domingo, julho 07, 2013

Ordem dos fatores

Míriam Leitão 
O Globo

A resposta da presidente Dilma às manifestações parece ter sido anunciada primeiro e pensada depois. A propósito, ainda estão pensando e dispensando ideias.

Já foi dispensada, no sentido de abandonada, a ideia da Constituinte exclusiva e, agora, a proposta de um plebiscito está pendurada no abismo do disse não disse do governo. Sobre os R$ 50 bilhões, nada se sabe.

Uma das propostas anunciadas pela presidente foi um aumento de investimento no valor de R$ 50 bilhões. Perguntei ao ministro da Fazenda sobre esse dinheiro, de onde ele sairia e em que seria investido. Ele disse que em mobilidade urbana, mas explicou que são projetos de metrô ou outros meios de transportes que serão feitos no futuro. “Projetos que serão trabalhados para que eles possam acontecer.”

As ideias ou estão vagas ou foram deixadas de lado. Isso mostra o governo confuso, sem capacidade de reação ao que achava que nunca aconteceria. Ele construiu um mundo de fantasia para a propaganda política e, vê-se agora, acreditou nele. O mínimo que se esperava é que, diante do inesperado e da gravidade da situação, a presidente fizesse consultas. Se não pode, por já ter antecipado o calendário eleitoral, consultar a oposição, que ouvisse integrantes dos outros poderes sobre a viabilidade das ideias antes de lançá-las como resposta oficial.

A época de manifestações de rua também tem dois tempos. O primeiro foi espontâneo, sem líderes realmente influentes, antipartidário. Foi um desabafo, uma reclamação generalizada contra a ineficiência administrativa de governantes de níveis diferentes e de vários partidos. Claro que o peso maior da reclamação cai sobre quem tem mais poder, a presidente, mas era um aviso aos políticos de que há muita insatisfação.

A segunda etapa das manifestações pode ser de quem pegou carona na onda. De um lado, o movimento dos caminhoneiros com indícios de lockouts (greve de patrões), com prejuízo visíveis para toda a população, e agora está se preparando para entrar em cena o movimento sindical tradicional.

Esse o governo conhece bem, não o teme porque, de uma forma ou de outra, o controla. Ou porque são sindicatos e centrais amigas ou porque são de uma forma ou de outra dependentes de dinheiro público.

Sua pauta é conhecida e estava na gaveta à espera de uma boa oportunidade. Por isso, o presidente do PT, Rui Falcão, já se animou a chamar a militância para participar da manifestação proposta pelos sindicatos.

Os dois movimentos têm natureza bem diferente. Um defende interesses difusos e, se atendidos, melhoram a vida de todos, ainda que haja bandeiras equivocadas ou dispersas. O outro sabe o que quer: é partidário e quer garantias para quem já está incluído no sistema de benefícios do governo.

Se a resposta do Executivo parece não ter sido precedida de qualquer planejamento, a do Legislativo guarda distância entre os atos aprovados e as atitudes dos presidentes das duas Casas. Corrupção passa a ser crime hediondo e funcionário público tem que ter ficha limpa.

Ao mesmo tempo, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, faz um avião da alegria para levar a família para assistir à final da Copa das Confederações. Descoberto pela imprensa, decidiu pagar. Não fosse descoberto, não pagaria. E o preço que ele estabeleceu deve ser recorde em fretamento de avião para passeio com familiares. Nada mais barato.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, acha que tem poderes para requisitar avião da FAB para ir ao casamento da filha de um colega senador. E ainda arrota que tem esse poder. Será que eles não entenderam nada?

A marquetagem que domina as respostas do executivo está convencida de que a presidente vai dar a volta por cima, assim como o ex-presidente Lula após a queda da popularidade com a denúncia do mensalão, em 2005. Dois indicadores ajudaram Lula em 2006: a inflação do ano foi de 3,14%, e o PIB cresceu 4%.

Nem tudo é economia, mas com o país crescendo e a inflação baixa é mais fácil recuperar a popularidade. De qualquer maneira, seria bom que, ao final de três semanas batendo cabeça, o governo Dilma dissesse como pretende resolver alguns problemas que angustiam a população.

Não existem soluções milagrosas, mas é preciso pelo menos dar um horizonte para a esperança de que vão melhorar.

A presidente se afunda enganando a si mesma

Rolf Kuntz 
O Estado de S.Paulo

Mentir para os outros pode ser pecado. Pode também ser crime, em algumas circunstâncias. Mentir para si mesmo é insânia. Os brasileiros, têm, portanto, mais um sério motivo para se inquietar. O governo, tudo parece indicar, mente para si mesmo e continuará mentindo para se isolar da realidade. É muito difícil explicar de outra forma a reação da presidente Dilma Rousseff e de sua equipe às manifestações de rua e ao tsunami de más notícias. O governo tentou, mas como deslocar os problemas para o Congresso, quando até fontes oficiais continuam despejando informações assustadoras sobre a economia? Até os aliados, a começar pelo vice-presidente Michel Temer, têm resistido à manobra, Mesmo sem essa resistência, a situação desastrosa do País continuaria atraindo as atenções.

O Banco Central (BC), uma das fontes oficiais, diminuiu de 3,1% para 2,7% o crescimento econômico projetado para o ano, além de reduzir de US$ 15 bilhões para US$ 7 bilhões o saldo comercial estimado. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reestimou de 3,2% para 2% a expansão do produto interno bruto (PIB). Na semana passada estava em 2,4% a mediana das projeções do mercado financeiro. Não só as bolas de cristal mostram cenários tenebrosos. Os dados já conhecidos alimentam no dia a dia as previsões negativas.

Um bom exemplo: a produção industrial caiu 2% de abril para maio, depois de modesta recuperação nos meses anteriores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O saldo comercial do trimestre foi um déficit de US$ 3 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento. Mas o número seria bem pior sem as exportações fictícias de plataformas de petróleo no valor de US$ 2,4 bilhões.

A inflação continua elevada e especialistas apontam um resultado próximo de 6% até o fim do ano. A desinflação dos alimentos acabou e o custo das matérias-primas poderá em breve pressionar de novo os preços ao consumidor.

Em junho, o índice oficial de inflação, o IPCA, calculado pelo IBGE, perdeu impulso e subiu 0,26%, principalmente por causa da menor pressão dos preços dos alimentos. Mas no atacado os preços agrícolas aumentaram 1,46%, depois de recuarem 0,75% em maio, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Também no atacado a alta dos preços industriais chegou a 0,62%. Ainda em junho, o índice de commodities do BC, o IC-Br, subiu 5,34%, com variação de 5,72% para agropecuária, 4,3% para metais e 4,39% para energia.

O repasse desses aumentos ao varejo dependerá de fatores como o nível de emprego, a renda e a disposição dos consumidores, a possibilidade de substituição de bens, as condições do crédito e, naturalmente, a situação das contas públicas. Os consumidores andam mais ressabiados e cautelosos. Mas o emprego permanece elevado, os salários ainda acumulam ganhos reais, embora menores que os dos últimos anos, o crédito ainda aumenta e a política fiscal permanece, como afirma o pessoal do BC, "expansionista".

Nas ruas, manifestantes protestaram contra as tarifas e a qualidade do transporte urbano e cobraram melhores padrões de serviços essenciais, como educação e assistência à saúde. Diante dessas pressões a presidente propôs um plebiscito fora de hora, sobre temas políticos, e convocou os ministros para exigir maior empenho na execução de seus programas - os mesmos programas condenados nas ruas pela baixíssima qualidade de seus resultados.

Os ministros da área econômica estavam prontos, como sempre, para esse tipo de jogo. Afinal, continuam prometendo mais do mesmo - uma péssima gestão das finanças públicas, mal disfarçada com novos lances de contabilidade criativa, já famosa até na imprensa estrangeira. A quem pensam enganar? Só podem enganar a si mesmos, é claro, porque até os muito trouxas acabam percebendo, embora com algum atraso, os sinais do desarranjo.

A presidente, dizem fontes de Brasília, está isolada. De certa forma, sempre esteve. Desde o começo de seu mandato cercou-se de assessores incapazes - por incompetência ou por falta de coragem - de ajudá-la a examinar os fatos e a planejar as ações de governo com base em diagnósticos realistas.

A maior parte de sua política administrativa e econômica é mero desdobramento da herança deixada por Luiz Inácio Lula da Silva. Nenhuma alteração essencial ocorreu na diplomacia econômica. Na prática, as prioridades têm sido as mesmas. O País continua amarrado ao mundo estreito e medíocre do Mercosul. Enquanto isso, negociam-se novas alianças e novas perspectivas de comércio e integração econômica são abertas em quase todas as regiões, incluída a América Latina. A Aliança do Pacífico é um bom exemplo.

A administração continua tão ineficiente quanto na fase do antecessor, quando o Brasil foi arrastado pela prosperidade mundial e o País pareceu tornar-se uma potência de peso. A grande novidade, naquele período, foi a rápida incorporação de massas ao mercado consumidor. Como nada se fez para modernizar o País e fortalecer sua capacidade produtiva, a mágica da expansão do mercado se esgotou. A dramática perda de produtividade geral da economia deixou o País desarmado para enfrentar a concorrência estrangeira.

Os resultados são evidentes nas contas externas, mesmo com algum disfarce. Aparentemente sem perceber esses fatos, a presidente insistiu numa política baseada principalmente no estímulo ao consumo. O resultado foi uma combinação de piora das contas fiscais, erosão do balanço de pagamentos, inflação sempre alta e indústria estagnada. Na administração federal, direta e indireta. aparelhamento e loteamento continuam predominando. Vai-se consertar tudo isso com um plebiscito improvisado?

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: 
Uma nota do jornalista Ilimar Franco, no Globo, comprova que, ou Dilma está de fato está se enganando a si mesma, ou se encontra completamente alienada do que se passa à sua volta. Leiam:

O mundo de Dilma, por Ilimar Franco

Reunida com líderes petistas, ontem, a presidente Dilma sustentou que todo o discurso relativo ao descontrole das contas públicas e à volta da inflação é papo furado da oposição.

Ela afirmou que a curva de preços está dentro da meta, e que os adversários usam a questão econômica para desgastar seu governo.

Sobre os gastos elevados do governo, Dilma falou, em determinado momento: “Quando FH deixou o governo, a dívida pública chegava a 60% do PIB. No governo Lula, foi reduzida para 45% do PIB e, na minha gestão, já está em 36% do PIB.”

Sinalizou que não deve reduzir o número de ministérios e que não pretende fazer mudanças imediatas no governo.

Nas asas da crise

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Gente que já viu boi voar e acredita em urubus rosados que nadam nas areias borbulhantes do Deserto de Atacama sabe que há coisas impossíveis: por exemplo, que vários jornalistas tenham a sorte simultânea de descobrir, sem que ninguém lhes conte, que Renan Calheiros e Henrique Alves, presidentes do Senado e da Câmara, usaram aviões da Força Aérea Brasileira para atividades particulares. Alguém contou. Suspeita-se de gente do Governo tentando desviar as atenções, após os dois pênaltis que Dilma bateu para fora, o da Constituinte exclusiva para a reforma política e o do Plebiscito imediato.

Pois não é que, tão logo saíram as acusações contra o senador e o deputado, apareceu a notícia de que um ministro do Governo, Garibaldi Alves, da Previdência, usou um avião da FAB para ir ao jogo do Brasil? Chumbo trocado dói, sim. E pau que dá em Chico dá em Joaquim. O presidente do Supremo, cujo nome vinha sendo citado cada vez com mais ênfase como candidato à Presidência da República, em grande parte por sua postura inflexível, acabou surgindo no noticiário por ter ido ver o jogo com passagem paga por dinheiro público. E ao lado do apresentador Luciano Huck - por coincidência, patrão de seu filho. Joaquim Barbosa diz que não ambiciona ser presidente, mas sabe como é: de repente, pode mudar de ideia, e é melhor abater sua candidatura antes que levante voo.

E Dilma? Dilma tenta reequilibrar-se. Mas quando nem Mercadante comparece à sua reunião de todos os ministros, é bom verificar quem é que lhe sobra.

A voz do partido
O fato é que Dilma vem sendo contestada pelos aliados (o PSB já se foi, o PMDB dificilmente esquecerá que Michel Temer foi ignorado pela presidente e que tanto Henrique Alves quanto Renan são a cara do partido; e o último que pôs a mão no fogo pelo PSD foi o Capitão Gancho); e também por seu próprio PT. 

Ouça o deputado federal Devanir Ribeiro, petista da Velha Guarda, amigo e frequentador da casa de Lula: "Quem pediu plebiscito? O que falta no governo Dilma é gestão. As pessoas querem transporte de qualidade, saúde e educação. Dinheiro tem. É só investir (...) Eu acho que já está na hora de o Lula voltar".

Sob os meus pés os caminhões
Em São Paulo há um feriadão que emenda o fim de semana na terça, 9 de Julho. Os estudantes estão de férias. E nem assim a crise arrefece: a tal greve geral, promovida por centrais que têm excelentes motivos para ser governistas, pode desfazer-se antes da data marcada, dia 11, mas a paralisação dos caminhões é crise séria. 

Desmanchar a irritação dos caminhoneiros é tarefa urgentíssima.

Sobre a cabeça os aviões
Das viagens de Suas Excelências com o dinheiro de Nossas Excelências:

1 - O ministro Garibaldi Alves levou de carona, no avião da FAB, um empresário poderoso, Glauber Gentil, que certamente por coincidência é sócio de seu filho, Bruno Alves, na BRJM Seguros. Garibaldi e Glauber fizeram pela FAB a rota Fortaleza-Rio. Foi um programa bem familiar. Garibaldi ficou no Rio, mas seu sobrinho, o presidente da Câmara Henrique Alves, voltou para o Nordeste pela FAB com a noiva e a família da noiva; e levou também Glauber Gentil.

2 - O presidente do Senado, Renan Calheiros, acabou pagando algum troco pelo uso do avião. Mas reclamou: disse que tinha direito a avião de representação - o da Força Aérea Brasileira. 

E desde quando avião militar é de representação? 

Eu organizo o movimento
Os casos citados são escandalosos, sem dúvida; mas houve quem trabalhasse para dar ênfase aos escândalos. Num outro caso, em que se envolveu um ministro café-com-leite, sem grandes perspectivas político-eleitorais, o escândalo foi no mínimo do mesmo tamanho, mas repercutiu muito menos.

Deu-se que o ministro da Integração Nacional, Fernando Pimentel, pagou com dinheiro público a passagem, hospedagem, alimentação e turismo de nove blogueiros de diversos Estados nordestinos, que foram especialmente a Brasília para entrevistá-lo. Entrevistas favoráveis, claro. E o esforço de popularização saiu baratinho, para ele. 

No pulso esquerdo o bang-bang
Dizem que a história foi assim: Wellinton Costa, assessor do deputado Henrique Alves, presidente da Câmara, foi assaltado em Brasília. Os bandidos revistaram seu carro e levaram uma maleta com R$ 100 mil. Dinheiro que acabara de ser retirado do banco? Não, nada disso: o dinheiro tinha sido retirado há três dias e continuava guardado no carro. 

Qual a origem do dinheiro? Wellinton não conta. Em resumo, o assessor de um deputado importante passou três dias carregando uma maleta com R$ 100 mil, de origem não esclarecida, até ser assaltado.

De três, uma: acostumado a Brasília, o assessor não achava que R$ 100 mil fossem muito dinheiro, que merecesse ser guardado em lugar seguro; ou não pode contar de onde vem o dinheiro, o que é curioso; ou não tinha retirado o dinheiro há três dias, e seria interessante explicar o motivo do segredo. É isso, né?

Passe livre
O transporte no país é ótimo, rápido, confortável, barato. Que o digam Garibaldi Alves, Renan Calheiros, Joaquim Barbosa, Henrique Alves e outros.

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br

Fora de compasso

Editorial 
Folha de São Paulo

Derrotas sofridas por Dilma Rousseff expõem estilo errático de sua gestão, que precisa assumir novos rumos na política e na economia

Desde o dia 21 de junho, quando se manifestou em rede nacional de rádio e TV sobre a onda de protestos que se alastrava pelo país, a presidente Dilma Rousseff tem acumulado graves reveses.

Naquele pronunciamento, a mandatária observou com propriedade que "a nova energia" das ruas poderia impulsionar necessárias mudanças institucionais. A sugestão mais audaciosa nesse sentido veio com a proposta de uma Constituinte exclusiva para promover a reforma política.

Logo, porém, ficou claro que a presidente se havia equivocado ao anunciar tal plano, ao qual nenhuma discussão, nem sequer num círculo restrito de assessores e aliados, dera solidez e coerência.

Nem mesmo o vice-presidente, Michel Temer (PMDB-SP), fora consultado --ele que, líder do maior partido aliado do governo e professor de direito constitucional, já havia produzido um artigo condenando semelhante ideia.

Viu-se então a presidente obrigada a um recuo constrangedor. A intenção seria apenas realizar um plebiscito acerca dos principais pontos da reforma.

Não tardou para que se revelasse o novo engano: o Executivo tentava impor ao Legislativo e ao Judiciário uma agenda irrealista ao defender a conclusão da consulta popular antes do dia 5 de outubro, de modo que suas diretrizes já se aplicassem ao pleito de 2014.

Novamente a iniciativa presidencial frustrou-se. Oposição e parcela dos aliados do Planalto nocautearam a proposta --que poderá ser viabilizada, com sorte, no próximo ano, para valer em 2016.

Tais episódios ilustram um método de atuação que soa como regra no governo federal. Decisões são tomadas ao sabor dos acontecimentos, sem que obedeçam a uma estratégia clara. Parecem produzidas antes por conveniências publicitárias e impulsos pessoais de Dilma Rousseff do que por um projeto capaz de dar continuidade ao desenvolvimento do país.

É o que se tem verificado na área econômica, cuja administração é feita no vaivém do varejo, com temerárias doses de voluntarismo e improviso. São pífios os resultados. A inflação ascende a patamar perigoso, os investimentos caem, as contas públicas se desequilibram e o PIB não decola.

Já é hora de o governo tomar as medidas necessárias para restaurar a confiança e recolocar o país nos trilhos. É preciso enfrentar o inchaço da máquina administrativa, submetida ao loteamento político, e proceder a uma mudança de rumos na economia.

Persistir no caminho do fisiologismo, da ação fortuita e do intervencionismo estatal somente adiará o encontro do Brasil com uma nova etapa de crescimento vigoroso e progresso social.

A agenda de problemas reais

Editorial
O Globo

Enquanto uma espécie de factoide — o plebiscito da reforma— toma tempo do governo, a inflação se mantém elevada, as exportações derrapam e o PIB cai de ritmo

Enquanto o debate político é alimentado por uma espécie de factoide — o plebiscito da reforma política —, a vida real segue o curso, e problemas muito concretos vão se avolumando. Ele próprio parece ter caído na armadilha da invenção diversionista da “constituinte exclusiva” — origem do plebiscito, ao se constatar a ilegalidade da ideia —, lançada como suposta medida de atendimento às manifestações de rua, mas cujo objetivo primordial é afastar o Planalto do centro da crise e transferir responsabilidades para o Congresso. Que há problemas de representatividade política, não se discute. Resumir o mau momento do Brasil a isto é exagero.

Impossível prever até quando o truque funcionará. Até porque as dificuldades econômicas aumentam e tendem a funcionar cada vez mais como amplificador da voz das ruas. A inflação de junho, divulgada ontem, medida pelo IPCA, foi de 0,26%, abaixo da de maio (0,37%). Mas, como em junho do ano passado havia ficado quase estável (0,08%), o IPCA anualizado novamente ultrapassou o teto superior da meta de inflação (6,5%), fechando em 6,7%. Há grandes possibilidades de o índice recuar até o final do ano. A curto prazo, até como reflexo do corte de tarifas, forçado pelas manifestações. Mas num setor-chave para o bolso da população, o de serviços, a inflação continua a rodar na velocidade de 8% ao ano.

Mesmo assim, e apesar do discurso do governo — um dos pactos propostos pela presidente Dilma trata do tema —, a política fiscal continua expansionista, aumentando a temperatura do consumo, fator de pressão sobre os preços. Mantém-se o uso irresponsável da “contabilidade criativa”, para injetar recursos de endividamento público em bancos públicos, como o BNDES e CEF, a fim de o dinheiro voltar sob o disfarce de dividendos e embonecar o superávit primário, como se houvesse uma austeridade que na realidade inexiste. Chegou-se à situação escalafobética de, no ano passado, a Caixa pagar mais dividendos à União do que teve de lucro (R$ 7,7 bilhões contra R$ 6,1 bilhões). Tanto é que começa a cair em descrédito mesmo a nova meta, mais baixa, de 2,3% do PIB de superávit. Enquanto aumenta a expectativa de efetivo rebaixamento da classificação do país em agências de avaliação de risco.

O jogo de espelhos para melhorar números também chegou à balança comercial, encerrada no primeiro semestre com um déficit de US$ 3 bilhões, o pior resultado em 18 anos. E isso porque ajudou nos números a contabilização de US$ 1,5 bilhão de uma exportação fictícia de três plataformas da Petrobras. Elas apenas foram registradas em subsidiária no exterior. A operação é legal, mas só faz aumentar a desconfiança crescente na administração da economia num momento como este. Inflação elevada, economia em desaquecimento — a indústria retrocedeu 2% de abril para maio — e empresário pouco motivado.

As manobras políticas deveriam ceder espaço na agenda do Planalto para questões mais relevantes relacionadas a esta conjuntura.

O sertão virando mar

Fernando Gabeira
O Estado de SPaulo

Milhares de pessoas nas ruas, mais de 600 cidades em movimento, um protesto por hora: o Brasil foi sacudido pelo deslocamento de uma placa tectônica. Sob muitos aspectos, não seremos mais os mesmos.

Confesso que desejava ver manifestações de rua. Acompanhei algumas nos últimos dois anos, mas eram minúsculas e ignoradas. Sabia que o projeto do PT estava em declínio. Para mim, o partido, como energia renovadora, morreu nos primeiros anos do século. Pensava, no entanto, que só em 2018 a Nação se daria conta disso. O vigor e a diversidade das manifestações, porém, superaram minhas previsões.

Fixei-me no combate às fanfarronices do PT e não retomei os temas que desenvolvi em 2012. Um deles era a internet, uma revolução na minha atividade de jornalista. Por que não mudaria a política? Muitas pessoas que desprezam as petições online disseram que seus autores são ativistas de sofá, precisavam sair da frente do computador. Não perceberam que também os computadores trocaram o sofá pelas ruas. Em 2004, por mensagens nos celulares milhares de espanhóis se mobilizaram e mudaram o rumo das eleições.

Todos nos tornamos capazes de relatar e enviar imagens. Mas algumas empresas podem investir em obter e conferir os dados, deslocar-se para os grandes eventos. A separação entre imprensa e redes sociais é relativa, porque uma metaboliza o conteúdo das outras. Reproduzido pela imprensa, tudo o que os políticos fizeram - e não foi pouco - acabou despertando a fúria de milhões de brasileiros, que se tornaram mais poderosos com a revolução tecnológica.

E agora? Dilma foi tragada pela crise. As dificuldades econômicas tendem a se agravar e o mundo encantado do "nunca antes nesse país" foi para o espaço, seus marqueteiros estão fazendo pesquisas qualitativas na camada de ozônio.

Estamos navegando na neblina. Mas alguns contornos, para mim, estão nítidos. Na luta contra a corrupção, não é necessário acrescentar um adjetivo na lei: crime hediondo. Isso me faz lembrar os trens italianos, que não chegavam na hora, mas iam mudando o adjetivo: rápido, muito rápido, rapidíssimo. O melhor instrumento é a aplicação real da lei acesso às informações oficiais. Por que não investir nisso? Custa menos que os milhões de cada grande escândalo na era do "nunca antes". As grandes demandas sociais poderiam ser parcialmente satisfeitas se o governo cortasse seus gastos, reduzisse ministérios, cargos de confiança, gastos com viagens, até cachê do cabeleireiro.

Em 2012 defendi a ideia de um governo inteligente, não no sentido do QI de seus ministros, mas da capacidade de usar os meios tecnológicos para baratear custos e, simultaneamente, conectar-se a grande número de pessoas. A internet não é uma panaceia, apenas um game changer: poderoso instrumento para utilizar racionalmente os recursos diante das crescentes demandas, não só de melhores serviços públicos, mas também de ampliação da democracia.

Não é tarefa fácil. Os burocratas do PT respondem ao movimento das ruas com um plebiscito, na tentativa de dar ao processo o final empolgante de uma reunião de condomínio. O objetivo do PT é controlar tudo, como já controla o processo político. Num país onde muitos eleitores não se lembram do parlamentar em quem votaram, eles querem aprofundar a distância por meio de lista fechada. Na verdade, o governo não entendeu os novos tempos simplesmente porque sua estrutura mental não o permite. É uma estrutura fortemente hierarquizada. Participar das redes sociais, para eles, significa pagar a um batalhão de idiotas para repetir slogans e escrever blogs venenosos.

Em 2010 recolhi material para demonstrar que Sérgio Cabral contratara empresas no exterior para fingir que tinha apoio entre os internautas. Eram empresas nos EUA e o texto mal traduzido denunciava que os aplausos haviam sido escritos em inglês e partiam dos mesmos lugares. Diante de um fenômeno tão rico na comunicação humana, tudo o que buscaram foi a melhor maneira de trapacear.

Na semana passada vimos a rua onde mora Cabral, no Leblon, ser ocupada por manifestantes. Ele não pôde ir ao Antiquarius, o restaurante vizinho onde tem um babador com seu nome e o escudo do Vasco da Gama. Cabral é o filhote querido de Lula, expressão local da megalomania, safadeza e dissolução da aliança que governa o País.

Embora a construção do futuro seja o principal enigma no momento, é reconfortante constatar que as mentiras foram descobertas e de súbito uma nova realidade emergiu no País. Os quase dez anos de exílio ao menos me ensinaram, como descendente de tuaregues, a atravessar o deserto com um copo de água. O oásis que projetei para 2018 acabou se aproximando. Miragem?

Compreendo os pessimistas que esperam algo pior. Estão fixados nos coelhos que os burocratas do PT podem tirar da cartola. Considero que as manifestações foram um salto de qualidade no processo democrático e vão impulsionar mudanças culturais positivas - a desmistificação do futebol como ópio do povo, por exemplo. Não há dono da verdade dentro da neblina. Mas, para mim, nasceu uma flor no asfalto, como dizia o poeta. 

O processo de redemocratização, iniciado com a queda da ditadura militar, a nova Constituição, as eleições diretas, todo esse enredo que já conhecemos entra em nova fase. Mas como afirmar isso, se o Congresso ainda é presidido por Renan Calheiros e não se dissipou o clima de devastação moral e a pilhagem promovida por PT e aliados? Esta semana o presidente da Câmara, deputado Henrique Alves, levou a família num avião da FAB ao Maracanã, em plena crise. Fulminado pela transparência, devolveu uma fração da grana.

A tática é inventar palavras mágicas, projetos demagógicos, para segurar as ruas. Mas só esparramam gasolina, à espera de que alguém grite "fogo!"da próxima vez. A violência é sua última esperança de sobrevida. Não se pode cair na arapuca histórica do século passado. 

É possível derrotá-los com energia, paciência e até um certo humor.

O gigante fala dormindo

Guilherme Fiúza
O Globo

Ora, senhor gigante: durma bem! Mas, por favor, ronque baixo. E pare de bloquear as ruas com seus espasmos inconscientes

O Brasil deu para dizer a si mesmo que mudou. Que nada mais será como antes das manifestações de rua, que agora vai. Que se os governantes e os políticos em geral não entenderem o recado das ruas, estão fritos. É um fanfarrão, esse Brasil.

Qual é mesmo o recado das ruas? Vamos falar a verdade: ninguém sabe. Nem as ruas sabem. Ou melhor: não há recado. O gigante continua adormecido em berço esplêndido — o que se ouviu foi um ronco barulhento, misturado com palavras desconexas. Esse gigante fala dormindo.

Há alguns anos, a imprensa vem contando aos gritos o que está acontecendo com o gigante, sem que ele mova um músculo. E o que está acontecendo é devastadoramente simples: em uma década, o ciclo virtuoso do país foi jogado fora pela indústria do populismo. A crise das tarifas de ônibus (estopim dos revoltosos) é só uma unha do monstro: o descontrole inflacionário causado pelo derrame de dinheiro público. País rico é país com 40 ministérios.

A economia estabilizada nos anos 90, e a posterior enxurrada de capital para os países emergentes, deram ao Brasil sua grande chance. E ela foi queimada por um governo que investiu tudo numa máquina eleitoral sem precedentes. Planejamento zero. Investimento quase zero. Infraestrutura abandonada em terra, mar e ar, com trem-bala, Belo Monte e outras assombrações bilionárias encobrindo a realidade: o PAC entregue à pirataria da Delta e quadrilheiros associados. A CPI do Cachoeira chegou a levantar esse véu, mas o gigante não acordou e a CPI foi assassinada (pelo PT e seus sócios).

Os governos Dilma e Lula bateram todos os recordes de arrecadação, com impostos escorchantes (entre os maiores do mundo) que empobrecem os brasileiros e enriquecem o império do oprimido. Nem um gemido das ruas sobre isso. Dilma anuncia um “pacto” sem nada dentro, e ainda diz que para bancar o recheio do pastel de vento terá que aumentar impostos. É o escárnio. E não aparece nenhum Robespierre da Candelária para mandar a presidente engolir o seu deboche.

Enquanto isso, a maquiagem das contas públicas vai bem, obrigado — com mais um truque contábil no incesto entre o BNDES e o Tesouro, para forjar superávit e legalizar a gastança. É pedra na vidraça do contribuinte, que nada ouve e nada vê. Deve estar na passeata, exigindo cidadania.

Pensando bem, foi o governo popular quem melhor entendeu o recado das ruas: os cães ladram e a caravana passa. Ou talvez: os revoltados passam e a quadrilha ladra.

Para checar se o gigante estava dormindo mesmo, o estado-maior petista chamou um dos seus para ir até o ouvido dele e chamá-lo de otário, bem alto. Assim foi feito. Como primeira reação oficial às passeatas, Dilma escalou Aloizio Mercadante para dizer ao povo que ele ia ganhar um plebiscito. E que com esse plebiscito, ele, o povo, ia fazer a “reforma política” (o Santo Graal dos demagogos). Claro que o governo sabia que isso era uma troça, uma piada estilo “Porta dos fundos”. Tanto que caprichou nos ingredientes.

Para começar, a escolha criteriosa do porta-voz. No governo da “presidenta”, cercada de ministras mulheres por todos os lados, a aparição do ministro da Educação — cuja pasta não tinha nada a ver com nada (nem reforma política, nem plebiscito, nem transportes, nem orçamento, nada) — já seria impactante. E não era qualquer ministro. Era o famoso Mercadante, figura tostada em casos como o dossiê dos aloprados e a “renúncia irrevogável” da liderança do PT no Senado, quando o partido decidiu acobertar o tráfico de influência de Sarney (Mercadante revogou sua própria renúncia em menos de 24 horas).

E o porta-voz foi logo anunciando um “plebiscito popular”, só faltando dizer que era uma decisão de “governo governamental”. Enfim, um quadro de “Zorra total”.

Com toda essa trágica palhaçada gritada em seu ouvido, o gigante permaneceu estático. Sono profundo. Nem um “basta”, nem um “#vem pra rua”, nem um “que m... é essa”. Depois daquele incrível ensaio de Primavera Árabe (ou seria Inverno Tropical?), com milhões nas ruas em todo o território nacional, o Brasil revolucionário mordeu a isca como um peixinho de aquário. E está até agora discutindo, compenetradamente, o plebiscito popular e irrevogável do Mercadante. Contando, ninguém acredita.

O país se zangou, foi para as ruas, tuitou, gritou, quebrou e voltou para casa sem nem arranhar quem lhe faz mal. O projeto de privatização política do Estado, que corrói a sociedade e seu poder de compra, está incólume. A prova disso? A popularidade de Dilma caiu, mas quem surgiu nas pesquisas para 2014 vencendo a eleição no primeiro turno, e escolhido “o mais preparado para cuidar da economia nacional”? Ele mesmo: Luiz Inácio, a nova esperança brasileira.

Ora, senhor gigante: durma bem! Mas, por favor, ronque baixo. E pare de bloquear as ruas com seus espasmos inconscientes.

Petista vê sinais de ocaso na retórica de Dilma

Josias de Souza




Dilma Rousseff recebeu a nata da bancada do PT. Depois de ouvi-la, um dos deputados presentes deixou o Planalto com a impressão de que alguma coisa subiu à cabeça da presidente. Não sabe muito bem o quê. Mas tem certeza de que não é nada que se pareça com sensatez. O observador petista registrou três passagens:

1. Não é comigo: Dilma fala dos protestos que encheram as ruas como se tivesse uma mochila nas costas. Ela volta no tempo: “Nós viemos das ruas.” E perde a noção do presente, insinuando que o asfalto não ronca contra o seu governo. O escorpião do PT acha que Dilma ainda não se deu conta do que realmente virou: uma presidente com 27 pontos percentuais a menos no Datafolha.

2. As meninas: Participaram da conversa os ministros Mercadante, Ideli e Gleisi. Ouviram-se críticas à desarticulação político-administrativa e à incapacidade de comunicação do governo. Soaram também inquietações com a economia. Dilma defendeu-se do pessimismo econômico. Sobre o resto, deu a entender que concorda.

Ex-meninas superpoderosas, Ideli e Gleisi apanharam caladas. Apenas Mercadante se animou a mover os lábios. E não foi para defendê-las. A certa altura, o companheiro José Guimarães, líder do PT na Câmara, declarou que o governo precisa ser “chacoalhado”. Dilma fez sinal de concordância. O observador petista entendeu que vem reforma ministerial por aí. Acha que pode ajudar. Porém…

Não sabe onde Dilma está com a cabeça que ainda não reformou sua cozinha. Enxerga ali três ex-ministros esperando para acontecer: Mercadante, que já não está na Educação e ainda não foi para outro lugar; e a dupla Ideli-Gleisi, que deveria estar noutro lugar e ainda ocupa a coordenação política/Casa Civil.

3. O fetiche do plebiscito: A conversa durou algo como duas horas. Nesse intervalo, Dilma alternou duas personalidades: a de rainha e a de síndica do condomínio. Com a coroa na cabeça, insistiu na tese do plebiscito já. Coisa que todo mundo enxerga como inviável. Até os cegos.

Com a calculadora nas mãos, Dilma revela enorme preocupação com as emboscadas que seus pseudoaliados lhe preparam no Congresso. Insinua que não há caixa para projetos como o que destina 10% da arrecadação bruta da União para a saúde –uma prioridade do PMDB. O observador petista acha que Dilma precisa se decidir. Optando pela síndica, encontrará ajuda sincera. Se quiser brincar de rainha, será tomada como um caso irreversível de camisa-de-força.

Idas e vindas

Miguel Reale Júnior 
O Estado de SPaulo

Hoje, diferentemente do que sucedeu há 30 anos, na luta contra a ditadura, as razões de ir à rua protestar são as mais desconexas: preço da passagem, contra a Copa, contra a corrupção, pela saúde, em favor da educação ou pela reforma política. Na verdade, houve longa hibernação da população brasileira, na qual a indiferença prevaleceu, mesmo diante das denúncias do mensalão, em 2005.

Lula, o Macunaíma, tergiversador, que ora se disse traído pelos mensaleiros, ora passou a mão na cabeça dos aloprados, é o responsável pelo clima deliquescente em que está imerso o Brasil. Fortalece-se, agora, a reação à esperteza como um valor: pede-se moralidade e as pesquisas eleitorais mostram dobrar o número de indecisos, começar a queda de Lula e surgir a figura de Joaquim Barbosa, homem probo, franco, alheio a malabarismos malandros.

Deve-se ao julgamento do mensalão e ao ressurgimento da inflação a disseminação da revolta diante da situação moral e econômica do País. Atos de protesto reúnem diversos descontentes, sem propósitos idênticos, próximos apenas no inconformismo. Há um estado de anomia, de negação de legitimidade dos Poderes instituídos que leva a atender à chamada ao protesto como forma de expressar a descrença nos canais formais de representação da vontade popular: partidos, Congresso e governo.

A anomia decorre da frustração em vista da impossibilidade de satisfação das expectativas criadas de realização pessoal. Prometeu-se o acesso ao consumo, pela concessão de crédito e graças ao aumento salarial, alimentando desejos já exasperados pela propaganda, mas a inflação e o endividamento desfazem a promessa. Prometeu-se democracia como probidade e surge o mensalão. Prometeram-se condições dignas de vida com eficiente atendimento no transporte, na saúde, na educação, mas a realidade revela só o descaso dos donos do poder.

Dá-se, então, o divórcio entre as aspirações prevalecentes no meio social e os caminhos "socialmente estruturados para se atingir estas aspirações", como diz Merton. O refrão "o povo unido não precisa de partido" e o repúdio às bandeiras dos partidos mostram uma sociedade que corre paralela às instituições e as desconsidera. Os caminhantes de hoje têm em comum o forte sentimento disseminado de inconformidade, mas sem foco determinado: há em atividade uma metralhadora giratória num vazio político.

Dilma tentou fazer-se intérprete dos anseios detectados por seus marqueteiros, buscando tomar a frente da ida às ruas, mas seu estudado discurso soou perdidamente oportunista. Na fala do trono, em autoritária e constrangedora reunião com governadores e prefeitos, impingiu decisões disparatadas como a arriscadíssima e inconstitucional convocação de Constituinte via plebiscito, da qual teve de desistir no dia seguinte. Propôs plebiscito para reforma política, mas voltou atrás na quinta-feira de manhã; à tarde retornou a insistir no plebiscito ainda este ano. É uma pantomima.

Quanto ao plebiscito, há questão prévia relevante. Se posta em causa matéria de natureza constitucional, a convocação deve se dar por decreto aprovado por maioria de três quintos de ambas as Casas do Congresso, pois apenas com maioria simples será uma fraude: mudar a forma de mudar a Constituição. Com o plebiscito para a reforma política pretende-se jogar areia nos olhos do povo, criando falsamente a impressão de participação popular por meio tecnicamente inviável, pois esse tipo de consulta somente permite alternativa excludente, impossível para múltipla escolha.

Quanto ao sistema eleitoral, consta da Constituição que a eleição para a Câmara será proporcional, e vários dos sistemas enunciados pela "presidenta" o são: o atual, o proporcional em dois turnos e o distrital misto. Excluem-se o distritão e o distrital puro, em que vencem os mais votados, independentemente da soma dos votos do partido.

Assim, a "presidenta" sugeriu pergunta sobre sistema eleitoral: 1) proporcional; 2) distrital misto; 3) distrital puro; 4) distritão; 5) proporcional em dois turnos. Para facilitar, imaginemos apenas três alternativas: se 35% são a favor do distrital puro, 34% do distrital misto e 31% do proporcional atual, a opção vencedora pelo distrital puro será contrária à vontade de 65% dos votantes e se afastaria o sistema proporcional, que é de preferência da maioria. A proposta, portanto, não é factível. Com equilíbrio vê-se ser impossível elucidar o eleitor sobre a mecânica dos sistemas eleitorais, e suas consequências, para se ter escolha esclarecida.

Inexplicáveis as idas e vindas da Presidência, a mostrar ser o plebiscito mera manobra para forjar a sensação de ser ouvido quem se pensa deseje ser ouvido. Segue a "presidenta" uma biruta ao sabor do vento, sem se aperceber de que se clama por reforma na forma de fazer política, contra o modo de governar e de representar o povo.

A agenda imediata poderia ser: diminuição do número de ministérios, redução drástica dos cargos em comissão na administração direta e nas empresas estatais, nomeação de técnicos para diretores dessas empresas, desaparelhamento do Estado, registro dos cabos eleitorais remunerados, dotação de meios para a Justiça e o Ministério Público Eleitoral fiscalizarem e reprimirem o uso de caixa 2 nas campanhas, proibição de fornecedoras e prestadoras de serviço ao governo contribuírem para campanhas eleitorais, assegurar verbas fixas para emendas parlamentares sem troca de voto por liberação de meios. Quebram-se fontes da corrupção e pode vir a seriedade.

A sociedade civil (OAB, entidades de advogados, CNBB, lideranças patronais e sindicais, movimentos sociais como o contra corrupção) poderia unir-se à classe política, mesmo desprestigiada, para forçar e gerar até meados do ano próximo ampla reforma política com referendo nas eleições de 2014.

Chega de labilidade!

O fato e a versão

Merval Pereira 
O Globo

A mais recente trapalhada do Palácio do Planalto mostra bem como o governo Dilma está perdido na busca de aparentes respostas rápidas às manifestações populares.

Depois de recuar em 24 horas da convocação de uma Constituinte exclusiva para realizar a reforma política, foram necessárias apenas quatro horas para que recuasse da realização do plebiscito para valer já em 2014 e voltasse atrás do recuo.

O vice-presidente Michel Temer, depois de se encontrar com José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, e Aloizio Mercadante, da Educação, que atualmente faz o papel de coordenador político do governo, foi claro em uma entrevista coletiva: “Não há mais condições — e vocês sabem disso — de fazer qualquer consulta antes de outubro. E, não havendo condições temporais para fazer essa consulta, qualquer reforma que venha só se aplicará para as próximas eleições, e não para essa”.

Essa é a verdade dos fatos, mas não a verdade que a presidente Dilma quer ouvir. Sentiu-se desprestigiada, como se tivesse autoridade legal para convocar um plebiscito, e exigiu uma retratação.

Temer então soltou uma nota oficial da Vice-Presidência da República, afirmando que “o governo mantém a posição de que o ideal é a realização do plebiscito em data que altere o sistema político eleitoral já nas eleições de 2014”.

Entre o ideal e o possível vai uma distância grande, neste caso, pelo menos, mas se salvou a honra da “soberana”, como o marqueteiro João Santana define a presidente Dilma Rousseff e ela, pelo visto, se sente como tal.

Apegar-se à realização do plebiscito como se fosse a salvação da lavoura não passa de uma estratégia política para levar para longe do Palácio do Planalto as críticas das ruas.

Se é verdade que uma reforma política é necessária para que o Congresso reflita mais os anseios da cidadania, é mais verdade ainda que os temas principais das manifestações se referiam a melhorias de condições que dependem mais da ação eficiente do governo do que de reformas políticas.

O Executivo precisa se organizar de maneira a permitir mais investimentos, e para isso necessita dar o exemplo: cortar custos, equilibrar suas contas, conter a inflação.

Sem esses pré-requisitos, não haverá melhoria da economia, que segue para o terceiro ano num ritmo de crescimento médio que já é o menor dos últimos 16 anos. O resto é jogada de marqueteiro para enganar os eleitores.

O avião
O senador Renan Calheiros bem que tentou se mostrar atento às vozes da rua, com exceção daquelas 1,5 milhão de pessoas que pediram sua saída da presidência do Senado em abaixo-assinado.

Danou-se a aprovar diversas matérias que dormiam em suas gavetas, a tal ponto que vários colegas se mobilizaram para conter seu ímpeto diante do buraco no Orçamento que a aprovação indiscriminada provocaria.

Mas se de um lado se mostrou pródigo em aprovar gastos como o Passe Livre para estudantes, na tentativa de angariar simpatias, de outro continuava com seus hábitos de coronel da política. Flagrado no ato de utilizar um avião da FAB para ir ao casamento da filha do líder do PMDB Eduardo Braga, em Trancoso na Bahia, Calheiros garantiu que o usou da mesma maneira que sempre usara, como “o avião para representação, como presidente do Senado”.

Acontece que não tem esse direito, pois o decreto 4244 de 2002 que limita a utilização dos aviões da FAB, editado para acabar com mordomias, define as situações em que podem ser requisitados: por “motivo de segurança e emergência médica, em viagens a serviço e deslocamentos para o local de residência permanente”.

Como não se enquadra em nenhum desses casos, o presidente do Senado tem que ser responsabilizado por sua conduta ilegal.

Erro de nacionalidade
O poeta William Butler Yeats era irlandês, e não inglês como saiu aqui ontem.

A solidão na crise

Dora Kramer  
O Estado de S.Paulo

Um político que não milita no Executivo nem faz parte da roda de conselheiros, mas é muito próximo de Dilma Rousseff, teve dois sugestivos diálogos na semana passada. Um com ela, no Palácio do Planalto, outro com o presidente do Senado, Renan Calheiros.

A intenção dele era ajudá-la a encontrar uma saída, mas tudo o que conseguiu foi concluir que a presidente tem consciência de que está numa encruzilhada da qual não sabe como sair e que se sente abandonada pelo PT e pelos partidos da base aliada.

"Ninguém me defende, fugiram todos", disse ela ao interlocutor. A maior parte do tempo, no entanto, ouviu calada.

O amigo lhe disse: "Você nunca quis 39 ministérios, não pediu para o Brasil sediar a Copa, de verdade não queria a parceria com o PMDB. Isso tudo é herança do Lula".

Silêncio. "Essa não é você", ponderou o amigo, aconselhando-a a reagir segundo as próprias convicções. Da Copa não é possível voltar atrás, "mas você pode reduzir o número de ministérios e deixar de lado a aliança com o PMDB", insistiu.

Silêncio. Rompido apenas para externar o desagrado por pagar a conta sozinha: "Estou apanhando de todos os lados e nem tudo é responsabilidade minha". Não falou mal de Lula, não criticou esse ou aquele aliado, não deu sinal de que tenha a mais pálida ideia do que fazer.

O interlocutor da presidente saiu dali e foi procurar o presidente do Senado para lembrar-lhe alguns fatos e cobrar lealdade. "O governo foi forçado a apoiar sua volta à presidência, não faltou ao Sarney quando ele quase foi afastado na crise dos atos secretos (em 2009), por que agora essa atitude agressiva sua e do PMDB?"

Frio como um peixe, Calheiros respondeu: "Porque ela tentou jogar a crise no colo do Congresso". Segundo consta, nada mais disse nem lhe foi perguntado.

A conversa aconteceu dias depois de o presidente do Senado ter requisitado avião da FAB para ir ao casamento da filha do líder do governo Eduardo Braga, em Trancoso (BA), enquanto o País gritava de Norte a Sul que está farto dos espertos.

Chá e antipatia. 
O tempo fechou na reunião ministerial de segunda-feira quando o ministro Moreira Franco (PMDB) falou em inflação em termos, digamos mais realistas que o cenário cor-de-rosa pintado pelo colega Guido Mantega.

A certa altura, a presidente Dilma Rousseff o chamou de "burro".

No dia seguinte, na reunião da executiva do partido, nenhum dos ministros do partido - só Edison Lobão não foi, alegando doença - disse uma palavra em defesa da presidente que no encontro só não foi chamada de bonitinha.

Pode até ter sido arroubo momentâneo, mas na versão original da nota oficial sobre o resultado da reunião constava a disposição de entregarem os cargos. O texto dizia algo como "que a presidente faça o que quiser com os ministérios". A turma do deixa disso ponderou que os termos poderiam soar pessoalmente ofensivos e que não era hora de radicalizar em público.

Sobre eleição e reedição da aliança com o PT, o clima, que já não era bom antes da queda de Dilma nas pesquisas, ficou muito pior, mas o momento é de indefinição.

O PMDB não vê como a presidente possa voltar ao patamar anterior, não crê na candidatura de Lula, acha que quem vai se beneficiar eleitoralmente é quem, no campo da oposição, souber capitalizar a insatisfação, mas não vê um nome no horizonte.

Telhado de vidro. 
O PMDB e o Congresso estão sem autoridade para revides depois que se descobriu que os presidentes da Câmara e do Senado - ambos do partido e eleitos pela maioria dos pares - fizeram uso particular de bem público em desfaçatez ímpar, dado o momento.

EDUCAÇÃO: Dados novos, problema antigo

Gustavo Ioschpe
Veja online

O Brasil aumentou significativamente os gastos com o sistema educacional, mas, como mostram os dados mais recentes, ainda somos um país sem avanços notáveis

(Manoel Marques) 
UNIVERSIDADE PÚBLICA, setor em que o Brasil gasta muito mais
 do que os países avançados mas colhe os frutos mais pífios      

Na terça-feira 25 de junho, foram divulgados os dados do Education at a Glance 2013, o maior observatório de estatísticas educacionais do mundo, atualizado anualmente pela OCDE. O levantamento traz informações dos 34 países-membros da OCDE (os do chamado Primeiro Mundo, mais Chile, México, Turquia e países da Europa Oriental) e oito países do G20, incluindo o Brasil. 

O EAG reúne dados sobre diversos aspectos da educação - financiamento, estrutura de gastos, escolaridade da população, carga horária dos sistemas educacionais e retornos à educação, entre outros. 

Os dados são novos, mas, no que tange ao Brasil, infelizmente o retrato é antigo. Apesar de termos aumentado significativamente os insumos educacionais na última década - especialmente o volume de investimento -, nosso sistema educacional continua gerando poucos formados. Só 12% da nossa população adulta tem ensino superior, taxa que é quase um terço da existente nos países da OCDE (31%). Por causa da escassez de gente qualificada no país, os diplomados continuam ganhando excepcionalmente bem no mercado de trabalho (aqui, o bacharel ganha 2,5 vezes mais que alguém com apenas o ensino secundário, contra 1,5 vez na OCDE). 

Assim, a educação nacional, longe de ser uma ferramenta de alteração do status quo, torna-se a grande perpetuadora de nossas desigualdades de renda.

Qual é a cara da educação básica no Brasil?

Amanda Previdelli, de 
Exame.com

Os gastos do governo com educação são altos, mas os resultados deixam a desejar; veja alguns dados sobre o ensino fundamental no Brasil


Exame.com
Apuração: Amanda Previdelli
Design: Beatriz Blanco
Fonte: Unesco e QEdu

Quem dá bola é o voto

Sandro Vaia
Blog do Noblat

Não, senhores, vocês entenderam tudo errado. Ou fingiram que entenderam tudo errado.

O povo não foi às ruas incendiar ônibus, queimar cabines de pedágio, depredar lojas e nem cantar o Hino Nacional porque queria o voto distrital misto ou porque não pode viver sem o voto em lista ou porque quer cláusulas de barreira para que partidos políticos tenham existência legal.

A conversa da presidente da República, ao propor primeiro uma impossível Constituinte exclusiva e depois um plebiscito para uma reforma política é para boi dormir.

A conversa é uma desconversa para fugir daquilo que realmente interessa.

Todo mundo sabe que uma efetiva reforma política é necessária e saudável para limpar os vícios políticos do país e sabe também que o Congresso nunca fará isso por sua própria iniciativa porque ninguém legisla contra seus próprios interesses, assim como ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo num processo criminal.

A presidente aproveitou o barulho das ruas para fazer um gesto que significava fingir uma tomada de iniciativa e rolou a bola para o Congresso, que está fazendo um pouco de cera antes de mandá-la para escanteio.

O Congresso sai do seu torpor milenar e começa a discutir projetos que estavam embolorando nas gavetas e o Executivo finge que toma as rédeas da iniciativa política reunindo seu gigantesco e inoperante ministério como se cancelar uma folga de fim de semana para discutir o sexo dos anjos tivesse alguma utilidade para desencalhar o carro de bois atolado no brejo da inoperância.

A sensibilidade da classe política é tão extraordinariamente míope que não percebeu ainda que quando a opinião pública apoia plebiscitos e reformas políticas, não está pensando em sutilezas como financiamento público ou privado de campanhas ou em votos de lista. 

O povo quer alguma espécie de reforma política que impeça que o presidente da Câmara vá ao jogo de futebol num avião oficial com montes de amigos ou que o presidente do Senado use avião oficial para ir a um casamento.

Há um abismo conceitual intransponível entre o que os políticos pensam e o que está latente no inconsciente coletivo. E há um abismo maior ainda entre o que a presidente tenta dizer que quer e aquilo que o Congresso lhe permitirá fazer. A base aliada é fiel, antes de mais nada, a seus próprios interesses.

A incipiente e jovem democracia brasileira precisa, sim, de mecanismos que a aperfeiçoem.

O problema é que todos, Executivo e Legislativo, estão mais preocupados, neste momento, em mecanismos que afastem as pedras do caminho do único rumo que lhes interessa: o que leva à reeleição.

Hoje, quem dá a bola é o voto.

Uma trapalhada olímpica

Carlos Chagas 
Tribuna da Imprensa

Ontem, em Brasília, uma pergunta não queria calar: que motivos levaram a presidente Dilma a exigir do vice-presidente Michel Temer recuar do óbvio diagnóstico envolvendo o naufrágio   do plebiscito com validade  para  a reforma política  ser aplicada em 2014?  Ignora-se os termos  da exigência  feita pelo telefone, pois a presidente  encontrava-se  na Bahia. A experiência leva à suposição de altíssimos decibéis  cruzando a atmosfera.

O misterioso nessa história é sua motivação. Porque Dilma sabe, como o país inteiro, que o plebiscito não será aprovado para a reforma política valer ano que vem. A presidente do Tribunal Superior Eleitoral deixou claro não haver tempo, fulminando, de tabela, a essência da proposta  vaga e incompleta. Não bastassem esses argumentos, aí está o Congresso, que não se entende nem deseja a reforma política.

Por que, então? Para não dar o braço a torcer e reconhecer, com a derrota de sua sugestão, a perda do comando político que vinha exercendo?  Por temperamento? Por vaidade? Para recompor sua candidatura à reeleição, demonstrando à opinião publica que a culpa da crise é do Congresso, por não haver votado a reforma política, enquanto ela cumpre o seu dever?

Mas será dever  propor e insistir numa fantasia que só traz desgaste para o governo? E quanto a humilhar o vice-presidente da República, levando-o a desdizer um prognóstico mais do que evidente, feito horas antes?
Onde nos levará essa seqüência de erros? Sem meias palavras, essa trabalhada olímpica que só faz  atingir a autoridade dos detentores do poder?

O PSDB entrou na discussão levantando um pretexto inócuo. Disse o presidente do partido,  Aécio Neves, que tudo acontece para que o Lula volte à televisão numa suposta campanha plebiscitária. Ora, o Lula não precisa desse artifício. Basta estalar os dedos e estará em todos os canais e telinhas, pois sua imagem e seus comentários dão mais Ibope do que a novela das nove.

Parece fora de propósito supor uma armação do PT para substituir Dilma por Lula. Fosse assim e a presidente não se prestaria a esse festival de contradições, mesmo cedendo ao império das circunstâncias criado pelos companheiros. Se o ex-presidente quiser, será candidato em menos de quinze minutos, com a concordância da sucessora.

Fica então a  pergunta, por enquanto sem resposta. Do jeito que as coisas vão, nem mesmo será aprovado o plebiscito para realizar-se  ano que vem. Muito menos depois. Integrará o rol das águas passadas, em especial se deputados e senadores aprovarem ao menos parte dos projetos da reforma política.

CONTRADIÇÕES
O presidente do PT, Rui Falcão, acaba de convocar o partido para participar das manifestações e protestos de rua que daqui por diante vierem a realizar-se. Se integrados na multidão, sem camisetas identificadoras, os companheiros poderão ser absorvidos. Desde que não portem bandeiras, é claro. Nessa hipótese, continuariam a ser escorraçados. A grande contradição da proposta está em que os protestos e manifestações se fazem contra os partidos políticos, contra a autoridade pública, contra os governos. Inclusive o deles.

INVERSÕES
Quem denuncia uma traição pode ser chamado de traidor? O agredido transforma-se em agressor?

Seria cômico se não fosse trágico assistir o ex-funcionário da CIA ser perseguido pelo governo dos Estados Unidos  como se fosse um réprobo, por haver denunciado que milhares de telefonemas e comunicações eletrônicas em todo o mundo  são objeto de monitoração pelo governo de Washington.

Parece o retorno à Inquisição e às fogueiras do Santo Ofício.

Os interesses dos partidos que travam a reforma política

Laryssa Borges
Veja online

Projetos que podem mudar o modelo eleitoral estão engavetados há anos no Congresso porque os principais partidos do país não chegam a um consenso

(Ueslei Marcelino/Reuters) 
NÃO COLOU - 
Manobra do governo para tentar aprovar um plebiscito para a
 reforma política e mudar as regras do jogo já em 2014 fracassou 

O plebiscito oportunista proposto pelo governo para realizar a reforma política neste ano dificilmente sobreviverá. O que pouco se discute, porém, em relação a essa tentativa rasteira do PT e do Palácio do Planalto, é que projetos para mudar o modelo eleitoral brasileiro estão parados no Congresso há anos. A dificuldade em fazer o tema avançar no Legislativo vai além da inoperância dos articuladores políticos de Dilma Rousseff: os principais partidos do país têm posições (e interesses) distintos na reforma política. 

Não é exagero afirmar que cada partido tem sua própria versão da reforma política ideal. O PT, por exemplo, que detém a maior bancada de deputados federais do país, insiste na ideia bolivariana de convocar uma Constituinte exclusiva para tratar do assunto e tentar mudar as regras eleitorais já em 2014 – ainda que isso atropele princípios constitucionais. Nesse caso, a manobra visa aprovar antigos sonhos da sigla, como o financiamento público de campanha e a institucionalização do voto de cabresto (voto em lista fechada).

 “Nunca houve um debate no Brasil sobre os pontos da reforma política. Agora vai ser no convencimento. A população há de ser convencida da tese de cada partido, mas essa mesma população, a rigor, não domina com profundidade cada um dos temas da reforma política”, admite o líder do PT no Senado, Wellington Dias (PT-PI). “O PT não quer ficar isolado e já estamos debatendo nossas ideias com outros partidos”, completa.

O PMDB, a segunda maior bancada na Câmara, tem outras pretensões. Com capilaridade nos rincões do país, a legenda que mais elegeu prefeitos em 2012 – foram 1.024 prefeituras das 5.568 disputadas – defende a adoção do chamado "distritão", sistema que promoveria a eleição dos candidatos a deputado mais votados em seus estados, independentemente das siglas pelas quais concorreram. O modelo, entretanto, tem o grave risco de institucionalizar o “sistema eleitoral Tiririca” – deputado que, por ter obtido cerca de 1,3 milhão de votos, acabou elegendo também outros parlamentares.

O "distritão" substituiria o sistema proporcional com coligação, que leva em conta o quociente eleitoral (divisão do número de votos pelo número de vagas do estado na Câmara), e poderia provocar no Congresso a ascensão de diversos “Tiriricas” ou puxadores de voto que não necessariamente tenham afinidade ou interesse em um mandato político.

O "distritão" favorece os grandes partidos, que têm boa inserção nos grotões e são conhecidos até pelo eleitor menos politizado. Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta que, com base nas eleições proporcionais para a Câmara dos Deputados em 2010, PT, PMDB, PP e DEM poderiam ter bancadas maiores do que as que conseguiram eleger se a regra do "distritão" já estivesse em vigor.

Com uma crise deflagrada em sua base no Congresso, tudo indica que a presidente Dilma Rousseff dificilmente conseguirá salvar seu plebiscito improvisado para mudar as regras do jogo em 2014. Mas o debate sobre a necessidade de uma reforma política no Brasil seguirá em pauta, legislatura após legislatura. “O governo está completamente amador nas discussões sobre reforma política”, avalia o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). “Precisamos dar uma resposta concreta e real para a sociedade, e não uma resposta com uma consulta popular feita às pressas”, diz o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (PTB-GO).

O prejuízo para a Rede, nova sigla de Marina Silva 

Financiamento público de campanha
Pela proposta defendida pelo PT, pessoas e empresas farão doações para um fundo, e os recursos serão distribuídos para as campanhas de acordo com a votação do partido na eleição anterior. Como a Rede ainda está em formação, a legenda teria apenas verba residual para aplicar na campanha. Mesmo tendo 20 milhões de votos em 2010, a ex-senadora teria direito a somente 0,16% do dinheiro público.

Cláusula de barreira
A proposta de se criar uma cláusula de desempenho poderia afetar diretamente a sobrevida da Rede porque exigiria do partido, ainda em formação e pouco conhecido, a conquista de um mínimo de votos para ter representatividade.

Distritão
Desconhecida, a Rede teria dificuldade em derrotar grandes puxadores de voto nos rincões do Brasil.

'Dilma foi atabalhoada e está pagando o preço por seu estilo autoritário e centralizador'

Karine Rodrigues 
O Globo

Geraldo Tadeu Monteiro, do Iuperj, diz que sobrevivência política da presidente depende de mudança radical no modo de governar

Para o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), a presidente Dilma Rousseff está diante de um momento de impasse: ou muda radical e rapidamente o seu estilo de governar, substituindo o autoritarismo pelo diálogo com prefeitos, governadores e parlamentares, ou corre o risco de ver sua administração caminhar para um estado de paralisia. Se permanecer como está, avalia Monteiro, há grande possibilidade de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre, novamente, como fiador de Dilma para garantir a governabilidade até 2014.

A presidente Dilma soube ouvir a voz das ruas ao propor uma reforma política a ser realizada por meio de um plebiscito?
Foi uma saída atabalhoada. Ela pensou que seria um golpe de mestre tirar a crise das ruas e botá-la nas instituições. Ela colocou a bomba no colo do Congresso e disse: “Agora vocês têm que fazer o que eu estou determinando”. Mas depois ela percebeu que não era bem assim, que as resistências, no Congresso inclusive, eram muito fortes. O plebiscito não tem condições de ir adiante. Não há tempo hábil para se organizar um plebiscito sobre assuntos tão controversos e nem há condições políticas, pois isso suporia um consenso entre os políticos. Não é à toa que o Congresso discute há mais de dez anos diferentes propostas de reforma política.

Com a resistência ao plebiscito, inclusive entre partidos da base aliada, qual a situação da presidente hoje?
Ela está pagando o preço por seu estilo de governar, que é centralizador e autoritário. Dilma tomou essa decisão sobre a reforma política e o plebiscito repetindo esse padrão. Chamou os governadores apenas para comunicar a decisão que já havia tomado. Em momento algum, ouviu a sua base política ou discutiu o assunto com os governadores, muito menos com os presidentes da Casa e do Senado. Ela decidiu passar por cima deles e apelar para o povo diretamente. O pior é que ela ficou sozinha nessa história porque todo muito rejeitou as propostas. Nem a rua comprou as ideias dela. Você não viu cartazes com as frases “Queremos plebiscito” “Queremos reforma política”.

Apesar de sua avaliação negativa sobre a conduta da presidente, o senhor acha que ela pode recuperar a popularidade anterior ao início dos protestos?
A pesquisa foi uma pá de cal. A reeleição, que estava assegurada, não está mais. E, com isso, a base política dela ganha mais força. Ela sempre se valeu da aprovação de seu governo para impor ao Congresso as suas determinações, mas, agora, há pouco mais de um ano das eleições, está com 30% das intenções de voto e em queda nas alianças. Mais do que nunca, ela está precisando do apoio da sua base política, mas não sei se ela consegue. Com o governo caindo na aprovação popular, uma crise econômica que se avizinha, que vai fazer com que o governo tenha menos instrumentos para fazer política — distribuindo recursos, por exemplo — ela não vai ter mais bala na agulha para fazer política e recompor a sua base daqui pra frente.

Ela não, teria, então, como se recuperar?
A Dilma chegou num impasse. Ela tem de mudar totalmente de estilo e tentar ganhar a confiança do Congresso para ter estabilidade e seguir adiante por mais um ano de governo. Não sei se ela tem este know how. O Lula tinha. Era talhado na luta sindical. Ela, não. Sempre trabalhou em um gabinete, dando ordens. Pode ser que, desta crise, resulte um novo estilo, que ela tente governar de uma nova maneira. A sobrevivência política dela vai depender disso. Se não tiver capacidade de mudar radical e rapidamente o estilo de governo, eu temo que o governo dela caminhe para uma situação de paralisia política. A tendência de trajetória do governo Dilma é de queda. É muito pouco provável pelas condições atuais que a Dilma se restabeleça politicamente a ponto de ser candidata de consenso para 2014.

Diante disso, o que poderá ocorrer? Uma volta de Lula?
O presidente Lula travava relações com movimentos sociais e partidos políticos. Ele saía do gabinete para atender deputado que estava na antessala, enquanto Dilma não recebe ninguém, nem os próprios ministros. Agora, com o governo em queda, provavelmente a base vai abandoná-la para se voltar para quem encarna o futuro. Quem seria? Marina, Aécio, Lula? Acho que aí entra o fator Lula. Ele pode assumir a condição de espécie de tutor ou avalista da Dilma para que, os últimos 365 dias transcorram em paz até que ele volte a ser presidente. Como fiador da Dilma, ele não deixaria que o governo ficasse órfão. Ele faria a articulação. É o mais provável. Outra hipótese é o Lula não entrar no circuito. E aí a Dilma ficará numa situação de muita fragilidade.

Dilma diz ao PT não estar acuada e pede ajuda fora do Congresso para plebiscito

O Estado de S. Paulo

Governo admite dificuldades na base para conseguir apoio de 171 deputados para que decreto autorizando a consulta seja aprovado

A presidente Dilma Rousseff reuniu ontem 22 deputados do PT e pediu apoio para garantir a governabilidade. “Não pensem que eu estou acuada”, disse, em reunião de duas horas com a coordenação da bancada do PT na Câmara, realizada no Palácio do Planalto. “Vou para cima e vou disputar o nosso legado.”

Dilma, que insiste na realização de um plebiscito para que a população possa opinar sobre a reforma política, decidiu buscar ajuda fora do Congresso. Na noite de ontem, por exemplo, integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) disseram a ela que vão levantar a bandeira do “plebiscito Já” para a reforma política no “Dia Nacional de Luta com Greves e Mobilizações”, programado para a próxima quinta-feira, em todo o País.

O PT, a CUT, a Força Sindical e outras quatro entidades dos trabalhadores também pretendem ocupar as ruas das principais capitais pedindo o plebiscito. E no Planalto já se estuda a possibilidade de o governo apoiar a tese de entidades como a OAB e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral de um projeto de lei de iniciativa popular para a reforma política. Embora o governo esteja ciente dos obstáculos para fazer o plebiscito em tempo hábil e efetivar mudanças sugeridas já nas eleições de 2014, a ordem é ainda manter esse discurso.

A estratégia do Palácio do Planalto consiste em jogar ao Congresso a responsabilidade por qualquer fiasco no capítulo das mudanças do sistema político. Em duas reuniões ontem, a primeira com deputados do PT e a segunda com representantes de movimentos do campo, como o MST, Dilma adotou o discurso de que é importante o “plebiscito já” por não querer que a consulta coincida com as eleições de 2014.

Bola com o Congresso.
“Eu estou fazendo a minha parte e agora a bola está com o Congresso”, afirmou a presidente, de acordo com participantes das reuniões. Foi por esse motivo que Dilma ficou irritada com o vice-presidente, Michel Temer, e também com líderes do PT e do PMDB que, na quinta-feira, disseram com todas as letras ser inviável aprovar mudanças no sistema político para 2014.

Depois da bronca de Dilma, Temer e dirigentes do PT recuaram no discurso, mas integrantes da própria base aliada consideram que se trata de “jogo de cena”. Durante o dia de ontem, as idas e vindas continuaram.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que o Planalto vai trabalhar “para ver se dá tempo” de realizar plebiscito cujas sugestões possam ter impacto na disputa de 2014. Para entrar em vigor em 2014, uma reforma política teria de ser votada até 5 outubro, um ano antes do pleito.

“Há quem analise que o fato de o Tribunal Superior Eleitoral ter definido o prazo de 70 dias para organizar o plebiscito praticamente tira as chances de as mudanças valerem para 2014. Mas, para o governo, ‘praticamente’ não é ‘totalmente’”, afirmou Chinaglia. “Digo e repito: não dá tempo de fazer isso agora. Tenho a coragem de dizer a verdade”, afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Começa na Câmara. Diante dos problemas para a convocação do plebiscito, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), avisou a presidente Dilma de que o projeto sobre o assunto só tramitará naquela Casa se for aprovado primeiro pela Câmara. O debate a respeito da tramitação cresceu depois de resistências enfrentadas pelo governo para aprovar a proposta na Câmara, onde o PMDB rejeita a tese do plebiscito. “Tramitar primeiro no Senado seria inverter a lógica do processo legislativo”, insistiu Renan.

Para o plebiscito virar realidade, é preciso que 1/3 dos deputados (171) aprove decreto legislativo para a realização da consulta. Como a base do governo está totalmente fragmentada e sem coesão, a presidente não consegue apoio à ideia por ora.

No encontro com o PT, Dilma prometeu dar uma “chacoalhada” no governo, recompor o diálogo com a base, ouvir mais e enfrentar as pressões políticas tanto por parte da oposição quanto de aliados como PMDB, que têm feito ácidas críticas à sua gestão. “Vamos afinar a viola”, resumiu o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE).

Dilma ouviu mais críticas sobre a articulação política do governo e concordou com as queixas dos parlamentares, feitas diante da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT). De acordo com petistas, ninguém teve coragem de fazer perguntas sobre eventual reforma ministerial. 

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Creio que a soberana está metendo os pés pelos pés. Afirmar que "estou fazendo a minha parte" não é nenhum pouco simpático para quem precisará de apoio do Congresso para levar a frente a reforma política pretendida.

Além disso, Dilma está tentando fazer um papel que não lhe cabe. Nem o plebiscito tampouco as reformas políticas são de sua alçada. são prerrogativas do Congresso.

O que povo está pedindo que o governo faça, qualificar os serviços públicos, Dilma está pondo de lado justamente por não projetos e não competência para realizar.

No fundo, Dilma tenta transferir a rejeição ao governo para o colo do Congresso, tática muito conhecida dos governos petistas que, de um lado, tentar capitalizar para si os feitos alheios e, de outro lado, tem a triste mania de transferir responsabilidades de sua incompetência para terceiros.  

E, atenção, Dona Dilma: 2013 vai dar pibinho de novo. Alguma proposta decente para virar o jogo? 

Dilma dá início a encontros com representantes de movimentos sociais

Luiza Damé 
O Globo

Carta é entregue à presidente elencando as principais lutas

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff dedicou cerca de duas horas desta sexta-feira aos movimentos do campo e ouviu uma declaração de apoio ao plebiscito da reforma política. Segundo Alexandre Conceição, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), as organizações do campo participarão das manifestações marcadas para o próximo dia 11 de julho e defenderão o plebiscito proposto por Dilma ao Congresso, mas rechaçado por boa parte dos parlamentares, inclusive da base governista.

- O recado das organizações do campo foi que nós vamos para as ruas dia 11, para poder fazer paralisação nacional deste país, para rediscutir este país e, sobretudo, para defender o plebiscito popular. Já que o Congresso e a grande mídia não querem o plebiscito, o povo que foi para a rua está reivindicando mudanças, e a grande mudança passa por um plebiscito popular. Mas que as questões não sejam só de cunho eleitoral, sejam também sobre participação popular. Não nos sentimos mais representados por esse Congresso financiado pelo grande capital_ disse Conceição.

- Queremos ter o direito de participar das decisões. E a melhor forma é o plebiscito. O povo foi às ruas pedir uma nova postura política - afirmou Joceli Andrioli, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Conceição negou que a posição das organizações da terra sejam de defesa do governo Dilma:

- Vamos para a rua não para defender governo vamos para a rua defender um projeto político, reforma agrária, produção de alimentos saudáveis e solidarizar com a luta das cidades.

Os movimentos do campo entregaram uma carta à presidente, elencando as principais lutas, entre elas, a reforma agrária e melhorias na saúde e na educação. Conceição disse que os movimentos cobraram da presidente a desburocratização do governo e argumentaram que a reforma agrária vai impactar na vida das cidades.

- As cidades estão colapsadas, passando por problemas terríveis e isso é culpa também de um modelo de agricultura que expulsa o trabalhador da roça. Trouxemos elementos para ajudar a desafogar as cidades: a reforma agrária ampla e massiva, a reforma agrária que possa produzir alimentos. Estamos vivendo um pico de inflação, porque os alimentos estão cada vez mais caros. Quando houver reforma agrária, vamos produzir alimentos, e o custo das cidades vai cair, as cidades vão desafogar. Não esse modelo de agricultura que só produz sob transgênico e sob veneno - argumentou.

Segundo Conceição, a está preocupada como o momento político e "quer fazer mais e melhor".

- A presidente também fez uma análise do momento, uma autocrítica de que o governo investiu pouco nas cidades e que é preciso investir mais, sobretudo em transporte público. Fez uma análise de que o governo conseguiu elevar a condição da população da cidade e agora quer um pouco mais. Nós dissemos a ela que queremos mais e melhor em defesa da nossa soberania - contou.

Os encontros estão sendo articulados pelo ministro da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, e fazem parte da estratégia definida pela presidente na reunião ministerial da última segunda-feira. A presidente disse naquele dia que o governo faria "um reforço muito grande" na interlocução com os movimentos sociais e partidos políticos. E prometeu participar das conferências setoriais.

Na próxima semana, a presidente deve se reunir com representantes dos indígenas, da cultura digital, dos blogs populares, das entidades que tratam da reforma política, dos evangélicos, do movimento negro e das mulheres. Segundo o ministro, os encontros serão periódicos.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O governo petista entende que, apostando no caos, infernizando a vida das pessoas, conseguirão impor sua agenda obscurantista de reforma política.

é bom esta gente medir bem suas ações. Paralisar o país só tornará a situação econômica, por exemplo. quanto pior estiver a economia, menor a chance de Dilmar emplacar sua reeleição.

O grau de tolerância da sociedade com a bagunça, a desordem e o vandalismo está no limite. Esta agitação que o PT está promovendo, pode se transformar em  um verdadeiro tiro no pé. 

Tentar enfiar goela abaixo da sociedade uma reforma política sem o devido debate, pode resultar em um resultado desastroso no próprio plebiscito. Portanto, que se reflita bem sobre os prós e os contras antes de se aventurarem nestas paralisações.