Adelson Elias Vasconcellos
Para o programa federal Minha Casa, Minha Vida o governo Dilma tem outra classe média. Vamos ver?
Na reportagem da Folha reproduzida mais abaixo, salta aos olhos que é o próprio programa Minha Casa, Minha Vida do governo federal, que o governo reconhece qual a verdadeira faixa de renda da classe média brasileira, e ela nada tem a ver com aquela impostura produzida por Moreira Franco a frente da Secretaria de Assuntos Estratégicos.
Pelos atuais critérios, vale lembrar as três faixas de renda atendidas pelo programa:
Faixa 3 – famílias com renda de R$ 3.101 a R$ 5.400 - taxa de 8,16% ao ano.
Faixa 2 - famílias com renda entre R$ 1.600 e R$ 3.100 - taxa de 6% ao ano.
Faixa 1 - famílias com renda de até R$ 1.600 - o governo compra o imóvel e subsidia até 95% do valor.
Reparem na faixa 1: o financiamento é totalmente subsidiado, e este benefício cobre até 95% do valor do imóvel. Até aqui, tudo bem?
Agora convido o leitor a remontar as faixas de renda daquele estudo vigarista da SAE. Por ele, é pobre quem recebe até R$ 290,00. É classe média quem ganha entre R$ 291,00 a R$ 1.019,00. Nossos ricos começam para quem ganha mais de R$ 1.019,00 por mês. Seria piada não fosse a tragédia da desfaçatez!
Ou seja, a faixa com maior benefício já tem um limite de renda máximo superior à renda máxima reconhecida pela SAE como pertencente à classe média.
Ora, seria admissível que alguém da classe média fosse subsidiado em até 95% do valor do imóvel que adquirir? Convenhamos...
Assim, a faixa 1 de financiamento do imóvel no programa Minha Casa, Minha Vida, destina-se especificamente para os pobres, pessoas humildes, com renda máxima de até R$ 1.600,00 e que está plenamente dentro da lógica social econômica do Brasil atual. Supor, como fez Moreira Franco em seu estudo mentiroso, que uma classe média possa ser beneficiado com os mesmos subsídios concedidos aos trabalhadores de renda menor, é jogar por terra todo discurso de um governo inclusivo, dedicado ao social e a minorar a pobreza e miséria existente no país.
Veja-se a faixa 2 do Minha Casa, Minha Vida. A faixa beneficia quem tem renda localizada na faixa que vai de R$ 1.600,00 a R$ 3.100,00. Ou seja, situação numa faixa intermediária de renda, e que, de acordo com o estudo do SAE, já se situaria numa classe superior. Mas ainda tem a faixa 3 do programa, com renda ainda mais alta.
Ora, ao se encomendar um estudo em que se pretende beneficiar construções em favor da classe média, qual faixa do programa se pretende beneficiar, a faixa 1, de baixa renda, ou a intermediária, com renda típica de uma classe média?
Fica claro, partindo-se dos programas sociais do próprio governo, que o senhor Moreira Franco parece viver num outro país. Seu estudo é um flagrante de vigarice explícita e reafirmo, ofende tanto aos pobres quanto à própria classe média.
Seria ótimo podermos comemorar que a classe média brasileira representa não apenas 53% da população como indica o estudo, mas 60% ou 70%. Mas deve-se dar com critério, com bom senso, com renda real, e não no berro, por decreto, por truques estatísticos de absoluta má fé.
Deste modo, deveria a presidente que, inclusive ainda quando Chefe da Casa Civil no governo Lula, era responsável por acompanhar o andamento do programa Minha Casa, Minha Vida, e tem profundo conhecimento das condicionantes de rendas para os seus participantes e beneficiados pelo programa, mandar suspender imediatamente o estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Mantê-lo joga no lixo sua seriedade e credibilidade e demonstrar, indubitavelmente, a pretensão eleitoreira para a divulgação de um estudo ridículo e de resultados fantasiosos.
Que se aumente a classe média, que se tire da pobreza e da miséria, o máximo de pessoas que se puder, mas que não se recorra às vigarices estatísticas, tampouco com compressão da renda da própria “classe média”, sem esquecer-se da própria qualidade de vida a ela inerente.
Agir como agiu Moreira Franco, sob as bênçãos cúmplices de sua chefia, que vem a ser a própria presidente da República, é tentar institucionalizar a mentira, a vigarice, o engodo, a mistificação. Aí, realmente, não é possível concordar, quanto mais engolir.



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