sábado, novembro 04, 2006

Lula reeleito parece não saber o que acontece lá fora

Por Willian Waak
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Os outros fizeram mais cedo o que o Brasil ainda nem pensou em começar a fazer, e as primeiras palavras de Lula reeleito não dão a sensação de que ele realmente sabe o que está acontecendo lá fora. É uma tremenda competição internacional, em especial entre os países que podem ser comparados ao Brasil (os grandes e continentais, como China, Índia, Rússia, África do Sul e, em boa medida também, México, Indonésia).
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Todos têm uma noção muito grande da concorrência por mercados, por importância nas decisões políticas. A alguns, a geografia e a história impõem escolhas e atitudes. O Brasil parece sortudo: não vive na carne nenhum dos principais conflitos internacionais - terrorismo, fanatismo religioso, ondas migratórias, disputa por recursos energéticos (petróleo) ou escassos (água). Talvez isso ajude a explicar esse gigante embevecido de si mesmo, como Lula deixou óbvio com seus auto-elogios em matéria de política externa.
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As primeiras palavras de Lula reeleito não devem ser tomadas como um programa de governo. Ninguém poderia esperar que pudessem ter sido uma detalhada lista de medidas a serem tomadas. Mas são excelentes para se entender um estado de espírito. E ele sugere que se está lutando as batalhas do passado. O presidente parecia orgulhoso de dizer que hoje ninguém mais fala em Alca. Pudera: nem mais os americanos estão interessados nisso, depois de terem firmado com um bom número de países acordos bilaterais que deixam o Brasil falando sozinho.
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Lula parecia falar também de um personagem inexistente, quando desdobrou-se em elogios ao Mercosul - que não é capaz de agir como bloco, sofre da mais básica falta de solidariedade interna, está se politizando no mau sentido da palavra e faz os negociadores europeus se perguntarem o que, afinal, os sul-americanos realmente querem. Falar grosso e negociar mal?
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Faz parte do discurso padrão de mandatários de países emergentes - do México às Filipinas, passando, claro, pelos antigos países comunistas do Leste europeu - menções à necessidade de se adaptar às rápidas transformações econômicas internacionais. Eles manifestam-se preocupados com a concorrência representada por mão-de-obra mais barata em outros lugares e, no caso da Índia, mão-de-obra ainda por cima falando inglês e em muitos casos bastante bem preparada.
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Esse tipo de preocupação não existe em Lula ou, pelo menos, não transparece em suas palavras. Nem se vê qualquer sentido de urgência, enquanto os outros parecem obcecados em recuperar ou não perder tempo. O berço esplêndido no qual repousamos anda de rodinhas, enquanto os outros países voam a jato na compreensão de que estão obrigados a mudar para concorrer, ou ficam irremediavelmente para trás.
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Isso vale para todo tipo de política - para citar apenas um exemplo: vale para reformar sistemas previdenciários, como o brasileiro, que obrigam o Estado a gastar sempre mais, dificultando investimentos (para Lula, a crise do INSS pode ser resolvida com crescimento e combate às fraudes, uma visão ridicularizada por especialistas de várias tendências políticas).
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Talvez as palavras mais grandiloquentes pronunciadas pelo presidente reeleito tenham sido as de que o Brasil deixará de ser um país emergente ainda em seu segundo mandato. Há um lado positivo nessa afirmação: ao contrário do que disse durante a campanha, Lula está, sim, comparando o Brasil a outros países, e não apenas a si mesmo.
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Infelizmente, o presidente reeleito não deu a menor idéia como o País deixará de ser um país emergente.

Apertem os cintos porque o piloto NÃO sumiu

Por Pedro Porfírio
Publicado na Tribuna da Imprensa

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São três da tarde de domingo eleitoral quando começo a escrever esta coluna. Nem que queira, não posso deixar de falar do Brasil a partir de hoje. Esse Brasil devidamente programado, como escrevi com todas as letras no dia 6 de fevereiro de 2006.
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Naquela coluna, fui muito claro ao afirmar que o sistema estava feliz mais da conta com o presidente Luiz Inácio e sua corte. Ele se enquadrava como uma luva nos planos estratégicos de integração inteligente do País no mundo oligopolarizado, sob a hegemonia de um império decadente.
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Fui direto quando escrevi: "Substrato de todos os sofrimentos da ralé, o companheiro Lula, pau-de-arara, operário e delirante corintiano, converteu-se na fórmula mais aperfeiçoada dos cibernéticos laboratórios do sistema. Sob seu reinado, o proletariado sublima o pão que o diabo amassou, o lumpesinato farta-se com as sobras do banquete e as elites eufóricas estouram o champanhe todo fim de expediente".
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Quando falo pau-de-arara, não me ocorre nenhuma discriminação. Eu também sou cearense e estou no Rio de Janeiro desde os 16 anos. Essa é uma "condição heróica" que toca fundo os corações dos nordestinos. Quando a gente parte e vence os desafios, os outros que lá ficaram (falo de uma época diferente e falo por mim) têm sempre um certo orgulho da proeza.
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Pois o conterrâneo Lula foi ganhando a confiança dos sumos sacerdotes do sistema simultaneamente com o crescimento de sua popularidade e a reformulação do seu discurso. Passou da vacina para evitar Brizola no segundo turno em 1989 à melhor alternativa aliada diante do desgaste do tucanato de FHC.
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Aliado do sistema
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Ao assumir o governo no bojo de uma verdadeira revolução eleitoral fez por merecer. Mudou de lado sem trocar a camisa, passando a cumprir na América Latina, África e parte da Ásia o mesmo papel do trabalhista Tony Blair na rica Europa.
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Manteve a política econômica receitada pelo FMI e foi até mais longe: aumentou as metas do esdrúxulo superávit primário (que pelo primeiro acordo com o FMI em 1999 era de 2,6% do PIB e hoje é de 4,25%) e conservou o orçamento atrelado a compromissos da dívida pública, embora isso não passe de um ardil para contingenciar obrigações do governo com investimentos em infra-estrutura, educação e saúde.
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Na política externa, ao contrário do que propaga a direita psicótica, é a melhor ponte de Bush junto aos governos que já não rezam por sua cartilha. Quando um nacionalista como Hugo Chávez dissemina a idéia bolivariana de uma pátria latino-americana, é ele quem dá o corte.
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Foi assim nas eleições do Peru, em que o sr. Luiz Inácio se colocou ao lado do corrupto Alan Garcia, contra o militar nacionalista Ollanta Humalla; no México, quando torceu por Felipe Calderón contra López Obrador, e no Equador, onde prefere o magnata Álvaro Noboa ao nacionalista Rafael Correa, posições assumidas sob pretextos de que precisa apoiar investimentos brasileiros, especialmente da Petrobras, e acordos com esses países.
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Lula é também o governante ideal para o projeto de paralisação social baseado em políticas compensatórias. Essa idéia é um dos pilares do "Diálogo Interamericano", a astuta super-ONG, encabeçada pelo banqueiro David Rockfeller, do Chase Manhattan Bank.
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Esse projeto parte de uma leitura de Karl Marx, (quem diria?) que apontou o lumpesinato como antídoto do proletariado reivindicador no Século XIX. A reserva de mão-de-obra desempregada seria utilizada como ameaça aos trabalhadores que lutavam contra a jornada de 14 horas.
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O sistema internacional, que joga pesado no sucateamento das Forças Armadas e na desfiguração do ensino público, fomenta uma subclasse de dependentes da caridade oficial, fazendo dela o mais numeroso exército de eleitores fiéis ao gestores dessa ajuda.
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O voto de cabresto
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Pelo menos 20% dos votos de Lula vieram da rápida disseminação do boato de que só ele era a favor do programa "Bolsa-Família", em torno do qual gravitam miseravelmente 48 milhões de brasileiros.
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O apego desses eleitores ao programa compensatório não é nenhum distúrbio existencial. Do outro lado da gangorra está a redução dos empregos, a queda da renda assalariada e a inviabilização da vida nos grandes centros urbanos, o que produz um retorno traumático da mão-de-obra não qualificada às suas origens agrárias. Com experiência cosmopolita, grupos de sem-destino correm atrás das terras de uma prometida reforma agrária, que se arrasta e não responde a seus objetivos essenciais.
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Ao mesmo tempo em que o governo Lula cumpre religiosamente a cartilha traduzida por Henrique Meireles (leia-se Bankboston) seu colega na super-ONG, pela qual galgou o Banco Central, Lula foi capaz de manter uma réstia de esperança entre os mais pobres. E os pobres, como lamentava Oscar Wilde, infelizmente se conformam com muito pouco. Se não for uma cesta básica, até a promessa de uma vida eterna ao lado de Deus já basta.
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Já a chamada "sociedade organizada" - leia-se sindicatos, UNE, UBES, ONGs que profissionalizaram a solidariedade - foi cooptada de forma direta, participando do governo, ou indireta, através da maldita terceirização com a transferência de recursos do Estado para arapucas particulares.
O que virá daqui para frente boa coisa não será. Engana-se a esquerda delirante que votou no candidato do PT sob o pretexto de livrar-se da OPUS DEI. Engana-se, aliás, provavelmente de propósito, de olho numa sinecura qualquer, como aconteceu com intelectuais que passaram um ano falando mal do governo até que um dia refizeram sua avaliação.
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Uma coisa é certa: o piloto é o mesmo. Não sumiu e está cheio de si, sentindo-se à vontade para dar as piruetas que quiser. Nada mais confortador do que continuar com a chave do cofre, por delegação do povo, mesmo depois de pilhado em tantas travessuras.
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Portanto, a partir de hoje, apertem o cinto PORQUE O PILOTO NÃO SUMIU.

Quem tem medo das privatizações

Por André Franco Montoro Filho
Em O Estado de São Paulo
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A questão das privatizações voltou ao debate político, sendo apresentada por seus críticos como um grande prejuízo para o Brasil. E quem privatizava seria um vendilhão do patrimônio nacional, mancomunado com poderosos grupos financeiros. Será isto verdadeiro? Quem foi prejudicado e quem foi beneficiado com as privatizações?
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Analisemos setor por setor. Primeiro, o setor siderúrgico (Cosipa, CSN, Açominas, etc.). Até sua privatização estas empresas geravam grandes prejuízos e exigiam aportes do governo federal de cerca de US$ 1 bilhão por ano. Após a privatização o setor se tornou um dos mais eficientes do mundo, a ponto de os EUA tomarem medidas protecionistas contra as empresas brasileiras. As empresas cresceram, geraram mais empregos, mais impostos e mais dólares de exportação. Ganharam o Brasil, o setor público, os trabalhadores.

Quem perdeu? Exatamente quem era contra: os assessores fantasmas, partidariamente nomeados.
Outro caso é o da Embraer. Antes de sua privatização, estava quase falida. Agora é um sucesso mundial. Mais uma vez ganhou o Brasil, ganhou a tecnologia nacional. Quem perdeu? Lideranças sindicais e pessoal administrativo.

As telecomunicações talvez sejam o caso de maior sucesso nas privatizações brasileiras. De uma época em que uma linha telefônica, por custar milhares de dólares, era um patrimônio a ser declarado no Imposto de Renda, chegamos hoje a uma situação em que a grande maioria da população possui telefone, fixo ou celular. Quem perdeu? Os que usavam para fins partidários e se beneficiavam das centenas de cargos de altos salários que existiam nas antigas teles. Isto sem falar nas vultosas verbas de publicidade.
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Nas estradas, outro grande sucesso. Todos os levantamentos indicam que as melhores rodovias do Brasil são operadas pelo setor privado. Até no setor ferroviário estamos vendo progresso. No passado o setor era deficitário, com serviços de baixa qualidade e demanda se reduzindo. Hoje há uma crescente utilização do transporte ferroviário.
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No setor de energia elétrica, o que foi majoritariamente privatizado foi a área de distribuição, que mantém elevados índices de qualidade de seus serviços. A ameaça do apagão foi causada, além da falta de chuva, por falta de investimentos em geração. Ora, o setor público é ainda responsável por cerca de 80% da geração de energia hidrelétrica no Brasil.
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Por fim, o caso da Vale do Rio Doce. Esta era uma empresa lucrativa. No ano de sua privatização gerou lucros de R$ 800 milhões. Ocorre neste ano de 2006 se espera um lucro mínimo de R$ 12 bilhões, ou seja, 15 vezes mais. Com a aquisição da canadense Inco, a Vale se torna a segunda maior mineradora do mundo. Este extraordinário progresso seria impossível se a Vale continuasse estatal. Os necessários controles do Ministério Público e do Tribunal de Contas não permitiriam a flexibilidade negocial indispensável para o estupendo crescimento. Isso sem falar em possíveis ingerências político-partidárias e eventuais solicitações de 'recursos não contabilizados' ou a destinação de verbas para agências de publicidade adrede selecionadas.
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Mao Tsé-tung afirmava que 'não interessa a cor do gato, o importante é que ele coma os ratos'. As empresas existem para produzir. Todas as histórias dos setores privatizados são de retumbantes sucessos produtivos. Então, por que ainda existe no Brasil tanta desconfiança?
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Além de um possível interesse individual, existe uma verdadeira preocupação com os riscos da presença do setor privado em alguns setores considerados estratégicos, seja lá o que isso represente. É certo que há setores que, por sua importância econômica e social, requerem controles especiais do setor público.
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Mas isso não significa necessariamente produção pública em empresas estatais. Existem outras ferramentas de controle. No caso dos serviços públicos, estas ferramentas são o regime de concessão, os contratos de concessão e o controle realizado por agências independentes. Com estes instrumentos é possível a continuidade de políticas públicas (como modicidade tarifária, universalidade do atendimento, tarifas sociais, exigências de investimento, recursos para pesquisa tecnológica) sem que sejam necessárias empresas estatais. Neste regime a propriedade dos bens continua pública. Apenas a operação do serviço é transferida, por um prazo limitado, ao setor privado.
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Por derradeiro, a questão do preço de venda. Marx ensina que a concorrência capitalista leva a um nivelamento da taxa geral de lucro entre as diversas esferas produtivas, o que significa que, se houver diferença, os capitais sairão das esferas de menor lucro para as esferas de maior lucro, até que os lucros se igualem. É este o mesmo princípio metodológico que foi usado no cálculo do valor mínimo das empresas. Os lucros das empresas a serem vendidas eram estimados e com esta informação o preço mínimo foi estipulado de forma que os lucros unitários esperados fossem iguais à taxa média de lucros. Com este preço era realizado um leilão público, livre, transparente e amplamente divulgado. Com estas regras não há espaço para maracutaias. Prova está que todas as alegadas irregularidades nunca foram comprovadas, apesar de o grupo que as denunciava ter assumido o poder.
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O verdadeiro patrimônio público não se confunde com o valor contábil de empresas estatais. A verdadeira riqueza de uma nação é sua capacidade produtiva e as privatizações aumentaram muito nossa capacidade produtiva. Quem efetivamente dilapida o patrimônio nacional é quem defende estatais deficitárias ou pouco lucrativas. Mais ainda, aqueles que, com administrações desastrosas, aparelhamento partidário e corrupção, tornam nossas estatais menos produtivas.

O ziguezague das reformas

por Villas-Bôas Corrêa
Em A Voz da Serra

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Por enquanto, a única mudança confirmada depois da estrondosa vitória de Lula é a do horário de verão, no próximo domingo, com o adiantamento de uma hora roubada ao sono.
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No governo rola racha entre os que ainda não entenderam onde o presidente-reeleito pretende chegar com os sinais contraditórios e os que temem perder posições. A dúvida alimenta o banzé no PT, ou no naco separado do bloco que esperneia e exige ser mimado e a bagunça no núcleo que espera continuar, mas não sabe quem fica e quem cederá a cadeira aos novos aliados.
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A quizília contra a imprensa veio mesmo a calhar para distrair os desavindos. Petistas ortodoxos e dissidentes divertem-se no bate-boca que se esvai na sangria das veias abertas. Para não perder tempo em circunlóquios, a ofensiva petista contra a imprensa, com o ranço ditatorial da tentativa de restabelecer um jeito novo de censura que acaba no DIP do Estado Novo, não interessa ao presidente-reeleito – sensatamente na contramão de um novo relacionamento com os meios de comunicação, como anunciou em reiteradas declarações e na improvisada entrevista coletiva tão logo foi oficialmente anunciada a sua vitória com mais de 58 milhões de votos.

Se vai dar certo ou se é o fogo que queima a palha, só o tempo dará a resposta. Confesso que tenho as minhas dúvidas. O temperamento presidencial que cunhou o modelo do primeiro mandato, com desempenho sofrível e final retumbante, traçou o ziguezague das hesitações e o pavio curto a explodir a cada trombada nas denúncias dos escândalos de corrupção que arranharam a porta do seu gabinete.
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Não se muda da noite para o dia o jeito de ser de toda uma vida. O que também se aplica às suas reiteradas intenções para os quatro próximos anos de presidente dedicado a comandar a administração e as articulações políticas com os partidos e o Congresso. É programa para a estréia, até a recomposição ministerial e as rodadas de conversas com as lideranças partidárias para a montagem de confiável base de apoio parlamentar.
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Estabelecida a rotina, tudo como dantes no Planalto. O presidente retomará as viagens internacionais e a ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, tocará o bonde da burocracia. A anunciada troca de ministros para acomodar os aliados da reeleição não deve rolar além do Natal: Lula já emitiu sinais de que tem o esquema na cabeça; faltam os retoques e os rapapés protocolares das reuniões com os partidos. Esta lição Lula aprendeu: o presidente escolhe, convida os ministros; os partidos sugerem nomes.
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O PT não preocupa o presidente. Só os grupelhos radicais e os medalhões pendurados no arame estrilam e levantam a poeira. Lula não está nem aí. Sempre soube que é maior do que o partido. E se não entra nas suas cogitações dispensar os serviços da legenda que fundou e carregou nas costas, não hesitará em cortar pelancas e carne para abrir vagas para os novos aliados do PMDB em tórrida lua-de-mel e demais legendas do buquê de camélias e madressilvas colhidas no campo.
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De novo mesmo é a sua enérgica decisão determinando à equipe da área econômica – além da ministra Dilma Rousseff, os ministros Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles – que, no prazo de 15 a 20 dias, apresente o documento consensual com a fórmula mágica que viabilize o acelerado crescimento com a estabilidade econômica.
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Neste primeiro mandato, Lula privilegiou a improvisação do estilo oral. O novíssimo Lula descobriu que acordos e alianças só são levadas a sério quando firmados em contrato escrito, o preto no branco. Uma novidade e tanto.

Brasil, Bagdá, Lula E Daslu

Por Ana Maria Tahan
Publicado no Jornal do Brasil

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Os brasileiros viveram sua semana de Bagdá nos aeroportos. A cena de passageiros ao abandono, sono solto em poltronas de espera e nos tapetes dos guichês, ou correndo de um portão de embarque a outro, no desespero para chegar em casa, lembrou, em proporção tupiniquim, o drama de iraquianos abatidos por dissidentes, por uma polícia mal preparada e por soldados americanos e de outras nações do mundo dito civilizado.
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Os céus sobre o Brasil possuem mísseis poderosos e pouco conhecidos até agora: os controladores de vôo. Viviam quase clandestinos sob normas rígidas impostas pelo regulamento militar.

Trabalham nas torres dos aeroportos. Organizam as aeronaves que vão descer, as que vão subir, as que devem circular à espera de lugar em terra. Estabelecem a altura que precisam alcançar, o plano de vôo. Um erro, e dezenas de vidas se perdem. Porque os controladores não cuidam de aparelhos. Decidem sobre homens, mulheres e crianças que sustentam o movimento aéreo e fazem a fortuna, ou a falência, de companhias do setor.

"Estamos em operação padrão" anunciaram na quarta-feira da semana passada, pelo sistema de som do Aeroporto de Brasília, numa sala de embarque sobrecarregada de histórias e sentimentos humanos. Trinta vôos saíram atrasados do Distrito Federal naquele dia. Funcionários de empresas aéreas arrancavam os cabelos, se os tinham, roucos de explicar a passageiros com pouca paciência que a culpa era deles... os controladores. Os mesmos que ganharam ilimitada defesa da Aeronáutica e, por tabela, do governo Lula, na tragédia do Gol que enterrou 154 brasileiros na Amazônia depois de se chocar com um Legacy da Embraer pilotado por americanos.Viajantes que circulam entre aeroportos, levados por negócios, estudos, carreira, emprego contavam que a confusão só fazia aumentar desde meados de outubro. Ninguém sabia e o governo não se movia. Só deixou de ser avestruz quando, de atraso em atraso, os aeroportos viraram campos de refugiados.
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A partir deste momento o governo Lula expôs suas fraquezas. O presidente convocou ministros para exigir soluções. O da Defesa, Waldir Pires, surgiu para, com jeito de criança inocente, contar que se surpreendeu. Também ele deve ter descoberto, em meio aos tumultos, a existência dos controladores. Se tivesse lido o relatório deixado pelo antecessor, José Viegas, saberia que a tragédia era anunciada. Na passagem de 2003 para 2004, Viegas advertiu para as conseqüências trágicas no futuro do corte de verbas para ampliar a segurança e modernizar os instrumentos de vôo no país.
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O ministro da Aeronáutica e os brigadeiros também sabiam. Devem ter esquecido de avisar a Pires. Pior, ao presidente da República. José Viegas durou pouco no cargo. E o relatório foi esquecido em alguma gaveta planaltina. Os militares do ar intervieram no controle do tráfego de aeronaves. Vão contratar sem concurso. Irão produzir especialistas às pressas. Convocaram aposentados para o serviço.

Dobraram o horário dos controladores da ativa.
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Os passageiros, contudo, não esperem céu de brigadeiro. As nuvens vão toldar muitas viagens no futuro próximo. Paga-se o preço pela Operação Daslu implantada pelo governo Lula nos aeroportos: prédios modernos, chãos de granito, fingers, salas de embarque confortáveis. E nada na aquisição de equipamentos e capacitação de profissionais. Menos ainda em salários.
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Dias piores virão. Com os aeroportos conturbados, viajantes vão descobrir que as estradas federais estão em fase iraquiana. A operação tapa-buracos foi uma jogada de marketing. E os investimentos em infra-estrutura rodoviária são sonho de um vôo de verão. Com o perdão do trocadilho.

TOQUEDEPRIMA...

Brasil é 17º no ranking de impostos

Imposto sobre uma empresa é de 34% sobre a receita. O País tem carga tributária acima da média mundial, de 27,1%, e da média latino-americana, de 28,1%

Jamil Chade

O Brasil tem uma das cargas tributárias sobre empresas mais altas do mundo. A avaliação é da consultoria KPMG, que nesta quarta-feira publicou seu relatório anual sobre os impostos em 86 países e apontou que, no Brasil, o imposto médio sobre uma empresa é de 34% sobre a receita anual. Em apenas 16 economias as companhias estão sujeitas a taxas mais elevadas que no Brasil. O País ainda tem carga tributária bem acima da média mundial, de 27,1%, e da média latino-americana, de 28,1%.
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Segundo a consultoria, a concorrência internacional fez com que países reduzissem seus impostos nos últimos 14 anos. Para a KPMG, há uma relação entre o sistema tributário e o desempenho econômico dos países, já que taxas menores podem dar vantagens competitivas e garantir crescimento para as economias em desenvolvimento. Não por acaso, a média dos impostos nessas 86 economias caiu de 38%, em 1993, para 27,1%, atualmente.
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No caso do Brasil, porém, o País passou de taxas médias de 25%, em 1998, para 33%, em 1999, 37%, em 2000, e 34%, desde 2001. Os impostos brasileiros sobre o setor privado são superiores ao que se cobra no Chile, México, Uruguai e equivalentes aos aplicados pela Venezuela. Na região, a Argentina e a Colômbia cobram taxas superiores às brasileiras, de 35%.
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Na avaliação da consultoria, os impostos são vistos por empresas multinacionais como o preço que precisam pagar em um país para usar a infra-estrutura local. Se não há uma boa estrutura ou se o preço é visto como excessivo, buscam países onde as taxas são menores. Se em países como no Brasil existe a necessidade de se arrecadar para projetos sociais, os governos precisam deixar claro esse objetivo e mostrar resultados.
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Exemplos
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Para a KPMG, um dos exemplos de países que reduziram impostos e conseguiram atrair investimentos é a Irlanda. A carga tributária no país caiu de 40%, em 1993, para 12,5%, uma dos mais baixas entre os países ricos. Nesse período, a economia irlandesa chegou a crescer 12%. Hoje, porém, sofre com a concorrência de países como a Hungria e a Polônia, que também reduziram seus impostos. Os países escandinavos também estão entre os exemplos, além da própria Inglaterra, que foi pioneira ao cortar seus impostos entre 1982 e 1986, de 52% para 35%.
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No ranking da KPMG, os paraísos fiscais, evidentemente, lideram a lista como locais onde os impostos são os menores do mundo. São seguidos por economias como Macau e Omã, com 12% de impostos, além de Lituânia, Letônia, Romênia, Chile, Chipre, Irlanda e Hungria, com taxas entre 10% e 19%.
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O estudo mostra ainda que as principais economias do mundo, como Estados Unidos, Alemanha ou Japão, cobram algumas das maiores cargas tributárias do mundo e superiores à do Brasil. Os impostos americanos sobre as empresas chegam a 40%, assim como no Japão. Na Alemanha, as taxas são de 38%; na Itália, de 37%.
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Apesar de destacar a importância de um país ter impostos adequados às necessidades de sua economia, a KPMG alerta que uma redução de carga tributária sozinha não irá gerar o crescimento da economia no médio prazo. Para isso, as medidas tributárias precisam ser seguidas de modernização da infra-estrutura e de garantias legais para os investimentos estrangeiros.
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MST quer greve geral para mudar economia
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De O Estado de S.Paulo
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"Descontente com os resultados do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Movimento dos Sem-Terra (MST) prepara-se para intensificar suas lutas no ano que vem. Também começa a analisar com outras organizações a possibilidade de uma greve geral contra a política econômica, que poderia acontecer em maio. “Temos perspectivas de lutas bastante intensas em abril e maio em nosso País”, diz Gilmar Mauro, da coordenação nacional da organização."
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Lá fora eles enxergam a verdade!!!
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Lula: Governo à direita e campanha à esquerda, diz NYT
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O presidente Lula da Silva "governou na direita", mas "fez campanha na esquerda" - assim o jornal The New York Times tentou definir os quatro anos do governo petista, e explicar a estratégia que levou à reeleição do atual ocupante do Palácio do Planalto, neste domingo.
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A matéria publicada nesta segunda-feira diz que Lula "garantiu os superávits primários que deleitam Wall Street e o Fundo Monetário Internacional (FMI)". Mas soube usar essas medidas para passar sinais de soberania.
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"Um pagamento de empréstimo ao FMI, por exemplo, foi embalado para fazer parecer que Lula estava dizendo à instituição para não enfiar o nariz nos negócios do Brasil."
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A "venezuelização" do país!!!
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PT cogitou apostar na cisão do país entre ricos e pobres
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Mantido em segredo, um comercial de TV resume à perfeição a "bomba atômica" da campanha lulista que não precisou ser usada.A peça compõe um arsenal que objetivava dividir o país entre ricos e pobres.
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Chamada internamente de "venezuelização" da campanha, o grande trunfo era uma linha ainda mais agressiva do que a eficazmente utilizada, a de carimbar Geraldo Alckmin e os tucanos como "privatistas".
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No 1º de outubro, Lula, Santana e ministros acompanhavam a apuração no Alvorada. Por volta das 22h, Santana jogou a toalha. Disse a Lula que haveria segundo turno. E repetiu a frase que falara em outros momentos da campanha: "Se tiver segundo turno, a gente divide o país e ganha".
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Agora o PT quer 'aparelhar' a OAB
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Por Claúdio Humberto
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A Ordem dos Advogados do Brasil tem identificado uma ação organizada pelo PT, junto a várias de suas 27 Seccionais nos Estados, com o objetivo de aproveitar as eleições que ocorrerão este mês, em todo o País, para "aparelhar" a entidade. Diante disso, o Colégio de Presidentes de Seccionais, reunido hoje em Salvador, na Bahia, emitiu nota enérgica de advertência aos candidatos. A nota, assinada pelo presidente nacional da OAB, Roberto Busato, alerta que o compromisso histórico da entidade é com a cidadania e a advocacia brasileiras, não devendo se envolver com questões político-partidárias. É a seguinte a íntegra da nota da OAB:
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"O Colégio de Presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil, tendo em vista o processo sucessório nas suas seccionais em todo o país, neste mês de novembro, adverte para o perigo de partidarização e ideologização do pleito. A OAB, a Casa do Advogado, é instituição plural e apartidária, voltada para a defesa da cidadania, da República e do Estado democrático de Direito. Nossa força moral, como instituição, deriva exatamente dessa isenção partidária, historicamente observada. Temos compromisso com o processo político, mas sem vínculos com facções ou grupos ideológicos e acima do varejo das disputas partidárias. Nossa ideologia é o cidadão e nosso compromisso é com a Pátria e a integridade das instituições republicanas. Nesses termos, apelamos para o bom senso e o compromisso institucional dos candidatos e de seus adeptos no sentido de que zelem por esses fundamentos, que fazem parte de nossa melhor tradição - e respondem pelo respeito de que desfrutamos perante a sociedade brasileira e as autoridades constituídas. Os temas pertinentes às campanhas eleitorais da OAB são aqueles que envolvem as causas da advocacia e da cidadania brasileiras".

TOQUEDEPRIMA...

Mal na foto

Por Dora Kramer
Em O Estado de São Paulo

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Eficiente no manejo de simbolismos de identificação popular, Lula não usou seu repertório na crise que deixou milhões de pessoas 7 dias à mercê dos controladores de vôo.
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Lula participou de uma única reunião para tratar do assunto, não fez nada além de uma cena de irritação - com direito ao já notório 'soco na mesa' -, foi para a Bahia descansar com a família anunciando o plano de 'sumir' até o fim do feriadão e lá se deixou fotografar esparramado de sunga ao sol.
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Racionalmente, é fato que a presença de Lula em Brasília não teria por si só o condão de resolver o problema.
Mas é verdade também que férias presidenciais em momentos de comoção denotam indiferença e distanciamento, pois esteve disposto para ganhar a eleição e, no momento em que a aviação sofria um colapso com efeitos dramáticos sobre a vida da população, o presidente faz o que as pessoas não puderam fazer: toma um avião à hora e ao tempo desejados e vai relaxar na praia.
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Tendo manifestado sua preferência dias antes pelos mais pobres, ficou parecendo que o presidente não liga para quem anda de avião. Transporte, aliás, hoje não mais exclusivo de quem tem muito dinheiro.
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Você ouviu falar nisso?
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Publicado no Argumento & Prosa
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Alguém me explique o porquê do silêncio, sem alertas, sem noticias na TV, sem campanhas preventivas. O que vai acontecer no verão?
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Do Terra: O ano ainda nem terminou, mas 2006 já é o segundo com maior número de mortos por dengue no Brasil. Entre janeiro e setembro, o Ministério da Saúde contabilizou 61 mortes - 16 a mais que o registrado em 2005. Este número só não supera o de 2002, quando 150 pessoas morreram após serem picadas pelo mosquito transmissor da doença. O Rio não é o Estado recordista em casos de dengue este ano - São Paulo registrou 43,3 mil -, mas detém outro recorde: dos 1.801 casos registrados em 2005, o número pulou para 29.288 só nos nove primeiros meses do ano. Isso representa um aumento de 1.526%, o maior do País.
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IBGE: 36% dos hospitais não tem controle de infecção
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Trinta e seis por cento dos estabelecimentos de saúde com leitos para internação no país não fazem controle de infecção hospitalar, segundo a Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária (divulgada ontem pelo IBGE), divulgada nesta quarta-feira. O levantamento também mostra que o número de leitos para internação no Brasil caiu mais uma vez de 2002 para 2005.
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Segundo a pesquisa, a queda no número de leitos não afetou o total de internações, que aumentaram no mesmo período. A aparente contradição, diz reportagem do jornal Folha de S. Paulo, é explicada pelo IBGE e pelo Ministério da Saúde como reflexo de um uso mais racional dos leitos.
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"Com o avanço tecnológico, pacientes podem ficar menos tempo internados ou nem ir para o leito em procedimentos que, antes, exigiam internação", diz o instituto. É por isso que o número de internações por leito subiu de 42 em 2002 para 52 em 2005.
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Outro dado negativo revelado pela pesquisa é que 46% do total de estabelecimentos não apresentam padrões adequados de acessibilidade para portadores de deficiência e em apenas 13% deles há sanitários adaptados a esse grupo.
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Redação Terra
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Segurança de vôo só ganha 54% da verba
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Por Veja on line
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O programa de segurança de vôo do país recebeu até agora pouco mais da metade das verbas prometidas pelo governo neste ano. O gasto previsto e já autorizado para 2006 é de 531,7 milhões de reais. Mas até o início de novembro, restando só dois meses no ano, os pagamentos somavam 286,5 milhões, 54% do total. A informação foi divulgada nesta quinta, no jornal Folha de S. Paulo.
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Os números estão no Siafi, o sistema informatizado de acompanhamento de gastos do governo. O Comando da Aeronáutica disse que vai acelerar os gastos do programa de segurança de tráfego aéreo até o fim do ano, mas negou que a atual crise nos aeroportos seja um reflexo dessa restrição de verbas. "A situação atual nada tem a ver com os recursos", garantiu a Aeronáutica em nota.
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A restrição na liberação de verbas prometidas pelo governo para a proteção dos vôos causa ainda mais estranhamento diante do fato de que o Fundo Aeronáutico - que deveria repassar para o sistema de segurança as tarifas pagas pelos passageiros dentro dos aeroportos - soma um saldo acumulado de 1,9 bilhão de reais. Esse dinheiro deveria custear justamente a segurança aérea.
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O programa de proteção ao vôo é subordinado ao Ministério da Defesa. Tem como objetivo oferecer "mais segurança, regularidade e fluidez à circulação aérea nacional". A maior fonte de recursos é o Fundo Aeronáutico - por isso, em 2003, o então ministro da Defesa, José Viegas Filho, assinou documentos pedindo o desbloqueio dos recursos. A restrição ajuda no superávit primário.

Judiciário prá quê ?

COMENTANDO A NOTICIA: Em 2005, no auge do mensalão, muito se falou das relações promíscuas entre Executivo e Judiciário. Depois, seguiram-se os escândalos dos correios, do BB-Visanet, do Instituo de Resseguros do Brasil, Caixa-2/Valerioduto, todos no âmbito do Executivo. Mais, as sanguessugas enterraram mais ainda na lama da desmoralização o Legislativo. Trocando de lado, a fedentina da corrupção retornou ao Planalto culminando com o dossiê fajuto. Em todo este processo o maior ausente: o Poder Judiciário. E talvez esta ausência deveria não ser tão ausente assim, pela razão de que não se vê deste lado ações que pudessem nos alimentar de esperanças no sentido de que todos os culpados serão julgados, e se condenados, pagarão por seus crimes.

De há muito o Poder Judiciário travestiu-se numa corporação financeira, a cuidar apenas dos bolsos e dos saldos correntes de seus membros. De vez em quando se trabalha, de vez em quando se condena alguém, assim mesmo com algumas suavizações das penas para não parecer tão rigoroso.

Hoje vamos olhar um pouco mais das enormes “dificuldades” para este paquiderme funcionar como deveria, mas que por obra e graça de sua preguiça endêmica, se rasteja feito uma preguiça sonolenta, com nenhuma aptidão para honrar o peso de seu enorme custo para a sociedade.

Inicialmente, recolhemos no Alerta Total, a crônica de uma inexplicável morosidade para a decisão sobre a MP 1963, que representa um verdadeiro assalto imoral ao bolso do cidadão. Será possível entender que haja lobby estranho dos banqueiros sobre os senhores juízes da lei ? Ou será que eles estão isentos de taxas e juros bancários pelo sistema bancário, por serem tão pobres e merecerem deste modo uma anistia tipo bolsa-funeral-para-o- contribuinte ? Estranhamente, a decisão já perdura indefinida por seis anos. Com tamanha eficiência, judiciário prá quê?

Depois, reflitam no artigo publicado no Consultor Jurídico, por Aline Pinheiro, demonstrativo do quanto estes senhores de toga, apesar de seus rendimentos e vantagens e penduricalhos, devolvem em trabalho, ou falta dele, para a sociedade que os sustenta. Um primor. Às avessas, claro, e lamentavelmente. Pode-se dizer que se tornaram os reis do ócio nacional.

É, gente, se o bispo não fosse petista, restaria reclamar para ele. Mas o danado carrega a estrela vermelha no peito. Só nos resta olhar para o céu, fazer uma prece, e gritar a Deus: ssssooooccccoooorrrrooo !
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Supremo lentíssimo
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Finalmente, depois de anos de indecisão, retorna à pauta de votação do Supremo Tribunal Federal o julgamento da ação direta de inconstitucionalidade da Medida Provisória que define a capitalização mensal de juros no mercado financeiro.Este lento julgamento da Justiça brasileira interessa a todos os cidadãos que compraram um bem ou um serviço a prestação e estão pagando em dia um carnê de crediário.
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Editada há seis anos, no ano 2000, a MP 1.963 autorizou bancos e financeiras a cobrar juros sobre juros, nos financiamentos ao consumidor final com prazo inferior a um ano.
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Até então, a Lei de Usura, introduzida em 1933 pelo Decreto 22.626, proibia expressamente a incidência de juros sobre juros em periodicidade mensal.
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Morosidade injustificável
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Apesar da importância desse processo para os consumidores, o relator, ministro Sidney Sanches, só apresentou seu voto em 2002, considerando inconstitucional a MP 1.963.
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O segundo voto, do ministro Carlos Velloso, que acompanhou o relator, só foi proferido três anos depois. Em seguida, o julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Nelson Jobim, que acabou deixando o processo numa gaveta de seu gabinete.
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Nada justifica tanta morosidade do Supremo, uma vez que o julgamento da constitucionalidade da Medida Provisória afeta o funcionamento não só do sistema financeiro, mas, também, do comércio de bens de consumo duráveis, do mercado imobiliário e da indústria da construção civil.
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Conclusão: Aos banqueiros tudo; aos cidadãos, nem o julgamento da constitucionalidade de uma lei...
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Falta de Democracia
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Brilhante comentário editorial do Estadão sobre o caso:
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“Conjugados com os abusos muitas vezes cometidos pelo Executivo na edição de MPs, ferindo princípios constitucionais, a morosidade judicial e o anacronismo das leis processuais só contribuem para piorar a posição do Brasil nos rankings de competitividade e das economias mais atraentes aos investidores”.“Para um País que necessita de investimentos privados para crescer, a insegurança jurídica compromete a formação de capital, atrofia o potencial de desenvolvimento e dificulta a geração de empregos”. ”Dito de outro modo, quanto maior é a incerteza com relação às regras do jogo, mais elevados são os custos para se fazer negócios e quem perde com isso é toda a sociedade”.
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Ou seja, complementando o Estadão, no Brasil falta democracia, definida como “a Segurança do Direito”.
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Judiciário folgado

Para cada dia de trabalho, Judiciário descansa outro

por Aline Pinheiro


Quando o Poder Judiciário se une para gritar contra a sobrecarga de trabalho, a estrutura precária e a falta de braços, motivos usados para justificar os mais de 60 milhões de processos parados nos tribunais, se esquece de um pequeno detalhe: a quantidade de dias em que a Justiça simplesmente não funciona. Subtraídos finais de semana, feriados, férias, recessos e outras folgas, sobram apenas seis meses por ano para o Judiciário trabalhar. Dito em outras palavras: para cada dia de trabalho, os membros do judiciário tem um dia de folga.
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A constatação é mais alarmante quando se pensa que a Justiça é um direito de todos e que, ao contrário do ditado, tardar significa, muitas vezes, falhar. Para se ter certeza disso, basta perguntar para João Gomes de Oliveira, que esperou 30 anos para ser julgado pela tentativa de homicídio de Adyr Vieira. O crime ocorreu em 1976. O julgamento, em agosto deste ano da graça de 2006.
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Questione também o delegado aposentado Ronaldo Antônio Osmar, que esperou 19 anos para ser absolvido da acusação de mandar matar o missionário espanhol Vicente Cañas. O crime ocorreu em 1987. A absolvição, na semana passada.
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Durante cerca de 180 dias, o Judiciário em todo o país funciona em esquema de plantão. Apenas medidas urgentes, como Habeas Corpus e Mandados de Prisão, são despachadas. De resto, não há sessão, não há julgamento, não há prazos. Em uma escala coletiva, sem se ater ao direito individual do cidadão (réu e vítima) de ver sua causa julgada em tempo hábil, não é exagero dizer que a lentidão da Justiça prejudica a economia do país.
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O Supremo Tribunal Federal, por exemplo, tem em suas mãos processo que pede a regulamentação do direito de greve dos servidores públicos. O Mandado de Injunção, que vem justamente para suprir essa deficiência do Legislativo, está suspenso por um pedido de vista do ministro Ricardo Lewandowski desde junho deste ano. Se o direito de greve do servidor já tivesse sido devidamente regulamentado, o país poderia ter sido poupado do caos no tráfego áereo, causado pela greve branca dos controladores de vôo.
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Os descansos — previstos e imprevistos — também têm impedido que o Supremo decida se as sociedades de profissionais liberais, como os escritórios de advocacia, têm de pagar Cofins. Desde 9 de outubro, o voto-vista do ministro Eros Grau está pronto, mas ele ainda não pôde apresentar no julgamento pela 2ª Turma do STF.
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Apesar da quantidade de dias parados na Justiça, há tribunais que fogem da regra da contagem desta reportagem. O Judiciário de Santa Catarina, composto pelo Tribunal de Justiça e mais 110 comarcas, por exemplo, vai ter expediente normal na sexta-feira (3/10). Além de não haver feriado prolongado na Justiça catarinense, os prazos processuais serão contados normalmente.
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Um para um
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Fora os 11 feriados que qualquer brasileiro tem, a Lei da Justiça Federal, de número 5.010/66, ainda prevê 20 dias de recesso no final do ano e mais sete feriados exclusivos. Existe até um feriado de 1º de novembro que ninguém sabe dizer a que santo ou a que herói da pátria presta homenagem. Mas neste dia o Judiciário não funciona (nesta quarta-feira funciona, mas o dia-santo sem dono foi usado como pretexto para o não-expediente da sexta-feira).
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Outros dois feriados exclusivos do Judiciário pelo menos têm explicação: não se trabalha no dia 11 de agosto por ser o dia comemorativo da criação dos cursos jurídicos no país, ou por ser o Dia do Advogado; e não se trabalha no dia 8 de dezembro por ser o dia dedicado à Justiça, conforme previsto no Decreto-Lei 8.292 desde 1945.
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A Lei Orgânica da Magistratura estabelece que os juízes têm direito a 60 dias de férias por ano (30 a mais do que prevê a CLT). Nessa conta, não entram os oito dias de folga quando o juiz casa ou quando morre alguém da sua família. Tampouco os dois anos remunerados que eles têm para se dedicar exclusivamente aos estudos. Também não entram os feriados estaduais e municipais. Só na cidade de São Paulo, são mais dois feriados municipais e um estadual.
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Na conta, ainda precisam ser somadas as emendas dos feriados (sim, juiz também tem direito a feriado prolongado) e outros imprevistos previstos, como a Copa do Mundo de Futebol, que tirou da Justiça mais três dias de trabalho (se o Brasil tivesse chegado à final do campeonato, teriam sido quatro).
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Nesta quinta-feira (2/11), dia de Finados, a Justiça e todos os outros brasileiros descansam. Na sexta (3/11), a emenda coletiva impera apenas no Judiciário. Nos tribunais superiores, na Justiça Federal e na Trabalhista, foi feriado na quarta (1/11). As instituições decidiram, então, transferir a folga para sexta e desfrutar do descanso de quatro dias (somado o final de semana).
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Na Justiça Estadual, não há desculpa oficial para o feriado ser prolongado. Mesmo assim, apenas sete dos Tribunais de Justiça dos 26 estados vão trabalhar. Os outros decretaram ponto facultativo. Não há expediente, portanto, apenas o famoso plantão. Em São Paulo, o Tribunal de Justiça ainda foi mais generoso nas folgas. Na segunda-feira (30/11), ressaca das eleições, a Justiça paulista não funcionou, como se não tivesse uma fila de mais de 14 milhões de processos para julgar.
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Em muitos casos, a iniciativa privada pode ser tanto ou até mais generosa com seus trabalhadores. Pode optar por dar descansos injustificados, aumentar as férias, permitir que comemorem o dia de São Nunca ou o dia de todos os santos, que por sinal, antigamente era comemorado com feriado no dia 1º de novembro.
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Nestes casos, quem administra o negócio calcula os riscos da folga para a atividade e assume o prejuízo. Na iniciativa pública, o patrão, chefe ou dono do negócio (ou seja, o contribuinte) nem é consultado e, muitas vezes, nem comunicado sobre o trabalho daqueles a quem paga o salário. E além de pagar uma vez, por financiar o serviço público, o contribuinte acaba pagando outra vez, por não tê-lo feito.
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Revista Consultor Jurídico, 1 de novembro de 2006

Nossa cubanização é real.

COMENTANDO A NOTICIA: A notícia a seguir, sequer notícia é: é muito mais do que um simples caso isolado. É uma denúncia das mais graves. Faz parte de um plano elaborado por narco-traficantes dos quais Lula e Marco Aurélio Garcia são braços importantíssimos através do Foro de São Paulo, aqui tantas vezes denunciado.

É lamentável não vermos nenhuma reação da sociedade brasileira para extirpar este câncer que já se instalou no pais há mais de 15 anos, e continua crescendo e dominando nossas instituições. Com a reeleição de Lula, a força política do grupo crescerá cada vez mais, espalhando-se por todo o território nacional. Em jogo encontra-se nossa segurança interna e nossa soberania como nação livre. Leiam a notícia a seguir, depois retornamos com nossos comentários.

"FARC E ELN ESTÃO DIVULGANDO LUTA ARMADA NAS ESCOLAS BRASILEIRAS

Do site Videversus
A Secretaria de Educação de São Paulo instaurou há duas semanas sindicância em três escolas públicas da Grande São Paulo para apurar a participação de colombianos em palestras e debates em defesa das idéias dos dois principais grupos guerrilheiros da Colômbia, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN). As sindicâncias referem-se a palestras feitas nos últimos nove meses em escolas de Osasco, a cidade dominada pelo mensaleiro deputado federal João Paulo Cunha. A secretaria está ouvindo diretores, professores e funcionários sobre as circunstâncias em que ocorreram essas reuniões. O governo de São Paulo já apurou que as palestras fazem parte de uma ofensiva diplomática dos guerrilheiros narcotraficantes, que vem sendo empreendida por porta-vozes ou colaboradores das Farc e do ELN no Brasil.

Conforme depoimentos à imprensa de dois colombianos que se apresentam como porta-vozes dos grupos no Brasil, eles dizem que, nos últimos dois anos, "companheiros" vinculados à guerrilha estiveram em mais de 20 cidades, de pelo menos sete Estados brasileiros, defendendo seus pontos de vista em escolas públicas, universidades e sindicatos. O objetivo das visitas, segundo Milton Hernández, do ELN, é bem definido: tentar forjar uma mobilização internacional de oposição ao Plano Colômbia que conte com o apoio de brasileiros. Hernandéz, de 48 anos, que está há 18 anos na luta armada, afirmou já ter estado em cinco debates escolares no Brasil, desde 1999. Visitou Recife, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Fortaleza. Segundo ele, há outros seis representantes do ELN no Brasil. Mauricio Valverde, da comissão internacional das Farc, declarou já ter participado de palestras em mais de 20 cidades brasileiras desde que chegou ao País, há 11 meses: "Temos convites de todo o Brasil, de Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Florianópolis, Pelotas, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Santos, Rio de Janeiro, São Paulo". Muitos dos debates são promovidos por grupos brasileiros de esquerda. Um dos mais ativos é o Comitê Permanente de Solidariedade aos Povos em Luta, que atua em São Paulo. Desde julho de 2000 organizou mais de 40 palestras na capital e Grande São Paulo, segundo Magno de Carvalho, um dos articuladores do grupo e presidente do Sindicato dos Trabalhadores da USP. O Comitê de Solidariedade é uma coalizão com um total de 30 grupos participantes, entre os quais o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), PC do B, PSTU, além de sindicatos e ONGs. O comitê tem também uma base no Rio de Janeiro, onde palestras sobre o tema já foram organizadas nas favelas da Rocinha, de Vilar Carioca e do Morro Dona Marta. Em Brasília, Fortaleza, Porto Alegre e Belém outros grupos anti-Plano Colômbia também têm organizado reuniões públicas sobre o tema".

No sul do País, o braço mais guerrilheiro das FARC’s e da ELN chama-se MST. Como já dissemos, trata-se não mais de uma organização social, mas, sim, de uma organização fora-da-lei, formada em seu comando de bandoleiros, criminosos os quais deveriam ser enquadrados no rigor da lei e exemplarmente punidos. Ou o Brasil reage, retornando à normalidade legal no seio da sociedade, ou rapidamente esta mesma sociedade se degradará em valores, condutas e ideologias.
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Já se vive uma grave crise de valores, conjugada com instituições compostas dos poderes do estado para lá do limite da ineficiência. Veja-se o caso do Congresso Nacional, provavelmente a mais desacreditada e desmoralizada das instituições. Tem-se um Poder Judiciário simplesmente em processo decadente, longe de sua função constitucional, extremamente politizado, ineficaz em excesso, corporativista por completo. E junte-se aos dois o Executivo, extremamente corrompido e aparelhado em favor de um partido político de esquerda, omisso e negligente com o crime, e cada vez mais numa nefasta conduta de afastar-se do cumprimento de suas ações básicas, sucateando os serviços que deveria prestar à população e não o faz, sugando criminosamente os recursos e as energias da nação num processo vergonhoso de desmoralização do estado e enriquecimento de um grupelho de delinqüentes.
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Insistimos que a sociedade brasileira deve, mesmo que movida por pequenos grupos de resistência, indispor-se contra o processo de cubanização ou venezualização deste país, que deveria ser de todos nós, e que se está tornando como ente privado de ideologias ordinárias e ultrapassadas, defendidas por vagabundos corruptos e párias, favelizando nossos valores morais, nosso patrimônio cultural, insidiosamente dividindo a nação em pequenos feudos e enterrando de vez o sonho de ver o Brasil como nação livre, soberana, justa, moderna e progressista. Ou nos levantamos e nos indispomos aqui e agora contra estes crimes todos e seus agentes vermelhos e calhordas, ou o Brasil como nação livre e soberana, não conhecerá seu futuro. O nível empregado por gente como Lula e seus bandoleiros é o da mais baixa moral. Libertar o país de suas garras e assegurar um futuro que hoje, sob o comando destes cafajestes, se está enterrando de vez. Os sinais de alertas já são muitos, resta saber que caminhos grande parte deste país deseja para si. Ou será que o trabalho de “sedução” dos guerrilheiros já está produzindo resultados plenos, sendo a reeleição de Lula sintoma bastante claro do processo de degradação social que já estamos vivendo ? Resta dizer que, se nada for feito para por fim ao processo em curso, logo logo conviveremos com a barbárie e a selvageria como reguladoras das relações sociais. Portanto, a hora de reagir é agora. Não podemos mais protelar este grito de BASTA. Ou quando a sociedade se der conta do que está acontecendo, já será tarde.