sexta-feira, novembro 24, 2006

E o viés autoritário se expõem, explicitamente

Lula diz que instituições "amarram" qualidade do país
.

Da FolhaNews
.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que algumas instituições são uma espécie de amarra para o crescimento do país. Ele afirmou que o governo precisa desobstruir relações com o Ministério Público e o TCU (Tribunal de Contas da União), por exemplo.
.
O presidente disse que há dias faz reuniões com a equipe ministerial para tentar destravar o país e "tirar as amarras da economia, do meio ambiente, as amarras de tantas outras instituições que parecem que foram criadas para evitar que o Brasil dê um salto de qualidade".
"Desde 1980 que esse país extraordinário cresce a índices muito pequenos. Quando muito, chegou a 5% em 2004, mas logo caiu em 2005." Lula participou hoje da comemoração do aniversário das atividades da Daimler Chrysler no Brasil, em São Bernardo (Grande São Paulo).
.
De manhã, em Guarulhos, Lula já havia dito que como presidente encontrou um série de obstáculos em seu caminho. "Quando a gente é governo, tem que fazer as coisas e ao tentar fazê-las, a gente se depara com uma série de obstáculos que são naturais de um regime democrático. Ou seja, você se depara com as leis, você se depara com as questões ambientais, você se depara com a burocracia, você se depara com a oposição, você se depara com o Congresso, você se depara com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas da União, e com a burocracia que é pertinente à máquina pública do Brasil."
.
**********
.
COMENTANDO A NOTICIA: Ás vezes Lula irrita pela insistência com que desfila entre ser canalha e ser velhaco. Claro que se trata de um método político de ser. Ele não se cansa de lambuzar sua pachorra lamurienta de espalhar sua visão cretina de como deve ser governar. Ao modo petê, vá lá: até se justifica a cretinice. Contudo, para os que amam a liberdade, e se buscam constante melhora de sua cultura e batalham para seu crescimento pessoal e moral, Lula é um porre.

Sua sacada ontem ao pedir que a oposição não lhe faça oposição, antes de 2010, chega a ser patética. Hoje, conforme a notícia da FolhaNews acima , ele afirma que a culpa do não crescimento do país é das instituições, e quais são elas ? TCU, Tribunal de Contas da União, aquele que tem o mau hábito de apontar as patifarias cometidas por nossos governantes. Melhor seria não tê-lo, senhor presidente ? E quem fiscalizaria os executivos estaduais, municipais e federais ? Pois é, este é Lula. Mas também ele citou o Ministério Público, outro que vez por outra também descobre as pilantragens dos governantes tupiniquins. Vejam só, para Lula se não houvesse fiscalização, ou seja, se a patifaria e a pilantragem dos governantes fosse liberada, o país se “destravaria” e poderíamos todos viver plenamente o reino dos céus ! Fala, sério, homem !Vá trabalhar, vá governar dentro da lei, que dá para o país crescer, sim senhor. O que talvez Lula não se tenha dado conta é que para um país, seja ele quem for, desenvolver-se e proporcionar melhor qualidade de vida para seu povo, é preciso que os governantes tenham COMPETÊNCIA, sejam HONESTOS, e amor ao TRABALHO.

Leiam a seguir comentário de Reinaldo Azevedo sobre mais esta cretinice presidencial.

Para Lula, o que atrapalha o crescimento é a democracia; precisamos de um Medici de barba, boina e língua presa... Ou solta

Então... Aí reclamam que pego demais no pé do Apedeuta. Ontem, ele pediu às oposições que façam oposição, sim, mas só em 2010. Em nome do crescimento econômico. Hoje, certamente lançando um olhar cobiçoso para seu amiguinho do Norte, Hugo Chávez, afirmou que algumas instituições atrapalham.. o crescimento do Brasil. E disse quais: o TCU (Tribunal de Contas da União) e o Ministério Público. É compreensível. O TCU acaba de demonstrar que a Operação Tapa-Buraco foi desperdício de dinheiro público. Não sei se lembram. Um dia, segundo o próprio Lula, Dona Maria Letícia cruzou com ele na cozinha do Palácio da Alvorada e, enquanto fritava um ovo, lembrou que as estradas brasileiras estavam muito ruins. E assim nasceu a Operação Tapa-Buracos. Um fiasco. Vamos demitir a primeira-dama para que ela pare de ter idéias. Já as relações com o Ministério Público são mais complicadas. Há uma braço do petismo lá dentro. Não é exatamente dele que o presidente reclama. Certamente ainda não engoliu o parecer do procurador geral da República, que apontou a existência de 40 quadrilheiros cercando o chefe. É por isso que morro de rir quando leio as reportagens sobre como o Brasil vai crescer 5% de forma sustentada... Ou quando a Fiesp e o Iedi fazem as suas simulações... Esse pessoal ainda não entendeu nada. Lula nos mostrou a luz: o que atrapalha o crescimento é a democracia. Podem ver: na ditadura, o Brasil crescia muito mais. Precisamos é de um Medici de barba, boina e língua presa — ou melhor, solta...

E o viés autoritário se expõem, explicitamente

Lula diz que instituições "amarram" qualidade do país
.

Da FolhaNews
.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que algumas instituições são uma espécie de amarra para o crescimento do país. Ele afirmou que o governo precisa desobstruir relações com o Ministério Público e o TCU (Tribunal de Contas da União), por exemplo.
.
O presidente disse que há dias faz reuniões com a equipe ministerial para tentar destravar o país e "tirar as amarras da economia, do meio ambiente, as amarras de tantas outras instituições que parecem que foram criadas para evitar que o Brasil dê um salto de qualidade".
"Desde 1980 que esse país extraordinário cresce a índices muito pequenos. Quando muito, chegou a 5% em 2004, mas logo caiu em 2005." Lula participou hoje da comemoração do aniversário das atividades da Daimler Chrysler no Brasil, em São Bernardo (Grande São Paulo).
.
De manhã, em Guarulhos, Lula já havia dito que como presidente encontrou um série de obstáculos em seu caminho. "Quando a gente é governo, tem que fazer as coisas e ao tentar fazê-las, a gente se depara com uma série de obstáculos que são naturais de um regime democrático. Ou seja, você se depara com as leis, você se depara com as questões ambientais, você se depara com a burocracia, você se depara com a oposição, você se depara com o Congresso, você se depara com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas da União, e com a burocracia que é pertinente à máquina pública do Brasil."
.
**********
.
COMENTANDO A NOTICIA: Ás vezes Lula irrita pela insistência com que desfila entre ser canalha e ser velhaco. Claro que se trata de um método político de ser. Ele não se cansa de lambuzar sua pachorra lamurienta de espalhar sua visão cretina de como deve ser governar. Ao modo petê, vá lá: até se justifica a cretinice. Contudo, para os que amam a liberdade, e se buscam constante melhora de sua cultura e batalham para seu crescimento pessoal e moral, Lula é um porre.

Sua sacada ontem ao pedir que a oposição não lhe faça oposição, antes de 2010, chega a ser patética. Hoje, conforme a notícia da FolhaNews acima , ele afirma que a culpa do não crescimento do país é das instituições, e quais são elas ? TCU, Tribunal de Contas da União, aquele que tem o mau hábito de apontar as patifarias cometidas por nossos governantes. Melhor seria não tê-lo, senhor presidente ? E quem fiscalizaria os executivos estaduais, municipais e federais ? Pois é, este é Lula. Mas também ele citou o Ministério Público, outro que vez por outra também descobre as pilantragens dos governantes tupiniquins. Vejam só, para Lula se não houvesse fiscalização, ou seja, se a patifaria e a pilantragem dos governantes fosse liberada, o país se “destravaria” e poderíamos todos viver plenamente o reino dos céus ! Fala, sério, homem !Vá trabalhar, vá governar dentro da lei, que dá para o país crescer, sim senhor. O que talvez Lula não se tenha dado conta é que para um país, seja ele quem for, desenvolver-se e proporcionar melhor qualidade de vida para seu povo, é preciso que os governantes tenham COMPETÊNCIA, sejam HONESTOS, e amor ao TRABALHO.

Leiam a seguir comentário de Reinaldo Azevedo sobre mais esta cretinice presidencial.

Para Lula, o que atrapalha o crescimento é a democracia; precisamos de um Medici de barba, boina e língua presa... Ou solta

Então... Aí reclamam que pego demais no pé do Apedeuta. Ontem, ele pediu às oposições que façam oposição, sim, mas só em 2010. Em nome do crescimento econômico. Hoje, certamente lançando um olhar cobiçoso para seu amiguinho do Norte, Hugo Chávez, afirmou que algumas instituições atrapalham.. o crescimento do Brasil. E disse quais: o TCU (Tribunal de Contas da União) e o Ministério Público. É compreensível. O TCU acaba de demonstrar que a Operação Tapa-Buraco foi desperdício de dinheiro público. Não sei se lembram. Um dia, segundo o próprio Lula, Dona Maria Letícia cruzou com ele na cozinha do Palácio da Alvorada e, enquanto fritava um ovo, lembrou que as estradas brasileiras estavam muito ruins. E assim nasceu a Operação Tapa-Buracos. Um fiasco. Vamos demitir a primeira-dama para que ela pare de ter idéias. Já as relações com o Ministério Público são mais complicadas. Há uma braço do petismo lá dentro. Não é exatamente dele que o presidente reclama. Certamente ainda não engoliu o parecer do procurador geral da República, que apontou a existência de 40 quadrilheiros cercando o chefe. É por isso que morro de rir quando leio as reportagens sobre como o Brasil vai crescer 5% de forma sustentada... Ou quando a Fiesp e o Iedi fazem as suas simulações... Esse pessoal ainda não entendeu nada. Lula nos mostrou a luz: o que atrapalha o crescimento é a democracia. Podem ver: na ditadura, o Brasil crescia muito mais. Precisamos é de um Medici de barba, boina e língua presa — ou melhor, solta...

Oposição faz parte da Democracia, sim senhor !

Por Adelson Elias Vasconcellos
.
Afinal de contas, para que lado Lula pretende dirigir os destinos do País ? E também, que País Lula encontrou em 2003, quando assumiu o poder? Apesar de toda a publicidade oficial pregar ao contrário, e dos discursos de Lula e seus miquinhos amestrados o repetirem à exaustão, a grande verdade é que Lula recebeu um país preparado para crescer, e para crescer em níveis bastante superiores aos atuais. Havia estabilidade econômica, havíamos superado os terremotos das crises internacionais, a inflação já havia sido enterrada ou controlada, as contas públicas estavam sob controle, o estado estava um pouco mais enxuto. Ah, vale lembrar que Lula encontrou o Brasil numa bonança econômica mundial como não se via há pelo menos 30 ou 40 anos. Claro que precisava ter implementado ou complementado inúmeras reformas necessárias e urgentes, bem como dar um trato qualificado na infra-estrutura do País. Ora, e por que não conseguiu sair do lugar ? Primeiro, porque abandonou-se e se pôs inteiramente de lado as reformas emergenciais. Segundo, porque a prioridade número um do governo não foi governar, foi privatizar em nome de um partido toda a estrutura de poder existente no Estado Brasileiro. Terceiro, porque a obsessão de se mostrar superior a FHC fez de Lula um boneco dançando o samba do crioulo doido. Quarto, a música entoada pela flauta mágica do petê era para atrair os incautos a reelegerem Lula em 2006, fosse a que preço fosse.
.
Simples assim ? Sim, bem simples assim. Gastamos quatro anos de um momento excelente da economia mundial, e muito pouco proveito tiramos deste momento. As boas coisas que nos aconteceram, teriam acontecido independente de Lula ser ou não o presidente. Graças a expansão do comércio mundial, teríamos exportado o tanto que se exportou, e até bem mais, não fosse pelo câmbio irreal mantido por Lula. Todo o programa energético criado por Pedro Parente em 2001, já teria saído do lugar. Os programas sociais que Lula profana dizendo serem seus já existiam, e teriam se ampliado, porém de forma decente e austera, com as portas de saídas, com os quais foram criados por FHC. E havia todo um plano de remodelação da infra-estrutura do país que Lula simplesmente abandonou de forma irresponsável. O apagão aéreo de hoje é apenas uma conseqüência desta irresponsabilidade. Não esquecendo, claro, de que a agropecuária teria avançado ainda mais, com Lula não só regrediu como também mergulhou em crise profunda.
.
Vamos para o segundo mandato, e Lula continua sem saber para que lado dirigir o seu governo. A não ser, claro, implantar algumas asneiras paridas no seio de seu partideco retrógado. Uma delas, é a famigerada ânsia de por a liberdade de expressão debaixo do braço para que se diga apenas aquilo que agrade o governo. Isto soa familiar para o leitor, principalmente se este leitor viveu o período dos 21 anos de ditadura militar ? Ou semelhante ao período em que Getúlio Vargas proclamou-se ditador e dono do país, de 1930 a 1945 ? Isto para ficarmos apenas nos exemplos caseiros.
.
Há um método posto em prática pelo petê sob o comando de Lula que se assemelha a tais períodos nos quais a liberdade de expressão foi literalmente jogada no lixo. Assim, a idéia de se criar a Secretaria de Democratização da Informação, além de esdrúxula, carrega nos tons e nos matizes toda a veia autoritária e caudilhesca que fazem de Lula e do petê os queridinhos da america boliviariana sonhada por Fidel Castro e Hugo Chavez. E eles têm a coragem de chamar a isto de “democratização”! Santo Deus. Sob o pretexto de ‘democratizar as comunicações’, o PT deve discutir mudanças nos critérios para distribuição de publicidade oficial. Essa revisão vem sendo levantada, entre outros, pelo secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, um dos integrantes da Executiva Nacional do partido. Ele defende critérios políticos para o emprego das verbas, não só de mercado. ‘A mídia brasileira é muito monopolista. É um grupo pequeno de empresas controlado por um grupo pequeno de famílias. Isso vai criando uma espécie de círculo vicioso. Como são grandes, recebem uma cota maior, e graças a essa cota maior continuam grandes’, disse. No PT, cresce o sentimento de que o governo federal, ao destinar suas verbas oficiais de propaganda, estaria fortalecendo meios que lhe são hostis. O governo deve gastar cerca de R$ 1 bilhão este ano com publicidade, incluindo os gastos das estatais. Na opinião de Pomar, ‘elogios públicos a Roberto Marinho não levaram a uma mudança da Globo em relação a nós.” E diz mais: "Você não pode dizer que o jornaleco de quinta categoria da cidade tal, propriedade de um grupo político local, é diferente da Folha. Ambos são propriedade familiar”.
.
Isto representa dizer o seguinte: quem não se enquadrar na linha de pensamento do partido, será retaliado. Aqui, o interesse público deixa de existir, as leis mercados serão soterradas pela “veia da simpatia política” de se enquadrar as opiniões ao agrado político, ao compadrio. Criticar é correr o doloroso risco de não receber verba publicitária oficial. Assim, um canal de televisão que em sua programação, seja por que razões forem, cometa o sacrilégio de criticar o governo e seus governantes, mesmo que o mereçam, por mais audiência que este canal tenha nos indicadores de pesquisas, ficará de fora de uma campanha pública de vacinação, por exemplo. Ou seja, entenda-se o uso político por censura. E estamos conversados. Dê-se a esta ação o nome que se quiser, menos de “democratização”! E quanto a campanha de vacinação, dane-se!
.
Não por outra razão, Artur Virgílio bem definiu este ranço autoritário do governo Lula, conforme se lê no Estadão, reportagem de João Domingos e Rosa Costa: “A iniciativa do governo de fazer estudos para 'democratizar a informação' - segundo os quais a Subsecretaria de Comunicação passará a se chamar Secretaria de Democratização da Informação (SDI) e ficará sob comando da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff - foi considerada pela oposição um atentado à democracia. Ao comentar a informação, revelada pelo Estado, parlamentares disseram que na democracia a informação dispensa tutela do governo, sob pena de esse procedimento vir a ser uma estratégia para controlar a imprensa. (...) 'O que está havendo é uma tentativa de tutelar a imprensa', disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Para ele, na prática o Planalto quer repetir o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) da ditadura Vargas. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) afirmou que a palavra democratizar freqüentemente tem sido usada por pessoas de mente 'totalitária, autoritária, para matar aquilo que a democracia tem de melhor, que é a liberdade de expressão'. E foi além: 'É preciso não esquecer que as ditaduras no Leste Europeu eram chamadas de democracias populares.' O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) lembrou alguns 'escorregões autoritários' de autoridades - como o ministro Tarso Genro e o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli - que, acredita, não ajudam a alimentar a tese de que o governo está bem-intencionado. Todos reagiram a notícias publicadas pelos meios de comunicação com respostas agressivas e insinuações de que deveria haver algum tipo de controle sobre a mídia.”
.
Ao longo de seu primeiro mandato e mesmo até durante a campanha eleitoral deste ano, inúmeras vezes advertimos para o viés autoritário de Lula e do petê, e de que tudo fariam para se perpetuarem no governo, com ações e manobras que atentassem primeiro à livre manifestação – direito assegurado na constituição -, e segundo que se criariam mecanismos, via reforma política, para que esta ambição se consumasse. Nem bem passadas 24 horas de Lula ter sido reeleito, e os ataques à imprensa livre e independente iniciaram-se, e tem-se intensificado dia após dia. Porém, não entendam ser esta apenas uma manobra isolada: há um conjunto delas, algumas já postas em prática, outras em gestação nos laboratórios do sub-mundo petista.
.
Na reunião que manteve com 16 governadores em Brasília, pediu para que não houvesse oposição ao seu governo. Que ela fosse deixada de lado e postergada para 2010. Opa, opa, senhor Lula: devagar com este andor! Com que autoridade moral você pode propor e desejar ser atendido neste pedido ridículo de “não oposição”? Quem é Lula e petê para se arvorarem no supremo direito de não serem contrariados ? Quem, desde a redemocratização do país em 1985, mais oposição, certa e errada, tem feito contra tudo e contra todos ? Quem, por exemplo, negou-se a assinar a Constituição Democrática de 1988 ? Quem impediu que se aprovasse todas as reformas de base colocadas na pauta de votações do Congresso neste período todo ? Quem, tendo derrubado Collor do poder, depois negou-se a formar um governo de coalizão quando o vice Itamar Franco assumiu ? Quem trombeteou contra todos os projetos de criação do Plano Real ? Quem se negou, em tempo integral, a sentar-se em volta da mesa para negociar com os presidentes eleitos e empossados legitimamente, para traçar planos e programas em benefício do país, ou menos discutir uma agenda de trabalhos de interesse nacional ? Ora, vir pedir que a oposição deixe de fazer oposição, além de hilário, é ridículo e sem sentido. Carimbe-se isto como um SEM MERECIMENTO. O Petê e Lula não merecem este aval, este salvo-conduto, esta liberdade para agirem a seu bel prazer. Vive-se numa democracia, plena ou não, completa ou incompleta, não importa, mais ainda assim é uma democracia. E sendo deste jeito, há que existir oposição sim, para cobrar e fiscalizar a ação de quem está no poder. Lula não pode pretender para si aquilo que invariavelmente, nestes anos todos, ele próprio negou aos outros. Apresente Lula projetos de interesse nacional, em benefício de todos os brasileiros, e por certo a oposição até poderá concordar com tais projetos e aprová-los. Mas isto é o máximo que o Petê pode pedir, e nada mais. Lula precisa ouvir um pouco mais a alma brasileira, e menos a mente enlouquecida de Hugo Chavez, ou a demência cristalina do ditador cubano, seus gurus. O Brasil, já o dissemos, mas vale repetir, não é nem Venezuela nem tampouco Cuba.
.
Ninguém obrigou Lula a ser presidente, nem da primeira nem desta vez. Ele candidatou-se porque quis, porque disse ter um projeto em favor do país, e agora mesmo reelegeu-se prometendo o paraíso, pedindo para deixar o “homem trabalhar” para construir o céu de brigadeiro para milhões de brasileiros. Depois de quatro anos no poder, vem e diz que ainda não tem um plano de crescimento para o Brasil (de intenções o inferno está cheio, talvez Lula já tenha reservado sua cadeira cativa por lá!). Empurra com a barriga para março de 2007 a formação de sua equipe de ministros e auxiliares diretos, e enquanto isso o país está parado, sem governança e sem rumo. E ele ainda pede para não fazerem oposição. Hahahaha ! Nem na China, senhor Lula da Silva, nem na China !

“Fomos pegos de calça curta"

Em O Estado de São Paulo

Lula admite surpresa com crise do agronegócio.

Ao visitar Sapezal, cidade construída nos anos 80 pelo Grupo André Maggi no norte de Mato Grosso, o presidente Lula disse ontem a agricultores que a crise no agronegócio, neste ano, pegou o governo 'de calça curta'. 'Nós temos que aproveitar, no momento em que a agricultura se recupera, para que a gente possa estabelecer todas as políticas agrícolas necessárias', disse. E emendou: 'Para que numa próxima crise a gente não seja pego de calça curta como nós fomos pegos nesta crise agora, quando muita gente deixou de produzir, quando a indústria de máquinas deixou de vender e muitos trabalhadores foram mandados embora.'
.
Lula inaugurou um trecho de 14 quilômetros da BR-364, rodovia importante para o escoamento da produção de soja, e aproveitou para se queixar das críticas que recebe do agronegócio. 'Houve um tempo em que disseram que o presidente Lula não gostava da agricultura e do agricultor e a crise era por conta do presidente', afirmou. 'Tenho consciência do que representa a agricultura para o crescimento de Mato Grosso e o desenvolvimento do País.'
.
Seguro
.
Na cidade, Lula ainda defendeu a adoção de uma nova política de seguro agrícola e disse ver um 'sinal extraordinário' de fim de crise no setor. 'Passados dois anos de crise, o sinal de que a agricultura vai se recuperar é extraordinário', prosseguiu. 'A agricultura foi, é e continuará sendo um dos pilares do desenvolvimento deste país', destacou, acrescentando que prevê 'momentos excepcionais' para a agricultura.
.
Lula evitou comentar as críticas de ambientalistas ao avanço da soja na Amazônia. Comentou apenas que 'é preciso respeitar o meio ambiente', mas não entrou em polêmica. O governador reeleito Blairo Maggi é acusado de ligação com o desmatamento nessa região da Amazônia.
.
Se dependesse do governador, a produção de soja seria escoada por estradas que cortam reservas indígenas. É o caso da Rodovia MT-235, que passa pelo território dos índios parecis. O governo estuda no momento o asfaltamento de 453 quilômetros de estradas na região de Sapezal. A obra só não avança porque o Tribunal de Contas da União (TCU) exige a regularização fundiária da área.
.
Dono de extensas fazendas na região, Blairo Maggi é considerado o novo 'rei da soja'. Seu pai, André Maggi, foi um dos gaúchos que iniciaram o cultivo de soja em Mato Grosso. Em 1984, ele fundou Sapezal, que virou cidade dez anos depois.

Brasil de joelhos, de novo, diante de Morales.

Amorim diz que nada poderá fazer se Bolívia socializar meios de produção e expulsar produtores de soja
.
ASSUNÇÃO - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, admitiu que o Brasil estará de mãos atadas se La Paz decidir desapropriar as fazendas de produtores brasileiros de soja e expulsar os cidadãos estabelecidos na zona rural dos Departamentos de Pando e de Beni, no Norte do país. Amorim indicou que o Brasil espera que o governo boliviano trate o tema com "a atenção devida", uma vez que Brasília não optou por métodos truculentos para lidar com esse impasse latente.
.
"O Brasil nada poderá fazer se a Bolívia adotar a socialização dos seus meios de produção", afirmou Amorim, enquanto fazia o trajeto entre Montevidéu (Uruguai) e Assunção (Paraguai). "A terra é deles. A questão é de soberania. O que podemos é pedir que tratem com respeito os brasileiros que contam com propriedades produtivas na Bolívia."
.
Na segunda-feira, o presidente da Bolívia, Evo Morales, comemorou a aprovação, pela Câmara de Deputados, de um projeto que dará preferência à produção de alimentos orgânicos, em vez do agronegócio, no contexto da reforma agrária prometida na campanha eleitoral, em 2005. Durante a tramitação desse projeto, saíram às ruas manifestantes provenientes das regiões produtivas, responsáveis por parcela relevante da economia.
.
Assim como ocorreu com a regulamentação da nacionalização dos setores de gás e de petróleo, em maio, a questão abriu novas frentes de preocupação para o Itamaraty. A primeira diz respeito aos impactos da reforma agrária sobre os produtores brasileiros - a possibilidade de desapropriação dos sojeiros - e a expulsão dos cerca de 2.000 agricultores e extrativistas que se estabeleceram em Pando e Beni, sob o pretexto de que estão fixados na faixa de 50 quilômetros da fronteira.
.
Os produtores de soja brasileiros respondem atualmente por cerca de 60% das exportações bolivianas desse grão. A segunda preocupação está relacionada aos desgastes políticos de Morales, pressionado pelos próprios movimentos nacionalistas que o elegeram e por setores de oposição. "Temos interesse na estabilidade da Bolívia", assinalou Amorim.
.
Entre as propostas de medidas que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, trouxe ao Paraguai para tentar acalmar seus vizinhos e sócios do Mercosul, está a criação de um sistema tributário unificado para vigorar nas regiões de Foz do Iguaçu e de Ciudad del Este, o mais complicado trecho dos 1.600 quilômetros entre os dois países.
.
A proposta teria o objetivo de "formalizar" os negócios na região, com a contrapartida de oferecer uma tributação menos pesada e de impor uma fiscalização mais efetiva. A rigor, transformaria os "sacoleiros" em microempresários. A iniciativa de Amorim de visitar o Paraguai está no contexto da tentativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva de diminuir as tensões bilaterais, que poderiam prejudicar as reuniões de cúpula da Comunidade Sul-americana de Nações (Casa), em dezembro, e do Mercosul, em janeiro.
.
Ontem de tarde, Amorim e o chanceler paraguaio, Rúben Ramírez, assinaram seis acordos de cooperação. Na sua comitiva, o brasileiro trouxe representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), de olho nas novas ambições do Paraguai em receber investimentos produtivos brasileiros alimentados pelas linhas do BNDES.
.
Também estão presentes autoridades da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Agricultura e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), para tratar da queixa dos paraguaios de que seus produtos, especialmente lácteos e têxteis, não conseguem transpor a fronteira com o Brasil porque não cumprem com normas técnicas e sanitárias.
.
Fonte: Tribuna da Imprensa.

A invenção do novo governo

Por Villas-Bôas Corrêa
Publicado no Jornal do Brasil

Presidente que se reelege no pleno exercício do cargo e confunde a campanha com as atividades burocráticas da rotina administrativa, misturou a campanha com a inauguração de obras inacabadas e com o lançamento de promessas e projetos, tal como o modelo Lula - tinha todos os motivos e conveniências para emendar os dois mandatos, simplificar as solenidades da posse sem a troca de faixa de uma das mãos para a outra.
.
Mas o nosso presidente-reeleito é chegado a uma pantomima e não perderia a oportunidade de uma badalação com foguetório, subida na rampa e discurso para a multidão.
.
Colhe os frutos da extravagante invenção de um novo governo. Nos retoques do monstrengo ministerial de 34 pastas e secretarias, a continuidade do governo, no bis de mais quatro anos, dispensaria a mixórdia em que se engalfinham as ambições de candidatos ao sacrifício pela pátria com a singela informação sobre os que seriam conservados.
.
Reduzido o bolo açucarado a meia dúzia de vagas, as substituições selariam os acordos com novos parceiros para a montagem da famosa base de apoio parlamentar, de discutível e rala serventia.
.
Sem experiência das manhas e truques da arte de governar, que só se aprende na prática ou nos livros dos bons autores, Lula açulou uma briga de ferocidade crescente entre partidos e seus aspirantes a um gabinete, com o glacê da manipulação de verbas para obras e demais serventias.
.
Já não se sabe mais quando anunciará o governo reformado. E não se andou um passo no sassarico de quase um mês, desde o segundo turno, em 29 de outubro, que envolve a corte em infindáveis articulações. Enquanto o sarau distrai o governo, diverte o elenco e acirra as rixas domésticas, a assistência enoja-se com o charivari palaciano dos atores parlamentares.
.
Não é só o que acontece. Pouco afeito à maçante agenda administrativa, o governo caiu no fandango da intrigalhada da descarada disputa por fatias do pudim que se espalhou, como praga, pelos três poderes.
.
A orgia assume proporções de alarme geral. No entreato mais barulhento, a balbúrdia que agita os aeroportos do país, com o atraso de horas que emendam o dia com a noite e a madrugada denuncia a falência do sistema de controle de vôo e expõe uma das peculiaridades da gerência petista. Pois o governo entoa em sua defesa a lista dos aeroportos modernizados na série de reformas milionárias. Aeroporto é vitrine para a exposição de prédios imponentes, com instalações de luxo.
.
Vaga para controlador de vôo não aguça o interesse da fila de pretendentes ao emprego público. Tampouco o governo tomou conhecimento das deficiências que impõem o sacrifício aos estressados especialistas, submetidos à pressão da responsabilidade pela vida de passageiros e tripulantes.Podem virar o PT de cabeça para baixo que não cairá um único aspirante às vagas que sobram para a aflição do ministro Waldir Pires, da Defesa, autor da frase do mês: "Melhoramos muito nos últimos cinco anos. Os equipamentos de controle da aviação brasileira são muito bons".
.
Com a barraca aberta no fim da feira, hora de arrematar as xepas, a correria para levar a cesta recheada excita a azáfama que dá férias ao pudor. Na frente do bloco, como de costume, os parlamentares tramam a jogada do aumento dos 15 subsídios anuais de R$ 12,8 mil para R$ 24,5 mil, o teto dos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na verdade, uma artimanha para oficializar a verba indenizatória de R$ 15 mil mensais, disfarce de salário indireto.
.
O Judiciário entrou no balé: a presidente do STF, ministra Ellen Gracie, propõe um abono de 12% para os 15 integrantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que também preside. Os procuradores da República, com a boca no trombone, reivindicam abono semelhante.
.
Com o zelo atento no equilíbrio das contas públicas, o governo anunciou a redução de R$ 375 para R$ 367 no reajuste anual do salário mínimo, previsto para abril.
.
Um régio aumento de R$ 17 mensais.
.
Não é nada, não é nada, não é nada mesmo.

Só falta pornografia

Por Sebastião Nery,
Publicado na Tribuna da Imprensa

.
No Rio, na ladeira Pedro Americo, no Catete, ficava o Ateneu São Luís, dirigido pelo histórico professor Luis Eugenio de Morais Costa, austero e culto, calado e quase cego, duas grossas lentes sobre os olhos e um livro sempre encostado no nariz.
.
Chegou ao Rio um menino de Caruaru, em Pernambuco, e foi estudar no ateneu do professor Morais Costa: José de Pontes Vieira. Vivo, cabeça enorme, discursador, pegou logo a liderança da turma. As matérias do primeiro ano eram Geografia, Cosmografia. Nas aulas se falava em Biografia, Bibliografia, Historiografia, Coreografia. Tudo terminava em "grafia".
.
No recreio, Pontes Vieira ouviu mais uma palavra nova terminada em "grafia".
.
Daí a pouco, o diretor Morais Costa o encontrou:
.
- Como vão os estudos, meu filho? Qual a matéria de que você mais gosta?
.
- Ah, professor, agora estou estudando muito a Pornografia.
.
O velho, sisudo e míope, chegou o rosto bem na cara do garoto, conferiu nos olhos e caiu numa estrondosa gargalhada. Foi a primeira gargalhada de Morais Costa no Ateneu São Luís.
.
Lula
.
Na campanha eleitoral, Lula prometeu tudo ao País: crescimento, desenvolvimento, investimento, saneamento, ensinamento, alimento, cimento. Só não prometeu casamento. Agora, só falta prometer pornografia.
.
Um novo Lula apareceu nesse primeiro mês depois da eleição. É o Lula engasgado, incapaz de dizer o que quer, para onde vai, o que pretende fazer.
.
Que ele nunca gostou de estudar, todo mundo sabia. Mas também se sabe que é um safo, pega as coisas no ar, rapidamente, e vai repetindo como se antes tivesse pensado muito naquilo. Afinal, abre o jogo. Era tudo enganação.
.
Passou quatro anos no governo sem fazer nada, só discurso e o Bolsa Família, sem ter o que mostrar, e sempre dizendo que estava construindo a base, preparando os alicerces para depois fazer a casa, jurando que o segundo governo começaria imediatamente no "espetáculo do crescimento".
.
Sem rumo
.
Hoje, confessa que não sabe de nada do governo, não vê mesmo nada:
.
"Vou me dedicar até o dia 31 de dezembro para destravar o País. Tem algo, e não me perguntem o que é, que eu não sei. E não me perguntem a solução, que eu não tenho, mas vou encontrar. Porque o País precisa crescer".Lula age como se estivesse chegando agora, se 2006 fosse 2002. Nunca teve um programa para o País, nem sabe o que fazer no segundo governo:
.
"Lula tem pedido a seus ministros que apresentem um pacote capaz de alavancar o crescimento da economia. O principal alvo tem sido o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O mercado diz que o PIB deve crescer menos de 3%" ("O Globo"). Meirelles, que é quem manda, não aceita nada além de 3%.
.
O recruta
.
O poder submete os homens públicos a doloridos constrangimentos. Que pena deu ver dois vetustos senhores, as cabeças encanecidas, o ministro da Defesa Waldir Pires e o comandante da Aeronáutica brigadeiro Bueno, homens íntegros, inatacáveis, engasgados na audiência pública do Senado.
.
Tudo por culpa de uma realidade que se busca mascarar e esconder: as Forças Armadas ainda não aceitaram ser comandadas por um ministro civil, mesmo tendo a longa, bela, brava e digna biografia de Waldir Pires.
.
Os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica não toleram a "intromissão" de civis em funções que julgam privilégios deles. No "Globo", a Tereza Cruvinel mostrou irrespondivelmente a razão primeira da tragédia:
.
"Há mais de um ano o Ministério do Planejamento autorizou um concurso para controladores de vôo, mas a Aeronáutica não o realizou porque não aceitava (sic) a contração de civis (sic). Fez uma consulta ao Tribunal de Contas da União, que acabou postergando (adiando) o concurso".
.
Agora culpam um recruta de 20 anos de ter errado na troca de guarda.
.
Temer
.
O deputado Michel Temer, presidente do PMDB, tirou o biscoito da boca de Sarney, Renan e Jader. Tomou dos três a exclusividade da chave de entrada do partido no governo Lula. Vai ser no voto. A favor, mas no voto.Os três fizeram beicinho e não foram à reunião com Lula. Depois, vão.
.
Petrobras
.
Com a participação de parlamentares, professores, economistas, o Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista realiza hoje, em Santos, a partir das 18 horas, um debate público contra o 8º Leilão das Bacias Petrolíferas, promovido pela Agência Nacional do Petróleo. Já confirmaram presença o professor Carlos Lessa, o deputado Ivan Valente, Fernando Siqueira, Sergio Servulo da Cunha, Sergio Salgado e outros líderes de várias categorias.
.
Rondó
.
Eliane Cantanhede, na "Folha", mais uma vez acertou na mosca:
.
"Uma reunião de Lula com os ex-presidentes será engraçada: Sarney odeia Collor, que odeia Itamar, que odeia Fernando Henrique"...
.
Só esqueceu de pôr uma vírgula e completar: "que odeia todos".

Canudo de papel - o diploma e as orelhas

Por Carlos Brickmann
Publicado no Observatório da Imprensa
.
Aparício Torelly, ou Aporelli, ou o Barão de Itararé, foi um dos grandes humoristas brasileiros. Membro do Partido Comunista (na ilegalidade), e sabendo que a truculenta polícia política poderia invadir sua redação, colocou na porta um cartaz histórico: "Entre sem bater". É dele também a frase definitiva: "Diploma não encurta a orelha de ninguém".
.
O debate sobre o diploma de jornalista parece partir do princípio de que, obtido o diploma, as orelhas se reduzem e o cavalheiro pára de zurrar. Gente como Ricardo Kotscho, como este colunista, como Boris Casoy, como Eduardo Suplicy, como Joelmir Beting, sem diploma de jornalista, está condenada à mais profunda ignorância. Se souber duas línguas, uma será o zurro; outra, o relincho.
.
O Brasil teve normas regulatórias antes de ser um país; teve censura antes de ter imprensa. Talvez por isso, imagina-se que uma profissão, não sendo amparada por um diploma, será forçosamente mal exercida. Só que não será, não: pode-se perfeitamente trabalhar em jornal sem um papel assinado – e assinado por gente que, muitas vezes, jamais deu a honra de sua presença numa Redação.
.
Diploma de jornalista não é ruim: é bom. Pode ser ótimo. É desejável. Mas não é essencial. E nem vamos entrar naquela conversa mole de que os patrões querem abrir o mercado para pagar menos. Patrão, por definição, sempre procura pagar menos. E os exemplos citados, de jornalistas sem diploma, sempre estiveram entre os maiores salários das redações em que se engajaram.
.
Talvez o motivo da luta pelo diploma seja outro, mais feio: a reserva de mercado. Porque, não haja dúvida, as empresas sempre vão procurar os profissionais que julgarem mais competentes; e, se não houver lei, rigidamente fiscalizada, com penas severíssimas, escolherão os melhores, com diploma ou sem ele.

Um desleixo de bilhões

Publicado no Estadão
.
"O País continua sem uma política de prevenção e de controle da gripe aviária, apesar da importância econômica e social da avicultura."
.
O Brasil faturou US$ 25,4 bilhões de janeiro a outubro com os 13 produtos do agronegócio de maior peso nas exportações. Isso equivaleu a 22,4% da receita do comércio exterior. Só as carnes de boi, de frango e de porco renderam US$ 5,7 bilhões. Esse resultado foi obtido apesar de restrições impostas por vários países, desde a descoberta de um foco de aftosa em Mato Grosso do Sul, no ano passado, e da redução do consumo de carne de aves por causa da gripe aviária.
.
Mesmo enfrentando barreiras noutros mercados, o agronegócio continua a proporcionar a maior parte do superávit comercial do Brasil e a contribuir para a estabilidade interna da economia. Mas o governo federal insiste em tratá-lo com descaso, quando não com hostilidade. A execução orçamentária abaixo de medíocre é mais uma comprovação desse fato.
.
O País continua sem uma política de prevenção e de controle da gripe aviária, apesar da importância econômica e social da avicultura.
.
Frangos e ovos estão entre as fontes mais baratas de proteínas e seu consumo é acessível a todas as famílias.
.
Além disso, a avicultura, com exportações de US$ 2,3 bilhões até o mês passado, é tão importante para o comércio exterior quanto o setor de autopeças ou a produção de laminados planos de aço.
.
Mas somente R$ 16 milhões, dos R$ 40 milhões previstos no orçamento deste ano para a prevenção da gripe aviária e da doença de Newcastle, foram aplicados até agora. Para 2007 nem há provisão específica para essas ações.
.
O Ministério da Agricultura gastou, na execução de seus principais programas, muito menos que o previsto no Orçamento-Geral da União deste ano. Até 16 de novembro, somente 27% dos R$ 53,5 milhões orçados para o combate à aftosa foram liberados, segundo levantamento do jornal Valor. Para o controle e a prevenção da raiva e da doença da vaca louca saíram 41% dos R$ 974 mil programados.Representantes da União Européia têm pressionado o governo brasileiro para elevar ou reforçar o controle sanitário de vários segmentos da produção animal. As autoridades brasileiras não deveriam precisar de pressões externas para cumprir sua obrigação.
.
É preciso tratar a defesa sanitária como parte de uma rotina rigorosa, mesmo depois da erradicação das doenças mais perigosas. No caso brasileiro, o desleixo é especialmente grave. Houve um grande esforço, durante anos, para a erradicação da aftosa das principais áreas produtoras, mas não se poderia interromper o trabalho nem relaxar a vigilância.
.
A erradicação não foi completada em áreas do Norte e do Nordeste e o governo jamais deveria ter afrouxado os controles no Centro-Sul, onde o esforço de erradicação havia produzido resultados muito bons.
.
Missões da União Européia, dos Estados Unidos e de outros grandes mercados consumidores têm vindo e continuarão a vir ao Brasil para verificar a qualidade dos controles. Essas missões podem ter caráter técnico, mas decisões de política de importação nem sempre são técnicas e o governo deveria dar atenção a esse ponto.
.
Produtores da União Européia têm pressionado as autoridades para impor barreiras à entrada de carnes provenientes do Brasil. Seu interesse é estritamente protecionista, porque não têm condições de competir com a pecuária brasileira. Mas habitualmente recorrem a argumentos de ordem sanitária, com ou sem razão, e conseguem ruidoso apoio de organizações não-governamentais.
.
Não basta, portanto, fazer a coisa certa. É preciso fazê-la regularmente e de forma ostensiva e incontestável, porque os concorrentes, sejam dos mercados importadores, sejam de outras áreas, estão sempre em busca de oportunidades para tomar espaços dos produtores brasileiros.
.
Manter a exportação é essencial não apenas para o agronegócio, mas para toda a economia brasileira. Um sólido balanço de pagamentos é condição fundamental para a estabilidade interna, para o crescimento de todos os segmentos econômicos e para o bem-estar dos consumidores. O governo deve saber disso, mas insiste, como também se vê pela execução orçamentária, em dar maior atenção aos inimigos do agronegócio. .
E esses inimigos, cabos eleitorais do presidente, ainda vão cobrar pelo trabalho realizado na última campanha.

Apagão presidencial

Por Dora Kramer em o Estado de São Paulo
.
Consta pelos comentários e informações de ministros e parlamentares ligados ao governo que o presidente Luiz Inácio da Silva adiou a formação do ministério do segundo mandato para fevereiro. A contar por atos e palavras do presidente desde a vitória eleitoral em 29 de outubro, ele resolveu postergar também a descida do palanque e o reinício de suas atividades governamentais.
.
É o que se depreende da indiferença que Lula tem demonstrado em relação ao caos no sistema de transporte aéreo, da surpresa no tocante à fartamente anunciada crise na agricultura e do exercício de autoridade à deriva ao dar '48 horas' de prazo para a solução dos problemas financeiros do Incor sem que nada acontecesse, transcorridos quase dez dias da ordem sem cobrança e, portanto, desprovida de substância.
.
Enquanto a crise nos aeroportos completa um mês de vaivéns com picos de atrasos e normalização temporária nos horários dos vôos sem que nenhuma autoridade consiga fornecer uma explicação consistente nem que se passe um dia sequer sem a produção de versões conflitantes entre a Aeronáutica, a Agência Nacional de Aviação Civil e o Ministério da Defesa, o presidente ocupa-se do, neste momento, absolutamente secundário.
.
Pergunte-se a qualquer um dos 14 milhões (dados da Anac) de passageiros de aviões no Brasil qual o peso que dão às conversações presidenciais com o PMDB ou que importância conferem aos gestos de Lula na direção do PSDB ou, então, para a idéia de criação de um conselho formado por ex-presidentes da República, aí incluído Fernando Collor de Mello, para discutir as grandes questões nacionais. O interesse será nulo.
.
Até porque não há nenhum risco ou situação institucionalmente delicada em jogo que justifique a necessidade de uma união das forças políticas. A última vez que isso foi necessário, quando da transição do regime militar para o poder civil, o PT foi o único a recusar participação, por considerar o gesto politicamente contraproducente para o partido, do ponto de vista de suas ambições.
.
Só o colapso do controle da aviação já justificaria aquela entrevista coletiva prometida no dia da vitória pelo presidente da República. Mas Lula nada disse até agora a respeito. Só o que fez foi uma reunião pedindo 'providências'.
.
Nada aconteceu a não ser a edição de uma medida provisória autorizando a abertura de concurso para a contratação de novos controladores, em franca divergência com as afirmações da Aeronáutica, segundo as quais não há deficiência de pessoal nem sobrecarga de trabalho, muito menos falta de material adequado ou corte de verbas.
.
O que há, segundo o brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno disse ontem em audiência pública no Senado, é uma epidemia de 'problemas psicológicos' assolando 32 controladores. Quais problemas? Não se sabe.
.
Quando as coisas voltarão ao normal? O comandante da Aeronáutica assegurou que no Natal. Já o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Milton Zuanazzi, sentado ao lado dele na audiência, disse que nada é garantido, simplesmente não sabe.
.
E ficamos assim à mercê de uma circunstância em que o único dado transparente é a total ausência de comando e gerência nessa crise, enquanto o presidente Lula se dedica com afinco a administrar questões menores do ponto de vista da coletividade. A montagem de sua 'base' no Congresso só interessa a ele e aos políticos interessados na divisão do poder, pois não há entraves urgentes a serem resolvidos no Legislativo.
.
O presidente Lula, que tanto gosta de se comparar a Fernando Henrique Cardoso, poderia tomar como exemplo a gestão da crise de energia em 2001. FH foi pego no contrapé pela incompetência de seu governo, mas reagiu na dimensão exigida pela situação, mobilizou o governo, lançou um plano no qual a sociedade se engajou, a despeito das críticas ao governo, e administrou a adversidade.
.
Lula, acostumado à bonança, está preferindo ignorar a tempestade, mas uma hora terá de enfrentar a dura realidade.

A História rigorosamente verdadeira

Até 1888 só houve escravidão. De 1888 até hoje, não houve libertação
.
Por Hélio Fernandes,
Publicado na Tribuna da Imprensa.

.
A discussão sobre o racismo no Brasil é inconseqüente, incoerente e inconsistente. Não adianta dizer que existem hoje mais negros e pardos estudando, e até entrando para universidades, não acrescenta nada, não explica nem identifica as raízes e o desenvolvimento do problema. Somos racistas e preconceituosos, não melhoramos desde 1888. E até mesmo 1888 está mais para farsa do que para autenticidade.
.
Até 1840, a Europa inteira e o Norte dos Estados Unidos acabaram com a escravidão, não por generosidade e sim por inteligência. Com a Revolução Industrial da Inglaterra em 1780, eram necessários 3 ou 4 vezes mais consumidores do que antes.
.
Os europeus logo descobriram: os consumidores estavam nas suas próprias senzalas. Não podiam comprar (ou consumir) nada porque não recebiam salário, eram sustentados pelos senhores, em troca do trabalho. Fizeram as contas, Nossa Senhora, libertaram os escravos, ficaram mais ricos do que nunca.
.
Todo o Norte dos Estados Unidos, começando em Nova Iorque, Pensilvania, Virginia, Nova Jersey, indo até Washington, fizeram o mesmo, poderiam ter dito antes de Hemingway em 1920: "Nova Iorque é uma festa".
.
Apesar da terrível guerra civil de 1860, os Estados Unidos só se livraram da escravidão total por causa da decisão magnífica da Suprema Corte Federal. (Se identifico aqui a Suprema Corte Federal é porque cada um dos 50 Estados americanos tem 4 Cortes Supremas. Podem tudo no âmbito da Justiça, menos contrariar a Suprema Corte Federal). Essa é uma das vantagens da Confederação sobre a Federação. E explica porque os americanos, de 1776 a 1781, depois de derrotarem a Inglaterra, discutiram 5 anos se queriam a Constituição ESTADUALISTA ou FEDERALISTA. Sabiamente ficaram no meio.
.
Essa decisão magistral acabou com a segregação nos ônibus escolares e depois se estendeu pelo país todo e não apenas no campo do transporte. A primeira intervenção ocorreu no governo Kennedy, em 1962. Mas o acordão final e irrecorrível veio em 1964, já com Lyndon Johnson, que assumira com o assassinato de Kennedy.
.
Os negros no Brasil jamais tiveram espaço. Tinham que ocupá-lo com uma obstinação e determinação que os brancos não precisavam. Em todos os setores os negros encontram resistências, não recebem coisa alguma. Mesmo as conquistas são discutidas, negadas, polemizadas e não raro retiradas.
.
A própria Igreja discrimina, persegue, já não tortura como no tempo da Inquisição, mas não deixa os negros ocuparem lugares na Cúpula. O Brasil teve um cardeal negro, por pouco tempo. Outro? Podem esperar por anos e anos. Advogados, médicos, engenheiros, jornalistas? Na arquitetura existiram os irmãos Rebouças, negros e competentes. Até hoje poucos sabem que o túnel que libertou a Zona Sul é homenagem a eles.
.
O Exército também não tem apreço por negros, embora sua História comece no povo mesmo (quando soldados chegavam a generais) e depois na classe média. O coronel Job Lorena, em 1977, chegou a general porque concordou em fazer o serviço sujo que os brancos não queriam fazer. Não reprovo o coronel, é assim mesmo.
.
Nessa época, este repórter publicou com exclusividade o que seria conhecido como "relatório Saraiva". Este, brilhante adido militar na França, relacionou irregularidades fantásticas cometidas pelo embaixador Delfim Netto. A ditadura não queria puni-lo nem demiti-lo. Resolveram então arquivar o relatório. Como nenhum coronel aceitou presidir a investigação como farsa, chamaram Job Lorena. O processo foi arquivado e o coronel Saraiva sacrificado.
.
PS - A História dos negros no Brasil se escreve dessa maneira. Em vez das homenagens vazias para Zumbi, deviam juntar negros e brancos (?) no exercício das mesmas funções e disputando os mesmos cargos.