Adelson Elias Vasconcellos
O eleitor perceberá o malogro que será insistir em dar ao demônio mais uma chance para ele continuar errando e pecando, porque é da natureza do demônio errar e pecar.
Nos diferentes textos postados no blog, procuramos demonstrar que reeleger Dilma representa, gostem ou não, concordem ou discordem, jogar o país numa aventura cujo final já é por todos conhecido.
O que talvez faltasse no discurso da oposição, Aécio ou Marina, foi demonstrar que a ruindade de todos os indicadores do governo Dilma não se deve exclusivamente a ela. Dilma é apenas o continuísmo de algo que vem dando errado desde 2003. Claro que devemos fazer o reparo de que, metade de seu primeiro mandato Lula esqueceu seus discursos dos tempos de oposição, e adotou um comportamento mais comprometido com o interesse do país.
Porém, a degradação dos serviços públicos, a deterioração das contas públicas, a manipulação de estatísticas, a falta de transparência de atos do Executivo, do qual o sigilo sobre gastos do cartão corporativo é um exemplo bem prático, tudo e mais algumas coisas se arrastam desde que o PT chegou ao poder. Não é coisa recente. Se, de um lado, se apontam as “políticas sociais” como mérito, de outro, naquilo que o país precisa para sustentar a continuidade destas mesmas políticas, estamos andando no sentido inverso. Nesta edição, vejam reportagem da Folha que os recursos para saúde estão perdendo terreno para as tais políticas sociais. Basta comparar o total de beneficiários dos programas, se diz que chega a 40 milhões, com os que dependem da saúde pública, que somam pelo menos três vezes mais. Só que mais saúde pública não garante voto na urna, bolsa família sim. Basta ver que as regiões com maior número de beneficiários são justamente a que garantem maior intenção de voto em Dilma.
Sabe-se que, desde junho de 2013, quase 80% da população brasileira alimenta o enorme desejo por mudanças. E, pesquisa mais recente, aponta que, para 34% desta mesma população, Dilma é escolhida como a melhor agente para levar adiante este processo. Ok, mas pergunto: como pode alguém, cujo governo plantou na consciência das pessoas a necessidade de se mudar o que aí está, ser agente para fazer diferente se, quando pode, não o fez?
Pego uma linha da campanha de Dilma para provar que a presidente-candidata é, dentre os principais candidatos, a menos qualificada. Afirmou a senhora Rousseff que, num segundo mandato, vai agir com mãos firmes contra a corrupção. Ora, teve quatro anos para fazê-lo, por que não o fez? Terá a corrupção contribuído para tornar seu governo melhor e mais conveniente aos interesses dela e do seu partido? Ora, acredita nesta ladainha só quem é capaz de aceitar que o Diabo subiu aos céus e pediu perdão a Deus por seus pecados...
Não, senhores, Dilma é, dentre todos, a que menos tem interesse em mudar alguma coisa, já que foi nesta porcaria em que ela e seu antecessor mergulharam o país, que este mesmo país a premiou com mais quatro anos. Onde então o interesse em mudar? Para mudar, o primeiro passo que se exige é que o agente reconheça o que está errado. Pergunto: quando foi nesta campanha que alguém ouviu de Dilma esta reflexão de que, tal ou qual política, está errada? Ou que as escolhas feitas e os caminhos perseguidos por sua política econômica deram com os burros n’água?
Assim, se ela entende que no Brasil está tudo justo e perfeito, e sua campanha corrobora este sentimento, em que ela precisaria mudar?
Portanto, se os eleitores ainda não tiveram esta consciência de que, a agente que nos empurrou para a beira do abismo, é a mesma que eles entendem ser a que melhor pode provocar e atender o anseio geral de “muda, Brasil”, a perspectiva de que a sociedade brasileira venha penar com enorme frustração, é infinita.
De maneira alguma Dilma reúne o mínimo de preparo para mudar a situação caótica criada por ela . Para tanto, precisaria mudar a si mesma e isto, a exemplo do Diabo arrependido, é impossível. Ninguém muda por decreto, quanto mais se a situação atual lhe é conveniente.
Além disto, o povo brasileiro, mais precisamente aquele que comparecerá às urnas, precisa revolver a história recente para que não incorrer em escolhas ruins. Tentem pesquisar o que era o Brasil de antes do Plano Real, sua desigualdade social, sua péssima distribuição de renda, sua economia simplesmente falida, sua dívida crescente e impagável, um país sem crédito e sem credibilidade, classificado, merecidamente, como subdesenvolvido. Depois, comparem este Brasil com aquele que FHC entregou a Lula, e vocês concluirão que existe vida inteligente além do PT, perceberão que há outras maneiras certas de fazer um país melhor, que existem muito mais capacidade de gestão além da mediocridade petista de governar.
Há sim outros caminhos que também nos levam à felicidade, a um país melhor e mais justo, com um governo decente e não mergulhado na ladroeira diária, gente capaz de implementar políticas que nos devolvam o crescimento, o aumento da força de trabalho, que nos garantam rendimentos superiores aos atuais, e tudo isto embalado em programas sociais virtuosos que elevam a cidadania e garantam a autodeterminação individual.
Sem tal retrospectiva, teremos indivíduos acéfalos, desprovidos de qualquer racionalidade, a votar na aventureira, na gaiata que se pinta de ouro para assaltar, no primeiro dia da posse, os bolsos de todos nós. Esperem pela conta de luz a partir de 2015!
Foram Lula e Dilma quem criaram este ambiente no qual as pessoas sentem necessidade por mudanças. Deste modo, não seriam eles os mais indicados e qualificados para comandarem este processo.
Foram Lula e Dilma quem criaram este ambiente no qual as pessoas sentem necessidade por mudanças. Deste modo, não seriam eles os mais indicados e qualificados para comandarem este processo.
O Brasil não pode continuar à margem do progresso e da civilização. Mudar é preciso acima de tudo, mas precisamos escolher quem, de fato, tem ideias próprias, tem políticas diferentes desta bandalheira geral implementada no país. E, certamente, diante desta pesquisa, o eleitor perceberá o malogro que será insistir em dar ao demônio mais uma chance para ele continuar errando e pecando, porque é da natureza do demônio errar e pecar.




