Denise Menchen, Eduardo Ohata, Mariana Bastos e Mariana Lajolo,
Folha de São Paulo
O Rio de Janeiro gastará R$ 28,8 bilhões para organizar os Jogos Olímpicos de 2016. A maior parte da verba virá dos cofres dos governos.
Em dólares, o custo chega a US$ 14,42 bilhões, o mais alto entre as quatro candidatas. Chicago, Madri e Tóquio projetaram, respectivamente, investimentos de US$ 4,82 bi, US$ 6,11 bi e US$ 6,42 bi.
Os valores e todos os planos das cidades estão nos dossiês entregues ao COI (Comitê Olímpico Internacional), na Suíça.
"Não podemos fazer comparação pura e simplesmente de quanto um gastou, quanto o outro deixou de gastar, como se fosse uma corrida financeira de candidaturas", disse Carlos Arthur Nuzman, presidente do comitê de candidatura.
"As cidades são diferentes, as necessidades são diferentes e as aplicações são completamente diferentes", completou.
O orçamento do Rio é quase oito vezes maior do que o valor gasto com o Pan-2007. Orçado em R$ 409 milhões, o evento custou R$ 3,7 bilhões.
Como no evento pan-americano, a maior parte dos custos será coberto por verba pública. A previsão carioca é que R$ 23,2 bilhões (80%) sejam gastos com infraestrutura e serviços públicos. O comitê não informou qual a participação de cada esfera de poder (federal, estadual e municipal).
Os investimento do governo federal em esporte, inclusive, é apresentado como trunfo do Rio na disputa pelos Jogos.
Nas 538 páginas do dossiê estão listados os programas Segundo Tempo e Mais Educação e aporte de mais de US$ 210 milhões do governo que irão ajudar na preparação das equipes olímpica e paraolímpica.
O texto também cita investimentos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e do Plano Nacional de Segurança.
Os gastos do comitê organizador estão estimados em R$ 5,6 bilhões. Desses, 31% devem vir do COI e de seus patrocinadores, 45% da iniciativa privada (apoiadores, ingressos etc) e 24% dos governos --município, Estado e União entrariam com um terço cada um.
O Comitê Rio-2016 admite, porém, que os valores podem ser alterados. No orçamento, grande parte dos custos foi cotada em dólar e convertida em reais a câmbio de R$ 2 (O COI libera os países a usarem o câmbio que quiserem, desde que justificado). Hoje, a moeda fechou a R$ 2,264.
Nuzman disse que 35% dos investimentos estavam previstos com ou sem Olimpíada.
Em relação às instalações esportivas apresentadas no dossiê, o comitê diz que 54% delas já existem, 20% serão temporárias e apenas 26% teriam que ser construídas. Algumas feitas para o Pan não terão a mesma finalidade. A natação, por exemplo, sairá do Maria Lenk e acontecerá em nova arena.
Acesso
Os portadores de deficiência poderão visitar o Cristo Redentor com facilidade, promete o dossiê de candidatura, em caso de vitória. O monumento sofrerá reformas que garantirão o acesso confortável de cadeirantes.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Olha: sempre fui contrário a idéia do Brasil sediar eventos desta natureza, não porque eles não sejam benéficos para o país. Minha oposição sempre foi embasada na imaturidade dos nossos políticos (isto para se dizer o mínimo), que sempre se aproveitam para tirarem sua lasca. Vejam o seguinte exemplo: o PAN do Rio, quando proposto, tinha um orçamento inferior a R$ 500 mil. Quanto custou? Muitos bilhões a mais, com irregularidades de toda a ordem, conforme apontam os relatórios do Tribuna de Contas. E, o que é pior, sem que ninguém até agora tenha sido responsabilizado ou condenado a ressarcir os cofres públicos quanto aos desvios praticados. E observem que se tratava de uma única sede ! Imaginem agora, em relação ao que acontecerá com a Copa do Mundo, quando serão 12 sedes?
Claro, não surpreende que a candidatura dos Jogos Olímpicos tenham tamanho orçamento. E vejam: se o orçamento inicial é de R$ 28,8 bilhões, tranquilamente, o custo final não sairá por do que três vezes este montante. Interessante é saber que a candidatura foi apresentada com base justamente nos investimentos realizados no PAN, o que contribuiria para que os Jogos Olímpicos tivesse um orçamento menor. Como tais investimentos não reverteram em nenhum benefício para a população, a fortuna que se pretende gastar com o tal projeto Rio-2016 poderia ser melhor aplicada. Os políticos brasileiros precisam, urgentemente, perderem este vício danoso de ostentação. O país tem, certamente, outras prioridades mais necessárias de serem atendidas com todo este dinheiro. Mas quem disse que nossos políticos pensam no país e em seu povo que dizem representar?
Folha de São Paulo
O Rio de Janeiro gastará R$ 28,8 bilhões para organizar os Jogos Olímpicos de 2016. A maior parte da verba virá dos cofres dos governos.
Em dólares, o custo chega a US$ 14,42 bilhões, o mais alto entre as quatro candidatas. Chicago, Madri e Tóquio projetaram, respectivamente, investimentos de US$ 4,82 bi, US$ 6,11 bi e US$ 6,42 bi.
Os valores e todos os planos das cidades estão nos dossiês entregues ao COI (Comitê Olímpico Internacional), na Suíça.
"Não podemos fazer comparação pura e simplesmente de quanto um gastou, quanto o outro deixou de gastar, como se fosse uma corrida financeira de candidaturas", disse Carlos Arthur Nuzman, presidente do comitê de candidatura.
"As cidades são diferentes, as necessidades são diferentes e as aplicações são completamente diferentes", completou.
O orçamento do Rio é quase oito vezes maior do que o valor gasto com o Pan-2007. Orçado em R$ 409 milhões, o evento custou R$ 3,7 bilhões.
Como no evento pan-americano, a maior parte dos custos será coberto por verba pública. A previsão carioca é que R$ 23,2 bilhões (80%) sejam gastos com infraestrutura e serviços públicos. O comitê não informou qual a participação de cada esfera de poder (federal, estadual e municipal).
Os investimento do governo federal em esporte, inclusive, é apresentado como trunfo do Rio na disputa pelos Jogos.
Nas 538 páginas do dossiê estão listados os programas Segundo Tempo e Mais Educação e aporte de mais de US$ 210 milhões do governo que irão ajudar na preparação das equipes olímpica e paraolímpica.
O texto também cita investimentos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e do Plano Nacional de Segurança.
Os gastos do comitê organizador estão estimados em R$ 5,6 bilhões. Desses, 31% devem vir do COI e de seus patrocinadores, 45% da iniciativa privada (apoiadores, ingressos etc) e 24% dos governos --município, Estado e União entrariam com um terço cada um.
O Comitê Rio-2016 admite, porém, que os valores podem ser alterados. No orçamento, grande parte dos custos foi cotada em dólar e convertida em reais a câmbio de R$ 2 (O COI libera os países a usarem o câmbio que quiserem, desde que justificado). Hoje, a moeda fechou a R$ 2,264.
Nuzman disse que 35% dos investimentos estavam previstos com ou sem Olimpíada.
Em relação às instalações esportivas apresentadas no dossiê, o comitê diz que 54% delas já existem, 20% serão temporárias e apenas 26% teriam que ser construídas. Algumas feitas para o Pan não terão a mesma finalidade. A natação, por exemplo, sairá do Maria Lenk e acontecerá em nova arena.
Acesso
Os portadores de deficiência poderão visitar o Cristo Redentor com facilidade, promete o dossiê de candidatura, em caso de vitória. O monumento sofrerá reformas que garantirão o acesso confortável de cadeirantes.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Olha: sempre fui contrário a idéia do Brasil sediar eventos desta natureza, não porque eles não sejam benéficos para o país. Minha oposição sempre foi embasada na imaturidade dos nossos políticos (isto para se dizer o mínimo), que sempre se aproveitam para tirarem sua lasca. Vejam o seguinte exemplo: o PAN do Rio, quando proposto, tinha um orçamento inferior a R$ 500 mil. Quanto custou? Muitos bilhões a mais, com irregularidades de toda a ordem, conforme apontam os relatórios do Tribuna de Contas. E, o que é pior, sem que ninguém até agora tenha sido responsabilizado ou condenado a ressarcir os cofres públicos quanto aos desvios praticados. E observem que se tratava de uma única sede ! Imaginem agora, em relação ao que acontecerá com a Copa do Mundo, quando serão 12 sedes?
Claro, não surpreende que a candidatura dos Jogos Olímpicos tenham tamanho orçamento. E vejam: se o orçamento inicial é de R$ 28,8 bilhões, tranquilamente, o custo final não sairá por do que três vezes este montante. Interessante é saber que a candidatura foi apresentada com base justamente nos investimentos realizados no PAN, o que contribuiria para que os Jogos Olímpicos tivesse um orçamento menor. Como tais investimentos não reverteram em nenhum benefício para a população, a fortuna que se pretende gastar com o tal projeto Rio-2016 poderia ser melhor aplicada. Os políticos brasileiros precisam, urgentemente, perderem este vício danoso de ostentação. O país tem, certamente, outras prioridades mais necessárias de serem atendidas com todo este dinheiro. Mas quem disse que nossos políticos pensam no país e em seu povo que dizem representar?