* Governo anti-social
* A festa acabou
* Metas do Brasil para Conferência do Clima emperram
* PAC da Segurança continua encarcerado na discurseira
* Reestatizar o Estado
* Confronto inútil entre a Justiça e Senado
* Valor da sociedade de mercado e valor de mercado
* Blogs, twitter, orkut e outros buracos
* Um estudo com meia verdade
* A fantástica fábrica de mentiras do PT de São Paulo
* Breve comentário sobre a entrevista de Armínio Fraga
* A entrevista de Armínio Fraga
* Governo não tem certeza de como lidar com drogas, diz Lula
quarta-feira, novembro 04, 2009
Governo anti-social
Adelson Elias Vasconcellos
Se há duas categorias no Brasil que mais têm sofrido as ações do governo Lula é, uma, a classe média, que é quem carrega nas costas o duro fardo dos impostos. Tira-se dela para os pobres, e até aí, vá lá,tudo bem. Mas também dela se tira para os grandes empresários e o sistema financeiro, afora, claro, a corte imperial de Brasília da Fantasia.
Aliás, a exploração da classe média, apesar de injustificada, até compreendo por se tratar da estratégia das esquerdas. Uma classe média fortalecida não permitiria a entrada de jumentos e ratos no poder. Sua cultura e capacidade de se informar, não se deixaria levar pela cantilena maldita e maquiavélica dos ratos políticos que vicejam de norte a sul.
A outra categoria é a dos aposentados. O que se está praticando em relação a eles é um crime sem precedentes. Nem vem aqui o fato de terem trabalhado a vida toda para ajudarem a erguer este país. Porém, é no final da vida, quando mais atenção e proteção do Estado que ajudaram a manter por 30, 35 e até 40 anos, que este lhes dá as costas.
E, especificamente, os aposentados da iniciativa privada. O impressionante contingente dos que se aposentaram com proventos em torno de cinco, seis, oito salários mínimos, hoje, recebem em média, cerca de três salários! Já seria desumano tal tratamento, uma vez que os servidores públicos, além de se aposentarem com vencimento integral, tem reajustes iguais aos servidores da ativa. .Em outro post já afirmei serem os aposentados e pensionistas oriundos do serviço público os grandes vilões do rombo orçamentário da previdência social.
O lote de sandices sobre o projeto de lei propondo um reajuste reparador deste tratamento revoltante, começou com o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, nesta terça-feira, quando afirmou que o governo irá trabalhar para que o projeto que prevê reajuste acima da inflação para aposentados que ganham mais que salário mínimo não entre em votação. Padilha não quis adiantar se o governo vetará a proposta, caso ela seja aprovada. Para ele, não é o momento adequado para votar um tema como esse.
Então vá lá, seu energúmeno, qual será o momento certo então, quando todos já tiverem morrido de abandono e descaso? Que droga de governo que se diz social condena seus velhos ao total desrespeito pelo muito que trabalhavam pelo país? Cadê a consideração para com aqueles que, na idade em que mais necessitam desta proteção, recebem uma cavernosa tanto quanto cínica e falsa desculpa de “falta de verbas”? Falta dinheiro para pendurar nas tetas do Tesouro cerca de 40 mil cargos de puro compadrio, a maioria dos ocupantes sem qualificação técnica necessária, a salários escandalosamente estratosféricos? Só o BNDES emprestou este ano para as grandes empresas mais de 100 bilhões de reais, e não 6 a 7 bilhões para praticar uma justiça social e humanitária do mais alto valor? Não é favor algum, não é privilégio imoral de espécie alguma como os que ocupam os palácios luxuosos do poder. Pagar a aposentadoria para este exército de esquecidos, senhores, É MUITA MAIS DO QUE UMA OBRIGAÇÃO. É UM DEVER DE TODO O ESTADO E DE TODA A SOCIEDADE.
Chega a ser repugnante ouvir, desculpem-me o desabafo, de autoridade de merda como o escroto do Alexandre Padilha, .não ser este o momento adequado para votar um tema como esse.
Um parlamentar que engana o governo que trabalha custa à sociedade brasileira mais de 100 mil reais considerando-se todas as despesas, penduricalhos, salários, dentre tanta nojeira que pesam nos nossos bolsos. E não se comprazem uma única vez sequer em olhar para aqueles que fizeram este Brasil ? No governo Lula, os reajustes do salário mínimo somaram 90,21%, incluindo o deste ano, enquanto que os das aposentadorias acima do piso subiram apenas 49,82%. Já os salários dôo funcionalismo público sequer mencionarei para indignar mais ainda os desprezados aposentados brasileiros.
Não bastasse isto, quanto em dinheiro público foi jogado no lixo em empréstimos para países que não perdem a chance de nos agredir e atacar? E os trinta e tantos jatos de caça, custarão quanto ao país? E os custos de lançamentos de intenções de obras futuras, custam quanto ao país?
E, digam lá, o que as centrais sindicais têm a ver com as aposentadorias depreciadas e aviltadas? Consultá-las pra quê? Absolutamente nada. Ou será que agora vão querer morder os velhos depois de aposentados como o fizeram a vida inteira enquanto trabalhavam? Eles não precisam de mais gigolôs, já lhes basta o governo que nada lhes dá, nem saúde, tampouco segurança.
Governo social uma ova, não passa de uma banda podre de cretinos. É um escárnio alguém achar que os velhos receberem o que merecem e que fizeram muito para poderem merecer no final de suas vidas, vá desequilibrar as contas públicas! Vão se danar cambada de salafrários. O que desequilibra o país é a corrupção impune, é o assalto desmesurado ao cofres públicos, é o fausto com que a corte de molambos imperiais e imorais se regalam à custa da miséria do povo que o sustenta. Bando de vigaristas. Gente deprimente que nos governa, santo Deus!
O que os aposentados e pensionista querem (e até deveriam exigir com mais vigor), não é caridade pública. Exigem aquilo que lhes é de direito. Ou seja, exigem, além do respeito como cidadãos que ajudaram a construir este país, justiça para com os anos de trabalho e de contribuição previdenciária. Só isso já lhes basta.
A festa acabou
Por Carlos Chagas
Estão em festa o Clube dos Otimistas, a Associação dos Sonhadores, a Escola de Samba “Me Engana que Eu Gosto”, a Sociedade dos Amigos do Dr. Pangloss e outras entidades dedicadas a visualizar o planeta como se fosse a morada apenas de anjos, arcanjos e querubins. É bem verdade que nas próximas horas cairão todos em estado de prostração e frustração, com o fim da festa.
Fala-se da entrada em pauta, hoje, na Câmara Federal, do projeto de lei estendendo a todos os aposentados o mesmo reajuste anual dado àqueles que recebem o salário mínimo. Um aumento acima da inflação, da ordem de 16.5%. Além do mais, retroativo a 2008.
É claro que as bancadas oficiais, lideradas pelo deputado Michel Temer, preparam-se para sabotar a votação e seus resultados. O presidente Lula não admite o benefício. Segundo os tecnocratas, custaria mais de seis bilhões de reais aos cofres públicos. Como o primeiro-companheiro não quer ser obrigado a vetar o projeto, se aprovado, o remédio é adiar a votação, obstruir os trabalhos, pedir verificação de quorum ou adotar qualquer outro expediente capaz de evitar a gritaria dos velhinhos contra o primeiro-companheiro, a menos de um ano das eleições.
A proposta, já aprovada no Senado, faria justiça a milhões de aposentados sendo gradativamente nivelados por baixo, a cada ano recebendo menos do que quando deixaram de trabalhar. Como os aposentados votam, a estratégia do Lula é deixar que o ônus do adiamento caia sobre a Câmara. Salvaria Dilma Rousseff de perder algumas centenas de milhares de votos.
O diabo é que a maioria dos deputados sabe que o eleitorado tem memória. Ficariam bem posicionados para a reeleição quantos votassem a favor do projeto, mas tomariam o rumo das profundezas os que tivessem seus nomes divulgados como algozes do benefício. A briga, assim, é para saber quem levará a culpa, se o Congresso ou o palácio do Planalto. De qualquer forma, uma coisa é certa: a Câmara não votará hoje, nem amanhã, nem depois, o reajuste dos aposentados. A festa acabou...
Metas do Brasil para Conferência do Clima emperram
Da Folha Online:
Sem conseguir entrar em consenso, o governo pode não detalhar em números as metas de redução de gases poluentes que estão sendo discutidas para serem apresentadas, em dezembro, durante a Conferência da ONU (Organização das Unidas) sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague.
Diante da resistência dos países ricos em mostrar metas mais ousadas para a queda do lançamento de CO2, o governo deve elaborar um documento apenas com as linhas gerais das medidas que devem ser adotadas até 2020. O Ministério do Meio Ambiente defende redução de 40% das emissões nacionais até esse prazo --mas enfrenta resistências do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Itamaraty.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta terça-feira por mais de três horas com representantes das áreas ambiental e econômica do governo para avaliar quanto o país está disposto a reduzir das emissões nacionais de gases de efeito estufa em relação à tendência atual de crescimento. No encontro, os integrantes do governo não chegaram a um entendimento. O presidente deu um prazo até o próximo dia 14 para que os ministros tentem fechar uma proposta.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Olha, alguém aí ou tá cheirando ervas estranhas, ou bebendo demais...
Redução de 40% em em menos de 10 anos, num país como o nosso, com todas as carências que ainda temos?
Se fôssemos detentores de tecnologias de ponta, ainda assim, com o tanto que há para ser feito, eu diria que a meta é coisa que só um maluco completo ou um alienado total é capaz de propor. Talvez em outro país, com outro grau de desenvolvimento, quem sabe... Ainda assim, é muita conquista para tão pouco tempo.
E me parece que a discussão tem que começar nas questões mais fundamentais: qual o volume de crescimento que pretendemos dar ao país nos próximos dez anos. É isso. E, sob tal enfoque, acredito que as colocações feitas por Carlos Sardenberg,no Jornal da Globo desta noite, foram bastante convincentes veja link abaixo). Sem que a discussão se centre no aspecto do ritmo de crescimento do país, não se chegará a nenhuma conclusão, no mínimo, do nível possível de redução. Até Carlos Minc, o holofote de coletinho, criticou o desejo da ministra Dilma Inauguração. (aliás, aquele ministério de futurologia até que lhe assentaria bem!).
Por mais diversificada que seja a economia brasileira, temos muito campos vazios para serem preenchidos. E, gostem ou não, políticas ambientais sempre sugerem retraimento, não de crescimento, mas de seu ritmo. E, em conseqüência, isto acaba interferindo na política de emprego, ou de geração de novos empregos. Como bem lembrou Sardenberg, apenas para manter o desemprego nos atuais níveis, o país, sem aumento mas sem redução, precisamos crescer algo entre 3,5 a 4,0 % por ano, o que exige certa competência.
Portanto,se o discurso e o comprometimento dele decorrente for algo para ser sério, um pouco de humildade para esta gente não faria mal algum. Melhor arriscar uma redução em escala menor, e cumpri-la, do que ficar no palanque prometendo mundos e fundos e não se chegar a coisa alguma. Internamente, estamos habituados ao discurso irresponsável das promessas alvissareiras que nunca se cumprem e das quais ninguém cobra ou consegue lembrar. Mas lá fora, no mundo de gente responsável e séria, a coisa é diferente.
Esperamos que diante da seriedade que o assunto merece, esperamos que o governo haja com maior equilíbrio e responsabilidade. É bom não esquecer da recomendação bíblica de que “não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo”...
Redução da emissão de gases do efeito estufa ainda é um mistério
Carlos Sardenberg, Jornal da Globo
PAC da Segurança continua encarcerado na discurseira
Augusto Nunes, Veja online
Tarso Genro aproveita até festa de batizado para algum falatório que invariavelmente espanca a lógica, a sensatez ou a verdade ─ às vezes as três respeitáveis senhoras ao mesmo tempo, como acabou de fazer num seminário em Brasília. ”Eu me pergunto”, simulou interrogar-se o advogado gaúcho que para tudo tem já pronta a resposta errada. ”Será que não poderíamos mexer em algo em nossa Constituição para que a União possa ter um protagonismo ainda maior em relação à segurança pública?”.
Publicada na página 13 da edição do Globo de 29 de outubro, a bazófia foi implodida pela página ao lado, reservada a mais um capítulo do interminável espetáculo da inépcia: num galpão da Polícia Rodoviária Federal no Rio, foram descobertos quatro portais com scanner gigantes e 55 esteiras de raio-X. Ainda encaixotados e cobertos por plástico, ali se deterioram há mais de dois anos.
O jornal resume a ópera: “Os equipamentos de última geração ─ capazes de detectar armas e drogas em caminhões, ônibus e carros em estradas ─ foram comprados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública por R$ 90 milhões, para serem usados durante o Pan de 2007″. Tarso mandou dizer que ficou “indignado” e mandou abrir “uma sindicância para apurar responsabilidades”. Com muito rigor.
Não há o que apurar, informam as assinaturas na papelada à disposição de Tarso Genro. Os protagonistas do desperdício criminoso estão nas salas ao lado do seu gabinete. Além dos funcionários culpados, deveria ser imediatamente demitido o ministro que os nomeou. Governar é escolher. Quem não sabe escolher não pode governar. As escolhas de Tarso são tão equivocadas quanto as teses de defende.
E tão equivocadas quanto as escolhas de Lula para o primeiro escalão, como a nomeação de Tarso Genro para o Ministério da Justiça, reafirmou nesta segunda-feira uma reportagem da Folha sobre mais um retumbante fiasco do governo. O tema é a fantasia que nasceu há dois anos com o nome de Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e, rebatizado de Pac da Segurança, ainda não saiu do berço. Virou um programa de distribuição de bolsas de estudos.
Na estridente cerimônia de batizado, Lula resolveu o problema da insegurança nacional com uma frase: “Vamos apertar o cerco do Estado contra o banditismo e estreitar os laços de cidadania com as populações e os lugares mais vulneráveis”. Não fez uma coisa nem outra. Ficaram no papel, comprovou a Folha, todas as promessas recitadas pelo presidente da Repúblíca ao lado do risonho ministro da Justiça.
Seguem engaiolados na discurseira, por exemplo, os presídios masculinos para jovens de 18 a 24 anos, os presídios femininos especializados na reintegração social de detentas, os cinco canis onde seriam diplomadas incontáveis turmas de cães farejadores, o programa ”Reservista Cidadão”, o programa “Brasil Alfabetizado nas Prisões”, o programa “Projovem Prisional” , o Centro de Agressores Maria da Penha e outros sintomas de megalomania eleitoreira.
Entre janeiro e outubro deste ano, o Pronasci gastou R$ 638 milhões. Desse total, R$ 484 milhões (76%, mais de três quartos) saíram pelo ralo do Bolsa Formação, uma ajuda de custo mensal para bombeiros, guardas municipais “e outros profissionais que participem de cursos de cidadania à distância”. É o Bolsa Família da política de segurança pública que o governo nunca teve.
O ministro que não fez o que deveria ter feito deu de fingir-se ansioso por fazer mais. O cinismo federal só não é maior que a fábrica de invencionices comandada pelos arquitetos do Brasil do faz-de-conta.
Reestatizar o Estado
Estadão
É preciso reestatizar o Estado brasileiro, hoje submetido a interesses partidários, sindicais e privados, disse o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, hoje presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de São Paulo. Não se trata de jogo de palavras nem de frase de efeito. Numa entrevista ao jornal Valor de quinta-feira, Fraga expôs com clareza o perigo do uso da máquina estatal pelo grupo no poder e seus associados para nele permanecerem. De modo simples e direto, ele desmontou uma das grandes mistificações dos últimos tempos: a crise mostrou a importância da boa regulação e da supervisão eficiente, mas não de um setor público mais inchado e mais gastador. Não há nisso nenhuma novidade, observou sensatamente o entrevistado. Mas isso não é tudo. No caso do Brasil, a crise confirmou o acerto das políticas do governo anterior mantidas pelo atual. Ele não detalhou a resposta, mas o sentido é evidente: as políticas de metas de inflação, de câmbio flutuante e de superávit fiscal primário deram ao País condições para atravessar a crise internacional com prejuízos mínimos.
A mistificação distorce amplamente as condições do debate público. Na pregação do intervencionismo crescente, o presidente Lula e seus companheiros atacam os defensores do Estado mínimo. Mas quem são esses defensores? "Não sei", respondeu Armínio Fraga. "Nem o Roberto Campos, no auge do seu liberalismo, defendia isso. Aliás, ele próprio foi o pai do BNDES (...) Essa é uma tentativa de delimitar o debate a partir de uma premissa falsa." A mesma falsidade é evidente na tentativa de reduzir a polêmica em torno da intervenção a um embate entre nacionalistas e entreguistas, patriotas e inimigos da Pátria.
Com a mesma simplicidade, Fraga apontou a politização das decisões e da ação do governo federal no domínio econômico. Os fatos mais notórios têm sido amplamente discutidos: o modelo de exploração do pré-sal, com a presença dominante da Petrobrás, a "postura mais agressiva no mercado de crédito", as tentativas de comandar a política de investimentos da Vale e até de perseguir diretores da empresa. Os bancos públicos estaduais e federais, lembrou o economista, sempre acabaram com problemas gravíssimos quando foram manipulados por interesses políticos.
Mas os sinais preocupantes, observou Fraga, não são recentes. Existiram desde o início do governo Lula. Dois exemplos importantes e frequentemente esquecidos foram apontados na entrevista: "as tentativas de controlar a imprensa (com a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo) e os meios eletrônicos (tentativa de criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual)." Em nenhum momento Armínio Fraga usou a palavra autoritarismo, mas o sentido de sua análise é inequívoco. O problema discutido na entrevista não se reduz à tradicional oposição mais Estado/mais mercado. Os aspectos mais importantes da questão são políticos e imensamente relevantes para o futuro da democracia brasileira.
Fraga tocou no assunto mais abertamente ao mencionar um artigo de um professor de Chicago, Luigi Zingales, a respeito do debate recente sobre a ampliação do papel do Estado. No fundo, disse o entrevistado, a mensagem do artigo é a seguinte: "Existe uma defesa do Estado porque, tipicamente, os interessados conseguem identificar onde vai estar a sua boquinha." A maior parte da população sente aos poucos o custo da mudança, mas não consegue mobilizar-se para reagir. "Essa é a marca de um Estado que a literatura chamava de corporativo, patrimonialista, populista e que, infelizmente, acaba desembocando num Estado hiperdimensionado, pouco eficiente, injusto e corrupto."
A descrição é expressiva, mas a mensagem completa é mais ampla: a hipertrofia do Estado posto a serviço do governo acaba resultando, paradoxalmente, na sujeição do público ao privado, na subordinação do interesse geral ao interesse particular. Daí a proposta de Armínio Fraga de reestatização do Estado. Daí, também, sua defesa da incorporação da enorme renda esperada do pré-sal, dentro de alguns anos, ao Orçamento-Geral da União, "o espaço mais natural e mais democrático" para se decidir como usar o dinheiro do povo. Restaria discutir um detalhe: a qualidade do processo orçamentário brasileiro.
Mas isso seria assunto para outro amplo debate.
Confronto inútil entre a Justiça e Senado
Adelson Elias Vasconcellos
Às vezes dá vontade de abraçar a idéia vigarista e partir para apoiar os movimentos que pedem o fim do Senado Federal !!! Claro que a tentação logo passa, pois a casa em si, não é culpada pelas bagunças que seus atuais ocupantes aprontam.
Esta má tentação surge agora por conta deste confronto que se está mantendo entre o Senado Federal com o STF e o TSE em relação ao senador Expedito Junior (PSDB/RO). Vejam que o senador foi eleito em 2006, Pois bem, este senhor foi cassado em 2008 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Rondônia por abuso de poder econômico e compra de votos na campanha de 2006. Em junho deste ano, o TSE confirmou a decisão e determinou que o segundo colocado na eleição assumisse a cadeira. Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF), por sete votos a um, ordenou a saída imediata do senador tucano e a posse do seu suplente.
Na semana passada, o presidente do Congresso, senador José Sarney, movido pelo bom senso, afirmou que decisão judicial seria cumprida. Certo? Bem, seria não fosse o corporativismo canalha existente dentro do senado. Apesar de ser derrotado em todos os recursos e apelações a que tinha direito, apesar do integral respeito ao seu mais amplo direito de defesa, o senador insiste em se manter grudado na cadeira que não lhe pertence, pois ela é da instituição, em suma, pertence à sociedade brasileira.
Reunida hoje, a mesa Diretora do Senão resolveu encaminhar o assunto para a Comissão de Constituição e Justiça (arre!). Deste modo, o senador ganhará mais alguns dias de mandato... Cabe perguntar: de que adianta enviar o processo de cassação para a Comissão de Constituição e Justiça? Acaso ela anulará a sentença do Judiciário, já proferido em última instância? Que competência tem a CCJ para tanto?
É uma tentativa inútil, de puro desespero, reveladora do espírito de corpo existente dentro do Senado, a tentar criar um confronto estúpido contra um Poder Independente da República!
Assim, se, claramente, nota o clima que se está enraizando na vida pública brasileira. A desmedida e imbecil indignação de Lula contra o TCU por conta da paralisação de obras julgada pelos auditores como “irregulares”, demonstra que se está, pouco a pouco, enterrando o império da lei e da ordem. Aqui e ali, se observa uma total desordem institucional do país, cujo ponto de chegada, sabemos bem, é a tomada do poder de forma autoritária e ditatorial por um grupo destrambelhado. Já vimos este filme, e não faz muito tempo.
Em 1964, o clima de desordem era tal que, se ali, os militares não tivessem tomado o poder, o rumo que tomaríamos seria a instalação também de uma ditadura, porém com viés de esquerda.
Entre 1985 a 2002, bem ou mal, o Brasil foi regido respeitando o regime da lei. Neste tempo, as instituições se fortaleceram e solidificaram O clima de liberdade que passamos a respirar permitiu que pudéssemos retomar respeito internacional, e mais, ainda, arrumar nossa casa para permitir melhor qualidade de vida para o povo.
Só que desenvolvimento não é um processo que se consuma em uma determinada hora, ou no alcance de um certo objetivo. Desenvolvimento é um processo contínuo, de aprimoramento institucional, de realização de ações econômicas que assegurem o bem estar individual e coletivo, e nunca se encerra por si: sempre haverá novos desafios, novas melhorias novas conquistas. Sempre será uma obra inacabada, mas que deve sempre avançar.
No ponto em que chegamos em 2002, não se poderia assegurar que pontos de rupturas nunca mais tornariam a nos abalar. Mas o caminho até ali foi correto, mesmo tropecendo aqui e ali. Nossa democracia está ainda na infância, é frágil e, por isso mesmo, pode sofrer tropeços.
Portanto, constatar atualmente que regredimos, que novamente as esquerdas se insurgem e tentam solapar direitos e conquistas, e de forma canalha tentam solapar o estado de direito democrático para verem triunfar sua doutrina vigarista, responsável direta pelo assassinato de mais de 100 milhões de pessoas ao redor do mundo, é doloroso.
Será que ainda não aprendemos a valorizar a liberdade a ponto de uma vez mais atirá-la no lixo, para nos envolvermos na barbárie e escuridão totalitária por mais vinte ou trinta anos? Será que os exemplos acabados e atuais de Cuba, Venezuela e Coréia do Norte, não são suficientes para desejá-los o mais longe possível de nossas fronteiras ? Como na semana passada afirmamos, parece que não sofremos o suficiente para merecermos a plenitude democrática!
Mas dá tempo para reagirmos, mas não todo o tempo...
Já noite adentro, o Jornal da Globo informou que a direção do PDT estuda entrar com o pedido de prisão dos membros da mesa diretora do Senado por descumprimento da ordem judicial. Absolutamente coerente e justo: é exatamente assim que o cidadão comum é tratado. A lei é igual para todos e, neste caso,os senadores que se recusam em cumpri-la estão sujeitos às mesmas penalidades.
O Ministro Gilmar Mendes, quando indagado, mostrou-se surpreso mas manteve um tom de cautela para não acirrar os ânimos, dizendo acreditar na solução.
Acreditem: quando se chega a isto, insuflados pelo Poder Executivo que também manobra o cumprimento das leis vigentes a seu bel prazer e conveniência, para o fundo do poço falta pouco...
Valor da sociedade de mercado e valor de mercado
Reinaldo Azevedo, Veja online
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou um artigo no domingo, no Estadão, que já está rendendo algumas reações entre cínicas e furiosas dos petistas e das esquerdas. Num texto intitulado Para onde vamos?, ele analisa o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirma: “(…) Tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.” Segue acima o link com a íntegra. E o autor lista, então, as muitas vezes em que o presidente e sua base de apoio atravessam os bons procedimentos democráticos.
O artigo é impecável, com uma pequenina correção. Afirma FHC sobre a forma como Lula governa: “Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método.” O “príncipe tresloucado” é Hamlet, da peça homônima, de Shakespeare. Ocorre que a fala “Though this be madness, yet there is method in ‘t” (É loucura, mas há método nela) não é do príncipe, mas de Polônio, o conselheiro, símbolo da ponderação. Ele a pronuncia justamente ao fim de um dos delírios de Hamlet. E quem é a primeira vítima, ainda que acidental, do príncipe destrambelhado e politicamente idiota, que produz um banho de sangue? Justamente Polônio! Justamente a ponderação! Digamos que esta senhora, a “Ponderação”, não costuma ser muito popular em política. Meu livro de frases, Máximas de Um País Mínimo, que sai neste mês, reserva algumas a Hamlet.
Os petistas, na Internet, já reagiram, se me permitem a metáfora, com aquela elegância de pensamento e comportamento típicos daqueles linchadores da Uniban, que ameaçavam uma jovem com o estupro porque acharam a sua roupa inadequada para uma faculdade onde há alunos que se comportam como linchadores e estupradores… Os petralhas estão gritando com aquela inteligência característica: “Inveja! É tudo Inveja! É despeito! Lula ficou mais famoso do que ele!”.
Um desses analistas do nariz marrom certamente escreverá — atenção: escrevo este artigo ainda no dia 2; não li os jornais desta terça — que o ex-presidente finalmente mordeu a isca e decidiu polarizar com o atual, que é tudo o que o petista mais quer porque, assim, desloca a disputa para um “Lula X FHC”. Vejam vocês: Lula vai realmente assumindo características divinas: até as ações de seus críticos já estariam calculadas em sua mente divinal. E se vai fazer o esforço habitual para ignorar as evidências apontadas por FHC — e por qualquer democrata — do surto de pequenos autoritarismos que acometem o governo Lula. Pequenos autoritarismos que, combinados, revelam o método.
Escreve ainda FHC, de modo irreparável:
“É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?”
Útil ou não à estratégia petista, que vai, como de hábito, exibir seus vícios como virtudes, o que vai acima precisa ser apontado. Se mais ninguém ousa fazê-lo no meio político, que FHC, então o faça. Lula vai vociferar contra o único adversário — já escrevi isso aqui — para o qual realmente dá bola; sua obsessão é recontar a história do Brasil, de modo que seu antecessor seja visto como um vilão.
FHC identifica com precisão a base material de sustentação do governo, numa leitura que não é estranha aos leitores deste blog, a saber:
“Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas - com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.”
O diagnóstico é exato. Exemplo acabado do modo como o governo Lula entende as instituições é a investida contra o Tribunal de Contas da União. Os petistas pretendem criar o que chamam uma “Câmara” para avaliar as obras em que o tribunal encontra irregularidades. E qual é o problema de Lula com este órgão? Ele é formado por uma maioria de pessoas que não foram indicadas pelo Demiurgo. Os petistas só respeitam instituições que eles dominam; logo, não respeitam instituição nenhuma: aceitam apenas o partido como instância legítima e o querem substituindo a sociedade. Eu diria que esse método é um pouco mais “moderno” (no tempo) e mais “atrasado” (na política) do que o próprio peronismo: criar órgãos paralelos para atropelar os legais é coisa de bolivarianos mesmo.
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e a senadora Marina Silva (PV) deram para falar num certo tempo que viria na política que eles chamam “pós-Lula” (Aécio) ou “pós-16 anos” (Marina). Não tenho muita paciência com esses slogans, não. Estou entre aqueles que, seja lá quem for o presidente, defendem, em alguns casos, o tempo pré-Lula: aquele de respeito às leis e às instituições. Entendo que os pré-candidatos — o que FHC não é — não queiram trombar com Lula e, então, prefiram optar por uma espécie de conto de fadas, em que se anuncia uma nova aurora, sem que fique claro, no entanto, como se pode chegar lá. Entendo seus motivos, o que não quer dizer que os endosse.
Que a turma grite à vontade. O fato é que FHC foi a centro da questão. É a democracia que está em debate. E a mim, por exemplo, pouco importa quantos são os “empresários” empenhados nesse “negócio” do governo. A minha questão é a democracia, que só é um valor nas sociedades de mercado, mas que não é um valor de mercado..
Blogs, twitter, orkut e outros buracos
Arnaldo Jabor, Estadão online
- Não estou no “twitter”, não sei o que é o “twitter”, jamais entrarei neste terreno baldio e, incrivelmente, tenho 26 mil “seguidores” no “twitter”. Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro da web. Ou buscamos a exposição total para ser “celebridade” ou usamos esse anonimato irresponsável com nome dos outros. Tem gente que fala para mim: “Faz um blog, faz um blog!” Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais... Jamais farei um blog, este nome que parece um coaxar de sapo-boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo no saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.
Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões “online” e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.
O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação “em rede” para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas online.
Quero sossego, mas querem me expandir, esticar meus braços em tentáculos digitais, meus olhos no “google”, (“goggles” – olhos arregalados) em órbitas giratórias, querem que eu seja ubíquo, quando desejo caminhar na condição de pobre bicho bípede; não quero tudo saber, ao contrário, quero esquecer; sinto que estão criando desejos que não tenho, fomes que perdi. Estamos virando aparelhos; os homens andam como robôs, falam como microfones, ouvem como celulares, não sabemos se estamos com tesão ou se criam o tesão em nós. O Brasil está tonto, perdido entre tecnologias novas cercadas de miséria e estupidez por todos os lados. A tecnociência nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas vivas, chips, pílulas para tudo, enquanto a barbárie mais vagabunda corre solta no País, balas perdidas, jaquetas e tênis roubados, com a falsa esquerda sendo pautada pela mais sinistra direita que já tivemos, com o Jucá e o Calheiros botando o Chávez no Mercosul para “talibanizar” de vez a América Latina. Temos de ‘funcionar’ – não viver. Somos carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa. Assistimos a chacinas diárias do tráfico entre chips e “websites”.
ESCRITORES FANTASMAS
O leitor perguntará: “Por que este ódio todo, bom Jabor?” Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos. Mas estou com raiva por causa dos textos apócrifos que continuam enfiando na internet com meu nome.
Já reclamei aqui desses textos, mas tenho de me repetir. Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de e-mails me elogiando pelo que eu “não” fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam – “Teu artigo na internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro...’”
“Não fui eu...”, respondo. Elas não ouvem e continuam: “Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ‘Tenho horror à mulher perfeitinha. Acho ótimo celulite...’” Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: “Ah... É teu melhor texto...” – e vão embora, rebolando, felizes.
Sei que a internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar. Mas a democracia também libera a idiotia. Deviam inventar um “antispam” para bobagens.
Vejam mais o que “eu” escrevi: “As mulheres de hoje lutam para ser magrinhas. Elas têm horror de qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba!”... Luto dia e noite contra cacófatos e jamais escreveria “cós acaba!”. Mas, para todos os efeitos, fui eu. Na internet eu sou amado como uma besta quadrada, um forte asno... (dirão meus inimigos: “Finalmente, ele se encontrou...”)
Vejam as banalidades que me atribuem:
“Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!”
Ou: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!”
Ainda sobre a mulher: “São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades.”
Há um texto bem gay sobre os gaúchos, há mais de um ano. Fui “eu”, a mula virtual, quem escreveu tudo isso. E não adianta desmentir.
Esta semana descobri mais. Há um texto rolando (e sendo elogiado) sobre “ninguém ama uma pessoa pelas qualidades que ela tem” ou outro em que louvo a estupidez, chamado “Seja Idiota!”...
Mas o pior são artigos escritos por inimigos covardes para me sujar. Há um texto de extrema direita, boçal, xingando os brasileiros, onde há coisas como: “Brasileiro é babaca. Elege para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari. Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada, não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo. 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como ‘aviãozinho’ do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora... O brasileiro merece! É igual a mulher de malandro – gosta de apanhar...”
E o pior é que muita gente me cumprimenta pela “coragem” de ter escrito esta sordidez.
Ou seja: admiram-me pelo que eu teria de pior; sou amado pelo que não escrevi. Na internet, eu sou machista, gay, idiota, corno e fascista. É bonito isso?
Um estudo com meia verdade
Adelson Elias Vasconcellos
O Estadão online reproduz um artigo originalmente editadopela BBC Brasil, sobre um estudo dando conta de que O Brasil está entre os países do G20 que registraram menor perda salarial durante a crise financeira, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A manchete é um primor, vejam: Perda salarial no Brasil na crise está entre as menores do G-20.
Nos próximos dias não faltaram discursos partidos de gente do governo apontando as “virtudes” do Brasil, e que o governo agiu corretamente durante crise, evitando que o trabalhador sofresse perdas, e etc., etc., etc. Aquele blá, blá, blá triunfante que a gente está cansado de ouvir.
Quando se vai conferir o tal estudo, a gente percebe “falhas” que não justificam a manchete triunfante.
Diz o tal estudo: “...Os dados indicam que os salários médios mensais no Brasil registraram crescimento de 2,8% em 2008...”, e que “...Apesar disso, os salários brasileiros cresceram menos do que em 2007, quando aumentaram 4,9%, segundo dados da OIT...”.
Bem, então houve perdas sim, e os aumentos de 2008 foram praticamente a metade do que acontecera em 2007. E, sabemos, a inflação andou acima dos índices de aumento salarial.
E, complementando, informa também que “...Embora o estudo não revele estatísticas de dois dos principais emergentes membros do G20, Índia e China, o autor do estudo, Patrick Belser, disse à BBC que o Brasil está, "certamente, entre os três países do grupo em que os salários mais cresceram...".
Acima dissemos que houve perdas: pois é, para uma inflação em torno de 4,5% um crescimento dos salários em 2,8 indica perda, não é assim? Mais: como o estudo deixou de indicar dados de China e Índia, mais uma vez a manchete não se realiza na notícia em si.
Mas vimos admitir que ainda assim, nossas perdas tenham menores. Pois bem, qual a média salarial brasileira quando comparada aos países que a OIT estudou? Por certo, neste ranking estaríamos perto da consagração: são infinitamente menores, sabemos. Nossa média chega a ser 10% da média de salários pagos na maioria dos países da Comunidade Européia por exemplo. E mais: neste aumento de 2,8% está considerado o funcionalismo público para os quais Lula concedeu aumentos reais muito acima da inflação e do crescimento do próprio PIB?
Pois é, verdade mesmo é que os salários médios no Brasil, quando considerado a iniciativa privada apenas, são ainda os mais baixos do mundo. Claro que se as empresas quisessem, poderiam pagar mais, e o grande incentivador disto seria o próprio governo federal.
São várias as maneiras com que o governo federal poderia colaborar. Uma delas, reduzindo a pesada carga de tributos e contribuições incidentes sobre as folhas de pagamento. Outra, acelerando a concessão de aumentos reais ao salário mínimo. E, por paradoxal que possa parecer, aqui o maior obstáculo é o próprio poder público. Governos estaduais e municipais precisariam revisar e alterar profundamente toda a sua dinâmica de gestão pública. Ou se tem gente demais em estados e municípios, com salários baixos, ou se tem de menos, mas com salários consumindo mais de 100% do que arrecadam.
E, além disto tudo, o impacto sobre a Previdência Pública, alega o governo federal, não permite aumentos melhores. Porém, o contrapeso desta deslavada mentira é que a Previdência é superavitária, e que o chamado “rombo” em suas contas é provocado pelo poder público e não pela iniciativa privada. Lembrando, sempre, que os aposentados e pensionistas do serviço público recebem na inatividade o mesmo valor e os mesmos índices de reajustes dos funcionários, o que já não acontecesse com os da iniciativa privada. Até pelo contrário...
Outro elemento com o qual o governo federal poderia aliviar a barra das empresas seria reduzir a carga tributária sobre a produção e alargar os prazos para pagamentos dos tributos em geral. Isto sim praticar uma justiça social na prática, com nome e sobrenome. Pelo menos neste governo, estamos longe disto tudo.
Assim, quando se fala “perdas” ou “ganhos” nos salários dos brasileiros, é preciso levar em conta o aspecto de que tipo de trabalhador se está falando, público ou privado. As diferenças de tratamentos para ambos são enormes. E as perdas só não maiores porque o nível salarial é muitíssimo baixo.
O que reverteria todo este quadro seria o governo federal priorizar investimentos maciços na infraestrutura, redução drásticas de seus gastos correntes para permitir redução da carga de tributos, intensificar o aumento na qualidade de ensino, incentivar a abertura maciça de institutos de formação técnica. E por quê? Porque Estée o caminho mais rápido para que o potencial do país possa ser externando em níveis de crescimento econômico mais acelerado e em maiores níveis. É isto que emprego, renda e faz crescer a massa salarial. Aqui, o céu é o limite. Ao contrário do que se pratica com o aumento da bolha do crédito barato.
Assim, pelo que seve, não muito o que perder quando o que se ganha já é o mínimo dos mínimos quando se compara o quadro brasileiro aos demais países. Por isso, o estudo precisa ser visto com cuidado para que não se enxergue muito mais do que ele próprio produz.
A fantástica fábrica de mentiras do PT de São Paulo
Blog do Noblat
Com o título acima, o site do PSDB paulista responde a um estudo feito pelo PT paulista a respeito do desempenho do governo José Serra, aqui publicado no último dia 27 (Estudo do PT diz que Serra está sendo pior que Alckmin).
Segue a resposta do PSDB:
"O “estudo” da liderança do PT na Assembleia Legislativa de SP sobre o desempenho do Governo do Estado de São Paulo é o mais recente produto da fábrica de mentiras do partido.
Algumas certezas sobre muitas mentiras:
- a grande maioria dos seus deputados renega esse contêiner contrabandeado de lorotas a respeito do desempenho do governo Serra;
- não compartilha da indigência intelectual do texto nem dessa propensão compulsiva da máquina do partido à mentira.
- O “estudo”, destinado a circular na internet, não passa de um panfleto eleitoral rastaqüera.
- Montagem grosseira de números distorcidos e acusações mentirosas, esse panfleto indigno comprova apenas que ética, responsabilidade, honestidade intelectual e verdade tornaram-se palavras sem nenhum significado para o aparato “companheiro” do PT paulista.
- No vale-tudo pelo poder, mentir, manipular e enganar são as “armas de luta”.
Roteiro dos Truques
Antes de apontar as mentiras do panfleto petista, vale alertar para os truques que o aparato da enganação usou:
1. conforme a conveniência, misturar o governo Serra com governos anteriores do PSDB, para enganar deliberadamente os leitores. Ora o ano-base das comparações é 1995 (primeiro ano do governo Mário Covas), ora é 2002 (segundo ano do governo Alckmin), ora é 2007 (primeiro ano do governo Serra);
2. nunca mencionar metas que foram cumpridas ou ultrapassadas;
3. confundir de propósito concessão com privatização;
4. omitir, com o propósito de manipular, que investimento público aumenta o patrimônio público. Vender a Nossa Caixa e usar o dinheiro para investir no metrô, no saneamento, em prédios e equipamentos da Saúde, em escolas, em estradas não diminui o patrimônio público. Apenas muda sua composição;
5. ocultar que algumas das políticas criticadas - e difamadas - são as mesmas praticadas pelo governo federal petista e pelas prefeituras do PT, como nos casos das concessões de estradas pela União e das Organizações Sociais na Saúde;
6. injuriar, caluniar e difamar o adversário; manipular e mentir sempre e apostar na desinformação do povo.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Voltem no tempo: sempre que o PT foi oposição, jamais se furtou à calúnia, a mentira, a falsidade e a agressão física inclusive como métodos para impedir a boa governança. Hoje, este método permanece como mesmo formato, e o identificamos, por exemplo, no Rio Grande do Sul.
No Poder, usam e abusam dos cofres públicos para sufocar qualquer movimento de reação, tentam desqualificar em tempo integral que a eles se opõem. Não há diálogo com esta gente ignorante. A mentira é o seu mais contumaz recurso de ação política. Está no DNA das esquerdas. De todas as esquerdas no mundo inteiro ao longo da história.
Portanto, se Lula não fizer seu sucessor (ou sucessora), estejam certos de que como PT na oposição, eles não terão nenhuma complacência para “destruir” a boa governança que exigem de seus atuais opositores. Será confronto, dossiês, mentiras, militância barulhenta e bandoleira em tempo integral. Este é seu método. Não vão mudar.
Assim, o dossiê anti-Serra é o seu produto mais novo de falsidades e calúnias. Acreditem, esta gente nem morta será capaz de dar descanso e parar de perturbar. Jamais deixarão o terrorismo de lado.
Breve comentário sobre a entrevista de Armínio Fraga
Como bem abordou o Nivaldo Cordeiro em seu artigo, (ver post anterior), a entrevista de Armínio Fraga ao Jornal Valor Econômico, em pontos, poderia ter sido mais ampla.
Porém, dali ressalta este aspecto importante, de que as esquerdas tentam criar um falso debate. Não existe esta de Estado Mínimo ou Estado Máximo. Isto alem de pura ficção, se trata de argumento vigarista para encobrir a ação malévola do governo Lula de intervir vida econômica do país com agente ativo, coisa que já havíamos enterrado, e do qual somente as esquerdas sentiram saudades pelas boquinhas que as estatais suportam.
Na semana passada expusemos num artigo (ver arquivo, link aqui) “Plantando uma herança maldita” exatamente esta questão da incursão do governo na economia como agente ativo, ao invés de indutor. Recordamos, brevemente, que a estagnação plantada pelo regime militar que seguir o mesmo roteiro, nos custou 25 anos de estagnação, concentração brutal de renda e, claro, a constituição de um exército de milhões de miseráveis.
E sequer vem ao caso discutir estado mínimo ou máximo. O que se deseja é um E cumprindo as funções básicas que lhe cabem. Se já fizesse apenas isso, e bem, já se justificaria. E,num país continental com tanta diversidade regional, a presença na fiscalização das atividades sociais e econômicas tornam indispensáveis. E, neste quesito, há que se registrar, avançamos muito a partir do governo Fernando Henrique, sustentado pela Constituição de 1988.
Ora, como se pode justificar a presença do Estado atuante como agente econômico se sequer consegue cumprir suas tarefas básicas como saúde, segurança, educação e infraestrrutura?
Exemplo desta incoerência é terem destruído as Agências Reguladoras que marcaram um caráter de modernidade ao próprio Estado? O que se queria, o que se quer, na verdade, é aumentar o poder político do Estado confundido com o governo do partido único.
Num país como o Brasil, tal regime requer uma estrutura ociosa e cara, além de todas as desvantagens cujo filme a ditadura militar nos exigiu e ensinou por mais de vinte anos.
Há outros aspectos que ressaltam da entrevista,porém acredito que o ponto central seja justamente este, dado que, tendo como pano de fundo a crise financeira internacional iniciada em 2008, se quer colocar o governo em papéis que não lhe cabem e para os quais ele é totalmente incapaz e ineficiente. Até porque a crise financeira internacional só atingiu a dimensão monumental que teve pela simples razão de que os razão de que os governos se omitiram de seu papel de regulador e fiscalizador, não como agente, como agora se quer impor.
Sendo assim, Armínio vai ao ponto nevrálgico da discussão: é coisa de vigarista, tentando vender uma causa imoral embutida em polêmicas que ninguém criou.
A Entrevista De Armínio Fraga
Nivaldo Cordeiro , Instituto Millenium
Não posso deixar passar sem um comentário a excelente entrevista (clique aqui) concedida pelo economista Armínio Fraga ao jornal Valor Econômico, publicada na edição de hoje. O economista é um homem brilhante, que realizou grande carreira na iniciativa privada, vindo a tornar-se um notável homem público. Suas opiniões precisam ser observadas e levadas em conta. Não são palavras jogadas ao vento, mas sim, resultado da observação de alguém qualificado e que dispõe de informações privilegiadas. Pergunta: Coloca-se o Estado máximo como contraponto ao Estado mínimo. Quem defende a opção de um Estado mínimo? Resposta: Não sei. Nem o Roberto Campos no auge do seu liberalismo defendia isso. Aliás, ele próprio foi o pai do BNDES. Nunca ouvi falar em alguém que defenda o Estado mínimo. Essa é uma tentativa de delimitar o debate a partir de uma premissa falsa, o que é muito grave.
A declaração de Armínio Fraga, salvo as exceções de regra, reflete a mais pura verdade. No Brasil, ninguém relevante no meio político e empresarial abraça a bandeira do Estado Mínimo, nem mesmo como liberalismo de salão. É certo que, nos tempos recentes, algumas coisas novas em defesa da idéias liberais, em matéria de Economia, estão sendo feitas, como o Instituto Millenium e os já tradicionais Institutos Liberais do Rio de Janeiro e de Porto Alegre (este agora chamado Instituto Liberdade). As pessoas que formam esses institutos são intelectuais abnegados e alguns empresários que estão longe do poder de Estado. São pequenos demais para formar a opinião pública. Armínio apenas constatou o aspecto mais óbvio da nossa tragédia como Nação, o fato de que nossa juventude é adestrada desde o berço para abraçar as idéias estatistas e coletivistas.
O regime político brasileiro é, para sermos rigorosos em termos teóricos, fascista. Tem a forma corporativa que os teóricos do fascismo imaginaram. Tudo para o Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado, é máxima que vigora em nossa sociedade e a fala do Armínio expressa essa realidade, que não é de hoje. A novidade é que o governo Lula acelerou o processo, fazendo a inclusão (palavra torpe) dos pobres excluídos do butim estatal, a troco dos votos, para se perpetuar no poder. Foi no governo Lula também que os fundos de pensão estatais passaram de fato ao controle dos sindicalistas laborais, dando tônico mais forte ao caráter corporativista do regime político nacional.
O exemplo clamoroso disso é o caso muito comentado nos últimos dias, o da empresa Vale do Rio Doce, sobre o que expressou-se Armínio Fraga: A Vale é uma empresa que tem tido muito sucesso, gerou muito valor para o país ao longo dos anos - antes e depois da privatização - e sempre foi conduzida pensando grande. Ninguém pode acusar a Vale de pensar pequeno. É uma empresa que tem mecanismos de governança bem definidos, onde há espaços para se definir estratégias, para se discutir investimentos. Uma politização desse processo, confesso, me surpreendeu e incomoda. Vejo com maior preocupação ainda quando profissionais de altíssimo gabarito são perseguidos porque, em algum momento, fizeram parte de outro governo, aliás em funções de natureza técnica e com altíssima exposição. São pessoas cujo patriotismo, para usar uma palavra importante, está acima de qualquer suspeita.
Ora, é próprio dos regimes fascistas a politização do processo econômico, por isso entendo que não há surpresa alguma aqui. Quem tem o poder vai exercê-lo na plenitude. O fato é que as corporações sindicais laborais estão no centro do processo político e estão presentes em todas as agremiações políticas, além de terem o controle de praticamente todo o aparelho de Estado. Armínio falou em surpresa como um eufemismo para manifestar o seu mal-estar. No fascismo, assim como no comunismo e no nazismo, acaba-se completamente a separação entre o que é econômico e o que é político. Ao desaparecer a fronteira a senda fica aberta no rumo do totalitarismo ou, como tenho chamado, do Estado Total.
Quando comentou a política cambial Armínio Fraga colocou o dedo em outra ferida, que tem sido a chaga do Brasil desde sempre: Há, também, a defesa de uma ação mais firm na intervenção, no fundo uma espécie de tabelamento¹ do câmbio, que requer uma discussão mais ampla. Não é só fazer. Isso exige pensar numa outra perna importante do tripé, a política fiscal. Um modelo que pode dar certo para a China, país que poupa 40% do PIB e tem juro real negativo, pode não necessariamente dar certo aqui. E acrescentou: Teríamos um custo fiscal extremamente elevado e, ao contrário de uma carta branca para gastar mais, isso recomenda o oposto: mais cautela. Se esse é realmente o objetivo, o que hoje é essencial, que é uma política de responsabilidade fiscal e disciplina, passa a ser mais do que essencial. Passa a ser vital. Senão, a conta não fecha. Disso sabemos todos, mas um regime de governo fascista/esquerdista não quer ouvir falar em disciplina fiscal permanente. Essa gente acha que a lei da escassez pode ser driblada.
O fato é que os desequilíbrios fiscais acabam por se tornar o duplo problema de balanço de pagamentos e de inflação. É nesse rumo agora que navega a política de Lula e é nesse rumo que navegará seu provável sucessor, José Serra. Este sempre foi um intervencionista fanático em matéria cambial.
Noto também que Armínio não opinou sobre a abusiva carga tributária em vigor, aspecto da mesma tragédia. O dinheiro arrecadado nunca chega para os crescentes gastos públicos. Pergunta: Na campanha de 2006, Lula colou no candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, a pecha de privatista da qual ele não conseguiu se desvencilhar, como se isso fosse uma falha imperdoável. Me parece que a sociedade brasileira gosta da presença do Estado. Resposta: ³Li recentemente um artigo extraordinário de um professor de Chicago, Luigi Zingales, chamado Capitalism After the Crises, publicado na ŒNational Affairs, que no fundo diz o seguinte: existe uma defesa do Estado porque tipicamente os interessados conseguem identificar onde vai estar a sua boquinha, e a esmagadora maioria da população sente pouco ou vai sentindo aos poucos o custo disso, mas não consegue se mobilizar. Essa é a marca de um Estado que a literatura chamava de corporativo, patrimonialista, populista, que, infelizmente acaba desembocando num Estado hiperdimensionado, pouco eficiente, injusto e corrupto.
Bem lembrado o caso de Geraldo Alckmin, que podia ter ganhado aquela eleição se tivesse respondido imperativamente, a favor do livre mercado, sem titubeios. Talvez tenha faltado aqui a Armínio ser mais incisivo na resposta, como faltou incisão a Alckmin: esse modelo fascista caminha para o totalitarismo político e para a destruição do Estado e da economia. Não é brincadeira o que está em curso. Armínio foi contido na resposta, no que lamento, porque a situação é alarmante. Ela precisa ser revertida e só o será se pessoas como ele falarem de maneira clara e categórica dos riscos e perigos a que a Nação está exposta. Os riscos são de todos, deles ninguém escapa, nem o mais humilde, nem o mais rico.
Vimos o que decisões desastradas no âmbito estatal, no caso a empresa Vale do Rio Doce, pode fazer com o Grupo Gerdau, que sofrerá competição direta do produtor estatal, afetando participações do mercado de aço e preços do mercado internacional do produto. Caminha-se inexoravelmente para a estatização de tudo.
Quando há aceleração do processo histórico, em tempos fascistas e coletivistas, os grandes grupos empresariais são os primeiros a serem engolidos. Estamos assistindo a essa aceleração neste preciso momento. São tempos de grandes perigos e é deles que Armínio fala em sua entrevista.
Governo não tem certeza de como lidar com drogas, diz Lula
Por Angela Lacerda, Veja online
Olinda - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu hoje (03) que "possivelmente nem o governo nem o ministro da Saúde possam ainda ter certeza de como tratar o problema das drogas".
"Está ficando claro que do jeito que nós tratamos as drogas até agora não está resolvendo o problema, porque estamos vendo cada vez mais jovens utilizando drogas mais fortes", afirmou ele ao discursar no IX Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, na noite de hoje, em Olinda, referindo-se ao crack.
Segundo ele, o dado concreto é que o problema do crack está ficando cada vez mais sério. Lembrou que caso contrário, ficaria muito fácil para um país rico - referindo-se aos Estados Unidos - dizer que está combatendo a droga e manda colocar uma base militar na Colômbia. "Falei com o presidente (Barak) Obama e quando propus a criação do conselho de defesa da América do Sul é porque temos que cuidar da questão do tráfico de droga no nosso continente e aí os países ricos poderão cuidar dos seus viciados internos".
"Se não tiver viciado não tem mercado para vender", afirmou ao propor aos congressistas colocar o tema das drogas em outro congresso de saúde coletiva, como forma de se discutir e da possibilidade de surgirem ideias importantes que possam ser aproveitadas visando a solução do problema.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Quem não tem competência que não se estabeleça, já dizia velho adágio popular. Se não sabe o que fazer, que pelo menos pare com os discursos cretinos, com os PAC enrolados, com as mentiras e mistificações. Fica muito mal para um governo que se diz tão triunfal sentir-se prisioneiro do crime organizado sob o comando dos narcotraficantes. Na verdade, o não saber fazer não resolve o problema e encobre outra questão bem relevante: a de que Lula e o petismo estão ligados umbilicalmente ao Foro São Paulo no qual tem assentamento justamente os narcotraficantes das FARC. Agir, neste caso, teria que coibir o tráfico de drogas e contrabando de armas e munição de grosso calibre, praticados livremente, a céu aberto, através das nossas fronteiras com os países governados pelos amigos de Lula. Na Bolívia, inclusive, desalojou-se agricultores brasileiros que plantavam soja, para ampliar a produção interna de coca que tem no Brasil seu melhor e maior canal de distribuição para o mundo.
No fundo o que se tem, não é que o governo não sabe o que fazer. Ele sabe o que é necessário. Só que não quer fazer. E aí a história é outra. Bem outra...
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