Adelson Elias Vasconcellos
Em O Estado De São Paulo, temos a notícia que, previsivelmente, era esperada há bastante tempo. A de que o governo Lula faria nova tentativa de cercear a imprensa, principalmente, parte da imprensa que, por não beber nas fontes do Tesouro Nacional, não se deixa seduzir pelas artimanhas e manipulações de um governo devotado à mentira e à mistificação.
Numa entrevista concedida à Kennedy Alencar, da Folha de São Paulo, há questão de uns trintas dias atrás, Lula já dera a mensagem: ele entende que à imprensa cabe o papel apenas de informar, e não de fiscalizar. Como se a imprensa não fosse de composta também de cidadãos, em pleno exercício e gozo de seus direitos políticos e que, entre coisas, prevê fiscalizar os atos do governo. De qualquer governo e a qualquer tempo.
Aliás, governos de têmpera democrática, não acham ruim serem fiscalizados, porque são formados com a cultura de que é sua OBRIGAÇÃO prestar contas de seus atos, seja para as instituições que fiscalizam, inclusive, vejam vocês, o Poder Legislativo.
Mas este governo tem outra têmpera. Seu gosto pelo autoritarismo se percebe em cada ação de governo ou em cada sílaba de seu governante. Para ele, a única crítica válida é aquela a favor, do elogio farto e triunfal, que eleva o governante à categoria de o maior dentre todos.
Já no primeiro mandato, Lula bem que tentou em duas ocasiões colocar a imprensa que não o obedece,no cabresto. Não conseguiu, precisou recuar. Assim, a tática agora é colocar os bate-paus do partido para ver se a ação deliberada de “conter” a imprensa no seu exercício de livre expressão, consegue vingar.
E eles tem pressa, claro. Muita porcaria deste governo tem sido noticiada, da corrupção à incompetência,passando pela má gestão dentre outros crimes menores. Porém, em 2010, há eleição para suceder Lula e como ele elegeu Dilma para sucedê-lo, o império tem que se curvar à vontade do imperador. E a forma de se obter esta reverência é colocar a imprensa a ferro e fogo submissa.
E por se tratar bastante generosa, eles concedem à imprensa um papel fundamental para a democracia. Mas depois, e aí vem o golpe, justamente por ser estratégica, a ação precisa da participação mais intensa do.... Estado. E apesar de ser a Imprensa quem mais perto está, diariamente, da população, que mais convive diretamente com suas angústias, aflições e carências, apesar, é Estado, paquidérmico, que mal consegue prestar, em condições dignas, seus serviços básicos a esta mesma população, que se acha mais competente para falar em nome desta população.
Assim, apelo para o dramalhão, justificando-se em apelos emocionais, cretinos e vigaristas por excelência, vem com um arrazoado do tipo “(...)"o arcabouço legal brasileiro privilegia grupos comerciais, em detrimento dos interesses da população". Mais apelativo do que essa babozeira, só esta: "Esse modelo, segundo o PT, permite a "uns poucos grupos empresariais - muitas vezes associados a fortes conglomerados estrangeiros - exercer controle quase absoluto sobre a produção e veiculação de conteúdos informativos e culturais".
Ou seja, para o PT a informação dada de forma universal, livre, sem a censura cretina do Estado, significa “desvios do sistema”, e a forma ditatorial de se evitar estes “desvios”, é tratar “(...) a comunicação como área de interesse público, criando instrumentos de controle público e social". Não sei porque mas me parece que, entre 1964 a 1985, ouvi muita coisa semelhante produzida por gente que estava no governo neste tempo. Gente que os petistas diziam combater, por serem “ditadores”. Agora, sendo o governo formado pelo próprio PT, repete-se a mesma cantilena, só que trajando vermelho!!!
O texto todo, vocês vão ver, é de uma profundidade e clareza quanto as reais intenções desta gente, que não fica dúvida alguma do que eles pretendem não apenas para a “imprensa”, porque até falam em "(...) atribuições e limites para cada elo da indústria de comunicação". Defende intervencionismo na produção de conteúdo, ao propor "políticas, normas e meios para assegurar pluralidade e diversidade de conteúdos". E pede revisão nas concessões de emissoras de rádio e TV (...)”, mas o pensamento do intervencionismo estatal em todas as instituições é o elo com que justificam a presença do Estado em toda a cadeia de comunicações.
Claro que por serem bondosos, o intervencionismo não é visto pelos malandros como autoritarismo, e sim como democratização dos meios de comunicação. E, para que sejam “democráticos”, dá-se um belo chute na liberdade, e se sai abraçado à censura que é, em última análise, o ponto final a que se chegará. Ou vocês acham que quando eles se referem a “(...)Defende intervencionismo na produção de conteúdo(...)”, eles estão querendo dizer o quê? Eles até podem dar o nome que quiserem à pilantragem que pretendem impor, mas que, em linguagem decente, isto não tem outro significado que não seja CENSURA. E, sendo imprensa censurada, representa dizer, sem sombra de dúvidas, conduzir o país para uma ditadura, no caso, com sinal à esquerda. E, sendo assim, eles pretendem um Brasil abraçado ao atraso e governado pelas trevas políticas com que se alimentam.
De fato, neste caso, uma aliança com Judas para esta gente deprimente, é encarado como coisa normal e necessária. Falta apenas combinar com os cristãos...
Segue a reportagem do Estadão.
Partido pede ''intervenção'' na área de mídia
A participação mais intensa do Estado em setores estratégicos poderá chegar às comunicações. O assunto estará em pauta, entre 1º e 3 de dezembro, quando o governo vai promover a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) em Brasília. O PT já aprovou resolução, defendendo a "revisão do arcabouço legal" do setor que o partido define como "anacrônico e autoritário".
Organizado em torno de normas como o Código Brasileiro de Telecomunicações (1962) e a Lei Geral de Telecomunicações (1997), "o arcabouço legal brasileiro privilegia grupos comerciais, em detrimento dos interesses da população".
Esse modelo, segundo o PT, permite a "uns poucos grupos empresariais - muitas vezes associados a fortes conglomerados estrangeiros - exercer controle quase absoluto sobre a produção e veiculação de conteúdos informativos e culturais".
O partido vê "monopólios" e "desvios do sistema atual", dizendo que é "preciso intervir". "O PT lutará para que as demais ações estatais nessa área promovam a pluralidade e a diversidade, o controle público e social dos meios e o fortalecimento da comunicação púbica, estatal, comunitária e sem finalidade lucrativa", diz o texto, aprovado em 17 de outubro. "Mais do que combater os monopólios e todos os desvios do sistema atual, é preciso intervir para que eles não se repitam ou se acentuem nesse novo cenário tecnológico - que em poucos anos superará completamente o antigo modelo."
Com as mudanças provocadas por tecnologias digitais, o PT vê risco de o modelo ficar "mais concentrado e excludente". "A definição de um marco regulatório democrático estará no centro de nossa estratégia, tratando a comunicação como área de interesse público, criando instrumentos de controle público e social", diz a resolução.
O PT quer estabelecer "atribuições e limites para cada elo da indústria de comunicação". Defende intervencionismo na produção de conteúdo, ao propor "políticas, normas e meios para assegurar pluralidade e diversidade de conteúdos". E pede revisão nas concessões de emissoras de rádio e TV.