Da Folha Online:
Sem conseguir entrar em consenso, o governo pode não detalhar em números as metas de redução de gases poluentes que estão sendo discutidas para serem apresentadas, em dezembro, durante a Conferência da ONU (Organização das Unidas) sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague.
Diante da resistência dos países ricos em mostrar metas mais ousadas para a queda do lançamento de CO2, o governo deve elaborar um documento apenas com as linhas gerais das medidas que devem ser adotadas até 2020. O Ministério do Meio Ambiente defende redução de 40% das emissões nacionais até esse prazo --mas enfrenta resistências do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Itamaraty.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta terça-feira por mais de três horas com representantes das áreas ambiental e econômica do governo para avaliar quanto o país está disposto a reduzir das emissões nacionais de gases de efeito estufa em relação à tendência atual de crescimento. No encontro, os integrantes do governo não chegaram a um entendimento. O presidente deu um prazo até o próximo dia 14 para que os ministros tentem fechar uma proposta.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Olha, alguém aí ou tá cheirando ervas estranhas, ou bebendo demais...
Redução de 40% em em menos de 10 anos, num país como o nosso, com todas as carências que ainda temos?
Se fôssemos detentores de tecnologias de ponta, ainda assim, com o tanto que há para ser feito, eu diria que a meta é coisa que só um maluco completo ou um alienado total é capaz de propor. Talvez em outro país, com outro grau de desenvolvimento, quem sabe... Ainda assim, é muita conquista para tão pouco tempo.
E me parece que a discussão tem que começar nas questões mais fundamentais: qual o volume de crescimento que pretendemos dar ao país nos próximos dez anos. É isso. E, sob tal enfoque, acredito que as colocações feitas por Carlos Sardenberg,no Jornal da Globo desta noite, foram bastante convincentes veja link abaixo). Sem que a discussão se centre no aspecto do ritmo de crescimento do país, não se chegará a nenhuma conclusão, no mínimo, do nível possível de redução. Até Carlos Minc, o holofote de coletinho, criticou o desejo da ministra Dilma Inauguração. (aliás, aquele ministério de futurologia até que lhe assentaria bem!).
Por mais diversificada que seja a economia brasileira, temos muito campos vazios para serem preenchidos. E, gostem ou não, políticas ambientais sempre sugerem retraimento, não de crescimento, mas de seu ritmo. E, em conseqüência, isto acaba interferindo na política de emprego, ou de geração de novos empregos. Como bem lembrou Sardenberg, apenas para manter o desemprego nos atuais níveis, o país, sem aumento mas sem redução, precisamos crescer algo entre 3,5 a 4,0 % por ano, o que exige certa competência.
Portanto,se o discurso e o comprometimento dele decorrente for algo para ser sério, um pouco de humildade para esta gente não faria mal algum. Melhor arriscar uma redução em escala menor, e cumpri-la, do que ficar no palanque prometendo mundos e fundos e não se chegar a coisa alguma. Internamente, estamos habituados ao discurso irresponsável das promessas alvissareiras que nunca se cumprem e das quais ninguém cobra ou consegue lembrar. Mas lá fora, no mundo de gente responsável e séria, a coisa é diferente.
Esperamos que diante da seriedade que o assunto merece, esperamos que o governo haja com maior equilíbrio e responsabilidade. É bom não esquecer da recomendação bíblica de que “não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo”...
Redução da emissão de gases do efeito estufa ainda é um mistério
Carlos Sardenberg, Jornal da Globo