terça-feira, julho 15, 2014

Marketing político tolo

Adelson Elias Vasconcellos

Desde sempre, a Copa do Mundo para o governo petista foi um desejo não de mostrar o Brasil ao mundo, não  de atrair mais turistas para nos visitarem em suas viagens. Não, o desejo único deles era de capitalizar politicamente o evento. Se antes do inicio dos jogos, não havia espaço para papo furado, dada as obras que ficaram pelo caminho, e se durante e, enquanto o Brasil avançou houve uma espécie de prenúncio para o uso político descarado, mas abandonado diante do fracasso diante da Alemanha, nesta segundo feira, a senhora Rousseff teve o desplante de reunir 16 ministros de estado para conceder uma entrevista .coletiva e tentar comprar a simpatia da torcida.  Não tiveram sequer a decência de deixar esfriar a frustração pelas duas derrotas vergonhosas, Alemanha e Holanda, para vender suas mistificações. Claro que a imprensa chapa branca, bancada com a verba publicitária federal e das estatais, vai aumentar em mil vezes os tais “feitos”.

Então, vamos lá. É mentira que sequer 50% do projeto inicial foi concluído? É mentira que mais de 40% das obras iniciadas, não foram concluídas? É mentira que os gastos TOTAIS se aproximam dos R$ 40 bilhões? É mentira que a maioria das cidades que sediaram jogos,  decretaram feriado ou ponto facultativo durante os jogos? É mentira que as escolas anteciparam férias escolares em todo o país? É mentira que a maioria das fábricas decretou férias coletivas durante o evento?

Feriados, férias escolares e trabalhistas retiraram das ruas quantos milhões de pessoas, que deixaram de dirigir automóveis e  utilizar o transporte público? Somente com tais medidas  é que nossas deficiências de mobilidade urbana não transpareceram tanto. Mas negá-las é um absurdo. Quantos passageiros deixaram de assistir jogos para os quais haviam comprado ingressos, por falta de voos para seus deslocamentos?  

Os R$ 8 bilhões torrados nos estádios estão aí para serem pagos. E a pergunta permanece: que destino será dado os elefantes de Manaus, Natal, Cuiabá e Brasília? 

Também não vale negar os problemas havidos na maioria das cidades sedes com a conexão internet. 

Assim, a tal Copa das Copas periga transformar-se na mais deslavada das mentiras.  E o que dizer do sistema de segurança, será mantido nos mesmos níveis?  Outra coisa: é mentira desbragada dizer-se que recebemos mais de 1 milhão de turistas durante a Copa. Não passou de 700 mil e a grande maioria sequer provocou o tal efeito econômico que se projetava. A grande maioria dos sul-americanos, por exemplo, dormia nas praias, estações rodoviárias, pelas calçadas mesmo ou acampados . E se alimentavam de lanches rápidos. 

Dentro dos gramados, sim, houve organização e os jogos, em quase sua totalidade, foram emocionantes. Mas esta organização não foi fruto da ação do governo. 

A grande impressão positiva que os estrangeiros levaram daqui foi a grande simpatia e cordialidade do povo brasileiro. Mas esta é uma marca característica muito nossa de ser. A alegria nas arquibancadas ou a festa nas ruas, disse aqui antes mesmo do início da Copa, eram padrão de todas as Copas do Mundo. Trata-se de uma enorme comunhão de povos, todos juntos e misturados, muitos fantasiados, que transformam as arquibancadas dos estádios num enorme sambódromo. E, colhidas nas fontes que realmente interessam, a grande maioria das opiniões destacavam a cordialidade dos brasileiros e a improvisação.  

Nesta segunda feira o país vai retornar ao seu ritmo normal. E será a partir deste momento que o povo brasileiro poderá constatar que o tal legado é uma obra ainda em construção, apesar da Copa já haver terminado. Vamos perceber que,  os nossos  problemas de sempre, continuam iguais, que os serviços continuam tão pobres como sempre foram, que a tal mobilidade urbana não passa de uma quimera: mais parece imobilidade urbana do que um sistema racional de transportes e circulação de veéiculos.  E tudo isso com aquele gosto amargo do fiasco histórico diante da Alemanha, merecidamente campeã.

Negar isso tudo, é tentar enganar a torcida tanto quanto Felipão e Parreira fizeram em relação à seleção brasileira. 

Quanto a atacar a imprensa como Dilma e comitiva fizeram nada a estranhar. É bom lembrar que, não fossem as críticas da imprensa e a enorme pressão exercida pelos dirigentes da FIFA, pouco que foi entregue seria ainda menor, o que se converteria em vergonha nacional. Este autoelogio que governo tenta emplacar, nada mais é do que o desespero de um governo que sabe que entregou uma obra incompleta e imperfeita.  Menos mal que, durante a coletiva,  grande parte dos brasileiros tinha mais o que fazer como trabalhar (ou voltar ao trabalho), por exemplo. Criticar a crítica, como a senhora Dilma e seu comitê de pródigos incompetentes fizeram por mais de duas horas,  chega a ser bestial.

Além de se investigar os gastos realizados para a realização da Copa do mundo, seria interessante se o Ministério Público se debruçasse sobre um particular esquisito no escândalo dos ingressos. Muitos dos ingressos apreendidos entre os cambistas presos, eram ingresso sociais, que deveriam ter sido entregues pelo poder público aos beneficiários do bolsa família. É preciso conhecer o caminho que eles ingresso tomaram para aportarem em mãos de cambistas.

De resto, tanto a tal entrevista coletiva de Dilma e seus miquinhos amestrados, quanto aquela dada por toda a comissão técnica, 24 horas após a derrota para a Alemanha, são dois exemplos perfeitos de verdadeiros fiascos. Melhor seria se ambas não tivessem existido.  Esta gente, governo e a agora demitida comissão técnica,  não apenas são ridículos e patéticos. Mas perderam completamente o senso de realidade. 

A pérola canalha da tal coletiva foi a menção crítica feita ao tal movimento “Não vai ter copa”. Ora, quem eram os integrantes do tal movimento, senão a turma bagunceira chefiada, organizada e financiada pela extrema esquerda, portanto ligada ao PT, que tiveram entre suas conquistas a de varrer o povo das ruas nos protestos de um ano atrás?  Chega ser constrangedor um governo federal comportar-se de forma tão delinquente e politiqueira. Só para não esquecer: o próprio Gilberto Carvalho confessou que manteve reuniões com a turma do blac block. Onde, então, a presença da imprensa? Onde as vozes da oposição? Que gentinha mais sem escrúpulos, credo!!!!

Nesta semana daremos a devida resposta ás declarações do senhor Mercadante em relação às obras do tal “legado”.  Mais uma vez, falou sem pensar ou, se pensou, e ainda assim falou, demonstrou onde se esconde o seu caráter.