quarta-feira, abril 23, 2008

Afinal, Lula quer ou não o terceiro mandato?

Adelson Elias Vasconcellos

De repente, o país se impregnou com a discussão em torno de Lula continuar presidente a partir de 2011. Sempre que perguntado a respeito, Lula responde enfaticamente, que não pensa nisso, que não deseja e, para as aparências, parece que a resposta satisfaz. A alguns, pelo menos.

Mas, então, me respondam: por que a discussão permanece ? Por que petistas, alguns aliados, e até o vice-presidente José Alencar, continuam mantendo o assunto em aberto? Se Lula, de fato, não alimentasse intimamente o desejo do terceiro mandato consecutivo, não seria mais fácil chamar os amigos e aliados, ministros e até seu vice-presidente, e pedi-los para encerrarem a discussão?

Lula insiste nos palanques da vida de que fará seu sucessor em 2010, e para tanto, aposta suas fichas em Dilma Rousseff. Contratou-se até marqueteiro para “treinar” a chefe da Casa Civil a se portar de modo mais políticos em suas aparições públicas. Contudo, e Lula tem ciência disto, há uma enorme resistência interna dentro do partido de Lula quanto ao nome de Dilma Rousseff. Parece, apesar da simpatia do presidente, e da forma como tenta levantar o conceito de sua ministra, a turma forte do PT continua a torcer-lhe o nariz quando ao nome escolhido por Lula para sua sucessão.

O tom mais enérgico de Lula sobre o tema foi de ameaçar abandonar o partido caso seus companheiros continuassem a insistir em discutir. Porém, ontem, na comemorações do 21 de Abril, José Alencar voltou a carga. Aliás, o vice-presidente fez um discurso pra lá de empolado. Primeiro, afirmou que é o povo que deseja a continuidade de Lula no poder. Baseado em quê, Alencar não informou. As pesquisas todas, as mesmas que aprovam o governo do Luiz Inácio maciçamente, mostrou que o povo pensa ao contrário. Depois, o vice veio com a conversa mole dos juros altos, do qual é crítico desde que Lula assumiu. Não há dúvidas que Alencar é um empresário de sucesso. Portanto, não poderia ignorar que, na base dos juros altos que ele tanto critica, está um governo perdulário que insiste em gastar demais. Isto é básico e elementar. Mas o vice não poupa elogios ao resto do governo, só não concorda é com os juros. Ora, se os juros nos níveis em que se encontram são decorrência justamente das demais ações de governo, criticar os juros seria criticar o governo. Mas ele não vê assim. Paciência. Cada um que administre sua própria contradição.

Agora, apareceram alguns “informantes” de alcova dizendo que o projeto de Lula seria licenciar-se da presidência 6 meses antes das eleições, para concorrer ao Senado pelo estado de São Paulo. Será ? Duvido. Como duvido que Lula correria o risco de, no auge de sua enorme popularidade, arriscar-se numa eleição em que pode até perder. O risco é real. Lula nunca foi simpático aos paulistanos. Este discurso mercenário que ele aplica, volta e meia, lá pelo Nordeste, criando um clima de conflito entre Norte e Sul, sempre seria um argumento muito forte para São Paulo rejeita-lo, assim como em 2006, apesar de sua reeleição, em São Paulo Lula perdeu. E, por certo, do jeito que seu governo tem andado, em 2010 ele tem tudo para perder. Pode ganhar uma vaga ao senado, mas seria uma conquista bisonha considerando-se seus índices de aprovação de um governo do qual sairia meio ano antes.

Outros alcoviteiros, acham que a disputa seria por Pernambuco. Talvez lá ele até pudesse fazer uma aposta com menor risco. Porém, ficaria um pouco fora dos holofotes aos quais se acostumam durante praticamente 8 anos. Apesar de que poderia obter uma vitória retumbante, não acredito que Lula se dê por satisfeito. Para quem foi tão longe, seria um retrocesso em sua carreira política.

Assim, quero crer que o projeto de Lula cruza por 2008, antes de desembarcar em 2010. E, por conta disto, está seu empenho em viajar pelo Brasil, com o discurso do pac (por enquanto é só discurso) debaixo, e alguns gentilezas retiradas de sua sacolinha de bondades. Cite-se no caso o Bolsa Adolescente e o Bolsa Pingüim. O investimento maciço que se faz em propagar o pac com o milagre da multiplicação é algo estrondoso. Claro que para pessoa com cérebro no lugar, este barulho todo é só barulho. Mas para as massas, ah!, não tenham dúvidas: emplaca bem.

E por que é tão importante os partidos aliados ao governo vencerem de modo estrondoso as eleições de 2008? Para fortalecer a base aliada ainda mais, e deixar a oposição o mais irrelevante possível. Assim, seu projeto para 2010 e o continuísmo, ganha consistência e pode repercutir o tambor vindo das ruas.

Luiz Inácio insiste na ladainha de que não é candidato, e que sendo assim, esta peregrinação toda não tem o tempero eleitoral que a oposição lhe acusa. Por certo que não. Mas a campanha não mira em 2008, e sim em 2010. É a maneira malandra de continuar usando a máquina pública com toda a força sem ser acusado de infração à lei eleitoral.

Assim, tenho que Lula é candidato sim, mas em 2010. Dilma, ou qualquer outro laranja que ele venha usar, servirão apenas como meio dele obter o sonho de continuar presidente a partir de 2011.

É a história do “fico” ou do “queremismo”, sem tirar nem por. Como para mim a palavra de Lula não um níquel furado, de nada vale ele afirmar que não o terceiro mandato. E ele nem precisa defendê-lo. O que não lhe faltam são serviçais genuflexos para lhe satisfazer as vontades e executar o serviço sujo.

Mas que Lula não se iluda: lograr êxito nesta empreitada precisará de muitas “bondades” capazes de amortecer o sentimento das ruas. Lá, apesar das bolsa pode tudo que ele espalhou, há uma indignação muito forte no ar. É só conversarem com os que mais precisam dos serviços públicos. E ninguém esquece facilmente, em nome de 30 moedas, os entes queridos que perde por falta de assistência médica por exemplo. Ou aqueles que perderem parentes e amigos em apagões aéreos. Ou ainda os que sofrem com as balas perdidas. Ou os que sofrem prejuízos de toda a sorte com a baderna reinante no país.

O povo pode até perdoar Lula por tudo isso, porém, sabe que para melhorar, só mudando a presidência, porque o ranço que o rodeia não conseguirá, nem em três, quatro ou até cinco mandatos, mudar o quadro degradante que vai deixando o país cada dia pior. O povo quer não ver Lula pelas costas apenas por não gostar dele, mas sim pela turma do sindicato do crime organizado que Lula instalou no Poder, e que privatizou o Estado brasileiro neste regime caótico que sufocou o país inteiro. Se Lula tiver amor à sua biografia, sai por cima e consagrado. Se insistir em continuar pode amargar o dissabor de perder abraçado com a mediocridade com que se cercou. E isto, definitivamente, o povo brasileiro quer ver longe do poder publico.

Greve dos auditores fiscais: os prejudicados deveriam exigir na Justiça reparação pelos prejuízos.

Um país não pode ficar refém de meia dúzia de “auditores”. É inconcebível. Mais ridículo ainda é saber que toda esta confusão se dá por miseráveis R$ 500,00 que é a diferença entre o que pedem os auditores como salário, e o que o governo se propõem a pagar. Reparem que o salário atual, sem as regalias e penduricalhos que fazem a alegria dos funcionários públicos melhor remunerados é de “módicos” R$ 13.400,00. O governo propõe elevar para R$ 19.200,00, mas os ímpios exigem R$ 19.700,00.

Nesta queda de braço vergonhosa entre poder público e uma categoria funcional, apenas no porto de Santos, vocês vão ler em seguida, a carga parada aguardando o final da novela, é de quase R$ 5,0 bilhões. Imaginem o total no país todo. Na Zona Franca de Manaus, empresas e mais empresas precisaram interromper sua produção, conceder férias aos seus funcionários que lá estão esperando a boa vontade desta tropa toda se dar conta do seu dever. Imaginem o que há de contrato de exportação cancelado por não cumprimento dos prazos de entrega!

Afinal, que país é este em que meia dúzia de pessoas, já naturalmente muito bem pagas diga-se de passagem, simplesmente param uma grande e importante parte da nossa economia para ficarem discutindo com o poder público a diferença ridícula de quinhentos a mais ou a menos. Claro que sabemos que este desgoverno JAMAIS vai regulamentar o direito de greve. Isto sempre servirá de pretexto para extorquirem o país ainda mais, nos chantagearem às últimas conseqüências para nos arrancarem um pedaço a mais do nosso couro. Contudo, e o direito de empresários e trabalhadores, onde fica, na sarjeta onde se apodrecem os valores e os deveres deste pessoal todo? Não seria o bastante discutirem esta diferença sem prejudicar justamente aqueles que os sustentam?

Afinal, quem é que manda neste país? Quem é que governa de fato? E os prejudicados que se danem futebol clube? Definitivamente, TODOS OS PREJUDICADOS, sem exceção, devem imediatamente ingressar na Justiça e exigir a reparação por perdas e danos e lucros cessantes. Nenhum deles é culpado pelo prejuízo com que se obrigam em arcar por conta de briguinha de comadres em torno de uma merda de diferença de R$ 500,00. Até quando o país terá que suportar esta máfia salafrária encastelada no poder? Por quanto tempo mais deveremos suportar esta exploração sem sentido e injustificável? Que se cobrem dos sindicatos esta farra toda. E que depois eles que vão reclamar prô bispo, afinal, com a bondade federal lhes forrará os cofres com o imposto que continuará sendo extorquido dos trabalhadores, seria bom eles suportarem o peso de sua incúria e irresponsabilidade. Tem que lhes doer fundo no bolso, para aprenderem a ter respeito com quem os sustenta.

Paralisação de auditores provoca superlotação em terminais
Tribuna da Imprensa

CAMPINAS (São Paulo) - A greve dos auditores fiscais que completa 34 dias provoca superlotação no terminal de cargas de importação e exportação do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. O movimento no setor tem registrado grande volume por causa da aproximação do Dia das Mães, segundo empresários ligados ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

A liberação gradual das cargas paradas vem sendo operada com 30% do efetivo na alfândega em Viracopos. O desembaraço das mercadorias principalmente de produtos perecíveis e artigos de medicamentos ganhou corpo com a liminar, no começo do mês, expedida pelo juiz federal Marco Aurélio de Mello Castrianni, da 1ª Vara Civil da Justiça Federal valida para a aduana da Superintendência da 8ª Região Fiscal (São Paulo).

De acordo com a assessoria da Infraero cerca de 90% das cargas que chega ao Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas é despachada pelo sistema denominado Canal Verde. Por este sistema, a liberação é automática sem a necessidade de uma fiscalização direta dos auditores fiscais.

Não há números oficiais de quanto está retido por causa da greve dos auditores e nenhum representante local do sindicato foi localizado para comentar o assunto neste feriado de Tiradentes.

Greve deve acabar logo, dizem líderes
Auditores da Receita Federal acreditam que a greve deve acabar logo. Passado o feriado, fiscais tentam marcar reunião com o governo amanhã para acertar detalhes que podem encerrar a paralisação que dura mais de um mês. O plano de carreira dos servidores é o principal ponto de discordância entre as partes.

Sobre o aumento de salário, auditores devem aceitar a proposta do governo que é R$ 500 menor que a reclamada: R$ 19.200. "Não falta muito para o movimento terminar. Agora, são detalhes", disse o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Pedro Delarue.

O principal deles é o plano de carreira. Pela proposta do governo, o posto máximo entre os auditores poderia ser atingido em até 42 anos após a entrada na Receita. Delarue rejeita o prazo e pede que o período seja reduzido para até 18 anos. Outro ponto de discordância é o calendário para o pagamento do aumento de salário.

O governo quer dividir o reajuste em três partes a serem pagas nos meses de julho de 2008, 2009 e 2010. Os auditores querem que os pagamentos sejam feitos em prazo mais curto: até abril de 2009. Sobre o salário, Pedro Delarue sinaliza que os fiscais devem "ceder" e aceitar a proposta do governo, que veio aquém do desejado.

Segundo ele, a categoria quer isonomia com policiais federais, que ganham até R$ 19.700 mensais. Mas a proposta do governo foi R$ 500 menor, de até R$ 19.200. O representante dos auditores rechaçou a idéia que vem sendo aventada nos bastidores, de dar mais poder aos analistas da Receita, que poderiam substituir os fiscais.

"Essa idéia foi levantada durante as negociações, mas já alertamos que isso poderia ser o início de um "trem da alegria" com analistas virando auditores sem terem feito concurso. Terminar uma greve dessa forma é criar problemas para os próximos três ou quatro anos", afirma.

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Portos parados
Folha de São Paulo

Fiscais da Receita, no topo da pirâmide salarial, impõem transtornos e prejuízos milionários ao país com greve abusiva

Após um mês de braços cruzados, os auditores da Receita Federal rejeitaram as propostas do Ministério do Planejamento e mantiveram a greve. O movimento, abusivo, tornou caótica a rotina dos portos brasileiros e propicia prejuízos milionários à economia nacional.

Atualmente 80% dos auditores fiscais ganham o teto salarial, de R$ 13,4 mil, sem incluir adicionais; os demais recebem o piso de R$ 10,1 mil. Seus proventos, portanto, já os colocam no topo da pirâmide salarial brasileira, considerado também o setor privado. Reivindicam, porém, um piso de R$ 14 mil e a equiparação salarial com os delegados da Polícia Federal, cujos salários devem alcançar R$ 19,7 mil em abril do próximo ano.

A persistência da greve dos fiscais é estapafúrdia. Tornou-se panacéia invocar o direito à equiparação salarial no setor público. Equiparação sempre para cima: os auditores fiscais não querem equiparação com professores doutores de universidades federais, que ganham bem menos. Mas os fiscais da Receita ainda se deram ao desplante de recusar a generosa proposta do governo, que era chegar aos R$ 19 mil em 2010, de modo escalonado.

Por causa da greve, prejuízos gigantescos, de naturezas diversas, se acumulam. Os fluxos de comércio internacional do país estão prejudicados.

Apenas no porto de Santos, a carga parada foi estimada em US$ 4,9 bilhões.Exportadores não podem cumprir contratos, que são cancelados, interrompendo canais de distribuição a duras penas construídos. Produtores que dependem de insumos importados paralisam linhas de montagem. Só no setor de componentes eletrônicos, as retenções da Receita de itens necessários à fabricação chegam a US$ 350 milhões.

Os segmentos de transportes e logística contabilizam prejuízos de cerca de US$ 14 milhões, com os caminhões parados em 14 pontos de fronteira no país.

As empresas arcam com os custos de veículos estacionados, estimados em US$ 300 por dia -para não mencionar que os caminhões parados estrangulam o faturamento dessas companhias. Cerca de 3.500 veículos de carga argentinos estão detidos na fronteira com o Brasil.

Descontar do salário dos grevistas os dias parados é o mínimo que se exige do governo federal. É preciso, contudo, ir além e discutir formas de ressarcimento pelos prejuízos causados por essa paralisação abusiva.

Os 211 "países" na Amazônia

Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa

Que o Itamaraty desprezou, os militares e o Brasil reconquistam

Tendo recebido o comandante do Exército, Lula achou desnecessário conversar com o general Augusto Heleno, da Amazônia. Perfeito. Fui o único que fiz a ligação de três fatos.

1 - A entrevista do general Augusto Heleno no "Canal Livre" da Bandeirantes. Mas ele comunicou ao comandante do Exército, estava autorizado. Além do mais, ia tratar de assunto altamente relevante, que conhece a fundo e que aprofunda agora na Amazônia.

2 - O comparecimento ao "seminário" do Clube Militar, no qual se destacou, não por exibicionismo ou ambição, mas por colocar na pauta um dos assuntos mais importantes do Brasil de hoje e do futuro.

3 - A coincidência da homenagem do dia seguinte no Senado (Dia do Exército), com vários oradores chamando o general da Amazônia, Augusto Heleno, "de nova grande liderança que surge no Exército".

Os oradores-senadores não quiseram desautorizar ou diminuir o comandante do Exército. Mas a verdade é que ele estava presente, se "sentiu" melindrado, o que não era o caso. Tendo recebido a nota oficial do presidente do Clube Militar, general Gilberto de Figueiredo, achou exagerado o apoio ao comandante da Amazônia, resolveu publicar uma nota oficial mas pessoal, já que o Alto Comando estava rigorosamente solidário com o general Augusto Heleno.

O comandante do Exército considerava que o presidente Lula receberia o general Augusto Heleno. Apesar de ser na presença dele, o comandante-general Peri não ficou satisfeito.

Com as limitações da "hierarquia" do horário, que não pode ser esquecido ou abandonado, na própria sexta-feira e no sábado (escrevendo também na sexta) revelei tudo, incluindo a ida de Augusto Heleno imediatamente para Manaus e a volta no dia seguinte a chamado do comandante do Exército. Por sua vez, acionado pelo prórpio Planalto-Alvorada.

Revelei ainda: "O presidente Lula não gostou de duas palavras usadas pelo comandante da Amazônia. Disse ele: "Na Amazônia, a situação é C A Ó T I C A e L A M E N T Á V E L". Sem qualquer razão, Lula sentiu-se atingido, não era o caso, e o presidente não era o alvo do general. Mesmo porque essa situação CAÓTICA e LAMENTÁVEL tem dezenas de anos, nada a ver diretamente com Lula.

O general Augusto Heleno, na conversa amável e cordial com o comandante do Exército (e a conversa só podia ser "amável e cordial", os dois são generais de 4 Estrelas, um não é superior do outro. Estão em posições casionais diferentes, mas os 13 generais de Exército não são subordinados).

Satisfeito, o general-comandante do Exército desistiu da nota oficial pessoal, e transmitiu ao presidente Lula os termos da conversa com o comandante da Amazônia. O presidente considerou que o episódio estava encerrado, Augusto Heleno, liberado pelo comandante do Exército, viajara para mais uma vez reassumir seu comando.

A solidariedade ao general-comandante da Amazônia foi impressionante. E não só do Exército, mas também da Marinha e da Aeronáutica. Afinal, é o interesse talvez de importância mais alta para o Brasil.

Encerrado tudo isso, Lula deveria considerar a hipótese altamente necessária do Ministério da Amazônia. Tem que ser um general de 4 Estrelas, da ativa, que possa ter o controle de toda a região.

Não é impositivo ou imprescindível que seja o general Augusto Heleno. Mas como ele está lá, tem todas as condições e já disse que respeita a hierarquia (se não respeitasse não teria chegado aonde chegou), nada surpreendente que fosse ou seja ele.

PS - O que disseram alguns órgãos, sem nenhuma veracidade: "O presidente teria se sentido DESCONSIDERADO com a separação entre GOVERNO e ESTADO". Isso é uma provocação ao próprio Lula. Pois ele sabe, pela função que exerce, "o Estado não sou eu". Ele é governo.

A lebre, a tartaruga e a economia

Ubiratan Iorio, Jornal do Brasil

Todos conhecem a fábula atribuída a Esopo e recontada por La Fontaine, em que a lebre, sabendo-se mais rápida, desafia a tartaruga para uma corrida que acaba perdendo por excesso de confiança, já que, resolvendo dormir, não se dá conta de que a oponente aproxima-se rapidamente da linha de chegada. Quando acorda, assusta-se e começa a correr o mais depressa que pode, tentando a todo o custo, mas sem êxito, ultrapassar a tartaruga. Um velho e belo exemplo para as crianças, de exaltação à perseverança e de condenação da petulância.

Na economia, existe uma fábula de moral às avessas e que demonstra falta de conhecimento de como as coisas funcionam no mundo econômico: o argumento segundo o qual é melhor combater a inflação com o aumento da oferta e não com a contenção da demanda. Tal lenda, infelizmente, vira e mexe, volta ao noticiário, contada por empresários, políticos, jornalistas e por alguns economistas. É como se a tartaruga – a oferta – sabidamente mais lenta, desafiasse a lebre – a demanda – reconhecidamente mais veloz. E que não dorme...

O aumento da capacidade produtiva ou oferta é um processo de longo prazo, porque requer, primeiro, formação de poupança, segundo, transformação dessa poupança em investimentos e, por fim, um longo período de maturação dos projetos, até que se transformem em estoque efetivo de capital e, portanto, em produtos – mais bens e serviços nos mercados.

Em outras palavras, a oferta é lenta. Por natureza. E tende a ser ainda mais vagarosa em um país em que são necessários, em média, três a nove meses para se obter autorização para abrir uma empresa, as cargas tributária, trabalhista e previdenciária são punitivas para o empreendedorismo, e a geração de empregos e as mudanças nas regras do jogo são freqüentes.

Já a demanda, também por definição, é sempre mais veloz do que a oferta, porque resulta das políticas monetária, fiscal, cambial, salarial e de políticas de rendas, como o Bolsa Família. Basta, por exemplo, para usarmos a conhecida imagem de Milton Friedman, que o helicóptero do Banco Central despeje moeda sobre o país para que, mantida constante a relação entre consumo e poupança, consumidores e empresas aumentem imediatamente os seus gastos. Quando se trata de gastos públicos, a velocidade – e os danos – costumam ser maiores.

É por isso que, no mundo inteiro, todas as tentativas de se combater inflações mediante políticas de estímulo à oferta e aumento da demanda deram com os burros n’água. Não há um solitário caso de êxito. O máximo que se consegue é um período de expansão efêmero, porque não é baseado em novos investimentos, mas em utilização de capacidade ociosa. Ao cabo de alguns meses, inevitavelmente, a lebre ultrapassa a tartaruga, ou seja, surge um excesso de demanda que, também ao fim de algum tempo, se for alimentado por bancos centrais cujos diretores julguem equivocadamente que sua função é fixar taxas de juros "baixas" para promover o "crescimento", resulta em inflação. E esta surge tão mais depressa quanto maiores forem as expectativas de que vai surgir.

Quando viajamos para a Serra Gaúcha, colocamos roupas pesadas em nossas malas, mas, se nosso destino é o Nordeste, escolhemos vestimentas leves. Da mesma forma, quando os agentes econômicos esperam – pela falta de coordenação entre as políticas fiscal e monetária – inflação no futuro, passam a agir defensivamente: quem vende, aumenta imediatamente os seus preços, na esperança de ganhar mais e quem compra, aceita pagar preços mais elevados hoje porque receia ter que pagar ainda mais caro amanhã. É um fenômeno magistralmente analisado por Mises e outros expoentes da Escola Austríaca desde o início do século 20, e estudado rigorosamente por Robert Lucas e os economistas da Escola de Expectativas Racionais a partir dos anos 70, em que, pela ação humana racional dos indivíduos e empresas, o futuro, em uma tentativa de defesa dos agentes econômicos, é antecipado para o presente.

As reformas, especialmente a tributária, a trabalhista e a previdenciária, são urgentes, para que caiam gastos dispensáveis do Estado e, portanto, a taxa de juros e a relação dívida interna/PIB, para que a tartaruga fique mais veloz e a economia possa crescer sem ameaça de inflação.

Trégua oculta conflito iminente

Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

Líder indígena avisa que tribos aguardam decisão do STF. Mas não abrem mão da área total

O principal dirigente do Conselho Indigenista de Roraima (CIR), Dionito José de Souza, disse ontem que a entidade está comprometida em manter a paz na Reserva Raposa/Serra do Sol até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF), mas também adianta que os índios não aceitarão mudanças no texto do decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que define a terra indígena como área contínua.

– As terras são nossas e vamos ocupá-las – afirma.

Dionito sustenta que 1,7 milhão de hectares pertencem às cinco etnias (macuxi, taurepang, wapixana, ingaricó e patamona), que ocupam a região e reafirma que, de um jeito ou de outro – ou seja, por bem ou por mal – os arrozeiros terão de deixar a área assim que o STF se manifestar, o que deverá coincidir com o fim da colheita do arroz e o início das chuvas na região. A polícia, que tem bases dentro da área, teme que haja conflito entre os próprios índios ou do CIR contra os arrozeiros antes mesmo do julgamento da ação cautelar apresentada pelo governo de Roraima.

Impasse perigoso
Índio da etnia macuxi, o próprio coordenador do CIR aponta um vácuo jurídico que pode suscitar polêmica: a operação da Polícia Federal foi suspensa por uma liminar, mas não houve qualquer alteração na portaria do governo homologando a Raposa/Serra do Sol em área contínua. Se por um lado evitou e eclosão de um conflito sangrento, a decisão do STF pode jogar a questão demarcatória num impasse perigoso. Os grupos mais exaltados ligados querem fazer a retirada por contra própria e só adiaram o plano por causa dos apelos que vêm sendo feitos pela Funai e pela Polícia Federal, que tem negociado à exaustão.

As manifestações em comemoração ao Dia do Índio, no sábado e no domingo, terminaram sem incidentes graves em decorrência da presença das forças federais nos pontos de concentração. Dionito disse que a polícia contornou um princípio de tumulto provocado por um índio que desafiou os agentes federais incentivado pelo líder da resistência, o prefeito de Pacaraima, Paulo Cesar Quartiero.

– Parente (índio) não faz isso sozinho ou por conta própria – afirma. Ele alerta que, além de controlar a ordem pública dentro da reserva, o governo terá de tomar providências para evitar retaliações depois de uma eventual retirada dos arrozeiros.

– O Paulo César está incentivando a violência. Dizem que ele está bem armado e que contratou pistoleiros para matar lideres que encabeçam o movimento depois que tudo isso acabar – diz Dionito.

O dirigente do CIR disse que o STF decidiu suspender a Operação Upatakon III com base em informações mentirosas, segundo as quais, a retirada dos arrozeiros implicaria problemas de soberania nacional por causa da interferência estrangeira dentro da reserva. Dionito também discorda da observação feita pelo chefe do Comando Militar da Amazônia, general Augusto Heleno, sobre as ameaças à soberania em faixa de fronteira.

– A nação brasileira não pode estar com idéia errada. Se fosse assim, então teria de tirar todo estrangeiro que mora em São Paulo ou no Sul do país. Não há nenhum estrangeiro com terras na Raposa/Serra do Sol – diz.

Dionito adianta que os índios querem os cerca de 50 mil hectares grilados pelos arrozeiros para desenvolver projetos compatíveis com o potencial da região: produção de grãos, piscicultura e criação de gado.

– Se o governo liberar os recursos que precisamos, nada vai parar na economia de Roraima. Temos 30 mil cabeças de gado só na Raposa e podemos desenvolver um projeto de pecuária. Em Boa Vista há índios correndo atrás de comida.

Estima-se em 23 mil o número de índios atualmente misturados com brancos na capital do Estado.

Jucá propõe saída para manter arrozeiros: imposto de índios.

Já não chegam os gigolôs políticos achacando o país a torto e direito, agora recentemente Lula consagrou os gigolôs do sindicalismo vagabundo para viverem às custas do trabalhador brasileiro e sem precisarem prestar contas a quem quer que seja, agora Romero Jucá quer criar uma terceira categoria de gigolôs: os indígenas. Na reserva Raposa do Sol, quem for morador e não indígena, poderá permanecer desde que... pague aos índios uma espécie de sobre-taxa, ou um pedágio, ou, no melhor estilo feudal, pague com trabalho e parte da produção. Isto não apenas é ridículo e humilhante: é uma puta SACANAGEM. Será que Romero Jucá não tem vergonha na cara de propor uma safadeza destas para aquele povo cujo erro maior foi acreditar que, com seu trabalho honesto, poderia viver e ser feliz? E dizer que o cara se elegeu por aquele estado? Santo deus !

Oh, Jucá, cretinice tem lugar e hora, meu irmão. Pára com isso, ô malandro! O pessoal daquele de Roraima merece um mínimo de respeito e consideração !!!

A notícia é da Tribuna da Imprensa.

Fórmula proposta por Romero Jucá evitaria confronto entre Lula e o Poder Judiciário

A utilização dos recursos da reserva indígena Raposa Serra do Sol (RR), no caso de o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar o decreto de homologação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já divide opiniões. O senador roraimense Romero Jucá (PMDB), líder do governo no Senado, procura encontrar uma fórmula que garanta a permanência dos produtores de arroz na área - mesmo quando estiver controlada pelos indígenas.

Uma das alternativas estudadas por ele - desde antes da suspensão da operação de despejo dos rizicultores pelo STF - seria um acordo com os índios. Eles autorizariam a continuidade da rizicultura, em troca de uma percentagem da produção ou uma taxa fixa, a ser destinada à comunidade indígena.

Com essa fórmula, o senador, francamente favorável à permanência dos rizicultores na área, procura evitar um confronto direto com o presidente Lula e o ministro da Justiça, Tarso Genro, que autorizaram o despejo - suspenso no dia 9 pelo Supremo. No momento, Jucá prefere aguardar a manifestação final da corte - o que não deixa de sinalizar uma falta de sintonia com o governo que representa. Afinal, o presidente Lula promete mobilizar todos os recursos para obter no STF a confirmação da terra indígena - com a saída dos rizicultores.

Indecisões
A fórmula do senador Jucá tem precedentes na região. Na terra indígena São Marcos, colada à Raposa, a comunidade recebe R$ 1,2 milhão por ano da Eletrobrás, pelo fato de a área ser cortada pelo linhão que leva a energia elétrica comprada na Venezuela até Boa Vista, capital do Estado.

O problema da fórmula do senador é que os índios ainda não decidiram o que fazer com os arrozais. Uma parte da comunidade deseja tocar a produção por conta própria, apoiada por instituições do governo. Outra parte, porém, prefere abandonar a área e assim evitar o uso de agrotóxicos - que é bastante pesado. Por toda a Raposa existem dúvidas sobre a sua exploração.

Segundo Euzébio de Lima Marques, líder de uma comunidade na região montanhosa da reserva, a maior parte dos índios cria pequenos rebanhos, em áreas abertas. Mas alguns deles já estão se tornando grandes empreendedores: "A família de um professor na minha comunidade tem 5 mil cabeças de gado. E existem outros como ele por aqui", relatou Marques.

Na comunidade do Mutum, que já foi uma movimentada vila de garimpeiros, na divisa do Brasil com a Guiana, outro líder comunitário, Faustino Pereira da Silva, diz que o principal problema é estimular os índios a retomarem a agricultura de subsistência. "Tem gente por aqui que aprendeu a viver apenas do garimpo e quer continuar assim, apesar de agora ser proibido por lei", disse ele.

Desembargador alerta para interesses estrangeiros em transformar reserva em território ianomâmi

O desembargador Marcus Faver, que assume hoje, em Brasília, a presidência do Colégio de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil, considera que o conflito de terras entre índios e arrozeiros na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, "coloca em risco o território brasileiro ".

"O Exército tem estudos de que há interesses internacionais de transformar essa área em território ianomâmi", disse ele, acrescentando que haveria ONGs interessadas em mineração na região. Para tentar minimizar o conflito, Faver viajará até a região ainda na semana que vem.

Segundo ele, a demarcação da reserva em áreas contínuas provocou um esvaziamento da Justiça estadual, já que as ações de posse que já tramitavam terão que ser transferidas para a Justiça Federal.

"Irei conversar com todas as instituições envolvidas para ver no que podemos ajudar. Sei que a Justiça estadual está se sentindo esvaziada e de que há um sentimento dos moradores, pelo menos em Boa Vista, de que o governo federal não está dando condições para que o Estado se desenvolva economicamente. "

Nos dois anos em que permanecerá na presidência do Colégio de Presidentes dos Tribunais de Justiça, Marcus Faver disse que enfrentará dois desafios: acabar com os processos de papel nos tribunais e padronizar o funcionamento da Justiça. Ele acha que os processos devem se tornar virtuais, com a dispensa de papel e a utilização cada vez mais segura do computador. No Rio, lembrou, a Justiça está 100% informatizada, mas ainda é grande a presença dos processos em forma de papel.

Outra meta é a padronização do funcionamento da Justiça, especialmente nos horários e na forma de trabalhar, para agilizar os processos, o que considera fundamental para a credibilidade do Poder Judiciário:

"Em algumas regiões, por causa do calor, os tribunais funcionam de 7 da manhã às 2 da tarde", observou. "É preciso, também tornar a conciliação uma meta da Justiça no Brasil, para impedir tantos recursos, porque os juízes e desembargadores não dão conta de tanto trabalho, que poderia ser evitado com uma padronização de métodos, destacou, "Cada tribunal trabalha de uma maneira", lamentou. Faver defende também a independência financeira dos tribunais, como já acontece no Rio, há 10 anos, "o que retira a ingerência do Poder Executivo no Judiciário".

O desembargador foi eleito para o Colégio por unanimidade: todos os 27 presidentes de Tribunais de Justiça do Brasil o escolheram para presidir a instituição, por dois anos. Além de ter presidido o Tribunal de Justiça e o TRE do Rio, foi membro do Conselho Nacional de Justiça.

Brasil admite negociar tarifa de Itaipu. Que novidade !!!!

Vocês vão ler baixo matéria de Tânia Monteiro para o Estadão, em que apesar de tudo que Lula e alguns ministros já disseram, o Brasil vai acabar amolecendo à pressão paraguaia para rever o contrato de Itaipu. Novidade? Nenhuma, já antecipávamos isto aqui. Lula adora bancar este papel “filantrópico” para com os vizinhos pobres, mesmo que para tanto precise contrariar o interesse do país, mesmo que precise jogar no lixo contratos consagrados em atos jurídicos perfeitos. Ontem, aqui, expusemos esta “fragilidade” sentimental do Lula, muito embora, o país acabe pagando a conta. Nada contra ajudar quem precisa, mas, caramba, será que precisa ser sempre às custas do que é importante para o Brasil? Afinal, goste ou não, Lula AINDA é presidente do Brasil, e não dos pobres do continente. E por aqui o que não faltam são pobres precisando de governo!

Nada contra o Luiz Inácio sair mundo afora distribuindo óbolos de bondade para seus amigos, companheiros e aliados, mas não quando esta bondade é feita às custas do povo brasileiro que é quem paga conta, sabendo-se das enormes carências que este mesmo povo ainda tem.

Aliás, em matéria de política externa, nunca o Brasil rastejou tanto como neste período de Lula presidente. Impressionante como decaímos em princípios e valores. E acreditem: para recuperar o prestígio e mais do que isto, o respeito que a diplomacia brasileira sempre gozou no cenário internacional, não será fácil e em curto prazo. Porque país nenhum consegue ser respeitado tendo como assessor para assuntos internacionais um Marco Aurélio Ridículo Garcia. É muita mediocridade numa só criatura.

Interessante é como Celso Amorin acabou abordando esta espécie de “concessão brasileira” às exigências paraguaias. É ele mesmo quem diz: “...A paz na região não é em detrimento do nosso País. Ninguém vai ceder a chantagem...”

Até parece, né, Amorin, até parece...

Segundo o ministro Celso Amorim, governos brasileiro e paraguaio vão discutir ‘a maneira de fazer’ o reajuste

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou ontem que o Brasil vai mesmo abrir negociações formais para reajustar o preço da energia elétrica de Itaipu comprada do Paraguai. A decisão política está tomada, e, segundo o ministro, o que o governo vai discutir agora com o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, “é a maneira de fazer (o reajuste)”.

Em entrevista concedida em Acra, capital de Gana, antes de embarcar para o Brasil, Amorim deixou claro que o objetivo das negociações é saber como o Paraguai “pode obter uma remuneração adequada para a sua energia.” “Isso é justo”, afirmou. O Brasil quer fazer isso, como disseram Amorim e o presidente Lula, sem reescrever o Tratado de Itaipu: “Não muda o contrato”, disse Lula. “Em Itaipu, temos um tratado e ele vai se manter.”

O Tratado de Itaipu formalizou a sociedade entre Brasil e Paraguai, com a inauguração da usina, em novembro de 1982. Pelo acordo, os dois países dividem igualmente o que é produzido, mas o Paraguai, que só consome 5% da energia, é obrigado a vender ao Brasil os 95% restantes da sua cota. Ano passado, o Brasil pagou US$ 307 milhões pela energia paraguaia de Itaipu, mas Fernando Lugo chegou a falar, durante a campanha eleitoral, em um valor anual “justo” em torno de US$ 2 bilhões.

“Devemos fazer com que o Paraguai obtenha o máximo de benefício em função da sociedade que eles têm conosco em Itaipu”, disse Amorim. O ministro fez questão de lembrar um precedente, que não exigiu nenhuma mexida no tratado: “Há uns anos, houve um reajuste numa parcela de compensação pela energia do Paraguai porque estava defasada.”

Fazendo coro a uma entrevista dada minutos antes pelo presidente Lula, que defendeu que o Brasil, “como maior economia da América Latina”, ajude os vizinhos mais pobres, Amorim disse considerar “um absurdo que o Paraguai, sendo sócio da maior hidrelétrica do mundo” tenha uma fornecimento de energia “tão ruim em Assunção” e não possa investir em linhas de transmissão que façam o fornecimento regular de energia.

Questionado sobre a possibilidade de o Brasil enfrentar no Paraguai os problemas que enfrentou na Bolívia com a exploração, produção, distribuição e exportação de gás pela Petrobrás, Lula minimizou: “Não aconteceu nada com a Bolívia, gente. Aconteceu aquilo que eles entenderam que era importante para eles.”Amorim também abordou a possibilidade de eventuais prejuízos brasileiros, disse que o governo não se comporta assim nem por ser “paternalista” nem “bonzinho” e acrescentou: “A paz na região não é em detrimento do nosso País. Ninguém vai ceder a chantagem.”

O Ministério da Doença informa: nuncadantez neste pais

Adelson Elias Vasconcellos

Taí, eles conseguiram se superar: já conseguiram bater todos os recordes em casos de dengue. Com um detalhe: agora a epidemia começa avançar no Nordeste já tendo ultrapassado em números de casos, no Sergipe, em mais de mil por cento em relação a 2007. Mas eles prometem que este ano vão chegar a tal extremo que, nos próximos 20 ou 30 anos, ninguém conseguirá supera-los em número de casos de infectados e de mortes.

Foi por falta de aviso? Foi por falta de recursos? Foi por que o ministério estivesse falido quando eles assumiram? Não, de modo algum. Avisos foram muitos, recursos houve até em excesso, e o ministério tinha políticas públicas de saúde consideradas de excelência pela OMS-Organização Mundial da Saúde.

O desmonte começou com a nomeação em massa da corriola de sindicalistas . Lula precisava “pagar” a dívida que acumulou com os companheiros. Assim, onde haviam médicos especialistas chefiando hospitais públicos, foram substituídos por incompetentes e sebosos. Onde havia programas de excelência, foram abandonados por completo, permanecendo apenas o da AIDS, porque aí já seria demais. O resto tudo foi abandonado, jogado no lixo, e todo o ministério acabou virando um enorme depositário de companheiros ociosos.

Em 2006 advertíamos para o desmonte que o ministério vinha sofrendo, e, em 2007, advertíamos para a falta de projetos e investimentos na área da saúde. Sintomático é sabermos que o governo federal investiu ou aplicou apenas 50% dos recursos previstos para prevenção da dengue em 2007. Isto que no início a epidemia já sacudira o país de norte a sul, mas, ao que parece, não o bastante para sensibilizar o governo a cumprir seu papel.

Logo que assumiu, José Gomes Temporão veio com um discurso no mínimo prosaico: em lugar de falar da recuperação da rede pública hospitalar, ao invés de incrementar programas de prevenção em larga escala, ao invés de trazer soluções para que os pacientes do SUS pudessem realizar exames laboratoriais com muito maior rapidez (a média atual vai de 6 meses a um ano a depender do tipo de exame a ser realizado), veio com o papo de descriminar drogas e aborto. Dizíamos que, se ambos assuntos deveriam receber atenção, muito mais importante seria corrigir a rota do atendimento tanto ambulatorial quanto hospitalar. E que Deus livrasse o país de uma epidemia como a da dengue, ela mostraria o caos da rede pública e mais do que a doença, muitos acabariam morrendo muito mais por falta de atendimento. Bingo! Foi justamente isto que aconteceu.

Assim, é de se esperar que o governo atual assuma uma vez ao menos sua culpa, sua incompetência, seu descalabro, sua falta de ação e de projetos. Precisa o senhor Luiz Inácio descer urgentemente do palanque onde permanece desde janeiro de 2003 e cuidar com o zelo que lhe é exigido dos graves problemas que afligem e atormentam o dia a dia do povo brasileiro.

E pensem que o caos seja apenas na saúde pública: em todas as áreas de ação onde é exigida a presença do Estado, estejam certos, ou o Lula estará lá só na base do discurso, ou simplesmente não sabe de nada.

Durante o primeiro mandato, todos os erros, desacertos, incompetências, omissões e mazelas ficou fácil atribuir a culpa ao governante anterior. Agora, não cola mais. Ou este governo começa de fato a governar o país e corrigir sua própria rota, largando o discurso, descendo do palanque, parando de lançar a esmo programas que não se realizam nunca numa sucessão de cartas de intenção que se sabe não passarem de cerimônias eleitoreiras.

Enquanto perdem tempo com terceiros mandatos, com prorrogações dos atuais mandatos, com palanques, pacs, tvs públicas, etc., o país se arrasta num lodaçal de corrupção como jamais visto em toda a sua história. O Estado virou uma tragédia, e os serviços públicos nunca estiveram tão degradados e abandonados como atualmente. Na área da Educação não conseguimos sequer igualar os níveis de países como Chile, México, Coréia, quanto mais igualarmo-nos aos mais desenvolvidos. Qualquer meia ação positiva praticada é motivo para festejos imbecis e dispendiosos, esquecendo-se que há todo um passado que não se pode apagar ou ignorar.

Ou seja, nuncadantez neste país, um governo inepto, corrupto e incompetente foi tão festejado, mas nunca se gastou tanto em publicidade oficial mentirosa como atualmente se faz. Quando um presidente mente acintosamente em cada ocasião que se apresenta, e ainda recebe aplausos da claque” arrebanhada de maneira tão sórdida, não se pode mais ter dúvida do estado deprimente a que chegamos. Assim, como já se disse antes, nunca um governo brasileiro matou tantos brasileiros por sua ação estúpida de governar como agora. A dengue, meus amigos, é apenas, um pequeno ato de uma peça que ainda levará muito tempo para acabar, e junto, carregará muitas vidas no contrapeso de seu desgoverno.

A reportagem é de Marcello Victor, para o JB Online.

Mortos por dengue superam epidemia de 2002 e casos passam de 100 mil

RIO - O número de mortes por dengue já é recorde no Estado do Rio de Janeiro em 2008, em comparação com a epidemia de 2002. Em nova atualização dos número da doença, na noite desta terça-feira, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirmou 92 óbitos, um a mais do que o recorde anterior. Outras 96 mortes estão sendo investigadas. O número de pessoas infectadas pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti é de 100.783, 17.295 a mais do que o divulgado no último dia 16.

Ainda conforme o relatório da SES, do total de 92 mortes, 32 foram do tipo hemorrágica e 42% de crianças e adolescentes em idade escolar, na faixa de 0 a 15 anos. Os municípios onde houve registro de óbito são Rio de Janeiro (55), Duque de Caxias (11), São João de Meriti (5), Angra dos Reis (4) e Campos dos Goytacazes (4), Paracambi (3), Nova Iguaçu (3), São Gonçalo (3), Miguel Pereira (1), Belford Roxo (1), Italva (1) e Itaguaí (1).

Na mesma atualização, a SES informou os 10 municípios com a maior incidência de casos no Estado do Rio de Janeiro. Novamente a capital fluminense lidera com 56.919 infectados, seguida de Angra dos Reis (6.467), Nova Iguaçu (6.039), Campos dos Goytacazes (4.577), Duque de Caxias (3.359), Niterói (2.632), São João de Meriti (2.206), Belford Roxo (2.135), Magé (1.975) e São Gonçalo (1.077).

Também nesta terça-feira, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), confirmou mais uma morte por dengue e atualizou o número de casos na capital do Rio de Janeiro. A mais nova vítima da cidade é uma mulher de 48 anos, moradora do bairro de Piedade, na Zona Norte. Ela morreu no último dia 19, no Hospital Ordem Terceira da Penitência, na Tijuca. Os infectados chegaram a 59.044, 2.125 a mais do que a última atualização divulgada na sexta-feira.

TSE identifica irregularidades em contas do PT . É mesmo ?!

Olha, já está enchendo a paciência este negócio do TSE achar irregularidades em prestações de contas de partidos políticos e continuar tudo na mesma. Não se vê punição nem à agremiação, tampouco seus dirigentes. Ou a lei existe, e se cumpre, independente de quem seja o infrator, ou se joga tudo isto no lixo e não se fiscaliza mais porcaria nenhuma ! Qual é, não há uma eleição que haja “irregularidades” nas contas do PT! E o partido continua a receber lépido e faceiro sua parte boa do Fundo Partidário. O que não podem é continuar ignorando a legislação.

Mesmo na campanha de 2006, o que não faltou foram abusos de toda a sorte, e o dossiê anti-serra foi apenas uma delas. Agora mesmo, completamente ilegal, o presidente utiliza a máquina pública e órgãos do Estado para uma peregrinação eleitoreira que todos sabem que irá desembocar em 2010, e não recebe uma reprimenda, uma advertência, uma multinha, nada. Isto é um convite aberto a que o ambiente político se deteriore ainda mais. Alô, alô TSE, vamos cumprir a lei?

As informações são da Agência Brasil.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou a apontar irregularidades na prestação das contas apresentadas pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) relativas a 2006. Segundo a Coordenadoria de Exame das Contas Eleitorais e Partidárias (Coepa) do tribunal, o partido recebeu recurso de fonte proibida, aplicou irregularmente o fundo partidário e descumpriu o prazo de apresentação de seus balancetes.

Segundo a nota, o partido utilizou R$ 19.365.524,33 do fundo partidário para saldar suas despesas, indicando que, deste total, R$ 7.636.994,43 (39,44%) foram gastos na rubrica "despesas com fins eleitorais". Os técnicos sugerem que o TSE peça à Secretaria da Receita Federal a declaração anual de rendimento de pessoas jurídicas responsáveis por doações, que totalizam R$ 600 mil, e que, individualmente, sejam superiores a R$ 65 mil.

Os técnicos do Coepa também encontraram 'divergências' entre o balanço patrimonial, publicado no Diário da Justiça do dia 29 de novembro de 2007, e os dados declarados pelo PT em sua segunda prestação de contas, entregue após a primeira desaprovação pelo tribunal. Há, segundo a Coepa, erros e omissões nas informações dos balanços financeiro e patrimonial, demonstrativo de origens, aplicação de recursos e conciliação bancária do partido.

O diretório nacional do PT declarou ter assumido dívidas de R$ 10.302.372,10 na campanha das eleições de 2006. O partido também indica dívidas de empréstimos e juros relativos aos empréstimos com o Banco BMG e o Banco Rural, além de crédito a restituir ao empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, denunciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no esquema do Mensalão.

terça-feira, abril 22, 2008

Serra teme crise econômica pós-Lula

Adelson Elias Vasconcellos

Tem razão o governador Serra em temer uma crise econômica a ser vivida pelo Brasil logo após a saída de Lula da presidência.São vários os fatores que estão colaborando para que acentue esta crise nos próximos anos.

Uma delas, sem dúvida, é a dívida pública interna. Não apenas pelo fato dela ter agregado a dívida externa que era barata e que os gênios do Planalto resolveram trocar pela interna, bem mais cara. Em 2007, como vimos, só em serviço de dívida, consumiram-se mais de 50% da arrecadação de impostos do país, o que convenhamos, é um absurdo.

Além disto, temos os crescentes gastos com a máquina pública, os quais deverão crescer muito mais ainda até dezembro de 2010, por conta de novas contratações e dos aumentos reais de salário que tem sido concedidos.

Também pelo lado dos impostos, a carga tributária já bateu no teto. Não há como aumenta-la e as necessidades de caixa são cada vez maiores por conta mão apenas da máquina pública inchada, mas também por conta do maior aumento do Estado na economia, como se vê no caso da telefonia e da energia, esta principalmente. Nunca esquecendo, é claro, a dispendiosa e inútil TV pública que, se o próximo governante tiver bom senso, acaba de vez com este poço de desperdício.

Há que se considerar que o crescimento do país, muito embora toda a propaganda oficial, continua ser vegetativo. Não agrega riqueza alguma. Ou seja, não gera renda. E aí entram os fastidiosos programas sociais, totalmente desajustados em relação a sua concepção original e cujo efeito imediato é eternizar a pobreza do país. Digo isto porque, conforme já comprovei inúmeras vezes, tais políticas não se sustentam no tempo.

No caso brasileiro, não fosse pela exuberância de nossa economia, e pelos acertos de passado recente, como no caso do PROER que salvou o sistema financeiro do país, cujos frutos podemos colher nesta crise americana, e muito provavelmente, estes ventos desfavoráveis chegariam mais cedo. Isto fica fácil de se constatar quando se olha pelo lado da infra-estrutura. Dez em cada dez especialistas são unânimes em afirmar que a falta de investimentos em portos, rodovias, aeroportos, hidrovias e energia elétrica não acontece por falta de dinheiro e de interessados em investir. Sob tal ângulo existem dinheiro e empresários interessados até em profusão. O que nos mantém manietados é a regulação emanada pelo Poder Público que oferece as oportunidades mas não oportuniza condições. O governo do senhor Luiz Inácio detesta ver empresários ganharem dinheiro. A palavra lucro para esta gente é algo proibido, pecado mortal, algo a ser expurgado e exorcizado da sociedade brasileira. Querem que os empresários invistam, mas não lhes permitir garantir retorno de seus investimentos. Resultado: a nossa infra-estrutura que já está na UTI faz tempo, entra em colapso a cada dia que passa. Em conseqüência, o país perde oportunidades, perde riquezas, deixa de ganhar divisas tão necessárias ao nosso desenvolvimento.

Todos os pontos acima só não nos causam dores de cabeça no presente em razão da economia mundial que ainda nos apresenta um cenário raro de facilidades. Agora mesmo, diante da grave crise americana, não se vê um único país emergente sofrendo conseqüências, ou vivendo dificuldades. Todos estavam e continuam muito bem, obrigado. Soa ridícula a gritaria que Lula prega mundo afora sobre os subsídios tanto dos Estados Unidos quanto da Comunidade Européia. Por quê? Porque o que eles fazem é defender sua economia interna. Podemos achar imoral a prática protecionista, mas pergunto: o Brasil pode reclamar, quando ele próprio ainda mantém a sua como uma das economias mais fechadas do mundo? Além disto, na recente crise, os bilhões que os bancos centrais europeus e americanos jogaram no mercado para acalmar o sistema, se não lhes devolveu total tranqüilidade, pelo menos impediu que o mal se alastrasse por toda a economia mundial. Não que, a médio prazo, não teremos problemas decorrentes por aqui. Mas, por enquanto, temos fôlego para tocar nosso barco sem transtornos maiores.

Mas acredito que Serra enxerga o problema no problema por uma ótica, acredito eu, parcial. A questão não são os juros estarem lá em cima, no topo do mundo. Conforme já demonstramos inúmeras vezes, os juros são parte das conseqüências de um governo perdulário, que não consegue conter seus gastos, ou limita-los ao necessário. Juntando-se tais gastos aos compromissos já existentes em termos de contratações e programas sociais inadequados, isto pressiona o governo a ir ao mercado trocar títulos por dinheiro. Assim, cresce a dívida, cresce o serviço anual que o país terá que pagar. Quando o Banco Central se vê obrigado a agir para conter a inflação, o único instrumento de que dispõe é a política de juros. Imaginem se o Brasil praticasse um juro interno em torno de 2,0% a 4% que é a média mundial. Faria tão grande diferença assim o aumento de 0,5% a ponto de comprometer o crescimento do país? Lógico que não, poderia conter o consumo o que implicaria em por um freio na inflação com tendência de alta, mas nada que fizesse diferença tão assustadora no desenvolvimento.

Para quem tenha a pretensão de suceder Lula a partir de 2011 no Planalto, deveria mirar fortemente no gasto público, para que o equilíbrio fiscal seja mantido sem artificialismos. Deverá reunir enorme decisão política de impor uma reforma tributária decente que faça a carga cair para abaixo de 30%. E já terá que trazer debaixo do braço todo um arcabouço regulatório para permitir à iniciativa privada investir com vontade nas áreas de infra-estrutura do país. Ou seja, a visão de governo para o próximo presidente deverá mirar em fomentar o desenvolvimento naquilo que é competência do governo fazer.

Neste sentido é bom deixar claro que o melhor programa social do mundo, e em todos os tempos, é crescimento econômico. Tudo o mais que se fizer, mesmo seguindo o modelo brasileiro, deve ser encarado como transitório. A permanente condição de beneficiário de programas sociais transformará o cidadão em um mau cidadão, impregnando-o de acomodação ao assistencialismo público.
Estão certoe tanto José e Aécio Neves em se preocuparem com o Brasil que receberão de Lula. Neste seus cinco anos de governo, e a perspectiva que se tem até o final do seu segundo mandato, é de um Estado cada vez mais engessado. Cada vez mais presente em áreas que não lhe dizem respeito, e cada vez mais ausente naquilo que é sua tarefa primordial, que são serviços públicos do tipo educação, saúde, segurança, saneamento público. A questão, como sabemos, não é falta de recursos e sim de prioridades, por falta de um projeto de desenvolvimento.

E se você quiser saber o que penso do pac, saiba então que o pac é uma embromação pura e simples. São cerimônias de assinaturas de protocolos com intenções de obras que em todos os governos se fez. Estão engrandecendo aos olhos do povo uma rotina banal de governo com propósito políticos. E o que é pior: as “grandes” obras necessárias para ativar nossos crescimento estão sendo postas de lado. Enquanto isto, as instituições estão se degradando a olhos vistos. Chega a ser constrangedor ver tanta gente no poder comemorando os 5,4% de crescimento obtidos em 2007. Se, considerada a média dos últimos anos isto não é nada, e fica pior ainda quando se sabe que conseguimos ser melhores apenas que o Haiti e a Guatemala num grupo de 39 países emergentes.

Assim, volto ao ponto inicial: para quem pretende assumir o lugar de Lula, a visão não pode focar-se na questão de juros, e sim de projeto de país. Já desafiei aqui mesmo a me provarem que, se a taxa amanhã descesse a zero por cento, qual seria a taxa de crescimento do país, sem a companhia desagradável de inflação? Sem que o governo tome juízo e gaste com racionalidade e equilíbrio, a conta não fecha. E, lá no fundo, devemos agradecer ao Banco Central por não se deixar levar pelos “desenvolvimentistas”. Graças ao juros, ele consegue manter a atual estabilidade econômica. Sem eles, a nossa vida seria um caos. O remédio pode ser amargo, mas mantém o doente vivo e consciente.

Além de conter a gastança desenfreada que Lula adotou como “programa de governo”, o futuro presidente já deve preocupar-se com a deterioração da balança comercial brasileira. No ritmo que vai, ele pode recebe-la com saldo negativo e isto seria muito preocupante, porque os saldos positivos que Lula desfrutou, não os soube aplicar em investimentos. Além de que a economia internacional não estará vivendo o melhor de seus momentos.

O justo seria Lula ainda em seu segundo mandato, desfrutar um pouco da “herança maldita” que acabará deixando para seu sucessor. Porque uma coisa é governar o país fazendo festa com uma economia mundial favorável nos palanques da vida. Outra, muito diferente, é administrar crises econômicas, interna e externa. Porque neste caso não bastam discursos e cinismo: é preciso competência.

Lula diz que não renegocia tratado de Itaipu, mas Amorim admite revisão

Leiam o que informa a Folha Online. Comentaremos depois:

A renegociação do tratado de Itaipu, assinado em 1973, foi tema de declarações contraditórias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, nesta segunda-feira, em Acra, capital de Gana (África). O reajuste do preço da energia da hidrelétrica binacional, da qual Brasil e Paraguai são sócios, foi uma das bandeiras de campanha de Fernando Lugo, eleito presidente do Paraguai no domingo.

Na manhã desta segunda, Lula afirmou que não vai alterar o tratado, como defende Lugo. "Nós temos um tratado, e o tratado vai se manter", disse depois de participar de uma reunião na Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).

Ele afirmou que os dois países mantêm constantes reuniões para tratar de outros temas também polêmicos. "Não é apenas a questão de Itaipu, é a questão da nossa fronteira, que é muito grande, envolve vários Estados, é a questão da Ciudad del Leste".

Mais tarde, porém, o ministro Celso Amorim afirmou que o Brasil pode reajustar o valor pago ao Paraguai pela energia excedente da hidrelétrica de Itaipu. Segundo Amorim, a medida já foi tomada no passado, apesar de o documento prever que o excedente de um dos sócios seja vendido ao outro pelo preço de custo.

"Vamos continuar discutindo com o Paraguai normalmente como como ele pode obter uma remuneração adequada para sua energia. Isso é justo", disse o ministro.

De acordo com os termos do tratado de Itaipu, a energia gerada pela usina deve ser dividida igualmente entre os dois sócios. Mas o Paraguai utiliza apenas cerca de 5% dessa energia, quantia que é suficiente para suprir 95% de sua demanda. O excedente é vendido --a preço de custo-- ao Brasil, onde 20% da energia elétrica consumida vem de Itaipu.

Amorim afirmou que o mais importante é que exista harmonia entre os países da região. "Não creio que vá haver [chantagem por parte do Paraguai]. Vai haver uma atitude normal de conversa, de encontrar soluções para um país com o qual temos uma relação muito próxima."

O ministro defendeu ajuda brasileira ao país vizinho. Uma das formas é a construção de uma linha de transmissão de Itaipu a Assunção, que aumentaria o acesso dos paraguaios à energia de Itaipu.

"E um absurdo que a energia em Assunção seja ruim, mesmo o Paraguai sendo sócio da maior hidrelétrica do mundo", afirmou Amorim. "Vamos ajudá-lo a fazer linhas de transmissão importantes. É nossa responsabilidade ajudar os países mais pobres da região."

O frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, também disse ontem que fontes no governo brasileiro lhe asseguraram que o país poderá renegociar o tratado de Itaipu.

O ex-bispo Fernando Lugo declarou ontem, após ser eleito, que pretende "discutir Itaipu ao máximo" --ele não descartou recorrer à Corte Internacional de Haia. Durante a campanha, ele já havia dito que os US$ 300 milhões pagos pelo Brasil ao país anualmente são "irrisórios" e defendeu um 'preço de mercado', entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões.

Sobre a eleição, Lula disse que ainda não ligou para Lugo, mas que já mandou um telegrama dando os parabéns pela vitória. Ele afirmou que o resultado das eleições paraguaias consolida a democracia.

"No Paraguai você tinha um partido que governava há 60 ou 70 anos. Ele venceu uma eleição muito disputada, reconhecida já por todos os outros candidatos", disse.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Sabem por que se obriga a vender a energia que é sua e que não utiliza ao Brasil e pelo preço de custo? Simplesmente, porque quem construiu a usina e bancou seu investimento, integralmente, foi o Brasil. Por ser em área de fronteira entre os dois países, precisávamos que o Paraguai consentisse coma construção de Itaipu e, para tanto, fizemos uma série de concessões como bancar o investimento e nos obrigarmos a recomprar o excedente não usado pelo Paraguai. Não houve nenhuma exploração, até porque o Paraguai ganhou metade da produção, da qual utiliza apenas 5% e vende o restante sem precisar empregar um milímetro de linhas de transmissão. Querer agora que o Brasil pague “valor de mercado” soa, no mínimo, ridículo.

Mas não se enganem com o discurso do Luiz Inácio. Se o presidente paraguaio apertar, Lula abre os braços e concede reajuste e mais alguma coisa. O Paraguai segue exatamente a receita empregada por Evo Moralez. Se deu certo como boliviano por que não daria certo com o Paraguai. E, rigorosamente, aconteceu a mesma coisa com o gás boliviano. Quem tornou o gás boliviano “comercializável”? A Petrobrás. Quem bancou e construiu o gasoduto para o transporte do gás? O Brasil. Quem garantiu mercado para o gás boliviano? O Brasil, inclusive se comprometendo em comprar uma quota mínima mesmo que não a usasse. Ora, depois de tanto trabalho e investimento, a Bolívia querer cobrar-nos os mesmos preços do mercado internacional seria absurdo. O negócio só se tornou possível por conta e risco do Brasil. Assim, para nós, a viabilidade econômica do investimento despendido só faria sentido se o preço final fosse menor.

Evo tanto fez que acabou levando. E o recém eleito presidente paraguaio vai fazer a mesma pressão e, se sabe, tranquilamente, que o discurso de Lula, é pura retórica, puro jogo de cena. Não só o Paraguai vai obter o que quer, como ainda levará alguma coisa mais, tipo a construção da linha de transmissão até Assunção, alguma linha de crédito razoável, em condições melhores do que o BNDES concede internamente por aqui. Sabem o que em troca o Paraguai vai oferecer ao Brasil? Vai enxotar os produtores de soja brasileiros em seu território. Isto é que é reciprocidade pai d’égua!!! Resultado, uma vez mais o governo do Luiz Inácio prioriza os pobres dos países vizinhos, em detrimento dos pobres de seu próprio país.

Também é bom lembrar o caso do trigo argentino. No âmbito do Mercosul, Brasil e Argentina firmaram um acordo de que os portenhos nos exportariam determinada quantidade de trigo, claro com preços menores do que os de mercado internacional, para completar nossas necessidades internas, tendo em vista que a nossa produção sequer cobre metade do nosso consumo. Pois bem, bastou o preço do trigo disparar no mercado internacional e o que nossos parceiros do Mercosul fizeram? Simplesmente, suspenderam a exportação para o Brasil e passaram a vender para os demais países fora do bloco econômico. Moral da história: para o país não sofrer com a falta do produto, foi preciso buscar outros fornecedores, pagando preços bem mais altos e, em conseqüência, o preço do pão nosso de cada dia além de massas e biscoitos, tiveram seus preços disparados aqui dentro. E reparem: isto que o Brasil, quando a Argentina sofreu enorme apagão energético em 2007, exportou energia para os “hermanos” a preços módicos e bem camaradas !!!

Assim, Lula vai afrouxar em relação aos preços que pagamos pela quota de energia paraguaia que compramos e concederá algum bônus extra !!! É o Brasil de joelhos diante dos latinos que nos odeiam e nos chamam de imperialistas !

Tarso admite que governo perdeu batalha na Raposa Serra do Sol

Adelson Elias Vasconcellos

Matéria de Vera Rosa, para O Estado de S. Paulo, informa que o ministro lero-lero da Justiça, Tarso Genro, parece estar jogando a toalha na questão da reserva Raposa do Sol. Será ? É o que vamos ver. Lula prometeu aos indígenas no final da semana passada de que manteria a reserva demarcada em terras contínuas, e de que tentaria “sensibilizar” a turma do STF para não alterar seu decreto. Espero que esta “sensibilização” seja apenas um diálogo argumentativo, e não coisa pior. Sempre é bom a gente lembrar que esta gente não tem o menor escrúpulo quando se trata de vingar suas idéias, mesmo que elas firam o senso comum.

Aliás, Tarso continua com visão distorcida. Insiste em afirmar que a decisão do STF em suspender a operação de guerra armada pela Polícia Federal foi provocada pela imprensa, assim como teima em afirmar que a operação iria retirar “fazendeiros”. É mentira: as pessoas que lá estão, e que serão retiradas da reserva são, na verdade, centenas de famílias que moravam na região antes da criação da reserva da forma como o governo atual fez, ou seja, em terras contínuas. Vale lembrar que a demarcação feita em 1998, no governo FHC, obedecia ao regime de ilhas, sem precisar incomodar quem quer que fosse. A invencionice praticada por Lula é que originou no atual conflito.

Mas ainda há uma questão que não abordei aqui, em razão de outros aspectos que me pareciam mais prementes.

Vamos fazer o seguinte exercício: o STF decide em favor do governo, e a reserva fica do jeito que está. Muito bem: então, numa área de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, o governo a entrega para ser ocupada por cerca de 20 mil índios.

Teríamos neste caso duas situações: a primeira, como a reserva internamente não tem “fronteiras”, como os 20 mil índios vão ocupa-la, como farão a divisão entre si, já que se tratam de várias tribos e etnias, muitas até inimigas umas das outras. É o caso das tribos que já vivem ali já separadas como os macuxi, tanepaug, patamones, ingarikó e wapixana, com culturas próprias, e cuja heterogeneidade, de acordo com a tese em vigor, deve ser protegida. Com a demarcação contínua, não há mais glebas de uma tribo e de outra, mas todas as terras passam a ser de todos, e é fácil prever a luta sangrenta entre as tribos, rivais históricas, para a conquista de mais território. Este é um lado.

O outro, onde pensa o governo alojar a população das cidades localizadas no interior da reserva, como são os casos dos municípios de Uirimatã, Água Fria e Mutum.

Assim, reparem, não teria sido melhor que a demarcação obedecesse o traço original, quando previa a criação de “ilhas, com cada tribo em sua própria terra, e os não índios também permanecendo onde já estão ? E a rigor, até hoje não se ouviu falar que os não índios ameaçassem de alguma forma os indígenas. Estes são ameaçados é por ongs piratas e clandestinas lá existentes às centenas, garimpeiros e madeireiros vindos de outros lugares. Portanto, o que o governo criou com sua teimosia foi sim um conflito completamente desnecessário e que, apesar de todas as evidências indicarem a necessária mudança, teima ainda em não arredar pé.

Contudo, o desânimo aparente de Tarso Genro é indicativo de que há uma posição firme do STF em corrigir a barbaridade que o governo Lula estava cometendo. Menos mal quando ainda se pode contar com um Judiciário que faz cumprir a lei. Porque a depender desta gente incrustada no Poder Público, eles ainda conseguiram alimentar vários outros conflitos a dividir o país em raças, etnias, poder econômico e social, e até regionalismo, nordeste contra o sul por exemplo.

Interessante esta “política”: enquanto as nações mais desenvolvidas cresceram à base da unidade de seu povo e até regional, aqui tentamos ao contrário. Pra variar, as esquerdas continuam na contramão da história. E o pior é que por aqui eles ainda têm adeptos.

Mas ministro da Justiça que lutará até o fim para desocupar a área em Roraima

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Tarso Genro, admite que o governo perdeu a batalha da comunicação no episódio da demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Afirma, porém, que lutará até o fim para desocupar a área, hoje invadida por arrozeiros. "É um equívoco a visão de que seis arrozeiros podem desconstituir um trabalho de maturação de três anos, que atravessou diversos governos", diz.

Na avaliação de Tarso, a análise distorcida sobre a operação preparada pela Polícia Federal para retirar os fazendeiros da reserva influenciou o Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu o processo. O ministro repete, porém, que não há margem para dúvida nesse caso. "A terra indígena integra o patrimônio da União. E a União entra e sai dela quando quer", afirma.

Depois da crise provocada por declarações do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante militar da Amazônia, que classificou a política indigenista como "lamentável e caótica", Tarso jogou água na fervura. Disse até que compartilha da preocupação do general a respeito da atuação das ONGs. "Várias dessas instituições não estão a serviço de suas finalidades, mas, sim, de interesses relacionados à biopirataria", insistiu o ministro que enviou para a Casa Civil, há duas semanas, proposta para regulamentar a atuação de ONGs na Amazônia legal.

'Não temos nada contra o etanol brasileiro', diz ONU

Estadão

'Quando falamos da influência dos biocombustíveis na economia dos grãos, estamos falando do milho dos EUA'

ROMA - O secretário-geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, prometeu criar um grupo de estudos sobre a crise mundial dos alimentos. Dentro da ONU, a pessoa a ouvir sobre isso é o economista Abdolreza Abbassian, secretário do Grupo Intergovernamental sobre Grãos da Organização das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura (FAO): "Quando falamos da influência dos biocombustíveis na economia dos grãos, estamos falando do milho dos Estados Unidos, não da cana-de-açúcar do Brasil", explica Abbassion, um iraniano de 49 anos, há 17 na FAO.

"Não temos nada contra o etanol brasileiro", garante o economista, que antes trabalhou na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e no Fundo Monetário Internacional (FMI). Entretanto, pondera, isso não quer dizer que, no futuro, não possa haver uma relação, ainda que indireta, entre a produção de etanol no Brasil e a redução de terras para a criação de gado e, com ela, o avanço dos pastos na Amazônia.

Em entrevista ao Estado, na sede da FAO em Roma, Abbassion reconhece que os subsídios nos EUA e na Europa inviabilizam projetos de biocombustíveis em países pobres. Mas estima que, independentemente dos subsídios, com exceção do Brasil e de outros poucos que podem produzir álcool da cana, é "discutível" que países da África ou a Índia venham a ter uma produção comercialmente viável de biocombustíveis, como quer o presidente Lula.

Veja abaixo algumas das questões respondidas pelo secretário-geral da ONU e leia na terça-feira, 22, a íntegra no jornal O Estado de S. Paulo.

A produção de biocombustíveis pode prejudicar a de alimentos?
Pode. Os biocombustíveis introduzem uma nova demanda. Mas nossas afirmações a respeito têm sido tiradas do contexto e por isso estamos nessa confusão. Em junho, quando expusemos nossa posição sobre a influência dos biocombustíveis na economia dos grãos, não mencionamos açúcar. Quando citamos etanol, estávamos falando do derivado do milho. Mas fomos alvo de um bombardeio do Brasil: "O que vocês têm contra o nosso etanol?" Nada. Leiam o relatório. Não falávamos do Brasil, que tem uma história de 30 anos de produção sustentável de álcool de cana-de-açúcar. Quando falamos de grãos, estamos falando dos Estados Unidos - o maior produtor, consumidor e exportador de milho. É lógico que, quando uma demanda tão forte de grãos emerge tão depressa, terá de ter implicações. Quem disser que não, deve morar em Marte. No ano passado, 84 milhões de toneladas de milho foram destinadas ao etanol. O comércio mundial de milho é de cerca de 90 milhões de toneladas. Em quatro anos, a produção de milho dobrou. Os fazendeiros americanos foram capazes de aumentar sua produção tão rapidamente, que não só houve milho suficiente para a expansão dos biocombustíveis, mas os EUA ainda exportaram mais, destinaram mais milho a ração de animais e aumentaram ligeiramente seu estoque.

Então, qual o problema?
Os EUA tiveram de reduzir sua produção de soja e de trigo na mesma proporção em que aumentaram a de milho. A partir de março do ano passado, há um gargalo de suprimento de soja. A produção de trigo dos EUA e de outros países também caiu. Resultado: os preços dos dois grãos subiram. E o milho, apesar da produção recorde nos EUA, começou a subir também. Na safra 2007-2008, que termina em julho, os biocombustíveis foram um dos principais fatores, não o único. Houve seca também. Na próxima safra, os biocombustíveis podem ser o fator determinante se os preços continuarem altos.

A soja brasileira pode entrar substituindo o milho para alimentar rebanhos?
O aumento da demanda do milho para o etanol (nos EUA) pressionará o preço da soja. O Brasil é um dos poucos países com tremendo potencial de crescimento da produção de praticamente qualquer coisa, e talvez aumente a produção de soja, para atender à demanda da China e dos EUA, que têm capacidade limitada de expandir o uso da terra. O que acontecerá com as terras destinadas ao pasto? Se elas se deslocarem, irão para onde? Muitos ambientalistas têm nos dito que terão de avançar na floresta. Sabemos perfeitamente que o desmatamento não é para plantar cana. Essa é a cadeia que torna o biocombustível responsável. O grau de influência dele é assunto para futuras pesquisas. É um fenômeno recente demais para fazermos análises estatísticas. O que não se pode dizer é que o biocombustível é irrelevante.

Etanol brasileiro: uma irritação gratuita

Adelson Elias Vasconcellos

Existem interesses econômicos agindo contra o etanol brasileiro? Sim, por certo. Porém, daí a Lula fazer um cavalo-de-batalha vai uma enorme diferença.

O truque é velho e manjado, e sempre praticamente acaba dando certo quando se lida com públicos desinformados. A esquerda, especialmente, adora arranjar um inimigo comum contra quem se mobilizam as forças da pátria agredida ou ameaçada, e para vencer o inimigo, se concede ao presidente todos os poderes de que ele diz precisar para salvar a honra nacional. E, nestas “concessões”, regra geral, vão para o buraco, o estado de direito, as instituições democráticas, as liberdades e garantias individuais.

Na crítica que se faz, sem emocionalismos ordinários ou interesses suspeitos, o etanol não é o ÚNICO CULPADO. Ele está entre os que colaboram para o aumento dos preços dos alimentos.

Posso dar-lhes um exemplo local. No cerrado, em 2007, houve aumento de 8% na área plantada de cana de açúcar. Sabe quais foram as invadidas tomadas pela cana? Aonde se criavam bovinos, que acabaram indo para a Amazônia. Ou seja, tanto a carne terá um sobre-preço de produção pela distância, quanto a floresta será afetada pela nova atividade econômica. Quem produziu isto? O etanol brasileiro. Viaje-se pelo interior de São Paulo, e vocês descobrirão imensas lavouras de feijão que cederam lugar à cana. E o preço a gente percebe nas gôndolas dos mercados. Um detalhe: o caso do feijão e da carne são fatores locais, não sofrem influência alguma do etanol produzido a partir do milho nos Estados Unidos.

Afirmei que o etanol é um dos fatores; Hoje o preço do petróleo bateu nas alturas, foi a mais de US $ 114,00 em Nova Iorque, e a US $ 117,00 em Londres. Ora, brutal aumento considerando um período dos doze últimos meses, vai influir sim no preços dos alimentos. Além do transporte, tanto dos insumos quanto das colheitas, todos os insumos como fertilizantes, adubos, inseticidas, etc., são derivados de petróleo. Ah, o etanol do milho americano também é vilão? Claro que é, ninguém está dizendo ao contrário. Mas reparem: no conjuntos, estes três fatores são suficientes para apenas eles produzirem o efeito inflacionário do momento. Estou ainda esperando ver onde se encaixa a teoria de que os subsídios norte-americanos e europeus possam influenciar uma elevação de preços. Pode sim, com toda a certeza, dificultar o acesso dos países emergentes aos seus mercados. Mas daí a provocarem ondas altistas de preços, há uma enorme distância.

Ainda dentro da retórica arrogante do senhor Luiz Inácio, ele deveria dar-se, por exemplo, que o grande problema do continente africano é a povo dos vários povos que o continente abriga. Assim, deveria incentivar até com tecnologia, na qual o Brasil tem suficiente know-how, aos países que tem visitado, a que se dedicassem a plantar “alimentos”. E o que o vemos fazer, como agora em sua visita à Gana? Que eles plantem cana para produção de etanol para exportarem. Cana resolve o problema da fome? Não !!! Então por que ajuda-los a plantarem culturas que alimentem o faminto povo do continente? Tenho certeza que toda a comunidade internacional ajudaria enormemente neste sentido. Porém, há que se levar em conta, também, as disputas étnicas que acabam dizimando milhares de pessoas, além dos golpes de estado e da corrupção por parte das centenas de ditadores que tomam o poder.

Assim, incentivar o plantio de cana para produção de etanol destinado à exportação, faz com que a região continue padecendo dos mesmos males.

Que Lula não queira ouvir os críticos do FMI, da ONU, do restante do mundo. Mas que pelo menos ouça seus camaradas e amigos do peito, o ditador moribundo Fidel castro e o coronel aprendiz de ditador Hugo Chavez. Ambos são ferrenhos críticos dos programas de bio-combustíveis, e não apenas do etanol a partir da cana de açúcar. Muito embora, Chavez, particularmente, seja muito suspeito haja visto que a Venezuela é o quinto maior produtor de petróleo do mundo.

De qualquer modo, Lula aceite ou não, o etanol a partir da cana de açúcar é um dos vilões sim para atual elevação no preço dos alimentos. Negar a evidência não a eliminará.

E reparem: não somos críticos do incentivo que o governo brasileiro tem dado ao programa de bio-combustíveis. Lá atrás, antes que o assunto virasse moda, já advertíamos que seria necessário que o país estendesse às principais culturas de uma cesta de alimentos considerados indispensáveis e estratégicos, para não apenas manter seus níveis de produção, mas principalmente seus preços que, sem incentivos, tenderiam a ser substituídos pela cana, com perspectivas de lucros muito maiores e, portanto, mais atrativas ao agricultor.

O que o governo não pode é ficar neste discurso para surdos, achando que os agricultores brasileiros, apenas por puro amor à pátria, jogarão dinheiro fora para plantarem prejuízos em suas lavouras.

Hoje, ainda, o secretário geral da ONU resolveu esclarecer que, as criticas que a entidade tem feito ao etanol, não se referem ao etanol brasileiro, e sim ao americano, originado do milho.

Leiam: “... O secretário-geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, prometeu criar um grupo de estudos sobre a crise mundial dos alimentos. Dentro da ONU, a pessoa a ouvir sobre isso é o economista Abdolreza Abbassian, secretário do Grupo Intergovernamental sobre Grãos da Organização das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura (FAO): "Quando falamos da influência dos biocombustíveis na economia dos grãos, estamos falando do milho dos Estados Unidos, não da cana-de-açúcar do Brasil", explica Abbassion, um iraniano de 49 anos, há 17 na FAO...”.

Assim, não é preciso o senhor Luiz Inácio sair acusando meio mundo, fazendo cara de mau, só para mostrar que o Brasil é independente. Porque vociferar no palanque toda esta agressividade é até fácil. Quero ver é ele defender o interesse nacional diante do Evo Morales em favor de quem até aqui só foi subserviente, ou conta Chavez quando agride nossas instituições, ou mesmo Rafael Correa quando abriga terroristas. E anaotem aí: o próximo da lista é o recém eleito presidente do Paraguai. Mas disto trataremos em outro post. Por ora, fica claro que ninguém está praticando terrorismo contra o etanol do Brasil até porque isto não impediu que o álcool a partir da cana de açúcar atravesse décadas de desenvolvimento para chegar no ponto em que chegou. Tecnologia genuinamente brasileira.

Isto, por outro lado, não impede de que o país tome as precauções necessárias no sentido de uma cultura não substituir outras. E isto depende primordialmente da política que o governo desenvolver para a sua agricultura. Ou seja, menos discurso empolado, e mais ação de governo.

No post seguinte, leiam entrevista concedida pelo Secretário Geral da ONU, sobre a qual falamos acima. Reparem o equilíbrio e o bom senso do que ele diz. Há, ali, muito para o Brasil ler e refletir. Resta saber quem no governo terá isenção e o bom senso necessários para tanto. E vai aqui um alerta: que o governo Lula reze para todos os santos para que as principais comodities agrícolas das quais o Brasil é grande exportador, permaneçam com seus preços elevados. Porque se de repente elas despencarem, vai muito produtor de soja mudando de atividade, ou de cultura...

Para um ministro delinqüente, decisão do STF é "gravíssima."

Adelson Elias Vasconcellos

Reportagem da Tribuna da Imprensa, informa a reação do ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, que classificou a decisão do STF de conceder liminar suspendendo a ação de guerra para desocupação de brasileiros não indígenas da reserva Raposa do Sol,como “gravíssima”.

Impressionante este pessoal do petê: quando a decisão é favor, eles elogiam as instituições, cantam marra, mantém um bom humor nas alturas. Basta, porém, que a decisão da Justiça não lhes agrade, e logo partem para a agressão, já saem gritando que “é golpe”, fazem um escândalo danado, ameaçam botar sua banda na rua, etc., etc., etc., etc. Êta pessoal ordinário este !!!

Gravíssima foi a maneira como o governo demarcou a área, gravíssima é desalojar centenas de famílias sem sequer oferecer-lhes alternativas, uma vez que estão naquelas terras desde que nasceram. Não são invasores como os delinqüentes querem fazer crer. Trata-se de gente honesta, trabalhadora, e que talvez esteja pagando por não terem votado em Lula em 2006. Trata-se de uma falta total de respeito e de humanidade. Um ato de traição explícito. Qual o problema de deixarem esta gente morando naquela área, porque tanto quanto se saiba eles jamais foram ameaça aos índios. Por quê de todo este ranço, este ódio febril contra aquele povo?

Não se trata apenas de se venderem para as ongs estrangeiras que lá se encontram às centenas. É algo até muito pior, e que bem demonstra a índole perversa desta gente do governo.

Incrível é a ignorância do ministro que, com toda a boçalidade que lhe caracteriza, chega ao ridículo de afirmar que “... a ocupação da reserva por agricultores é, segundo ele, inconstitucional e o Supremo é justamente o tribunal encarregado de zelar pelo cumprimento da Constituição.”

Seria ótimo se o ministro primeiro se informasse melhor e, segundo, que não falta com a verdade de forma tão repulsiva. Mente o senhor Vannuchi, como mentem também todos os que com ele se acolhem na farsa que se tenta construir para a opinião pública. Primeiro, quando a Constituição foi assinada em 1988, aquela gente já morava e trabalhava lá, portanto, se invasores há eles foram criados pelo atual governo que, de forma cretina, mudou a demarcação realizada em 1998, que não determinava que a reserva fosse em áreas contínuas. Mente também porque tanto quanto se saiba o PT sequer assinou a Carta de 1988, portanto não tem competência moral para reivindicar direitos que nem a carta consagrou nem tampouco o PT tomou conhecimento.

E, se o senhor Vannuchi quer bancar o safado até quando chega a dizer que “...Com todo o respeito que é obrigatório a um cidadão em relação ao STF..”, que então respeite a instituição, e pare de se indispor contra ela, uma vez que ela lá está não é para cinicamente provocar divisão no seio do povo brasileiro, nem tampouco praticar agrados eleitoreiros e demagógicos. Justamente por lá estar como guardiã da Constituição, é que o STF entende que, tanto a forma como a reserva foi demarcada em 2005, contrariamente ao projeto original de 1998, quanto a forma como quer jogar na rua da amargura que lá nasceram e viveram suas vidas, como também o que a Constituição determinou em termos de reservas indígenas era aquelas que já haviam naquela data. E aqui é falta a estes petistas entreguistas e ignorantes, a devida e correta interpretação da carta magna.

Portanto, melhor faria o senhor Vannuchi se se recolhesse à sua insignificância e cumprisse o seu papel de ministro responsável pela área dos Direitos Humanos, uma vez que a maneira como o governo Lula está procedendo em relação ao não índios moradores daquela região, é uma total e flagrante violação de direitos humanos.

Segue a reportagem da Tribuna da Imprensa com as declarações delinqüentes deste boçal que sequer cumpre com seu próprio papel.

SÃO PAULO - O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, classificou ontem de "gravíssima" a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu a operação de retirada de arrozeiros da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Segundo ele, a homologação da área de 1,7 milhão de hectares cumpriu todos os requisitos legais e, portanto, a desocupação deve ser concluída.

"Com todo o respeito que é obrigatório a um cidadão em relação ao STF, a intervenção interrompe um processo de mais de três anos, com todas as fases de convencimento postergadas, e que é um ato jurídico perfeito", afirmou Vannuchi, em discurso na abertura do seminário O Caso Guarani Kaiowá: uma História de Violação dos Direitos Humanos. O evento aconteceu na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Para o ministro, a decisão do STF, em caráter liminar, é "surpreendente", uma vez que a ocupação da reserva por agricultores é, segundo ele, inconstitucional e o Supremo é justamente o tribunal encarregado de zelar pelo cumprimento da Constituição.

Vannuchi disse, no entanto, que não é a primeira vez que o STF toma uma decisão contrária aos direitos dos povos indígenas. Ele lembrou uma determinação semelhante, de dezembro de 2005, em que o tribunal suspendeu a desocupação de uma área indígena Ñanderu Marangatu, no Mato Grosso do Sul.

A área foi ratificada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março de 2005. O então presidente do STF, Nelson Jobim, concedeu liminar suspendendo a demarcação até o julgamento do mérito, ainda não concluído.

Segundo Vannuchi, a medida acarretou conflitos entre índios e agricultores da região, que levaram à morte de um líder indígena. "O Judiciário é a instituição mais defasada no que diz respeito aos direitos humanos", avaliou Vannuchi.

O bufão da América

Revista Veja

Historiador diz que Hugo Chávez, presidente da Venezuela, é perigoso por ser ambicioso e imprevisível

"Se Lula tivesse sido presidente na República Velha, o Acre seria dos bolivianos e Santa Catarina,dos argentinos"

O historiador Marco Antonio Villa já escreveu 21 livros, com temas que variam da Idade Média à Revolução Mexicana. Ao investir contra mitos da história nacional em suas obras e artigos, esse professor da Universidade Federal de São Carlos colecionou polêmicas e fez dezenas de inimigos. Sete anos atrás, tornou-se persona non grata no estado de Minas Gerais ao sustentar que Tiradentes foi um herói construído pelos republicanos. Mais tarde, causou comoção ao escrever que o presidente João Goulart, deposto pelos militares em 1964, preparava o próprio golpe de estado para obter a reeleição. "Os historiadores costumam ter receio de polêmicas, mas é com elas que se transforma a visão de mundo de uma sociedade", diz Villa, que tem 52 anos. Estudioso da diplomacia brasileira, ele vê com preocupação o sumiço da linha de diplomacia cunhada pelo barão do Rio Branco. "O barão profissionalizou o Itamaraty, que passou a atuar em busca dos interesses do país, e não de um governo ou partido." Em sua casa na Zona Norte de São Paulo, o historiador deu a seguinte entrevista a VEJA.

Veja – Como o senhor avalia a atual diplomacia brasileira?
Villa – Nossa diplomacia se esquiva de defender os interesses nacionais na América Latina. Teima sempre em chegar a um acordo e, como não consegue, acaba cedendo aos vizinhos. Se Lula tivesse sido presidente na República Velha, o Acre seria hoje dos bolivianos e Santa Catarina, dos argentinos. Por aqui se pensa que o Brasil não pode ter interesses nacionais ou econômicos na América do Sul, uma vez que estamos em busca de uma integração regional. É um equívoco. Os interesses do Brasil não são os mesmos da Argentina. Os objetivos do Paraguai não são os do Brasil. A linguagem amena, educada, usada pelos nossos diplomatas apenas tem fortalecido os caudilhos da região, como o venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales, que se acham com autoridade para falar ainda mais grosso e aumentar as exigências.

Veja – A diplomacia brasileira não era assim no passado?
Villa – Não. No fim do século XIX, a Argentina reivindicou o oeste do Paraná e de Santa Catarina. Não fazia o menor sentido. O presidente Prudente de Moraes, com a ajuda do barão do Rio Branco, resolveu a questão e evitou a doação da área. Não perdemos um hectare de terra. O barão sabia quais eram os interesses nacionais e os defendia. Além disso, profissionalizou o Itamaraty, que passou a coordenar uma política em nome do país, e não de um governo ou partido. Hoje, precisamos urgentemente que o barão do Rio Branco se incorpore no ministro das Relações Exteriores.

Veja – O Brasil cede sempre?
Villa – Só não o fazemos quando é impossível. Em negociações recentes com a argentina Cristina Kirchner e com Evo Morales, a Petrobras recusou-se a fornecer gás para a Argentina, que vive sob ameaça de um apagão. Se cedesse, o Brasil teria um grave desabastecimento. Nos outros casos, somos sempre fregueses. O Brasil já sofreu no passado uma invasão de produtos argentinos e ninguém reclamou. Quando a situação se inverteu e a balança comercial tornou-se superavitária para o Brasil, os argentinos chiaram e conseguiram o que queriam. Com a Bolívia, aceitamos uma indenização simbólica pelas refinarias nacionalizadas, a um valor muito aquém do que foi investido pela Petrobras. Com Hugo Chávez, falamos sempre "não" na primeira hora, depois dizemos "sim". Éramos contra o Banco do Sul. Hoje somos a favor. Fazemos o oposto do que recomendava Vladimir Lenin, para quem era preciso dar um passo atrás e depois dois para a frente. A diplomacia nacional dá um para a frente e dois para trás.

Veja – Deportar turistas espanhóis é uma resposta inteligente à repatriação de brasileiros que tentavam ir para a Espanha?
Villa –
Foi um exagero. A política externa não é para ficar a cargo de um funcionário da Polícia Federal. As cenas dos espanhóis sendo deportados no aeroporto de Fortaleza são absurdas. Uma coisa é um turista que vai para Jericoacoara, outra é um brasileiro que, supostamente ou não, deseja trabalhar na Espanha. Quando faz diplomacia com a Europa, os Estados Unidos ou a Ásia, o Brasil tem sido muito agressivo. É como se o esforço para se afirmar como país, uma vez que não se realiza na América Latina, fosse todo desviado para os fóruns em outros continentes. Ser duro com um turista espanhol é fácil. Quero ver ser duro com Hugo Chávez.

Veja – Chávez é o grande líder da América Latina?
Villa –
Quando se olha o que ocorre com os mais de vinte países da região, não há dúvida disso. Com a alta do preço do petróleo, Chávez construiu uma sólida rede de alianças. Foi uma sucessão de vitórias. Tem o apoio de Cuba, Nicarágua, Equador, Bolívia, Argentina. Quem está do lado do Brasil? Ninguém. Chávez é um ator que faz um monólogo. Eventualmente alguém da platéia sobe no palco e participa. O show é dele. Ele determina o que vai ser discutido e como. Os outros só correm atrás. Os países que estão se aproximando do Brasil, como Paraguai e Peru, fazem isso apenas porque não tiveram ainda um estabelecimento de relações com a Venezuela. A história talvez comece a mudar agora. Não por obra de Lula, evidentemente, e sim de Álvaro Uribe, o presidente colombiano. Graças a ele, Chávez teve sua primeira derrota em política externa. A reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), que colocou panos quentes na discussão que se seguiu à morte do terrorista Raúl Reyes, pode sinalizar um futuro diferente.

Veja – Por que o senhor considera que Chávez perdeu?
Villa – Chávez é um caudilho e, como tal, precisa de um palanque para discursar. Quando reagiu com firmeza à morte de Raúl Reyes no Equador, ganhou um palco considerável. Só que durou pouquíssimo tempo. A solução rápida e eficaz do problema pela OEA, que estava sumida do mapa, tirou essa oportunidade dele. Chávez resignou-se porque a maioria dos países apoiou a resolução final, que condenava a invasão territorial no Equador e ao mesmo tempo acusava a presença das Farc naquele país. Uribe, ao pautar as negociações que esfriaram o conflito, mostrou que é possível dar um basta a Chávez. Sua atitude terá um impacto pedagógico até mesmo dentro da Venezuela, onde o povo tem aceitado as precárias condições internas do país ao ver que, externamente, seu presidente só obtém vitórias. Chávez teve sua primeira grande derrota no referendo constitucional. Agora, teve a segunda derrota, dessa vez em política externa.

Veja – Por que o discurso é tão importante para um caudilho?
Villa – Um caudilho não vive sem a oratória. O programa dominical Aló Presidente é o que vitamina Chávez. Fidel Castro adora discursar por horas. O mexicano Antonio López de Santa Anna foi ditador várias vezes, afundou seu país e, ferido e pensando que ia morrer, ditou suas últimas palavras. Foram quinze páginas. No fim, sobreviveu com uma perna amputada, que sepultou com honras militares. A oratória é uma tradição latino-americana, que ocorre paralelamente à dissociação entre discurso e prática. Para esses homens e para as suas platéias, é como se as palavras, sozinhas, tivessem um poder de mudar a realidade. Pura bobagem. Não existe tal mágica. Lula também aposta nesse artifício. Acha que ao divulgar o programa do PAC pode transformar o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em um bairro residencial em seis meses. Para os sucessores, a herança desse tipo de comportamento é terrível.

Veja – Por que os latino-americanos possuem o vício da oratória?

Villa – Em parte, há na América Latina uma forte tradição do bacharelismo. Muitos dos presidentes passaram por faculdades de direito. No Brasil, Getúlio Vargas e Jânio Quadros são exemplos. Epitácio Pessoa era chamado de "A Patativa do Norte", em referência a uma ave cantora. Fidel Castro foi advogado. O argentino Juan Domingo Perón não era, mas a maioria dos seus auxiliares, sim. Para um advogado, o que importa não é a legitimidade da causa, mas o nível de retórica do advogado para defender seu acusado. Somos muito marcados por isso.

Veja – Qual é o maior perigo de Chávez para o resto da América Latina?
Villa –
Ele está armando seu Exército e sua população. Compra fuzis, caças e faz acordos com o Irã. Ninguém parece levar isso a sério. A diplomacia brasileira sabe disso e vai contornando a situação. Uma hora Chávez vai invadir a Guiana. Ele reivindica quase dois terços do território desse país. Para Chávez, a Guiana é uma aventura fácil. E quem vai defendê-la? O que a Guiana conta na América do Sul? Nada.

Veja – Chávez reagiu ao ataque colombiano às Farc no Equador com um discurso em defesa da soberania nacional. Ele invadiria a Guiana?
Villa –
Chávez é um bufão. Ele construiu um personagem. É um militar de boina vermelha que se emociona, chora e canta em público. Em um momento é simpático. No minuto seguinte, aparece totalmente irado. O bufão é isso. Nunca se podem prever suas atitudes. Pode abraçar um crítico ou mandá-lo para a prisão. Suas atitudes não se regem pelo mundo racional. O bufão trabalha em outro universo.

Veja – Por que Chávez defende as Farc?
Villa – Seu objetivo é enfraquecer Álvaro Uribe. Chávez vê de forma simplista a conjuntura latino-americana. O mundo para ele se divide de uma maneira muito primária: os que estão com ele e os que estão com os Estados Unidos. Considera que o presidente da Colômbia é um agente imperialista na América do Sul. O combate às Farc tem sido uma das mais fortes bandeiras de Uribe.

Veja – É legítimo usar grupos armados ou políticos de outros países para causar instabilidade?
Villa – Há uma incompatibilidade em defender a soberania e apoiar materialmente um movimento terrorista em um país vizinho. No Brasil, tivemos uma história parecida. No governo de João Goulart, as Ligas Camponesas tinham meia dúzia de campos guerrilheiros e contavam com o apoio financeiro cubano. Quando se descobriram os campos, foi um escândalo. Vivíamos um regime democrático e o governo brasileiro manifestava-se contrário à expulsão de Cuba da OEA, enquanto Cuba violava a soberania brasileira apoiando um movimento guerrilheiro que rompia com a legalidade constitucional. A defesa da soberania só valia para os cubanos. Eu imaginava que essa prática de violação da soberania fosse página virada da história latino-americana. Ledo engano.

Veja – Chávez foi o grande pacificador do conflito entre Colômbia e Equador, como disse Lula?
Villa –
Não há nenhum fato que comprove isso. Os documentos que estavam no computador do guerrilheiro Raúl Reyes ainda mostram que Chávez apoiava financeiramente as Farc e também recebia ajuda dos narcoterroristas. Isso não tem nada a ver com paz. Lula não tinha por que falar isso. Diz essas asneiras porque está em um momento especial. A economia vai muito bem, o que levou Lula a entender que ganhou um salvo-conduto para reescrever a história do Brasil. Discursou homenageando Severino Cavalcanti, que renunciou quando se comprovou que ele recebia um mensalinho de 10 000 reais para deixar um restaurante funcionando na Câmara dos Deputados. Dois dias depois, defendeu sua amizade com Renan Calheiros, que teve suas contas pessoais pagas por um lobista. Quando falou de Chávez, Lula disse que ele era um ex-guerrilheiro. Lula sabe que essas coisas não são verdade. Não é ingênuo e é bem assessorado. Mas fala como se fosse um iluminado. É um líder messiânico em plena campanha eleitoral. Os professores de história devem estar arrepiados.

Veja – Qual é a importância do Foro de São Paulo na condução da política externa brasileira?
Villa –
O Foro de São Paulo é um clube da terceira idade. Basta ver as fotos. São senhores em idade provecta, como se dizia antigamente. São provectos também no sentido ideológico. Suas idéias pertencem ao passado. Não creio que tenham uma estratégia revolucionária para a América Latina tal como foi a Internacional Comunista. Durante o período da União Soviética, os partidos comunistas espalhados pelo mundo eram braços da política externa soviética. O Foro de São Paulo não tem esse poder. Sua maior influência se dá pela pessoa de Marco Aurélio Garcia, assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, que tem grande participação no Foro.

Veja – Qual é a relevância de Marco Aurélio Garcia nas relações externas?
Villa –
Desde o início da República, não há registro de um assessor com tanto poder como ele. Garcia aparece nas fotos quase sempre atrás de Lula. Dá pronunciamentos em pé de igualdade com o ministro das Relações Exteriores ou o secretário-geral do Itamaraty. Marco Aurélio Garcia é considerado um grande acadêmico, um gênio, uma referência para qualquer estudo sobre relações internacionais na América Latina. Curioso é que não se conhece nenhuma nota de rodapé que ele tenha escrito sobre o tema. Fui procurar seu currículo na plataforma Lattes, do CNPq. Não há nada sobre ele. Marco Aurélio Garcia é o Pacheco das relações internacionais.

Veja – Quem é o Pacheco?
Villa –
É um personagem de Eça de Queiroz que aparece no livro A Correspondência de Fradique Mendes. Pacheco era um sujeito tido como brilhante. No primeiro ano de Coimbra, as pessoas achavam estranho um estudante andar pela universidade carregando grossos volumes. No segundo ano, ele começou a ficar mais calvo e se sentava na primeira carteira. Começaram a achar que ele era muito inteligente, porque fazia uma cara muito pensativa durante as aulas e, vez por outra, folheava os tais volumes. No quarto ano, Portugal todo já sabia que havia um grande talento em Coimbra. Era o Pacheco. Virou deputado, ministro e primeiro-ministro. Quando morreu, a pátria toda chorou. Os jornalistas foram estudar sua biografia e viram que ele não tinha feito nada. Era uma fraude.

Veja – Que conseqüências a política externa do Brasil pode ter no futuro?
Villa – Pela primeira vez na história do país existe a possibilidade de a política externa tornar-se tema de eleição. Seria algo realmente inédito que, para acontecer, só depende de como Chávez vai agir nos próximos anos. As concessões dadas à Bolívia, os diversos acordos com Chávez e a recusa em classificar as Farc como um grupo terrorista estão provocando muita crítica dentro do Brasil e podem juntar-se em um único e potente tema central na próxima campanha presidencial.