quarta-feira, junho 13, 2018

Mundo morto

J.R. Guzzo
Revista VEJA 

Precisamos falar um pouco sobre o regime militar no Brasil, porque em nosso país, ao contrário do que em geral acontece no resto do mundo, a história vai ficando mais incerta com o decorrer do tempo. É a velha tirada do ex-ministro Pedro Malan: o Brasil é um país tão difícil que aqui não dá para prever nem o passado. Apareceram na praça, pouco tempo atrás, mais informações sobre o período do “regime militar”, ou “ditadura militar”, conforme o lado da rua em que o cidadão está — e o tema, que periodicamente sai do túmulo, circula pelos meios de comunicação e volta a ser enterrado, ganha de novo seus quinze minutos de fama. Desta vez, fomos informados de que os generais que mandavam no governo, inclusive um presidente da República, seu sucessor e outros colossos das Forças Armadas, autorizaram a “execução sumária” de “opositores do regime”. A informação é de um documento da CIA, a agência de espionagem dos Estados Unidos, e não esclarece se os seus espiões ouviram, de vivo ouvido, a conversa em que os chefes militares decidiram dar essas ordens. Seja como for, as dúvidas não vêm mais ao caso. A “denúncia da CIA” morreu de inanição pouco depois de ter nascido — não chegou a impressionar os especialistas nem, menos ainda, a interessar os indiferentes ao assunto.

A curiosidade, nesse último episódio de viagem ao passado, não é a falta de um ponto de chegada. O esquisito é a repetição da tentativa de manter vivos um mundo e uma época que estão mortos — apesar dos resultados cada vez mais frouxos que se obtêm com esses esforços de ressurreição. Pretende-se estabelecer a “verdade” sobre o passado — chegaram a criar até uma “comissão nacional” para essa tarefa. A cada tentativa, naturalmente, não se estabeleceu verdade nenhuma. Como seria possível, se o centro da questão está em fatos que aconteceram há cinquenta anos? As responsabilidades teriam de ter sido apuradas lá atrás. Mas para isso seria indispensável que os militares tivessem perdido seu combate contra os grupos que queriam derrubá-¬los — só assim poderiam ter sido presos, julgados e condenados. (Ou “executados sumariamente”, talvez.) Acontece que os militares não perderam. Saíram do governo porque quiseram e foram em boa ordem para as suas casas, protegidos por uma lei de anistia legalmente aprovada. Não passou pela cabeça de ninguém, na hora, chamar o general Pedro ou o coronel Paulo para responder a inquérito nenhum. Caso encerrado, então. Punições desse tipo ou vêm imediatamente após o encerramento do conflito, ou não vêm nunca mais. Não dá para reabrir o Tribunal de Nuremberg ou os Processos de Tóquio. Não dá para descobrir a verdade sobre a Guerra dos Farrapos. Pode até dar — mas é inútil.

O que acaba acontecendo, na vida real, é que, a cada expedição arqueo¬lógica feita para descobrir a “verdade histórica”, o passado se torna mais obscuro, e não mais claro. Em vez de se saber mais, fica-se a saber menos. No caso do regime que vigorou de 31 de março de 1964 até 31 de dezembro de 1978, quando foi revogado o Ato Institucional nº 5, a passagem do tempo torna as coisas especialmente mais vagas para o brasileiro comum. O período é descrito pelos fiscais da história nacional como o mais negro de toda a existência do Brasil — os tais “anos de chumbo”, piores que qualquer desgraça que o país tenha vivido até hoje. Mas, a cada dia que passa, mais ralo vai ficando esse caldo. Hoje, só cidadãos que já estão com 72 anos de idade, ou mais, tinham chegado aos 18 e eram adultos em 1964. Todos os oficiais atualmente na ativa nas Forças Armadas eram crianças na época, ou nem tinham nascido. Dos que sobreviveram, muitos não acham que aqueles foram “anos de chumbo” — ou nem sequer se lembram de algum incômodo causado em seu dia a dia pelo “regime”. Mais de 60% da população atual do Brasil, ou acima de 125 milhões de pessoas, tem até 40 anos de idade. Nenhuma delas era viva quando o AI-5 foi revogado e as liberdades públicas e privadas foram restabelecidas. Por que essa gente toda iria achar que o governo militar é uma questão fundamental em sua vida? Não é. Não vai ser nunca.

Os chefes militares foram responsáveis por mortes, torturas e prisões ilegais. Claro que foram: o AI-5 não aboliu o Código Penal nem tornou legal o homicídio. Como cometer crimes sem autorização superior? Todos achavam, aliás, que estavam fazendo muito bem — na sua visão, havia simplesmente um inimigo a eliminar. Não vão mudar de ideia. Esperam, ao contrário, que o tempo traga cada vez mais gente para o seu lado.

Um governo sem rumo e sem autoridade

Rolf Kuntz, 
O Estado de S.Paulo

O presidente preferiu dialogar a assumir sua responsabilidade e jogou o Brasil no caos

Incompetência, fraqueza, ignorância e despreparo. Pode haver palavras mais duras, mas nenhuma expressão mais suave, para explicar os erros cometidos pelo governo, sob responsabilidade do presidente Michel Temer, em reação à crise no transporte rodoviário. É enorme a lista de barbaridades: piso para o frete, subsídio bilionário a transportadores, tentativa de regular preços nas bombas, fiscalização anacrônica, desordem no Orçamento da União, aumento de custos para os setores produtivos, ampliação da incerteza econômica e, naturalmente, riscos novos para a Petrobrás, ainda em recuperação dos estragos causados pela gestão petista. Ao deixar-se acuar, o presidente cedeu rapidamente às imposições dos caminhoneiros grevistas e, segundo autoridades federais, de empresas culpadas de locaute. Prevaleceu, segundo Temer, a vocação do governo para o diálogo. Mas a explicação apenas confirma um erro deliberado. Ao escolher esse caminho, ele renunciou à autoridade, abandonou a responsabilidade correspondente, depreciou o próprio cargo e se curvou a criminosos – porque o bloqueio de estradas é crime, assim como o locaute.

Poderia ter recebido as queixas até com simpatia, mas só deveria discutir soluções depois do retorno à legalidade – fim da interrupção do tráfego rodoviário e de qualquer manobra de locaute. Até a trégua encenada, com o estacionamento dos caminhões nos acostamentos, foi irregular, por ser uma evidente violação das normas de trânsito e dos princípios de segurança. Acostamento é só para emergências, como sabe qualquer motorista licenciado honestamente.

A precipitação e o despreparo do presidente e de seus auxiliares e conselheiros mais próximos ficaram escancarados, até para os mais distraídos, quando produtores e exportadores começaram a reclamar dos novos fretes, impostos por decisão do governo.

As operações com grãos foram interrompidas enquanto empresários protestavam. A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu em ofício ao presidente da República a suspensão da tabela de preços mínimos para o transporte rodoviário, mencionando alta de 51% a 152% no frete.

Outras entidades ligadas ao agronegócio também se mobilizaram e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou estar avaliando “possíveis medidas judiciais e administrativas” contra a fixação de valor mínimo para o transporte rodoviário de cargas. O governo refez a tabela de fretes, numa tentativa de apaziguar empresários da indústria e do agronegócio, mas então o protesto veio do outro lado, com caminhoneiros ameaçando ir à Justiça em caso de perdas. Com qualquer tabela o presidente Michel Temer produzirá descontentamento e, pior, poderá multiplicar os entraves à atividade econômica.

O governo está conseguindo humilhar a oposição. Nem seus adversários mais intratáveis conseguiram agir com tanta eficiência para atrapalhar a recuperação econômica. Enquanto deu prioridade aos objetivos dos ministros da Fazenda e do Planejamento, o presidente conseguiu resultados importantes. O País saiu do buraco, depois de dois anos de recessão, o desemprego caiu e houve progressos tanto na reparação das contas públicas quanto na aprovação de reformas. A aproximação das eleições aumentou a insegurança política e alterou a disposição da impropriamente chamada base governamental. A pauta de reformas ficou emperrada, o desemprego voltou a subir e os negócios fraquejaram no primeiro trimestre.

Apesar disso, algum ânimo restou entre consumidores e empresários. A produção industrial em abril, 0,8% maior que a de março e 8,9% superior à de um ano antes, foi avaliada como sinal de vigor renovado. Até estimulou algum otimismo, de novo, quanto à evolução da economia neste ano. A paralisação do transporte afetou severamente a atividade em maio, como já indicaram os dados da produção automobilística e as perdas apontadas por vários setores. Mas falta saber a extensão dos danos causados pela mexida nos preços e condições do transporte e pelo desgoverno implantado pelo presidente e seus conselheiros preferenciais, a trupe formada pelos ministros Marun, Padilha e Moreira Franco.

A interferência na Petrobrás foi confirmada com a abertura, pela Agência Nacional do Petróleo, de consulta pública sobre a política de preços. Autoridades negam, mas a entrada na área de decisões da estatal é indisfarçável. Resta aos dirigentes da empresa tentar atenuar os efeitos da invasão. Podem conseguir algum bom resultado, mas o precedente foi criado e é preocupante.

A baderna fiscal também pode ter custos consideráveis. Para financiar o subsídio ao uso do diesel, com custo estimado em R$ 13 bilhões, o governo terá de mexer na distribuição de despesas de um Orçamento já muito apertado. O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, prometeu resolver o problema sem agravar o desajuste das contas públicas. O acerto contábil pode estar garantido, mas a qualidade do gasto, já baixa, será certamente prejudicada.

Neste país de piadas prontas, tudo isso ocorreu enquanto especialistas do Tribunal de Contas da União (TCU) concluíam relatório com recomendação de parcimônia e cuidados na concessão de qualquer renúncia fiscal. Subsídios pertencem obviamente a esse conjunto. Ao mesmo tempo, o ministro do Planejamento, Esteves Colnago, defendia no Congresso o teto de gastos e a realização de reformas para garantir a eliminação do déficit primário nos próximos três ou quatro anos. Sem isso, acrescentou, ainda haverá esse buraco em 2024 ou 2025, sem sobra, portanto, para o pagamento de juros. Uma das consequências óbvias será o crescimento da dívida pública, já muito mais pesada que a da maioria dos emergentes. Seria um bom assunto para o presidente da República, se ele ainda estivesse interessado no desafio de governar o Brasil.

*Jornalista

Não estamos nos anos 1990

Samuel Pessôa
Folha de São Paulo

O mercado opera como se estivéssemos no passado; hoje, o Estado é credor em dólar

Até algumas semanas atrás os investidores acreditavam que a sociedade elegeria um presidente centrista e estariam dadas as condições para a aprovação da reforma previdenciária e outras medidas necessárias para reconstrução do equilíbrio fiscal. Aparentemente, o mercado não acredita mais nessa tese.

Os investidores têm produzido forte processo de desvalorização da moeda e a aposta de que o Banco Central terá de subir os juros. Gestores do mercado entendem que os juros estão muito baixos, o que produz pressão pela saída de recursos.

A lógica dos gestores é que o regime cambial vigente no Brasil é de câmbio fixo ou administrado, e, portanto, a política monetária deve ser empregada para defender a moeda.

Diferentemente, operamos no regime de metas de inflação.

A taxa de juros é o instrumento regulador da demanda agregada. Se há excesso de demanda e, portanto, pressão inflacionária, os juros devem ser elevados. Se há carência de demanda agregada e, portanto, pressão desinflacionária, os juros devem ser reduzidos. Caso contrário, os juros devem ser mantidos.

A taxa de câmbio é livremente determinada pelo mercado. O papel do Banco Central é reduzir a variabilidade da cotação do câmbio. Em ano eleitoral, em que é natural maior incerteza quanto aos rumos futuros da política econômica, a necessidade de suavizar esses movimentos é maior.

O processo inflacionário está bem-comportado. Há dois choques externos, desvalorização de todas as moedas com relação ao dólar e elevação do preço internacional do petróleo, e o choque doméstico produzido pelo movimento dos caminhoneiros. Esses três choques adicionarão, provavelmente, um ponto percentual na inflação de 2018. Em vez de o IPCA fechar o ano na casa de 3%, fechará em torno de 4%.

No regime de metas de inflação, há a meta, no nosso caso de 4,5% no ano-calendário de 2018 e de 4,25% no de 2019, e há uma banda, de 1,5 ponto percentual, para a absorção de choques de oferta. Assim, se os choques colocarem a inflação, segundo as estimativas do Banco Central, em até 5,75% em um horizonte de uns 18 meses, não há motivos para a subida dos juros se o processo da inflação, excluindo os choques, continuar a ser desinflacionário.

Dado que a economia opera com grande ociosidade e dado que as últimas revisões da atividade econômica foram para baixo, não há sinais de que o processo inflacionário esteja mudando.

De fato, na sexta-feira (8), foi divulgado o IPCA de maio: 0,4%, um pouco acima do 0,3% que se projetava. Toda a diferença está nos preços que foram sensibilizados pela greve.

Os serviços continuam em sua trajetória de desinflação. Em maio, apresentaram deflação de 0,09%. Em 12 meses, a inflação de serviços encontra-se em 3,4%, e o núcleo dos serviços, em 3,3%. Não há, portanto, sinal de excesso de demanda que sugira a necessidade de subida de juros.

Por que, então, toda essa preocupação? Meu entendimento é que o mercado financeiro opera hoje como se estivéssemos nos anos 1990 ou em 2002.

Naquelas oportunidades, parte da dívida interna era denominada em dólares. Adicionalmente, a dívida externa era elevada. Quando o câmbio se desvalorizava, a posição patrimonial do Estado piorava muito. 
Hoje, o Estado brasileiro é credor em dólares. Desde o começo do ano, a dívida líquida tem caído em razão dos movimentos do câmbio.

Não faz sentido fazermos política monetária com a cabeça dos anos 1990.

Samuel Pessôa, Físico com doutorado em economia, ambos pela USP, sócio da consultoria Reliance e pesquisador do Ibre-FGV

Tabelamentos: ai, ai , ai

Celso Ming, 
O Estado de S.Paulo

O governo já viu que garantir um desconto de R$ 0,46 por litro de óleo diesel produz um punhado de distorções

Épocas de crise produzem coceira populista. Se a crise coincidir com período eleitoral, como agora, a coceira fica maior ainda. Uma dessas coceiras é a que pressiona por tabelamentos de preços.
Qualquer tabelamento sempre sai supostamente para beneficiar um lado do preço, em prejuízo de quem está do outro lado. E isso complica tudo.

Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
 Combustíveis. Muitas distorções  

O governo já viu que garantir um desconto de R$ 0,46 por litro de óleo diesel produz um punhado de distorções. Uma delas é  a de que não dá para exigir que os postos repassem esse desconto ao consumidor, porque, afinal, os preços estão liberados.

Além disso, cada Estado tem sua alíquota de ICMS e muitos deles se dedicam à guerra fiscal na cobrança de IPVA. E tem o biodiesel, produzido de óleo de soja, que vai misturado à proporção de 10% ao óleo diesel.

Entre as razões pelas quais os caminhoneiros batalharam pela redução dos preços do óleo diesel está a esticada nos preços do petróleo que, em apenas 12 meses foi dos US$ 48,8 por barril para os atuais US$ 75. Os analistas avisam que, em 2019, grande número de poços de óleo de xisto entrará em produção nos Estados Unidos, fator que tende a derrubar os preços. Se os preços do petróleo desabarem, preços tabelados tendem a se manter lá em cima, para prejuízo dos caminhoneiros e dos outros consumidores.

Mas agora prevalece a coceira: obrigue-se o posto de combustível a expor o preço cobrado e, então, bastaria acionar os antigos fiscais do Sarney que se prontificariam a fazer denúncias, sabe-se lá para que autoridade que, por sua vez, acionará uma polícia ainda a ser criada, para obrigar o posto de combustível a obedecer, baseado obviamente em decretos que precisariam ser assinados e tal.

O caminhoneiro, no entanto, não quer apenas que os descontos cheguem aos postos. Quer frete da sua conveniência. Aí vêm os luminares de Brasília dispostos a determinar também o tabelamento do frete Brasil afora. Os primeiros levantamentos indicam que a fixação por preços mínimos pela medida provisória já em vigor aumentará os fretes em alguma coisa entre 30% e 80%. Como o frete está bem mais abaixo, não por falta de tabelamento, mas por existir mais caminhão do que carga a transportar, é mais do que óbvio que esses preços artificiais não têm razão técnica para serem respeitados. Assim, caso se mantenham os fretes artificiais, fica inevitável a prática de concessão de descontos, a serem concedidos aos contratadores do transporte. Ficaria assim instituído o frete paralelo? A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) avisou que não tem condições de fiscalizar a observância de qualquer tabela. Convoquem-se, portanto, as Forças Armadas para fiscalizar postos de combustível?

Tabelamento assim, com casca e tudo, teria de levar em conta inúmeras variáveis impossíveis de controlar, algumas já contempladas no Anexo II da medida provisória, como condições da estrada, número de eixos, quilometragem rodada, tipo de carga transportada ou pedágio cobrado. Assim, a observância do tabelamento ficará ainda mais inadministrável do que os problemas que levaram a ele.
Mais uma distorção. Se o óleo diesel tem de ser subsidiado, como acaba de ser determinado, por que esse subsídio deve favorecer também os proprietários de caminhonetes, de vans, furgões e de SUVs a diesel, veículos nem sempre de trabalho, mas de exibição de gente endinheirada? Aí aparecem outras soluções de ocasião. Por que não, por exemplo, distribuir cupons para os caminhoneiros – e só para eles – para que o benefício público não seja estendido a quem não precisa dele?

Mas, se fosse por aí, quantos cupons e com que critérios distribuir por caminhoneiro? Como impedir falsificações? Como evitar os repasses para terceiros, tanto de cupons como de óleo diesel subsidiado assim obtido? Os proprietários de peruas escolares também teriam direito aos cupons? Ou seja, novos artifícios tendem a produzir mais artificialidades.

Enfim, tabelamentos e controles de preços produzem distorções. Os produzidos pelo presidente Sarney naqueles desastrosos planos econômicos da segunda metade dos anos 80 não foram os últimos. A administração Dilma derrubou os juros na marra, tabelou os preços do quilowatt-hora, promoveu a redução das tarifas da condução urbana, atrasou inúmeros preços e tarifas, inclusive os dos combustíveis, situação que, por sua vez, provocou atrasos dramáticos nos reajustes dos tais preços administrados. A correção dessas monstruosidades custa caro, como já se sabe.

Será que em tempo de eleições vale tudo? Vale acionar todas as coceiras?

A confusão é obra do governo

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

O país tem 38.535 postos. Antes da greve, o preço era livre. Como o governo vai saber qual o preço então vigente em cada posto?

Vamos falar francamente: não existe a menor possibilidade de o governo federal conseguir cumprir as duas medidas principais que prometeu aos caminhoneiros e empresas de transporte: regular os preços do diesel e do frete rodoviário. Não porque seja traidor. Mas, primeiro, porque a tarefa seria impossível mesmo se estivessem lá os melhores técnicos. Segundo, porque mesmo se os técnicos fossem geniais, os políticos não os deixariam fazer a coisa certa.

Assim, ao tentar controlar e tabelar dois preços complexos, o governo consegue causar uma enorme confusão. O frete, por exemplo.

No auge da greve, o governo, via Agência Nacional dos Transportes Terrestres, ANTT, publicou uma tabela de preços mínimos do frete rodoviário em todo o país. No detalhe: caminhão por caminhão, eixo por eixo, quilômetro por quilômetro. Você lê a tabela e parece coisa de gênio: caramba, pensaram em tudo!

Passam-se alguns dias, greve já acabou, e simplesmente se paralisa o transporte de soja no país. Não por outra greve, mas por conta: produtores e empresas comercializadoras fizeram o cálculo e verificaram que o frete ficou muito mais caro do que o preço pré-greve, formado pelo mercado. Mais contas ainda: pequenos e médios agricultores chegam à conclusão de que valerá mais a pena comprar um caminhão do que contratar frete terceirizado.

A distorção parece tão evidente que o pessoal do governo nem discutiu. Quer dizer, o erro não foi reconhecido formalmente, mas a ANTT ficou encarregada de fazer outra tabela, ouvindo também a parte do agronegócio. Vai dar errado de novo, pois os caminhoneiros vão insistir na primeira tabela que, aliás, está em vigor até que seja feita a outra.

Repararam bem? Tem uma tabela oficial, mas nem tanto, porque vai mudar. Claro que não será utilizada. A soja que espere. Ou, seus consumidores que esperem. Ou vai por fora da lei: um frete a preço de mercado, não de tabela.

E se a tabela for respeitada, sobe o preço dos alimentos, a ser pago por toda a sociedade.

Tudo isso porque o governo se mete a fazer o que não é possível. Não tem como a tabela incluir variantes que influem no custo, como a condição das estradas (a tabela fala em preço por km, o que, na vida real, é muito diferente em São Paulo do interior do Amazonas). Também não tem como incluir o tempo, estação de chuvas ou de seca. Ou o estado do caminhão. Ou a habilidade do caminhoneiro.

Ou seja, qualquer tabela é errada.

A história do preço do diesel vai pela mesma rota de confusão. Aquela promessa tão repetida pelo ministro Padilha — o preço cai 46 centavos na bomba a partir de segunda (passada) — e as ameaças do ministro Sergio Etchegoyen — “vamos usar o poder de polícia” — viraram palavras mortas.

Não são mais 46 centavos, são 41 — e queda válida a partir dos estoques novos comprados por distribuidores e postos, podendo entrar em vigor em 15 dias. Os outros centavos dependem agora da redução do ICMS, um em cada estado.

Quer dizer que no dia 15 de junho estará tudo ok? Que o preço na bomba será o valor de 21 de maio (pré-greve) menos os 46 centavos? Que a polícia estará lá para garantir?

Sabem quantos postos há no país? São 38.535, segundo registro na Agência Nacional de Petróleo. Até antes da greve, o preço era livre, de mercado, portanto, diferente por este país afora. Como o governo vai saber exatamente qual o preço então vigente em cada posto?

Deve ter nota fiscal, sim. Mas os fiscais vão conseguir checar 38.535 postos?

A gente tem que confiar nas pessoas — sugere o ministro Padilha. Ok, mas e se não for questão de confiança, mas de sobrevivência econômica? Por exemplo: os frentistas de um estado fazem uma greve e obtêm aumento salarial. Sobe o custo do posto, o preço tabelado do diesel fica inviável. Ou, aumenta o IPTU de uma cidade, também elevando o custo do negócio.

E tem outra complicação. Uma empresa importadora de combustível entrou com ação no STF por entender que também tem direito ao subsídio de 30 centavos que o governo federal vai pagar à Petrobras por litro de diesel. A Petrobras também é importadora, num mercado legalmente livre, de modo que o governo está favorecendo uma empresa em detrimento de outras. Faz sentido, não é mesmo? E lá se vai para o Judiciário.

Sabemos que o Brasil não gosta muito de mercado e livre concorrência. Mas como é possível que não se aprenda nada com tantos e tão ridículos fracassos do governo?


Carlos Alberto Sardenberg é jornalista

O desmonte da recuperação

José Roberto Mendonça de Barros*, 
O Estado de S.Paulo

Não veio a esperada difusão positiva sobre os segmentos que estavam mais atrasados

Desde o segundo trimestre do ano passado assistimos a uma recuperação da atividade que parecia bastante robusta. Embora o crescimento no ano tenha sido de apenas 1%, a evolução ao longo do tempo projetava algo como 3% a 3,5% para 2018.

Essa era minha expectativa, e ela se revelou um erro. De fato, durante o primeiro trimestre os números foram seguidamente frustrantes, o que levou a uma redução nas projeções de crescimento feitas pela maior parte dos analistas, inclusive pela MB, para a faixa de 2,5%. 

O que foi específico deste ano é que os setores que puxaram a recuperação continuaram a performar bem no início do ano. 

Falo de segmentos da indústria de transformação, como bens de consumo duráveis e bens de capital, cujos resultados no primeiro quadrimestre foram bastante bons. Os primeiros indicavam crescimento tanto em veículos quanto em utilidades domésticas e bens de consumo eletrônicos, nesse caso estimulados também por uma importante expansão no crédito para as famílias.

Em máquinas, mencionamos mais de uma vez, uma situação também peculiar no mercado interno: apesar da ausência de grandes projetos novos, muitas companhias estavam repondo parte dos equipamentos desgastados e não substituídos nos últimos anos. Além disso, as exportações de equipamentos foram muito boas até abril. Ainda no lado da produção, mineração e petróleo andam bastante bem, como atesta o bem-sucedido leilão na última semana. 

Finalmente, o setor agropecuário conseguiu manter e até aumentar um pouco o elevado patamar de produção obtido em 2017. Do lado da demanda, exportações e consumo das famílias davam suporte a esse desempenho. 

O que não houve, e daí a frustração, foi a esperada difusão positiva sobre os segmentos que estavam mais atrasados, sendo que o mais importante deles foi a construção civil, na qual apenas o segmento do Minha Casa, Minha Vida segue relativamente bem. 

Nas obras públicas, a falta de dinheiro é universal e, no setor de residências, o fenômeno da devolução de imóveis já comercializados continua amassando o mercado. Com a construção não evoluindo, a redução do desemprego ficou mais lenta, o que deve explicar o mau desempenho do setor de bens de consumo não duráveis.

Em terceiro lugar está o segmento de bens intermediários, no qual a questão não é apenas de uma demanda que anda pouco, mas muito mais do crescimento das importações.

Entretanto, em meados de maio configurou-se rapidamente um cenário de crise, que resultou da confluência de duas tendências, ruins e incertas, com dois fatos detonadores, o Copom e a greve dos caminhoneiros. 

A primeira tendência ruim é que o cenário internacional, que vinha muito tranquilo, está claramente piorando. Na política, temos disputas dos Estados Unidos com China, Coreia do Norte e Irã e crises na Europa (Brexit, Europa Oriental, mudanças de governo na Itália e na Espanha). 

Na área comercial, Trump briga com todo mundo e ameaça renegar todos os acordos já feitos, como o que já ocorreu com o TPP. Finalmente, a combinação de pleno emprego com política fiscal expansionista e das tarifas está levando a uma alta dos juros e ao fortalecimento do dólar.

Nada disso é bom para o Brasil. 

Na política interna, depois do receio de uma polarização Lula x Bolsonaro, veio o temor de uma final Ciro x Bolsonaro, resultado, inclusive, da grande fragmentação do chamado “centro democrático”. 

Essas incertezas encontraram na decisão do Copom em 16 de maio e na greve dos caminhoneiros os detonadores da paralisia da economia e de uma crise nos mercados.

Se esta última poderá ser contornada com uma ação firme do Banco Central (como aconteceu na sexta-feira), o enfraquecimento do governo não tem solução. Basta ver a péssima gestão da crise e as idas e vindas da tabela de fretes.

Independentemente do que possa acontecer adiante, já temos uma vítima fatal: o crescimento de 2018. 


*ECONOMISTA E SÓCIO DA MB ASSOCIADOS

Um PIB que cai

 Alvaro Gribel
O Globo

O Banco Central conseguiu derrubar a escalada do dólar, mas o estrago provocado pelas incertezas e pela volatilidade das últimas semanas já está feito. Ontem mesmo, os dois maiores bancos privados do país, Bradesco e Itaú, revisaram os seus cenários e agora estimam menos crescimento, mais juros e mais inflação para este ano e o próximo. O governo Temer, ao se aproximar do final, reabriu a torneira dos gastos e dos subsídios e isso está ajudando a minar a recuperação.

A intervenção do Banco Central no mercado de câmbio foi precisa, pelo uso dos swaps cambiais. O que não fazia sentido era a ideia de elevação dos juros, como chegou a circular no mercado na quinta-feira. Seria o tiro de misericórdia nas projeções de crescimento que já estão em queda. A economista Monica de Bolle, diretora do programa de Estudos Latino-Americanos e de Mercados Emergentes da SAIS/Johns Hopkins, em Washington, nos EUA, explica que os países que subiram a taxa nas últimas semanas, como Argentina, Índia e Turquia, têm problemas diferentes dos nossos. Aqui, a crise é fiscal, de desequilíbrio nas contas públicas. Lá, há dependência de dólares.

— O Brasil tem risco político, um governo frágil e que cede a pressões por mais gastos. Nos outros países, o problema é cambial. Argentina e Turquia têm déficit em conta-corrente que passa de 5% do PIB. Aqui, está em 0,4%. As empresas indianas têm dívidas elevadas em dólar. Subir juros só iria afetar o crescimento brasileiro, diminuir a arrecadação do governo e agravar o problema das contas públicas — explicou.

O Bradesco revisou o seu número para o PIB deste ano, de 2,5% para 1,5%, enquanto o Itaú cortou de 2% para 1,7%. O banco já chegou a prever 4%, no auge do otimismo com a nova equipe econômica do governo. O gráfico mostra a mediana das projeções do mercado financeiro para o PIB. O número já vinha caindo, semana a semana. Agora, 2% de alta já está sendo visto como um percentual difícil de ser atingido.



Caminhões do BNDES

O presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, encomendou à área técnica do banco um estudo sobre o PSI e o frete dos caminhões. O programa de subsídios que vigorou nos governos Lula e Dilma vem sendo apontado por alguns economistas como uma das causas para a greve dos caminhoneiros. O BNDES se defende e diz que não houve crescimento explosivo da frota e que a recessão teve um efeito muito pior. O banco pode ter razão, mas isso não muda o enorme custo fiscal do incentivo, que ajudou a desequilibrar as contas públicas.

Voto de confiança

A linha de crédito de US$ 50 bilhões que o FMI concedeu à Argentina chamou a atenção da economista Monica de Bolle, que trabalhou no Fundo. Ela explica que o valor ficou bem acima das cotas pré-estabelecidas para países em risco. Ou seja, são um sinal de apoio ao governo Macri, que vinha sendo criticado pelo gradualismo do ajuste fiscal no país. “O montante mostra que a Argentina está muito bem posicionada com a comunidade internacional, sobretudo com os EUA, que já tinham criticado o FMI por conceder valores acima do limite estabelecido”.

Não engrenou

Os consultores Sérgio Nóia e Rogério Soares, da consultoria Enéas Pestana, especializada em varejo, enxergam um cenário de desânimo entre os consumidores brasileiros. O desemprego não caiu como esperado, as taxas de juros continuam altas e há a incerteza eleitoral. “Acho que não dá nem para dizer que este ano foi de recuperação, porque a base de comparação é muito baixa. O que está acontecendo é uma estagnação. Ainda não vemos mudança significativa de tendência no varejo”, avaliam.

Os chantagistas e a falta da boa política

Marcos Lisboa
Folha de São Paulo

Cabe a políticos dialogar para respeitar o Estado de direito e não ceder a pressões

Há muito com o que se preocupar nos tempos atuais, sobretudo a rejeição da boa política.

O país enfrenta dificuldades para conciliar interesses divergentes em meio a uma economia que não tem como atender a todos os pedidos. Já há muito se sabe que os benefícios concedidos pelo governo não cabem no Orçamento.

Apesar disso, grupos organizados se mobilizam para pedir novos benefícios ou impedir a revisão dos seus privilégios.

A lista é longa. Servidores públicos fazem greve branca para garantir reajustes salariais apesar da perda de renda do restante da população. O bolo ficou menor depois da recessão, mas as dificuldades são irrelevantes para quem demanda seu butim.

Setores produtivos privilegiados com desonerações se recusam a pagar impostos como o restante da sociedade. Outros, como a agricultura recentemente, conseguem novos benefícios. Dane-se a restrição fiscal.

O petróleo ficou mais caro e os caminhoneiros paralisam o país, chantageando o restante da sociedade para que pague a conta do seu combustível. 

Como o governo é fraco, aproveitam para pedir o tabelamento do frete de modo a restringir a concorrência e a aumentar as suas receitas, onerando o transporte de bens. Chantagem pouca é bobagem, e também exigem dispensa de licitação para vender seus serviços ao setor público.

O próximo governo precisará negociar as perdas inevitáveis. Há uma conta imensa a ser paga, talvez R$ 250 bilhões ao ano. Benefícios terão que ser reduzidos e tributos, aumentados.

Pior apenas a alternativa. A recessão recente pode ter sido apenas o prólogo de uma crise ainda mais severa.

Nossa democracia requer ampla maioria para superar os problemas. Não há como reduzir o crescimento dos gastos públicos sem reformar a Constituição ou as suas emendas, o que exige o apoio de 60% do Congresso.

Há mais. A extensão da Constituição tem justificado o ativismo do Judiciário que, com frequência, revê decisões do Congresso ou impõe novos gastos públicos, às vezes desconsiderando o bem-estar da maioria.

Enfrentar nossos desafios requer técnica para avaliar o impacto das propostas. Já tivemos em demasia, principalmente desde 2011, decisões incompetentes, com efeito contrário ao pretendido. Difícil imaginar as consequências de uma nova gestão que não saiba do que está falando.

A técnica, entretanto, apenas delimita possíveis soluções.

Resolver os problemas requer a liderança da política, a quem cabe dialogar com os demais Poderes e negociar conflitos respeitando o Estado de direito, sem transgredir por pressão de chantagistas.
Quem sabe o susto com o descontrole recente, que pode se agravar, ajude a recuperar a boa política.

Marcos Lisboa, Doutor em economia, foi secretário de Política Econômica no Ministério da Fazenda (2003 a 2005). Preside o Insper.

A mentirosa e ilusória redução de impostos e o mistério da ficha que não cai

Percival Puggina 
Tribuna da Internet

Sabe aquela ficha que você insere na fenda adequada e volta para a sua mão por haver seguido percurso errado? Pois é. Lembrei-me muito dela ao acompanhar os recentes acontecimentos nacionais. Passavam-se os dias, a vida tornou-se uma verdadeira sala de aula, a conta crescia e a ficha era devolvida. Aliás, a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, etc., etc.. Mas a ficha ainda não caiu. “E agora, José?”, perguntaria novamente Drummond.

A aritmética financeira do Estado é muito simples porque o bem-amado ente político que denominamos Estado só tem um bolso, o do cidadão. Mediante uma sutileza chamada imposto, em vez de nos punguear diretamente, ele nos obriga a lhe entregar dinheiro.

CONTRIBUINTES –  

Nesses atos – não sem certo sarcasmo – os cidadãos recebem do erário o gratificante e honroso título de “contribuintes”. Contribuintes das cotidianas coletas coercitivas organizadas nos diversos níveis do assim chamado poder público (outro sarcasmo da linguagem política), desta feita aplicado a si mesmo.

Sendo tão simples a aritmética oficial, se quem manda gasta e quem obedece paga, parece inacreditável que a maior parte da população não demonstre qualquer interesse em protestar contra os gastos do Estado. Obviamente, é a despesa pública que determina quanto tempo por mês trabalharemos para o Estado. Imposto é o preço da vida civilizada, disse alguém, e é também o preço do gasto público, complemento eu. Tudo piora quando o lado perdulário dessa relação perde o controle e começa a pedir dinheiro emprestado.

DINHEIRO NOVO? – 

Nessas circunstâncias, muitos “contribuintes” passam a imaginar que o aumento da despesa não está impactando os impostos que paga. É como se se tratasse um dinheiro novo, que logo ali adiante, salgado pelos juros, não fosse buscado nos bolsos de sempre. Nessas horas, não faltam vozes para exigir “auditorias”, ou pregar calote.

Gasto, déficits e empréstimos, por essas forças inexoráveis do destino, têm que ser pagos. Greves com reivindicação salarial, subsídios públicos, custeio de empresas estatais, luxos e mordomias, obras suntuosas e supérfluas como as da Copa e dos Jogos Olímpicos, penduricalhos de categorias funcionais e toda a despesa incumbida ao Estado oneram o lado pagador dessa relação.

Mesmo assim, nunca falta quem se perfile ao lado da criação de tais contas e por elas pressionem como exigências da justiça e dos mais nobres impulsos do coração humano. Onde estavam tais vozes enquanto a Petrobras era saqueada e o preço do combustível usado para proselitismo eleitoral?

REDUZIR IMPOSTOS? – 

Deveria ser o povo, então, o primeiro a se insurgir contra novas despesas, especialmente as não virtuosas, contra a irresponsabilidade fiscal e contra a velha prática de conceder benefícios a alguns à custa de todos. De longa observação, e com raras exceções, a atribuição de qualquer ônus ao poder público se faz em meio a ruidosos e incompreensíveis aplausos.

Fala-se muito, nestes dias, em reduzir impostos, como se o Estado estivesse entesourado ou entesourando. E se deixa de lado o gasto público em seu longo e persistente crescimento. O diabo da ficha não cai!

A trilha de MPF, PF e setores do Judiciário para demonizar o governo Temer é a mesma na qual avança o populismo, pouco importa o viés

Reinaldo Azevedo
Rede TV/UOL


 Presidente Temer: sem um minuto de trégua. MPF, PF e setores do Judiciário 
pavimentaram o caminho para os populismos opostos e combinados

 José Sarney nos deixou às portas da hiperinflação. 68% de rejeição. Fernando Collor conduziu o país ao desastre econômico e sequestrou a poupança dos bravos. Iguais 68% de repúdio. Dilma quebrou o país, conduzindo-o, adicionalmente, à maior recessão de sua história: 71% a consideravam ruim e péssima. Michel Temer chegou ao poder no país que havia encolhido 3,6% no ano anterior. Deve crescer algo em torno de 2% neste ano. A Inflação passava dos 10%. Está abaixo de 3%. A taxa Selic estava em 14,25%; agora, em 6,5%. São os juros nominais e reais mais baixos da história. E, no entanto, segundo o Datafolha, sua rejeição é recorde: 82%.

“Ah, Reinaldo, o povão não lida com macroeconomia. Como você mesmo diz, o que importa é a microeconomia da geladeira”. Pois que seja assim. A vida da larga maioria das pessoas era francamente pior nesses governos que citei. Pra começo de conversa, nos governos Sarney e Collor, inexistia um programa compensatório como o Bolsa Família, por exemplo. Bolsa Família que reuniu programas sociais que foram lançados por… Fernando Henrique Cardoso, é bom que se destaque. Um decreto de Lula os unificou a todos sob um novo nome fantasia. E, com efeito, justiça se faça, passou a atender o dobro de pessoas no segundo governo Lula. A iniciativas do tucano chegavam a 5 milhões de famílias. Lula elevou tal número para 11 milhões e criou uma máquina eleitoreira com o programa. Sim, ele era necessário. Desnecessária era a exploração política vigarista.

Vamos voltar a Temer. Segundo o Datafolha, 72% das pessoas dizem que a economia piorou nos últimos meses. Sim, piorou. Só não sei se essa piora efetivamente já chegou à vida das pessoas. Acho que, em regra, ainda não. A desesperança se tornou mais aguda.

Uma coisa é certa: nunca se viu um governo sob tal cerco como o que aí está. Desde a patuscada protagonizada pela holding JJ & F — Janot, Joesley e Fachin —, em maio do ano passado, Temer não teve um só minuto de trégua.  No começo de sua gestão, Temer era rejeitado por 31%. Fazia sentido. Perto de um terço do eleitorado tem vários graus de simpatia pelo PT e aderna para a esquerda.

A esquerda se encarregou de acusar o governo de desmontar programas sociais — o que nunca foi verdade — ou de cortar verbas para a área, outra mentira. A impopularidade cresceu. O MPF e a PF se dedicaram à sanha algo enlouquecida para desgastar o governo. Até que se chegou à tramoia de maio do ano passado. As gravações em que Joesley Batista confessa sem querer a urdidura armada por Rodrigo Janot, com a participação ativa de Edson Fachin e a conivência de Cármen Lúcia, são eloquentes o bastante. O objetivo era derrubar Temer.

Antes que aquela barbaridade fosse perpetrada, eu já advertira para aquele que seria o efeito prático do esforço do MPF de demonstrar que todos os políticos são iguais. Adverti: vão ressuscitar Lula. E ressuscitaram. Vão ressuscitar o PT. E ressuscitaram. E o Ministério Público fez tudo isso com a ajuda da direita xucra.

O caso Joesley — com a gravação daquilo que Temer NÃO FALOU — elevou sua impopularidade para 67%. Bem, aí o céu era o limite. Vieram as duas denúncias e os outros inquéritos, num cerco, reitero, inédito. Com o beneplácito da PGR e de Roberto Barroso e Fachin, Temer não teve direito nem às prerrogativas do Artigo 86 da Constituição. Está sendo escancaradamente investigado, no curso do mandato, por atos anteriores ao dito-cujo. E está a menos de seis meses do fim do mandato.
Esse governo traz outras conquistas importantes: reforma trabalhista, mudança dos marcos do pré-sal, reforma da educação, lei de responsabilidade das estatais, aprovação do teto de gastos. E vai por aí. Não! Tudo inútil.

A esquerda percebeu a tempo; os idiotas não! Demonizar Temer era a vereda que conduziria o país à ressuscitação da esquerda. E assim aconteceu. O potencial de transferência de voto de Lula, o presidiário, continua em 47%: 30% só votariam em alguém que ele indicasse; 17%  poderiam fazê-lo. Mas só 10% escolheriam com certeza alguém apontado por FHC. Poderiam fazê-lo 22%.

Ok. É a voz do povo. Cumpra-se. Mas me parece que algo de errado há na equação. E mesmo nós, da imprensa, temos de nos perguntar, como instituição da sociedade civil, se estamos fazendo um bom trabalho…

Bem, eis aí. MPF, PF e setores do Judiciário foram bem-sucedidos em destruir a reputação do governo, de cujas óbvias qualidades se faz tábula rasa em nome do combate à corrupção. Se assim é, se tudo se iguala no esgoto, então os que conseguem falar a linguagem do populismo rasteiro, de esquerda ou de direita, acabam granjeando simpatias.


Os vazamentos da Lava Jato

Editorial
O Estado de S.Paulo 

O vazamento deliberado de informações que tramitam em segredo de Justiça tem como objetivo constranger investigados e forçar delações

Invocando a liberdade de expressão assegurada pela Constituição, a 1.ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) cassou decisão da primeira instância da Justiça Federal que obrigou um jornalista a retirar de seu blog uma série de reportagens sobre vazamento de informações sigilosas coletadas por delegados da Polícia Federal e procuradores da República durante as investigações da Operação Lava Jato. Desde que as reportagens sejam informativas e não tenham o objetivo de ofender a honra de alguém, as diferentes instâncias da Justiça não podem impor qualquer forma de censura, afirmaram os membros da 1.ª Turma do STF. 

A discussão judicial começou quando a delegada Erika Marena e alguns membros do Ministério Público Federal foram mencionados pelo blog do jornalista Marcelo Auler como responsáveis pelos vazamentos. Alegando que sua imagem funcional ficou maculada, a delegada pediu que os textos fossem censurados, além de indenização por danos morais. Por meio de uma liminar – portanto, antes de uma apreciação de mérito –, o pedido foi acolhido por uma vara de primeira instância em Curitiba. Em recurso apresentado ao Supremo, o jornalista alegou que a censura é uma afronta às liberdades públicas e a 1.ª Turma da Corte reconheceu que os advogados da delegada não instruíram o processo com provas que comprovassem atitude dolosa por parte do jornalista. 

Essa discussão é importantíssima, não há dúvida, mas não se circunscreve apenas ao tema da liberdade de expressão. Ela também envolve uma outra questão tão fundamental como a censura, que é o vazamento deliberado de informações confidenciais colhidas em investigações criminais e em ações penais que tramitam em segredo de Justiça, por parte de autoridades que têm conhecimento dos fatos sigilosos por força de sua função. Essa é uma prática que, apesar de ilícita, vem sendo usada em grande escala por detentores de segredos, com o objetivo de constranger os investigados, manipular a opinião pública e forçar delações. Apesar de o Estatuto do Ministério Público da União vedar essa conduta, muitos procuradores, por exemplo, a justificam alegando que vazamentos são uma forma de “promover transparência e garantir o interesse público”. 

Essa prática é tão comum que até informações reservadas de inquéritos arquivados contra o presidente da República foram vazadas. “Informação passada a conta-gotas tira o entendimento do todo e levanta a desconfiança de manipulação”, disse, no começo de 2017, o ex-presidente do STF Nelson Jobim, criticando essa prática. De lá para cá, porém, ela se tornou tão acintosa que, quando as atividades do Judiciário foram abertas no início deste ano, o ministro Dias Toffoli afirmou que alguns jornalistas estavam recebendo cópias de petições da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de elas serem protocoladas no STF. A instituição está sendo desrespeitada, reclamou Toffoli, durante o julgamento de um recurso impetrado por uma empreiteira acusada de corrupção pela PGR. 

Evidentemente, por ter se sentido atingida em sua imagem funcional quando um blog a apontou como uma das responsáveis pelos vazamentos da Lava Jato, a delegada entrou com uma ação judicial, o que é seu direito. Já a Corregedoria da Polícia Federal teria não o direito, mas a obrigação ética e o dever funcional de abrir imediatamente uma sindicância para apurar o envolvimento de autoridades sob sua jurisdição num caso evidente de violação de sigilo funcional. E o corregedor da polícia ou do Ministério Público não teria opção, pois o segredo de Justiça decorre da lei, senão a de instaurar inquérito para apurar a violação do sigilo. Isso foi feito, nesse e em casos passados? E o resultado dos inquéritos, se houve algum, é conhecido e se tornou exemplo para mostrar o comportamento das autoridades? 

O STF agiu corretamente quando derrubou a censura de reportagens que mostravam os vazamentos de informações sigilosas por parte de membros da força-tarefa da PGR em Curitiba. Mas seu grande desafio é deter de uma vez por todas esses vazamentos, que são praticados justamente por quem recebeu da Constituição a missão de zelar pela defesa da ordem jurídica. 

O desencanto dos brasileiros

Antonio Carlos Prado
Revista ISTOÉ

Ele é visível no alto índice de cidadãos que vão se abster nas eleições, no desinteresse pela Copa e no crescente número de pessoas que saem do País


Quem diria que uma das definições mais clássicas, bem-humoradas e alentadoras do sentimento nacional iria um dia virar pó? Virou. O compositor, cronista e locutor esportivo Antonio Maria escreveu, nos idos da década de 1960, referindo-se a si e a todos os cidadãos – “Brasileiro, profissão: esperança”. Hoje, no Brasil, a profissão é o desencanto.

Quem diria que uma das mais profundas lamentações do escritor Machado de Assis, olhando os primeiros anos da nossa República, iria atravessar mais de um século? Atravessou. Vendo a corrupção e o fisiologismo que já brotavam no meio político, o Bruxo do Cosme Velho escreveu: “tudo isso cansa, tudo isso exaure”. Nada muito diferente do que dizer nos dias atuais: tudo isso desencanta.

Expressões generalizantes, como “tudo isso”, talvez sejam pouco claras atualmente (o mundo está cada vez mais global e mais detalhista ao mesmo tempo), e então é bom elegermos, logo aqui, alguns fatos pontuais que racionalmente componham esse “tudo”. Em se tratando do Brasil, em se tratando da loucura, nada mais normal do que começarmos pela política. Segundo Boris Fausto, um dos mais conceituados historiadores da América Latina, “no País não há apatia diante da disputa política; há desencanto”. Claro! É tanta gatunagem com o dinheiro público, é tanto oportunismo deslavado, é tanto cinismo esfregado na cara do povo, é tanto desmando, é tanta corrupção (e, apesar da Lava Jato, ainda é tanta a impunidade), que o desencanto bateu no brasileiro – e desencanto, quando bate, é duro de ir embora. É feito banzo.

É feito praga jogada por político, e praga de político é pior que praga de madrinha: pega e não sai. Desencanto a gente pega, lava, esfrega, e quando olha ele está lá…

Pela sociologia, sobretudo pela metodologia do ideal tipo construído na teoria weberiana, dá para afirmar que pelo retalho se conhece a colcha. Assim, tomemos o retalho (ou rebotalho) das eleições suplementares que aconteceram no Tocantins, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. É espantoso o aumento nos índices de abstenções e de votos nulos e brancos. No Tocantins, a taxa registrada foi de 43,54% na tentativa de eleger um governador. Isso significa que, nesse estado, 443.414 brasileiros desistiram de crer nos políticos. Em Teresópolis, no Rio de Janeiro, a percentagem sobe mais ainda na escolha de prefeito: 48,97% deram de ombros para a votação. Já na mineira Ipatinga, na disputa pela Prefeitura, o coro do “não estou nem aí” compôs 47%. No cenário nacional a descrença é a mesma. Pesquisas de intenção de voto para presidente da República, nas eleições de outubro, apontam que 45,7% dos cidadãos não irão às urnas porque estão indecisos, ou se absterão, ou votarão nulo, ou em branco. Boris Fausto conclui: “no atual regime partidário se troca de legenda por tudo ou por nada, para vender apoio, comprar conforto. Implantou-se uma corrupção sistêmica como nunca se viu”. Pois é, corrupção sistêmica é parteira do desalento. 

Mas nem só de política vive o desencanto do brasileiro. Ebaaaaa, vamos falar de futebol. Viveu nesse País um gênio do cinejornalismo. Chamava-se Carlos Niemeyer, e ele documentava, em seu Canal 100, os melhores lances dos Fla-Flu, os melhores lances dos jogos do Santos, de Pelé, dos jogos do Botafogo, de Garrincha, dos jogos do Cruzeiro, de Tostão e Dirceu Lopes. Ah!, tempos alegres, ainda que ingênuos, alegres! Antes de qualquer filme começar, em qualquer cinema e para qualquer plateia, exibia-se o Canal 100 com a música “que bonito é, as bandeiras tremulando, a torcida delirando, vendo a rede balançar…”. Gente ia ao cinema só para ver o documentário. Não vai mais. A rede hoje pode balançar, deixar de balançar, furar até. Tanto faz como tanto fez.

Estamos às vésperas de uma Copa do Mundo e a inanição da ex-pátria de chuteiras (bênção, Nelson Rodrigues) é geral. Cadê as vuvuzelas, cadê as bandeiras, cadê? Cadê o comércio enfeitado, cadê as calçadas pintadas de verde e amarelo, cadê? Cadê gente combinando churrasco para torcer junto nos domingos à tarde, cadê? Há quem diga que responde por tal catatonia no estágio da passividade os sete a um que tomamos da Alemanha. Bobagem! O trauma futebolístico foi em 1950, em plena inauguração de um Maracanã ainda inacabado, quando perdermos a Copa do Mundo ao apanhar, de virada, por dois a um do Uruguai. Tal fato marcou mesmo, e nem por isso o brasileiro deixou de se inflamar nas Copas posteriores. O desinteresse atual é fruto, isso sim, de uma economia Titanic somada à penúria de cerca de quatorze milhões de desempregados. E tudo isso se desenrola diante de uma seleção que, se for campeã, receberá ao todo R$ 40 milhões em prêmios. Se estômago vazio não joga bola, boca de estômago roncando de fome também não torce não, mano. É a inanição. E, para temperar o desencanto com o pânico, gerando a depressão, veio em meio à economia em frangalhos essa greve-baderna de caminhoneiros que escancarou a falta de autoridade reinante no País.

Falamos da política e da economia escangalhadas, falamos da bola que agora rola melancólica porque ninguém mais rasga o coração por causa da Copa. Há, no entanto, um último retalho da colcha do desencantamento. Trata-se do crescente número de brasileiros que abandonam o País porque, simplesmente, não dá mais para aguentar. Vão viver no exterior diante da falta de horizontes. É como se a locutora do aeroporto estivesse na cabeça de cada um, a martelar: “senhores brasileiros, embarque imediato no portão…”. E, por falar em embarque, nas contas da Receita Federal as declarações de saída explodiram 50% entre 2015 e 2017. “O desencanto se agrava pelo sentimento de que não dá para mudar nada, não existe futuro”, diz Luiz Peres Neto, professor e pesquisador da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Raciocínio perfeito, tanto que a diáspora só faz aumentar. Na documentação de cada irmão que parte, bem que poderia constar na identificação – brasileiro: profissão desencanto. E, no item dos sinais particulares, poderia se colar um retrato da alma, tatuada com a frase “tudo isso cansa, tudo isso exaure”. Bênção Antonio Maria; bênção Machado.

Entenda como a apuração da eleição de 2014 pode ter sido fraudada no TSE

José Tonelotto Filho
Tribuna da Internet

Charge do Angeli (Folha de S.Paulo)

Aproveitando que os urubus do Supremo Tribunal Federal viraram cúmplices da fraude nas urnas, “abolindo” a lei do voto impresso, perguntaria aos Institutos de pesquisas, que acredito serem formados por estatísticos, matemáticos: em 2014 muito se falou de fraude nas urnas, nenhum estatístico teve a curiosidade de ver a curva da evolução da apuração dos votos? Não acharam estranho, numa eleição com 3,8% de diferença final, as curvas de votos que apuram minuto a minuto se cruzarem uma única vez?

Se os votos entram no Tribunal Superior Eleitoral aleatoriamente, enviados pelos TREs, não acharam estranho um candidato ganhar cada minuto por 84 minutos seguidos, abrindo 6,7 milhões de votos de diferença e depois perder cada minuto a partir do 85° minuto até o final?


APÓS 50% – 

Não acharam estranho que justamente no 84° minuto da apuração se chegou a 50% dos votos apurados? Ou seja, a partir de 50% dos votos apurados a Dilma começou a ganhar todos os minutos. Isso é uma mera coincidência?

Nenhum estatístico destes Institutos achou isso estranho? Um leigo como eu pôde pesquisar e descobri essa estranha situação, mas os profissionais da estatística não tiverem esta curiosidade? Como acreditar em pesquisas? Como acreditar que estes Institutos são isentos?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – No dia da eleição, aqui na TI achamos estranhíssimo que o ministro Dias Toffoli, presidente do TSE, tenha proibido a entrada de qualquer outro ministro na sala onde os técnicos ficaram trancados. Apenas 23 pessoas estavam na sala secreta. Estranhamos também que o TRE de Minas Gerais, onde Aécio perdeu a eleição, tenha sido proibido por Toffoli de dar informações sobre a apuração.  E estranhamos também o petista Luiz Eduardo Greenhalgh festejar a vitória de Dilma na internet quando Aécio ainda liderava. Tudo muito estranho. (C.N.) 

Maia vê ‘folga’ no teto de gastos para subsidiar o gás de cozinha

Igor Gadelha e Adriana Fernandes
O Estado de S.Paulo

Presidente da Câmara diz haver espaço de R$ 13 bi no Orçamento que poderia ser usado para atender a ‘demandas importantes’

  Foto: Dida Sampaio/Estadão
Maia diz que situação do País é grave, mas que uma parte da crise é ‘importada’ 

Responsável por pautar a votação dos projetos da agenda econômica do governo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vê uma folga de R$ 13 bilhões no limite do teto de gastos de 2018, regra que proíbe que as despesas cresçam acima da inflação. Em entrevista ao ‘Estadão/Broadcast’, Maia avalia que esse espaço (entre o volume de despesas previstas e o teto fixo que o governo tem para gastar até o final do ano) poderá ser usado para permitir a redução do preço do gás de cozinha e atender a outras demandas importantes.

A previsão de Maia, que ainda mantém a pré-candidatura ao Palácio do Planalto, contrasta com as estimativas da equipe econômica, que calcula que o teto chegou ao seu limite. Ou seja, as despesas que estão na conta para serem pagas já atingiram o limite fixado para o ano, conforme determina a emenda constitucional que criou a regra que limita o crescimento dos gastos da União à variação da inflação. Procurado oficialmente, o Ministério do Planejamento não quis se manifestar.

 “Estamos muito perto do teto. Mas não acho que faltam apenas R$ 500 milhões, como diz parte da equipe econômica e os técnicos. Temos uma folga maior, de R$ 13 bilhões”, diz Maia. De acordo com o parlamentar fluminense, os cálculos são de consultores que o auxiliam. Para o presidente da Câmara, existem algumas despesas que não deveriam, na verdade, nem estar dentro do teto. 

Maia avalia que o aumento do gás de cozinha tem sido um “sofrimento” para a população mais pobre e lembra pesquisa divulgada em abril pelo IBGE mostrando que 1,2 milhão de domicílios passaram a usar lenha para cozinhar. “Eu não estou dizendo que tenha uma solução de hoje para amanhã para o gás de cozinha, mas um acordo pactuado com a equipe econômica”, afirmou.

Prioridades. 

O presidente da Câmara também defende a aprovação na Casa de uma pauta de prioridades em resposta à turbulência do mercado, provocada pelas incertezas do cenário externo e pelas preocupações com resultado da eleição, que levou à disparada do dólar. Para ele, a situação hoje no País é tão grave, que é melhor nem especular sobre o envio de uma possível terceira denúncia contra o presidente Michel Temer.

 “Vamos focar nossa conversa aqui na crise e nos motivos da crise. Porque a situação é muito grave no Brasil para a gente ficar especulando sobre terceira denúncia”, diz Maia. Na avaliação dele, a crise do dólar tem um componente majoritário externo e que contaminou o Brasil pelas fragilidades que o País tem do ponto de vista fiscal, somado à fragilidade política do presidente Michel Temer.

De acordo com o presidente da Câmara, é preciso dar sinalizações importantes nesse momento. O “caminho” das votações, segundo ele, será primeiro o projeto de lei que permite a venda de seis distribuidoras da Eletrobrás do Norte e Nordeste, depois o do leilão do excedente da cessão onerosa do pré-sal (revisão do acordo do governo com a Petrobrás assinado em 2010) e, por último, o da privatização da Eletrobrás. “Não quero sinalizar para ninguém que é fácil (a privatização da Eletrobrás), mas ela está na minha agenda”, afirma. 

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

Aonde que Maia vê “folga Se o governo precisou podar gastos com educação, saúde e cultura, dentre outros, para poder subsidiar o diesel para os caminhoneiros. Tem que ser muito estúpido para fazer tal afirmação!!!! Só se ele pretende podar algumas das imoralidades que são feitas com dinheiro público pelo Congresso. Neste caso, vai é sobrar muito!!!!


Câmara paga R$ 13,3 milhões para parlamentares não apertarem botão de elevador

Bruno Góes
O Globo

Contrato de ascensoristas teve último aditivo assinado no mês passado, mas haverá nova licitação

  Ailton de Freitas / Agência O Globo
Câmara dos Deputados durante votação - 

BRASÍLIA — A Câmara dos Deputados assinou, no mês passado, o quarto e último termo aditivo de um contrato para a prestação do serviço de ascensoristas. O acordo está em vigência desde 2014 e já custou R$ 13,3 milhões aos cofres públicos. Para livrar os parlamentares da simples tarefa de apertar um botão do elevador, o último aditivo, que terá prazo de dois meses, foi calculado em R$ 656 mil. Procurada, a Câmara informou que uma nova licitação para o serviço já foi lançada, com valor estimado de R$ 4,3 milhões para um ano de contrato.

De acordo com o contrato atual, a C&P soluções em telemarketing, vencedora da licitação, fornece 50 ascensoristas, oito "telefonistas de fluxo de elevador", sete "recepcionistas de fluxo de pessoas" e um encarregado geral.

A renúncia ao ato de escolher o andar com as próprias mãos exigiu a criação de uma rígida hierarquia para que o serviço seja prestado de forma eficiente. Os ascensoristas, com salário-base de R$ 1,4 mil, têm a missão de operar o elevador e "tratar os passageiros com urbanidade e polidez".

Já os telefonistas de fluxo, com rendimento mínimo de R$ 1,6 mil, têm o dever de "atender e repassar aos ascensoristas as chamadas de elevadores privativos efetuados por parlamentares" e "controlar a movimentação dos elevadores".

Os recepcionistas de fluxo, com salário-base de R$ 1,9 mil, são responsáveis por "acompanhar os trabalhos desenvolvidos pelos ascensoristas" e "acompanhar o serviço dos ascensoristas na mesa de controle".

Por fim, o encarregado geral, com salário-base de R$ 4,9 mil, é o chefe de toda equipe, responsável por "supervisionar, coordenar e fiscalizar o bom andamento dos serviços", além de "produzir relatórios". Mas não é qualquer um que pode ocupar o cargo. Entre as qualificações necessárias, o encarregado geral precisa ter "curso específico de ascensorista com diploma emitido por empresa legalmente constituído".

O contrato prevê aos funcionários auxílio-alimentação, auxílio-transporte, uniformes, auxílio funeral, assistência médica e odontológica e planos de saúde.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Aí quando são tachados de vagabundos se acham no direito de irritarem-se! 


Um centro fora do eixo?

Revista ISTOÉ

Os partidos tradicionais seguem na contramão dos anseios da população, ao apresentar alternativas eleitorais que representam velhos e surrados métodos de fazer política. O resultado é o desalento do eleitor, hoje em busca de um candidato que personifique o novo


Os brasileiros já deram caudalosas demonstrações de que estão em busca de um candidato capaz de encarnar a renovação política. Alguém dotado de credibilidade, sobre o qual não pese qualquer suspeita, e que personifique o tripé “eficiência, modernidade de gestão e sensibilidade social”. São exatamente os predicados que os ungidos pelos partidos tradicionais não conseguiram apresentar até agora. Pelo contrário, insistem no jogo surrado de velhas práticas e fórmulas. Ensaiam uma espécie de teatro do “mais do mesmo”, que, em vez de empolgar, provoca fastio no eleitor. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Idea Big Data entre os dias 8 e 13 de maio explicita esse sentimento de desalento. De acordo com o levantamento, 56% dos entrevistados não têm vontade de reeleger político algum nas próximas eleições. E 64% não pretendem votar em ninguém indicado até agora pelas agremiações clássicas e que esteja de alguma forma envolvido com a Operação Lava Jato ou qualquer outra das investigações sobre corrupção em curso, ainda que inocentes. Se as pesquisas eleitorais indicam tal situação, as urnas mostraram o efeito concreto dessa sensação na eleição extraordinária ocorrida no Tocantins no domingo 3. Nada menos que 43,5% dos eleitores anularam o voto, votaram em branco ou não compareceram aos postos de votação. 

O cenário de abatimento, que impõe ao eleitor uma prostração preocupante, se reproduz pelo País. Já quando são apresentadas caras novas, prevalece o reverso da moeda. Foi assim entre novembro do ano passado e abril deste ano, quando surgiram rumores de que o apresentador de TV Luciano Huck e o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa poderiam se lançar na disputa. Mesmo sem confirmarem oficialmente suas candidaturas, ambos largaram na corrida eleitoral com dois dígitos, índices que a maioria dos candidatos ainda sua a camisa e gasta sola de sapato para alcançar. “Há um claro sentimento de renovação por parte do eleitorado que as opções atuais não explicitam”, atesta Murilo Hidalgo, do Instituto Paraná Pesquisas. Em outubro do ano passado, uma pesquisa realizada por ele já exibia esse quadro. De acordo com o levantamento, àquela altura 59,4% dos entrevistados diziam querer votar “em um candidato novo”, mesmo que não fosse muito conhecido – um perfil que se convencionou chamar de “outsider”. “Um candidato outsider, de fora, teria naturalmente muita chance de sucesso nestas eleições”, avalia 


João Doria é identificado como um político com retórica contundente, 
capaz de enfrentar os cáusticos Ciro e Bolsonaro

Doria ressurge como opção

Resta cada vez mais claro que parcela expressiva da população persegue um nome de centro, na acepção da palavra. Um postulante centrado que inspira confiança e traduza o equilíbrio, em contraposição ao extremismo que floresce à esquerda e à direita. De um lado, o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL), um político capaz de comparar a autorização dos ditadores do regime militar para executar opositores com mera “palmada no bumbum”. Do outro, o aspirante do PDT, o temperamental Ciro Gomes, que destila números equivocados sobre a economia e morde e assopra no reduto de Lula, como quem troca de abadá no carnaval. E em outra trincheira, mais próxima de Ciro, um PT que insiste em manter a candidatura de alguém que está preso, barrado pela Lei da Ficha Limpa e condenado a mais de 12 anos de detenção.



A opção mais lembrada para reaglutinar o centro é a de João Doria, prefeito de São Paulo, hoje pré-candidato ao governo do Estado. Foi o que revelou uma consulta às bases de MDB, DEM e PSDB. Além de personificar o “novo” que o eleitorado tanto procura e exibir currículo ainda imaculado, ao contrário do atual candidato tucano ao Planalto, Geraldo Alckmin, Doria é identificado como um político com “punch” e retórica contundente, alguém talhado para enfrentar na campanha os aspirantes situados nos extremos, hoje donos de discursos cáusticos. Na última semana, pesquisa do site Poder 360 colocou a alternativa na mesa. Em um dos cenários, Doria aparece empatado com Alckmin, mesmo estando fora da campanha presidencial. Um levantamento realizado pelo PSDB vai além: indica que Doria teria muito mais potencial de crescimento, caso entrasse na corrida eleitoral para valer. Não por acaso o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso permanece como um dos entusiastas da opção Doria. Nos últimos dias, confidenciou o desejo a pelo menos dois interlocutores. Para o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília, o PSDB deveria arriscar a troca. “Minha opinião é que o PSDB está perdendo o bonde da história. Alckmin foi governador quatro vezes. E as pesquisas mostram que Bolsonaro ganha dele em São Paulo. Como pode isso? Doria poderia unificar esse centro. Só não sei se o PSDB teria cabeça fria suficiente para trocá-lo”. 



Pólo democrático

Em princípio, parece que não. O tucanato, aparentemente à exceção de FHC, articula-se como se tivesse compromisso com o erro. Na última semana, os chamados partidos do espectro político de centro, PSDB incluído, voltaram a bater cabeça. Há entre eles quem acerte em cheio no diagnóstico, mas falhe gravemente na busca pela solução. “Nos últimos anos, tivemos a polarização de uma disputa entre o PSDB e o PT. Só que isso provavelmente não vai se repetir este ano. Diante desse sentimento novo, é nossa obrigação evitar que o País caia nas mãos de um aventureiro”, disse a ISTOÉ o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG). Pestana é um dos articuladores do Manifesto por um Pólo Democrático, que nos últimos dias começou a ganhar força ao tentar unir as candidaturas de centro. “O quadro parece repetir o que aconteceu em 1989, quando ninguém do campo democrático teve força para ir ao segundo turno. O resultado nós sabemos qual foi”, prossegue ele. Em 1989, Fernando Collor elegeu-se presidente. Como uma de suas primeiras medidas, confiscou o dinheiro nas contas bancárias e de poupança do brasileiro. Não conseguiu conter a hiperinflação e acabou caindo em um processo de impeachment, quando desvendou-se o esquema de corrupção em seu governo.

Movimento em favor da união dos candidatos de centro 

acerta no diagnóstico, mas por ora erra na solução


O movimento que conta com o apoio de FHC, idealizador de uma chapa PSDB / Marina Silva (Rede), constitui uma iniciativa louvável. Nas próximas semanas, a intenção do grupo é conversar com outros candidatos de centro. Nesta semana, serão procurados Alckmin, Rodrigo Maia (DEM) e Álvaro Dias (Podemos), que na ausência de um consenso come pelas beiradas. Mas é aí que reside o maior pecado da turma: tentar uma saída a partir dos nomes da atual lista de candidatos, que a população já demonstrou fartamente rejeitar. Ao agirem dessa forma, as agremiações políticas parecem esquecer do básico: ouvir o sentimento das ruas. Entender seus anseios. Medir o pulso do eleitor. Até agora, as legendas tradicionais da política brasileira se assemelham a uma bateria de escola de samba que atravessa na avenida. Resultado: enquanto o povo se põe a cantarolar um trecho de uma música, os caciques políticos entoam um canto completamente distinto. Na melodia dos desafinados, ninguém se entende. Perdem todos.

Hoje, o centro ostenta seis candidatos: além de Alckmin, Dias e Maia, figuram Henrique Meirelles, Flávio Rocha e Paulo Rabello de Castro – muitos dos quais mal apresentam um dígito nas pesquisas. Ou seja, quem tem seis, não tem nada. Alckmin, o menos pior do elenco, a julgar pelos mais recentes levantamentos de intenções de voto, não parece ter fôlego para ir até a reta final. Nem o apoio de MDB e DEM ele dispõe mais. Ambos os partidos já o reprovaram. Seja por problemas pretéritos, seja porque não querem entrar em canoa que aparenta furada. Apático, sem o chamado “sangue nos olhos”, o tucano insiste na ladainha de que o quadro será revertido em algum momento da campanha, como que por geração espontânea. Nos últimos dias, Alckmin protagonizou cenas lamentáveis em reuniões de bastidor. Na segunda-feira 4, um encontro no restaurante de um hotel em São Paulo mostrou como a situação da candidatura do PSDB exaspera os tucanos e mesmo o próprio candidato. Cobrado pelo fato de não conseguir passar de um percentual em torno de 6% nas pesquisas, Alckmin jogou o guardanapo sobre a mesa e perguntou aos presentes se eles preferiam ter outro candidato — e, nesse caso, pediu para que eles o escolhessem. Como o tucano jogou o guardanapo, mas não a toalha, deu-se ali a proverbial lavagem de roupa suja.


Com o excesso de votos brancos e nulos,
 os últimos presidentes eleitos não têm sido chancelados pela maioria



Enquanto não aparece na cédula o candidato ideal, parte do eleitorado acaba deixando o processo eleitoral de lado. O que representa um grave risco, porque, mais adiante, como cidadão, mesmo sem ter votado, ele emprestará ou não legitimidade ao nome eleito. No sistema eleitoral brasileiro, qualquer manifestação de não escolha dos nomes na disputa é retirada do cálculo final. Assim, votos nulos, em branco e abstenções não são contados. O problema é que, nesse caso, a realidade a se impor é que a maioria dos cidadãos não chancela a escolha. Em 2014, Dilma Rousseff elegeu-se com apenas 51% dos votos válidos. Ou seja, não teve o apoio da maioria, somados os votos em Aécio Neves com as manifestações dos que não votaram em nenhum dos dois. Dilma não teve um dia sequer de sossego. Enfrentou fortes manifestações e acabou deposta em um processo de impeachment. Com índices baixíssimos de popularidade, o atual presidente Michel Temer não parece viver situação melhor. A recente greve dos caminhoneiros e suas consequências foram prova disso.

O risco do caos

Com o centro mergulhado nesse mar de indefinições, o País derrete. A inflação emite sinais de retorno, o dólar bate a casa dos R$ 5, a bolsa embica para baixo e as empresas represam investimentos, enquanto o desemprego ainda castiga a população. Um próximo presidente radical, extremado, novamente sem a chancela da maioria, fatalmente manterá acesa a chama da crise. Para o professor Lúcio Rennó, do Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília, é aí que mora o problema. “O que fica muito claro é que o eleitor de centro está órfão de um candidato competitivo. Esse eleitor moderado tende a votar de forma pragmática: ele não é ideologicamente influenciado por movimentos ou partidos”. O Brasil quer mudar. O País almeja algo novo. Se as entidades políticas não compreenderem o clamor da população rapidamente, estarão todos condenados a naufragar nas urnas. Junto com a esperança do povo brasileiro.

Conheça as propostas econômicas dos principais candidatos à Presidência

Exame.com
 Gabriel Shinohara e Flavia Said, da Bloomberg

O que Bolsonaro, Ciro, Marina, Alckmin e Alvaro Dias pensam sobre privatização, reforma da Previdência, autonomia do BC e tamanho do Estado

(Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Divulgação)
O suspense em relação a quem assumirá é cada vez maior 

O primeiro turno da eleição presidencial do Brasil está programado para 7 de outubro e o suspense em relação a quem assumirá a maior economia da América Latina é cada vez maior.

Confira a seguir o que alguns dos principais candidatos têm a dizer a respeito dos assuntos econômicos mais polêmicos.

Privatização

Jair Bolsonaro
– Venderá rapidamente um terço das empresas estatais, principalmente aquelas criadas por governos de esquerda. Afirma que ativos estratégicos precisam ser “preservados” e defende restrições à propriedade de terras agrícolas e depósitos minerais por estrangeiros.

Ciro Gomes
– Não é contrário às privatizações em princípio, mas se opõe à venda de empresas estratégicas como a Petrobras e a Eletrobras.

– Promete expropriar determinados campos de petróleo leiloados durante o governo do presidente Michel Temer.

Marina Silva
– “Não tenho dogma contra privatizações”, afirmou.

– É contrária à ideia de vender Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Geraldo Alckmin
– De forma geral, apoia as privatizações, mas postura em relação à venda da Petrobras oscila.

– Não venderia bancos estatais como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Alvaro Dias
– Apoia a privatização e promete vender 149 empresas estatais.

– É contrário à ideia no tocante a empresas que descreve como estratégicas, como Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.


Reforma da Previdência

Jair Bolsonaro
– Apoia uma reforma da previdência de forma geral, mas ainda está trabalhando em uma proposta; alerta que o sistema previdenciário atual provavelmente vai “explodir” nos próximos anos.

– Como todos os candidatos, com exceção de Alckmin, Bolsonaro criticou a proposta de reforma do governo Temer.

Ciro Gomes
– Afirma que o sistema previdenciário do Brasil não tem déficit, mas apoia uma reforma multifacetada favorável a novas entradas no mercado de trabalho e uma pensão mínima universal.

Marina Silva
– A reforma da previdência é estratégica e precisa ser enfrentada logo no início do novo governo.

Geraldo Alckmin
– Apoia a proposta de Temer de fixar uma idade mínima de aposentadoria e de limitar outros benefícios.

– Afirma que o próximo presidente precisa aprovar uma reforma nos seis primeiros meses de governo.

Alvaro Dias
– É favorável à idade mínima e à redução da diferença entre as aposentadorias públicas e privadas.


Autonomia do Banco Central

Jair Bolsonaro
– Defende um Banco Central autônomo com meta de inflação clara.

– Seria bom manter a diretoria atual do banco ou empossar uma com ideias similares.

Ciro Gomes
– Afirma que o Banco Central atua com uma autonomia “criminosa”, citando nomeações do setor privado para o conselho ao longo dos anos.

– Para ele, o Banco Central deveria ter metas para inflação e emprego.

Marina Silva
– Apoia a autonomia operacional para o Banco Central. Afirma que sua proposta em 2014 como candidata, favorável à independência do Banco Central, não correspondia à sua visão pessoal.

Geraldo Alckmin
– Afirma que a autonomia do Banco Central não é tão prioritária quanto a questão fiscal.

– Diz que Ilan Goldfajn está fazendo um bom trabalho e que seria uma boa ideia mantê-lo no cargo.

Alvaro Dias
– Descreve a autonomia do Banco Central como um objetivo.

Estado grande ou não?

Jair Bolsonaro
– Defende um Estado menor e a limitação da carga tributária do Brasil.

– É contrário à taxação de lucros e dividendos.

Ciro Gomes
– Afirma que os cidadãos pobres e de classe média pagam mais impostos do que a classe alta.

– Apoia a transferência da carga tributária das compras de produtos básicos, medicamentos e eletricidade para outras áreas, incluindo heranças e riquezas.

Marina Silva
– Quer uma transparência maior e um sistema tributário descentralizado e simplificado.

– Argumenta que os cidadãos pobres não deveriam pagar mais impostos.

– Pensa que o enxugamento não pode comprometer a capacidade do governo de oferecer serviços básicos.

Geraldo Alckmin
– Defende a necessidade de cortar custos para fazer negócios no Brasil e a implementação de medidas que aumentem a competitividade e também a confiança para atrair investimentos.

Alvaro Dias
– Defende a ideia de reduzir o número de ministérios e também o número de parlamentares do Senado e da Câmara dos Deputados.

– Afirma que o Estado brasileiro cresceu demais.