domingo, julho 07, 2013

Postalis tem R$ 127 milhões em ações das ‘X’

Lino Rodrigues 
O Globo

Fundo de pensão dos Correios concentrou 20% de sua carteira de ações em papéis de empresas do grupo EBX


SÃO PAULO - A crise no império de Eike Batista deve afetar o resultado financeiro do fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis. Com patrimônio de R$ 7,68 bilhões e um déficit de R$ 985 milhões em conta nos últimos dois anos, por conta da elevação da expectativa de vida de associados e a queda dos juros, o fundo concentrou cerca de 20% de suas aplicações em Bolsa em papéis das empresas do grupo EBX. O Postalis aplica 7,98% do seu patrimônio em ações, o equivalente a R$ 613 milhões. E as empresas de Eike respondem por R$ 127,5 milhões.

A atual administração do Postalis, décimo quarto maior fundo de pensão do país, defende sua gestão. Em nota, diz que a decisão de investir nas empresas do grupo EBX foi de um gestor terceirizado, e não da direção do fundo. “O gestor optou pelo investimento por levar em consideração premissas que indicavam ser aquele um bom investimento à época (setembro de 2011)”, diz o texto, sem identificar o gestor. O fundo alega ainda que as possíveis “perdas” só poderiam ser consideradas se o gestor, contratado por ele, tivesse vendido as ações em período de baixa — o que, no jargão do mercado, significa “realizar o prejuízo”.

O fundo acrescenta que existe um “horizonte” de alta para o investimento, que foi feito visando um retorno de longo prazo. Para isso, cita que as empresas de Eike, como a MPX, onde está investido a maior parte dos recursos, estão sendo capitalizadas “o que representa um indicador positivo”.

Aplicação no banco BVA
Outros fundos estão muito pouco expostos ou não têm participação nas empresas do grupo EBX. O Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, informou que investe 36% de seu patrimônio de R$ 3,7 bilhões em renda variável; mas em papéis das empresas comandadas por Eike são apenas R$ 300 mil, ou 0,000002%. Já o Petros, dos empregados da Petrobras, informou que não tem investimentos nas empresas. Procurada, a Funcef, ligada à Caixa Econômica Federal, disse que não revelaria os dados, porque são informações sigilosas e podem expor a entidade a riscos de perdas.

— Eles (o Postalis) deveriam ser mais conservadores. Esse tipo de investimento é para quem tem apetite por risco, o que não é o caso dos fundos de pensão — disse Fabio Gallo, professor de finanças da FGV.

Esta não é primeira vez que o Postalis erra na estratégia de aplicação de seus recursos. O fundo investiu R$ 135,85 milhões no Banco BVA, que teve decretada sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central no mês passado. Do total aplicado, apenas R$ 22,14 milhões que haviam sido colocados em títulos de renda fixa foram resgatados antes da liquidação. O restante (R$ 62,8 milhões em fundos de investimentos e R$ 50,91 milhões em letras financeiras) corre o risco de virar pó. O fundo diz que está aguardando o desdobramento do processo de liquidação para definir sua estratégia enquanto credor.