quinta-feira, outubro 11, 2012

Esquema serviu a projeto de poder do PT, diz Ayres Britto


Exame.com
Com Agência Reuters

Com a posição do presidente, Dirceu obteve oito votos pela condenação, contra dois de absolvição. José Genoino, ex-presidente do PT

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
 Ministro Carlos Ayres Britto: 
ministro chamou Rogério Tolentino de "advogado e parceiro mercantil" 
de Marcos Valério e Simone de "sua tesoureira"

Brasília - O presidente do STF, ministro Ayres Britto, afirmou nesta quarta-feira, ao condenar ex-ministro José Dirceu e os chamados núcleos político e publicitário por corrupção na ação penal do chamado mensalão, que o esquema serviu para manter um projeto de poder do PT.

Com a posição do presidente, Dirceu obteve oito votos pela condenação, contra dois de absolvição. José Genoino, ex-presidente do PT, teve nove votos pela condenação e apenas um pela absolvição.

O ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, o empresário Marcos Valério e seus sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, além da funcionária Simone Vasconcelos, foram condenados por unanimidade pela Corte.

Geiza Dias, funcionária de uma agência de Valério, e o -ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto foram inocentados por Ayres Britto, que ainda condenou o ex-advogado de Valério, Rogério Tolentino.

Em seu voto, o presidente da Corte afirmou que Dirceu teve papel central, de organizador, do esquema de compra de apoio parlamentar e, no governo, era "plenipotenciário".

"(Dirceu) Era de fato o primeiro-ministro do governo instalado a partir de 2003... Ele deixa claro (em seu depoimento) que tudo passava pelas mãos dele", afirmou o ministro.

"José Dirceu não fazia relatórios, alguém fazia relatórios para ele", completou.

Para o presidente da Corte, o esquema serviu para manter um projeto de poder do PT, que ia "muito além de um quadriênio quadruplicado". O esquema de compra de apoio parlamentar ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi revelado em 2005.

Sobre Marcos Valério, indicado como o operador do esquema, Ayres afirmou que era "praticamente impossível não saber que lidar com ele era participar de um sofisticadíssimo esquema de corrupção ou de, no mínimo, lavagem de dinheiro".

Ayres chamou Rogério Tolentino de "advogado e parceiro mercantil" de Marcos Valério e Simone de "sua tesoureira".

Ao votar pela condenação de José Genoino, Ayres disse ainda que ele participou dos atos, mesmo tendo papel menor do que outros integrantes.

"O papel de centralidade de José Genoino está abaixo do papel de centralidade de José Dirceu." 

ESTILO POLÍTICO 
Ayres Britto, assim como os demais ministros, fez uma longa explanação sobre o esquema, que provocou a pior crise do governo Lula.

"Este estilo de fazer política é que o ordenamento político brasileiro excomunga", disse ele, chamando ainda de "catastrófico modo de fazer política partidária".

' O STF não está julgando a história, mas julgando fatos'


Trechos do voto dado, esta tarde, pelo ministro Celso de Mello no julgamento do mensalão:


* O que se rejeita é o jogo político motivado por práticas criminosas perpetradas á sombra do poder, o que não pode ser tolerado e não pode ser admitido. (...) na essencialidade dos partidos políticos no estado de direito que eles representam e exprimem na perspectiva do contexto histórico, um dos meios fundamentais do processo de legitimação do poder estatal, quando o povo tem nessas agremiações o veículo necessário ao desempenho.

* Migrações partidárias obtidas com o estímulos de práticas criminosas representam um atentado ao estado de direito. Levando-se em consideração que a ruptura dos vínculos provocados por atos de migração ou infidelidade ao seu partido e ao povo, subverte o sentido das funções, traduz gesto de deslealdade, compromete o modelo de representação popular e frauda a vontade dos eleitores e gerando como efeito perverso a deformação da ética de governo.

* O ato de infidelidade ao cidadão eleitor quando estimulado por atos de venalidade governamental constitui grave desvio ético político e ultraje ao exercício legítimo do poder, na medida em que migração tomadas por razões criminosas não só surpreendem os partidos como culminam por gerar um desequilíbrio de forças ao parlamento, transgredindo o sistema eleitoral, tirando o poder da oposição. Eis aí mais uma das consequências do esquema de poder concebido e implementado nas mais altas instâncias e praticado pelo réus Genoíno e Dirceu.

* Tenho a afirmação de que este processo busca condenar a atividade política. Ao contrário, condenam-se tais réus porque existe prova juridicamente idônea a apta a revelar que tais acusados por sua posição de hegemonia não só dispunham do poder de determinar e de fazer cessar o itinerário criminoso de duas ações, valendo de sua força e prestígio sobre o aparelho governamental e sobre o aparto partidário da agremiação que estavam vinculados. Nem se digam que os réus Dirceu e Genoíno se limitaram a fazer atividades políticas e que o diálogo institucional que exprime um dos meios de legislação não autoriza a manipulação ilícita do aparato governamental por objetivos confessáveis de práticas delituosas que transgridem a acusação penal.

* O STF não está julgando a história, mas julgando fatos, como disse ontem a ministra Cármen Lúcia, em face das provas existentes nestes autos. Uma prova que pode não ser direta, mas não podemos esquecer que o STF tinha em mãos inúmeros precedentes que o STF reconhece o valor probante da prova circunstancial desde que os tais indícios sejam harmônicos entre se e convergentes.

* São provas que devem ser utilizadas desde que não haja elementos que os desautorizem. Tem elementos que são reveladores de práticas delituosas que esses réus cometeram e note-se que os atos praticados por estes réus em particular descaracterizaram por completo o modelo de democracia consensual, como a discussão política, o que compõe a essência da atividade política.

Dirceu esteve na linha de frente e incentivava o ‘vale tudo’


O Globo

Petistas dizem que ex-ministro pôs em prática estratégia de cooptação para garantir a reeleição de Lula

AGÊNCIA O GLOBO / AILTON DE FREITAS
Petistas dizem que Lula insuflava o então ministro a ampliar sua base
 para garantir uma reeleição tranquila em 2006. Delúbio agia nos bastidores e liberava dinheiro

BRASÍLIA — Passados quase dez anos da subida do PT ao poder, líderes e ex-parlamentares do partido relembram cenas e fatos dos primeiros anos de governo Lula. A percepção de alguns é que, já naquela época, vários episódios indicavam que o comando com mão de ferro de José Dirceu, nas reuniões do Planalto e do partido, desembocaria num escândalo. Desde o início do governo Lula, em 2003, Dirceu tinha a meta de criar uma base para a reeleição de 2006, que passava pela eleição de cerca de mil prefeitos em 2004, projeto ambicioso para um partido que tinha 140.

A base no Congresso já era grande — 93 petistas e, somados os aliados, 130 a 140 deputados. Dirceu, porém, dizia que era pouco para garantir a governabilidade. Daí começou a corrida aos partidos, primeiramente com o PMDB.

— Nas reuniões com a bancada e com o diretório, não havia transigência com os críticos da política de alianças ou política econômica do governo. O Zé chegou a criar a imagem do transatlântico. Dizia que, para manobrar um transatlântico, era preciso fazer devagar, e isso levava tempo — diz um dos petistas que participava das discussões.

Nos planos, uma “imprensa petista”
Raul Pont, ex-deputado do PT gaúcho, que era um crítico ácido da estratégia de tudo ou nada para as alianças, diz que Dirceu executava uma política endossada pelo então presidente Lula.

— Essa política permitiu que Lula fosse reeleito em 2006 e Dilma, eleita em 2010. Mas o preço que se paga é muito alto. O Zé Dirceu foi uma das vítimas disso, de fazer alianças com partidos contraditórios que só se movem por compensações financeiras, cargos e ministérios — diz Pont.

Ex-aliados que conviveram com Dirceu naquela época contam que ele gostava da “estatística da dominação”. Ele teria ainda lançado a tese de que era importante criar uma imprensa petista.

— Isso tudo nasceu da mentalidade do Lula, que fala as coisas nas reuniões e espera que apareça alguém que faça. Era uma coisa chavista, kirchnerista. Muita gente no PT caiu nisso e continua pregando o método — relata um ex-membro do diretório nacional do PT.

Em entrevista à revista “Piauí” em 2008, ao falar sobre críticos como Pont e a ex-senadora petista Heloisa Helena, Dirceu disse que eles e outros chegavam para Delúbio (Soares, então tesoureiro do PT) e diziam “preciso de R$ 1 milhão, mas não queriam saber como ele se virava para conseguir”.

— Aí estourou o mensalão e esse pessoal vem dizer que o Delúbio era o homem da mala. O que não dizem é que a mala era para eles — afirmou Dirceu.

O episódio de outubro de 2004, quando Lula cortejou o então deputado Roberto Jefferson, num jantar em sua casa, em Brasília — com o anfitrião tocando ao piano “Eu sei que vou te amar” — é citado como o mais significativo.

— Naquele jantar, Lula liberou o vale tudo. Ele dava as ordens e Dirceu ia a campo executar. O que na boca de Lula eram metáforas, nas de Zé Dirceu viravam verdade — diz um deputado petista, que diferencia o papel de Genoino: — O Genoino, não. Ele era diferente, afável, aberto a ponderações, muito diferente do Zé, que agia de forma impositiva.

Delúbio, dizem esses petistas e aliados, pouco aparecia nas reuniões de bancadas e do Planalto. Só atuava nos bastidores ou com alguns parlamentares mais ligados a Dirceu.

Apesar do Supremo, ficha do PT demora a cair


Josias de Souza


O PT é um partido sui generis. Faz sempre sua autocrítica. De preferência a favor. Num instante em que o STF pendura no pescoço de José Dirceu, José Genoino e Delúblio Soares a tabuleta de “corruptos”, o partido faz pose de vítima.

Reunido em São Paulo, o diretório nacional do PT divulgou uma resolução política. No texto, celebra o resultado do primeiro turno das eleições municipais. E aproveita para praticar seu esporte predileto: arremesso de dardos contra a ‘direita’ e a ‘mídia’.

Anotou: “Nosso desempenho nas eleições municipais ganha ainda maior significado, quando temos em conta que ele foi obtido em meio a uma intensa campanha, promovida pela oposição de direita e seus aliados na mídia, cujo objetivo explícito é criminalizar o PT.”

Para o alto comando do PT, “setores conservadores” agem com “intolerância”. Falta-lhes “vocação democrática”. Sobra-lhes “hipocrisia”. São incapazes de “conviver com a organização independente da classe trabalhadora brasileira.”

O texto revela que o PT ainda não conseguiu enxergar a solução. Pior: não vislumbrou nem o problema. As más notícias chegam do STF, não da mídia. Quem ataca não é a oposição de direita, mas os ministros do Supremo –dos dez, sete foram indicados por Lula e Dilma Rousseff.

O problema não é a organização da classe trabalhadora. O que produz condenações em série é a organização criminosa. Apesar do desnudamento promovido pelo STF, a ficha demora a cair. A autocrítica disse ao PT: “Bom dia. Vim apresentar você a você mesmo”. O partido bateu a porta.

Após condenação, PT corre para conter dano eleitoral


Tatiana Farah e Thiago Herdy
O Globo

Partido se solidariza com réus do mensalão e diz que o importante agora é ganhar as eleições

DANIEL TEIXEIRA/AGÊNCIA ESTADO
Futuro . Dirceu deixa o Diretório Nacional do PT:
 “Agora, o que conta e interessa é o segundo turno 
nas capitais e demais cidades, começando por São Paulo”, discursou

SÃO PAULO — Um dia depois da condenação dos dirigentes petistas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o diretório nacional do partido se reuniu nesta quarta-feira, com a presença de dois dos réus, o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino, e decidiu que uma eventual reação do partido ao julgamento do mensalão só será feita depois do segundo turno das eleições. O PT está em campanha em 22 cidades, sendo seis capitais, entre elas São Paulo. Ex-presidentes do PT, Dirceu e Genoino participaram da reunião do diretório e foram aplaudidos pelos companheiros de partido.

— O importante agora são as eleições — disse Dirceu ontem aos dirigentes petistas.

Em resolução divulgada após a reunião, os dirigentes sequer citam o nome dos políticos condenados e não contestam a decisão dos ministros do Supremo. Eles criticam o uso do julgamento por seus adversários, afirmando que o objetivo do processo é “criminalizar o PT”. Em texto de oito parágrafos, destinaram apenas um para tratar do tema:

“Nosso desempenho nas eleições municipais ganha ainda maior significado quando temos em conta que ele foi obtido em meio a uma intensa campanha promovida pela oposição de direita e seus aliados na mídia cujo objetivo explícito é criminalizar o PT. Não é a primeira nem será a última vez que os setores conservadores demonstram sua intolerância; sua falta de vocação democrática, sua hipocrisia, os dois pesos e medidas com que abordam temas como a liberdade de comunicação, o financiamento das campanhas eleitorais, o funcionamento do Judiciário; sua incapacidade de conviver com a organização independente da classe trabalhadora”, diz o texto.

Mais adiante, os dirigentes concluem: “aos ataques e manipulações contraporemos a defesa enfática de nosso projeto estratégico”, deixando claro que o partido ainda não decidiu abraçar a defesa da inocência de José Dirceu ou mesmo a tese defendida na terça-feira por ele, segundo a qual teria sido vítima de um “julgamento de exceção” e sem contar com a “presunção da inocência”.

Dirceu participou da reunião e fez dois breves discursos, ambos orientando o partido a priorizar o processo eleitoral e adiar qualquer decisão sobre a eventual defesa pública da legenda aos principais réus do mensalão. No final da tarde, divulgou em seu site uma nota de agradecimento aos militantes e pediu mais uma vez foco nas eleições.

“Agora, o que conta e interessa é o segundo turno nas capitais e demais cidades, começando por São Paulo. Vamos às ruas e à luta para consolidar nossa vitória do primeiro turno, apoiando nossos candidatos ou aliados”, escreveu o petista, que, anteontem, afirmou que levará aos últimos recursos sua defesa no processo.

Antes de Dirceu falar aos petistas, o ex-deputado José Genoino leu uma carta, na qual afirma ser inocente. Alguns dirigentes chegaram a chorar com Genoino.

A fala de Dirceu, no entanto, foi mais pragmática. Ele defendeu que, a despeito do julgamento do mensalão, o PT aumentou em 12% sua presença nas prefeituras do país na comparação com 2010 e que crescer ainda mais deveria ser, no momento, a prioridade do partido. Suas declarações soaram como uma senha para que nenhum petista, principalmente candidato, sinta-se na obrigação de defendê-lo.

— Esta é uma disputa política de médio e longo prazos. Vai ser feita no determinado momento — disse o deputado Paulo Ferreira (PT-RS), referindo-se à defesa do PT no mensalão.

Ferreira, no entanto, não se conteve ao criticar a condenação dos petistas no STF:

— São condenações profundamente injustas. Nenhum deles é quadrilheiro.

Apesar de prometer dedicar a vida à sua “sede de justiça” e à defesa de sua inocência, Dirceu não contará com os principais companheiros do partido em sua luta pública, pelo menos por agora. Entre petistas, há quem duvide que até mesmo depois das eleições o partido atue com veemência na sua defesa. Caso do deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), para quem o ex-ministro deve usar todos os mecanismos possíveis para tentar provar sua inocência, mas sem que o partido abrace sua tese:

— O fato concreto é que já tem uma decisão, e ela está transitado em julgado. A história do Zé Dirceu é de quem resiste, e ele não vai seguir de cabeça baixa, o que não significa que ele não vai aceitar a decisão, até porque não tem outra alternativa. O Zé vai tentar provar sua inocência. O PT vai continuar sua história, sua vida, independentemente da ação de indivíduos.

Ao sair da reunião ontem, Dirceu foi alvo da manifestação de sete pessoas ligadas a uma associação de policiais reformados, que gritaram palavras de ordem contra ele.

Campanha eleitoral consagra acerto da Ficha Limpa


Editorial
O Globo

A Lei da Ficha Limpa passou no teste da primeira eleição do país realizada sob sua égide. Fechadas as urnas, contabilizaram-se cerca de 2.200 candidaturas alijadas da disputa em razão de impugnações lastreadas pela nova legislação. Ao todo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu, em grau de recurso, quase 3 mil processos relativos a candidatos com vida pública pregressa contestada por ações na Justiça Eleitoral.

O TSE analisou pouco menos de 800 desses atos e, por falta de tempo hábil, estendeu para a data da diplomação dos eleitos, em dezembro, a decisão final sobre os que ficaram de fora da apuração de domingo.

É inquestionável o avanço que isso representa para o aperfeiçoamento das instituições do país. A política é uma atividade nobre por princípio. Mas, maculada por crônicos agravos morais de candidatos que usam mandatos como salvo-condutos para acobertar crimes, ou trampolim para grandes negociatas, a política vem sendo objeto de sentimentos, por parte dos cidadãos, como desprezo, desencanto ou indiferença pelo exercício da representação. 

Como bem destacou a presidente do TSE, Cármen Lúcia, a Ficha Limpa animou o eleitorado.

Por sinal, é justo destacar o comportamento de magistrada da ministra. Conduziu todo o processo eleitoral com estilo sereno, e fez um pronunciamento de fé inequívoca na democracia.

Essa manifestação alcança significado especial por partir de uma ministra que, no STF, participa do julgamento do mensalão com importantes votos condenatórios ao esquema de compra de apoio político de partidos ao primeiro governo do PT.

São um ponto a ser questionado os atrasos observados no julgamento dos recursos apresentados ao TSE por candidatos impugnados. A Justiça eleitoral precisa estar mais bem preparada para atender à demanda de candidaturas pendentes de homologação, de modo a julgar os processos até a data das eleições.

Neste particular, é fundamental que os partidos atuem como auxiliares da Corte, fazendo a filtragem dos nomes que submeterão ao crivo dos eleitores. Este procedimento tem a vantagem adicional de evitar que candidatos sufragados sejam impedidos de exercer o mandato, em evidente desperdício de votos.

No Rio, por exemplo, encontram-se nesse limbo 20 postulantes que, eleitos ou concorrendo ao cargo de prefeito em segundo turno, não sabem se poderão assumir o cargo.

Um avanço na faxina política, a Ficha Limpa é poderoso instrumento de depuração do exercício da representação. Mas não é o único, uma panaceia capaz de acabar com todos os males que ainda mitigam a vida pública. Outros passos têm de ser dados, num processo constante de aperfeiçoamento político e institucional do país.

Hora de reciclar a economia


O Estado de S.Paulo

É hora de reciclagem para o Brasil e a América Latina. A região enfrentou bem a crise internacional nos últimos anos, mas é hoje menos pujante, mais vulnerável a problemas externos e menos preparada para crescer de forma sustentada. O diagnóstico é do FMI. Sem censuras e sem alarmismo, alguns sintomas preocupantes são apontados no Panorama Econômico Mundial, divulgado na segunda-feira. O superaquecimento apontado em relatórios anteriores desapareceu. Como resultado, a inflação cedeu, mas, ainda assim, continua acima do centro da meta em vários países. O espaço para estímulo fiscal contra a crise reduziu-se e é preciso restabelecê-lo. As contas externas são menos folgadas do que já foram e o crescimento da atividade está no limite, ou muito perto. Feito o diagnóstico, a receita é simples: é hora de uma nova rodada de reformas estruturais. No caso do Brasil, isso inclui a eliminação de gargalos da infraestrutura.

O relatório menciona como dado positivo a recente política de concessões ao setor privado de rodovias e ferrovias, mas com um adendo relevante: é também necessário aumentar o investimento público. Nenhum detalhe é acrescentado, mas para o público brasileiro a referência implícita está bem clara. O governo federal tem investido muito menos do que deveria e poderia. A administração federal tem sido simplesmente incapaz de usar os recursos disponíveis para realizar os investimentos previstos.

Fatores importantes limitam o potencial de crescimento do Brasil e de outros países da região. O relatório destaca os gargalos da infraestrutura, mas, no caso brasileiro, há várias outras restrições bem conhecidas e já apontadas pelo próprio Fundo em outros documentos, como a rigidez das finanças públicas. Incapaz de controlar a expansão do próprio custeio e de manejar seus recursos com maior flexibilidade, o governo tem dificuldade para reduzir e racionalizar a tributação. Isso explica a preferência pela desoneração seletiva, quase sempre compensada por aumento da carga de outros setores. Mas o relatório, embora aponte questões cruciais e apresente um receituário bem fundamentado, passa longe de detalhes como esses, mais delicados do ponto de vista político.

O FMI reduziu para 3,2%, em 2012, e 3,9%, em 2013, o crescimento econômico estimado para a América Latina e o Caribe. Houve corte de 0,2 ponto porcentual na previsão para este ano e de 0,3 na projeção para o próximo - uma desaceleração moderada, segundo os autores do trabalho. As revisões, no caso do Brasil, foram mais acentuadas: de 2,5% para 1,5% e de 4,7% para 4% nos dois anos. O número calculado para 2012 é mais baixo que o adotado pelo Ministério do Planejamento (2%) e quase igual ao da nova estimativa do Banco Central (1,6%). O desempenho brasileiro, de toda forma, é bem inferior ao de boa parte das economias da região. Para vários desses países o quadro é de expansão econômica maior e inflação menor que no Brasil.

Esses contrastes aparecem numa das tabelas do relatório, mas não há comentários específicos sobre eles. O FMI, no entanto, aplaudiu a redução de juros iniciada pelo Banco Central em agosto de 2011, embora os efeitos dessa política para a reativação da economia brasileira, como é indicado no documento, tenham sido até agora muito limitados. A inflação, no entanto, permanece acima do ponto central da meta. Isso também ocorre em outros países latino-americanos, como Chile, Colômbia e Peru, mas neles, de modo geral, a evolução dos preços é mais favorável do que no Brasil.

De acordo com o documento, convém usar a política monetária como primeira linha de defesa contra novos impactos externos. Parece a escolha mais razoável, por causa da redução da margem para novos estímulos fiscais. A restrição fiscal vale certamente para o Brasil. Mas pode-se discutir se o espaço para uma política monetária mais frouxa é tão amplo no Brasil quanto em outros países onde a alta de preços tem sido bem menos acentuada. Diante de novas dificuldades, as políticas compensatórias seriam bem menos custosas, se as autoridades tivessem sido menos tolerantes à inflação nos últimos anos.

Brasil sobe para 4º maior juro real


Beatriz Olivon
Exame.com

Taxa de juro real do país vai para 1,7% após corte de 0,25 ponto percentual na Selic

Marcelo Correa/EXAME.com
Após a reunião do Copom de agosto, o Brasil havia caído 
do 3º para o 5º lugar entre os maiores pagadores de juros reais no mundo

São Paulo – Com o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, que levou a taxa básica de juros a 7,25% ao ano, o Brasil subiu para o 4º lugar entre os países com maiores taxas de juro real, segundo levantamento feito pelos economistas Jason Vieira e Thiago Davino, que compara as taxas praticadas em 40 países.

Com a Selic anunciada hoje, a taxa brasileira de juro real, descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, é de 1,7%. A média dos 40 países pesquisados é de 0,4% negativo. 

Após a reunião do Copom de agosto, o Brasil havia caído do 3º para o 5º lugar entre os maiores pagadores de juros reais no mundo, agora, voltou a ganhar uma posição. No período, o juro real da Rússia, que era a quarta colocada, passou de 2,3% para 1,5%. O Brasil saiu do primeiro lugar do ranking em abril, quando a Rússia passou a ter o maior juro real. 

No ranking de juros nominais, o Brasil também ocupa a 4ª posição, atrás de Venezuela, Argentina e Rússia. A média da taxa dos 40 países é de 3,17%. 

Veja a tabela com os juros reais nos 40 países, incluindo a taxa brasileira após a queda da Selic para 7,25%:


País
taxa real
1
China
3,9%
2
Chile
2,3%
3
Austrália
2,0%
4
Brasil
1,7%
5
Colômbia
1,6%
6
Malásia
1,6%
7
Rússia
1,5%
8
Indonésia
1,4%
9
Coréia do Sul
1,0%
10
Polônia
0,9%
11
Suécia
0,8%
12
Japão
0,5%
13
Hungria
0,5%
14
Suíça
0,4%
15
Israel
0,3%
16
México
0,2%
17
Filipinas
0,1%
18
África do Sul
0,0%
19
Grécia
-0,1%
20
Canadá
-0,2%
21
Tailândia
-0,4%
22
Índia
-0,5%
23
Argentina
-0,9%
24
Taiwan
-1,1%
25
Alemanha
-1,2%
26
França
-1,3%
27
Áustria
-1,4%
28
Estados Unidos
-1,4%
29
Holanda
-1,5%
30
Inglaterra
-2,0%
31
Bélgica
-2,0%
32
Venezuela
-2,0%
33
Portugal
-2,3%
34
Itália
-2,4%
35
Dinamarca
-2,4%
36
Espanha
-2,7%
37
República Tcheca
-3,0%
38
Hong Kong
-3,1%
39
Turquia
-3,2%
40
Cingapura
-3,8%

média dos 40 países
-0,4%



Veja como fica o rendimento da poupança com a Selic em 7,25%


Julia Wiltgen
Exame.com

Banco Central reduz Selic em 0,25 ponto percentual, sacrificando ainda mais a rentabilidade da poupança e das aplicações pós-fixadas

SXC
Poupança agora rende 5% ao ano, e ainda é mais vantajosa no curto prazo

São Paulo – O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu mais uma vez a Selic nesta quarta-feira, cortando-a em 0,25 ponto percentual. Com isso, a taxa básica de juros passou de 7,5% para 7,25% ao ano, deixando o rendimento da poupança e das demais aplicações pós-fixadas ainda menor. Quem tem aplicações na poupança pela regra antiga está ganhando ainda mais em relação à nova poupança.

Os depósitos feitos na poupança a partir de 4 de maio, quando começou a vigorar a nova regra de remuneração da caderneta, passaram a render 5,03% ao ano, ou 0,41% ao mês. Com a rentabilidade atrelada à Selic, a “nova” poupança rende 70% da Selic mais TR, que atualmente está em torno de zero. Já os depósitos feitos antes de 4 de maio permanecem com a rentabilidade de 6% ao ano mais TR. Com a nova redução de juros, a “velha” poupança continua ganhando de todas as aplicações pós-fixadas em rentabilidade líquida.

Por ser isenta de IR, ter liquidez diária e ser fácil de usar, a poupança, mesmo sob a nova regra de rentabilidade, deve ser a aplicação preferida para os objetivos de curto prazo e que necessitam de grande liquidez sempre que a rentabilidade da caderneta bater a de aplicações semelhantes, pós-fixadas.

Veja a seguir a tabela com os rendimentos de cada uma dessas aplicações e compare-as com a poupança:


Prazo de investimento
Velha poupança*
Nova Poupança*
CDB 90% do CDI
Fundo DI com taxa de 1,0% a.a.
Tesouro Direto**
6 meses
3,04%
2,48%
2,48%
2,37%
2,56%
12 meses
6,17%
5,03%
5,20%
5,00%
5,46%
18 meses
9,39%
7,63%
8,18%
7,89%
8,64%
24 meses
12,72%
10,30%
11,08%
10,73%
11,75%
25 meses
13,28%
10,76%
11,92%
11,56%
12,65%

(*) A TR foi considerada zero, pois varia de acordo com a data de aniversário da aplicação e, atualmente, a taxa média mensal tem se aproximado de zero.

(**) Foi considerado o investimento por meio de corretoras que não cobram taxa de administração para aplicações no Tesouro Direto

Todas as rentabilidades da tabela estão líquidas de imposto de renda. Repare que os CDBs que pagam 90% do CDI igualam-se à nova poupança para aplicações de até seis meses, em função da cobrança da alíquota mais alta de IR. Enquanto que, nesse prazo, paga-se 22,5% de IR sobre os rendimentos de CDBs, a poupança é isenta da cobrança. Por isso, CDBs que paguem um percentual do CDI ainda menor terão desempenho pior que o da poupança em prazos mais curtos, sendo mais seguro optar por uma remuneração de, no mínimo, 90% do CDI.

No caso dos fundos DI, os que têm taxa de administração de 1% já perdem da poupança em prazos inferiores a seis meses, igualando-se em rentabilidade apenas quando o investimento supera esse período. Para ganhar da poupança, seria necessário deixar o dinheiro aplicado nesse fundo por mais de um ano, quando a alíquota de IR passa a ser de 17,5%. Apenas fundos DI com taxas de administração iguais ou inferiores a 0,7% ganham da poupança em qualquer prazo no atual patamar de juros.

No Tesouro Direto, os títulos públicos que seguem a lógica das demais aplicações da tabela, ou seja, que são pós-fixados, são as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), atreladas à Selic. Esse investimento pode ser mais rentável que os demais em qualquer prazo – com exceção, é claro, da poupança antiga – desde que a taxa de administração cobrada pela corretora que permite a negociação de títulos seja baixa.
Na simulação foi usado o menor custo possível: zero de taxa de administração, 0,3% ao ano de custódia e 0,1% de taxa de negociação, a cada compra. Essas duas últimas taxas são obrigatórias. Contudo, se a taxa de administração da corretora for alta, a boa rentabilidade das LFTs fica ameaçada, ao menos nos prazos mais curtos, em que as alíquotas de IR são maiores.

Para o atual patamar de juros, taxas de administração de até 0,1% ao ano mantêm as LFTs mais vantajosas que a poupança em qualquer prazo. Para uma taxa de 0,2% a 0,5% ao ano, o Tesouro Direto deixa de ser vantajoso para prazos de até seis meses, mas continua mais rentável que a poupança para prazos superiores a este. Para taxas de 0,6% a 0,7%, a aplicação só é mais vantajosa que a poupança para prazos maiores que 12 meses. Taxas de 0,8% e 0,9% só deixam as LFTs vantajosas em períodos superiores a dois anos, e taxas de 1% ao ano fazem com que os títulos públicos percam para a nova poupança em qualquer cenário.

Só invisto na poupança, o que eu faço?
Para quem só tem o costume de investir na poupança e anda insatisfeito com o retorno mais baixo da caderneta, uma dica é considerar o investimento segundo o objetivo. O dinheiro que for utilizado em seis meses ou até um ano pode continuar sendo depositado na poupança; para objetivos de prazos maiores – entre um e dois anos, por exemplo – o poupador pode considerar os demais investimentos tão conservadores quanto a poupança, o que pode ser feito por meio do seu próprio banco.

É possível que o seu banco não ofereça um fundo DI com taxa de administração inferior a 1,0% ao ano. Se for o caso, busque um CDB que pague acima de 90% do CDI ou verifique se a taxa para investir no Tesouro Direto por meio do seu banco é inferior a 0,7% ao ano. Em caso positivo, você sequer terá o trabalho de buscar uma corretora independente. Mas se essas boas condições não forem oferecidas no seu banco, o jeito será procurar uma corretora que as ofereça ou CDBs de bancos médios, que costumam pagar no mínimo 100% do CDI. Ou então permanecer na poupança.

Caso decida por abrir conta em uma corretora ou em um banco médio para investir em CDBs pela internet, o poupador deve atentar também para os custos de transferência dos recursos do seu banco para essa outra instituição. Verifique se seu pacote de tarifas já inclui TED ou DOC; se não, certifique-se de que seu planejamento de transferências dilua bem os custos. Veja como levar em conta os custos de TED ou DOC no seu planejamento.




Aplicações atreladas à Selic perdem da inflação


Exame.com
Yolanda Fordelone, da Agência Estado

Rentabilidade de fundos DI e poupança tem ficado abaixo da inflação na maioria das carteiras do mercado

Stock.xchng
Poupança: Até agosto, o ganho na poupança é de 3,72%, 
abaixo da inflação, o que não garante o poder de compra do investidor

São Paulo - A rentabilidade das aplicações atreladas ao juro básico (Selic) - fundos DI e poupança - tem ficado abaixo da inflação na maioria das carteiras disponíveis no mercado. Dados do boletim mensal da Anbima mostram que, no ano, até agosto, 344 fundos DI - ou 76,8% do total da categoria - perdem para o IGP-M, o índice que regula os contratos de aluguel e reajusta escolas e tarifas do setor público. Na prática, esse resultado mostra que um dos investimento mais usados para proteção da renda não tem garantido sequer o poder de compra dos investidores.

Para se ter uma ideia, a alta da inflação pelo IGP-M é quase o dobro do retorno de um dos maiores fundos DI disponíveis ao pequeno investidor, ligado a um grande banco privado e que cobra uma taxa de administração de 3,9% ao ano. Enquanto a alta do IGP-M acumulada no ano, até agosto, é de 6,07%, a rentabilidade desse fundo ficou em 3,19% no mesmo período. Segundo especialistas, para garantir um rendimento razoável em um fundo com esse perfil, o limite máximo da taxa de administração precisa ficar em 1%.

Na poupança, onde a regra de remuneração mudou no primeiro semestre para torná-la atrelada à Selic, a situação não é muito diferente. Até agosto, o ganho é de 3,72%, abaixo da inflação, o que também não garante o poder de compra do investidor. "A rentabilidade das cadernetas antigas neste ano já está dada, uma vez que a Taxa Referencial (TR) ficará zerada, e deve ficar em 6,48%", comenta o economista e matemático José Dutra Vieira Sobrinho, ao falar que o IGP-M vai ultrapassar, e muito, essa projeção de rendimento.

Para o fim do ano, o mercado espera que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumule inflação de 5,36%. "Haveria um ganho real pequeno. Mas, no caso dos fundos, outros pontos têm de ser considerados, como imposto de renda e taxa de administração", diz.

"Em geral, com a queda do juros promovida pelo Banco Central, a rentabilidade de todos os ativos atrelados à Selic foi arrastada para baixo", diz o professor do MBA em finanças da BBS Business School, Plínio Chapchap. Segundo ele, houve uma mudança da política econômica do País. "O Banco Central se tornou menos rigoroso na inflação. Busca juros menores, mesmo que tenha que aceitar uma inflação um pouco maior", afirma.

Taxas altas
Apesar de o mercado em geral ter reduzido as taxas de administração, em alguns produtos conservadores, como os DI, as tarifas ainda continuam altas. "Se o gestor cobrar uma taxa superior a 1%, a poupança já ganha desses fundos", calcula Dutra Sobrinho. O IPCA, até agosto acumula alta de 3,18%, o que ainda torna a inflação maior do que 16 fundos, basicamente por conta da taxa de administração. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Com novo corte da taxa Selic, investimento já perde da inflação


Lucianne Carneiro
O Globo

Só os fundos DI com taxa de administração menor que 1,04% continuarão vantajosos


O corte da Selic consolidou o cenário complicado do país para os investidores em renda fixa. Com a queda da taxa básica de juros e a inflação elevada, muitos fundos de investimento estão não apenas perdendo para a poupança como para a inflação.

Levantamento feito pelo site www.comdinheiro.com.br mostra que, com a Selic a 7,25%, apenas os fundos DI com taxa de administração menor que 1,04% renderão mais que a poupança.

Em um ano, o rendimento dos fundos com taxa de 1,05% é de 5,06%, menos que os 5,08% da nova poupança (que corresponde a 70% da Selic).

Nos fundos com taxa de administração de 3%, esse rendimento deve ser de apenas 3,51%, muito abaixo da projeção de 5,5% para a inflação nos próximos 12 meses, segundo o Boletim Focus, do Banco Central.

— O investidor está cada vez mais acuado e começa a não ter alternativa em renda fixa. Quando os juros básicos estavam em 20%, 30%, era possível multiplicar o dinheiro. Hoje, precisa ver se está ganhando da inflação — diz o professor da Universidade de São Paulo (FEA/USP) Rafael Paschoarelli, responsável pelo site www.comdinheiro.com.br.

Para o professor de Finanças da PUC-Rio Alexandre Canalini, nem mesmo a poupança tem ganho real garantido:

— Até quem investe em poupança está só conseguindo manter o poder de compra, não tem ganho real. Ou o investidor se contenta com uma rentabilidade menor ou assume mais risco.

Brasil será 5ª maior potência em 2014 (mas vai durar pouco)


Lilian Sobral
Exame.com

Simulação da Austin Rating mostra que país será superado por Índia, Rússia e Indonésia nos anos seguintes

Marcelo Correa/EXAME.com
Brasil será a 5ª maior potência econômica em 2014,
 segundo simulação da Austin Rating

São Paulo – O Brasil deve ser a quinta maior potência econômica em 2014, mas não deve manter a posição por muito tempo. A partir das projeções divulgadas nessa semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a agência de classificação de riscos Austin Rating simulou o ranking das 10 maiores economias para os próximos anos.

Se os dados projetados pelo FMI se confirmarem, estimou a Austin, o Brasil alcançará a quinta posição no ranking das maiores economias em 2014 (o país deve terminar 2012 como a sétima maior economia). A boa colocação do país, porém, não deve durar muito tempo. A agência de classificação estima que, em virtude dos demais países emergentes apresentarem taxas de crescimento maiores que o Brasil, o país perderá posições no ranking para a Índia em 2018, Rússia em 2021 e Indonésia em 2024.

O que nos ajuda?
Em relatório, os economistas da Austin afirmam que o principal motivo do avanço do Brasil no ranking será a taxa de crescimento da economia nacional, que deve ser muito acima dos registrados em outras economias desenvolvidas.

No relatório de expectativas, o FMI informou que espera que o Brasil cresça 1,5% neste ano, ante previsão de crescimento de 2,5% do relatório anterior. Para 2013, a expectativa do fundo é de um crescimento de 4% no PIB.

Reforma tributária pode deixar brasileiros 10% mais ricos


Beatriz Olivon
Exame.com

Para Bernard Appy, consultor da LCA, mudança no PIS/Cofins só não beneficiaria setores específicos


São Paulo – Uma possível reforma nos impostos poderia ter um efeito muito claro no bolso dos contribuintes. Segundo os cálculo de Bernard Appy, diretor de políticas públicas e tributação da consultoria LCA, uma reforma no PIS/Cofins poderia deixar os brasileiros 10% mais ricos no longo prazo. 

Além desse efeito, a economia real também ganharia. “O PIB potencial do país pode ser significativamente maior”, disse Appy ao participar do Fórum Estadão Brasil Competitivo, realizado nesta terça-feira em São Paulo. Os consumidores só seriam prejudicados no processo de reforma tributária se as alíquotas subissem, algo que o governo não deve fazer.

Na visão do consultor, uma reforma também faria sim alguns perdedores, que seriam os setores do regime cumulativo que vendem para consumidor final, caso a alíquota não-cumulativa seja adotada para todos (ou seja, passasse de 3,75%, para 9,25%), setores do regime cumulativo que estão no meio da cadeia e geram crédito e setores que se beneficiam de regimes especiais.

Para Appy, seria positivo se o governo conseguisse alocar outros temas relacionados essa discussão de ICMS, como a redistribuição de FPE (Fundo de Participação dos Estados) e royalties. “Seria bom se o Congresso pudesse olhar os assuntos ao mesmo tempo”, afirmou.

Desoneração da Folha
Para Appy, o atual modelo de desoneração da folha não é o ideal no longo prazo. “Deveria ter esse horizonte de, em algum momento, transformar esse sistema para um regime mais amplo”, disse. Para o secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, dentro da desoneração fiscal que temos, foi feito o que era possível. “Procuramos uma sistemática que tivesse efeitos mais fortes em alguns setores, exportações e intensivos em mão de obra, e um custo administrável”, disse.