terça-feira, março 04, 2008

Chavez só quer meio motivo para pôr fogo no continente

Adelson Elias Vasconcellos

Uma das mais deprimentes atitudes de grande parte da imprensa brasileira foi sempre ter silenciado sobre a existência do Foro de São Paulo, aquela assembléia das esquerdas latinas (e ladinas) da qual são sócios, dentre outros porcarias, todo o ranço do pensamento terrorista de esquerda sul-americano aliado aos narcotraficantes. Tal entidade teve como sócios fundadores nada menos do que Lula da Silva e Fidel Castro. Isto por si só seria suficiente para a imprensa brasileira, que silenciou e ainda se acovarda em discutir o assunto, ter ao menos a decência de informar os brasileiros do perigo que nos ronda. Perigo, diga-se de passagem, contra nossas liberdades e nosso estado de direito. Porém, à exceção das vozes do tipo Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo, dentre alguns poucos mais, os demais simplesmente fazem de conta de que o tal Foro é fruto de pura fantasia.

Claro que sua existência, assim como a participação de Lula e do PT, são fatos incontestes. Nada mais há para ser provado. E que fique claro: trata-se de uma organização de narco-terroristas bombando o mais que podem para instalar no continente suas ditaduras vagabundas calcadas sob regimes estúpidos de aniquilamento das liberdades, das instituições democráticas e do respeito às leis.

Chavez, aprendiz de ditador, há muito tempo vem, sob a complacente cumplicidade do governo Lula, tentando impor na Venezuela este regime de terror e mediocridade. E com certo êxito, reconheça-se. E tem espalhado pelo continente seu atraso. Assim, Bolívia, Equador, Nicarágua já são amostras do quanto é possível impor aos povos latinos este atraso de vida chamado de socialismo medieval.

Já há uns dois anos, o coronelito vem torrando o dinheiro dos petrodólares venezuelanos em armamento, e tem feito uma força danada com seu estilo bufão para arranjar algum meio-motivo para usa-lo contra quem quer que seja, mesmo que seu país, a Venezuela, jamais tenha sido nem por sonho ameaçada por quem quer que seja de seus vizinhos. É a velha escola de Fidel, e que no Brasil, o PT sempre soube usar contra os tais “inimigos” invisíveis, as tais “elites”, e claro, os imperialistas do norte.

Quando o atual presidente colombiano, assim como o peruano, simplesmente ignoraram o imbecil venezuelano, este subiu nas tamancas. E, especificamente, quando o presidente Uribe passou a não se deixar levar pelos guerrilheiros e terroristas das FARC, decidindo-se por enfrentá-los, Chavez ficou amuado. Afinal, alguém “ousou” desafiar aliados seus, e ele precisava defendê-los.

Desde que Lula e os petistas chegaram ao poder, sabemos que as fronteiras brasileiras se abriram para os “aliados” terroristas das FARC’s. Afinal, todos são “companheiros” num mesmo projeto de implantação do socialismo estúpido, falido e anacrônico no continente. Mas ainda assim, nossa “grande” imprensa se manteve surda-muda.

Até que chegou o grande mote que Chavez esperava. A Colômbia, por suas forças democráticas constituídas, conseguiu aliviar o mundo de mais um facínora. Assim como Pinochet, com sua morte recente, e o próprio assassino cubano Fidel com sua renúncia, já deixavam o ar do continente menos empestado, a morte do cretino do Raul Reyes, serviu para os latinos se sentirem menos ameaçados.

Reparem que o guerrilheiro foi morto na fronteira do Equador com a Colômbia, portanto, nada haveria para a Venezuela se sentir “ameaçada”, não fosse o fato de Chavez ser aliado dos guerrilheiros da FARC.

A reação de Chavez à morte do cretino Reyes se dá não apenas porque aquele era apenas um aliado. Mas porque a Colômbia pôde ter acesso a informações privilegiadas de que o governo venezuelano doara cerca de US $ 300 milhões dólares para as FARC, comprovando o quanto o ditadorzinho de bosta se intromete de forma indevida em assuntos internos dos demais países do continente. Aliás, o Brasil nem precisou esperar tanto tempo, já que as digitais de Chavez estejam visíveis na expropriação às usinas da Petrobrás roubadas pelo índio Morales, na Bolívia.

O noticiário de hoje demonstrar isto tudo ainda mais claramente. E o que governo brasileiro faz diante disto ? Não, o governo nosso não apóia a legalidade da Colômbia, ou a legitimidade que eles têm de combaterem os terroristas que assassinam, raptam, estupram, roubam pessoas, empresas e instituições colombianas. O governo de Lula apóia incondicionalmente os guerrilheiros, quando nosso ministro das Relações Exteriores exige que o presidente Uribe se desculpe por ter matado os bandidos que aterrorizavam o seu povo.

É de se estranhar a atitude de Lula, e Amorin ? Não, está dentro do script. Bandidos apóia bandido, e tanto como aqui se eles apóiam e legitimam bandoleiros da laia do MST, por que haveriam de se colocarem contra os bandoleiros com os quais se acumpliciam numa coisa chamada “Foro de São Paulo”, que reúne o que há de pior no continente ?

E quanto a Chavez, e o Equador apenas lhes segue os passos, e logo,logo a Bolívia também o fará, recebeu aquilo que ele vem rezando para acontecer faz tempo: um motivo para por seu exército reequipado a serviço da sua idiotia. E mesmo que os demais países do continente lhe queiram sorrir interessados na sua “generosa” contribuição financeira, é de se esperar que pelo menos tenham o juízo de atuarem como bombeiros e não como incendiários, e que não se venha exigir da Colômbia retratação pública como pediu o Celso Amorin.

E que todos saibam que o que menos interessa ao bem geral do continente é darem asas aos anseios belicosos deste imbecil do Chavez. Uma guerra talvez sirva aos propósitos deste cretino, mas o preço a pagar será alto demais para que os demais países consintam que ela aconteça.

E não se pense que esta porcaria toda não chegará ao Brasil. Vale lembrar que o governo Lula é “amigão” dos bandoleiros, é aliado e cúmplice de Chavez, Moralez e Rafael Correa. Celso Amorin acha que a Colômbia deve desculpar-se, seja na Venezuela, Bolívia e até Equador a nossa Petrobrás tem sido roubada escandalosamente sob o beneplácito deste nosso desgoverno. E o Paraguai ameaça seguir na mesma trilha vagabunda, só que desta vez a ameaça que paira é sobre Itaipu e não a Petrobrás. Sem falar nas presepadas que o governo argentino nos tem aprontado. É preciso deixar claro que esta aparente posição genuflexa do governo brasileira perante os “muy amigos” se dá não por submissão, mas por cumplicidade. Todos são cretinos da mesma cepa, embalados na mesma podridão lamacenta dos imbecis tiranossauros que insistem em empurrar o continente para o atraso, escuridão e ignorância. E dado que as “táticas” empregadas no Brasil buscam atingir os mesmos objetivos, basta observar o bate-boca de Lula como o Ministro Marco Aurélio do STF na semana passada, seria bom que mais gente decente deste país levantasse sua voz de protesto.

Até quando se vai silenciar sobre a Internacional do Terror na América Latina? Leiam o que dizia o terrorista pançudo

Blog Reinaldo Azevedo

Como noticiei no começo desta madrugada, o governo colombiano tem evidências de que a corja bolivariana de Rafael Correa, presidente do Equador, negocia com as Farc. Sim, o continente continuará a ignorar o óbvio e o que está aos olhos de toda gente: os movimentos de esquerda da América Latina — no caso da Colômbia, misturados ao narcoterrorismo — têm uma central para definir suas estratégias: o Foro de São Paulo.

As esquerdas, como sempre, conseguiram submeter a verdade ao ridículo, transformando-a numa espécie de delírio conspiratório. “Ah, quem fala do Foro no Brasil?” E logo respondem: “Ah, o Olavo de Carvalho, o Reinaldo, esses malucos”.É mesmo? Lula já discursou no Foro e saudou os governos alinhados com seus princípios. O vídeo feito para o 3º Congresso do PT no ano passado mostra os países caindo sob o domínio do foro, uma espécie de Teoria do Dominó. Em 2003, o narcoterrorista morto pelas forças democráticas da Colômbia concedeu uma entrevista a Fabiano Maisonnave, da Folha. Leia trecho. Volto depois:

(...)Folha - Vocês têm buscado contato com o governo Lula?

Reyes - Estamos tentando estabelecer -ou restabelecer- as mesmas relações que tínhamos antes, quando ele era apenas o candidato do PT à Presidência.

Folha - O sr. conheceu Lula?

Reyes - Sim, não me recordo exatamente em que ano, foi em San Salvador, em um dos Foros de São Paulo.

Folha - Houve uma conversa?

Reyes - Sim, ficamos encarregados de presidir o encontro. Desde então, nos encontramos em locais diferentes e mantivemos contato até recentemente. Quando ele se tornou presidente, não pudemos mais falar com ele.

Folha - Qual foi a última vez que o sr. falou com ele?

Reyes - Não me lembro exatamente. Faz uns três anos.

Folha - Fora do governo, quais são os contatos das Farc no Brasil?

Reyes - As Farc têm contatos não apenas no Brasil com distintas forças políticas e governos, partidos e movimentos sociais. Na época do presidente [Fernando Henrique] Cardoso, tínhamos uma delegação no Brasil.

Folha - O sr. pode nomear as mais importantes?

Reyes - Bem, o PT, e, claro, dentro do PT há uma quantidade de forças; os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalistas...

Folha - Quais intelectuais?

Reyes - [O sociólogo] Emir Sader, frei Betto [assessor especial de Lula] e muitos outros.
(...)

Folha - Qual é a relação entre as Farc e os traficantes que compram droga dos camponeses?

Reyes - As Farc cobram imposto desses comerciantes, que compram dos camponeses. Não apenas dos que vendem coca, mas também dos que produzem grandes quantidades de soja, arroz, milho. Não se cobra dos camponeses, mas dos comerciantes.
(...)

Íntegra da entrevista aqui

Voltei
Como? Não me digam que os humanistas Frei Betto e Emir Sader eram amigos da canalha terrorista!!! Estou tão surpreso! O dito “religioso” não quer apenas o bem da humanidade segundo os princípios cristãos? O que ele faz falando com gente que seqüestra, tortura e mata? E os Emirados Sáderes? O nascoterror virou um atalho para o socialismo?

Chegou a hora de expor às claras essa coordenação continental entre as esquerdas da América Latina, que, vejam só!, podem ir do mercadismo, como a brasileira, ao terrorismo, como as Farc. Um mesmo ente as reúne. É por isso que o presidente Álvaro Uribe, que preside o país que é a verdadeira vítima desse processo, está sendo levado a se explicar. Por quê? Será porque caçou um terrorista que passava seus dias, a exemplo de seus companheiros, planejando seqüestros e assassinatos?

Vejam a posição do Itamaraty: é, para dizer pouco, pusilânime. E, por pusilânime, é, então, favorável ao terror. O governo brasileiro não disse, até agora, o óbvio: as Farc são um grupo terrorista. E não disse, entre outras razões, porque o partido do presidente divide com a organização a mesa do Foro de São Paulo. Mais do que isso: Lula é o pai da criança, junto com Fidel Castro. A mãe é a impostura esquerdopata.

Como a esquerda ficou oca

Alexandre Barros (*)

Imaginem como a esquerda vai viver agoniada com uma China capitalista na qual Mao Tsé-tung se limita a enfeitar as notas de 20 yuans. A China tem mais milionários e mais bilionários que o Brasil.

Adeus às longas reuniões para discutir qual das linhas é mais válida: a chinesa, mais radical, ou a russa, que queria tomar o poder pela burguesia nacional. Os comunistas da linha chinesa e da linha russa viviam às turras para ver quem mais legitimamente representava o interesse dos oprimidos. Quem saiu do socialismo quer mesmo é melhorar de vida e consumir, tanto na Rússia, e em seus antigos satélites, quanto na China.

A China gera lucros, prazeres e empregos no Brasil, importando e exportando todo o tipo de coisas. Tem US$ 1 trilhão em reservas internacionais, obtido por meio de vendas capitalistas para países capitalistas. A cada ano alguns milhões de chineses entram no mercado consumidor.

Fidel é carta fora do baralho. Ainda vivo, mas fora do poder, não tem mais saúde para viajar e não despertará o fascínio que, confesso, nunca entendi, em suas visitas internacionais e em sua arenga.

A esquerda adorava a capacidade que Fidel tinha de entreter as massas com discursos de cinco horas. Achava isso fascinante. Passou despercebido um livro de um economista sueco sobre a economia do uso do tempo (Staffan Burenstam Linder, The Harried Leisure Class, NY: Columbia University Press: NY, 1970), no qual ele dá a resposta com muita simplicidade: isso só era possível porque não havia nenhuma alternativa em Cuba. Ninguém tinha mais nada para fazer em Cuba. Entre não fazer nada e ouvir Fidel, ouviam Fidel. Tenho dúvida se, de barriga vazia, gostavam do que ouviam.

Já pensaram: um presidente do Brasil falando por cinco horas na televisão? Ninguém iria assistir, porque o povo tem mais o que fazer.

O sistema de saúde era fantástico, até que alguém perguntou: como a saúde pode ser excelente num lugar em que as pessoas não têm o que comer? A esquerda perdeu a chance de ser politicamente correta dizendo que, em Cuba, não havia obesos...

Li, em algum jornal, que a última vitória de Fidel foi ter colocado o embargo cubano como tema central na eleição americana. Ora, esse argumento só se sustenta quando as pessoas ignoram que o dinamismo do capitalismo o leva rapidamente para onde está o lucro. Com Fidel fora, Cuba será um paraíso de lucros. Os capitalistas já estão cuidando disso. E os cubanos, certamente, viverão muito melhor.

Revolucionários voltavam de Cuba dizendo que o país era maravilhoso. Deliravam com a pobreza, a miséria, as casas e os carros caindo aos pedaços. Chamavam de beleza do socialismo. Quando questionados sobre os problemas, admitiam que, realmente, la revolución tinha uns probleminhas.

Poucos direitistas iam a Cuba, mas, mesmo os esquerdistas, depois de meia hora de elogios, se diziam chocados com um probleminha: a extensão da prostituição. Alguém inventou a anedota sobre a suposta genialidade retórica de Fidel. Quando confrontado com alguém que lhe disse: ''''Mas, comandante, em Cuba as universitárias são obrigadas a prostituir-se.'''' Fidel teria respondido: ''''Mentira capitalista! No és que las universitarias tienem que ser prostitutas. La verdad és que en Cuba las prostitutas van a la Universidad.''''

Felizmente não teremos de conviver mais com agentes do Dops convocando na época um jovem professor da Universidade de Brasília (UnB) de quem haviam apreendido um livro que ele recebera pelo correio chamado Cuba: est il socialiste? Comparecendo ao Dops expliquei que o livro criticava o regime cubano e dizia que ele não passava de um autoritarismo barato. Cuba de socialista não tinha nada. O policial fez-me uma concessão. Disse que, como eu era professor da Universidade de Brasília, eu precisava saber das coisas. Ele ia liberar os livros. Ao outro livro nem prestou atenção, sorte minha. Chamava-se Manuel de Cryptographie.

Mudaram o Brasil e Cuba. Ainda bem.

Duros tempos em que Cuba chamava mais atenção da polícia do que a ciência de escrever em códigos. Mas também, naquele tempo, sem cartões corporativos, o açúcar da UnB era menos doce e o lixo era menos sujo.

E agora que não poderão mais pichar muros com as sete letras fatídicas: ''''Fora FMI!'''' O FMI hoje é um ator em busca de um papel. Aposentam-se os funcionários que têm tempo suficiente e enxugam os quadros porque o FMI não tem mais clientes. Os países que mais tomavam emprestado do FMI aprenderam as lições do próprio Fundo. Não gastar mais do que ganham, realisticamente.Acho que o FMI é um caso único de burocracia autodestrutiva: acabou com os problemas que o mantinham vivo e hoje batalha para encontrar um novo papel.

O prato final da esquerda também se esvaziou. Acabou a dívida externa, temperada com as perdas internacionais.

Que horror vai ser a vida daqui para adiante.

Nixon estava certo quando disse que o caso Watergate consumiu muitas toneladas de papel na década de 1970, nos anos 80 talvez rendesse uns livros, nos 90, alguns artigos e nos anos 2000 seria apenas algumas notas de rodapé.

Destino parecido terão os quatro temas prediletos da esquerda: o comunismo virou o capitalismo mais dinâmico do mundo nos anos 2000.

Fidel não é mito. Caminha para virar nota de rodapé.

O FMI batalha para sobreviver. Os países sensatamente, seguiram a receita, pararam de dar lucros ao Fundo e, controlando a inflação, melhoraram a vida de seu pobres.

Para a esquerda, 1968 foi o ano do protesto. 2008 é o do desalento. Pela primeira vez a esquerda não tem mais nada para celebrar com sua crítica.

Em tempo: nunca fui a Cuba, achava perda de tempo. Daqui a algum tempo, talvez vá.

(*) Alexandre Barros, cientista político, é pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação do Centro Universitário Unieuro (Brasília)

A perversidade das Farc

Estadão

A cena foi transmitida pela emissora estatal venezuelana Telesur, a única autorizada a documentar a entrega de quatro reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a representantes do governo de Caracas e da Cruz Vermelha, em um ponto da Amazônia colombiana apropriadamente chamado El Retorno. A única mulher do grupo de libertados depois de mais de seis anos de captura, a ex-senadora Gloria Polanco, recebe flores de uma guerrilheira, agradece e diz o que vai fazer com elas: "Vou depositar no túmulo de meu marido, os quatro ramos, um de cada um dos meus filhos e o outro meu." Poucas imagens - e palavras - poderiam ser mais lancinantes do que essa na crônica de horrores protagonizada pela organização narcoterrorista que mantém em cativeiro centenas de pessoas, algumas há um decênio.

A história da ex-senadora, afinal, é uma ilustração insuperavelmente fiel da desumanidade desse exército de delinqüentes "revolucionários". Em julho de 2001, Gloria foi seqüestrada com dois dos seus três filhos, então com 15 e 17 anos, por um bando que invadiu o prédio em que moravam na cidade de Neiva, no sul da Colômbia. Sete meses depois, ela foi separada dos jovens e incluída no infame rol de "reféns políticos", hoje na casa de 40, que as Farc querem trocar por 500 dos seus que se encontram presos. À época, mesmo ausente, ela foi eleita para o Congresso pelo Partido Conservador - com a maior votação daquele pleito. O seu marido e correligionário, ex-deputado e ex-governador, Jaime Lozada, conseguiu comprar a libertação dos filhos, pagando o resgate em parcelas. Eles recuperaram a liberdade em julho de 2004. Um ano e meio depois, num ataque a tiros e explosivos, Lozada foi assassinado - aparentemente, por ter atrasado uma prestação.

A promessa da viúva de levar a seu túmulo as flores do mal - literalmente - exprime tudo o que pode separar a decência humana da criminalidade hedionda dos terroristas que, embora na defensiva hoje em dia, continuam na sua faina assassina que atormenta o povo colombiano. Para libertar outros reféns, as Farc ainda se dão ao escárnio de exigir, além da soltura de 500 guerrilheiros, que o presidente Álvaro Uribe decrete a desmilitarização, por 45 dias, das áreas onde se situam os municípios de Pradera e Florida e onde se daria o escambo. Naturalmente, tratando-se de uma região próxima de Cali, a terceira maior cidade do país, seria uma temeridade o governo de Bogotá aceitar a imposição dos bandidos. Blefando ou não, as Farc anunciaram o fim abrupto das "liberações unilaterais" iniciadas em janeiro com a entrega de uma ex-senadora e de uma auxiliar de sua mais conhecida vítima, Ingrid Betancourt.

Seqüestrada em fevereiro de 2002, quando candidata à presidência da Colômbia, a então senadora, agora a única mulher refém dos facínoras, tem sido especialmente maltratada por eles. Um dos quatro libertados anteontem, o também ex-senador Luis Eladio Pérez - que contou em detalhes revoltantes as agruras a que eram todos submetidos -, descreveu Ingrid, com quem esteve no começo do mês, como "fisicamente esgotada" e correndo risco de vida. Pérez relatou que ela é mantida "em condições infra-humanas". Em Caracas, para onde os ex-cativos foram finalmente conduzidos, no papel de coadjuvantes involuntários do show do bom amigo das Farc, Hugo Chávez, Gloria Polanco reiterou que o estado de Ingrid é desesperador. Nem assim, o caudilho se dispôs a demandar a sua soltura.

Numa apoteose de cinismo, dirigiu-se diretamente ao chefão da narcoguerrilha, Manuel Marulanda, a quem pediu que transferisse a prisioneira para "um comando" mais próximo dele, "enquanto continuamos abrindo o caminho para a sua liberação definitiva" - como se os padecimentos a ela infligidos não tivessem sido determinados pelo mesmo Marulanda, qualquer que fosse o pedaço de inferno que fosse obrigada a habitar. Chávez ainda se gabou de estar fazendo "tudo o que pudermos para liberar até o último dos seqüestrados" - como se as Farc estivessem propensas, apenas para enaltecer perante o mundo a figura do caudilho aliado, a renunciar ao seu poder de barganha. O que a quadrilha do narcotráfico pretende é ser reconhecida como força beligerante legítima.

Chávez teria dado US$ 300 milhões às Farc

Terra Magazine

As Forças Armadas Revolucionárias da Colombia (Farc) e o governo venezuelano teriam uma "aliança em termos armados", que diria respeito à troca de armas e dinheiro, assim como um apoio permanente em caso de "invasão" dos Estados Unidos, indica documento encontrado em computador do líder guerrilheiro Raúl Reyes.

Segundo Oscar Naranjo, diretor da Polícia Nacional da Colômbia, entre os documentos encontrados chama a atenção uma carta do chefe máximo Manuel Marulanda, conhecido como Tirofijo, ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, na qual se manifesta que as Farc estarão "atentas em caso de invasão gringa (sic) para ajudar a Revolução Bolivariana da Venezuela".

Outros arquivos recuperados no computador de Reyes, indica-se um financiamento de 300 milhões de dólares que Ramón Rodriguez Chacín, ministro do Interior e Justiça da Venezuela, haveria entregue às Farc, através de Ivan Márquez, um dos cabeças do grupo guerrilheiro. Além disso, haveria um agradecimento do governo venezuelano pela "doação" de 100 milhões de pesos (cerca de 50 mil dólares) recebidos pelas Farc enquanto Hugo Chávez estava preso, pelo qual o governo se comprometia a dar, em compensação, fuzis que ainda funcionavam.

Entre os outros documentos encontrados até agira pelas autoridades, também chegou-se à informação que trata do envio de cocaína para o México, a compra de 50 kg de urânio com fim indeterminado. O computador também contém fotografias que compõem um registro histórico das pessoas que visitaram o acampamento de Raúl Reyes e fazem um inventário bélico das Farc.

"Minha conversa com Raúl Reyes"

Jacques Gomes Filho, Terra Magazine

"Camarada, este é o Henrique". Assim fui apresentado a Raúl Reyes, dois dias antes de ele dar a última entrevista para uma rede de televisão - o SBT. Conheci o número dois das Farc em novembro de 2007. Ele me cumprimentou à frente da cabana em que vivia, num acampamento bem próximo à região fronteiriça ao Equador, na qual foi morto na madrugada de sábado. Meu nome não é Henrique - o disfarce foi exigência da guerrilha. O dele, tampouco era Raúl Reyes. O homem morto chamava-se Luis Edgar Devia, tinha 59 anos e três filhos que não viviam ali. Para os membros da organização era apenas o "camarada" Raúl. "Traga um tito para o jornalista", ordenou a uma jovem, enquanto me convidava a entrar.

Sentamos à mesa cheia de livros e um computador portátil - além do inseparável fuzil M16. Uma cama grande - a única com colchão no acampamento - dominava mais da metade do espaço coberto pela lona. O porta-voz das Farc tinha privilégios naquela sociedade dita "igualitária". Comia sozinho, por medo de envenenamento. Os acampamentos, explicou ele, são uma espécie de laboratório do que será o país quando a guerrilha tomar o poder. O "tito", um café aguado e doce, chegou quente, servido com uma porção de "patacones" - feitos de banana amassada e frita. Uma especialidade colombiana que encantava o comandante.

Toda a atenção com que me recebeu em sua "caleta", por vezes, me fez esquecer que estava na selva, em plena área de conflito armado. Quatro meses mais tarde, a notícia de sua morte num bombardeio aéreo iria relativizar toda aquela segurança que senti. Mas naquele momento - e ao lado de Raúl Reyes - custava a crer que algo ruim poderia me acontecer. Ele também parecia muito seguro na selva. Talvez por ter passado ali mais da metade de sua vida. Foram 30 anos de militância nas Farc. Era considerado um líder moderado dentro e fora da organização. E agia como tal. De fala tranqüila e sempre preciso nas palavras, não levantou o tom da voz sequer uma vez durante minha estadia de quatro dias no acampamento.

Raúl Reyes parecia haver entendido as distensões do tempo naquele lugar. Durante o primeiro encontro, queria falar de amenidades, não de política nem de guerra: o clima em Buenos Aires (cidade onde vivo), a viagem até ali, os mosquitos, o gosto rico dos "patacones". Na entrevista prometida para o dia seguinte falaria de tudo, mas não naquela hora. Ele organizava a agenda pela manhã e passava quase que todo o tempo lendo e escrevendo em seu computador. Esse computador agora é peça central na crise, pois está revelando conversas de Reyes com membros do alto-comando do governo equatoriano, entre eles o ministro da Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea.

Reyes postergou a entrevista enquanto não chegassem os uniformes dos combatentes. Fui proibido de filmar os guerrilheiros e o acampamento antes disso. Reyes também gostava de mostrar-se sempre impecável em sua farda militar, ciente das repercussões que a imagem do grupo tinha mundo afora.

A angústia de não poder gravar o que via aumentava com o tempo. Na tarde do segundo dia, arrisquei fazer algumas imagens de Raúl Reyes em seu despacho, enquanto trabalhava algum texto - o que até então não me havia sido proibido. A permissão para filmá-lo veio na forma de um sorriso tímido, que logo deu espaço à concentração. Depois, finalmente me autorizou gravar o acampamento. Mas com dedo em riste, o comandante me advertiu: "Não faça armadilhas. Não gosto de ser enganado".

Durante a entrevista, Raúl Reyes não se negou a responder nenhuma pergunta. Nem mesmo àquelas mais comprometedoras em relação à ligação das Farc com o narcotráfico - todas negadas com veemência. O comandante do Bloco Sul da organização morreu, pelo que se relata, na fronteira do Equador. Mas não assumiu que os guerrilheiros fizessem ações fora da fronteira da Colômbia. "É diferente de cruzarem a fronteira por emergência para chegar mais fácil a outro lugar". Reyes tinha esperança de conseguir um acordo político e humanitário com o governo. Mas não estava certo de que isso iria acontecer. "Uribe é obcecado pela guerra", repetiu ele algumas vezes.

Na manhã em que nos despedimos, Raúl Reyes me convidou mais uma vez para o café - o que entendi como uma aprovação de meu comportamento. Ele me perguntou se estava satisfeito com a entrevista e a experiência no acampamento. Se despediu com um aperto de mão. Um a um, os quase 50 guerrilheiros com quem compartilhei aqueles dias foram se aproximando. Lembro do rosto e do "nome de guerra" de parte deles. Todos que viviam naquele acampamento faziam parte da guarda pessoal de Raúl Reyes e foram alvos da mesma emboscada que deixou 18 mortos no total. É estranho imaginar que o ataque fatal pode ter acontecido naquele mesmo lugar do qual me despedia há quatro meses. O que me faz pensar que a guerra é uma realidade bem mais próxima do que se imagina.

Chávez adverte contra ação anti-Farc na Venezuela

BBC Brasil

Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, criticaram a operação militar colombiana que resultou na morte de um dos líderes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e que ocorreu, como foi revelado depois, do lado equatoriano da fronteira.

O porta-voz das Farc, Raúl Reyes, considerado o número 2 da guerrilha, morreu ao lado de ao menos outros 16 guerrilheiros após o Exército colombiano bombardear uma área onde eles se encontravam.

O Equador protestou contra a incursão colombiana e convocou de volta a Quito o seu embaixador em Bogotá. Chávez, por sua vez, advertiu a Colômbia de que uma operação semelhante contra as Farc dentro da Venezuela poderia provocar uma guerra entre os países.

"Não pense em fazer isso aqui, porque isso poderia ser sério, poderia ser razão para uma guerra", advertiu Chávez durante uma reunião de gabinete transmitida pela TV no sábado.

Chávez tem negociado com as Farc a libertação de reféns mantidos pela guerrilha. Desde o início do ano, seis reféns importantes já foram libertados, entre os mais de 40 que a guerrilha considera passíveis de uma troca por guerrilheiros presos com o governo colombiano.

Esclarecimentos
O presidente do Equador, Rafael Correa, disse inicialmente que queria esclarecimentos sobre a ação militar colombiana, sobre a qual foi informado em um telefonema pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

O mandatário colombiano agradeceu ao Equador por sua "cooperação" e disse que "o terrorismo não respeita fronteiras". Posteriormente, Correa disse que o Equador enviará uma nota diplomática de protesto sobre "as ações escandalosas que são uma agressão ao nosso território".

"O presidente colombiano ou estava mal informado ou mentiu audaciosamente ao presidente do Equador", disse Correa.

"Maior golpe"
A morte de Raúl Reyes foi classificada pelo ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, como "o maior golpe até hoje contra as Farc". Reyes foi morto em um ataque aéreo seguido de uma operação por terra, segundo Santos.

Os guerrilheiros estavam em um acampamento a cerca de 1,8 quilômetro da fronteira com a Colômbia, dentro do território equatoriano, quando ocorreu a ação, disse o ministro.

Reyes, 59 anos, é o primeiro dos sete membros do secretariado das Farc a ser morto em combate nos 44 anos de história do grupo. Segundo o correspondente da BBC na Colômbia Jeremy McDermott, a morte de uma figura tão importante da guerrilha significa que a aura de invencibilidade do grupo evaporou.

A derrota militar das Farc tem sido um dos objetivos do governo de Uribe desde que ele chegou à Presidência em seu primeiro mandato, em 2002.

Hugo Chávez fecha embaixada e mobiliza tropas

AFP

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou hoje o fechamento da embaixada da Venezuela na Colômbia e a mobilização de "10 batalhões" militares na fronteira entre os dois países.

Chávez reagiu assim às circunstâncias do "covarde assassinato" do porta-voz internacional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes.

Chávez também chamou seu colega colombiano, Álvaro Uribe, de "criminoso, mafioso e paramilitar", e acusou-o de dirigir um "narcogoverno".

A pedido de uma participante do seu programa de rádio e televisão "Alô, presidente!", o chefe de estado venezuelano ofereceu um minuto de silêncio a Raúl Reyes, o porta-voz internacional das Farc morto ontem naquilo a que Chávez se referiu como um "covarde assassinato".

Tapete vermelho para invasores

Editorial Estadão

Reza o Código Civil Brasileiro: "Artigo 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.

Parágrafo 1º: O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção ,ou restituição da posse." (Grifo nosso).

O juiz substituto de Piranhas (AL), John Silas da Silva, expediu na quinta-feira mandados de busca e apreensão e autorizou a Polícia Civil a fazer uma devassa em fazendas e em acampamentos e assentamentos de sem-terra à procura de armas na região.

Essa decisão foi tomada depois do conflito de quarta-feira, que deixara oito sem-terra feridos. Centenas de pessoas ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST) haviam tentado invadir a Fazenda Lagoa Comprida e foram recebidas a tiros, disparados por pessoas a serviço do proprietário da fazenda, Jorge Fortes Gonçalves - que foi preso e levado à Delegacia Regional de Delmiro Gouveia. "O confronto acirrou os ânimos entre fazendeiros e sem-terra", disse o magistrado, ao justificar os mandados de busca e apreensão, afiançando: "Não podemos permitir que pessoas armadas estejam a serviço de fazendeiros para intimidar, ameaçar e atirar contra trabalhadores sem-terra. As invasões de fazenda precisam ser tratadas no âmbito da Justiça e da Polícia Militar, que tem o Centro de Gerenciamento de Crise para resolver pacificamente esse tipo de conflito."

Muito bem. É claro que em qualquer conflito entre partes é dever do poder público desarmá-las, para impedir o exercício da violência. Entendamos, porém, que armas não são apenas as "de fogo". Centenas de pessoas que invadem uma propriedade portando foices e facões, como fazem as pessoas sob o comando do MST, estão ou não "armadas"? Conforme as circunstâncias, estes instrumentos de trabalho não podem se tornar "armas", com todo o potencial de ameaça, intimidação e agressão física que representam, especialmente se brandidas por numeroso grupo de invasores? E, em face dessa ameaça e desse potencial agressivo, em que medida os "atos de defesa" de um legítimo proprietário se restringem à manutenção "de sua posse"? Só poderá ele - e sozinho - "armar-se", por exemplo, de foice e facão para defender-se de centenas de pessoas que invadem a sua casa com as mesmas "armas"?

Consideremos agora o seguinte: em qualquer propriedade urbana é permitido o uso de pessoas empregadas no serviço de segurança - contra invasões ou assaltos -, inclusive, quando autorizadas legalmente, portando armas de fogo. Por que deve ser diferente em se tratando de propriedade rural? Terá o dono da fazenda menos direito de defender o que lhe pertence? Se uma residência ou uma empresa é invadida ou assaltada na cidade, é hábito a Justiça mandar fazer uma investigação para saber se a vítima possui algum tipo de arma? Ou será que o parágrafo 1º do artigo 1.210 do Código Civil Brasileiro não tem vigência alguma no campo, mas apenas nas cidades? Pois não resta dúvida de que o trabalho de segurança, contratado pelos proprietários urbanos, pode constituir uma "intimidação", uma "ameaça" e até uma ação concreta (um tiro) contra eventuais invasores.

Em reação à resistência daquele fazendeiro - que empregou armas na defesa de sua propriedade, com a evidente intenção de intimidar (não houve nenhum ferimento grave) -, os integrantes do MST bloquearam vários trechos de rodovias estaduais e federais, começando pela AL-101/Sul, na altura de Piranhas. Mas agora, com a medida de "desarmamento geral" ordenada pelo magistrado, não têm mais os emessetistas com que se preocupar. É como se lhes tivesse sido estendido um tapete vermelho para suas invasões e ocupações.Agora, por sobre as causas, motivações ou circunstâncias em que grupos de sem-terra invadem e ocupam fazendas produtivas, em qualquer parte do território nacional, fica apenas a velha e simples pergunta da sociedade: e o direito de propriedade, neste país, ainda existe?