quarta-feira, setembro 26, 2012

Dilma e o mais do mesmo nas finanças


Carlos Tautz
Blog Noblat

Ao abrir a 67ª Assembleia Geral da ONU nesta terça, Dilma insiste na tese da reforma do Banco Mundial (BM) e do FMI, desde sempre comandados, respectivamente, por EUA e Europa. É mais um capítulo da cruzada da diplomacia brasileira para alcançar um papel que, avalia o Itamaraty, seja condizente com a importância do Brasil.

Nossos diplomatas sabem que poder e dinheiro andam juntos. Exercer o primeiro exige acúmulo e capacidade de ditar as regras do segundo. Ter maior capacidade de interferência nas instituições de Bretton Woods parece ao Ministério das Relações Exteriores o melhor caminho para sentar-se entre os grandes do planeta.

Em paralelo, o governo brasileiro estuda em conjunto os Brics (além do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a criação do banco de desenvolvimento do grupo, que teria como espelho o nosso BNDES. O próximo passo do processo de criação (ou não) da nova instituição financeira e suas áreas prioritárias de atuação já estariam apontados.

O “Banco dos Brics” financiaria projetos de infraestrutura e de “desenvolvimento sustentável”, o que será avaliado na África do Sul em 2013, quando os Brics realizariam sua quinta reunião.

As novidades param por aí. Tanto na reforma das instituições de Bretton Woods quanto na ideia de fundar uma organização financeira em que nações sem poder relevante na arquitetura financeira internacional sejam as protagonistas parece com um filme já visto.

Em ambos os processos, não foram abordadas até o momento inovações democráticas que garantam transparência na tomada de decisão, muito menos a possibilidade de organizações civis interferirem na orientação geral do FMI e do BM e no Banco dos Brics.

Além disso, as áreas escolhidas como prioritárias a este último - infraestrutura e “desenvolvimento sustentável” - são as mesmas que já produzem nos cinco países, altíssimos impactos sociais e ambientais e concentração de renda – hajam vistos os maiores projetos financiados pela instituição-espelho, o BNDES.

A simpática expressão “desenvolvimento sustentável” mais uma vez serve para qualquer propósito. Inclusive para a renovação permanente de um capitalismo agora maquiado de verde, onde despontam propostas de REDD e outros instrumentos de transformação da natureza e da cultura em mercadorias negociadas como qualquer título financeiro e despidas da característica que lhe dá sentido, qual seja a reprodução da vida.

Após o retrocesso verificado na Rio+20, Dilma bem que poderia aproveitar a prerrogativa histórica de o Brasil abrir assembleias da ONU para ousar e limpar um pouco a barra do País. Mas, ao que os jornais indicam, a presidenta apenas quer mais do mesmo.