domingo, julho 07, 2013

França também vasculha dados de milhões de pessoas

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Reportagem do jornal 'Le Monde' afirma que informações telefônicas e comunicações pela internet são armazenadas durante anos

(Anis Mili/Reuters) 
O presidente francês, François Hollande 

No último fim de semana, a União Europeia pediu explicações aos Estados Unidos sobre denúncias de que programas de vigilância do governo americano alcançaram instituições europeias. Nesta quinta-feira, o jornal francês Le Monde afirmou que a França tem um programa semelhante ao dos EUA. A reportagem diz que o ‘Big Brother’ do governo francês coleta sistematicamente dados emitidos por computadores e telefones, incluindo, claro, a comunicação de franceses com pessoas que estão em outros países. “O conjunto de e-mails, torpedos, chamadas telefônicas, acesso ao Facebook e Twitter são armazenados durante anos”, destaca o texto.

O armazenamento de dados é feito pelo Diretório Geral de Segurança Externa (DGSE), que não vasculha o conteúdo das mensagens, mas sim quem está envolvido na comunicação. “É mais interessante saber quem fala com quem do que registrar o que é dito. Mais do que escutas, são esses dados técnicos, os ‘metadados’, o que vale esmiuçar”. Os metadados podem indicar, por exemplo, quem está envolvido na comunicação, em que data ocorreu o contato, a partir de qual localidade e quanto tempo durou. No caso das comunicações por computador, o governo monitora toda a atividade que passa por empresas como Google, Facebook, Microsoft, Apple e Yahoo!, enumera o Monde. Os dados permitem estabelecer ligações entre pessoas ao longo dos anos.

O programa francês, assim como o americano – que foi revelado pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden –, também é secreto. Mas sua existência aparece discretamente em documentos que apontam o progresso do sistema desde 2008. “O dispositivo é evidentemente valioso na luta contra o terrorismo. Mas permite espionar qualquer pessoa, a qualquer tempo”, destaca o jornal francês.

A legislação francesa prevê algumas restrições para interceptações por motivos de segurança, mas não há nada sobre o armazenamento em grande escala de dados técnicos pelos serviços secretos. “Estamos há anos sob a autorização virtual e cada agência aproveita bem dessa liberdade graças à imprecisão jurídica que existe em torno dos metadados”, diz um dos antigos chefes dos serviços de vigilância.

O governo francês foi um dos que criticou o programa dos Estados Unidos, que mantém milhões de pessoas sob constante vigilância. Também há informações de que a Grã-Bretanha mantém um programa que vasculha os dados de milhões de pessoas em parceria com a Agência de Segurança Nacional dos EUA.