sábado, fevereiro 14, 2009

TOQUEDEPRIMA...

***** Emboscada das Farc mata sete pessoas na Colômbia
Uma emboscada realizada por rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a uma patrulha de soldados no departamento colombiano de Santander deixou três policiais e quatro civis mortos na última quinta-feira (12). A patrulha teria sido atacada a tiros e com explosivos.

De acordo com o comandante regional da polícia, coronel Richard Portilla, os soldados se mobilizaram para atender a um suposto duplo homicídio na região. A cilada foi atribuída à frente Farc que atua na região da fronteira nordeste com a Venezuela.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Há alguma coisa integrante aí: tão logo as FARCs libertaram 6 reféns, todos políticos, o governo da Colômbia se apressou em agradecer o apoio dado pelo governo brasileiro. Mas também as FARCs emitiram um comunicado de agradecimento ao governo brasileiro. Porém, todos os libertados, sem exceção, se apressaram em criticar o governo Uribe, tão logo eles se acharam livres. Contra as FARCs, nada, nenhum um piu, apesar dos anos de cativeiro e das torturas recebidas. Agora, depois da libertação, esta emboscada que culminou com o assassinato de 7 pessoas, entre policias e civis.

***** Satiagraha: ação contra Abin arquivada
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou arquivar a ação que pedia para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) devolver aos cofres públicos o dinheiro que gastou na Operação Satiagraha, da Polícia Federal. A ação popular foi apresentada pelo Nery Kluwe, ex-presidente da associação dos servidores da agência, contra o general Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional) e contra o delegado Wilson Roberto Trezza, diretor-geral interino da Abin. Ao determinar o arquivamento da ação, o ministro ressaltou que "para o caso em tela, aplica-se uma série de precedentes deste tribunal que o colocam como incompetente para processar e julgar, ação popular constitucional". A Abin é acusada de ter participado de interceptações ilegais de autoridades do governo federal.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Muito bem, senhor Ministro, não sendo o STF competente para julgar a ação ilegal da ABIN, portanto, uma instituição federal, contra autoridades do governo federal, a quem cabe julgar, então?

***** ONGs: 63 estrangeiras se recadastraram
O Ministério da Justiça informou nesta sexta-feira (13) que apenas 63 organizações não-governamentais (ONGs) estrangeiras que atuam no Brasil, das 170 registradas anteriormente, fizeram o recadastramento na Secretaria Nacional de Justiça. O prazo encerrou no dia 2 de fevereiro. Segundo a assessoria do ministério, nenhuma ONG estrangeira com atuação da Região Norte se recadastrou, justamente as organizações que mais preocupam as autoridades. A maioria das entidades que encaminharam a documentação para registro é da região Sudeste – 36,5% de São Paulo e 20,6% do Rio de Janeiro.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Duas questões: desde quando alguma autoridade deste governo, em qualquer nível, se mostrou “preocupada” pela ação de ONGs estrangeiras na região norte do país? Até pelo contrário: pela ação e discurso, o que se notava era justamente o oposto, havia claro incentivo à presença delas todas, sem exceção. Ou, como justificar a doação de recursos públicos para a presença nem sempre legal? Na verdade, a MP da Pilantropia reprovada, em boa hora, pelo Congresso, permitia uma anistia ampla, geral e irrestrita para todas as ONGs em atuação no Brasil, sem exceções, mesmos as que se mantinham de forma irregular até na prestação de contas dos recursos recebidos. A outra questão é: por que o Ministério da Justiça se apressou, diante da ameaça real de reprovação da MP, em cadastrar sem critérios algum, o máximo de ONGs que pode, passando por cima do princípio básico da boa gestão pública, “anistiando” as ONGs irregulares e ilegais? Isto é um descalabro, porque, sob hipótese alguma, é admissível aceitar a atuação de entidades que, tendo recebido recurso público, ou o aplicaram de forma indevida ou sequer prestaram contas, o que seria condição básica para seu cadastramento.

E, mesmo assim, é de se perguntar, em conseqüência: quem impedirá que as ONGs estrangeiras “não recadastradas” continuam a agir dentro do país?

***** Lula bate recorde de servidores temporários
De Sérgio Gobetti, Estadão

Desde 2003, contratações precárias já somam mais de 82 mil e vão do ensino em universidades a serviços especializados de engenharia

O governo bateu recorde de contratações temporárias em 2008, segundo dados do Ministério do Planejamento. Até 31 de outubro, data do último relatório da Secretaria de Recursos Humanos, 17.530 pessoas haviam sido contratadas por tempo determinado para trabalhar no serviço público federal, mais do que o total de servidores concursados admitidos no período.

Desde o início do governo Lula, em 2003, as contratações temporárias já somam mais de 82 mil, pondo em dúvida o discurso petista em favor de um serviço público estável. O espectro de atividades exercidas por esse tipo de "servidor tampão" também é cada vez maior e vai do ensino em universidades a serviços especializados de engenharia e tecnologia da informação.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Vejam que coisa esquisita: mesmo com tanto inchaço da máquina pública, apontem qual dos serviços públicos sob responsabilidade do governo federal, exibiu alguma melhora, por mínima que fosse, em favor da população? Qual?

É público e notório que tais “contratações”, em sua grossa maioria, foram feitas não visando o interesse coletivo da população. Trata-se apenas do meio de que se vale o governo Lula para atender apetites muito pessoais de seu partido, do sindicalismo nefasto, e, como não poderia deixar de ser, para a satisfação muito particular dos políticos de sua base. E, quando se quiser conhecer as causas para o dinheiro que não chega na educação, na saúde ou na segurança, o motivo está justamente aí. Com tamanho despropósito de contratações sem a contrapartida do benefício reverter em favor da sociedade, fica muito difícil de se realizar uma reforma tributária com um mínimo de decência.

***** Senador quer tesoureiro de seu partido em agência reguladora
Lu Aiko Otta e Rosa Costa, Estadão

Argello trabalha para emplacar na ANTT o amigo Ivo Borges, que admite não ter experiência alguma em transportes

Estrela em ascensão na base aliada do governo, o senador Gim Argello (DF), líder do PTB, está prestes a concretizar um feito reservado a poucos políticos: nomear um diretor de agência reguladora. Ivo Borges de Lima, seu principal assessor há uma década, é cotado para substituir Noboru Ofugi na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O mandato de Ofugi termina no dia 18.

Borges é filiado ao PTB e ocupa o cargo de tesoureiro do escritório regional do partido. "Mas se eu for nomeado terei de me desfiliar."

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Vale aqui o mesmo comentário sobre a nota anterior, acrescentando-se, ainda, que fica comprovado o uso político das agências reguladoras pelo governo atual. O que é uma lástima, porque tal ação anula completamente as razões para a existência daquilo que deveria ser um instrumento forte de fiscalização do Estado sobre atividades econômicas, justamente para beneficiar o povo brasileiro. Mas, como isto exigiria “transparência”, o governo prefere agir sempre como se não lhe competisse prestar contas de seus atos. A conseqüência disto, sabemos bem qual é: o caminho para a corrupção fica mais curto e mais fácil.

***** Sob Cabral, empresa multiplica os contratos com o governo
Folha de São Paulo

O governo do Rio comprou a maioria dos equipamentos de informática do Estado em 2008 da empresa do sócio do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jorge Picciani (PMDB), aliado do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB).

A Investiplan, de Paulo Trindade, conseguiu multiplicar os contratos após a eleição de Cabral. Em 2006, os contratos do governo com a empresa somavam R$ 11,3 milhões. Um ano depois, os valores multiplicaram em mais de seis vezes, chegando a R$ 73,5 milhões. Em 2008, foram R$ 66,9 milhões.

Trindade passou a negociar gado com Picciani a partir de 2005. Desde então, os dois já compraram bois em condomínio, organizaram leilões e comercializaram gado entre si. O caso foi revelado anteontem pelo jornal "O Globo".

O governo do Estado afirmou que os contratos foram celebrados em pregões eletrônicos, nos quais as empresas que disputam a licitação só são identificadas após a definição do preço. Picciani afirmou que nunca influenciou nas compras do Estado. A Investiplan disse que "nunca precisou de influência política para vencer licitações".

Além da escalada dos valores dos contratos, a Investiplan conseguiu no ano passado um "monopólio" no pagamento por parte do governo do Estado na rubrica "equipamento para processamento de dados". De acordo com dados da Secretaria da Fazenda, 93,9% dos valores efetivamente pagos pelo governo foram para a empresa.

Trindade e Picciani são amigos há 15 anos, segundo o deputado, mas só em 2005 eles fecharam o primeiro negócio. Desde então, participaram juntos de ao menos cinco transações de gado (seja como sócios ou venda entre si). A maior operação ocorreu em 2006, quando Trindade pagou R$ 1,04 milhão por 50% do clone da vaca mais premiada da Fazenda Monte Verde, de Picciani.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Com uma classe política deste “quilate”, não é difícil entender porque o país tenha tantas carências que vão atravessando anos a fio sem serem satisfeitas!

***** AGU defende MP do Fundo Soberano
A Advocacia Geral da União (AGU) enviou hoje (12) um parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) que defende a legalidade de medida provisória (MP) que autoriza o repasse de títulos da dívida pública federal ao Fundo Soberano do Brasil (FSB). Para a instituição, a MP está “em conformidade com o ordenamento jurídico” e é necessária, já que, a medida vai “minimizar os efeitos da crise financeira internacional”. Com essas alegações, a AGU diz esperar a declaração de constitucionalidade da MP, com o indeferimento da liminar pedida pelos partidos e a declaração da improcedência da ação. Após receber as informações, o STF encaminhou o processo à Procuradoria Geral da República (PGR) para emitir seu parecer sobre a matéria. A decisão do STF está prevista para abril.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Não sei se, diante deste parecer da AGU, é o caso da gente rir ou chorar. Chorar de raiva, vergonha e indignação, porque, santo Deus, o tal Fundo Soberano nasceu antes da crise explodir por aqui. Mais: que raio de fundo é este bancado com dívida interna que é bancada com os juros mais altos do mundo? Será que não havia um raio de “especialista” capaz de orientar a turma da AGU quanto a besteira que se está praticando, ou ao menos, para demonstrar do que se compõem um fundo soberano decente?

Azarão, Rio-2016 apresenta mais cara candidatura olímpica

Denise Menchen, Eduardo Ohata, Mariana Bastos e Mariana Lajolo,
Folha de São Paulo

O Rio de Janeiro gastará R$ 28,8 bilhões para organizar os Jogos Olímpicos de 2016. A maior parte da verba virá dos cofres dos governos.

Em dólares, o custo chega a US$ 14,42 bilhões, o mais alto entre as quatro candidatas. Chicago, Madri e Tóquio projetaram, respectivamente, investimentos de US$ 4,82 bi, US$ 6,11 bi e US$ 6,42 bi.

Os valores e todos os planos das cidades estão nos dossiês entregues ao COI (Comitê Olímpico Internacional), na Suíça.

"Não podemos fazer comparação pura e simplesmente de quanto um gastou, quanto o outro deixou de gastar, como se fosse uma corrida financeira de candidaturas", disse Carlos Arthur Nuzman, presidente do comitê de candidatura.

"As cidades são diferentes, as necessidades são diferentes e as aplicações são completamente diferentes", completou.

O orçamento do Rio é quase oito vezes maior do que o valor gasto com o Pan-2007. Orçado em R$ 409 milhões, o evento custou R$ 3,7 bilhões.

Como no evento pan-americano, a maior parte dos custos será coberto por verba pública. A previsão carioca é que R$ 23,2 bilhões (80%) sejam gastos com infraestrutura e serviços públicos. O comitê não informou qual a participação de cada esfera de poder (federal, estadual e municipal).

Os investimento do governo federal em esporte, inclusive, é apresentado como trunfo do Rio na disputa pelos Jogos.

Nas 538 páginas do dossiê estão listados os programas Segundo Tempo e Mais Educação e aporte de mais de US$ 210 milhões do governo que irão ajudar na preparação das equipes olímpica e paraolímpica.

O texto também cita investimentos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e do Plano Nacional de Segurança.

Os gastos do comitê organizador estão estimados em R$ 5,6 bilhões. Desses, 31% devem vir do COI e de seus patrocinadores, 45% da iniciativa privada (apoiadores, ingressos etc) e 24% dos governos --município, Estado e União entrariam com um terço cada um.

O Comitê Rio-2016 admite, porém, que os valores podem ser alterados. No orçamento, grande parte dos custos foi cotada em dólar e convertida em reais a câmbio de R$ 2 (O COI libera os países a usarem o câmbio que quiserem, desde que justificado). Hoje, a moeda fechou a R$ 2,264.

Nuzman disse que 35% dos investimentos estavam previstos com ou sem Olimpíada.

Em relação às instalações esportivas apresentadas no dossiê, o comitê diz que 54% delas já existem, 20% serão temporárias e apenas 26% teriam que ser construídas. Algumas feitas para o Pan não terão a mesma finalidade. A natação, por exemplo, sairá do Maria Lenk e acontecerá em nova arena.

Acesso
Os portadores de deficiência poderão visitar o Cristo Redentor com facilidade, promete o dossiê de candidatura, em caso de vitória. O monumento sofrerá reformas que garantirão o acesso confortável de cadeirantes.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Olha: sempre fui contrário a idéia do Brasil sediar eventos desta natureza, não porque eles não sejam benéficos para o país. Minha oposição sempre foi embasada na imaturidade dos nossos políticos (isto para se dizer o mínimo), que sempre se aproveitam para tirarem sua lasca. Vejam o seguinte exemplo: o PAN do Rio, quando proposto, tinha um orçamento inferior a R$ 500 mil. Quanto custou? Muitos bilhões a mais, com irregularidades de toda a ordem, conforme apontam os relatórios do Tribuna de Contas. E, o que é pior, sem que ninguém até agora tenha sido responsabilizado ou condenado a ressarcir os cofres públicos quanto aos desvios praticados. E observem que se tratava de uma única sede ! Imaginem agora, em relação ao que acontecerá com a Copa do Mundo, quando serão 12 sedes?

Claro, não surpreende que a candidatura dos Jogos Olímpicos tenham tamanho orçamento. E vejam: se o orçamento inicial é de R$ 28,8 bilhões, tranquilamente, o custo final não sairá por do que três vezes este montante. Interessante é saber que a candidatura foi apresentada com base justamente nos investimentos realizados no PAN, o que contribuiria para que os Jogos Olímpicos tivesse um orçamento menor. Como tais investimentos não reverteram em nenhum benefício para a população, a fortuna que se pretende gastar com o tal projeto Rio-2016 poderia ser melhor aplicada. Os políticos brasileiros precisam, urgentemente, perderem este vício danoso de ostentação. O país tem, certamente, outras prioridades mais necessárias de serem atendidas com todo este dinheiro. Mas quem disse que nossos políticos pensam no país e em seu povo que dizem representar?

Idade das trevas

Maria Lucia Victor Barbosa, site Diego Casagrande

O legado do Império Romano foi marcante para a humanidade por suas inúmeras realizações em diversas áreas, especialmente, na política, na arte da guerra e no Direito. Mas, nem mesmo o maior poder, o esplendor mais estonteante duram para sempre nessa vida de incertezas e finitudes.

A queda de Roma não ocorreu com dramática subtaneidade, mas, prolongou-se durante cerca de dois séculos (284-476). Na verdade, a partir do século III, concomitante ao declínio econômico, pode-se dizer que se inicia a Era do Obscurantismo para toda Europa Ocidental.

Várias foram as causas do complexo fenômeno da decadência do Império global daquela época e, entre elas, se pode apontar: a degradação do intelecto pelas religiões, as invasões bárbaras, a exaustão dos recursos do Estado para manutenção de imensa máquina militar, a depravação moral.

Entre 400 e 800, desenrola-se o primeiro período medieval que abarca a Europa Ocidental e que se caracteriza pela maioria dos atributos designados como medievais ou Idade das Trevas. É um interregno de profunda ignorância e superstição, no qual o homem viveu com olhos vendados. A cultura, em certos aspectos, representou uma volta ao barbarismo. A atividade econômica baixou a níveis primitivos de troca direta, enquanto o ascetismo mórbido substituía as atitudes sociais racionais.

A história seguiu, veio o Renascimento, a Idade Moderna e não há que se negar o gigantesco progresso do mundo contemporâneo. Ciência e tecnologia avançaram de modo rápido e extraordinário. O enorme desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação tornou o planeta globalizado. E na era dos computadores, especialmente através da impressionante Internet, as comunicações humanas superaram tempo e espaço. O mundo hoje é de fato a “aldeia global” com os benefícios materiais que trazem confortos inimagináveis até bem pouco tempo atrás para o ser humano como um todo. O desenvolvimento da indústria a partir da Revolução Industrial, começada na Inglaterra no final do século XVII, princípio do século XIX, ensejou no transcorrer do século XX a sociedade de consumo que englobou as classes mais baixas e lhes possibilitou o acesso a bens antes restritos às classes mais altas. O liberalismo, nascido no século VIII, também na Inglaterra, como ideologia da burguesia ascendente, e que em sua forma original se achava dissociado da idéia democrática, ao defender as liberdades como as de mercado, de expressão, de associação, de pensamento, enfim, a idéia de que o homem tem liberdade de escolher sua vida e seus objetivos, e de que o governo não pode negar essa liberdade, fez aparecerem novas forças sociais, que mesmo sem propriedades passaram a ter voz e vez. O liberalismo, associado ao capitalismo, trouxe a democracia com o voto universal, as eleições livres, a pluralidade partidária. Avançou também o arcabouço jurídico e com ele a noção de Estado de Direito, aperfeiçoada depois para Estado Democrático de Direito.

A par de tantos progressos a natureza humana em essência não evoluiu. O século XX conhecerá o flagelo dos totalitarismos, o comunismo e o nazismo com a indelével mancha do Holocausto, enquanto o fascismo lançava suas garras sobre a Itália.

O Muro de Berlim caiu, o Império Soviético desmoronou, a China continua comunista em termos políticos, mas capitalista na esfera econômica. Entretanto, em todo mundo, o século XX trouxe consigo um processo de degradação moral, de perda de valores, de alteração da família e o aparecimento de órfãos de pais vivos, de orientalismo religioso através do avanço do fundamentalismo Islâmico.

Dois males sociais se agigantaram com força nefasta e destrutiva: o terrorismo e o tráfico de drogas com conseqüente consumo de tóxicos. E enquanto a crise econômica que atingiu a nação mais desenvolvida do planeta se espraia por todo mundo, aumentam as explosões sociais das sociedades que, acostumadas ao bem-estar proporcionado pelos avanços proporcionados pela globalização, não se conformam em perdê-los, ou então querem destruí-los para voltarmos em outro mundo possível à Idade da Pedra Lascada.

Os ideólogos do atraso pregam contra o progresso adquirido, enquanto, perigosamente, Estados vão readquirindo cada vez mais controle econômico em suas sociedades, o que levará a maior domínio político e social. Aumentam a violência, a falência das empresas, as demissões em massa, enquanto governantes perplexos parecem impotentes diante da crise, em que pesem os esforços empreendidos para atenuá-la. E assim, o mundo do progresso material submerge e acentua a vulgaridade, a superficialidade dos relacionamentos, a propaganda enganosa, o desregramento dos costumes, a perda dos valores, a banalização da vida.

Os processos históricos, porém, são dinâmicos, e se o homem não destruir o planeta, poderá vir, em tempo não previsto, um novo Renascimento onde o ser humano evoluirá para construir um mundo, se não perfeito, porque isso é impossível, pelo menos melhor, mais aperfeiçoado, menos pleno de ignorância.

Por enquanto, aqui no Brasil, já regredimos à prática do canibalismo, que certamente será descrito com volta à antiga pureza, como politicamente correto ou ecológico. Na verdade, por nossa livre e espontânea vontade estamos todos sendo canibalizados pelo governo. Como bárbaros que estamos nos tornando, agradecemos ao pai Estado e submergimos alegremente nas trevas cantando uma marchinha carnavalesca.

Dilma no palanque do PAC

Ruy Fabiano, Blog do Noblat

Em eleição, nem sempre quem larga na frente leva vantagem. A quase dois anos da sucessão presidencial de 2010, a campanha já está nas ruas. Dilma Roussef, a candidata de Lula, precipitou a corrida, fazendo de sua atividade institucional – o cargo de ministra, encarregada de gerenciar as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) – o estandarte de sua campanha.

Com isso, se expõe, antes dos outros, às críticas e ataques da concorrência, que já foram postos em cena. E não apenas: põe em discussão a legitimidade de sua estratégia. É correto usar eleitoralmente o cargo de ministra? DEM e PSDB decidiram perguntá-lo à Justiça Eleitoral. A resposta já se sabe: é ilegal fazer campanha eleitoral antes da hora. Pior: com recursos do governo.

Ocorre que nem sempre isso é demonstrável. Dilma alega que não está em campanha. Está apenas trabalhando como ministra. De fato, quando inaugura obras ou as anuncia, em sucessivas viagens país afora, não pede votos, nem se assume como candidata. Não seria primária a esse ponto. Mas que há claro vínculo entre sua maratona de gerente e sua pretensão eleitoral ninguém duvida.

O presidente Lula, que freqüentemente a acompanha nesses périplos, é menos sutil. Já disse reiteradas vezes que Dilma é sua candidata. No PT, não se fala noutra coisa. Com a reação da oposição, governo e PT contra-argumentam acusando o governador de São Paulo, José Serra, de fazer o mesmo.

Ainda que o fizesse, isso não legitimaria a ação de Dilma. Seriam duas ilegalidades. Só que Serra se restringe, pela própria limitação de seu cargo, ao âmbito de São Paulo, enquanto Dilma percorre todo o país, ocupando a mídia nacional.

Não é só: Serra jamais disse, nem ninguém por ele, nas ocasiões em que inaugura obras, que é candidato. Seu nome aparece em pesquisas como favorito, todo mundo sabe que ele é candidato, mas não se tem notícia de que tenha subido em palanques para fazer promessas relativas a uma eventual chegada à Presidência da República.

No caso de Dilma, as referências são constantes – e explícitas. Lança-se a obra – ou a promessa dela – e Lula, patrono onipresente da candidatura, improvisa discurso garantindo que somente Dilma dará seqüência à sua gestão. A promiscuidade eleitoral é flagrante.

Na quinta-feira passada, ao inaugurar uma frente de trabalho da ferrovia Transnordestina, no interior de Pernambuco, Dilma teve a coadjuvá-la, além do presidente Lula, três ministros de Estado. Todos, além de enaltecerem a importância da obra, a vincularam à ministra, mencionando suas qualidades humanas e profissionais e a necessidade de tê-la futuramente no lugar de Lula.
Cenas de palanque, o que dá substância à acusação do DEM e do PSDB, de que aquela candidatura está se valendo da máquina pública para difundir-se. São viagens pagas pelo contribuinte, que servem de laboratório a uma candidatura partidária, em flagrante quebra de isonomia em relação aos outros candidatos.

A ação oposicionista junto ao TSE mostra, de outro lado, que já não desdenha das chances eleitorais da candidata do governo. Ela ainda aparece bem longe de Serra nas pesquisas, mas já registra algum avanço. Tendo as obras do PAC e o presidente da República como cabos eleitorais, que lhe garantem ampla e continuada exposição na mídia nacional, chegará à corrida sucessória como um dos rostos mais conhecidos da disputa.

A alegação de que a estratégia – o uso da máquina com fins eleitorais - não é novidade, e que é mesmo tradição nacional, não lhe reduz o caráter transgressor. Afinal, um dos compromissos fundamentais de quem governa é contribuir para a elevação das práticas públicas. E já que se fala de hábitos históricos, esse compromisso marcou a trajetória do PT desde sua fundação. Aguarda-se a manifestação do TSE.

Gastos suspeitos

Estadão

O povo brasileiro paga aos deputados federais que o representam em Brasília R$ 15 mil per capita, mensalmente, a título de "verba indenizatória", alegadamente para "cobrir despesas por eles efetuadas em seus Estados". É preciso que se esclareça, antes de mais nada, o real conteúdo dessa frase. Esse dinheiro serve, na prática, para custear a manutenção de escritórios eleitorais cujas atividades, diga-se de passagem, nem de longe tangenciam o real interesse público, pois funcionam no interesse exclusivo dos projetos políticos pessoais dos deputados.

Por isso, em se tratando de verbas destinadas a cobrir despesas pessoais - mais ainda do que se fossem verbas destinadas a atender ao interesse público, que têm de ser esmiuçadas pelos Tribunais de Contas -, não tem sentido o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, e a maioria dos líderes dos partidos "deixarem para o futuro" a divulgação das notas fiscais que comprovem, também mensalmente, os gastos realizados. Assim como qualquer trabalhador, a serviço de sua empresa, não se furta a apresentar os relatórios de gastos com os respectivos comprovantes, não há por que os representantes políticos dos contribuintes a isso se furtarem. A Câmara apenas publica um relatório desses gastos de forma genérica.

Depois de reunir os líderes, Temer anunciou que vai criar uma comissão (sabe-se bem o que significa isso na Administração, seja para apuração de fatos, seja para a tomada de decisões) para analisar eventual mudança na prestação de contas dos deputados, bem como outros assuntos que podem resultar em alteração no Regimento Interno da Casa.

"Isso vai ser discutido em uma comissão que vamos criar para analisar o desmembramento da corregedoria, o regimento e matérias correlatas", disse o presidente da Câmara. No dia seguinte à reunião com os líderes, diante da repercussão negativa da decisão protelatória, o presidente Temer anunciou que serão divulgadas as famigeradas notas fiscais... mas a partir de 2010.

É importante, de fato, desmembrar a função de corregedor da de segundo vice-presidente da Casa - como, aliás, já sugerimos em editorial anterior -, pois são funções de naturezas diferentes, sem falar da sobrecarga de trabalho que acarretam para o parlamentar permanecendo acumuladas, principalmente quando o corregedor pretende cumprir de fato o seu papel, sem adotar a tese do não julgamento de colegas, defendida pelo último deles. A tese do "vício da amizade". Outras inovações no Regimento Interno e matérias correlatas a essas mudanças também devem fazer parte, certamente, do projeto do novo presidente de tornar mais eficiente a atuação do Legislativo.

No entanto, em prol da pretendida recuperação da imagem das Casas Legislativas, fundamental seria que ela começasse pela pura e simples apresentação das notas fiscais, para que os gastos dos deputados federais se tornassem rotineiramente expostos aos seus eleitores e aos contribuintes. A propósito, na reunião de Temer com os líderes, o líder do PSOL, Ivan Valente, insistiu na votação do projeto do partido que prevê a transparência na prestação de contas da verba que é destinada ao pagamento de despesas expressamente decorrentes do exercício do mandato do parlamentar, tais como, viagens nacionais e internacionais, refeições, hospedagens, aquisição de materiais de leitura, pagamento de diligências para apuração de fatos de interesse público, etc. Além do PSOL, defenderam essa proposta os líderes do PSDB e do PPS. "O momento é propício para levar isso adiante. A Câmara não precisa se expor", afirmou o líder tucano, José Aníbal.

De fato, o momento é mais do que propício para que o presidente Michel Temer inicie a execução do projeto de moralização da Casa - esboçado em suas falas de campanha para a obtenção do importante posto - por uma ampla, geral e irrestrita transparência quanto aos gastos e comportamentos de todos os que exercem mandato parlamentar. Se assim é, por que não começar pela revelação - imediata, e não depois de um ano - do conteúdo das notas fiscais relativas às verbas indenizatórias?

TOQUEDEPRIMA...

***** Ótima idéia: proposta cria concurso de literatura
A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 4555/08, do deputado Marcelo Almeida (PMDB-PR), que prevê a realização de concursos regionais de literatura, pelo Poder Executivo, em todo o País. Almeida ressalta que o acesso de escritores ao mercado editorial brasileiro é restrito, pois as editoras estão concentradas nos grandes centros, principalmente no Rio e em São Paulo. Para ele, “é dever do Estado tomar a iniciativa de descobrir novos autores e apresentar ao mundo novas obras na língua portuguesa”. A proposta será analisada pelas comissões de Educação e Constituição e Justiça.

***** Governo pode injetar dinheiro no BB
O governo pode injetar recursos do Tesouro no Banco do Brasil para aumentar sua capacidade de emprestar. Segundo a colunista do Valor Econômico Claudia Safatle, um grupo de trabalho no governo avalia as diversas hipóteses de medidas para desobstruir a oferta de crédito no país e ama das mais cotadas é o Tesouro Nacional capitalizar o Banco do Brasil, para que ele possa aumentar sua capacidade de emprestar. Com a medida, a estatal poderia reduzir mais os juros e melhorar as condições dos financiamentos. Segundo a coluna, o grupo conta com técnicos do Ministério da Fazenda e do Banco Central.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Espero que o governo brasileiro tenha a exata noção do conjunto desordenado de medidas que tem adotado para, por um lado, combater a crise financeira e econômica mundial e, de outro, para garantir aos olhos do povo que ele governa o país. Neste último caso, estão mirando um, na necessidade de alavancar a candidatura da Dilma e, noutro, para a manutenção dos índices de popularidade do presidente.

A injeção de dinheiro no BB para garantir empréstimos, se vista isoladamente, pode representar uma medida correta. Contudo, se juntarmos a ela medidas como a flexibilização da lei fiscal para as prefeituras, como procedeu o governo federal nesta semana, mais o subsídio anunciado que o governo pretende dar ao plano de construção de 1,0 milhão de novas residências até 2010, mais as desonerações pontuais que têm praticado, dentre outras ações, como a ampliação dos programas sociais, manutenção dos investimentos do tal PAC, crescimento das despesas correntes da máquina pública, a conseqüência inevitável será além do desequilíbrio fiscal, acabará produzindo inflação. Já vimos, em passado recente, este mesmo filme, só que com outros autores, e o final foi e será melancólico, porque, inevitavelmente, sempre a conta maior acaba sendo paga por quem menos condições têm.

***** Voa, Lula, voa
Cláudio Humberto

A Presidência da República vai gastar até o fim do ano R$ 9 milhões com aluguel de automóveis fora do Distrito Federal. Sinal de que Lula não vai parar no local de trabalho por boa parte do ano.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: O doloroso é saber a despesa será realizada para bancar um governo “itinerante” em plena campanha eleitoral, e sem que o TSE toma uma miserável atitude ! Aliás,é bom lembrar que, em 2006, reclamara da legislação eleitoral “engessar’ sua ação de eterno viajante em campanha eleitoral que, ele dizia, ser de governo. Agora, antecipando-se, tanto ele quanto Dilma resolveram dar a largada para a sucessão., atropelando o regime de leis que Lula, um dia, jurou respeitar.

***** Discurso ensaiado
De salto alto, colar de pérolas e calça de crepe, a super poderosa Dilma Rousseff repetiu ontem à noite seu discurso de candidata. Foi em São Paulo, antes de chegar para jantar na casa da ex-prefeita Marta Suplicy.

“Acho que o Brasil está maduro para ter uma mulher presidente. Acho que esse século é o das mulheres. Não só no Brasil, mas na América Latina. Temos aí a Cristina (Kirchner), a (Michelle) Bachelet. Assim como também é o século dos negros e dos índios”.

Dilma fez um discurso de vai e vem sobre sua candidatura:

“Eu não estou e também não sou candidata. Para eu ser candidata eu já teria que ter debatido esse tema com o presidente, e ainda não fiz, e teria que ter o apoio do partido. As duas coisas não estão dadas. Poderia dizer para vocês que eu, ainda, não sou candidata”.

Depois, Dilma mostrou que está disposta a se manter no poder:

“A grande ambição de quem participa do governo do presidente Lula é dar continuidade a esse projeto”.

***** COMENTANDO A NOTICIA: No Rio Grande do Sul, ontem também, Dilma cutucou a oposição afirmando que o trabalho do governo incomoda a oposição. Até pode ser, mas o que de fato a oposição tem reclamado, e com inteira razão, é o fato do governo atropelar as leis eleitorais para, descaradamente, armar palanques eleitorais fora do prazo. É disso que se trata. Claro que o apelativo PAC é a maquiagem qu4e o governo apresenta para embutir a campanha.
Quanto a afirmação de que "... A grande ambição de quem participa do governo do presidente Lula é dar continuidade a esse projeto...”, nenhuma surpresa: niguém, de sã consciência, há de querer a boca rica de se sustentarem nas tetas do Estado !

Já em relação ao PAC, bem, já provamos aqui do que se trata realmente: pura propaganda.

***** Assentamentos ficam em segundo plano na Amazônia
Folha de São Paulo

A determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de priorizar a regularização fundiária deixou em segundo plano a reforma agrária na Amazônia Legal, onde está concentrada a maioria das famílias assentadas na gestão petista.

Uma série de fatores contribui para isso, como o deslocamento de 350 servidores do Incra para uma nova diretoria do Ministério do Desenvolvimento Agrário, criada para, em três anos, coordenar o processo de regularização de posse de ao menos 295 mil famílias.

"A maioria desses servidores, focados na regularização, vai deixar de fazer os serviços de agronomia, cartografia e topografia para a criação de assentamentos", diz José Vaz Parente, diretor da associação nacional de servidores do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Os servidores do órgão ficarão cedidos ao ministério por ao menos cinco anos, segundo medida provisória publicada anteontem no "Diário Oficial" da União.

Essa corrida pela regularização já mudou a rotina no órgão. Os superintendentes regionais, por exemplo, ainda não têm em mãos as metas de assentamentos, ao contrário de 2008. O orçamento do Incra prevê assentar 100 mil famílias neste ano, o mesmo do ano passado, quando foram beneficiadas 70 mil.

A partir de agora, ao encontrar posseiros na Amazônia, superintendentes devem regularizar a posse de cada um, e não criar um projeto de assentamento. No segundo caso, o prazo é demorado e traz muitas obrigações ao governo, como repasse de créditos e montagem de infraestrutura básica.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Bem, aí temos a prova provada de qual é preocupação "prioritária" do governo Lula quanto à reforma agrária e em relação à Amazônia: nenhuma. Isto mesmo, é zero. Assentamento, vejam lá, é um bicho que dá trabalho para organizar e realizar. Demanda tempo. Cobra além de responsabilidade, competência em sua execução. Já regularização fundiária, não. Exige apenas que, burocraticamente, se legalize a posse da terra para quem já a ocupa. E aqui mora a sacanagem: para não dizer a totalidade, mas, certamente, a grossa maioria das posses em terras amazônicas, lá está de forma irregular, ilegal. Muitos são responsáveis diretos pelas queimadas e desmatamentos. A ação do governo, neste sentido, como se vê, vai na contramão de todo o discurso de preservação, porque atende apenas o anseio de curto prazo com vistas a engordar os números de estatísticas para serem apresentadas na campanha eleitoral em 2010. Assim, perdem-se critérios e até normas legais.

A conclusão é uma só: o governo está acelerando o processo de assassinato da Amazônia. Os fatos e os atos falam por si.

Estímulo para as rádios piratas

Estadão

Só o interesse do governo Lula em atender aos reclamos de sua base eleitoral pode explicar o envio ao Congresso Nacional do projeto de lei estipulando que a operação de rádios piratas deixa de ser crime punido até com a prisão dos responsáveis, que passarão a responder apenas a um processo administrativo. Interessadas em operar emissoras comunitárias para divulgar seus programas e arregimentar adeptos para si e para partidos políticos, diversas organizações e correntes partidárias que apoiam o governo há tempos pediam essa medida.

Além de representar um golpe nas rádios que funcionam regularmente, a liberação das rádios piratas é uma ameaça à segurança pública. As transmissões clandestinas colocam em risco as operações aéreas mais críticas, de pouso e decolagem, pois interferem nas comunicações entre a aeronave e a torre de controle dos aeroportos. Neste caso, o projeto mantém as punições em vigor. Mas, em diversas comunidades nas quais a presença do Estado é cada vez menos visível, as rádios ilegais se transformaram em eficiente meio de transmissão de instruções para quadrilhas - e, neste caso, o projeto as beneficia.

Sob a alegação de que muitas emissoras não autorizadas atendem às necessidades da comunidade, o governo tem feito vistas grossas para a ilegalidade, mas a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vem combatendo as transmissões clandestinas. Na segunda-feira passada, com o apoio de 50 policiais militares, fiscais da Anatel fecharam cinco rádios piratas que operavam na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Segundo a agência, pelo menos 200 rádios clandestinas operam no Rio. Em São Paulo, calcula-se que sejam mais de mil. Em todo o País, de acordo com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), são cerca de 15 mil. Pelo projeto do governo, os responsáveis por essas emissoras não cometem crime; quando muito, praticam uma infração administrativa.

O fato de nem mesmo o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara - onde o projeto será discutido -, o deputado petista Walter Pinheiro, ter apoiado a iniciativa do governo mostra a disposição dos congressistas. O deputado Paulo Bornhausen, membro da comissão e presidente da Frente Parlamentar da Radiodifusão, considerou o projeto um "atraso" e advertiu que, se aprovado, se tornará um estímulo à ilegalidade.

Junto com o ministro da Justiça, Tarso Genro, o das Comunicações, Hélio Costa, assinou a exposição de motivos do projeto, embora tenha, depois, concordado que a proposta poderá servir de incentivo à ilegalidade. "Quando você flexibiliza, você abre uma porta que pode aumentar a criminalidade no setor", disse. O projeto altera dispositivos dos Códigos Penal e de Telecomunicações e da Lei Geral de Telecomunicações. Retira a operação ilegal de emissoras de rádio dos crimes previstos no Código Penal, mantendo apenas a pena de prisão para quem, por meio de radiodifusão, colocar em perigo a segurança dos serviços de telecomunicações de emergência, de segurança pública ou de fins militares.

Pelo projeto, as infrações quando consideradas "graves" serão punidas com multa e, no caso de reincidência, multa e lacração dos equipamentos, "até que sejam sanadas as situações motivadoras" (da punição). Já a operação ilegal de rádio é uma infração "gravíssima", punida com a apreensão dos equipamentos, multa e suspensão da outorga, "até o pagamento da referida multa" - ou seja, pagou, liberou.

Com o projeto, além de atender a sua base política, mesmo com risco à segurança pública e notório prejuízo às emissoras legalmente constituídas, o governo petista também pretende contornar um problema administrativo: a lentidão do Ministério das Comunicações na análise dos pedidos de outorga de rádios comunitárias. Nos últimos 11 anos, o Ministério só aprovou 3 mil dos mais de 18 mil pedidos de funcionamento. No ano passado, diante da pressão dos interessados no funcionamento de rádios comunitárias, a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara deu parecer favorável a projeto que anistia os proprietários de rádios clandestinas, mantendo, porém, a tipificação do crime para as que vierem a operar ilegalmente. O projeto do governo vai muito além: descriminaliza a infração e estimula a irregularidade.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Depois, quando se critica que este é o governo do crime organizado, ele ainda fica amuado ! Ora, como não entender desta forma quando se prioriza regularizar atividades clandestinas ou até ilegais, quando o correto, para bem do próprio país, seria o governo intensificar sua fiscalização?
Bem, é aí que reside o truque: como fiscalizar dá trabalho, mais fácil para o governo Lula, criar instrumentos que legalizem atividades irregulares e que ferem às leis constituídas. Depois, é correr prô abraço e cobrar, nas urnas, os bônus da cretinice!

ENQUANTO ISSO...

O pior para o Brasil já passou, diz Mantega
Tribuna da Imprensa

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que "o pior dos efeitos da crise mundial sobre o Brasil já passou". Segundo Mantega, os impactos da recessão foram registrados basicamente no quarto trimestre do ano passado, provocados em boa parte pela abrupta retração do crédito internacional, o que também afetou o sistema financeiro nacional.

De acordo com o ministro, a economia apresenta um desempenho melhor do que o registrado nos últimos três meses do ano passado "Eu acredito que gradualmente o País vai recuperando o seu dinamismo. Mas só no segundo semestre vai acelerar", comentou.

Mantega ressaltou que o Brasil vai crescer em 2009 e classificou como pessimistas as avaliações de alguns analistas, segundo as quais o País não apresentará crescimento este ano. O ministro ressaltou que o governo continua trabalhando com a meta de expansão do PIB de 4%.

Em palestra para 300 dirigentes de companhias no seminário Lide/Abap, em São Paulo, Mantega chegou a afirmar que o país deve crescer acima de 3% este ano. Ele tomou como referência o piso de expansão real da Nestlé para o Brasil, segundo o presidente da companhia no país, Ivan Zurita.

O ministro também afirmou que já há indicadores de antecedentes da indústria que apresentaram resultados favoráveis em fevereiro, mas não detalhou quais eram tais índices.

Enquanto isso...

Diretor do BC afirma que ano será tenebroso
Tribuna da Imprensa
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Mário Torós, comparou a atual crise financeira internacional à de 1929, tanto em tamanho quanto dimensão e importância. "O resultado é um cenário tenebroso, dificílimo para o ano", avaliou, durante seminário realizado em São Paulo.

Entretanto, Torós ressaltou que o desempenho do Brasil tem estado em linha com as demais economias do mundo, tanto de emergentes quanto de países desenvolvidos. "O Brasil, dentro dos países emergentes, foi um dos que menos sofreu", disse.

Ele aproveitou para destacar o papel do câmbio flutuante, que, em sua visão, exerceu sua função de suavizar os efeitos da crise frente à queda do preço das commodities. "Estou convencido que o câmbio flutuante talvez tenha sido o mais importante instrumento mitigador da crise", apontou.

O diretor do Banco Central avaliou que a crise atingiu o Brasil em um momento de forte crescimento da economia, no qual o próprio BC tinha chegado a alertar sobre o ritmo de expansão da demanda doméstica. "Estávamos muito bem preparados", destacou Torós, citando as reservas internacionais do País.

Ele ressaltou o bom desempenho da dívida externa líquida e chamou a atenção para o fato de que cada 1% de desvalorização do real representa hoje uma queda de 14 pontos-base da relação dívida líquida/PIB. Segundo ele, o BC conseguiu romper o ciclo vicioso de que um choque externo provocava um aumento da dívida pública cambial. O diretor do BC calculou que desde setembro de 2008 a relação dívida/PIB teve uma redução de quatro pontos porcentuais.

Torós também destacou o fato de o Brasil ser "uma das economias mais fechadas do mundo" o que permitiu ao País isolar-se um pouco dos efeitos da crise. Ele ainda chamou a atenção para a atuação do Banco Central para prover liquidez no mercado, reconhecendo, entretanto, que "é impossível substituir o setor privado". Torós calculou que o BC fez injeções líquidas de US$ 27,4 bilhões desde o pico da crise, em setembro passado, e liberado mais de R$ 99 bilhões em compulsórios.

O diretor do BC ainda destacou a queda da taxa de juros real para 6% no swap de 360 dias, "a menor da história recente". E aproveitou para responder aqueles que criticam o atual patamar da Selic (12,75% ao ano) como a maior taxa de juros do mundo ao afirmar que: "de fato, o Brasil teve um dos maiores crescimentos do PIB do mundo nos três primeiros trimestres de 2008".

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Pergunta que faço: qual o tamanho do buraco do sistema financeiro mundial, móvel que detonou a crise atual? Alguém já dimensionou quanto de dinheiro ainda será preciso injetar no sistema para cobrir os rombos? O que se sabe é o quanto em trilhões de dólares já foram despejados pelos diferentes governos (o brasileiro inclusive) para cobrir o estrago, contudo, não se dimensionou ainda quanto mais será preciso jogar para tornar saudável o sistema como um todo, e, deste modo, recobrar a confiança geral.

Deste modo, como pode o senhor Mantega fazer uma afirmação tão leviana como a de que o pior já passou ? Adivinhação ? Chutometria? Por Deus, ministro, seja um pouco mais comedido. Tudo bem que ao governo não compete espalhar pânicos nos agentes econômicos, mas também não é preciso ser “tão otimista” a ponto de cair no ridículo.

A Folha de São Paulo, deste sábado, informa que o agravamento da crise global no fim de 2008 aprofundou ainda mais a recessão na economia da zona do euro, arrastando todos os grandes países do bloco para a retração e encolhendo mais até que os EUA, o epicentro dos problemas.

Com a Alemanha, a sua principal economia, registrando a maior retração desde a reunificação, em 1990, o PIB dos 15 países da zona do euro (neste ano, a entrada da Eslováquia levou o número de integrantes do bloco a 16) encolheu 1,5% no quarto trimestre do ano passado em relação aos três meses anteriores. A região já vinha de dois trimestres seguidos de contração (que é a definição técnica de recessão), mas, em comparação, ela era muito mais amena: de 0,2%.

No começo do ano passado, o principal problema para a desaceleração europeia eram os altos preços das commodities (como petróleo), mas a concordata do banco americano Lehman Brothers, em setembro, e os temores em relação ao sistema financeiro global criaram um "choque global de incertezas", segundo Jörg Krämer, economista-chefe do Commerzbank. "A lição dos últimos seis meses é que todo país foi afetado - tivesse uma bolha no mercado imobiliário ou não."

A deterioração da economia europeia, um dos principais destinos das exportações brasileiras, chama ainda mais a atenção porque desde a adoção do euro, em 1999, ela nunca havia encolhido - até o segundo trimestre de 2008. Mesmo tendo em conta dados desde 1995, a retração era fato inédito.

Ora, em conseqüência, muitas cadeias produtivas brasileiras sofrem e tendem ainda a sentir muito mais os efeitos desta recessão. O ramo das carnes é um dos tantos que padecem os efeitos danosos do encolhimento da economia da Comunidade Européia.

Sendo assim, melhor faria o ministro se parasse com esta balela de que a economia brasileira, em 2009, crescerá os 4,0% que Mantega insiste e teima em propagar. Já nos chega a pantomina presidencial da "marolinha" que até já virou motivo de galhofa por todo o país. Um pouco de choque e senso de realidade não faria nenhum mal.

Quem é o incompetente que fornece estatísticas para Lula?

Adelson Elias Vasconcellos

Na Folha de São Paulo deste sábado, mais uma vez, somos surpreendidos com a divulgação feita por Lula, de uma estatística manipulada e mentirosa. E isto já está se tornando rotineiro neste governo.

Não sei quem é o irresponsável por entregar estatísticas para Lula, mas, por certo, ou o camarada é muito incompetente e desinformado, ou age com absoluta má fé. Ou as duas coisas.

No evento de campanha eleitoral que reuniu prefeitos de todo o país esta semana em Brasília, lá pelas tantas, Lula sapecou o índice de 10% de analfabetos para o estado de São Paulo. Esqueceu (?) de informar que o índice se referia a 1991, e não a 2008 ou 2009. Mais tarde, tentaram consertar a bobagem, mas conseguiram ser piores na emenda.

Agora, em Ceará – Mirim (RN), Lula mandou ver (o texto é da Folha de São Paulo, comento depois):

PRESIDENTE DIZ QUE, EM 6 ANOS, JÁ DESAPROPRIOU MAIS TERRA QUE FHC

A afirmação foi feita ao visitar assentamento ontem em Ceará-Mirim (RN). "Já desapropriamos, em seis anos, 43 milhões de hectares de terra contra 18 milhões de hectares no governo passado."

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Não é a primeira vez que Lula derrapa nos números, em relação a reforma agrária. Houve ocasião em que conseguiu incluir como feito por seu governo, assentamentos realizados ainda no tempo da ditadura militar! Incrível. Nem o MST do Stédile acredita mais e, sempre que possível, desmente Lula categoricamente.

É a própria Folha quem se apressa em desmentir a afirmação de Lula.

Na verdade, o governo petista destinou esse volume de terras para a criação de assentamentos por meio de diferentes instrumentos, como arrecadação de terras públicas, operação de compra e venda e desapropriação. Entre 2003 e 2008, Lula assinou decretos de desapropriação que totalizam cerca de 3,5 milhões de hectares.

Como o discurso dos assentamentos, lá atrás, não colou, agora Lula tenta dissimular mudando para “desapropriação”. E, achando que fazia grande coisa, misturou tudo num balaio e acabou dizendo besteira. E das grossas, porque, convenhamos, fica muito chato para um presidente sair por aí mentindo sobre suas realizações com o uso calhorda do chapéua alheio e, o que é pior, demonstrando total ignorância sobre um assunto que sempre foi uma das bandeiras históricas de seu partido. Se FHC desapropriou 18,o milhões de hectares, por certo, como se vê, fez 6 vezes mais do que o próprio Lula.

Seria interessante que o “assessor” que municia Lula com estatísticas tomasse mais cuidado, porque, a continuar assim, acabará provando, por sua incompetência, que o período Lula não conseguiu ser melhor do que o período FHC. Claro que esta tarefa compete aos partidos de oposição. Como estes não conseguem se entender, terceirizaram o serviço!!!