terça-feira, novembro 16, 2010

As mulheres de Dilma

Guilherme Fiúza, Revista Época

Quem já teve uma Erenice a tiracolo, cuidando de todas as unhas encravadas, como diria o nosso Delúbio, deve sentir uma fossa danada na hora de montar um ministério.

Como se sabe, é a vez das mulheres. O Brasil tem uma presidenta, e teria em Erenice uma superministra, com seu instinto maternal capaz de empregar a família inteira no governo.

Mas não há de ser nada. Dilma tem outras companheiras na manga. Uma delas, diretora da PTbras, ou melhor, Petrobras, vem com tudo.

Maria das Graças Foster é cotada para assumir a Casa Civil, depois que Erenice foi abortada. Mas de aborto não se fala mais. E se a eleição de Dilma já gerou um êxtase feminista, uma Maria das Graças no poder renderá no mínimo uma nova safra de artigos poéticos de Leonardo Boff sobre a revolução uterina.

Substituir um mito como Erenice Guerra não é fácil. Mas a candidata tem lá suas credenciais.

Já se sabe, por exemplo, que o marido de Maria das Graças ganhou algumas dezenas de contratos com a Petrobras depois que ela virou diretora da estatal. Quase a metade sem licitação.

Como se vê, ninguém é insubstituível. Nem Erenice.

Segundo os dilmólogos, Maria das Graças está bem cotada porque tem um perfil e uma linha de ação muito parecidos com o da presidente eleita. Era exatamente o que se dizia de Erenice. Faz todo o sentido.

E não venha a imprensa golpista com nova onda de denúncias, porque não adianta. Se derrubarem essa, eles arranjam outra. O tal “perfil”, pelo visto, é a especialidade da casa.

Viva o governo das mulheres. E já que é para acabar com o preconceito, arranjem aí uma boquinha para a madame Roriz, grande destaque da eleição ao lado do Tiririca.

Ela não é nenhuma Erenice, mas já é uma Weslian – o que não é pouco.

Petrobras fecha contratos com marido de diretora cotada para Gabinete de Dilma

O Globo

RIO - A Petrobras assinou 42 contratos, sendo 20 sem licitação, com a empresa do marido de Maria das Graças Foster, cotada para assumir uma vaga no Ministério de Dilma Rousseff.

Conforme o jornal "Folha de S.Paulo" publicou na edição de domingo, os contratos com a C. Foster, do empresário Colin Vaughan Foster, foram firmados a partir de 2007, quando Maria das Graças assumiu o cargo de diretora de Gás e Energia da estatal. Anteriormente, a empresa só havia efetuado uma venda sem licitação para a Petrobras.

Os contratos somaram R$ 614 mil e foram referentes ao fornecimento de componentes eletrônicos para áreas de tecnologia, exploração e produção. Em 2004, Maria das Graças chegou a ser envolvida em denúncia de suposto favorecimento à empresa do marido, enviada à Casa Civil.

O então ministro José Dirceu pediu explicações ao Ministério de Minas e Energia, então sob o comando de Dilma. Na época, por meio de ofício, a Petrobras disse ter encontrado indícios de que os contratos renderam prejuízos, mas que não obteve provas de má-fé ou de obtenção de vantagem financeira

A divulgação dos contratos provocou reação da oposição:

- É mais um sinal de que devemos trabalhar para que a Petrobras seja reestatizada. A empresa está servindo a negócios privados. O caso abre ainda mais os olhos da oposição, que tem o papel de assegurar a transparência nos negócios executados pela estatal - disse ontem o deputado federal tucano Otávio Leite (RJ). líder da minoria no Congresso.

Em nota, a Petrobras negou favorecimento à C. Foster e irregularidade nos contratos. De acordo com a estatal, as 20 compras "foram realizadas por dispensa de licitação, pois os valores foram abaixo de R$ 10 mil. As demais foram feitas por meio de processo licitatório".

Ainda segundo a estatal, a C.Foster não foi a vencedora "em mais de 90% das licitações que participou e, de 2005 a 2010, as compras somaram R$ 614 mil, contra os cerca de R$ 50 milhões que a estatal adquiriu no período de outras empresas". A nota afirma que "as compras foram feitas por quatro áreas da Companhia", nenhuma vinculada à diretoria de Gás e Energia.

Ex-diretor acusa governo de agir para sucatear Correios

Leonardo Souza, Folha De S. Paulo

Pedro Bifano diz que, mesmo com R$ 4 bi em caixa, empresa não investiu

Demitido em julho deste ano, ex-executivo acusa Hélio Costa de favorecer empresas; ex-ministro nega e vê "maldade"

Um ex-diretor dos Correios acusa o governo de ter suspendido investimentos e contratação de pessoal na estatal para forçar a abertura de capital da empresa e favorecer o setor privado.

A acusação foi feita em entrevista à Folha pelo ex-diretor de Gestão de Pessoas Pedro Magalhães Bifano, 53, demitido em julho, no auge da disputa entre PT e PMDB pelo comando da autarquia.

No ano passado, os Correios tinham mais de R$ 4 bilhões disponíveis entre recursos em caixa e aplicações em bancos e títulos do Tesouro Nacional, um crescimento de 60% em relação a 2006.

Apesar de ter dinheiro em caixa, os Correios atravessam uma das piores crises de sua história, a ponto de beirar um "apagão postal", com atrasos na entrega e sumiço de correspondências.

Bifano aponta uma ação deliberada do ex-ministro Hélio Costa (Comunicações) e do ex-presidente dos Correios Carlos Henrique Custódio para "sucatear" a estatal.

Segundo ele, o objetivo era transformar a autarquia em sociedade anônima para "sair da 8.666 [Lei de Licitações]". "Eles queriam que os Correios fossem sócios de empresas privadas", disse.

Costa e Custódio rebatem as acusações e dizem tratar-se de uma "maldade" do ex-diretor. "Não vou responder a um funcionário demitido dos Correios", disse o ex-ministro das Comunicações.

"Ele [Hélio Costa] ficava segurando [os gastos], não deixava contratar carros, não deixava contratar aviões, não deixava eu contratar funcionários, para mostrar que o atual modelo não dava. E nós, com R$ 4 bilhões aplicados em caixa. Podia comprar avião, precisava contratar 10 mil funcionários, precisava comprar 2.000 carros", disse Bifano.

*****

O ex-ministro Hélio Costa classificou como "bobagem" as declarações do ex-diretor dos Correios Pedro Magalhães Bifano sobre o suposto "sucateamento" da estatal.

Ele disse que o ministério não interferia nos Correios e que jamais foi cogitado no governo mudar a condição de estatal da empresa. "Os Correios têm uma diretoria que toma suas decisões."

O ex-ministro, que retomou seu mandato de senador (PMDB-MG) após perder a eleição em Minas, contou que, em março deste ano, entregou ao presidente Lula um estudo feito pelo Ministério das Comunicações, em conjunto com a Fazenda e o Planejamento, com sugestões de melhorias na empresa.

Ele disse que tratou do tema com Lula recentemente. "Conversamos sobre a necessidade de reorganização e modernização dos Correios. Ele [Lula] me disse que está colocando [o assunto] na pauta de prioridades para apresentar à presidente eleita [Dilma Rousseff]".

Valores Culturais

Arlindo Montenegro, Alerta Total

Heitor Vila Lobos e Monteiro Lobato, na música e na literatura, têm povoado os sonhos e brincadeiras infantís dos brasileiros há muitas gerações, fixando valores consuetudinários presentes na certidão de nascimento do projeto de nação, que o Jeca Tatu caracterisa em transformações diversas, desde a economia agrária até a industrialização.

As cantigas de roda de Vila Lobos, o Sitio do Pica Pau Amarelo, os personagens da epopéia de Canudos descrita por Euclides da Cunha, o romântico encontro amoroso de índios e brancos de José Alencar e mais recentemente a obra de Guimarães Rosa, descrevem personagens e valores compartilhados pela memória coletiva dos habitantes desta terra.

No nascedouro da nação "independente" o gigante José Bonifácio de Andrada e Silva, defendia instituições que, apoiadas em Leis liberais, integrassem os negros, como cidadãos da nação. Somente afirmando o direito à vida e ao trabalho de todos os segmentos, o Brasil poderia encentar o caminho da independência. Estaria no caminho de mostrar a cara como nação com identidade propria.

Continuamos buscando esta identidade. Enquanto uns afirmam os valores culturais ancestrais, outros tentem impingir valores fabricados em laboratório internacionais de reengenharia mental, que anulam e descartam valores universais hereditários, presentes e acreditados na nossa evolução como seres humanos.

O direito consuetudinário abre espaço para todas as crenças e limita os direitos à prática de deveres. Num estado democrático de direito, não cabe a imensa desigualdade que encontramos e que se fomenta, dividindo em classes chocantes, brasileiros todos pagantes de impostos, obrigados a manter um estado cada vez mais distanciado das realidades humanas locais e cada dia mais envolvido com a reengenharia interncional, cujo valor único é o dinheiro, produzido com o nosso suor.

Nos últimos anos, a partir dos bancos escolares como na literatura e na vida política, vem-se cristalizando um sentido de oposição entre dominantes e dominados. Quem tem, quem pode tudo, de um lado. Do outro lado, todos os outros,trabalhando para manter o poder crescente do estado, cuja dívida interna (hoje beirando "2 TRILHÕES e 300 BILHÕES, exigindo amortização anual de 250 BILHÕES, mais ou menos" – Helio Fernandes) e uma dívida externa de 262 BILHÕES de dólares!

Aqueles valores concernentes à dignidade, honestidade, verdade, ética, busca do bem estar, moral, patriotismo, família, espírito crítico, deveres gerando direitos materiais, direitos humanos universais e valor da vida, foram pervertidos, invertidos e frequentam os discursos políticos, frequentam os bancos escolares, como "novas" verdades, impostas, que todos devem aceitar, sem protestar.

Há um vazio intelectual, uma aridez de idéias que possam guiar para a formação da identidade nacional. Jogamos na lata de lixo e esquecemos nas prateleiras mofadas das bibliotecas, tudo quanto se formulava nesta busca. Neste sentido somos bem diferentes de povos mais antigos, como os latinos das civilizações Inca, Maia e Azteca.

Os peruanos estão exigindo que os EUA, especificamente a famosa Universidade de Yale, devolvam os tesouros de Machu Pichu, retirados da cidadela pelo explorador que a descobriu, em 1912. Os Egito quer que a Inglaterra devolva os tesouros dos faraós. Como não temos tesouros arqueológicos representativos, sequestrados por nações do mundo "civilizado", o mínimo que poderíamos fazer era preservar nossos tesouros mentais, nossa memória cultural.

Neste momento, nada disto parece fazer sentido para os nossos políticos ou para os nossos acadêmicos, todos envolvidos nos valores da colonização comercial que se insinua neste mundo, onde a "casta" da instituição jurídica, guardiã dos valores morais, protagoniza um espetáculo de desprezo aos princípios e valores que tem o dever de defender, em nome de todos os brasileiros.

Eis a notícia: "Empresas públicas e privadas patrocinarão nesta semana encontro de (700) juízes federais em luxuoso resort na ilha de Comandatuba, na Bahia, evento organizado pela Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil)."

"Cada magistrado desembolsará apenas R$ 750. Terá todas as despesas pagas, exceto passagens aéreas, e poderá ocupar, de quarta-feira a sábado, apartamentos de luxo e bangalôs cujas diárias variam de R$ 900 a R$ 4.000."

"A diferença deverá ser coberta por Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes, Souza Cruz, Eletrobras e Etco (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial - Frederico Vasconcelos, de São Paulo)".

Alguns juízes não aceitaram o convite. Parece que ainda existem homens que pensam numa nação brasileira.

BP fecha acordo para explorar petróleo do pré-sal no Brasil

BBC Brasil

A BP já é a maior exploradora de petróleo do Golfo do México

A companhia petrolífera britânica BP anunciou nesta quinta-feira a aquisição de ativos da Devon Energy que a permitirão explorar petróleo em águas profundas da Bacia de Campos.

Além da Devon, a Petrobras já fechou parcerias para exploração da costa brasileira, que segundo as estimativas podem conter 80 bilhões de barris de petróleo, com diversas outras companhias, tais como a americana ExxonMobil, a espanhola Repsol e a portuguesa Galp.

Pelo novo acordo, a BP pagará US$ 7 bilhões (R$ 12,4 bilhões) ao grupo americano para poder participar da exploração petrolífera de dez blocos no Brasil, sendo sete deles na Bacia de Campos.

Além disso, a empresa da Grã-Bretanha poderá ampliar sua prospecção de petróleo no Golfo do México, onde já é a maior produtora do mundo, e no complexo Azeri-Chirag-Gunashli, que fica no Mar Cáspio, Azerbaijão.

O contrato prevê ainda que a BP venderá por US$ 500 milhões (R$ 885 milhões) metade de seus direitos de extração de óleo pesado dos arenitos de Kirby, no Canadá, ainda em fase inicial de exploração.

"Essa oportunidade estratégica enquadra-se perfeitamente na capacidade operacional e nos interesses-chave da BP no mundo, oferecendo-nos um significativo potencial adicional de crescimento de longo prazo, com ênfase na produção petrolífera", disse Tony Hayward, presidente mundial do grupo britânico.

Andy Inglis, diretor de exploração e produção da BP, afirmou que com a "entrada no Brasil, a BP irá acrescentar uma importante posição em mais uma bacia atrativa de águas profundas".

Obstáculos
Ao mesmo tempo em que o acordo proporciona à BP um importante acesso direto à exploração na costa brasileira, ele inclui a empresa no enorme desafio que será a extração de petróleo da camada do pré-sal.

"As reservas de petróleo em águas profundas, que estão a 7 mil metros abaixo do nível do mar e sob uma grossa camada de sal, são tecnicamente difíceis de serem desenvolvidas", lembra o diário econômico britânico Financial Times em reportagem desta quinta-feira.

O jornal americano Wall Street Journal descreveu em 2008 as dificuldades de se extrair petróleo da camada do pré-sal.

"A exploração e a extração de petróleo em águas super-profundas são uma empreitada cara e arriscada. O sal que fica sobre os potenciais campos adiciona desafios técnicos porque muda de lugar e é propenso a mudanças bruscas de pressão. E apesar dos avanços na tecnologia de imagens geológicas, é impossível saber a quantidade e a qualidade do petróleo escondido em um depósito até que ele comece a jorrar – um processo que leva anos".

Segundo o texto desta quinta-feira do FT, "há também uma preocupação generalizada com a ambição do governo brasileiro de maximizar os lucros do Brasil com sua riqueza petrolífera, o que pode criar problemas para os investidores estrangeiros", analisou o FT.

O jornal americano The New York Times já havia descrito o novo marco regulatório para a exploração do petróleo no Brasil, anunciado em setembro do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como "uma virada nacionalista" para o país.

"O governo brasileiro propôs mudanças às leis existentes para dar o papel principal no desenvolvimento das reservas-chave de petróleo em águas profundas para a gigante estatal da energia, a Petrobras, em detrimento das rivais estrangeiras", observou o diário na ocasião.

'Não vai faltar chocolate no Brasil'

Marco Túlio Pires, Veja online

Pesquisador brasileiro afasta futuro sombrio desenhado em estudo britânico e aposta que uma variedade de cacau barata e resistente a doenças pode dar ao Brasil a autossuficiência em dez anos

(Jupiterimages)

"Nossa expectativa é de que em 10 anos sejamos autossuficientes em cacau e possamos exportar o que sobrar das 300.000 toneladas que produziremos por ano utilizando as novas plantas" — Mário Tavares, coordenador do Ceplac.

Um estudo da Associação de Pesquisa do Cacau da Inglaterra divulgado esta semana previu um futuro sombrio: em até 20 anos, o cacau se tornará escasso, e o chocolate, uma rara iguaria. Até lá, porém, o setor brasileiro espera recuperar a boa forma e devolver ao país o posto de um dos maiores produtores de cacau do mundo. "Não vai faltar chocolate no Brasil", garante Mário Tavares, coordenador da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão ligado ao Ministério da Agricultura. A aposta é uma muda de cacaueiro barata, altamente produtiva e resistente a fungos, capaz de contornar os obstáculos previstos pelos pesquisadores britânicos.

Há 21 anos, o Brasil era o segundo maior produtor de cacau do mundo. Mas um fungo chamado Moniliophtora perniciosa, causador de uma praga conhecida como vassoura-de-bruxa, atingiu de forma agressiva as árvores e fez com que a participação do Brasil no mercado mundial de cacau caísse de 14% para apenas 4%. De 400.000 toneladas, a produção brasileira caiu para 114.000 toneladas por ano. O fungo chegou a afetar 90% da produtividade de algumas lavouras e parte do setor ainda está endividado por causa dos prejuízos do início da década de 1990. O país hoje precisa importar. Das 200.000 toneladas consumidas no ano passado, 80.000 (40%) foram importadas, segundo Henrique Almeida, presidente da Associação de Produtores de Cacau do Brasil.

Apesar de a produção brasileira ter diminuído consideravelmente, o consumo de chocolate no mundo aumenta a uma taxa de 3% a 5% ao ano, segundo Almeida. Mas os números devem ser analisados com cuidado. Apenas em Xangai, na China, o consumo de chocolate fino aumenta 25% ao ano. O cacau dobrou de preço nos últimos seis anos justamente pela crise que afetou grandes produtores, como o Brasil. “Há 10 anos a tonelada do cacau custava 700 dólares, e hoje ela pode chegar a 3.100 dólares”, diz Almeida.

A busca do cacau perfeito - O Ceplac foi criado em 1957 e atua nos seis estados produtores de cacau: Bahia, Espírito Santo, Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso. Realiza pesquisas com grandes empresas para desenvolver o cacau perfeito. Tavares explica que o órgão possui fazendas de pesquisa em parceria com grandes empresas de alimentos, como a Cargill, Mars e Nestlé. Juntos, os pesquisadores conseguiram desenvolver plantas de cacau de alta produtividade e resistentes à vassoura-de-bruxa. “Selecionamos as plantas através de várias gerações sem recorrer a alternativas transgênicas”. As plantas já estão disponíveis para os produtores. Na Bahia, existe uma biofábrica que vende mudas das plantas de alta produtividade por 40 centavos. Os produtores podem ainda optar por cultivar as mudas dentro da própria fazenda. “Hoje, a grande maioria dos produtores já está fazendo isso”, diz.

O objetivo do Ceplac é devolver ao Brasil o status de segundo maior produtor de cacau do mundo até 2020. “Nossa expectativa é de que em 10 anos sejamos autossuficientes em cacau e até possamos exportar o que sobrar das 300.000 toneladas que produziremos por ano, utilizando as novas plantas”. Mas para que isso aconteça, a Ceplac reconhece que muitos obstáculos precisam ser ultrapassados. O aumento nos preços dos insumos agrícolas e a falta de crédito para o agricultor dificultam o envolvimento de investidores.

Chocolate amargo pode ajudar diabéticos a controlar o colesterol, diz pesquisa

Veja online

Substâncias presentes no alimento reduzem os níveis de colesterol ”ruim” e aumentam o colesterol “bom”

(Jack Hollingsworth/Thinkstock)

O chocolate amargo (com alta concentração de cacau) faz bem ou mal à saúde? Entre as dezenas de pesquisas contraditórias sobre seus efeitos, uma última mostra que o alimento, rico em polifenóis (substâncias que estão se mostrando, em várias pesquisas, extremamente benéficas), pode ajudar diabéticos a controlar os níveis de colesterol. O estudo, liderado pela Hull University, foi publicado na última edição do jornal Diabetic Medicine.

Durante a pesquisa, um grupo de 12 voluntários com diabetes tipo 2 recebeu barras de chocolate diariamente – algumas enriquecidas com polifenóis, outras não. Aqueles que ingeriram as barras enriquecidas apresentaram uma pequena queda nas taxas de colesterol (LDL) e um aumento no nível do colesterol considerado bom (HDL). “Essa qualidade de chocolate deveria ser incluída na dieta, para uma melhora na qualidade de vida do paciente”, diz Steve Atkin, um dos coordenadores da pesquisa.

"Luz verde" — As críticas ao estudo, no entanto, afirmam que os benefícios são muito pequenos quando comparados aos riscos que a quantidade de gordura e de açúcar presentes no chocolate podem representar ao diabético. “O formato do estudo é, de certa forma, irrealista, já que os participantes consumiram apenas metade de uma barra por apenas oito dias”, diz Iain Frame, médico diretor de uma instituição britânica para diabéticos. Os especialistas do órgão alertam ainda que o estudo de Atkin pode ser um risco, se for visto como uma “luz verde” para os diabéticos comerem mais chocolate.

Os polifenóis também estão presentes em uvas, por exemplo. Por isso, várias pesquisas já indicaram que o vinho pode ser benéfico à saúde se consumido moderadamente.

Portugal diz que pode ter de abandonar o euro

Da Reuters, em Lisboa

O fracasso em obter uma coalizão governista ampla para enfrentar a crise financeira poderia forçar Portugal a abandonar o euro, disse o ministro das Relações Exteriores em entrevista publicada neste sábado.

A oposição e governo devem se unir para lidar com uma "situação extrema", Luís Amado disse ao semanário "Expresso".

Portugal viu uma perda acentuada da confiança dos investidores nas últimas semanas, em meio a crescentes preocupações com a frágil situação do orçamento da Irlanda, empurrando os prêmios de risco de Portugal aos níveis mais altos desde que adotaram o euro.

"O país precisa de uma grande coalizão que nos permita superar a situação atual", Amado disse à publicação.

"Acredito que os partidos (políticos) compreendem que a alternativa para a situação que enfrentamos é, eventualmente, sair do euro", disse ele. "Essa é uma situação que poderíamos ser inevitavelmente obrigados pelo mercado a considerar."

Grande parte da preocupação com os esforços de Portugal para reduzir o seu deficit orçamentário nas últimas semanas vieram de dúvidas sobre se a oposição social-democrata iria apoiar o plano austero de orçamento de 2011 no parlamento.

As medidas do governo socialista que não tem maioria no parlamento precisam do aval da oposição para serem aprovadas.

Os socialistas e social-democratas finalmente chegaram a um acordo que levaram à aprovação do primeiro esboço do orçamento de 2011 no Parlamento este mês, mas os investidores estão observando atentamente até a votação final em 24 de novembro.

Analistas disseram duvidar que os socialistas consigam se manter no governo até o fim de seu mandato que termina em 2013, especialmente agora que os social-democratas lideram as pesquisas de opinião, mas em Portugal, eleições antecipadas Constituição não pode ser realizada antes de maio.

ONG de defesa de índios alerta contra expedição britânica ao Paraguai

Victoria Gill, Repórter de Ciência e Natureza, BBC News

Alguns indígenas do povo Ayoreo nunca tiveram contato com o exterior

Uma entidade paraguaia de proteção a índios está lançando um alerta contra uma expedição de cientistas britânicos a uma região remota do Paraguai.

Segundo a entidade, a expedição ameaça as vidas de tribos indígenas isoladas.

Os cientistas, do Natural History Museum (NHM), em Londres, querem estudar a biodiversidade na região do Chaco Seco.

Em uma carta aberta ao NHM, a ONG Iniciativa Amotocodie (IA), expôs o dilema: como equilibrar as necessidades de pesquisa e os riscos de perturbar as comunidades indígenas.

A IA diz que a viagem deveria ser cancelada.

Mas o museu, que nesse projeto trabalha em parceria com colegas paraguaios, disse estar tomando medidas para assegurar que a expedição não ameace as tribos.

Em uma declaração divulgada para a imprensa, o museu disse: "Sempre pedimos conselhos sobre essas questões às autoridades nacionais relevantes, como estamos fazendo no Paraguai".

Povo Ayoreo
O Chaco Seco, uma região semi-árida, de baixa altitude, se estende pela Argentina, Bolívia e Brasil. É uma das poucas regiões onde ainda há grupos isolados do povo Ayoreo que nunca tiveram contato com o mundo exterior.

A equipe de biólogos e botânicos britânicos e paraguaios espera encontrar no local espécies nunca identificadas de plantas, insetos e animais.

Eles esperam que a expedição ajude a chamar a atenção para a necessidade de proteção do habitat do Chaco, ameaçado pela expansão das atividades madeireiras e de agricultura intensiva.

Mas Benno Glauser, diretor da Iniciativa Amotocodie, disse à BBC que qualquer contato com as tribos poderia ter "consequências fatais".

Ele disse que havia riscos de um "contato surpresa", porque os cientistas tinham de "se mover pela região de maneira muito silenciosa para poder observar os animais".

"Sabemos de três grupos indígenas isolados na área alvo da expedição", disse Glauser.

"Eles vivem em florestas completamente virgens (...) isto os torna vulneráveis a qualquer intrusão."

A carta ressalta os riscos associados à pesquisa em regiões tão remotas.

Já o chefe de ciências do NHM, Richard Lane, disse à BBC: "Ponderamos a expedição inteira desde o início".

"Buscamos conselhos dos nossos guias no local para assegurar que não haverá contatos inapropriados".

A equipe também está trabalhando em conjunto com representantes do povo Ayoreo na Unión de Nativos Ayoreo de Paraguay (Unap).

"Recentemente, nossos colaboradores contataram um representante mais velho do povo Ayoreo, que se voluntariou para guiar nossa equipe na floresta", acrescentou Lane.

Survival International
A entidade de defesa dos povos da floresta Survival International também entrou no debate.

O diretor da entidade, Jonathan Mazower, disse que as tribos com frequência pensam que as pessoas de fora são hostis, e qualquer encontro inesperado pode ser violento.

Mas ele não sugeriu que a expedição seja abandonada. Ele acha que a viagem deveria ser transferida para uma outra área do Chaco.

É "uma área vasta, mas a expedição planeja ir até uma área que, apesar de ser muito remota, é tida como a terra ancestral da tribo Ayoreo", ele disse à BBC.

Calcula-se que existam hoje cerca de 5 mil índios Ayoreo. A Survival International estima que apenas 200 não tenham sido contatados.

Mazower disse que esses povos estão "em fuga permanente" de criadores de gado que estão desmatando a área.

"No passado, quando foram contatados, houve encontros violentos", ele disse.

"E eles são nômades, então é impossível saber onde estão num determinado momento".

Muitos dos Ayoreo que se mudaram para fora da floresta voluntariamente sofreram problemas de saúde, particularmente, problemas respiratórios, incluindo a tuberculose.

Por estarem isolados, não têm imunidade contra esse tipo de infecção.

Lane, do NHM, disse que o museu e seus parceiros na expedição não tinham interesse em contatar tribos isoladas durante a viagem.

"Estamos indo a regiões protegidas porque muitas áreas de floresta do Chaco já foram cortadas, então não são de interesse para uma expedição científica", ele disse.

O museu planeja ir em frente com a expedição e espera que ela ajude "governos e grupos de preservação a entender melhor como administrar habitats frágeis e protegê-los para as gerações futuras".

Política deve ficar fora de congresso cubano

Guilherme Russo, O Globo

Especialistas criticam fato de discussão sobre sistema socialista não estar na pauta da reunião em abril e afirmam que falta estrutura para crescer

Na iminência do 6.º Congresso do Partido Comunista Cubano, marcado para a segunda semana de abril em Havana, o cenário do país tende a mudar. Apesar de a pauta do encontro tratar quase exclusivamente de questões ligadas à economia, a sociedade também entra em discussão. Problemas ligados ao desenvolvimento da ilha serão inevitáveis.

De acordo com especialistas ouvidos pelo Estado, isso fica evidente principalmente depois que as 500 mil demissões de funcionários públicos anunciadas por Havana para o primeiro trimestre de 2011 forem postas em prática.

Para o economista cubano Oscar Espinosa Chepe, que trabalhou para o governo de Fidel Castro por quase 20 anos e chegou a ser preso depois de passar à dissidência do regime, para "que Cuba se levante, reformas verdadeiras têm de ser feitas".

Ele ressalta que tributação anunciada em outubro de até 50% sobre ganhos anuais acima de 50 mil pesos cubanos (pouco mais de US$ 2 mil) e folhas de pagamento (quem contratar mais de dez pessoas está obrigado a pagar o mesmo valor ao Estado) impede o crescimento. "Falta liberdade para trabalhar. Esses impostos são uma "camisa de força"."

"Há uma relação estreita entre política e economia. Não se fala dos problemas políticos", diz Chepe, criticando a pauta do congresso, cujo primeiro ponto afirma que "o sistema de planificação socialista continuará sendo a via principal para a direção da economia nacional".

Segundo o economista, se o sistema não mudar pelo menos para o modelo chinês, que "permite o lucro", Cuba continuará à margem do crescimento.

Outro impedimento imediato é a falta de infraestrutura. Chepe lembra que 94% das ferrovias cubanas estão em más condições e os portos e aeroportos do país nunca se modernizaram. A ausência de um mercado atacadista é outro fator que atrasa a economia da ilha. E a pauta do congresso não trata dos temas.

(...) Para o cientista político Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o próximo encontro do Partido Comunista Cubano (PCC) será o mais importante desde o primeiro, que estabeleceu oficialmente o alinhamento da ilha com a antiga União Soviética.

"Os congressos servem para realizar as grandes mudanças estruturais. O próximo vai definir claramente o tipo de país que Cuba será dali para a frente", afirma Ayerbe.

(...) Ayerbe afirma que o 6.º congresso poderá ainda destituir Fidel Castro do posto de 1.º secretário do PCC. "Mas isso depende de sua saúde nos próximos meses, além de sua vontade", diz.

Bloqueio paraguaio a Chávez

Mac Margolis, Estadão.com

Logo mais, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve concluir a devolução ao Paraguai do canhão Cristão, capturado por tropas brasileiras ao tomar a Fortaleza de Humaitá em 1868, na Guerra da Tríplice Aliança.

Bem que os vizinhos podem precisar dele. Há meses, o diminuto país é alvo da artilharia pesada de Hugo Chávez. Mesmo com sua economia em frangalhos e a oposição aos calcanhares, o líder venezuelano está empenhado como nunca em fortalecer a marca do seu Socialismo do Século 21.

No mês passado visitou Irã, Síria, Líbano, Portugal e Ucrânia, e fechou o giro com um beija-mão dos irmãos Castro. Agora deve relançar a ofensiva para conquistar uma vaga plena no Mercosul. Já se renderam ao canto bolivariano três dos quatro integrantes titulares do mercado comum sul-americano, Brasil, Uruguai e Argentina. Só falta o Paraguai.

Ou, melhor, o Senado paraguaio. Dominado pelo Partido Colorado, que mandou a ferro e fogo no país durante seis décadas, o Senado trava oposição ácida ao presidente Fernando Lugo, este sempre simpático à causa de Chávez.

Além do veto à Venezuela, a maioria dos 45 senadores também barrou a entrada do Paraguai na União das Nações Sul-Americanas, a Unasul, pacto de inspiração chavista criado para tocar assuntos das Américas longe da sombra dos EUA.

Quem diria que esse pequeno colegiado, um punhado de legisladores de um país espremido entre gigantes, conseguiria frustrar o avanço do espaçoso comandante Chávez e se tornar firewall da democracia continental?

O mundo inteiro conheceu os heróis chilenos, os 33 mineiros resgatados das trevas. Apresentam-se agora "los 45", os legisladores paraguaios na última trincheira entre o continente e o abismo diplomático.

Atrás da resistência há uma desconfiança corrosiva. Mercosul com Venezuela, alega o Parlamento paraguaio, seria um cavalo de Troia para Chávez, que já atropelou a democracia venezuelana e ainda sonha com a evangelização do continente.

Já a Unasul é vista como um projeto de interesse estratégico brasileiro, além de um palanque de conveniência para os libelos bolivarianos.

Há quem diga que a exclusão da Venezuela do Mercosul é um equívoco que acaba punindo a nação inteira pelos pecados do seu mandatário. Mais dia menos dia, argumenta-se, Chávez irá embora enquanto o povo e seu país ficarão.

Soa bonito, mas o raciocínio está mais furado do que a Fortaleza de Humaitá. O Mercosul não é um mero Lego geográfico, senão um contrato entre povos, pousado sobre instituições e erguido com princípios, valores e práticas compartilhados.

Entre eles: "a plena vigência das instituições democráticas", segundo o Protocolo de Ushuaia de 2005, "condição indispensável para a existência e o desenvolvimento do Mercosul".

A Venezuela até assinou o protocolo e desmoralizou a democracia.

Arriscando, voluntários revelam a vida na Coreia do Norte

Claudia Sarmento, O Globo

Num país onde ninguém pode dizer o que quer e, muito menos, fotografar o que gostaria, qualquer relato sobre o cotidiano de um povo totalmente isolado vale ouro. Se vier acompanhado de fotos e vídeos, melhor ainda, mas para isso é preciso arriscar a vida.

É o que seis norte-coreanos - treinados por um grupo de jornalistas asiáticos - vêm tentando fazer para que o mundo saiba o que acontece por trás da muralha erguida pela ditadura comunista de Pyongyang.

Trabalhando em segredo e condições precárias, esses repórteres já conseguiram enviar para além das fronteiras militarizadas entrevistas e imagens que mostram um lugar onde, apesar da repressão, mudanças estão acontecendo, conduzidas por cidadãos comuns, cansados de depender de um Estado falido.

Baseada em Tóquio, a ONG Asiapress, que apoia a liberdade de imprensa em países da Ásia onde a mídia sofre censura, conseguiu formar o pequeno time de norte-coreanos e os ensinou a usar câmeras, computadores e celulares disfarçados.

Os "agentes secretos" - suas identidades são protegidas - só conseguem encontrar a organização na fronteira com a China no máximo três vezes por ano, quando repassam o que registraram. O material, editado em Tóquio, vem sendo publicado na revista "Rimjin-gang" (nome do rio que cruza a zona desmilitarizada) e está correndo o mundo, revelando uma Coreia bem diferente das imagens oficiais de paradas militares e operários sorridentes.

Os jornalistas estrangeiros que pisam em território norte-coreano só podem circular com guias, na verdade agentes oficiais, e poucos saem da capital.

Os repórteres, que vêm sendo recrutados desde 2004, conseguem driblar essa barreira e o resultado é um retrato inédito tanto do abandono das áreas rurais quanto de uma economia de mercado em expansão nas cidades.

Uma das imagens mais impressionantes, gravada na província de Pyongan, no sul, mostra o que o ditador Kim Jong-il jamais admitiria: gente que não tem o que comer, nem onde dormir.

Com uma câmera, o repórter conversa com uma sem-teto de 23 anos, mas que aparenta 13. Exausta, ela caminha lentamente por uma plantação. Ele pergunta sobre seus pais, e ela conta que morreram. "O que você come?", insiste. A moça responde: "Nada".

Chávez, o chefão da cocaína?

Roger F. Noriega , Mídia Sem Máscara

Um dos maiores traficantes de drogas do mundo pode em breve contar aos procuradores americanos tudo o que sabe sobre a cumplicidade do governo venezuelano com o narcotráfico.

O presidente venezuelano Hugo Chávez deve estar muito preocupado com o fato de que um homem definido pelo presidente Obama como um dos mais importantes chefes do tráfico internacional de drogas, Walid Makled-Garcia, pode contar em breve a procuradores federais americanos tudo o que sabe sobre os altos membros do governo venezuelano que foram cúmplices em suas operações de tráfico de cocaína. O depoimento devastador de Makled-Garcia vem no vácuo de novos indícios do apoio de Chávez a grupos terroristas da Espanha, Colômbia e Oriente Médio e seu apoio ilegal explícito ao programa de armas nucleares do Irã. Lenta mas inevitavelmente, Chávez está sendo desmascarado como o cabeça de um regime criminoso.

De acordo com um uma acusação formal do governo federal, revelada em Nova Iorque terça-feira passada, de 2006 até agosto de 2010, Makled-Garcia trabalhou com membros do governo venezuelano no envio de toneladas de cocaína a partir de pequenas pistas de pouso naquele país para a América Central, México e por fim aos Estados Unidos. O procurador-público de Manhattan Preet Bharara chamou Makled-Garcia de "o chefe dos chefes." De fato, o Departamento de Justiça o apontou como "um alvo prioritário"; um dos traficantes de narcóticos mais perigosos e produtivos.

Makled-Garcia já foi conhecido como um dos empresários mais ricos da Venezuela. Ele entrou na mira das autoridades antidrogas americanas há um ano, quando suspeitou-se que ele estava usando os negócios de sua família na cidade venezuelana de Puerto Cabello e suas ligações com o exército venezuelano e traficantes colombianos para contrabandear cocaína. Com a cumplicidade ativa de dezenas de importantes autoridades venezuelanas, Makled-Garcia supostamente dirigiu uma rede de contrabando usando pistas de pouso em território venezuelano. A família também é acusada de estar envolvida em dezenas de assassinatos, incluindo o de um importante jornalista venezuelano e um traficante colombiano.

Com base em seu indiciamento, o governo colombiano prendeu Makled-Garcia em 18 de agosto e agora está analisando um pedido de extradição do réu. Enquanto isto, em uma entrevista à rede de TV colombiana RCN, na semana passada, Makled-Garcia disse ter provas bastantes de corrupção do narcotráfico no alto escalão do governo - inclusive vídeos e dados bancários - "para os Estados Unidos intervirem e invadirem a Venezuela, como fizeram com (Manuel Antonio) Noriega, no Panamá."

"Dei dinheiro a 15 generais venezuelanos," disse o prisioneiro de 41 anos à RCN. "Se eu for preso por causa de um (avião) DC-9 carregado de drogas vindo do Aeroporto Simón Bolivar, o general Hugo Carvajal [diretor da inteligência militar venezuelana], o general Henry Rangel Silva [chefe da inteligência interna], o general Luis Mota [comandante da guarda nacional] e o general Nestor Reverón [chefe da divisão anti-drogas] tem que ir para a cadeia pelo mesmo motivo."

Em uma entrevista ao jornal venezuelano El Nacional, mês passado, Makled-Garcia disse: "Como prova do que estou dizendo, tenho recibos e números de contas onde depositei dinheiro em nome de esposas, irmãos e irmãs" de "ministros, generais, almirantes, coronéis e cinco deputados da Assembléia Nacional."

Michele M. Leonhart, chefe da [agência nacional de combate às drogas] Drug Enforcement Administration emitiu uma declaração na quinta-feira, deixando claro que ela espera que Makled-Garcia seja entregue às autoridades americanas. "Devido ao trabalho excepcional de nossos parceiros na Colômbia e em outras partes, Makled-García está atrás das grades e aguardando a extradição para os Estados Unidos pelos crimes deste inquérito," ela disse. "Ele construiu um imenso império global do tráfico baseado em atividades criminosas. Sua prisão terá um impacto mundial no fornecimento de drogas e estamos comprometidos com a garantia de que ele vá à justiça nos Estados Unidos."

Chávez, é claro, está desesperado para pôr as mãos em Makled-Garcia. Ele apelou ao presidente colombiano Juan Manuel Santos para que mandasse o prisioneiro venezuelano para seu país de origem, onde ele seria sem dúvida silenciado pela polícia e juízes chavistas. É improvável que Santos arrisque a aliança de longa data de seu país com Estados Unidos enviando Makled-Garcia para qualquer parte que não eles. Além do mais, como signatário da Convenção contra a Tortura da ONU, o governo colombiano também deve dissipar as preocupações relativas aos direitos humanos estando determinados a que Makled-Garcia não seja submetido a tortura, como será, se for entregue à Venezuela.

Em uma entrevista de TV realizada durante uma visita a Cuba, Chávez disse, no domingo, que ele esperava que os Estados Unidos usassem as afirmações Makled-Garcia "contra a Venezuela e seu presidente," como um pretexto para "levar a Venezuela à Corte Criminal Internacional, para incluir a Venezuela entre os estados que apóiam o narcotráfico e o terrorismo, como parte do jogo do império para promover uma escalada contra a Revolução Bolivariana."

A rede criminosa da Venezuela está na mira da polícia e do governo americanos e Makled-Garcia está pronto para envolver ministros e líderes militares. Alguns podem achar que a cabala não vai mais alto do que o círculo íntimo de Chávez. Mas Chávez parece estar mais bem informado.

(*) Roger F. Noriega foi embaixador na Organização de Estados Americanos, entre 2001 e 2003, e trabalhou no Departamento de Estado, de 2003 a 2005. É membro do American Enterprise Institute e diretor administrativo do Vision Americas LLC, que representa clientes americanos e estrangeiros.

The American, 9 de novembro de 2010

Tradução: DEXTRA

O que fazíamos em Copenhague mesmo?

Eric Camara, BBC Brasil


O Brasil foi o país que publicou o maior volume de notícias sobre a conferência sobre das Nações Unidas sobre o clima em Copenhague, no ano passado, de acordo com um estudo britânico divulgado nesta segunda-feira.

Eu e outros 99 colegas brasileiros estivemos na loucura que tomou conta da Dinamarca por duas semanas: manifestações, céticos indignados, ONGs barradas e muito drama de bastidores. Fiquei sabendo nesta terça-feira que nós tínhamos o mesmo número de jornalistas lá que a China, e pouco mais que países ricos - e vizinhos - como Itália, Holanda e Espanha.

Lembro-me de ter almoçado algumas vezes com o autor do estudo citado, James Painter, ex-colega aqui de BBC e termos conversado sobre a alta concentração de brasileiros lá.

E não eram só jornalistas. A delegação brasileira - que foi oficiamente reconhecida como a maior do evento - também chamava a atenção pelo corpulência.

Estive ocupado demais para poder descobrir o que tanta gente fazia em volta do pavilhão brasileiro no centro de conferência. O fato é que toda vez que passava por lá, via gente batendo papo em português, totalmente alheias à correria que se via no resto do Bella Centre.

Agora, fico sabendo que tínhamos mais gente credenciada como parte da delegação do que a Dinamarca. Como assim? Estávamos em Copenhague... Nem quero entrar na discussão sobre quem pagou, porque não tenho qualquer informação sobre isso.

Havia necessidade de termos 572 pessoas representando o nosso país no encontro? A China, com seu bilhão e tal de habitantes tinha 333 representantes na sua delegação.

Se, por um lado, o estudo de James Painter indica que a forte presença da imprensa brasileira na reunião sobre o clima parece refletir uma preocupação crescente do público do país sobre o assunto, me pergunto o que significaria este aparente enorme interesse do governo.