domingo, julho 07, 2013

DECISÃO ESTÚPIDA: STF nega recurso para aposentados do Aerus

Danielle Nogueira 
O Globo

Esperança, agora, recai sobre ação sobre defasagem tarifária da Varig, que também está no Supremo
Cerca de oito mil aposentados só têm garantia de que vão receber suas aposentadorias por poucos meses
À espera do pagamento, dois pensionistas morrem no Paraná

RIO - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, indeferiu nesta sexta-feira o pedido de tutela antecipada para que a União assumisse o pagamento das aposentadorias dos ex-funcionários da Varig e da Transbrasil. Com a decisão, fica reduzida a chance de uma solução para milhares de aposentados e pensionistas do Aerus, o fundo de pensão de ex-funcionários das duas aéreas. Desde 2006, quando foi decretada a intervenção do fundo, as aposentadorias começaram a minguar. A pior situação é a dos participantes de plano 1 da Varig, que só têm dinheiro para pagar o benefício por mais alguns meses. Cerca de oito mil pessoas aderiram a esse plano.

A ação que pleiteia que a União assuma o pagamento das aposentadorias foi ajuizada pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) e pela Associação dos Funcionários Aposentados e Pensionistas da Transbrasil em 2004 e teve seu pedido de tutela antecipada reconhecido dois anos depois. Após longa discussão jurídica, o Supremo Tribunal Federal condicionou, em 2010, a aplicação da tutela à decisão de primeira instância. Isso aconteceu em julho de 2012, quando o juiz Jamil Oliveira, da 14ª Vara Federal de Brasília, proferiu sentença favorável aos aposentados.

A partir de então, o processo foi dividido em dois: de uma parte consta o mérito da decisão do juiz da 14ª Vara; da outra parte consta o pedido de execução provisória da tutela. Esta foi derrubada em outubro, a partir de recurso interposto pela Advocacia Geral da União (AGU), o que fez o caso voltar ao STF. A ação estava no Supremo desde dezembro de 2012.

— Essa decisão destruiu a esperança de milhares de aposentados. Temos uma decisão favorável de primeira instância, mas até que ela seja julgada em instâncias superiores os aposentados não vão aguentar esperar. Por isso, a tutela antecipada era tão importante — disse Graziella Baggio, ex-presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas e líder do movimento de ocupação da sede do Aerus, no Rio, onde há uma semana 13 aposentados estão acampados.

Segundo ela, o movimento vai reavaliar a situação, para saber se mantém a ocupação. A espera pelas decisões do STF foi longa demais para o comandante Emir Ciruelos, que faleceu na madrugada de nesta sexta-feira, e o aeroviário Manuel Medeiros de Almeida, que morreu na véspera. Ambos infartaram e eram atuantes na comissão de aposentados do Aerus do Paraná. Outro aposentado segue em greve de fome no Santos Dumont, no Rio.

A esperança, no entanto, não acabou por completo. Outra ação, na qual é pedido que a União indenize a massa falida da Varig por causa do congelamento de tarifas entre 1985 e 1992, teve parecer favorável da ministra Cármen Lúcia, do STF, em maio. Mas o ministro Joaquim Barbosa pediu vistas do processo. Não há data para seu julgamento. Segundo o Aerus, a indenização devida pela União neste caso seria de cerca de R$ 7 bilhões, em valores atualizados.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Eis aí uma questão que sequer precisaria bater às portas do STF para ter um final honroso e feliz. E por que  isto aconteceu? Pela simples  razão de que, primeiro com Lula, e depois com Dilma, o governo federal do PT não se satisfez em provocar a falência da VARIG. Agora, quer matar a míngua seus aposentados e pensionistas. Nega-se terminantemente em pagar aquilo a que já foi condenado a pagar na Justiça. Brincando, brincando, são mais de R$ 7,0 bilhões que a União deve e se negar em pagar.

Tivesse tido a honradez de cumprir com suas obrigações e, uma vez condenada na Justiça, não ficar protelando pagar aquele valor, e sequer a questão estaria tomando o tempo dos tribunais. Tivesse agido com dignidade e respeito a uma das mais representativas empresas da aviação comercial brasileira, e por certo a VARIG nem teria quebrado, e tampouco seus ex-funcionários estariam, literalmente, morrendo de fome por não receberem os seus direitos, adquiridos ao longo de uma vida inteira de trabalho.

Afirmei em outras ocasiões e torno a repetir: jamais se poderá perdoar o crime cometido pelo governo Lula, apoiado pela senhora Dilma Rousseff à época na Casa Civil, por terem provocado, premeditadamente, a falência da VARIG. Ainda retornaremos a este assunto.