Eric Camara, BBC Brasil
O Brasil foi o país que publicou o maior volume de notícias sobre a conferência sobre das Nações Unidas sobre o clima em Copenhague, no ano passado, de acordo com um estudo britânico divulgado nesta segunda-feira.
Eu e outros 99 colegas brasileiros estivemos na loucura que tomou conta da Dinamarca por duas semanas: manifestações, céticos indignados, ONGs barradas e muito drama de bastidores. Fiquei sabendo nesta terça-feira que nós tínhamos o mesmo número de jornalistas lá que a China, e pouco mais que países ricos - e vizinhos - como Itália, Holanda e Espanha.
Lembro-me de ter almoçado algumas vezes com o autor do estudo citado, James Painter, ex-colega aqui de BBC e termos conversado sobre a alta concentração de brasileiros lá.
E não eram só jornalistas. A delegação brasileira - que foi oficiamente reconhecida como a maior do evento - também chamava a atenção pelo corpulência.
Estive ocupado demais para poder descobrir o que tanta gente fazia em volta do pavilhão brasileiro no centro de conferência. O fato é que toda vez que passava por lá, via gente batendo papo em português, totalmente alheias à correria que se via no resto do Bella Centre.
Agora, fico sabendo que tínhamos mais gente credenciada como parte da delegação do que a Dinamarca. Como assim? Estávamos em Copenhague... Nem quero entrar na discussão sobre quem pagou, porque não tenho qualquer informação sobre isso.
Havia necessidade de termos 572 pessoas representando o nosso país no encontro? A China, com seu bilhão e tal de habitantes tinha 333 representantes na sua delegação.
Se, por um lado, o estudo de James Painter indica que a forte presença da imprensa brasileira na reunião sobre o clima parece refletir uma preocupação crescente do público do país sobre o assunto, me pergunto o que significaria este aparente enorme interesse do governo.
