* O verdadeiro estorvo
*** Adelson Elias Vasconcellos
* Nova tentativa para calar a imprensa
*** Adelson Elias Vasconcellos
* Uma acusação injusta e descabida contra o TCU.
*** Adelson Elias Vasconcellos
* A canoa de Dilma
*** Sebastião Nery
* A fábula do lobão e da vovó do PAC
*** Ruth De Aquino, Revista Época
* Uma lição ao país sem memória
*** Augusto Nunes, Veja online
* Porky´s contra a liberdade
*** Diogo Mainardi, Revista Veja
* Apagão: o que o governo Lula “esqueceu” de informar
*** Adelson Elias Vasconcellos
* Dilma, o apagão e os marqueteiros
*** Lucia Hippolito, O Globo
* Nosso planejamento não pode depender do pré-sal
*** Paulo Rabello De Castro, Revista Época
* Transporte ruim atrasa prosperidade do agronegócio do Brasil, diz 'FT'
*** BBC Brasil
* Apagou geral
*** Ricardo Noblat
* O silêncio dos pasquineros
*** Ralph J. Hofmann, site Diego Casagrande
* Sucessor perfeito é forjado a frio no porão do Planalto
*** Josias de Souza, Folha online
* Verde que te quero
*** Míriam Leitão, O Globo
* Com mil raios
*** Guilherme Fiúza, Revista Época
* Painel da Folha: Ayres Britto é pressionado a mudar voto no caso Battisti
*** Comentando a Notícia
* Eu não achei que sairia viva
*** Yoani Sánchez, Revista VEJA
terça-feira, novembro 17, 2009
O verdadeiro estorvo
Adelson Elias Vasconcellos
Cenário ideal: uma imensa platéia ignorante das intimidades e da história do Brasil, prontas a ouvir uma pregação catatônica contra os países ricos, centenas de microfones aptos a captar apelos dramáticos em favor dos pobres e, claro, alguns jornalistas para reproduzirem um discurso ao melhor estilo lulista – a de se vangloriar e fazer propaganda de si mesmo. No fundo mesmo, o que sobra, soa apenas vazio e deformado quando confrontado com a realidade. Mas esta última parte não conta quando o orador se chama Lula da Silva. Nem vale destacar sua miséria moral, coisa que ele entende não lhe fazer falta alguma.
Pois bem, cenário ideal, microfones ligados, e em nesta segunda-feira durante o encontro da Organização para Alimento e Agricultura (FAO, sigla em inglês) que acontece em Roma, na Itália, o senhor Luiz Inácio não deixou por menos e mandou ver na sua verborragia vagabunda tanto quanto vigarista:
“... as políticas econômicas dos governos anteriores ao seu, dizendo que "milhões de seres humanos eram vistos como estorvo...”
Como na platéia não havia ninguém com informação suficiente para contestá-lo, sintou o homem coragem para prosseguir chutando a história.
Para Lula, apenas 60% dos brasileiros desfrutavam do sistema econômico do País, enquanto o restante da população era "deixado à própria sorte". As declarações foram feitas na abertura do encontro diante dos chefes de estado de aproximadamente 60 nações, sobretudo africanas - continente que mais enfrenta problemas de subnutrição. Para Lula, os brasileiros antes vistos como "estorvo" são, hoje, o "maior ativo" do País. O presidente voltou a criticar os que acusam os programas assistenciais de seu governo de "populistas" e "assistencialistas".
De minha parte, eu ainda acrescentaria “eleitoreiros” aos “populistas” e “assistencialistas”. E pela simples razão de que eles não tem porta de saída. As que havia ele tratou de eliminar. Quanto maior a dependência do Estado, maior o retorno nas urnas...
Nem bem a reportagem da revista britânica “The Economist’ esquentou as bancas do mundo inteiro, e Lula, uma vez mais, ataca os “governos anteriores” sem fazer uma única e miserável ressalva ao governo anterior, de quem herdou a política e estabilidade econômicas, os programas sociais de auxilio às famílias mais pobres, fora outros programas que nem vem caso agora mencionar.
O que será que este “cara” tem na cabeça? Acaso ele continua apostando na nossa pouca informação, memória fraca e curta ou nos tacha de tal forma imbecis que pode chutar a verdade e distorcê-la de forma deprimente, e que ninguém o irá contestar? Quem foi ou foram os canalhas e cretinos que lhe abasteceram com tanta estupidez?
Apenas para lembrar: o Bolsa escola, no qual Lula se espelhou para rebatizar e criar o Bolsa Família, deixou cerca de 4,5 milhões de famílias atendidas, ou cerca de 20 milhões de beneficiados, e um cadastro de outras 6 milhões de famílias, onde constavam nome da mãe, dos filhos, data de nascimento de todos, CPF, endereço completo, etc.
Quando aos 60% que afirmou participarem do sistema econômico, façamos as contas. Tal índice representa cerca de 108 milhões brasileiros, considerando-se uma população de 180 milhões que Lula encontrou. Pois bem: isto é o que se chama de força de trabalho, o restante é constituído por crianças em idade escolar ou jovens na adolescência, portanto, fora do mercado de trabalho ainda, e os velhos, aposentados em sua quase totalidade. Como se pode afirmá-los deixados à própria sorte? Donde ele sacou este absurdo? É bom que se registre que ele próprio mandou cortar, na semana passada, o reajuste das aposentadorias nos mesmos índices aos aplicados à correção do salário mínimo. Quem está deixando parte do país à própria sorte?
Havia, como ainda há, um contingente enorme de desempregados. Mas este contingente pertence ao montante dos 60% que Lula informou, e não aos quarenta por cento que sobraram.
E dos que sobraram é bom destacar aqui um ponto que mancha este governo dito social por Lula e seus marqueteiros: quando assumiu, o trabalho escravo infantil, em razão dos programas implantados por FHC, como o PETI vinha declinando rapidamente e seu índice já era de um dígito apenas. Contudo, a partir de 2005 e 2006, este índice voltou a subir e ultrapassar a marca de 10%. E, neste período, quem era o presidente?
Mais: conforme informamos aqui recentemente, o IPEA, agora devidamente aparelhado pelo petê, conseguiu a proeza de engordar a estatística da classe média, afirmando que cerca de 20 milhões de pessoas saíram das classes D e E para a C, nos dois últimos anos, com um truque vergonhoso e imoral. Qual foi a mágica? Foi ter mudado a faixa de renda da classe média que agora, segundo o IPEA, passa a ser de UM SALÁRIO MÍNIMO, ou seja, menos de R$ 500,00 por MÊS. Santo Deus !!! Ou seja se você, que ontem ganhava um salário mínimo, e era considerado pobre, agora, sem acrescentar um mísero centavo ao seu salário, por um decreto vagabundo, passou a pertencer a classe média. Incrível não é mesmo? E estes são os números da mentira que Lula arrota mundo afora. Numa hora dessas, se sou brasileiro e estou presente na platéia e diante de um discurso desses, me escondo de vergonha! Não do país, mas de seu governante mistificador!
É impressionante como Lula adora mentir. Não bastava chamar a atenção do mundo para o flagelo da fome. Não, isto é pouco para sua arrogância e megalomania. Em cada palavra, ele sente uma compulsão incrível para vangloriar-se mesmo que seja de forma sórdida e desonesta, para delas tirar proveito político para si mesmo.
Já por diversas vezes disse neste espaço que, mesmo que Lula permaneça no poder por 20 anos (Deus nos livre de tamanha desgraça!), jamais ele conseguirá consagrar-se como estadista. Seu comportamento carregado nos tons da mentira, da ignorância extremada em relação ao fato histórico, seu analfabetismo em relação a valores como honra, dignidade, humildade são lacunas que o caráter de um verdadeiro estadista não permite prescindir.
Neste mesmo discurso infame, vangloriou-se do tal Luz Para Todos, que, segundo sua estatística pessoal, teria levado energia elétrica gratuita para 10 milhões de pessoas. Desde quando, o barnabé? Primeiro, que quem instalou o programa não foi ele, foi FHC. Segundo, porque o programa prevê como META chegar a 10 milhões de atendidos, mas como realização sequer chegou a metade do que pretende. Aliás, há uma reportagem da Folha de São Paulo que nesta semana ainda a reproduziremos para comprovar o quão falsa é a estatística lulista
Ou seja, Lula mantém a lógica vagabunda de que, uma vez instalado ou anunciado o programa, no dia seguinte, por um passe de mágica, a meta já terá sido atendida. E é isto que se vê na propaganda mentirosa comandada por Franklin Martins. Anunciam-se como conquista reais, aquilo que está ainda apenas no papel.
Empolgado, no mesmo discurso ainda teve tempo para lembrar que, com apenas parte do dinheiro gasto pelos governos mundiais para salvar os bancos da crise econômica poderia se erradicar a miséria no mundo. Pois é, o raio é que, não houvesse o socorro ao sistema da forma como se deu, e o volume de gente passando fome seria multiplicado em pelo menos três vezes. E ele até poderia ter comunicado que, no Brasil, o seu governo jogou no mercado mais R$ 200 bilhões, fora as desonerações fiscais e linhas de crédito, para a nossa economia não ser catapultada pela crise. Lembrando, também, que ele ainda injetou cerca de R$ 15 bilhões em bancos, sobretudo aqueles ligados a montadoras de veículos, para que não fossem arrastados pela mesma crise.
Aliás, é sempre mais fácil jogar pedras nos outros do que mirar-se diante do próprio espelho !
E, para encerrar mandou um recado final do tipo "(...) Precisamos nos livrar dos vergonhosos subsídios agrícolas dos países ricos", chamando a ajuda desses mesmos países aos seus agricultores de sabotagem".
Pois é, a diferença é que nestes países, os governantes tem a mania de governar para seus cidadãos, e uma destas formas de governança, goste Lula ou não, é justamente protegê-los. Lá, não se tem a carga tributária que temos aqui, lá não se tem uma infraestrutura sucateada que se tem aqui, lá não existe um MST a promover conflitos rurais e dar pontapés no aparato legal sob a cumplicidade criminosa do governo que ainda lhes estende recursos do Tesouro para financiar sua baderna. É criticável a atitude dos países ricos em relação aos subsídios? Sob a ótica do livre comércio, claro que é. Mas é preferível isto do que o tratamento cretino que o governo brasileiro concede aos seus produtores.
Assim, o verdadeiro estorvo ao país e ao seu desenvolvimento não é nem seu povo nem seus pobres. Estorvo é ter um governo que mente, que engana, que trapaceia, que distorce, que manipula e, sem escrúpulo algum, mancha com suas atitudes e palavras caluniosas a verdadeira história do Brasil.
Nova tentativa para calar a imprensa
Adelson Elias Vasconcellos
Em O Estado De São Paulo, temos a notícia que, previsivelmente, era esperada há bastante tempo. A de que o governo Lula faria nova tentativa de cercear a imprensa, principalmente, parte da imprensa que, por não beber nas fontes do Tesouro Nacional, não se deixa seduzir pelas artimanhas e manipulações de um governo devotado à mentira e à mistificação.
Numa entrevista concedida à Kennedy Alencar, da Folha de São Paulo, há questão de uns trintas dias atrás, Lula já dera a mensagem: ele entende que à imprensa cabe o papel apenas de informar, e não de fiscalizar. Como se a imprensa não fosse de composta também de cidadãos, em pleno exercício e gozo de seus direitos políticos e que, entre coisas, prevê fiscalizar os atos do governo. De qualquer governo e a qualquer tempo.
Aliás, governos de têmpera democrática, não acham ruim serem fiscalizados, porque são formados com a cultura de que é sua OBRIGAÇÃO prestar contas de seus atos, seja para as instituições que fiscalizam, inclusive, vejam vocês, o Poder Legislativo.
Mas este governo tem outra têmpera. Seu gosto pelo autoritarismo se percebe em cada ação de governo ou em cada sílaba de seu governante. Para ele, a única crítica válida é aquela a favor, do elogio farto e triunfal, que eleva o governante à categoria de o maior dentre todos.
Já no primeiro mandato, Lula bem que tentou em duas ocasiões colocar a imprensa que não o obedece,no cabresto. Não conseguiu, precisou recuar. Assim, a tática agora é colocar os bate-paus do partido para ver se a ação deliberada de “conter” a imprensa no seu exercício de livre expressão, consegue vingar.
E eles tem pressa, claro. Muita porcaria deste governo tem sido noticiada, da corrupção à incompetência,passando pela má gestão dentre outros crimes menores. Porém, em 2010, há eleição para suceder Lula e como ele elegeu Dilma para sucedê-lo, o império tem que se curvar à vontade do imperador. E a forma de se obter esta reverência é colocar a imprensa a ferro e fogo submissa.
E por se tratar bastante generosa, eles concedem à imprensa um papel fundamental para a democracia. Mas depois, e aí vem o golpe, justamente por ser estratégica, a ação precisa da participação mais intensa do.... Estado. E apesar de ser a Imprensa quem mais perto está, diariamente, da população, que mais convive diretamente com suas angústias, aflições e carências, apesar, é Estado, paquidérmico, que mal consegue prestar, em condições dignas, seus serviços básicos a esta mesma população, que se acha mais competente para falar em nome desta população.
Assim, apelo para o dramalhão, justificando-se em apelos emocionais, cretinos e vigaristas por excelência, vem com um arrazoado do tipo “(...)"o arcabouço legal brasileiro privilegia grupos comerciais, em detrimento dos interesses da população". Mais apelativo do que essa babozeira, só esta: "Esse modelo, segundo o PT, permite a "uns poucos grupos empresariais - muitas vezes associados a fortes conglomerados estrangeiros - exercer controle quase absoluto sobre a produção e veiculação de conteúdos informativos e culturais".
Ou seja, para o PT a informação dada de forma universal, livre, sem a censura cretina do Estado, significa “desvios do sistema”, e a forma ditatorial de se evitar estes “desvios”, é tratar “(...) a comunicação como área de interesse público, criando instrumentos de controle público e social". Não sei porque mas me parece que, entre 1964 a 1985, ouvi muita coisa semelhante produzida por gente que estava no governo neste tempo. Gente que os petistas diziam combater, por serem “ditadores”. Agora, sendo o governo formado pelo próprio PT, repete-se a mesma cantilena, só que trajando vermelho!!!
O texto todo, vocês vão ver, é de uma profundidade e clareza quanto as reais intenções desta gente, que não fica dúvida alguma do que eles pretendem não apenas para a “imprensa”, porque até falam em "(...) atribuições e limites para cada elo da indústria de comunicação". Defende intervencionismo na produção de conteúdo, ao propor "políticas, normas e meios para assegurar pluralidade e diversidade de conteúdos". E pede revisão nas concessões de emissoras de rádio e TV (...)”, mas o pensamento do intervencionismo estatal em todas as instituições é o elo com que justificam a presença do Estado em toda a cadeia de comunicações.
Claro que por serem bondosos, o intervencionismo não é visto pelos malandros como autoritarismo, e sim como democratização dos meios de comunicação. E, para que sejam “democráticos”, dá-se um belo chute na liberdade, e se sai abraçado à censura que é, em última análise, o ponto final a que se chegará. Ou vocês acham que quando eles se referem a “(...)Defende intervencionismo na produção de conteúdo(...)”, eles estão querendo dizer o quê? Eles até podem dar o nome que quiserem à pilantragem que pretendem impor, mas que, em linguagem decente, isto não tem outro significado que não seja CENSURA. E, sendo imprensa censurada, representa dizer, sem sombra de dúvidas, conduzir o país para uma ditadura, no caso, com sinal à esquerda. E, sendo assim, eles pretendem um Brasil abraçado ao atraso e governado pelas trevas políticas com que se alimentam.
De fato, neste caso, uma aliança com Judas para esta gente deprimente, é encarado como coisa normal e necessária. Falta apenas combinar com os cristãos...
Segue a reportagem do Estadão.
Partido pede ''intervenção'' na área de mídia
A participação mais intensa do Estado em setores estratégicos poderá chegar às comunicações. O assunto estará em pauta, entre 1º e 3 de dezembro, quando o governo vai promover a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) em Brasília. O PT já aprovou resolução, defendendo a "revisão do arcabouço legal" do setor que o partido define como "anacrônico e autoritário".
Organizado em torno de normas como o Código Brasileiro de Telecomunicações (1962) e a Lei Geral de Telecomunicações (1997), "o arcabouço legal brasileiro privilegia grupos comerciais, em detrimento dos interesses da população".
Esse modelo, segundo o PT, permite a "uns poucos grupos empresariais - muitas vezes associados a fortes conglomerados estrangeiros - exercer controle quase absoluto sobre a produção e veiculação de conteúdos informativos e culturais".
O partido vê "monopólios" e "desvios do sistema atual", dizendo que é "preciso intervir". "O PT lutará para que as demais ações estatais nessa área promovam a pluralidade e a diversidade, o controle público e social dos meios e o fortalecimento da comunicação púbica, estatal, comunitária e sem finalidade lucrativa", diz o texto, aprovado em 17 de outubro. "Mais do que combater os monopólios e todos os desvios do sistema atual, é preciso intervir para que eles não se repitam ou se acentuem nesse novo cenário tecnológico - que em poucos anos superará completamente o antigo modelo."
Com as mudanças provocadas por tecnologias digitais, o PT vê risco de o modelo ficar "mais concentrado e excludente". "A definição de um marco regulatório democrático estará no centro de nossa estratégia, tratando a comunicação como área de interesse público, criando instrumentos de controle público e social", diz a resolução.
O PT quer estabelecer "atribuições e limites para cada elo da indústria de comunicação". Defende intervencionismo na produção de conteúdo, ao propor "políticas, normas e meios para assegurar pluralidade e diversidade de conteúdos". E pede revisão nas concessões de emissoras de rádio e TV.
Uma acusação injusta e descabida contra o TCU.
Adelson Elias Vasconcellos
Sempre que Lula se dedica em atacar, grande parte das vezes cobra uma remissão de pecados (dos outros, é claro). Lula quer e gosta de uma imprensa que apenas o elogie e o engrandeça. Parte, com efeito, já anda genuflexa, é alimentada com subsídios diversos, e faz reverência não apenas a Lula, mas a todo e qualquer governante que lhes abasteça Quando isto se dá, tais jornalistas são generosos e fartos nos elogios, e rarefeitos nas críticas.
Mas grande parte da imprensa é séria e faz seu trabalho com extremo zelo. E, em alguns casos, ela também erra. E erra tanto quanto quanto qualquer profissional, por mais cuidadoso que seja. Infalibilidade só é possível com Lula em seu mundo de pura ficção e fantasia.
Lula cobra que imprensa quando erra, não dedica o mesmo espaço para se desculpar contra quem ela injustamente atingiu.
Pois bem, e quando ele erra? Acaso adota para si o mesmo discurso que joga contra os outros? Já vimos, diversas vezes multiplicada por diversas vezes, que NÃO. No mundo mágico de Lula não há espaço para ele se desculpar, pela simples razão de que, quando erros aparecem, ele joga a responsabilidade para os outros, de preferência para seu antecessor. Ele entende que, quanto mais depreciar, desqualificar o ex-presidente Fernando Henrique, mais sua biografia se robustece. Mesmo que lama, mas não importa.
É o caso que se tem em relação ao Tribunal de Contas da União. As funções constitucionais a cargo do TCU, é sempre bom lembrar, foram amplamente discutidas pelo próprio Lula quando da Constituinte. Muito do que tem lá previsto, ele e seu partido brigaram muito para impor. Claro, o governante era outro, então, maior a dificuldade à governabilidade dos outros melhor para ele que almejava a presidência. Entendia,como até hoje aliás, que sua presença no poder se justificava pelos deméritos dos “adversários”.
Durante os dois últimos meses, Lula desceu o braço da crítica sobre o TCU, mesmo discurso que Paulo Bernardo,do Planejamento, e Dilma Roussef, da Casa Civil copiaram e abraçaram.
A tal ponto o fizeram que Paulo Bernardo redesenhou as funções do TCU em um projeto de lei que prevê, dentre outras artimanhas, a criação de uma instância superior para julgar os atos do TCU. Ou seja, o TCU, de repente e por capricho de um governante megalomaníaco, que não vê os erros cometidos em seu governo, prefere escamotear e esconder a sujeira com ações que lhe permitam governar sem ser fiscalizado.
Todas as obras que o TCU ordenou paralisação por irregularidades, tanto no orçamento quanto na execução, são inaceitáveis por Lula e seus asseclas. De repente, o TCU passou a ser o inimigo público número um do desenvolvimento da nação.
Bem, já falamos aqui algumas vezes sobre o papel do TCU e no que entendemos que deveria mudar. A começar, que seus ministros e técnicos deveriam ser de carreira, com formação absolutamente técnica, todos ingressos por concurso, sem nenhuma indicação de natureza política, como são seus ministros atualmente. Isto daria maior solidez e autoridade ao trabalho que hoje eles desenvolvem. E, obviamente, sem as pressões políticas a que estão hoje em razão da forma de escolha.
Não é a primeira tentativa do governo Lula de “mudar” as fiscalizações ao seu governo. Várias foram as tentativas de cercear o trabalho da imprensa, não esquecendo ainda da tentativa de amordaçar o Judiciário. Quando o Ministério do Meio Ambiente, ao tempo da senadora Marina Silva, passou a ser visto como “entravador”, Lula tratou de esvaziar a autoridade do ministério na concessão de licenças o que levou a senadora a demitir-se. Para o seu lugar, nomeou o homem do coletinho, que, rapidamente, se transformou em ministro do licenciamento...
Mas será que a ação do TCU em paralisar obras, especialmente aquelas relacionadas no PAC é assim tão prejudicial ao andamento do próprio programa?
Absolutamente. No Portal Terra temos a notícia de que as restrições afetam tão somente 4% das obras ali previstas. Ou seja, as restrições significam uma parcela muito diminuta, para o tamanho do atraso que o programa tem tido. Como em tudo que este governo toca sempre se distinguem duas características: má gerência e corrupção.
E este é o caso do tal PAC que, como a própria reportagem acaba informando, segue empacado por falta de capacidade de gestão. Tudo dentro do figurino que desenhamos ontem aqui: Dilma Roussef, a mãe do PAC, continua sendo competente em parecer competente, fama que traz desde o Rio Grande do Sul.
Não sendo o TCU, portanto, o vilão que Lula acusou de forma tão leviana, é de se perguntar: Lula irá se desculpar perante os ministros tão injustamente e caluniosamente injuriados pelo presidente? E, em se reconhecendo injusto, manterá a idéia malévola de mudar a competência daquele Tribunal?
Segue a reportagem:
Restrições do TCU atingem 4% das obras do PAC
BRASÍLIA - As restrições do Tribunal de Contas da União (TCU) aplicadas às obras do governo federal, afetam apenas uma pequena parcela das ações do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo desta segunda-feira, apenas 4% são afetadas.
Segundo o jornal, 232 projetos foram classificados como prioritários pelos ministérios dos Transportes e das Cidades, mas menos de um quinto dos recursos foram liberados até setembro. As iniciativas representam 40% dos projetos do PAC nos dois ministérios.
O TCU aplicou restrições a 4% destas obras, afirma o jornal. São nove obras ao total, cinco do Ministério dos Transportes e quatro do Ministério das Cidades. Os empreendimentos somam R$ 612,5 milhões, que representa 3% dos R$ 22 bilhões que serão destinados ao PAC nessas pastas.
Segundo o TCU há sobrepreço em cinco projetos da obra da rodovia Norte-Sul, no Tocantins. A obra orçada em 454 milhões é a maior das pastas e já teve R$ 75,3 milhões repassados.
A canoa de Dilma
Sebastião Nery
RIO – Padre Rossi era Deus e o diabo em Laguna, Santa Catarina. Vigário, cuidava das almas. Chefe político, cuidava dos corpos. A cidade tinha os pés plantados em suas mãos. O que Padre Rossi queria, acontecia. Ninguem contrariava quem mandava qualquer um para o céu ou a cadeia.
Noite de Ano Novo, Padre Rossi chegava de viagem. Tinha missa à meia-noite, estava atrasado.E a lagoa Imaruí,encapelada, soprava vento sul. Mas Padre Rossi não tinha medo de nada. Pegou a canoa, mandou tocar.
O pescador foi indo, remando. E o vento sul dobrando a canoa, como palha ao vento. Padre Rossi olhou Laguna lá do outro lado, desistiu:
- Volta!
- Voltar como, Padre? E a missa do Ano Novo?
- Volta que eu não vou morrer por uma missa.
- Deus é grande, Padre Rossi.
- Eu sei. Deus é grande, mas a canoa é pequena.
DILMENTIRA
A canoa de Dilma também. Mandona, agressiva. arrogante, ela sempre acha que pode falar e fazer o que quiser, que ninguem tem nada com isso. Pensava que era pouco o curso de graduação em Economia, fabricou um mestrado que não tinha. Faltava o doutorado, nome mais bonito. Matriculou-se em um e logo anunciou que já era “doutoranda”.
No ministério de Minas e Energia, assumiu arrogantemente toda a politica nacional de energia, rachou o pais em dois com Sarney, ficou com Minas para baixo, deixou Minas para cima com Sarney. Dois feudos.
Na Casa Civil, piorou. Constrange, agride, humilha os comandados, os mais de baixo. Chamou a Lina Vieira, secretaria da Receita, e mandou que ela “agilizasse”, engavetasse, encerrasse o processo sobre as contas da familia Sarney. Era indébita a interferencia. Lina não tomou conhecimento.
Dilma perdeu a linha. Inventou que nunca esteve com a Lina e desafiou-a a mostrar a agenda. Lina achou a agenda, Dilma se escondeu.
DILMITES
Dias atrás, 29 de outubro, sem linha, Dilma arrotava desafios :
- “Nós temos uma outra certeza, que não vai ter apagão. Nós hoje voltamos a fazer planejamento”.
Veio o apagão. Mais uma vez Dilma mentia. Escafedeu-se. No escuro e no claro, ninguem viu a Dilma dois dias seguidos. Ontem, reapareceu, mais uma vez perdendo a linha, com duas “dilmites”, duas mentiras : - “Não foi um apagão, foi um blecaute”: - “O assunto está encerrado”. Como se estivesse na cozinha dando ordem à empregada.
No governo, perde a linha. Na energia, perde as linhas. Até o sereno e cartesiano Merval Pereira perdeu a paciência, no “Globo”:
- “Não adianta a candidata oficial, Dilma Roussef, não querer se envolver no caso, deixando as explicações para o ministro Edison Lobão, que está nas Minas e Energia pela simples razão de que o setor elétrico é um feudo do senador José Sarney. Ela é reconhecida como a grande responsável pela política de energia do governo e foi nessa condição, e sobretudo na de candidata, que tomou contra da apresentação oficial do programa do governo para o petróleo do pré-sal”.
Como o Padre Rossi, ela está com medo de a canoa afundar.
OAB
Mais grave do que o de Dil-ney (Dilma e Sarney), é o apagão de algumas veteranas e veneráveis instituições nacionais. Como a OAB, Ordem dos Advogados do Brasil. Foi a cidadela inexpugnavel do direito, da liberdade e da democracia nos anos mais duros da ditadura. Quando muitos se calaram, a OAB gritou.Quando muitos se acovardaram, avançou.
Quando os porões estavam lotados de prisioneiros e torturados, Rubens Paiva e Stuart Ângelo trucidados, Vladimir Herzog suicidado e o Brasil nas ruas a clamar pelas Diretas, lá estava a OAB : Sobral Pinto, Raimundo Faoro, Heleno Fragoso, Bernardo Cabral, Seabra Fagundes, Miguel Reale, José Carlos Dias, Josafá Marinho, Marcio Thomaz Bastos, Marcelo Lavenère, George Tavares, Mario Sergio Garcia, Noé Azevedo, René Dotti, Oswaldo Lia Pires, milhares de mulheres e homens que puseram suas vidas, seus diplomas e seus talentos a serviço da democracia.
URSO
Agora, quando a America Latina reage contra a praga antinacional e anticonstitucional do terceiro mandato dos caudilhos, combatido na OAB nacional e nas OABs estaduais, inacreditavelmente é da OAB de São Paulo que vem a ameaça, a tentativa do golpe sujo do terceiro mandato.
Um suplente de vereador, Luiz Flavio D`Urso, que há dois mandatos consegue, a duras e caras penas,equilibrar-se na presidência da OAB de São Paulo, resolveu pixar a historia da OAB querendo impor um terceiro-mandato. Como um Fugimori, um Chávez, um Uribe, um Zelaia de toga.
FRAGOSO REALI
Enfrentado por Rui Celso Fragoso Reali, cujo nome diz tudo, um dos grandes representantes do direito nacional, jurista serio, respeitado, o Urso branco acaudilhado sai para uma campanha suja e baixa, fraudando a suposta fraude de uma enquete eleitoral no “site” de Fragoso Reali.
Na internet, o Fugimori de toga ataca os adversários, ridiculamente implora adesivos nos carros, operação comandada pela mesma agencia de propaganda que tem a conta de R$8 milhões da OAB de São Paulo.
O Largo de São Francisco não merecia isso.
A fábula do lobão e da vovó do PAC
Ruth De Aquino, Revista Época
O apagão pôs em evidência o ministro Lobão. Enquanto ele falava, a avó Dilma cuidava da floresta
A fábula da semana – o apagão – colocou em evidência um personagem que andava sumido, o Lobão. Num primeiro momento, ninguém sabia onde andava a avó (do PAC). Temeu-se por Dilma porque o Lobão é emburrado e de poucas palavras. Ele deu o conto por “encerrado”. Depois se soube que a ex-ministra de Minas e Energia estava cuidando da floresta. Nós – os Chapeuzinhos Vermelhos – somos tão ingênuos que acreditamos que raios deixaram 18 Estados do Brasil às escuras por até quatro horas.
Nós também acreditamos que a floresta será salva, especialmente porque o grande caçador de votos depende do verde para não deixar a “fada-marina” enfeitiçar eleitores e atrapalhar a sucessão em 2010.
Quando a avó do PAC ressurgiu com todo o vigor, todos respiraram aliviados. O ministro Edison Lobão, ex-governador do Maranhão, em sua hesitação de meias palavras, consegue menos empatia com o público do que a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Já estava ficando embaraçoso ver e escutar as desculpas de Lobão. E Dilma caiu na armadilha da oposição, que a provocou. “Quem escondeu a ministra?” A pré-candidata (conhecida no Nordeste como “a mulher do Lula”) hoje sobe em todos os bons palanques – do pré-sal, do pós-sal, do pré-pós-PAC. Não falta a uma festa ou inauguração. Quando o palanque é frágil, ela some na floresta para preparar o discurso ambientalista que apresentará em Copenhague em dezembro.
Como o país inteiro sabe, e o Chapeuzinho Vermelho também, Dilma é contra o desmatamento desde criancinha. Tanto que nem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, consegue mais aparecer. Depois de reunião ministerial em São Paulo sobre metas para reduzir emissão de gases, mandaram Minc sair de fininho para Dilma falar com a imprensa. Seja pelo “efeito cabocla” – de Marina Silva como candidata pelo PV –, seja por um súbito despertar para a questão ambiental, Dilma aos poucos tenta vestir o colete de campeã da causa verde. A ministra comemorou na quinta-feira o menor desmatamento anual da Amazônia desde 1988 – e apagou da foto oficial a senadora do Acre, que saiu do governo derrotada pelo desenvolvimentismo de Dilma.
Os efeitos do blecaute sobre o governo são modestos, se comparados aos efeitos de Dilma sobre si mesma. Será que Lula escondeu sua candidata durante 40 horas e jogou o Lobão às feras com o objetivo de desvinculá-la de um evento tão impopular? Falta de luz e água, muito mais que um desconforto político, é uma tragédia social, com prejuízos inestimáveis para pessoas comuns. Ou será que submeteram Dilma a um curso relâmpago de marketing para ela reaparecer positivamente, com luz e água restauradas no país e argumentos na ponta da língua?
Se ela tiver recebido treinamento intensivo, melhor trocar enquanto é tempo os magos de imagem. Lula pode também providenciar uma transposição de personalidade. Dilma não passa em nenhum Enem de simpatia ou serenidade, mesmo se receber antes a prova. É só colocar um microfone diante dela, é só uma repórter fazer uma observação simples e pertinente. “Ministra, a senhora garantiu há duas semanas que não havia mais risco de apagão porque agora o país tem planejamento”. A ministra encrespa as mãos, engrossa a voz: “Minha filha, você está confundindo duas coisas. O que houve foi um apagão, não um blecaute. Blecaute é barbeiragem”. Era uma referência ao racionamento de 2001.
Indagada se o país poderia sofrer outro apagão, já que o sistema de Itaipu seria vulnerável a intempéries, Dilma rebateu: “Minha querida, nós, humanos, temos um problema imenso. Nós não controlamos chuva, vento e raio. Sempre quisemos, mas não conseguimos ainda. Talvez algum dia, né?”.
Talvez algum dia, ministra, a senhora encare as perguntas como elas são. Perguntas são feitas em busca de respostas. Talvez a senhora mude o tom. Seria bom entender que a água rola, a Terra gira, e que não adianta Lula tentar blindar a avó do PAC se ela se mostrar mais arrogante que o Lobo Mau. Não somos o Chapeuzinho e o PT deixou de ser vermelho.
Uma lição ao país sem memória
Augusto Nunes, Veja online
Em muitos anos de silêncio, Dilma Rousseff consolidou a imagem da superministra onisciente e arrogante. Em poucas semanas de verborragia, sobrou a arrogância. “Tudo o que a oposição não quer é que comparemos o governo do presidente Lula com o anterior, porque o anterior perde de 400 a zero”, disse há dias a candidata. Só uma oposição exemplarmente inepta ouve em silêncio esse hino à soberba sem reduzir a autora a suas dimensões liliputianas.
Releiam, por exemplo, o que acaba de dizer a gerente-geral da República sobre o apagão rebatizado de blecaute. “Para o sistema ser 100% seguro, seria muito mais caro e nós teríamos que pagar uma conta de luz bastante mais gorda do que nós pagamos. Porque nenhum país do mundo tem esse nível de redundância”. Em seguida, confrontem a conversa de colegial tatibitate com qualquer trecho do depoimento de Fernando Henrique Cardoso que começou a ser publicado. Foram quase duas horas de conversa sem agressões ao idioma ou à lógica.
Fica claro que o Brasil é que atingirá um altíssimo “nível de redundância” se, depois do monumento à ignorância, eleger a fraude de terninho, diariamente escancarada por algum falatório sem pé nem cabeça. Dilma não sabe o que diz, não diz o que sabe e não sabe dizer coisa com coisa. Pode-se discordar de coisas que Fernando Henrique diz, mas é possível entender tudo o que está dizendo. Também por isso a entrevista foi alojada na seção O País quer Saber.
Milhões de jovens que não conheceram o Brasil devastado pela inflação precisam conhecer o homem que derrotou o inimigo aparentemente invencível. Os brasileiros de todas as idades precisam lembrar que é possível presidir o Brasil sem escorregar em bravatas, bazófias, grosserias. Precisam também reaprender que diploma não é prontuário, que saber não é defeito e, sobretudo, que a formação escolar indigente jamais será virtude.
FHC pratica com naturalidade o convívio dos contrários só permitido a quem enxerga os erros que cometeu, sabe contemplar-se com ironia, não se considera onisciente nem dá conselhos ao mundo e conhece a diferença entre a divergência democrática e o ataque boçal. Ao longo do depoimento, sem renunciar ao tom crítico, contempla Lula com o respeito que, dias depois da entrevista, novamente lhe seria negado pelo sucessor.
Num artigo publicado no Estadão, o ex-presidente amparou-se em sólidos argumentos para apontar os riscos embutidos no “autoritarismo popular” que marca a Era Lula, e pode instituir no Brasil uma espécie de subperonismo. Lula não sabe quem foi Perón, nem o que quer dizer subperonismo. Incapaz de sustentar um debate civilizado com quem pensa, refugiou-se no reducionismo de praxe. É inveja, decidiu.
Revejam o que andam dizendo a mãe do Pac e o maior dos governantes, comparem a discurseira com o depoimento do ex-presidente. Fernando Henrique não tem motivos para invejar os dois. Dilma tem mais de 400. Lula, que vê o mundo em forma de urna, tem pelo menos duas derrotas no primeiro turno.
Porky´s contra a liberdade
Diogo Mainardi, Revista Veja
A cada dois anos, o ‘subperonismo lulista’ cria uma sigla para controlar a imprensa. Atacando em duas frentes: editorial e comercial. A imprensa, de bombardeio em bombardeio, de anúncio em anúncio, de chantagem em chantagem, amedronta-se e domestica-se”
Lula tem de parar de alisar os cabelos. Em 14 de dezembro, ele inaugurará a Confecom. Por extenso: Conferência Nacional de Comunicação. Uma das propostas encaminhadas à Confecom pelo Conselho Federal de Psicologia é proibir a propaganda com pessoas de cabelos alisados, com o argumento de que ela pode causar “transtornos de toda ordem”, comprometendo “a integridade física e psicológica” de quem a assiste. O que dizer de Lula? O que dizer de seu cabeleireiro Wanderley?
A Confecom é igual à Ancinav. Ela é igual também ao CFJ. A cada dois anos, o “subperonismo lulista” cria uma sigla para controlar a imprensa. Atacando em duas frentes: editorial e comercial. Inicialmente, as empresas do setor concordaram em participar da Confecom. Depois, elas se deram conta da armadilha preparada por Franklin Martins e pularam fora. Só restaram entidades como CUT, Abragay e Conselho Federal de Psicologia. Que, além de proibir a propaganda com pessoas de cabelos alisados, recomenda proibir igualmente a propaganda de carros, porque “o estímulo ao transporte individual ofusca as lutas por um transporte público de qualidade” e aumenta “o número de mortes em acidentes de trânsito”.
A Ancinav fracassou. O CFJ fracassou. O que acontecerá com a Confecom? Fracassará. Mas a imprensa, de bombardeio em bombardeio, de anúncio em anúncio, de chantagem em chantagem, amedronta-se e domestica-se. Lula sabe disso. Franklin Martins sabe disso. O resultado é que, nos últimos dias, Dilma Rousseff também passou a atacar a imprensa, com aquele tom autoritário de professora de ginástica da série Porky’s, sempre com o apito na boca.
Os repetidos ataques à imprensa do Porky’s subperonista fazem parte daquilo que o lulismo chamou de “campanha plebiscitária”. Em 2010, Lula, Franklin Martins e Dilma Rousseff pretendem estabelecer “o confronto entre dois programas, entre dois Brasis”: o de Lula e o de Fernando Henrique Cardoso. Trata-se da estratégia eleitoral mais obtusa de todos os tempos. Sempre que o PT apostou na tese dos “dois Brasis”, ele se danou: o Brasil do passado e o Brasil do presente, o Brasil do Norte e o Brasil do Sul, o Brasil branco e o Brasil preto, o Brasil rico e o Brasil pobre, o Brasil das empresas estatais e o Brasil das empresas privadas, o Brasil educado e o Brasil analfabeto, o Brasil dos cabelos alisados e o Brasil em que ninguém pode alisar os cabelos, o Brasil da imprensa independente e o Brasil da Confecom. Contra a campanha plebiscitária do PT, o PSDB já tem a campanha pronta. Basta dizer: “O Brasil é um só”.
Apagão: o que o governo Lula “esqueceu” de informar
Adelson Elias Vasconcellos
Na edição de ontem,informamos sobre 62 apagões, lembram? Pois então: para quem acha que foi chute, segue a notícia da Folha de São Paulo. Voltamos depois.
País teve 62 apagões graves só neste ano
Segundo o Inpe, 70% dos blecautes são causados por descargas elétricas; prejuízo anual com corte de energia é de R$ 600 milhões
Desligamentos causaram cortes superiores a 100 MW, que equivalem ao consumo médio de um município com 400 mil habitantes
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), responsável por controlar a operação e a transmissão de energia elétrica do SIN (Sistema Interligado Nacional), registrou neste ano um aumento de 29% no número de apagões de grandes proporções em relação a 2008.
Especialistas ouvidos pela Folha atribuem o aumento a condições climáticas, queimadas, desmatamento e falhas em equipamentos de transmissão, causadas por erros de planejamento ou falta de manutenção.
Na última terça-feira, o blecaute mais abrangente na história do país deixou no escuro 70 milhões de pessoas em 18 Estados e no Distrito Federal.
Segundo levantamento feito pela reportagem com base em boletins do ONS, foram registrados neste ano 62 desligamentos significativos, ou seja, com cortes superiores a 100 MW (que equivalem ao consumo médio de uma cidade com 400 mil habitantes).O valor é a referência máxima adotada pelo órgão.
Também constam nos relatórios dois desligamentos envolvendo linhas de transmissão de Itaipu, que, segundo o ONS, não geraram consequências aos consumidores.
O número desse tipo de ocorrência estava em queda nos últimos quatro anos, passando de 74 em 2005 para 48 em 2008. Empresas atribuem a redução nesse período a investimentos em melhorias da transmissão da energia. O aumento neste ano, dizem, é motivado por condições climáticas.
A maioria das ocorrências está ligada às empresas Eletronorte, Furnas e Cteep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista). Os desligamentos levantados correspondem apenas às transmissoras de energia elétrica que participam do SIN, rede que liga todos os Estados (exceto RR, AM e AP).
*** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Então é isso, gente: o apagão de terça feira, não foi um fato isolado como o governo tenta insinuar. Como também, apesar de repetir a mesma desculpa esfarrapada, a de que foram raios que provocaram o apagão, o INPE já cansou de desmentir a lorota oficial.
E notem que curioso este trecho: “(...)O número desse tipo de ocorrência estava em queda nos últimos quatro anos, passando de 74 em 2005 para 48 em 2008. Empresas atribuem a redução nesse período a investimentos em melhorias da transmissão da energia. O aumento neste ano, dizem, é motivado por condições climáticas (...)”.
Interessante é que, enquanto houve investimento nas melhorias de transmissão, o número de apagões era decrescente. Conforme vimos na edição de ontem, em artigo do site Contas Abertas, houve drástica redução de investimentos na Eletrobrás, sendo aplicados apenas 38% do total previsto para 2009. Enquanto isso, o mesmo Contas Abertas, vejam na edição de ontem, informa que o Ministério de Minas e Energia (MME), é a pasta com o maior volume de recursos no orçamento de 2009 na chamada “reserva de contingência”, entre todos os ministérios da Esplanada. São R$ 5,8 bilhões bloqueados pelo governo federal no orçamento da pasta para ajudar a compor as metas de superávit primário – economia feita para pagar os juros da dívida pública. A cifra representa 23% do montante global previsto para o órgão em 2009, estimado em R$ 24,4 bilhões.
Coincidência ou não, a redução nos investimentos, fez crescer o número de apagões. O próprio INPE já destacou que um sistema seguro não comportaria tamanha fragilidade em relação a descargas elétricas ocorridas a cerca de 30 km de distância da estação onde o problema se localizou na semana passada. Portanto, a tentativa de encobrir a má gestão do governo com causas naturais, é uma vigarice não se comprova.
Uma prova disto é a notícia a seguir, da Folha online. Finalizaremos depois.
Subestação do apagão nunca foi vistoriada
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) nunca vistoriou a subestação de Itaberá (SP), apontada pelo governo como origem do blecaute que deixou 18 Estados sem luz na terça-feira (10). As outras duas subestações envolvidas, Ivaiporã (PR) e Tijuco Preto (SP), foram fiscalizadas há mais de dois anos, de acordo com reportagem de Humberto Medina. A reportagem está na Folha deste sábado.
*** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Então, ficou claro agora? Tudo aquilo que estamos afirmando desde o início, a cada novo fato que surge, mais e mais se confirma: o apagão da semana passada é não um fato isolado, apenas. Este foi intenso, sim, mas pertence a uma série de derrapadas no programa desenvolvido pelo governo Lula. É bom não esquecermos que, Dilma Rousseff, quando esteve à frente do Ministério de Minas e Energia, foi quem redesenhou o modelo que encontrou e que estava em execução. Modelo que, acrescente-se, tem sido criticado por muitos especialistas da área, porque compra usinas movidas a carvão, principalmente, que não se inserem no quadro brasileiro. Além disto, e a CPI da Energia já demonstrou, há uma enorme disparidade de preços de tarifas que são cobradas dos consumidores e que já representaram um adicional superior a 7 bilhões segundo estimativas e que agora nossas autoridades não sabem como devolver.
Mas a coisa ainda não restringe a tudo isso. Tem mais. Por exemplo, a tarifa de energia elétrica no Brasil é mais cara do que a do Canadá e dos Estados Unidos. O Canadá tem um modelo semelhante ao nosso onde se prioriza as usinas hidrelétricas, que são limpas e de baixo custo. Já os americanos, tem um modelo onde maciçamente a energia é produzida a partir de usinas térmicas, mais caras e mais poluentes. Até hoje ninguém consegue entender, muito menos o governo federal consegue explicar.
A falta de investimentos, a má gerência e a falta de manutenção nas linhas de transmissão, formam o tripé de razões que provocam a instabilidade no sistema. A quantidade de apagões considerados como graves é extremamente alto para se aceitar que o modelo brasileiro é “robusto” no dizer de Lula. Não é. É frágil. Tem vulnerabilidades que precisam ser sanadas.
Porque uma coisa é certa: os repetidos avisos que os especialistas tem dado nos últimos anos sobre a questão da geração de energia no país foram praticamente ignorados pelo governo Lula, assim como as deficiências que tem sido apontadas. Dar as costas para o problema é ignorar de forma irresponsável o quão estratégica é a energia seja para o consumidor que passou a ter mais acesso a eletrodomésticos, quanto é para o desenvolvimento econômico, por ser um dos parâmetros básicos para os analistas quando se pensam em novos investimentos produtivos, principalmente em novas plantas industriais.
Não adianta o presidente ficar posando de vítima, isto não é solução e só serve para agravar o problema. Em seu programa semanal “Café com o Presidente”, ele disse que “todo mundo” quer achar um culpado para o blecaute que atingiu o país na última terça-feira., esquecendo-se de dizer que inclusive ele próprio, razão pela qual ele mesmo determinou uma investigação para apurar as causas do apagão. Também não adianta Dilma e Lobão tentarem apagar o apagão, com um bestial “assunto encerrado”, porque isso não evitará novos apagões. Ou imporem um novo apelido, como “blecaute”, porque a escuridão é a mesma, num caso e noutro.
Existem falhas que precisam ser corrigidas, há programas para serem aperfeiçoados e quem está no poder tem a responsabilidade de dar conta do recado. Não adianta ignorar o problema,isto só agrava duas coisas: o problema em si, porque não sumirá por encanto ou decreto, e a incompetência, porque seus efeitos em escala provocarão um desnecessário bloqueio nos investimentos indispensáveis para o desenvolvimento do país.
Há muitas outras “verdades” que permanecem ocultas da opinião pública. Não divulgá-las, pode até ser recomendado no sentido de não provocar pânico, contudo, omitir-se tentando transferir responsabilidades, pode custar um preço político a Lula e Dilma que não sei se eles estão dispostos em querer pagar.
Dilma, o apagão e os marqueteiros
Lucia Hippolito, O Globo
Na primeira aparição depois do apagão, a ministra Dilma Rousseff forneceu a seus marqueteiros um excelente exemplo de como eles vão ter que trabalhar para construir sua imagem na campanha.
Dilma negou o que disse há duas semanas ("Não vamos ter mais apagão".) Desdenhou da repórter, ora ironizando ("Minha querida..."), ora sendo claramente descortês e impaciente ("Você está confundindo, minha filha...").
Não admitiu falar em "apagão", mas em "blecaute", explicando doutamente a diferença entre os dois.
E foi por aí, deitando regra, ensinando ao Brasil como é que se faz. O quê? Tudo.
A ministra entende tudo de tudo. No momento, transformou-se em expert em meio ambiente. Esverdeou geral.
O trabalho dos marqueteiros vai ser complexo. Dilma tem se revelado difícil.
E mais: não adianta ser falso, criar alguém que não existe.
Dois exemplos podem ser lembrados aqui.
Primeiro, é falso creditar a eleição de Lula em 2002 ao publicitário Duda Mendonça. Lula tomou um banho de loja, aparou a barba, cuidou da pele. Isso é trabalho de marqueteiro.
Deu tão certo, que o presidente tomou gosto. Passou a andar elegantíssimo.
Mas aqueles que o conhecem sempre afirmaram que, por trás do sindicalista feroz e mau-humorado, havia uma pessoa simpática, brincalhona, piadista. O brasileiro típico, que gosta de futebol, de mulher e de uma bebidinha com os amigos.
Foi só deixar este Lula aparecer. Os acordos de José Dirceu com empresários e banqueiros fizeram o resto. O Lula que venceu as eleições já estava lá. Não é uma construção de marqueteiros.
No exemplo contrário, na campanha para a reeleição em 2004, Duda Mendonça tentou transformar a então prefeita Marta Suplicy numa florzinha sempre sorridente e humilde.
Deu tudo errado.
Marta é mulher de temperamento forte, e não há nada de mau nisso. É parte do seu capital, a periferia de São Paulo gostava daquele estilo "Chanel na lama", como dizia o próprio presidente Lula.
Mas, apertada no figurino da mocinha bem comportada, na primeira saída às ruas, Marta pôs tudo a perder. Bateu boca com uma eleitora, disse umas palavras ríspidas a uma repórter.
Em suma, destruiu a imagem de boazinha. Era falsa.
Por isso, não adianta comparar a Dilma de 2010 com o Lula de 2002. Dilma não é Lula.
Vai dar um trabalho ao marqueteiro...
Nosso planejamento não pode depender do pré-sal
Paulo Rabello De Castro, Revista Época
É a taxa de investimento total do país que determinará se o Brasil vai ter sucesso ou não. E o investimento continua empacado, abaixo de 20% do PIB
Com o pré-sal, o Brasil ficou mais rico. Isso é inegável. Mas nem por isso mais desenvolvido. Ou mais educado. Ou menos pobre. A comemoração antecipada sobre a riqueza do pré-sal encerra mau presságio. Não existe qualquer relação direta entre a riqueza em recursos naturais e o avanço econômico. Admitindo que terras férteis e riquezas minerais fossem o fator crítico para o crescimento econômico, um modelo linear apontaria a África como continente de altíssimo progresso, e países da franja asiática seriam locais com escassas chances de avanço. O enriquecimento sustentado de uma nação provém, essencialmente, da associação entre povo, seus talentos e um alto nível de organização institucional.
A Coreia do pós-guerra é um exemplo da primazia do crescimento baseado na produtividade do trabalho e associado ao planejamento de metas nacionais. Nem sempre foi assim naquele país. Mesmo antes da guerra que a arrasou, na década de 1950, a Coreia era um dos países mais atrasados do mundo, analfabeto, sem petróleo e com poucos bens minerais.
Meio século depois, sua indústria se destaca hoje nos mais diversos segmentos. O segredo da Coreia está em ter feito um planejamento para lidar com sua própria escassez, da maneira mais criativa possível. Parece contraditório, mas não é. A escassez de meios costuma fazer acender as lamparinas do pensamento criativo. O país se concentrou em dar um grande salto educacional, envolvendo a totalidade da população. Em suma, a Coreia planejou meticulosamente seu avanço para o crescimento acelerado.
Tampouco basta preparar o povo pela educação. Se o espírito empresarial e as instituições políticas não forem protegidos e estimulados, pode suceder a “síndrome argentina”. Nosso vizinho sempre teve um grande povo e bom nível educacional. No entanto, a Argentina se perdeu no assistencialismo peronista. Passou de nação desenvolvida, antes da Segunda Guerra Mundial, a país com deficit de progresso.
Coreia e Argentina são, respectivamente, exemplo e contraexemplo de como projetar (ou não) o desenvolvimento acelerado de um povo. Carece de fundamento, portanto, a tese do pré-sal como redenção nacional. O ex-ministro Ricardo Berzoini, presidente do PT, escorrega nesse sofisma ao afirmar que o Brasil está diante de novos tempos, “... uma oportunidade histórica para (o pré-sal) gerar desenvolvimento econômico com redução de pobreza”. Conclui ele que essa riqueza “deve garantir educação de qualidade, investimento científico e tecnológico, sustentabilidade ambiental e ampliação de ações de combate à pobreza” (O Globo, 13 de setembro de 2009) . De fato, nada disso é garantido pelo pré-sal. A sorte do pré-sal (e competência da Petrobras em sua descoberta) pode se tornar facilmente a maldição da Mega-Sena. Pior: o bilhete premiado do pré-sal nem é descontável à vista.
Educação, saúde e ciência não podem depender de termos ou não o pré-sal. É a taxa de investimento total do país que determinará se o Brasil vai ter sucesso ou não. O pré-sal é apenas uma parte disso. O investimento no Brasil continua empacado, abaixo de 20% do PIB, mesmo após toda a fanfarra propagandista do PAC. Na Coreia chega a 30%, e na China a quase 50%. Faltam aqui a simplificação tributária e os instrumentos modernos de poupança que levariam o povo e os empresários a elevar os investimentos produtivos. Nesse sentido, o pré-sal é quase um “azar”: lança-se ao povo a impressão de que o jogo está ganho, quando mal começou. Aliás, confundir propaganda com projeto nacional seria o pior defeito da até razoável equipe do presidente Lula.
Transporte ruim atrasa prosperidade do agronegócio do Brasil, diz 'FT'
BBC Brasil
A falta de investimentos na área de transportes é um dos principais obstáculos para o crescimento do "próspero" setor agrícola brasileiro, segundo reportagem do jornal britânico Financial Times em sua edição desta segunda-feira.
"Muitos ao redor do mundo estão acompanhando avidamente o despontar do Brasil como uma superpotência agrícola. Mas analistas do país dizem que a produção está chegando a seu limite e que o investimento necessário para o crescimento - especialmente na infraestrutura de transportes - está ficando curto", diz o diário.
O correspondente do jornal no Brasil entrevistou fazendeiros em Primavera do Leste (MT), que reclamam de ter que desembolsar cerca de US$ 100 por tonelada de produtos a serem transportados por terra aos portos de onde são exportados - o que, segundo eles, custa cerca de US$ 30 nos Estados Unidos.
"Há alguns projetos de transporte ferroviário e hidroviário em construção, mas muitas pessoas estão cansadas de esperar", afirma a reportagem.
Leis ambientais
Além disso, segundo o Financial Times, o agronegócio brasileiro é "atrapalhado" por altos impostos, burocracia e "uma das mais rígidas legislações ambientais do mundo".
"As leis obrigam os fazendeiros a preservar áreas florestais sem receber compensação alguma", diz o jornal.
"O setor agrícola também enfrenta barreiras comerciais, e o fortalecimento estável da moeda brasileira - especialmente frente ao dólar - está acabando com a competitividade."
O diário britânico ressalta ainda que o Brasil, além de ter se tornado o maior exportador mundial de produtos como soja, açúcar, carne e frango, é um dos maiores produtores com espaço para crescer.
"O país tem 72 milhões de hectares sendo cultivados e outros 172 milhões de hectares dedicados à pecuária. Outros 96 milhões de hectares de terras cultiváveis estão disponíveis sem que se precise tocar em áreas de proteção ambiental", afirma.
Mas um dos fazendeiros entrevistados pelo jornal diz ter dúvidas sobre "como o Brasil vai cultivar esses 96 milhões de hectares", apesar de acreditar que o país possa conseguir expandir sua área produtiva em cerca de 50%.
Para “The Economist, Estabilidade será mantida seja qual for sucessor de Lula, "
A estabilidade econômica e política brasileira devem ser mantidas independentemente de quem vença as próximas eleições para presidente, segundo as previsões para 2010 da revista britânica "The Economist".
A revista diz que os dois principais prováveis candidatos à sucessão de Lula, Dilma Rousseff e José Serra, são "tecnocratas" e "bem preparados para as tarefas que vão enfrentar". Mas quem quer que seja eleito presidente deve herdar um país com maior projeção internacional e uma economia mais forte do que quando Lula assumiu o poder em 2003, diz a publicação.
O futuro presidente, por outro lado, também terá dificuldades, aponta a revista. Segundo a publicação, o governo vem gastando cada vez mais com o setor público e isso seria o tipo de política difícil de ser revertida.
Apagou geral
Ricardo Noblat
Apagão de bom senso: foi um micro incidente, segundo o ministro Tarso Genro, da Justiça. Não, não foi. Em extensão, foi o maior apagão da história do país. Afetou 18 estados e 88 milhões de pessoas. Sobrou para sete milhões de paraguaios. Durou cinco horas e 47 minutos. Pela primeira vez, pararam todas as turbinas da hidrelétrica de Itaipu.
Apagão de gestão: não é aceitável que um ou três raios no interior de São Paulo desliguem Itaipu e apaguem o país. Falhou o sistema de “ilhamento” capaz de confinar o problema a uma só região.
Apagão de responsabilidade: no instante em que se fez o breu, Lula sumiu. Dilma Rousseff, a ex-ministra de Minas e Energia que desenhou o novo modelo do setor, também sumiu. Edison Lobão, o atual ministro, foi escalado para ser "a cara do apagão".
Apagão de comunicação: o falatório desconexo das autoridades e dos técnicos adensou a escuridão. As explicações desencontradas comprovaram que o governo não tinha a mínima idéia sobre o que dizer à população no primeiro momento – nem no segundo. Foi então que Lula, assustado com o estrago que o episódio pode causar na imagem do governo, concluiu que o melhor seria todo mundo se calar. Mas antes... Bem, antes...
Apagão de compostura: quando parecia insustentável o sumiço da mãe de tudo o que o governo faz de bom, Dilma finalmente falou. Antes não o tivesse feito. Olha aqui, minha filha: em vez de explicações, Dilma foi grosseira com os jornalistas. Só faltou jogar nas costas da mídia a culpa pelo apagão. Lembrou o destemperado Ciro Gomes (PSB-CE) de 2002, que conseguiu perder a eleição presidencial para ele mesmo.
Apagão de respeito ao cidadão: em toda a algaravia produzida pelo governo havia apenas uma preocupação comum: bater forte na tecla de que o apagão da dupla Lula/Dilma não era tão grave quanto o apagão de Fernando Henrique Cardoso. A preocupação eleitoral ganhou linguagem marqueteira: FHC teve apagão; Lula/Dilma, somente um blecaute. Como se o escuro do apagão fosse diferente do escuro do blecaute.
Apagão de autoridade: empenhado em tentar esquecer o assunto, o governo atravessou a fronteira que separa o legítimo exercício do mando do deplorável exercício do autoritarismo. Sem mais nem menos, Dilma e Lobão deram o episódio por encerrado, como se fato ele pudesse estar, como se os cidadãos não tivessem o direito de cobrar uma investigação rigorosa sobre as causas do apagão.
Apagão de gerência: um setor técnico e estratégico como o de energia foi loteado entre os dois maiores partidos da base do governo: PT e PMDB. Agentes político-sindicais petistas comandam a área de geração - Itaipu, Petrobras - enquanto agentes das várias etnias do PMDB comandam a área de transmissão e distribuição - Furnas, Br Distribuidora. A Eletrobrás, que está nas duas pontas, é feudo do senador José Sarney (PMDB-AP).
Apagão de regulação: criadas no governo FHC para regular os principais setores estratégicos com base em critérios técnicos e a salvo de ingerências políticas, as agências foram desidratadas de recursos e aparelhadas politicamente. O poder de regulação escapou das mãos dos técnicos e foi devolvido às mãos dos ministros, esses políticos por excelência e, como tal, sujeitos às pressões dos partidos.
Apagão de hierarquia: para evitar guerra interna e sabotagens entre aliados que dividem o comando do setor de energia, Lula deu todo o poder a Dilma para comandar os comandantes. Resultado: ministros e presidentes de grandes estatais têm os cargos e as verbas, mas não têm o poder de fato. Em condições normais, governantes tendem a fazer o jogo de fugir às suas responsabilidades. O governo Lula acentuou tal característica.
É sempre assim: na hora de faturar acertos proliferam seus verdadeiros e falsos pais, mães e avós. Na hora de encarar problemas, some toda a família e a lambança fica órfã. O povo? Ora, fica no escuro.
O silêncio dos pasquineros
Ralph J. Hofmann, site Diego Casagrande
Infelizmente tenho uma memória visual muito boa. Uma memória que me faz lembrar a cena de um presidente do Brasil que poucos dias após assumir o governo mandou comprar um porta-livros e o colocou sobre sua mesa de despachos. Perguntado quanto ao que colocaria neste porta-livros respondeu: “A Constituição do Brasil”. Um presidente sempre deve ter perto de si a Constituição, para lembrá-lo do que representa, e ao que deve fidelidade”, ou ao menos usou palavras neste teor.
Consta que alguns anos depois a substituiu por uma nova constituição homologada por uma Constituinte.
Que me recorde, esta nova Constituição garantia, sem que qualquer dos membros da constituinte as tivesse contestado, liberdades de opinião e de expressão.
Justiça seja feita, enquanto aquele senhor presidiu o país, não houveram realmente casos notórios de repressão à opinião e expressão. Pessoas feridas por publicações ou discursos procuraram recurso na lei comum e ganharam ou perderam. E isto considerando que ainda persistiam alguns ranços de leis do antigo regime que podiam limitar a liberdade de expressão.
Com o tempo, os paladinos da livre palavra, os que defenderam por mais de trinta anos o direito de opinião, que com extrema freqüência abusaram desta liberdade durante quinze anos, muitas vezes disseminado calúnias e as repetindo como se verdades fossem chegaram ao poder.
Desde então multiplicam as ações para colocar um cabresto no direito à informação. Tenta-se criar órgão que filtrem o que se publica, jornalistas são alijados de seus empregos por pressões nada sutis. Tudo em vão. A sociedade moderna com blogs, newsletters e outros meios de comunicação, consegue disseminar notícias de escândalos, roubos, e contrafações ao menos entre a população mais instruída, que hoje está se tornando cada vez mais numerosa.
Infelizmente a grande imprensa é manietada por ordens judiciais que ferem frontalmente o espírito e a letra da Constituição. Sempre há algum magistrado que se disponha a emitir uma ordem de mordaça.
Pior, o tal político que colocou sobre sua mesa um porta-constituição, vendo noticiar algo desabonador a um familiar lança mão de uma ordem de censura para um assunto que deveria pacificamente ser resolvido na justiça comum, com um processo normal em que seria determinado se há elementos comprobatórios ou não do que alega. Em suma, não valem os fatos. Não se discute os fatos noticiados. Discute-se apenas o disseminar os fatos. Protege-se a pessoa sobre a qual existem realmente fatos em detrimento a liberdades garantidas na Constituição.
As desculpas da necessidade de trânsito em julgado em última instância, de segredo de justiça sobre assuntos de interesse público são refúgios de covardes.
Esta semana o Blog de Adriana Vandoni foi amordaçado. A imprensa dos anos ditos de “chumbo”, sempre apontou O Pasquim, como um órgão de imprensa sufocado. Há pessoas hoje recebendo polpudas imerecidas pensões graças ao fato de terem perdido (segundo eles) seus proventos no Pasquim.
Em que o Pasquim diferia daquilo que hoje representam os Blogs e Newsletters? Em nada! Ambas as formas são de imprensa nanica, atingindo um público desproporcional ao seu tamanho e colocando opiniões incômodas aos encastelados no poder.
Apenas quem está no poder agora foi ali colocado precisamente pelos leitores do Pasquim. Não falo dos que confeccionavam o Pasquim. Falo dos que levavam o Pasquim para ler no fundo da sala de aula na faculdade e depois o assavam adiante.
Seu silêncio agora é estrondoso!
Sucessor perfeito é forjado a frio no porão do Planalto
Josias de Souza, Folha online
Desde o ano passado, Lula despacha numa dependência do Banco do Brasil. Deixou o Planalto sob a alegação de que o prédio precisava de reformas.
A notícia não saiu na imprensa, mas a verdadeira causa da mudança é outra. Lula abandonou o prédio de Niemeyer para desviar a atenção.
Atrás dos tapumes da sede da Presidência desenvolve-se um projeto ultra-secreto. No antigo gabinete de Lula, improvisou-se um laboratório.
A coisa começara a ser arquitetada em janeiro de 2007. Ainda se ouviam ao fundo os estampidos dos fogos da reeleição de Lula.
O presidente mal triunfara nas urnas e já transbordava inquietação. Dali a quatro anos, seria forçado a voltar para São Bernardo.
O que fazer para assegurar a continuidade de sua gestão depois de 2010? Em segredo, Lula convocou a Brasília um grupo de químicos renomados.
Reuniu-se com eles de madrugada, no Alvorada. Intimou-os a criar um sucessor. Nas suas ruminações, Lula lembrava-se de Duda Mendonça.
Vinha-lhe à mente a essência da fórmula de seu criador. Obrigara-o a adoçar o discurso, renegar o passado, aparar a barba e vestir-se com apuro.
Lula disse aos químicos: “O nosso presidenciável, para ser ideal, precisa ser doce como o Aécio. Mas não tão melífluo”.
“É recomendável que tenha uma pitada do tecnicismo do Serra. Mas sem aquele ar de arrogância”.
Depois de alguma hesitação, os químicos aceitaram a encomenda de Lula. Foram à prancheta. Depois, requisitaram um laboratório.
Daí a necessidade de esvaziar o Planalto. Para não chamar a atenção, deu-se ao plano secreto do sucessor perfeito uma sigla manjada: PAC.
Significa “Projeto-Água-de-Colônia”. Uma alusão à loção pós-barba que os químicos utilizaram como primeiro reagente, na fase inicial das pesquisas.
Despejaram a loção num pote mal lavado de doce. Dissolveram na mistura uma poção de estatísticas e uma foto de jornal em que Aécio e Serra apareciam juntos.
Nos primeiros testes de laboratório, o sucessor ideal soou estranho. A voz era de mulher. Efeito dos restos de doce no pote.
Mas o discurso era duro, áspero, autoritário, masculino demais. A dose de água-de-colônia revelara-se excessiva. De resto, recitava números em profusão.
Os químicos haviam previsto o fim das pesquisas para meados de 2010. Mas Lula pediu pressa. Queria testar o protótipo em condições normais de uso.
A mistura foi refeita. Os mesmos ingredientes. Porém, em dosagens recalibradas. Com o experimento pelo meio, Lula decidiu exibir a sucessora ideal em público.
Sim, a essa altura já se havia concluído que o candidato ideal era uma mulher: Dilma Rousseff. Para efeitos eleitorais, apenas Dilma.
Lula levou-a à vitrine. Exibiu-a em pa©mícios. Viajou com ela para o estrangeiro. Tudo isso sem desativar o laboratório do Planalto.
No geral, a sucessora ideal revelou-se adequada. A rispidez inicial foi sendo gradativamente suavizada.
Aos poucos, a sucessora ideal foi substituindo Lula nas reuniões com os partidos. Já conseguia conversar com o PMDB sem fechar as narinas.
Em público, parecia dotada de dinamismo. Discorria sobre tudo. Trazia na ponta da língua soluções para qualquer tipo de problema.
Havia, porém, um último problema a resolver. Em eleições simuladas, chamadas de pesquisas de opinião, a sucessora ideal ainda perdia para Serra.
Na última terça-feira, os químicos foram a Lula. Pediram que lhes cedesse três fios de barba. Para quê?, o presidente quis saber.
Falta um quê de Lula na mistura, eles responderam. O presidente aquiesceu. E os químicos foram, à noite, para o laboratório secreto do Planalto.
No instante em que dissolviam os fios de barba, faltou energia elétrica. Em meio ao breu, um dos químicos esbarrou no pote de doce, que foi ao chão.
Os geradores do Planalto foram acionados. Os químicos recolheram a mistura com uma colherinha de café.
Na quarta-feira, por precaução, a sucessora ideal foi mantida longe dos holofotes. Os repórteres estranharam o sumiço.
Na quinta, a sucessora ideal reapareceu. Instada a comentar o apagão, disse coisas desconexas. O discurso, antes impecável, confundiu-se com o do Edison Lobão.
Súbito, a sucessora ideal pôs-se a repetir: Tempestade, ventos, raios. Caso encerrado. Racionamento é barbeiragem. Mas os blecautes podem se repetir.
Os químicos receiam que a mistura pode ter desandado. Por ora, não se sabe se a sucessora ideal foi mesmo obtida ou se tudo não passou uma ilusão genética.
Verde que te quero
Míriam Leitão, O Globo
Todos os governos criam versões convenientes e o fenômeno se acentua nas eleições. Na semana passada, no entanto, o governo Lula excedeu todo o nível tolerável de distanciamento dos fatos: ventos de Itaberá provocaram o apagão; o mensalão foi uma tentativa de golpe contra Lula; Dilma Rousseff é defensora da floresta. Tudo ficção. Mas o corte das emissões pode virar verdade.
Acredito que, nas democracias, a sociedade empurra os governos e os grupos políticos na direção que talvez eles não escolhessem voluntariamente. Isso me faz esperar que algum dia sejam verdadeiros os compromissos anunciados na sexta-feira pelos ministros Carlos Minc e Dilma Rousseff. Hoje ainda não são sólidos o suficiente. Mas poderão ser no futuro.
O redator da Carta aos Brasileiros divulgada pelo então candidato Lula em 2002 estava querendo apenas garantir a vitória do PT, depois de três derrotas. Lula comprometeu-se na Carta a não mudar a política econômica. Quem poderia imaginar que ele estivesse dizendo a verdade? Talvez nem ele. O medo de desmontar um modelo que garantia a inflação baixa fez o governo Lula manter escolhas opostas às que sempre defendera.
Diante da grosseira distorção dos fatos apresentada no palanque do anúncio da queda do desmatamento, o consolo é saber que a sociedade brasileira está cada vez mais convencida de que precisa mudar o modelo de ocupação da Amazônia. Isso explica porque o marketing político oficial procura o sabão que lava mais verde.
Não é simples como parece. Para que a versão do governo para a ministra Dilma Rousseff encontre a verdade é preciso mais do que apenas reescrever convicções. Será preciso mudar aliados, alterar rotas, reescrever programas e abandonar políticas de governo. As grandes hidrelétricas como as do Rio Madeira e de Belo Monte, a BR-163, a BR-319 e outros projetos que a ministra Dilma chama de vetores do desenvolvimento produzem desmatamento. Algumas dessas obras não são conciliáveis com qualquer ideia de desenvolvimento sustentável. Outras poderiam ser, se saíssem do papel os projetos de conter o impacto ambiental que normalmente têm. Os ruralistas querem recuar a reserva legal para 50%, anistiar quem desmatou ilegalmente, recompor reservas usando espécies exóticas. Isso e as obras amazônicas pressionam no sentido exatamente inverso ao prometido semana passada pelo governo. Ele terá que fazer escolhas e contrariar aliados.
O ministro Carlos Minc chamou o ministro Guilherme Cassel de príncipe verde, mas o próprio Minc acusou os assentamentos de estarem entre os maiores desmatadores da Amazônia. Chamou o ministro da Ciência e Tecnologia de "meu querido Sérgio Rezende", mas os dois tiveram uma queda de braço recente em que os dois perderam. Rezende bateu pé e não divulgou uma atualização das emissões brasileiras que ainda são de 1994. Minc fez então uma estimativa das emissões de 2007. O resultado foi ruim para ambos. O Ministério da Ciência não fez seu trabalho científico; o Ministério do Meio Ambiente divulgou dados que não são mais do que um bom chute. Esse desencontro compromete a credibilidade do que o governo fez na sexta-feira no anúncio das metas de emissão.
Sem saber quanto emite hoje, o governo anunciou que cortará em relação ao que estiver emitindo em 2020. A estreia da ministra Dilma Rousseff em assuntos nos quais não tem intimidade produziu um constrangimento público. Ela disse que em apenas um dos itens dos cortes brasileiros de emissão o Brasil vai cortar mais do que toda a redução a ser feita pelos Estados Unidos se eles aprovarem sua lei.
Diante das dimensões inteiramente diferentes das duas economias, e do volume de gases de efeito estufa que os dois países emitem, é impossível que apenas um dos itens do nosso programa seja maior do que todo o esforço americano. Além disso, o Brasil está falando em cortar emissões projetadas no futuro. E os Estados Unidos estão projetando um corte em relação ao nível das suas emissões em 1990.
Mesmo com todas essas contradições, o Brasil pela primeira vez mudou o discurso. Antes, dizia que não poderia ter metas porque não era país desenvolvido. Agora, diz que não são metas, mas tem números. Antes, argumentava que a responsabilidade de cortar as emissões era apenas dos países desenvolvidos. Hoje, promete fazer mudanças na agricultura, na indústria, na energia e conter o desmatamento para reduzir as emissões.
Os números brasileiros não são sólidos, não estão baseados em boa ciência, não foram detalhados de forma convincente, e foram criados de forma improvisada. Mas a partir desse momento o Brasil terá que caminhar inevitavelmente na direção de conter suas emissões.
Escrevi aqui inúmeras vezes que o Brasil só tinha a ganhar se assumisse metas nas negociações climáticas. As políticas adotadas para se chegar a esse objetivo são boas primeiro para o Brasil. Conter o desmatamento irracional da Amazônia, tornar a agricultura mais produtiva, trocar combustível fóssil por energia com baixa emissão, mudar o transporte nas grandes cidades, tudo isso fará do Brasil um país mais moderno e desenvolvido.
Na semana passada, Lula disse que o mensalão foi uma tentativa de golpe contra o seu governo. Durante um comício de três horas, o governo sustentou que a queda do desmatamento se deve à ministra Dilma Rousseff. O ministro da Energia deu explicações toscas para o apagão. Tudo isso continuará sendo ficção. Mas o corte de emissão se tornará inevitável. Porque esse é o caminho do século XXI. O governo apenas se rendeu aos fatos.
Com mil raios
Guilherme Fiúza, Revista Época
Apertem os cintos, o governo sumiu. Sumiu na escuridão. Não se sabe se é Lula, Dilma ou Lobão. Só se sabe que a rima não é solução.
Nunca antes na história deste país se viu semelhante apagão de autoridade. Dezoito estados ficam às escuras, e o governo, com mais de dez horas para trazer uma explicação ao povo, aparece em público tateando as paredes, à procura do primeiro álibi que aparecer.
Depois de muito ensaiar a pantomima, Lula empurrou Edison Lobão para os holofotes. Como afilhado de José Sarney, o ministro das Minas e Energia está acostumado com explicações esotéricas.
Numa cena inesquecível, o responsável pela luz que nos alumia apareceu lendo um texto colegial sobre as causas do apagão de 10/11. O que impressionava não era o sujeito impostar a voz para dizer que o que tirara o país da tomada fora o mistério da natureza indomável. O assustador era a autoridade máxima da eletricidade precisar colar de um papelzinho a mensagem tosca de meia-dúzia de linhas.
Com a aparição categórica de Lobão, os brasileiros enxergaram tudo: o governo não tinha a menor idéia do que estava fazendo.
Enquanto o afilhado de Sarney fazia seu número, Lula preparava a explicação categórica de Dilma Rousseff – para o dia seguinte, que ninguém é de ferro. Ela também não tinha a menor idéia do que podia dizer, mas ser categórica é com ela mesmo.
E surgiu enfim na ribalta a ministra-chefe da Casa Civil, que no day after do apagão estivera de folga, com sua lista categórica de culpados: a chuva, os ventos, os raios e Fernando Henrique.
No momento em que o país esperava um esclarecimento para o colapso grave, e que o Inpe desmentia a ficção meteorológica dos raios e trovões demoníacos, Dilma Rousseff vinha dizer ao povo que as falhas energéticas do governo anterior eram mais feias, mais antipáticas e mais neoliberais.
Era tudo o que o Brasil precisava saber. Agora ninguém mais precisa sair comprando velas, estocando caixas de fósforo ou trocando elevador por escada. Se amanhã as forças da natureza teimarem em tirar de novo o país do ar, basta mentalizar os problemas do passado.
Ainda descobriremos que o apagão é, no fundo, um estado de espírito (de porco).
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