o corte dos ministérios. Ambos apenas dizem o que a população quer ouvir e se esforçam em jogar a culpa um no outro por não dar certo."

Enquanto isso, promovemos uma Copa. Caríssima, ainda que o Tesouro (ou outros agentes do governo) só a tenham financiado. Prazo? Juros? Mas tem mais. Para citar só dois, teremos a Olimpíada e o "trem bala". No caso deste, até hoje ninguém demonstrou para o que ele é necessário e, principalmente, se não existem alternativas mais baratas. Pior ainda, será que não existem problemas mais prioritários como o transporte de cargas por trem ou a construção e ampliação de portos ? Ou terminar a construção de usinas geradoras de eletricidade?

Enquanto isso as duas principais carências do País, Saúde e Educação, são abordadas como uma rua esburacada para a qual se necessita de um recapeamento!

No caso da Educação, precisamos de uns 15 anos após a reforma da primeira série escolar para formar a primeira turma que terá recebido um ensino de padrão internacional. Quinze anos, porque não adiantaria começar pelas últimas séries, visto que os alunos que lá chegarem estarão despreparados para as novas exigências do ensino reformulado. Imagine-se a magnitude do problema. E quem já ouviu ou leu algo, abordado de frente, sobre o problema?

Na Saúde o problema não é nada menor. Só que nem as perguntas iniciais e básicas são feitas. Muito menos respondidas. Quanto custaria aumentar os valores pagos pelo SUS para os médicos e pelos procedimentos para algo compatível com a realidade? E alguém sabe ou está estudando como criar um sistema de atendimento razoável em regiões distantes e de pouca densidade populacional? Alguém já procurou modelos bem sucedidos em outros países para não ficarmos a reinventar a roda, só que quadrada?

Sabemos quanto custaria reformar hospitais públicos que precisem de reforma ou equipamentos? E quanto custaria construir, e equipar, e pagar médicos e os auxiliares necessários? Esquecendo da equipe o hospital não funciona. Parece óbvio mas já acontece no Brasil.

Presumo que o montante para tudo isso seja astronômico, mas não conhecê-lo não ajuda em nada. Porém, se estes números fossem conhecidos, poderíamos fazer um plano plurianual (este para valer) de dispêndios para que ao cabo de "n" anos os problemas estejam resolvidos.

Como estas realidades dos problemas e o custo para resolvê-las não são apurados, sabem quando podemos esperar que as coisas comecem efetivamente a mudar para melhor? 

A quem cabe tomar estas providências? Aos nossos governantes, isto é, aos políticos. E isso conduz a um círculo vicioso. Muito infelizmente, a maioria da nossa população não teve e continua não tendo um nível de educação mínimo que a leve a se interessar por outros assuntos que não os ligados à sua sobrevivência. Isso, claro, porque a nossa Educação pública é um desastre.

Tudo leva a crer que continuaremos a eleger os políticos que querem o poder pelo poder em vez de o poder para exercê-lo em prol da nação. Que lástima.

(*) Luiz de Campos Salles-É engenheiro eletrônico pela Politécnica, MS pela Syracuse University. Por dez anos foi presidente da Itaú Seguros e suas coligadas. Saiu do Itaú pelo limite de idade e hoje é consultor em estratégia de negócios.

O problema da educação não é falta de dinheiro

Mailson Ferreira Da Nóbrega
Revista Veja

Mais do que verbas, é urgente uma completa revisão das instituições educativas vigentes

A qualidade do capital humano é essencial para o desenvolvimento. A baixa qualidade da educação explica a perda da liderança econômica da Inglaterra para os Estados Unidos por volta de 1870 e para a Alemanha no fim do século XIX. Para Rondo Cameron e Larry Neal, no livro “A Concise Economic History of the World”, a Inglaterra foi o último país rico a universalizar a educação fundamental. A Revolução Industrial ocorreu, secundo eles, “na era do artesão inventor. Depois, a ciência formou a base do processo produtivo”. Em vez dos recursos da natureza – algodão, lã, linho, minério de ferro -, a indústria passou a depender cada vez mais de novos materiais, nascidos da pesquisa científica. Nessa área, americanos e alemães, com melhor educação, venceram os ingleses. A Suécia, que era atrasada no início do século XIX, se industrializou rapidamente graças à educação. Em 1850, apenas 10% dos suecos eram analfabetos, enquanto um terço dos ingleses não sabia ler nem escrever.

No Brasil, até os anos 1960, acreditava-se que a educação seria mero efeito do desenvolvimento. Em 1950 os respectivos gastos públicos eram de apenas 1,4% do PIB. A partir dos anos 1970, a visão se inverteu. Convencemo-nos de que a prosperidade depende da educação. Os gastos subiram e hoje atingem 5,8% do PIB. A educação fundamental foi universalizada na década de 90 (um século e meio depois dos Estados Unidos e quase meio século depois da Coreia do Sul). Agora, demandamos melhora da qualidade, mas a ideia está contaminada pelo hábito de esperar que a despesa pública resolva qualquer problema. Daí o equivocado projeto de lei que aumenta os gastos em educação para 10% do PIB. Na mesma linha, Dilma e o Congresso querem aplicar na educação grande parte das receitas do petróleo.

Proporcionalmente, nossos gastos em educação equivalem à média dos países ricos. Passamos os Estados Unidos (5,5% do PIB). Investimos mais do que o Japão, a China e a Coreia do Sul, três salientes casos de êxito na matéria (todos abaixo de 5% do PIB). Na verdade, a má qualidade da nossa educação tem mais a ver com gestão do que com falta de recursos. O professor José Arthur Giannotti assim se referiu aos jovens que foram às ruas pedir mais dinheiro para o setor: “Pleiteiam mais verbas sem se dar conta da podridão do sistema. Mais do que verbas, é urgente uma completa revisão das instituições educativas vigentes. A começar pela reeducação dos educadores, que, na maioria das vezes, ignoram o que estão a ensinar” (“O Estado de S. Paulo”, 19/6/2013).

Outro educador, Naercio Menezes Filho, citou o interessante caso de Sobral (“Valor”, 21/6/2013). Entre 2005 e 2011 o município cearense avançou quatro vezes mais rápido no ensino fundamental do que São Paulo, sem aumento significativo de despesa. “O gasto por aluno que Sobral usa para alcançar esse padrão de ensino nas séries iniciais é de apenas R$ 3 130,00, enquanto a rede municipal de São Paulo gasta ao redor de R$ 6 000 por aluno, ou seja, duas vezes mais.” Destinar receitas do petróleo para a educação é um duplo equívoco: (1) o problema não é de insuficiência de recursos, mas de sua aplicação, como vimos; (2) não é correto financiar políticas públicas permanentes com recursos finitos e voláteis. No longo prazo, as reservas de petróleo se esgotarão, enquanto os preços (e as receitas) se sujeitam às oscilações do mercado mundial de commodities.

A proposta desconhece outra lição da experiência: a receita de recursos naturais não renováveis deve pertencer às gerações futuras. O exemplo a seguir é o da Noruega, onde as receitas do petróleo são carreadas para um fundo que em 2012 acumulava 131% do PIB. O fundo serve para lidar com os efeitos de quedas dos preços do petróleo e principalmente com os custos previdenciários que advirão do envelhecimento da população.

A educação brasileira precisa de uma revolução gerencial e de prioridades, inclusive para gastar melhor os recursos disponíveis. Ampliar os respectivos gastos e destinar-lhe as receitas do petróleo agrada a certas plateias, mas o resultado poderá ser apenas o aumento dos desperdícios. Será péssimo para as próximas gerações.


Djalma Santos, bicampeão mundial pela seleção, morre aos 84 anos

O Estado de S. Paulo

Ex-lateral estava internado desde o dia 1.º de julho, em decorrência de uma pneumonia grave

UBERABA - Faleceu nesta terça-feira, em Uberaba (MG), o ex-jogador Djalma Santos, bicampeão do mundo com a seleção brasileira de futebol. De acordo com o boletim médico divulgado pelo Hospital Hélio Angotti, o lateral morreu em decorrência de uma pneumonia grave e instabilidade hemodinâmica culminando com parada cardiorrespiratória e óbito às 19h30.

Eduardo Nicolau/Estadão
Jogador brilhou com a camisa da seleção brasileira

Mais cedo, também nesta terça-feira, o hospital mineiro havia informado que Djalma Santos havia tido uma recaída em seu quadro clínico e sido internado novamente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na noite de sábado. Ele estava internado em Uberaba desde o dia 1.º de julho. Na manhã desta terça, Djalma Santos, de 84 anos, recebia ventilação mecânica com necessidade de suporte hemodinâmico".

Bicampeão mundial com os títulos das Copas de 1958 e 1962, Djalma Santos vinha recebendo tratamento por causa de uma infecção respiratória aguda. A sua recuperação vinha sendo inconstante, pois ele havia deixado a UTI anteriormente no último dia 11.


Titular absoluto da seleção brasileira por mais de uma década, Djalma Santos foi eleito diversas vezes, nas mais variadas premiações, como o maior lateral-direito da história do futebol.

Djalma (que se chamava Dejalma) começou a carreira na Portuguesa, clube pelo qual conquistou duas vezes o Torneio Rio-São Paulo, em 1952 e 1955. Até hoje é o segundo jogador que mais vestiu a camisa lusitana.
Em 1959, já campeão do mundo com a seleção, se transferiu para o Palmeiras, onde marcou época, tendo atuado em 498 partidas (295 vitórias, 105 empates e 98 derrotas) e anotado dez gols.

Conquistou o Campeonato Paulista de 1959, 1963 e 1966, a Taça Brasil de 1960 e 1967, o Torneio Rio-São Paulo de 1965 e Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967.

Depois de quase 10 anos no Palestra Itália, encerrou a carreira no Atlético-PR, onde jogou por mais quatro anos, até os 42. O jogador, em mais de duas décadas jogando, nunca foi expulso de campo. Pela seleção, atuou em 110 partidas, tendo participado também das Copas de 1954 e 1966.

Confira o boletim médico divulgado:


BOLETIM MÉDICO - Dejalma dos Santos (Djalma Santos)
23/07/2013(2) - 19h30

O Hospital Dr. Hélio Angotti comunica, com pesar, o falecimento do bicampeão mundial de futebol Dejalma dos Santos (Djalma Santos), em decorrência de uma pneumonia grave e instabilidade hemodinâmica culminando com parada cardiorrespiratória e óbito às 19h30.

Dr. Carlos Eduardo Vidal de Souza – médico Clínica Médica / Reumatologista.
Dr. Alexandre Ribeiro de Oliveira – médico Clínica Médica / Reumatologista.


Morre aos 72 anos o sanfoneiro Dominguinhos

Veja online

Ele estava internado na UTI do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, devido a complicações de um câncer no pulmão contra o qual lutou por seis anos

Reginaldo Teixeira 
Apresentação de Dominguinhos no 6° Prêmio TIM de 
Música no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2008  

O cantor e compositor Dominguinhos morreu aos 72 anos nesta terça-feira no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele estava internado desde 13 de janeiro, já trazido de um hospital do Recife onde deu entrada em dezembro. Segundo nota divulgada pela instituição, ele faleceu em decorrência de complicações infecciosas e cardíacas. 

Dominguinhos havia deixado a unidade de terapia intensiva (UTI) no último dia 14, quando apresentou melhora do quadro de arritmia cardíaca, oscilação de pressão arterial e infecção respiratória, mas voltou à UTI no último domingo. O sanfoneiro lutava contra um câncer de pulmão havia seis anos e sofria de diabetes. 

Em 17 de dezembro, Dominguinhos foi internado em estado grave na unidade coronariana do hospital Santa Joana, em Recife, de onde seria mais tarde transferido para São Paulo. Mas a sua saúde vinha frágil havia anos. No começo de 2011, o sanfoneiro teve um princípio de enfarte, em São Paulo, e foi atendido pelo hospital Albert Einstein. 

Em março, o jornal Diário de Pernambuco noticiou que o sanfoneiro estaria em coma irreversível. Dias depois, o Sírio-Libanês informou em boletim que Dominguinhos estava "minimamente consciente". Por trás da guerra de versões, há uma briga judicial entre os herdeiros, os filhos Mauro e Liv Moraes, que disputam o controle dos bens do músico.

Carreira -- 
Discípulo de Luiz Gonzaga, José Domingos de Morais nasceu em 1941, na cidade de Garanhuns, agreste pernambucano. Lá, ele foi descoberto ainda menino pelo chamado "rei do baião", a quem passou a acompanhar em shows pelo país e com quem teve uma relação quase de pai e filho. 

Seu primeiro disco, Fim de Festa, saiu em 1964. Em 2002, o músico levou um Grammy Latino com o CD Chegando de Mansinho. Dominguinhos lançou 41 discos. 


Relembre os sucessos de Dominguinhos

'De Volta pro Aconchego'


A música mais emblemática da carreira de Dominguinhos é sinônimo do forró de raiz.


'Gostoso Demais'


A canção Gostoso Demais foi regravada por grandes nomes da MPB, como Elba Ramalho.


'Lamento Sertanejo'



A melodia triste da canção é uma das mais bonitas compostas pelo sanfoneiro. A letra é do parceiro Gilberto Gil, intérprete de algumas de suas composições. 


'Abri a Porta'


Mais uma parceria de Dominguinhos com Gilberto Gil.


'Eu só Quero um Xodó'


A música foi sucesso também na voz de Gilberto Gil.


'Tenho Sede'


Outra música que foi abraçada por Gil.


'Retrato Redondinho'



A sanfona de Dominguinhos é a marca do forró que ajudou a perpetuar na música brasileira.

'Isso Aqui Tá Bom Demais'


Parceria com Nando Cordel, que assina a letra.


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Não existirá outro Dominguinhos

TV Estadão 

Morte do herdeiro de Luiz Gonzaga deixa trono vazio