No dia 12 passado, postamos o artigo "Lula tem bronca com o TCU? Então isto é bom para o Brasil" (clique aqui) , em que demonstramos que não há a menor razão para Lula se indispor contra o trabalho realizado pelos auditores do TCU. Esta bronca só se justifica se as irregularidades foram cometidas de forma premeditada para "beneficiar" os amigos do reino. Neste caso, então, o caso é bem mais grave.
Mas não quero chegar a tanto. Acredito apenas que a indisposição presidencial é em razão de não poder capitalizar politicamente tanto quanto desejaria a realização destas obras. Porém, não justifica que a ambição de Lula sirva de pretexto para o acobertamento de irregularidades que desviam dinheiro público para fins ilícitos.
No artigo indicado acima, demonstramos que, em apenas tres obras, o TCU evitou que mais de R$ 400,0 milhões fossem desviados dos cofres públicos. Não é pouca coisa. Neste sentido, o Editorial do Estadão publicado no post anterior aborda com bastante propriedade os limites a que Lula, ou quem quer que ocupe a cadeira presidencial, está submetido. Afinal, o dinheiro não lhe pertence, pertence ao povo brasileiro, muito embora, uma vez depositado no Tesouro, ele acabe privatizado em favor de alguns privilegiados escroques que dele fazem o que bem entende, esquecendo-se da função em nome da qual ele é tirado da sociedade. E que como bem lembrou Maria Inês Dolci, "...Como dizia o saudoso jornalista Paulo Francis, qualquer imposto no Brasil é doação, pois não há serviço em contrapartida."
Assim, que a fiscalização do TCU seja intensificada e que diante da irregularidade constatada, não haja apenas recomendação para interrupção da obra ou obras, mas autoridade suficiente para suspensão até que as irregularidades sejam consertadas.
Precisamos por um basta neste poço sem fundo chamado desperdício de dinheiro público, sendo um dos seus principais canais alimentadores a corrupção, porque afirmo há muito tempo: o problema brasileiro não é falta de recursos públicos, e sim a má gestão que é dada pelos governantes. É por conta destes desvios que o país suporta uma carga tributária injusta na forma, e extorsiva no volume.