quarta-feira, setembro 26, 2012

Presidente da Comissão de Ética pede pra sair


Josias de Souza


O ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence deu uma lição grátis aos combatentes: quando a batalha é inglória, escapar a tempo é fundamental pra quem deseja ser heroi vivo. Presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, Pertence deu no pé.

Andava aborrecido com a demora de Dilma Rousseff em preencher cinco cadeiras que estavam vazias na comissão. Seu aborrecimento transbordou depois que a presidente recusou-se a renovar os mandatos de dois membros do colegiado cujos votos a desagradaram.

Dilma absteve-se de reconduzir à comissão Marília Muricy e Fábio Coutinho. Ela é autora do relatório que sugeriu a demissão de Carlos Lupi da pasta do Trabalho por conta de malfeitos em convênios com ONGs. Ele propôs uma advertência ao ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), amigo de Dilma, por conta das consultorias que lhe renderam R$ 2 milhões entre 2009 e 2010.

Em 3 de setembro, Dilma preencheu três das cinco vagas da comissão. Mandou ao Diário Oficial os nomes de Marcello Alencar de Araújo, procurador do Distrito Federal; Mauro de Azevedo Menezes, advogado trabalhista; e Antônio Modesto da Silveira, advogado e ex-deputado federal. Nem sinal de Marília. Nada de Fábio.

Dono de educação refinada, Sepúlveda Pertence foi ao Planalto nesta segunda-feira (24) para dar posse aos escolhidos de Dilma. Em seguida, anunciou: “Estou encaminhando à chefe do governo a minha renúncia às funções de membro e consequentemente presidente da Comissão de Ética.”

Por quê? “Não tenho nada contra os designados, mas devo ser sincero, lamento a não-recondução dos dois membros que eu havia indicado para a comissão.” O que Pertence declarou, com outras palavras, foi o seguinte: quando há autoridades com estatura diminuta, reduzir o pé-direito da Comissão de Ética não resolverá o problema.