Adelson Elias Vasconcellos
Rebatendo a afirmação feita por Aécio Neves, de que o governo estava pretendendo criar a “futebrás”, a partir da declaração do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, de que o governo deveria intervir no futebol, a senhora Rousseff resolveu replicar com uma afirmação tosca. Disse a presidente: “O governo não quer comandar o futebol, pois ele não pode, nem deve ser estatal. Queremos ajudar a modernizá-lo. Contem conosco para isso". De certa forma, a afirmação do senhor Rebelo nós a comentamos aqui, era um absurdo, e a tal ponto a ideia era absurda que o próprio ministro voltou atrás convencendo-se da sua impossibilidade legal.
O que chama a atenção não é nem a resposta desaforada e descabida da senhora Rousseff à declaração de Aécio Neves, já que esta senhora é dada a tais rompantes – seus auxiliares diretos que o digam-, mas o seu despropósito.
Na semana que se encerra, vieram a público dois indicadores a comprovarem o quanto o governo da senhora presidente é competente para modernizar alguma coisa. De um lado, a queda na produção industrial, fato que se repete desde 2011. E, ainda na atividade industrial, a queda anual no emprego. Se este governo não consegue tirar a indústria da estagnação que se encontra há algum tempo, que competência teria ele para modernizar o futebol?
Olha-se para o lado da indústria do etanol por exemplo. Fruto do represamento de preços dos combustíveis, a indústria do etanol brasileiro está a beira da bancarrota, isto após anos de incentivos e bilionários investimentos. Olhe-se para a situação da Petrobrás e a sua fantástica perda de valor de mercado. Ou a Eletrobrás que precisou compor um plano de demissão voluntária para dispensar cerca de 4.000 funcionários de carreira dada a situação miserável que ficou após a intervenção catastrófica feita pela senhora Rousseff no setor elétrico. E esta senhora se arvora com autoridade e competência para propor modernizar o futebol?
Olhe-se para o caos dos serviços públicos que, em junho de 2013, levou mais de um milhão de pessoas às ruas do país para protestar. Pessoas que foram varridas e expulsas pela ação comprada pelo próprio governo junto aos extremistas de esquerda. O que se dizer da educação, senhora Rousseff? Que avanços o país experimentou nesta última década? O analfabetismo adulto aumentou, a evasão escolar permaneceu nos mesmos níveis assustadores de sempre, e 38% dos estudantes universitários são analfabetos funcionais.
E o PIB, senhora Rousseff, que poderia representar o avanço e a modernização do país, que resultados a senhora presidente tem para apresentar? O terceiro pior da história republicana! E esta senhora se acha em condições de intervir no futebol para modernizá-lo?
Valendo-se de um oportunismo político indecente, enquanto a seleção venceu e avançou, esta senhora chegou ao desplante de qualificar seu governo de “Padrão Felipão”, além de posar com “tois” nas redes sociais. Após a hecatombe com a Alemanha, rapidamente mandou retirar o time de campo para se desligar do desastre.
Falta à senhora Rousseff , além de competência, um pouco de senso de ridículo e senso de oportunidade. O momento requer um pouco de recato de nossas autoridades, sejam elas políticas ou esportivas. Entre dizer bobagens e ficar quieto, o silêncio é o melhor conselheiro. E, especificamente, em relação à Copa do Mundo, o fato é que este governo não entregou o projeto prometido. Pelo contrário. Da previsão inicial, apenas 30% foi concluído. Cerca de 20% foi simplesmente abandonado e posto de lado. O resto ficará por aí, se arrastando ao longo dos anos, sem meta de chegada e sem a menor ideia do custo final.
Mas a senhora Rousseff parece não saber o real significado da prudência. Hoje, novamente, voltou a acusar a torcida que a vaiou no Itaquerão, na abertura da Copa do Mundo, de serem 90% constituído pela elite branca. Que fossem, mas e daí? O fato de ser elite, por acaso, os desautoriza de criticarem a governanta de plantão? Ou será que o dinheiro com que eles pagam impostos, impostos que pagam a corte luxuosa de que se cerca a senhora Rousseff, tem menos valor que a do assalariado? Ou ser elite, acaso, tornou-se sinônimo de vagabundos, iguais aos milhares de assessores inúteis, nomeados de favor e que lotam o Planalto e incham a folha de pagamento?
Que sejam elite, que sejam brancos, isto os torna menos brasileiros do que os demais? Muitos dos que ali estavam, senhora Rousseff, são brasileiros honestos, de boas famílias, gente que trabalha e estuda para não precisar depender do Estado que, por sinal, retorna muito pouco do muito que recebe da sociedade. É elite, se é que são, porque se esforçaram muito para ser o que são. Ninguém chegou ali de favor, ninguém roubou de ninguém para estar ali prestigiando a seleção nacional. É tão povo quanto todos aqueles que ficaram em casa assistindo pela tevê. E, por ser povo também, merecem melhor respeito por parte da presidente da nação. Que alguns se comportem feito moleques não dá direito à senhora Rousseff a se comportar pior ainda.
É fácil abrir a boca para destilar desaforos aos críticos. É fácil sair por aí posando de grande gestora. Mas melhor, e mais prudente, seria ter um pingo de autocrítica. Como já afirmei certa vez, esta senhora não tem autoridade moral para dar lições a quem quer que seja, quanto mais em uma atividade como futebol, cujo conhecimento único é saber, talvez, que a bola é redonda... Primeiro, presidente, faça algo melhor, isto é, faça o seu dever de casa que é tirar o país da estagnação que o seu governo colocou..
NOTA: Os artigos e informações publicados nesta edição era para terem sido postado no domingo. Porém, a Claro Net nos premiou com a gentileza de nos deixar sem conexão no domingo e nesta segunda feira. Mas dada a atualidade do material selecionado, mesmo com atraso e pelo qual pedimos desculpas aos nossos leitores, estamos publicando os mesmos artigos e informações.