quinta-feira, outubro 11, 2012

Mais um apagão em menos de quinze dias


Adriano Pires 
O Globo 

Mais uma vez, em menos de duas semanas, o país sofre um apagão. O último foi em 22 de setembro, 11 estados das regiões Norte e Nordeste tiveram sua energia interrompida por cerca de 30 minutos. A interrupção da noite de quarta-feira(3/10) atingiu cidades das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte. O problema foi causado por um incêndio em um transformador da subestação de Furnas, em Foz do Iguaçu (PR). O acidente no equipamento acarretou na diminuição da carga de Itaipu, levando a perda de 3.500 MW. Segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS) após detectado o problema foi enviado às distribuidoras de energia um pedido redução na carga, por medida de segurança. A interrupção no fornecimento de energia ocorreu das 20h55 às 21h22. Com certeza, o fato das térmicas estarem ligadas, em função do nível baixo dos reservatórios, ajudou a que não se repetisse o apagão de 2009, quando todo o sudeste e nordeste ficaram as escuras.

Novamente, a robustez do sistema elétrico brasileiro é colocada à prova e falha, num momento em que estamos vivendo um cenário de sobrecapacidade e pagamos por essa energia não utilizada. Esses eventos são descritos pelas autoridades como fatos isolados, esporádicos, o problema é que tem sido recorrentes. A ocorrência de sobrecargas e apagões no sistema elétrico brasileiro traz à tona a necessidade de se realizar investimentos em expansão, modernização e manutenção das redes de transmissão e distribuição. O recente pacote da energia elétrica ao utilizar a renovação das concessões para reduzir 2/3 das tarifas, o outro 1/3 ficou por conta da extinção de encargos setoriais, pode comprometer o equilíbrio econômico financeiro das concessões, piorando ainda mais a situação atual de apagões. Além disso, ao reduzir a tarifa do setor residencial estará criando incentivo para o aumento do consumo, o que irá sobrecarregar ainda mais as linhas de transmissão e distribuição. Caso as temperaturas sejam elevadas no próximo verão, a probabilidade de ocorrerem apagões é bastante alta.