quarta-feira, abril 23, 2008

O Ministério da Doença informa: nuncadantez neste pais

Adelson Elias Vasconcellos

Taí, eles conseguiram se superar: já conseguiram bater todos os recordes em casos de dengue. Com um detalhe: agora a epidemia começa avançar no Nordeste já tendo ultrapassado em números de casos, no Sergipe, em mais de mil por cento em relação a 2007. Mas eles prometem que este ano vão chegar a tal extremo que, nos próximos 20 ou 30 anos, ninguém conseguirá supera-los em número de casos de infectados e de mortes.

Foi por falta de aviso? Foi por falta de recursos? Foi por que o ministério estivesse falido quando eles assumiram? Não, de modo algum. Avisos foram muitos, recursos houve até em excesso, e o ministério tinha políticas públicas de saúde consideradas de excelência pela OMS-Organização Mundial da Saúde.

O desmonte começou com a nomeação em massa da corriola de sindicalistas . Lula precisava “pagar” a dívida que acumulou com os companheiros. Assim, onde haviam médicos especialistas chefiando hospitais públicos, foram substituídos por incompetentes e sebosos. Onde havia programas de excelência, foram abandonados por completo, permanecendo apenas o da AIDS, porque aí já seria demais. O resto tudo foi abandonado, jogado no lixo, e todo o ministério acabou virando um enorme depositário de companheiros ociosos.

Em 2006 advertíamos para o desmonte que o ministério vinha sofrendo, e, em 2007, advertíamos para a falta de projetos e investimentos na área da saúde. Sintomático é sabermos que o governo federal investiu ou aplicou apenas 50% dos recursos previstos para prevenção da dengue em 2007. Isto que no início a epidemia já sacudira o país de norte a sul, mas, ao que parece, não o bastante para sensibilizar o governo a cumprir seu papel.

Logo que assumiu, José Gomes Temporão veio com um discurso no mínimo prosaico: em lugar de falar da recuperação da rede pública hospitalar, ao invés de incrementar programas de prevenção em larga escala, ao invés de trazer soluções para que os pacientes do SUS pudessem realizar exames laboratoriais com muito maior rapidez (a média atual vai de 6 meses a um ano a depender do tipo de exame a ser realizado), veio com o papo de descriminar drogas e aborto. Dizíamos que, se ambos assuntos deveriam receber atenção, muito mais importante seria corrigir a rota do atendimento tanto ambulatorial quanto hospitalar. E que Deus livrasse o país de uma epidemia como a da dengue, ela mostraria o caos da rede pública e mais do que a doença, muitos acabariam morrendo muito mais por falta de atendimento. Bingo! Foi justamente isto que aconteceu.

Assim, é de se esperar que o governo atual assuma uma vez ao menos sua culpa, sua incompetência, seu descalabro, sua falta de ação e de projetos. Precisa o senhor Luiz Inácio descer urgentemente do palanque onde permanece desde janeiro de 2003 e cuidar com o zelo que lhe é exigido dos graves problemas que afligem e atormentam o dia a dia do povo brasileiro.

E pensem que o caos seja apenas na saúde pública: em todas as áreas de ação onde é exigida a presença do Estado, estejam certos, ou o Lula estará lá só na base do discurso, ou simplesmente não sabe de nada.

Durante o primeiro mandato, todos os erros, desacertos, incompetências, omissões e mazelas ficou fácil atribuir a culpa ao governante anterior. Agora, não cola mais. Ou este governo começa de fato a governar o país e corrigir sua própria rota, largando o discurso, descendo do palanque, parando de lançar a esmo programas que não se realizam nunca numa sucessão de cartas de intenção que se sabe não passarem de cerimônias eleitoreiras.

Enquanto perdem tempo com terceiros mandatos, com prorrogações dos atuais mandatos, com palanques, pacs, tvs públicas, etc., o país se arrasta num lodaçal de corrupção como jamais visto em toda a sua história. O Estado virou uma tragédia, e os serviços públicos nunca estiveram tão degradados e abandonados como atualmente. Na área da Educação não conseguimos sequer igualar os níveis de países como Chile, México, Coréia, quanto mais igualarmo-nos aos mais desenvolvidos. Qualquer meia ação positiva praticada é motivo para festejos imbecis e dispendiosos, esquecendo-se que há todo um passado que não se pode apagar ou ignorar.

Ou seja, nuncadantez neste país, um governo inepto, corrupto e incompetente foi tão festejado, mas nunca se gastou tanto em publicidade oficial mentirosa como atualmente se faz. Quando um presidente mente acintosamente em cada ocasião que se apresenta, e ainda recebe aplausos da claque” arrebanhada de maneira tão sórdida, não se pode mais ter dúvida do estado deprimente a que chegamos. Assim, como já se disse antes, nunca um governo brasileiro matou tantos brasileiros por sua ação estúpida de governar como agora. A dengue, meus amigos, é apenas, um pequeno ato de uma peça que ainda levará muito tempo para acabar, e junto, carregará muitas vidas no contrapeso de seu desgoverno.

A reportagem é de Marcello Victor, para o JB Online.

Mortos por dengue superam epidemia de 2002 e casos passam de 100 mil

RIO - O número de mortes por dengue já é recorde no Estado do Rio de Janeiro em 2008, em comparação com a epidemia de 2002. Em nova atualização dos número da doença, na noite desta terça-feira, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirmou 92 óbitos, um a mais do que o recorde anterior. Outras 96 mortes estão sendo investigadas. O número de pessoas infectadas pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti é de 100.783, 17.295 a mais do que o divulgado no último dia 16.

Ainda conforme o relatório da SES, do total de 92 mortes, 32 foram do tipo hemorrágica e 42% de crianças e adolescentes em idade escolar, na faixa de 0 a 15 anos. Os municípios onde houve registro de óbito são Rio de Janeiro (55), Duque de Caxias (11), São João de Meriti (5), Angra dos Reis (4) e Campos dos Goytacazes (4), Paracambi (3), Nova Iguaçu (3), São Gonçalo (3), Miguel Pereira (1), Belford Roxo (1), Italva (1) e Itaguaí (1).

Na mesma atualização, a SES informou os 10 municípios com a maior incidência de casos no Estado do Rio de Janeiro. Novamente a capital fluminense lidera com 56.919 infectados, seguida de Angra dos Reis (6.467), Nova Iguaçu (6.039), Campos dos Goytacazes (4.577), Duque de Caxias (3.359), Niterói (2.632), São João de Meriti (2.206), Belford Roxo (2.135), Magé (1.975) e São Gonçalo (1.077).

Também nesta terça-feira, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), confirmou mais uma morte por dengue e atualizou o número de casos na capital do Rio de Janeiro. A mais nova vítima da cidade é uma mulher de 48 anos, moradora do bairro de Piedade, na Zona Norte. Ela morreu no último dia 19, no Hospital Ordem Terceira da Penitência, na Tijuca. Os infectados chegaram a 59.044, 2.125 a mais do que a última atualização divulgada na sexta-feira.