Pedro Doria
O Globo
Vídeo mostra fiscal do partido de Chávez acompanhando eleitor na cabine
CARACAS - Em mais de uma seção eleitoral de Petare, maior favela da capital venezuelana, a mesma cena se repetia. Após se identificarem, os eleitores eram acompanhados por um mesário, presidente de mesa ou mesmo fiscal do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, legenda do presidente Hugo Chávez) à cabine de votação. Explicam rápido:
- É para ajudar.
De fato, muitos dos eleitores têm dificuldade com a tecnologia da urna eletrônica.
Em 2004, a lista dos 2,5 milhões de eleitores que participaram de um abaixo-assinado contra Chávez foi tornada pública. É a chamada "Lista Tascón". O governo criou inúmeras dificuldades na vida civil para estas pessoas. Desde então, o medo de ser abertamente contra Chávez é real, principalmente entre os mais pobres. Uma pesquisa do Centro Gumila, ligado aos jesuítas, revela que no quarto mais pobre da população, 43% dizem temer conversar sobre política com os vizinhos.
A maior preocupação da oposição, durante o pleito, era garantir ao eleitorado que o voto seria secreto e a urna, inviolável. Do ponto de vista tecnológico, é verdade. Na prática, ao menos na principal favela caraquenha, não é. Esta cena foi gravada de forma ostensiva, sem disfarçar. Nem por isso o homem do PSUV se intimidou.
Leia mais sobre esse assunto clicando aqui.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Tão logo foram divulgados os resultados das eleições presidenciais venezuelanas, quando Chavez se manterá no poder até 2019, aqui no Brasil muitos se regozijaram com o regime daquele país, dizendo tratar-se de uma verdadeira democracia.
Contudo, e conforme já alertávamos antes do pleito, as eleições, mesmo que o candidato da oposição não as tenha denunciado, não se realizaram de forma livre e “secreta”. Clicando no link acima, o leitor terá acesso à pagina do jornal O Globo em que se exibe um vídeo no qual o eleitor é acompanhado até a cabine de votação, recebe instruções mas não se afasta do eleitor. Permanece vigilante e observando o voto. Senhores, se isso não é vigarice, fraude eleitoral, fica difícil o que mais possa ser.
Claro que no Brasil nossos governantes não chegam a tamanha “ousadia”. Mas são espertos o suficiente para chantagear eleitores no tocante à liberação de verbas federais para o município em caso de vitória de seus aliados.
Também no tocante às tais alianças políticas, ocorre o mesmo absurdo. Obrigam prefeitos e governadores a firmarem alianças políticas em tempos de eleição para que os recursos sejam liberados.
Não, não é o povo que alimenta os votos no partido no poder. É o assistencialismo, é a chantagem que se faz em relação à verbas públicas que é paga por todos, e não apenas por quem vota neste ou naquele partido. É também a farta distribuição de benefícios sociais miseráveis aos miseráveis sem nenhuma forma de contrapartida, a não ser o voto.É o medo de perderem tais benefícios, que aliás sequer foram criados pelo partido no poder, que faz com que a "massa" vote no PT. E acrescente-se: de ninguém espere-se que tais benefícios sejam retirados. Quando muito, e isto é necessário, que sejam aperfeiçoados em prol do indivíduo que deles dependem e não em prol apenas do "partido".
Infelizmente, é esta “democracia” que se comemora aqui no Brasil e na Venezuela. Usa-se a pobreza como capital político para a manutenção no poder.