Nos posts anteriores, tivemos a posição do senador por Roraima, Romero Jucá, a do governador de Roraima, o engenheiro civil José de Anchieta Júnior (PSDB), que foi eleito como vice, mas assumiu o cargo em dezembro com a morte do titular Ottomar Pinto, o brigadeiro que dirigiu o estado por três vezes, uma delas como administrador do antigo território. Além destas posições, mais uma vez o jornalista Fernandes da Tribuna da Imprensa abordou o assunto em sua coluna diária, além da informação do Estadão de que o clima na área não melhorou em nada o clima de conflito entre as partes envolvidas.
Mas o preocupante, no caso, é a reportagem Carlos Newton, para a Tribuna da Imprensa, que vem de encontro a tudo aquilo que o general Heleno, Comandante da Amazônia, autoridade respeitada nacionalmente sobre o assunto, e que corrobora tudo o que tem sido alertado ao governo Lula sobre a forma contrária ao interesse do Brasil no modo como se homologou a Reserva Indígena Raposa do Sol: a de que os Índios já se consideram independentes do país que até hoje os abrigou, e o que realmente se esconde por detrás desta traição que o governo está cometendo, interesses escusos contrários ao interesse do país. Traição que, como alerta o jornalista Hélio Fernandes, se espera seja anulada no âmbito do STF, a menos que algum “ministro” resolva dar uma ajuda ao ato infame e trunque o processo.
Interessante é a posição do ministro genérico Nelson Jobim, da Defesa que, quando a reserva foi delimitada no governo FHC, em 1998, era ministro da Justiça e na ocasião apoiou que a reserva fosse feita em ilhas, tal qual defendem as principais autoridades representativas do Estado de Roraima. Agora, praticamente se mantém em sepulcral silêncio diante da demarcação estúpida praticada pelo governo Lula. Bom seria saber afinal, qual a posição do senhor Nelson Jobim, uma vez que o assunto é de imenso interesse de sua pasta.
Sobre a posição do governador do estado, José Anchieta, ela vem de encontro aos alertas que, desde 2006, o COMENTANDO A NOTÍCIA tem feito no sentido de que, pela forma como o governo federal tem tratado a questão, restarão aos não índios menos de 10% de área útil para o desenvolvimento de sua população não índia. Ou seja, o estado se tornará menos do que uma minúscula ilha, ficando nas mãos das nações indígenas as melhores terras para agricultura, pastagens, turismo e para a atividade mineral. Não é a toa que a região está infestada de ongueiros estrangeiros incitando os índios a se rebelar e lutarem para a manutenção da Reserva na forma como em 2005 o governo Lula a homologou, ou seja, em terras contínuas e ao longo da fronteira.
Assim como ficarão em terras indígenas inúmeros municípios, vilas e distritos, estradas e rodovias, além da Cachoeira do Tamanduá, no Rio Cotingo, onde há três décadas o governo faz estudos para construir uma hidrelétrica. Com a liberação do empreendimento, avaliado em R$ 340 milhões, Roraima se veria livre da dependência da Venezuela, de onde importa a energia que abastece Boa Vista e mais seis municípios.
O protesto que se faz, não é pela Reserva Raposa do Sol estar demarcada em áreas contínuas apenas: a sua extensão não se justifica de forma alguma para abrigar comunidades tão diminutas de nações indígenas. É que a ela se somam outras tantas reservas, indígenas e de preservação, deixando ao Estado de Roraima autonomia em menos de 10% da sua área total. Convenhamos: não apenas se trata de um exagero, mas também de um absurdo, verdadeiro crime contra aquela unidade da federação.
Deste modo, a posição defendida por Lula na semana passada, quando patrocinou o lançamento de mais um dentre tantos planos em defesa da Amazônia, e que se espera que, pelo menos agora, provoque algum resultado positivo, em razão do fracassos de todos os anteriores, não tem sentido tampouco justificativas. O fato das nações indígenas no passado terem defendido nossas fronteiras na região norte do país, é um fato histórico que atualmente não se repetirá. Por quê? Justamente porque os índios de hoje não são mais os índios do passado. Sua forma de ser, seus hábitos e a forma como se mantém e se sustentam são totalmente diferentes.
Só não reconhece isto ou quem não tem a menor noção da realidade atual, ou esconde seus reais interesses quando defendem demarcações na forma como se fez a da Raposa do Sol.
E o fator determinante para a mudança foi, sem dúvida, o Tratado de Autodeterminação dos Povos e Nações Indígenas que Lula ratificou na ONU em 2005. Não fosse por ele, e muito provavelmente nem os índios estariam em pé de guerra quanto aos territórios que ocupam, tampouco as ONGs picaretas e cretinas estariam tão assanhadas para que a Raposa do Sol se tornasse um fato concreto.
Deve toda a sociedade brasileira, pelo menos aquela grande parte que ama seu país e que tem obrigação de entregá-lo intacto em sua dimensão e riquezas às futuras gerações, levantar-se de forma uníssona não apenas para protestar mas também para exigir do governo federal a urgente mudança nos critérios e formas com que demarcou aquela reserva, bem como que anule de vez sua assinatura no famigerado Acordo firmado em 2005 para a Autodeterminação dos Povos Indígenas. É uma obrigação que se impõem a todos os brasileiros que amam sua pátria, que nela nasceram e trabalham, porque não há uma única e sólida razão para justificar este ato de traição cometido pelo governo Lula. Não se pode conceber que a Nação brasileira seja fragmentada da forma estúpida como este governo tem feito, dividindo aquilo que sempre foi nosso motivo de maior orgulho, a de sermos um povo com raízes multirraciais, e que agora, movido por políticas imbecis, começa a ser dividido de acordo com a sua origem. A obrigação deste governo está, portanto, assentada não apenas na integridade do território que pertence a um único povo que, da mesma forma, deve ser mantido íntegro, numa só nação. Definitivamente, não é possível concordar com este verdadeiro atentado à soberania nacional.