Adelson Elias Vasconcellos
Tem coisas no Brasil que são inverossímeis. Não há semana que a gente não se vê diante destas aberrações que só a política decadente do país consegue arquitetar e vender na praça como mercadoria “valiosa”.
Menos mal que o bom senso ainda prevalece e, dia mais dia menos, as tais histórias espetaculares se mostram tais quais são: delírios de cafajestes.
Um destes casos aconteceu quase ao final da semana que passou, quando Mino Carta, em seu pasquim Carta Capital, tentou emplacar uma história deste tipo em relação ao Ministro Gilmar Mendes, do STF, tentativa esquizofrênica de torná-lo impedido de participar do julgamento do mensalão.
Em todo o enredo mal composto por um destes conhecidos vigaristas de aluguel, que se dispõe, a troco de algumas merrecas, montar dossiês fajutos para atacar e denegrir a imagem e reputação de pessoas sérias que, por sua atuação, se tornam ameaças à turma do poder, nada bate com nada. O cargo que o ministro teria ocupado, na data do documento, só ocorreria no ano seguinte. O senador petista que teria participado do banquete, ainda na mesma data do tal documento, sequer era candidato, quanto mais senador já eleito. Ou seja, o vigarista, no afã de atender à encomenda que lhe fora contratada, sequer se deu ao trabalho de verificar datas para produzir algo com um mínimo de credibilidade.
Como o truque não colou, partiram para outra delirante história. Leiam o texto a seguir, de Gabriel Castro para a Veja online. Volto depois.
******
Mulher de Cachoeira é suspeita de tentar corromper juiz
Andressa Mendonça foi levada "coercitivamente" para prestar depoimento na PF. Agentes também cumpriram mandado de busca e apreensão na casa dela
(José Cruz/ABr)
Andressa Mendonça, esposa do empresário Carlos Augusto Ramos,
o Carlinhos Cachoeira, deixa o Congresso Nacional após depoimento
de Cachoeira na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
A mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, foi levada à Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira para prestar depoimento sobre uma suposta tentativa de corromper o juiz Alderico Rocha Santos, responsável pelo caso Cachoeira. De acordo com a PF, Andressa foi "conduzida coercitivamente" para a sede da corporação em Goiânia. A Justiça determinou que Andressa terá de pagar uma fiança de 100 000 reais e não poderá manter contato com os investigados na operação Monte Carlo - o que inclui o seu marido.
Segundo Polícia Federal, Andressa tentava cooptar o magistrado para obter uma decisão judicial favorável ao marido. Os policiais federais também apreenderam computadores na casa dela. Apesar de ser investigada pelo crime de corrupção ativa, a mulher de Cachoeira foi liberada após prestar depoimento. Ela chegou ao local por volta de 9h e saiu da PF às 12h20.
Cachoeira, que controlava a máfia dos caça-níqueis em Goiás, corrompia autoridades e atuava como lobista da construtora Delta, está preso desde 29 de fevereiro e tem fracassado em sucessivas tentativas de obter um habeas corpus na Justiça. O primeiro juiz responsável pelo caso, Paulo Augusto Moreira Lima, deixou as investigações após ser ameaçado. O irmão da ex-mulher de Cachoeira, Adriano Aprígio, foi detido no início de julho por intimidar a procuradora Lea Batista de Oliveira.
Andressa Mendonça foi convocada a depor na CPI do Cachoeira. Ela deve falar aos parlamentares em 7 de agosto, no primeiro encontro da Comissão Parlamentar de Inquérito após o recesso do meio do ano.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A parte que grifei serve para mostrar o clima que existia antes dos acontecimentos desta segunda feira. Antes de prosseguir uma consideração: não tenho conhecimento sobre ações que desabonem o juiz Alderico Rocha Santos. Portanto, no comentário a seguir há o bom senso com ferramenta de análise, sem nenhum julgamento ou conceito preconcebido sobre o senhor Alderico no exercício de suas funções.
Vamos lá. Pouco se divulgou sobre o diálogo mantido por Andressa Mendonça e o juiz Alderico Santos.
Assim, vou me valer apenas do descreveu o jornalista Reinaldo Azevedo em seu blog, retirando do texto que ele editou suas observações pessoais.
Segundo Rocha Santos, Andressa insistiu em falar com ele mesmo sem a presença dos seus (dela) advogados. Tanto ela fez, diz, que ele acabou concordando.
Só aceitou receber Andressa na presença de uma assessora sua. No curso do bate-papo, ela alega que tem questões pessoais a tratar, que dizia respeito à sua vida pessoal. Solicitou que a assessora saísse, com o que o doutor Rocha Santos concedeu.
Segundo a versão do juiz, ela então lhe disse que Cachoeira teria contratado Policarpo, da VEJA, para fazer um dossiê contra ele. Caso seu marido não fosse beneficiado por um habeas corpus, o dossiê seria tornado público.
Voltemos ao tópico que grifei no texto da Veja online. Ali temos um juiz que pediu afastamento após ser ameaçado. Depois, aconteceu a prisão de um irmão da ex-mulher de Cachoeira, por intimidações feitas à procuradora Lea Batista de Oliveira. Semana passada, Andressa Mendonça teve sua cabeça colocada a prêmio, em razão do Ministério Público suspeitar que ela pratique ou praticou lavagem de dinheiro.
Ora, diante deste clima fervilhante, seria crível que o editor da revista Veja fosse oferecer à Andressa os préstimos da revista para a publicação de um dossiê justamente contra o juiz que conduz o caso Cachoeira?
Vamos supor que, em princípio, esta combinação do editor da Veja e Andressa seja real. Pergunta: a Editora tem ou tinha conhecimento disto? Autorizou que seu nome fosse jogado na lama numa tramoia acertada com o lado criminoso da história? E num clima como o que descrevemos acima? Ora, seria idiotice suprema supor que isto pudesse acontecer. Até porque a revista tem sido alvo de constantes acusações não faltando quem a deseje ver no banco dos réus ao lado de Cachoeira.
Senhores, não dá. Por mais que se deseje ser imparcial, é inadmissível que os fatos relatados segundo o juiz Alderico Santos tenham veracidade. E atenção: não estou dizendo que o juiz está mentindo, apenas que este suposto acordo entre a mulher de Cachoeira com o editor da Veja é impensável, dada as circunstâncias e o clima atual. Claro que Andressa pode ter se valido da credibilidade de Veja e, levianamente, ter usado o nome da revista para esta tentativa de intimidação que não vingou.
Mas peraí: Andressa é formada em direito, não? Dá para imaginá-la como uma perfeita idiota em uma tentativa infantil de chantagear um servidor público do Judiciário, tendo a serviço de Cachoeira uma penca de advogados a defender seus interesses?
São hipóteses, sei, mas todas estas questões que levanto não são fruto da imaginação. Trata-se apenas de tentar entender, de modo reto, o que de fato se passou. O fato do juiz alegar como prova o vídeo que mostra Andressa entrando e saindo do prédio não dá sustentação ao que alega ter acontecido em seu gabinete, quando estavam apenas ele e Andressa. Assim como o suposto dossiê a que Andressa se referiu e que teria sido montado pelo editor da Veja pode ter sido fruto apenas da mentalidade criativa da moça, não tendo a Veja nada a ver com o caso. Apenas foi arrolada de modo infame, leviano e ardiloso.
Assim, diante do que se tem o que podemos concluir é que a história toda está muito mal contada. Um juiz, que se diz severo, jamais admitiria em seu gabinete apenas a esposa de alguém que ele está processando, sem ao menos a presença de advogados. Como ainda é insustentável a versão de que a moça pediu a audiência solitária para tratar de assuntos pessoais, de teor conjugal. Na mesma hora, o senhor Alderico Santos deveria ter interrompido o palavrório e dado a reunião por encerrada.
Portanto, resta-nos concluir que esta história, em seus detalhes, está muito... muito não, está é pessimamente contada. Pelo que se soube, a Editora Abril já autorizou seu jurídico a ingressar com ação criminal contra Andressa Mendonça. É o mínimo. Mas, ainda que tudo tenha transcorrido conforme contou o juiz Alderico Santos, seu comportamento também deve ser criticado, se não for caso para algo maior.
Vamos aguardar, deste modo, que os fatos sejam esclarecidos porque, da forma como foram noticiados, ele dá margem para muitas questões, muitas respostas que estão vagando soltas no ar, comportamentos reprováveis de parte a parte, sem que se tenha uma linha firme da realidade. Todos os envolvidos devem explicações. Alguma, certamente, preencherá os requisitos que o bom senso admite, porque até aqui, senhores, nada bate com nada.
Um último detalhe: segundo informou a Polícia Federal, será feita uma acareação entre Andressa e o juiz Alderico Rocha Santos na próxima semana. Ora, faltará um personagem indispensável nesta acareação. Justamente o editor da Veja para sustentar ou não o que a moça contou ao juiz, na sua tentativa frustrada de intimidação e chantagem.
Ou seja, quanto mais se pensa sobre o caso, mais ele não se sustenta e mais dúvidas se levantam.
EM TEMPO.- As matérias que havíamos selecionado para a edição de hoje, ficaram para serem postadas amanhã. Infelizmente, fomos atropelados por fatos relevantes de última hora e que mereceram atenção e prioridade. Então, até amanhã.
******
EM TEMPO.- As matérias que havíamos selecionado para a edição de hoje, ficaram para serem postadas amanhã. Infelizmente, fomos atropelados por fatos relevantes de última hora e que mereceram atenção e prioridade. Então, até amanhã.





.jpg)


