quarta-feira, setembro 26, 2012

Processo sobre ministro amigo de Dilma se arrasta há quase um ano


Luiza Damé
O Globo

Um dos conselheiros não reconduzidos propôs advertência a Pimentel

ANTÔNIO CRUZ / AGÊNCIA O GLOBO 
Fernando Pimentel

BRASÍLIA - A decisão da presidente Dilma Rousseff de não reconduzir os conselheiros Fábio Coutinho e Marília Muricy, combinada com a renúncia do presidente da Comissão de Ética Pública, Sepúlveda Pertence, atrasará ainda mais o julgamento do processo contra o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que se arrasta desde janeiro. Com base em reportagens do GLOBO, publicadas em dezembro de 2011, a comissão decidiu analisar a conduta do ministro, que prestou consultorias à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), entre 2009 e 2010, que lhe renderam R$ 2 milhões.

O processo era relatado por Coutinho que, na reunião de 11 de junho, propôs a aplicação de advertência ao ministro. Ele considerou que seu comportamento evidenciou conflito de interesses. A comissão decidiu, porém, pedir explicações ao ministro em relação ao prazo de encerramento dos contratos de consultoria. A suspeita era que os contratos não haviam sido formalmente encerrados antes de Pimentel assumir o cargo de ministro, no dia 1º de janeiro de 2011.

Mas, desde junho, a comissão não tocou mais nesse processo. Nesta segunda, o novo conselheiro Mauro Menezes foi nomeado relator, substituindo Coutinho. A próxima reunião do colegiado só acontecerá em 22 de outubro.

— O processo foi redistribuído. Agora, o conselheiro vai estudar o processo e relatá-lo. Prossegue daqui para frente. O que foi decidido pela comissão está decidido. Nenhum voto foi anulado — afirmou o presidente interino da comissão, Américo Lacombe.

Na reunião de ontem, Lacombe sugeriu mais diligências em relação ao segundo processo envolvendo Pimentel. A comissão decidiu pedir informações ao empresário João Dória Júnior sobre o congresso em Roma, do qual Pimentel participou em outubro. Para ir da Bulgária à Itália, Pimentel usou um avião fornecido pelo empresário.

— Mandamos um ofício para esclarecer pontos da reunião da Itália: como foi, quem participou. Vamos apurar para saber quem esteve presente no congresso, se eram empresas brasileiras, italianas, se têm interesse no Brasil, interesse nas decisões dele — disse.

Segundo Lacombe, não há prazo para Dória responder à comissão.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Enrola daqui, embroma de lá, e não não haverá a menor de sequer Fernando Pimentel vir a ser advertido pela tal Comissão de Ética. Vale para os abençoados de Dilma e Pimentel é um deles, o mesmo que os aloprados valiam para Lula. 

A não recondução  de dois indicados se deu justamente pela rota de colisão criada com a soberana que, por ser imperial,  só admite a obediência, servil, submissa. 

Portanto, a Comissão de Ética serve para punir os não abençoados, nunca para os afilhados.