domingo, julho 07, 2013

Governo estuda imposto menor de importação de insumo

Exame.com
Com informações Agência Reuters

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira que o governo estuda reduzir alíquotas de importação de insumos básicos, como aço e produtos químicos

REUTERS/Ueslei Marcelino 
"Vamos observar o comportamento do dólar e, eventualmente, reduzir
impostos de importação na mesma proporção", afirmou Mantega a jornalistas

Brasília  - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira que o governo estuda reduzir alíquotas do Imposto de Importação (II) de insumos básicos, como aço e produtos químicos, para conter pressão de preços em um momento em que o dólar se valoriza ante real.

"Vamos observar o comportamento do dólar e, eventualmente, diminuir o imposto de importação proporcional a essa subida do dólar", afirmou o ministro) caso não façamos isso pode haver pressão inflacionária", comentou o ministro.

Em setembro do ano passado, o governo elevou a alíquota do II de cerca de 100 produtos, entre os quais insumos básicos, até setembro deste ano. A medida foi adotada em um contexto de dólar fraco como forma de dar maior condições de concorrência aos produtores nacionais na disputa pelo mercado interno.

Agora, a situação é diferente, com o dólar tendo subido cerca de 10 % nos últimos dois meses e, neste momento, acima do patamar de 2,25 reais.

"O retorno da tarifa (de importação) vai depender do patamar do dólar... Não será feito de imediato, será feito com cuidado e em comum acordo com os setores", afirmou o ministro.

Alguns setores, entre os quais os fabricantes de eletroeletrônicos e de linha branca, reclamaram recentemente ao ministro da Fazenda que a alta dos preços dos insumos estava pressionando os custos operacionais, com riscos de encarecimento do preço final aos consumidores.

Nesta sexta-feira, Mantega comentou ainda a desaceleração do IPCA em junho, dizendo que o recuo ocorreu principalmente nos preços de alimentos, habitação e de serviços.

"Em 12 meses, (a inflação) infelizmente ultrapassou a meta, mas o importante é que vai diminuir essa diferença e no segundo semestre voltará abaixo do limite superior da meta".

O indicador encerrou junho em 0,26 %, inferior a 0,37 % em maio. Mas em 12 meses, a variação ficou em 6,70 % acima do teto da meta de inflação.

Questionado sobre se ele confirmaria especulação no mercado da eventual saída do secretário do Tesouro, Arno Augustin, o ministro disse que não confirmava "nenhuma saída da equipe econômica".

Mantega reafirmou ainda que o corte de gasto público a ser anunciado pelo governo nos próximos dias será inferior a 15 bilhões de reais.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Não faz muito o senhor Guido Mantega afirmou para os quatro cantos do mundo, de que o governo Dilma não utilizaria o câmbio para conter a inflação. 

Agora, esquecendo do que afirmara, o senhor Mantega se saiu com essa: "Vamos observar o comportamento do dólar e, eventualmente, diminuir o imposto de importação proporcional a essa subida do dólar", afirmou o ministro) caso não façamos isso pode haver pressão inflacionária".

Não há investidor que arrisque seu pescoço num país onde as autoridades econômicas mudam de ideia a todo o instante. Estas contradições geram um ambiente de total insegurança. 

Para uma economia em que o excesso de demanda, incentivada  pelo próprio governo, provoca choque de oferta, é óbvio que a importação é que terá o dom de equilibrar a balança, evitando a disparada de preços. E se as importações começam a encarecer em razão do câmbio, também é óbvio que o governo utilizará os instrumentos de que dispõem para que as importações mais encarecidas não pressionem ainda mais a inflação.   

Não é à toa que existem pressões internas no governo Dilma, muito embora esta negue, para mudanças em sua equipe econômica. Dilma tem resistido o quanto pode. Entende seus feiticeiros ainda tem condições de contornar as dificuldades que, diga-se de passagem, foram criadas por eles mesmos.