quarta-feira, novembro 25, 2009

NESTA EDIÇÃO:

* Um figurino para o presidente
*** Adelson Elias Vasconcellos
* Por favor, Tarso Genro: fique quieto e vai prá casa!
*** Adelson Elias Vasconcellos
* A trinca que apostou na crise está a poucas milhas do naufrágio
*** Augusto Nunes, Veja online
* Quem é o ‘Filho do Brasil’
*** Diogo Mainardi, Revista Veja
* Limites éticos
*** O Globo, Editorial
* Crescendo e comendo
*** Carlos Alberto Sardenberg, Estadão
* A bomba da paz
*** Guilherme Fiúza, Revista Época
* Visita indesejável
*** José Serra, Folha de São Paulo
* O vergonhoso uso da máquina do Estado
*** Adelson Elias Vasconcellos
* Os tentáculos do estatismo se espalham
*** Adelson Elias Vasconcellos
* ENQUANTO ISSO...
*** Comentando a Notícia
* Marido de blogueira cubana é atacado em Havana
*** Agencia Estado
* ''Teria sido mais fácil não prender Duda''
*** Fausto Macedo, O Estado de São Paulo
* ENQUANTO ISSO...
*** Comentando a Notícia
* Kofi Annan alerta Brasil por seu novo papel
*** Jornal do Brasil
* Oposição: Ahmadinejad está na Bolívia para conseguir urânio
***Portal Terra
* O fim da democracia Boliviana
*** Mary Anastasia O'Grady, site Ordem Livre, republicado Instituto Millenium
* Ahmadinejad e os direitos humanos
*** Denis Lerrer Rosenfield, Estadão
* Novo Castro, mesma Cuba
*** Estadão

Um figurino para o presidente

Adelson Elias Vasconcellos

Nos arquivos dos principais jornais brasileiros disponíveis na internet, vocês encontrarão tudo que precisam saber sobre o acordo firmado entre o presidente de fato, ou interino como queiram, Micheletti, e o golpista Zé Laya, que pretendia dar um chute na constituição de seu país para permanecer no poder hondurenho.

O acordo firmado e do qual o Brasil não participou, dada a parcialidade vergonhosa com que tentou interferir no confronto, as duas partes acordaram os seguintes pontos principais: a recondução de ZéLaya ao poder não seria fato consumado. Teria que ser submetida à análise da Suprema Corte daquele país e também ao Congresso. É bom que se diga que a Suprema Corte é independente e o Congresso foi eleito em eleições livres, diretas, sem brigas, sem fraudes, portanto, atendendo aos preceitos democráticos mais consagrados no mundo livre.

O acordo previa, também, que a avaliação tanto pelo Judiciário quanto pelo Legislativo hondurenho não era nem impositiva, isto é, não obrigava a aprovação da recondução do golpista ao poder, tampouco fixava prazo para que fosse feita.

Fixava-se a data de 29 de novembro próximo para a eleição livre e direta de um novo presidente, e para que elas pudessem se realizar sem dificuldades, se impunha a Micheletti que ele renunciasse a presidência pelo menos uma semana antes do pleito.

Tudo o que Micheletti ficou obrigado a cumprir, ele o fez.Mas, ZéLaya desde o dia seguinte à assinatura do acordo, tentou subverteê-lo. Num ridículo extremo, tenta insuflar parte do povo de seu país a boicotar as eleições, e pede que a comunidade internacional não reconheceram a legitimidade delas. Como quem costurou o acordo foi os Estados Unidos, os americanos não caíram na pantomima e não apenas não aceitam o adiamento como pretende ZéLaya com a conivência desastrada do Brasil, como também já disseram que reconheceram o resultado das eleições como legítimo seja ele qual for, desde que obtido dentro da normalidade. Ponto final. Fecha o pano.

Numa tentativa ainda mais ridícula, o Brasil tentou via OEA pressionar os Estados Unidos a aceitarem o adiamento do pleito em 15 dias. A resposta poderia ser uma só: NÃO. Não nenhuma razão para o adiamento e, ademais, o pedido brasileiro chegou tarde demais.

E lá temos na nossa embaixada, hospedado de forma circense, um visitante que se tornou um estorvo, e com o qual o Itamaraty não sabe o que fazer.

Este roteiro, mais para comédia pastelão (a cara do ZéLaya até se presta muito para tanto), do que para uma derrapada diplomática,  diz bem, não para os brasileiros sérios que se envergonham desta sessão de horrores com que o governo Lula e seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorin, conduzem a política externa brasileira de 2003 para cá (nunca esquecer do porre do Marco Aurélio Top-Top Garcia, quem é quem de fato reveste com suas cores esgarçadas a opção terceiro mundista deste desastre).

Lula, principalmente neste segundo mandato, tenta a qualquer custo, mesmo que abraçado ao ridículo, impor ao mundo digamos civilizado, uma liderança brasileira em todos os fóruns mundiais, da economia ao meio ambiente, passando pelo conflito judeus-palestinos e, até, como se vê, se intrometendo, de forma ilegal e indevida, em assuntos internos de países latino-americanos como é o caso presente de Honduras e, que, é bom lembrar, não foi o primeiro. Vocês por certo hão de recordar as desavenças com a Colômbia...

Pois bem, um líder, no Brasil, não se impõem à força, leva tempo, e isto falando de um país em que mais de 90% da sua população não tem acesso à informação, em que 60% desta mesma população nunca abriu um livro na sua vida. Ou seja, este exército de brasileiros, sem informação e sem leitura, se identifica com Lula. E, com as virtudes que ele tem (eu não seria tonto em negá-las, reconheço que as tem de fato), e com tal identificação de forte apelo popular, vejam vocês, ele precisou de cerca de 40 anos de militância sindical e política, para atingir o ápice político que hoje desfruta aqui dentro.

Talvez em alguns países africanos, sul-americanos, quiçá até lá pela Ásia, ele consiga seguir o mesmo roteiro para se tornar um líder em escala mundial. Diferente, quando na mesa de negociações ele precisa relacionar-se com pessoas com melhor formação intelectual, melhor preparo profissional, melhor educação, porque aí não basta esperteza, apenas. É preciso argumentar de forma razoável, com lógica, bom senso, e sempre calcado em alguns valores que Lula insiste em ignorar. Para efeito de política interna, ignorância pode até nem ser tão relevante.Mas dentre as nações mais desenvolvidas, Lula não pode ignorar qual o princípio que conduz a ação de cada um dos seu governantes. A prioridade número um deve centrar-se em governar para seus povos, depois o resto a gente vê. E isto, senhores, faz enorme diferença.

Não veremos os presidentes de França, Itália, ou a chanceler alemã, ou o primeiro ministro britânico, tomando decisões em favor de qualquer nação do mundo, se elas contrariarem os interesses de franceses, italianos, alemães, ingleses. Já nem falo dos Estados Unidos ! Não vinga porque todos eles foram eleitos em seu país para governar em benefício de seus povos. E é disto que se trata.

Exercer liderança em escala não se consegue apenas com sacadas espirituosas e razoável humor. Não se alcança liderança mundial apenas com discursos intempestivos, ou até desafiadores. O mundo civilizado conhece bem o roteiro que guia tais “carismáticos”. Sabe como termina este filme, as tragédias que ele produz, os milhares ou milhões de vítimas que protagonizam.

Faz cerca de dois anos que escrevi que se Lula não mudasse suas atitudes e sentimento bestalóide de um antiamericanismo estúpido, cedo ou tarde, ele escorregaria numa destas ações sem sentido tomadas em seu governo, eque serviriam para alertar o mundo civilizado de quem se tratava o verdadeiro Lula. Esta reverência toda que os governantes do mundo inteiro lhe devotam era uma ilusão que acabaria por envaidecê-lo e, como sempre ocorre quando a vaidade excede o limite extremo da razão, quem por ela se deixa vitimar, acaba cegando seu próprio senso de raciocínio, de lógica, de oportunidade.

A mesma reverência da qual se envaidece Lula se envaidece tanto, já foram expedidas para os generais ditadores brasileiros, para Sarney, Collor, FHC, e todos os demais que vieram antes deles.

A reverência é um sinal de respeito não à figura de Lula, mas à instituição que ele representa, e ao Brasil, em especial. Acreditem, o mundo consagra um olhar de carinho, simpatia e admiração ao nosso país, às suas riquezas, às suas belezas naturais e à irreverência de seu povo. Lula deveria saber disso, ou, pelo menos, avisado de que é assim, porque ... é assim.

Na medida em que se permite sentar à mesa de negociações para confraternizar-se com ditadores, caudilhos, carrascos humanos, abraçando inclusive suas causas que assombram o mundo, na medida em aceita como irmão e amigo gente que financia o terrorismo mundial, ou com medíocres feito Chávez, Morales, Rafael Correa e os Zélayas da vida, ele está passando um recado aos verdadeiros líderes mundiais, a de que Lula não é uma pessoal confiável. O mundo o vê com reticências e alerta. E desta pantomima toda,  seja em Honduras, seja nesta “amizade” com Ahmadinejad, seja até com os terroristas palestinos, o saldo que fica depõem muito contra seus verdadeiros propósitos de se impor como um líder mundial. Claro que ninguém sairá por aí dando às costas para Lula, afinal seu último dia como presidente tem data e hora certas para terminar e, já no dia seguinte, a vida continua e o Brasil continuará existindo também, como sempre.

O poder, no mundo livre, é uma instituição, e, por ser assim, deve ser encarado como uma entidade impessoal. Quem tenta centrar na sua pessoa o poder pelo poder, ou tente tomá-lo para si, de forma egoísta, como se o poder propriedade sua fosse, corre o risco de entrar pelo lado errado da História.

Bom seria se Lula se desse conta desta verdade, se convencesse a si mesmo de que, o Brasil, depois ficará bem e melhor até, que sobreviverá e os que vierem depois dele, receberão a mesma reverência com que ele, Lula, hoje é tratado e recebido. O poder é uma instituição duradoura, permanente. As pessoas que nele adentram, são passageiras, temporárias, breves. Uma vez terminada esta passagem, esta brevidade, o poder ainda continuará lá, com seus atrativos, com sua volúpia, com seu fascínio, Já as pessoas que por ele passaram, não. Já serão meros registros, nomes apontados no lado da página. Tornar estes registros bons ou maus, dependerá do papel que cada um venha representar, das escolhas que fizer, para bem ou para o mal. Ou, para encerrar, é sempre válida a recordação da figura literária construída pelo saudoso Ibrahim Sued (não sei se é o autor original, mas foi quem popularizou a expressão entre nós), dos “cães ladram enquanto a caravana passa”. Nunca, como no caso de Lula, ela esteve tão apropriada... Que Lula saiba escolher,portanto, o figurino apropriado para cada momento que viver, na presidência ou fora dela. Cada momento exige roupagem diferente. Iludir-se tentando maior do que é,  é perder todo e qualquer senso de realidade.  Neste caso,o despertar pode ser mais doloroso do que ele imagina.

Por favor, Tarso Genro: fique quieto e vá prá casa!

Adelson Elias Vasconcellos

Adoraria não precisar mais falar deste cidadão. Mas, infelizmente, sua patética atuação à frente do Ministério da Justiça, e especialmente, a maneira destrambelhada com que vem se portando sobre o caso do assassino italiano, Cesare Battisti, não pode ser simplesmente ignorada.

Reparem: apesar do CONARE, órgão de sua pasta, a quem cabe julgar pedidos de extradição recebidos pelo governo federal, ter emitido parecer favorável à extradição por não encontrar no processo nada de irregular, Genro se intrometeu e se atravessou de forma destemperada, para emitir um papelório ridículo, se colocando na posição de inquisidor do Poder Judiciário italiano, nação soberana e democrática, para ver onde só ele sabe onde,motivos para a concessão de refúgio político para o ativista.

Pois bem: conforme determina a Constituição brasileira e o Estatuto do Estrangeiro,o caso foi parar no STF onde o caso ganhou uma notoriedade impressionante. E pela simples razão de que se trata de um esquerdista. Fosse um joão qualquer,ninguém daria importância.

Processo montado, partes ouvidas e, o STF, concluiu que o italiano não cometera crimes políticos coisa nenhuma, era um assassino que praticara quatro homicídios, crimes comuns,portanto, que fora condenado em duas ocasiões pela Justiça italiana, lhe sendo concedido amplo direito de defesa, tendo sido condenado a prisão perpétua e, antes de iniciar a cumprir a sua pena, fugiu para a França sob o abrigo do presidente de esquerda francesa, François Miterrand, permancendo ali por 11 anos. Com a saída de Mitterand, o guarda chuva se fechou, e mesmo apelando à justiça francesa em duas ocasiões e a Comissão de Direitos Humanaos da Comunidade Europeía, seus recursos não foram acolhidos. Sob pena de ser preso na França e extraditado para a Itália, fugiu para o Brasil. Examinado todo o seu histórico, o STF concluiu pela regularidade da extradição, deixando claro que os crimes não estavam presciritos e que,portanto, deveria ser devolvido para a Itália. A concessão do refúgio, em consequência, lhe foi cassada.

No perde e ganha político, diante da manifestação do Supremo Tribunal Federal, Genro deveria aceitar a decisão e ficar quieto, já que o assunto fugira de sua alçada, e competeria ao presidente dar a última palavra.

Mas não: Genro achando que tinha dito pouca m..., achou que cabia espaço para mais tolices, e saiu atirando agressões à Itália, ao seu Poder Judiciário, a própria Corte Suprema brasileira, e a tudo que encontrou pela frente e que porventura houvesse discordade de sua opinião. O dono supremo da verdade era ele, Genro não admite por menos.

Começou com a sandice, própria de um desmiolado, tentando emplacar algo como que a posição final do Supremo não fora contrária a sua, já que ele sempre defendeu que o juízo teria de ser do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ora, então por que a concessão do refúgio?

Não satisfeito, conseguiu confundir a si próprio com esta declaração que representa o supra sumo da imbecilidade. Vejam:

- O Supremo resolveu analisar o despacho, mesmo contra a lei, porque ela é absolutamente clara - dizendo que o despacho do ministro interromperia o processo de extradição. O STF tem o direito de fazer essa análise porque é o órgão supremo que faz a interpretação das normas. Na minha opinião, interpretou de maneira equivocada. Mas tem o direito de fazer e a posição tem de ser respeitada.

Começa dizendo que o STF não poderia analisar o seu despacho por contrariar a lei, mas depois reconhece que “...O STF tem o direito de fazer essa análise porque é o órgão supremo que faz a interpretação das normas”. Então, tá...

Nesta mesma entrevista, vendo não vingar sua coleção de asneiras, concluiu com “Por enquanto isso não é mais uma questão nossa (dele).”

Mas, sendo Tarso quem é, no dia seguinte sempre se pode produzir mais asneiras do que no anterior. E não deixou por menos. Enquanto as autoridades italianas ficavam cumprimentando nossa corte suprema pela decisão quanto à extradição, e depositavam confiança em que Lula acolheria o pedido do governo italiano, o patético Genro achou que era hora de por lenha no braseiro, para reatar a fogueira. Sem a menor necessidade ou motivação, saiu dando uma bofetada nos partidos políticos, nos governantes e autoridades daquele país, e na própria opinião pública italiana.

Mandou ver. Disse que setores da sociedade e do governo da Itália reclamavam o retorno de Battisti porque sofrem “influências fascistas”.

Santo Deus, não dava para Genro ter ficado de boca fechada? Ninguém reclama Battisti naquele país para praticar um linchamento. País sério quer ver seus criminosos, principalmente os que já foram condenados pela Justiça, presos e cumprindo as penas que lhes foram computadas, ora bolas ! Além disso, o ativismo político praticado pelas esquerdas italianas nos anos 70, incendiaram aquele país, trouxeram tragédias inúmeras para centenas de famílias, morreram inocentes, o país viveu um verdadeiro inferno graças a ativistas como Battisti. Preso, ninguém o perseguiu e tampouco lhe negaram o devido processo legal para defender-se dos crimes a ele imputados. E, segundo as leis italianas, que Genro teima em ignorar, os assassinatos lá são considerados crimes COMUNS.

Genro sequer tem competência para conhecer a Constituição de seu próprio país, então, com que direito se arvora em querer julgar o Poder Judiciário italiano que, mesmo naqueles anos de inferno, jamais abdicou de sua plenitude democrática! A constituição italiana data de 1948, senhor Genro!!!

Assim, no plano das ofensas, quem ofendeu a quem? Quem se colocou na posição de inquisidor para interferir nas leis de um país soberano? Quem se achou no direito de desqualificar o Poder Judiciário, regido por leis absolutamente democráticas? Quem agrediu e ofendeu a opinião pública italiana? Quem ? Por certo não foram eles, e isto as próprias palavras de Genro são o maior testemunho.

Até aqui no Brasil, o senhor ministro justiça foi criticado e represeendido. Basta reler os comentários de alguns parlamentares brasileiros.

. Líder do DEM, José Agripino (RN), disse:

O governo italiano vai entender essa declaração como um insulto a sua realidade. O fascismo foi varrido da Itália há muito tempo...”

“...O ministro não deveria ter insultado a Itália com esta pejorativa declaração”.

Pedro Simon, do PMDB
 :
O ministro perdeu uma boa oportunidade de ficar calado. Ele pode achar que Battisti deve ficar no Brasil, mas...”

Mas ...”o presidente tem que tomar a atitude correta e extraditá-lo, como determinou o STF”.

Portanto, fica demonstrado que, em momento algum a Itália agrediu verbalmente o Brasil, ou ofendeu a figura de seu presidente, ou ofendeu a honra e a dignidade do nosso Poder Judiciário. Sempre quem tomou a iniciativa de fazê-lo foi o senhor Tarso Genro. Quanto a isto não resta a menor sombra de dúvida.

Sempre que se referiu à Itália, Genro não perdeu a oportunidade infeliz de desferir uma agressão, fosse para autoridades daqueles país, para seus parlamentares e até para o Poder Judiciário. Eo fez antes, durante e depois da decisão final do STF.

Tendo sua tese de refúgio sido colocada devidamente no lixo, que é seu verdadeiro lugar, com o processo colocado, como manda a lei, em outra esfera de decoisão, nem por isso Genro sossegou. Não bastava o mau cheiro de suas afirmações estapafúrdias. Ele precisava produzir mais, porque é do tipo de pessoa para quem uma asneira por dia é pouco, ele precisava produzi-las por atacado.

E, antes de declarar que “...Nosso papel já terminou nesse processo...”, achou que a m. que houvera verbalizado ainda era pouca, e lascou outra canelada no bom senso:

“... (Battisti) pode apresentar "novos fundamentos" para um eventual segundo pedido de refúgio político no Brasil.

Segundo refúgio político por conta do que, ministro?

Eis a pérola de sua “justificativa” deprimente:

“...Nosso papel nesse processo já terminou, a não ser que o advogado dele (Battisti), em face dos últimos acontecimentos, das últimas manifestações de alguns ministros italianos, comprovando, inclusive, que o caso é político, e que uma parte do governo italiano tem interesse especial em tê-lo em seu território, queira fazer um outro pedido de refúgio com novos fundamentos. Aí volta para o Ministério da Justiça.”

Não sei que tipo de água Genro anda tomando, mas alguém está misturando alguma coisa estranha para que o “ministro” continue tão desequilibrado a ponto de proferir uma sandice desta grandeza. Não é possível, diante de todos os fatos, reunidas todas as declarações dadas pela Itália e pelo Brasil, identificar onde o senhor Genro consegue identificar algum desejo oculto por parte dos italianos em promover uma perseguição política à Battisti. Santos Deus, será que Genro não consegue ver que o italiano é fugitivo da justiça italiana? O que eles querem, é o mesmo que o próprio Genro quis em relação ao Cacciola: que o cara pague pelos crimes que cometeu em seu próprio país.

E nem aduiaianta a idiotia de Genro tentar alegar que Battisti não será extraditado para Itália, porque esta não quis extraditar Cacciola! Sequer, mesmo que quisesse, os italianos poderiam fazer este gesto de boa vontade, pela simplória razão de que a Constituição, que é 1948, tanto quanto todas as demais constituições do mundo, VEDAM a extradição de seus cidadãos para outros países. No Brasil, a lei é a mesma. Ou Genro queria o quê, que a Itália simplesmente ignorasse suas próprias leis? Se aqui no Brasil, praticamos tal imoralidade, problema nosso. Mas nãopodemos alegar nossa estupidez como justificativa para impor a mesma estupidez para gente séria que respeita as leis.

Assim, mesmo que Genro fique insuflando a defesa de Battisti a seguir uma estratégia que lhe beneficie, o que por si só é imoral, e partindo de um ministro de estado é ilegal, (ou não é?), não há no comportamento da Justiça e Governo Italianos nenhum indicativo de perseguição política. Para os italianos o caso de Battisti é caso de polícia, pura e simplesmente.

Já para o senhor Genro, diante de tanta impostura, estupidez e mediocridade, com  afirmações  próprias de um idiota, o caso é de hospício. A menos que ele nos faça um favor, que o bom senso manda: CALE A BOCA E VÁ PRÁ CASA !

A trinca que apostou na crise está a poucas milhas do naufrágio

Augusto Nunes, Veja online

“Cada povo decide a democracia que quer ter e ele foi legitimado pela eleição”, recitou Lula outra vez, sempre para justificar o noivado indecoroso com Mahmoud Ahmadinejad. O que vale para o Irã dos aiatolás e seu capataz não vale para Honduras nem se estende ao vencedor das eleições presidenciais do dia 29. O governante que topa qualquer negócio com qualquer abjeção continua a produzir explicações malandras para recusar-se a validar uma escolha limpa, livre e decidida pelo voto popular.

Honduras só terá de volta a amizade do Brasil e a vaga na OEA se, quando domingo chegar, Lula telefonar para o palácio em Tegucigalpa e ouvir, do outro lado da linha, a voz do companheiro Manuel Zelaya. O governo só quer conversa com o chapéu amigo, endossou Marco Aurélio Garcia. Excitado com os preparativos para a recepção ao parceiro iraniano, já escolhendo a gravata que não combinaria com o terno mal cortado, o conselheiro para complicações cucarachas reiterou que quem deve escolher o chefe de governo hondurenho é o Brasil. ”Não consideramos legítima a votação”, advertiu. ”Não vamos dar um atestado de bons antecedentes aos golpistas”.

Informado de que o presidente interino Roberto Micheletti resolvera afastar-se do cargo na semana da eleição, o chanceler Celso Amorim por pouco não sucumbiu a outro chilique. “Ele não pode sair de onde não poderia estar”, desdenhou. ”Isso para mim soa quase que como… enfim, não vou dar palpite nos assuntos dos outros agora”. Por ter apostado na crise muito mais do que tinha, resta à trinca agarrar-se à esperança esfumaçada. E fazer de conta que diplomacia rima com teimosia também na linguagem da política externa.

“O presidente Lula, seu infeliz chanceler Amorim e o nefasto Marco Aurelio Garcia são claramente parte do problema e não parte de sua solução”, constatou o senador americano Richard Lugar. ”Esses três brasileiros deveriam preocupar-se com a violação da Carta Democrática da OEA por Hugo Chávez em vez de caminhar contra o óbvio desejo de milhões de hondurenhos”. E da multidão de candidatos, confirmou o mais recente dos incontáveis fiascos protagonizados pelo presidente sem país a presidir.

Hospedado há mais de dois meses na embaixada que rebatizou de ”escritório político do presidente da República”, Zelaya divulgou um manifesto ordenando aos aliados, devotos e simpatizantes que boicotassem a campanha eleitoral e a votação. Os hondurenhos preferiram comparecer aos comícios. Dos mais de 13.500 candidatos, só 31 desistiram da disputa. Como o boicote teve o apoio militante também de Lula, Amorim, Garcia e da primeira-dama Xiomara, o mundo descobriu que o rebanho que só topa ser conduzido por Zelaya junta no momento 35 cabeças.

O reconhecimento antecipado do novo governo de Honduras pelos Estados Unidos e pela União Europeia colocou na rota do naufrágio o plano concebido para consolidar a liderança internacional do Brasil. Lula achou que, resolvida a crise, a vaga no Conselho de Segurança da ONU ficaria ao alcance da mão. Ficou com um Zelaya no colo.

Quem é o ‘Filho do Brasil’

Diogo Mainardi, Revista Veja

“O chefe da propaganda de Benito Mussolini era seu genro, Galeazzo Ciano. Lula, por sua vez,tem de se arranjar com Franklin Martins”

Luiz Carlos Barreto, o Filho do Brasil.” Ele, Luiz Carlos Barreto, é um personagem um tantinho menos oco do que aquele outro, canonizado em sua última obra, Lula, o Filho do Brasil. Quem é Lula? Eu o resumiria numa única linha: um retirante maroto que sonha em se transformar em José Sarney. Ele é Vidas Secas sem Graciliano Ramos. Ele é Antônio Conselheiro sem Euclides da Cunha. Ele é, citando outra patetice sertaneja produzida por Luiz Carlos Barreto, quarenta anos atrás – os filhos do Brasil repetem-se tediosamente de quarenta em quarenta anos –, o cangaceiro Coirana, sem Antônio das Mortes.

Quem já assistiu a um cinejornal do “Istituto Luce” sabe perfeitamente o que esperar de Lula, o Filho do Brasil. Benito Mussolini, em Roma, conclamando as massas, é igual a Lula, no ABC, imitando Bussunda. O chefe da propaganda de Benito Mussolini era seu genro, Galeazzo Ciano. Lula, por sua vez, tem de se arranjar com Franklin Martins, coordenador do MinCulPop lulista. Mas o fato é que, a cada dia mais, o “filho de Dona Lindu” macaqueia o “filho do ferreiro de Predappio” – só que num cenário mais indigente e embolorado.

Se o crack de 1929 consolidou aquilo que Benito Mussolini chamou de “estado empreendedor”, o crack de 2008 fez o mesmo com Lula. A economia fascista tinha IMI e IRI, bancos públicos que forneciam crédito à indústria italiana, privilegiando os aliados do regime. A economia lulista tem Banco do Brasil e BNDES, que desempenham um papel semelhante. Benito Mussolini era celebrado na propaganda oficial por ter “restringido as desigualdades sociais”. Lula? Também. Os triunfos italianos nas Copas do Mundo de 1934 e 1938 foram creditados ao Duce, que compareceu aos jogos finais, assim como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 foram creditadas a Lula. Recentemente, Lula arrumou até seu próprio ditador antissemita, que promete repetir o holocausto: o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, recebido com pompa na capital do lulismo. Os “anos do consenso” de Benito Mussolini duraram de 1929 a 1936. Quanto podem durar os de Lula?

Luiz Carlos Barreto, em 1966, produziu um curta-metragem de propaganda para José Sarney. O curta-metragem foi dirigido por um conhecido marqueteiro: Glauber Rocha. Desde aquele tempo, Luiz Carlos Barreto, “o Filho do Brasil”, é quem melhor sintetiza o caráter nacional. Durante a ditadura militar, ele tomou conta da Embrafilme. No período de Fernando Henrique Cardoso, ele fez propaganda para a Embratur e para o BNDES. Quando o lulismo foi desmascarado, em 2006, ele disse: “O mensalão não era mensalão. Era uma anuidade. Faz parte da ética política. E a ética política é elástica”. A ética cinematográfica é igualmente elástica. E, no caso de Luiz Carlos Barreto, é uma anuidade.

Luiz Carlos Barreto, homenageado no Senado por Roseana Sarney, que o chamou de “grandalhão dócil e amável do cinema brasileiro”, agora planeja filmar o romance Saraminda, de José Sarney. É dessa maneira que Lula passará para a história: como uma mera anuidade no intervalo entre o José Sarney de 1966 e o José Sarney de 2010.

Limites éticos

O Globo, Editorial

Afrontas à lei não se tornam aceitáveis em função do momento em que são praticadas. O presidente Lula praticamente não desceu do palanque no segundo mandato, mas é agora, à medida que se aproxima do calendário eleitoral de 2010, que o descaso do Planalto com as regras de regulação de campanhas políticas fica mais gritante.

Até porque, como hoje há um candidato oficial definido pelo método mexicano do “dedazo” presidencial, à espera apenas da unção pelo PT, o atropelamento dos prazos legais pela movimentação da ministra Dilma Rousseff não é mais questão de interpretação, mas um fato indiscutível.

Tanto quanto isso é inaceitável que a indicada de Lula para disputar a ocupação do gabinete dele a partir de 1º de janeiro de 2011 já esteja em campanha e continue em cargo público, custeado pelo contribuinte.

Além das normas e regulamentos, há limites éticos comezinhos que deveriam levar o Palácio a pensar duas vezes antes de usar de maneira desabrida o Erário para viabilizar a candidatura de Dilma.

Não há, porém, indícios de qualquer consciência pesada no Planalto, nem no PT. O próprio Lula já analisa sem rodeios a provável conjuntura político-eleitoral dos estados no ano que vem sem preocupação em sequer dissimular que a ministra já é a candidata chapa-branca.

Pelo contrário: leva-a a tiracolo em viagens ao exterior e decidiu escalá-la como chefe da delegação brasileira ao encontro de Copenhague sobre meio ambiente, assunto reconhecidamente fora da agenda de preocupações da ministra-chefe da Casa Civil, notabilizada por seu viés pró-desenvolvimento a qualquer custo — inclusive os ambientais.

Por distorções da política brasileira, Copenhague virou mais um palanque para o projeto lulista de 2010. Esses desvios não são de hoje. Há 50 anos, o jornal, na edição de 8 de outubro de 1959, analisava o fato de Lott, candidato à sucessão de JK, manter-se no governo:

“Mais de uma vez tem O GLOBO estranhado que o marechal Teixeira Lott ainda se conserve à frente da Pasta da Guerra, e que sua sensibilidade pessoal e cívica não lhe denuncie a impossibilidade moral de acumular o cargo de ministro com sua candidatura à sucessão de Sr. Juscelino Kubitschek.”

Ontem quanto hoje, a candidatura cumpria os prazos legais de desincompatibilização — no caso atual, em abril do ano que vem —, mas atropelava a ética de forma irredutível. Um dos problemas dos usos e costumes da vida político-partidária brasileira é nela a história se repetir, e não como farsa.

Crescendo e comendo

Carlos Alberto Sardenberg, Estadão

Nove milhões de pessoas voltarão à condição de pobreza em 2009, na América Latina, em consequência da crise financeira - tal é a conclusão de um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) divulgado na semana passada. É um desastre, sobretudo porque a pobreza atinge mais as crianças e as mulheres.

Mas a mesma Cepal se apressa a dizer que este início de século não é uma década perdida. Ocorre que a América Latina também surfou na onda de crescimento global e obteve um resultado extraordinário: entre 2002 e 2008, nada menos que 41 milhões de pessoas deixaram a pobreza. Para a Cepal, isso foi consequência de quatro fatores: o crescimento econômico mais acelerado; o bônus demográfico (redução da natalidade); mais gasto social; e programas de distribuição de renda.

É difícil saber qual o peso de cada fator, mas arrisco dizer que o crescimento é o essencial. Reparem: na crise, todos os outros três fatores permaneceram em cena, em alguns lugares com elevação dos gastos sociais. O que falta é a expansão econômica.

Esse ciclo aconteceu no mundo todo. O PIB per capita cresceu de maneira acelerada, de modo que nada menos que 500 milhões de pessoas deixaram a pobreza nos últimos 20 anos de globalização. A América Latina, portanto, contribuiu com quase 10% desse resultado. A maior contribuição global foi dos asiáticos em geral, da China em especial. De fato, os asiáticos têm conseguido um ritmo de crescimento superior ao dos melhores latino-americanos. Lá, o PIB cresce mais perto dos 10% ao ano. Deste lado, num ano bom, dá 7%. A diferença crucial está no nível de poupança e investimento. Enquanto aqui mal chegamos aos 20% do PIB, nos dois quesitos os asiáticos em geral passam dos 30% e a China, em especial, chega a poupar quase 50% do PIB.

É verdade que todo mundo está dizendo aos chineses que está na hora de eles consumirem mais. Mas seria uma conclusão estúpida dizer que nós, da América Latina, estávamos certos. O problema aqui, especialmente no Brasil, é gastar muito antes de ficar rico.

O milagre do agronegócio - Também deu no noticiário da semana passada: um estudo do Ministério da Saúde mostrou que os brasileiros estão maiores e mais gordos. A subnutrição despencou. Ou seja, não somos famintos, estamos gordos.

Com a notícia, vieram as explicações habituais sobre os maus hábitos alimentares - e que são insuficientes. O fato básico é o seguinte: estamos comendo mais e devemos isso ao agronegócio. A tendência é global. Tem que ver com crescimento econômico e, muito especialmente, com o barateamento dos preços de alimentos.

Em meados da década de 70, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) assustava o mundo com teses segundo as quais o mundo estava entrando numa fase de fome e guerras por comida. Isso porque, dizia-se, a produção de alimentos não dava conta do aumento da população.

Pois aconteceu o contrário: graças à tecnologia (transgenia, biogenética, melhoramento das espécies, fertilizantes, controle da terra, etc.) a produção de alimentos aumentou várias vezes, com ganhos de produtividade. Mas essa potencialidade não teria sido realizada se não houvesse um mercado internacional mais ou menos livre e com tarifas menores para garantir a distribuição e o consumo.

O Brasil esteve na ponta desse processo. Nos anos 70, por exemplo, não tinha soja no Centro-Oeste. Alguns diziam que era impossível plantar ali. Mas novas variedades de plantas e novas técnicas ampliaram a fronteira agrícola. Idem para o boi. Antes, levava-se mais de ano para engordar o boi. Hoje, com poucos meses já está no abatedouro.

Há 40 anos, o Barão de Itararé saiu com esta: quando pobre come frango, um dos dois está doente. O frango era o prato especial do almoço de domingo. Hoje é uma espécie de "commodity" da alimentação popular.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) teve papel crucial nessa história brasileira, apoiada por investimentos e pesquisas de companhias agrícolas e dos produtores brasileiros que se espalharam pelo País. Houve, assim, a combinação correta: mercado, investimentos, tecnologia, ganhos de produtividade, mais alimentos e preços menores. E ocorreu que esses alimentos industrializados que ficaram mais baratos são mais gostosos e mais calóricos. Um trabalhador come uma salada e é como se tivesse tomado um copo de água. Um baita hambúrguer sai mais barato e alimenta mais.

Sim, o pessoal engordou, mas não se deve tirar daí a conclusão estúpida de que se deve dificultar a vida dos produtores desses alimentos. E muita gente, inclusive no atual governo, se dedica a isso: atrapalhar o agronegócio.

Sim, devemos comer mais saladas e mais peixe, mas para isso é preciso aumentar a produção e baratear o preço. Quem sabe estimular a invenção de tomates e alfaces transgênicos e a instalação de fazendas de peixe.

Cuidado com o prefeito - As ruas do Brás, no centro de São Paulo, estavam uma porcaria. Os lojistas da região juntaram R$ 300 mil e gastaram tudo em melhorias urbanas. Claro que tiveram de pedir autorização para a Prefeitura e superar as inúmeras barreiras burocráticas postas pelos funcionários. Mas praças e ruas ficaram arrumadas, limpas e bonitas. Todos os imóveis da região, claro, se valorizaram. Um prêmio pelo investimento feito. Aí vem o prefeito Kassab e diz: esse prêmio é meu. E decreta: valorizou o imóvel, tem de pagar mais imposto para a Prefeitura.

Portanto, caro leitor, cara leitora, cuidado: não arrumem a calçada, não limpem as ruas, não cuidem das árvores e jardins públicos, não pintem a fachada dos prédios e, sobretudo, nem pensem em fazer reformas urbanas. O prefeito está de olho e vai tomar uma grana se a sua rua ficar muito boa.

A bomba da paz

Guilherme Fiúza, Revista Época

Depois de fazer, sorridente, um chamego no braço ensangüentado de Mahmoud Ahmadinejad, Luiz Inácio da Silva defendeu o programa nuclear iraniano. Para fins pacíficos, claro.

Lula avisou ao mundo que, por ele, o tarado atômico pode ter quanto urânio, plutônio e substâncias radioativas quiser em seu quintal. Só faltou dizer: “Mas não vai brincar de bomba, hein, menino?”

A única coisa chata nesse assunto é que o Irã não deixa, nem vai deixar ninguém ver de que exatamente está brincando em seu quintal. Mas Lula confia no país amigo.

O apoio oficial do Brasil ao programa nuclear iraniano pode ser o início de uma era na diplomacia. Não custa nada o presidente brasileiro apoiar também a venda de cocaína pelas Farc para fins pacíficos. E dar um voto de confiança à escalada militar da Coréia do Norte para fins pacíficos.

Os fuzileiros do tráfico de drogas no Brasil também poderiam ganhar um salvo conduto pacifista de Lula. Chega de implicar com essa gente boa.

Deu para sentir a boa índole de Mahmoud Ahmadinejad, especialmente quando afirmou candidamente, em solo brasileiro, que os Estados Unidos e Israel “não têm coragem” de atacar o Irã. Nota-se que o ditador obscurantista tem o pacifismo nas veias. Lula, o filho do Brasil, não tem com que se preocupar.

A doutrina do esquerdismo radioativo (para fins pacíficos) há de trazer bons frutos para o Brasil.

Daqui para frente, as confusões no Oriente Médio com a grife do maluco homofóbico têm a chancela do Itamaraty. É claro que, no primeiro míssil pirata que sair voando de lá, Amorim, Top Garcia e seus estrategistas vão querer dizer à ONU que não era bem isso o que o Brasil apoiava. O apoio brasileiro era ao Ahmadinejad do bem. Ah, bom.

O presidente do Irã veio dizer que o capitalismo acabou, para delírio dos revolucionários bolivarianos. Lula ainda acaba enterrando mais uns caraminguás do contribuinte numa edição do Fórum Social Mundial em Teerã.

Qual será o próximo passo da arrojada diplomacia do oprimido?

Vai uma dica: a campanha eleitoral nas Filipinas começou com duas dezenas de políticos e jornalistas decapitados pela milícia do estado de Maguindanao. O chefe do bando aguarda, ansiosamente, o convite do Itamaraty.

Visita indesejável

José Serra, Folha de São Paulo

É desconfortável recebermos no Brasil o chefe de um regime ditatorial e repressivo. Afinal, temos um passado recente de luta contra a ditadura e firmamos na Constituição de 1988 os ideais de democracia e direitos humanos. Uma coisa são relações diplomáticas com ditaduras, outra é hospedar em casa os seus chefes.

O presidente Ahmadinejad, do Irã, acaba de ser reconduzido ao poder por eleições notoriamente fraudulentas. A fraude foi tão ostensiva que dura até hoje no país a onda de revolta desencadeada. Passados vários meses, os participantes de protestos pacíficos são brutalizados por bandos fascistas que não hesitam em assassinar manifestantes indefesos, como a jovem estudante que se tornou símbolo mundial da resistência iraniana. Presos, torturados, sexualmente violentados nas prisões, os opositores são condenados, alguns à morte, em julgamentos monstros que lembram os processos estalinistas de Moscou.

Como reagiríamos se apenas um décimo disso estivesse ocorrendo no Paraguai ou, digamos, em Honduras, onde nos mostramos tão indignados ao condenar a destituição de um presidente? Enquanto em Tegucigalpa nos negamos a aceitar o mínimo contacto com o governo de fato, tem sentido receber de braços abertos o homem cujo ministro da Defesa é procurado pela Interpol devido ao atentado ao centro comunitário judaico em Buenos Aires, que causou em 1994 a morte de 85 pessoas?

A acusação nesse caso não provém dos americanos ou israelenses. Foi por iniciativa do governo argentino que o nome foi incluído na lista dos terroristas buscados pela Justiça. Se Brasília tem dúvidas, por que não pergunta à nossa amiga, a presidente Cristina Kirchner?

Democracia e direitos humanos são indivisíveis e devem ser defendidos em qualquer parte do mundo. É incoerente proceder como se esses valores perdessem importância na razão direta do afastamento geográfico. Tampouco é admissível honrar os que deram a vida para combater a ditadura no Brasil, na Argentina, no Chile e confratenizar-se com os que torturam e condenam à morte os opositores no Irã. Com que autoridade festejaremos em março de 2010 os 25 anos do fim da ditadura e do início da Nova República?

O extremismo e o gosto de provocação em Ahmadinejad o converteram no mais tristemente célebre negador do Holocausto, o diabólico extermínio de milhões de seres humanos, crianças, mulheres, velhos, apenas por serem judeus. Outros milhares foram massacrados por serem ciganos, homossexuais e pessoas com deficiência. O Brasil se orgulha de ter recebido muitos dos sobreviventes desse crime abominável, que não pode ser esquecido nem perdoado, quanto menos negado. O mesmo país que tentou oferecer um pouco de segurança e consolo a vítimas como Stefan Zweig e Anatol Rosenfeld agora estende honras a alguém que usa seu cargo para banalizar o mal absoluto?

As contradições não param por aí. O Brasil aceitou o Tratado de Não Proliferação Nuclear e, juntamente com a Argentina, firmou com a Agência Internacional de Energia Atômica um acordo de salvaguardas que abre nossas instalações nucleares ao escrutínio da ONU. Consolidou com isso suas credenciais de aspirante responsável ao Conselho de Segurança e expoente no mundo de uma cultura de paz ininterrupta há quase 140 anos com todos os vizinhos. Por que depreciar esse patrimônio para abraçar o chefe de um governo contra o qual o Conselho de Segurança cansou de aprovar resoluções não acatadas, exortando-o a deter suas atividades de proliferação?

Enfim, trata-se da indesejável visita de um símbolo da negação de tudo o que explica a projeção do Brasil no mundo. Essa projeção provém não das ameaças de bombas ou da coação econômica, que não praticamos, mas do exemplo de pacifismo e moderação, dos valores de democracia, direitos humanos e tolerância encarnados em nossa Constituição como a mais autêntica expressão da maneira de ser do povo brasileiro.

O vergonhoso uso da máquina do Estado

Adelson Elias Vasconcellos

A notícia que segue abaixo, talvez alguns já a tenham lido. Mas não podemos deixá-la passar sem comentar alguns aspectos que entendemos relevantes.

Lendo a notícia, por alguma razão que até desconheço, me veio à lembrança um famoso caso de uso do dinheiro público para propaganda do PT. Vocês estão recordados do famoso caso das cartilhas? Não? Vamos ajudar com um pequeno resumo dos fatos.

O escândalo estourou em setembro de 2006. Na época, precisamente em 11.09.06, editamos um artigo com o título UMA CARTILHA MUITO SUSPEITA... do qual extraímos este trecho:

(...) “o TCU notou que faltava à Secretaria de Comunicação (Secom), aquela então comandada por Luiz Gushiken, comprovar ao menos R$ 11 milhões dos gastos anunciados. Havia suspeita de superfaturamento em serviço. Descobriu-se coisa pior. O governo mandou imprimir 5 milhões cartilhas sobre as maravilhas do governo Lula. Não havia prova da entrega de pelo 2 milhões delas, totalizando aquele dinheiro. A Secom, muito decente, provou que não era um caso de superfaturamento. É que o material foi parar diretamente nas mãos do PT, o que o partido admite. Ou seja, o governo encomendou o material, pago com dinheiro do contribuinte, e entregou para o partido começar a fazer campanha. O que os petistas dizem? Que fizeram isso para economizar dinheiro público; assim, dizem, poupou-se o custo da distribuição. O escândalo parou aí? Não. Agora ele se volta para o próprio TCU, mais especificamente para um de seus ministros numa ação mais do que suspeita de, primeiro de tentar trancar a investigação, segundo, de tentar "aliviar" o relatório e, terceiro, de impedir sua divulgação.”(...)
 
(...) “ Até seria um escândalo a mais na cota do PT enlameado até o pescoço em 45 meses de gestão fraudulenta. Mas sobram dúvidas: como dissemos a quantidade de cartilhas mandadas imprimir é absurda. Depois, por que apenas o PT se encarregou de distribuí-las, e se deixou de fora os partidos de sua coligação. Terceiro, se dois milhões poupavam custos, 5 milhões não poupariam muito mais ? Por último: mesmo que as cartilhas existam, por certo o serão em muito menor quantidade. Neste caso, temos um superfaturamento escandaloso. E o mais importante: onde foram parar os 11,0 milhões, executados sem prestação de contas e documentos comprobatórios de sua realização ? Deste modo, podemos ter aí caracterizado um escândalo pequeno (?) dando cobertura a um outro muito maior”(...).

Como se tratava de um escândalo protagonizado por gente do PT e do governo Lula, inexplicavelmente, a Polícia Federal, tão competente para promover espetáculo quando prende sonegadores da classe alta da sociedade, naquele caso tão simples, não chegou a nenhum resultado, assim como em tantos outros, como, por exemplo, o dossiê anti-Serra,que foi estourar naquele mesmo ano, e que até hoje,para a opinião pública, nada foi revelado. Ficou no meio do caminho.

Como quem descobriu foi o TCU que, no mesmo mês, havia detectado 89 obras federais irregulares, dá para vocês avaliarem as razões para as críticas de Lula em relação ao TCU, não é mesmo?... A briga é antiga. Para Lula, fiscalização boa é que aponta irregularidades nas obras dos outros governos. Não no dele.

Mas vamos lá. Hoje, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, senador Demóstene Torres (DEM-GO), ingressou, no Ministério Público, com uma representação contra o Ministério da Cultura e seu titular, Jucá Ferreira, por ter encontrado fortes indícios de que havia ou haveria emprego de dinheiro daquele ministério na confecção de um folder, com a identificação de quase uma centena de parlamentares, intitulado “Vota Cultura – Apóie o parlamentar do seu Estado que vota pela cultura”.

A foto com a capa do folder segue abaixo.



Isso é propaganda eleitoral antecipada feita com dinheiro público. Tem que processar todos que estão com nome no folder e Vossa Excelência, ministro, por improbidade administrativa”, disse.

O folder foi “descoberto” pelos senadores durante uma reunião conjunta de comissões do Senado com Juca.

Antes de debater o projeto que institui o Vale-Cultura, senadores da oposição se indignaram com o panfleto distribuído por assessores do ministério, o que gerou um bate boca entre eles e os governistas.

Como a peça é assinada pelo ministério da Cultura, Câmara dos Deputados, Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura e pelo Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, Juca disse que o responsável pela produção do material foi a Frente Parlamentar.

Alegou ainda que o ministério não colocou dinheiro na peça. Demóstenes rebateu o ministro:

Engraçado que aqui só tem propaganda do ministério da cultura. Frente parlamentar pagando para fazer? Há indícios muitos graves [de crime eleitoral], isso é um documento assinado pelo ministério”.

Após a discussão sobre o folder os senadores iniciaram a discussão sobre o Vale-cultura.

Pressionado e diante do escândalo que se avizinhava, Juca Ferreira não encontrou outro jeito senão confessar o “delito”.

Claro que, ao menos desta vez, talvez por não ser petista, o ministro não insistiu na teimosia, negando até o fim como fez o ex-ministro Gushiken. Como também não foi preciso a Polícia Federal entrar nas investigação, até porque, pelo histórico anterior, eles talvez chegassem à conclusão de que este é mais “um caso não resolvido”.

Contudo, logo se vê, com a campanha se aproximando, mais uma vez estamos assistindo ao vergonhoso uso da máquina do Estado em favor de campanhas eleitorais. É crime eleitoral? Sem dúvida, e como tal o TSE deve punir com rigor os responsáveis. Talvez até o faça, muito embora tenho razões de sobra para suspeitar que tudo acabe por isso mesmo...

E assim, de impunidade em impunidade, vamos criando uma cultura de que, para os governantes, lei alguma poderá limitar sua ganância de se manterem no poder.

Se pode até alegar, aliás, Lula é mestre nisto, que há cinqüenta anos também se fazia o mesmo. A diferença é que, tanto o Brasil quanto o mundo todo, progrediram muito neste período. Os crimes que lá atrás sequer se tomava conhecimento, hoje não se aceita mais que continuem sendo praticados e que não se puna os seus responsáveis. A sociedade não aceita mais tanta bandalheira política, deseja que, pelo menos numa campanha eleitoral, haja lisura de parte dos candidatos, bem como o comprometimento e transparência do governante no uso que faz do dinheiro público.

Vamos ver no que isto vai dar, mas uma coisa é certa: para a candidata de Lula à sua sucessão, não resta dúvida de que a campanha eleitoral já começou e disto já demos aqui inúmeras provas e demonstrações.

É triste ver que, em pleno século 21, com tanto avanço e progresso, a prática política no Brasil seja feita com o emprego de métodos e costumes medievais.

Será que, ao menos desta vez, poderemos esperar punição para algum safado? .

A confissão do ministro está na reportagem a seguir, de Gabriela Guerreiro, para a Folha Online.

Juca Ferreira admite que folder foi produzido pelo governo

O ministro Juca Ferreira (Cultura) admitiu nesta terça-feira que o governo federal foi responsável pela cartilha, distribuída no Congresso, com uma lista de projetos da pasta que tramitam no Legislativo. Depois de afirmar pela manhã que o governo não tinha investido "nenhum tostão" na produção da cartilha, o ministro enviou um comunicado ao Senado admitindo que o material foi produzido pelo ministério.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que vai encaminhar representação contra Ferreira à PGR (Procuradoria Geral da República) para que o ministro seja processado por improbidade administrativa.

"Ao invés do ministro zelar pela cultura, ele está fazendo propaganda antecipada dele e de um grupo de deputados que assinam a cartilha. Ele não pode vir ao Senado mentir, faltou com o respeito ao Senado", disse o senador.

Os tentáculos do estatismo se espalham

Adelson Elias Vasconcellos

Não é de hoje que estamos alertando para o perigoso estratagema do governo Lula de ampliar e alargar seus tentáculos sobre a atividade econômica. Ao invés, como seria correto, de agir como regulador e fiscalizador, o governo Lula deu para bancar um agente ativo, ampliando e ressuscitando estatais, por entender que o Estado, na sua visão, seja mais competente do que a iniciativa privada. Na verdade, e daí nosso alerta, sempre que países adotam esta interferência com maior presença na atividade econômica, é tendência que, com o passar do tempo, estas gigantes acabam desarmonizando a atividade, tornando-se ineficientes, gerando déficit monstruosos que o Tesouro é chamado a cobrir e, em conseqüência, acabam desequilibrando as contas públicas. Sem falar que tais empresas, por sua ineficiência endêmica, acabam tornando-se meros cabides de empregos para abrigar improdutivos afilhados de políticos inescrupulosos.

Já comprovei aqui, mas sempre vale repetir: já vimos este filme várias vezes e, sabemos que o fim é sempre o mesmo. O inchaço descabido do Estado, como se atualmente o estado brasileiro já não fosse paquidérmico o bastante para a sociedade, leva a um desequilíbrio fiscal terrível, e neste sentido, mesmo que lenta e imperceptivelmente, vai fornecendo campo para o retorno da inflação, praga da qual a muito custo nos livramos mas, ao que parece, a turma do Lula ainda não aprendeu a lição.

E talvez não tenha aprendido e volte a insistir em incorporar o mesmo figurino porque, de um lado, não foram eles que pagaram o preço político para exterminar a praga. E,por outro lado, por esta bomba relógio não irá estourar no colo dos iluminados.

Dentro desta linha cretina de governar, Lula agora sonha em ressuscitar para a estatal Telebrás, já agonizante na bacia das almas, e tão triste atuação enquanto esteve entre nós.

Enquanto atuou, como resultado de sua ineficiência, muitos brasileiros ainda lembrarão, telefone no Brasil era produto de luxo. As empresas o contabilizavam como ativos, e a obtenção de uma linha obrigava aos pretendentes uma via crucis dolorosa, quando não se precisava apelar para o mercado negro.

Privatizada contra toda a ação terrorista praticada pelo PT e seus aliados atrasados, o Brasil, que estava na rabeira no ranking de números de telefones por 1.000 habitantes, simplesmente se tornou o 5° país do mundo em números de telefones. Hoje, você adquire uma linha de celular no supermercado, e somando-se telefones e celulares, já temos mais de um telefone por habitante.

Quando Lula e seu Petê de atraso, de ignorância, de má fé, se debatem ainda hoje contra o programa de privatizações, de forma cafajeste, não tocam na a privatização da Telebrás, o quanto isto trouxe de benefícios para o povo brasileiro, não apenas pela socialização do uso de um meio de comunicação rápida e barata, mas em volume de investimentos, em tecnologia e geração de empregos e renda. Isto os malandros simplesmente sonegam quando atacam as privatizações.

Agora, chegado o momento de ampliar a banda larga que só se tornou possível entre nós graças a própria privatização da Telebrás no governo FHC, de novo, eles querem repetir a dose do atraso.

Ao invés de modernizar a agência reguladora das Telecomunicações para que essa fosse a gestora e fiscalizadora da atividade, criada especialmente para o exercício destas funções, ocupadas com profissionais técnicos competentes, os profetas do atraso querem criar ou melhor, recriar a Telebrás para, a exemplo do que já fizeram em outros órgãos e agências, aparelhar com a colocação dos sindicalistas incompetentes, irresponsáveis, desqualificados e vagabundos, paridos no sindicalismo marrom das centrais sindicais, verdadeiros centros e antros de sanguessugas e gigolôs dos trabalhadores do pais.

Ah, diriam alguns, mas se o povo quer assim, o que se pode fazer? Bem, aí é que está: o fato do povo querer esta politicalha, não significa que esteja certo. E tanto não está que, conforme informamos, 60% da população brasileira, o suficiente para eleger qualquer presidente, bom ou ruim , não importa, sequer abriu um livro na vida. Vivendo nas trevas da ignorância, sem a menor informação decente que o liberte, vocês acham que escolher a estatização da economia, novamente, é sinal de inteligência? De modo algum, certo? A verdade, senhores, é que o povo brasileiro, a maior parte ao menos, vive no inferno, mas não sabe disso, sequer tem consciência de que o outro mundo possível, é bem diferente daquele que as esquerdas idealizam: nele, o conhecimento, a informação, a moral e todos os seus valores de aprimoramento da raça humana, quando reunidos numa só embalagem, formam a chave da liberdade, a mesma liberdade que as esquerdas querem negar, sem confessarem,ée claro.

Assim, apesar da privatização ter nos colocado no topo da tecnologia, apesar de ter trazido progresso e bem estar para o Brasil, se os 60% de iletrados preferem escolher o inferno do atraso e as trevas da ignorância, a escolha é deles. E o preço a pagar também.

Portanto, vale repetir o final de um outro artigo feito sob o mesmo tema: continuísmo, no caso de elegerem um programa mentiroso, só existente no papel e iluminado pela propaganda, representa escolher jogar no lixo nossas conquistas e as luzes que a liberdade nos trouxe. Sendo assim, não estamos ainda preparados, suficientemente,para tê-la. Precisaremos recomeçar do ponto inicial, com a diferença que os grilhões do atraso e misséria moral nos prenderão sem prazo certo para reconquistar o tivemos e não soubemos preservar. O caminho que as esquerdas, Lula, PT e seus assemelhados nos oferecem é  de pura escuridão.

O estatismo redivivo, marquem bem, vai nos jogar de volta a um passado que desejaríamos vê-lo morto e enterrado, porque para esta gente, o preço que se paga para mantê-los no poder, é entregar a eles o direito deles escolherem  por nós, e eles jamais sacrificarão o poder alcançado em troca da nossa liberdade.

ENQUANTO ISSO...

Comentando a Notícia

Telebras é alternativa para ampliar acesso de banda larga
Laryssa Borges, Redação Terra

Como alternativa para ampliar o sistema de banda larga no Brasil, o governo voltou a discutir nesta terça-feira mecanismos que permitam a reativação da estatal Telebras como empresa para funcionar como gestora de uma rede de internet de alta velocidade alternativa à hoje controlada pela iniciativa privada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reuniu nesta tarde com oito ministros e com o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ronaldo Sardenberg, estuda como a empresa poderia incorporar os atuais 16 mil quilômetros de redes de fibras ópticas da Eletronet (empresa criada a partir da associação da americana AES e da Eletrobrás), possivelmente utilizando infovias (linhas digitais de tráfego de dados eletrônicos) de outras estatais, como a Petrobras e Furnas.

O Plano Nacional de Banda Larga, que deve ser instituído por decreto presidencial, não tem consenso dentro do governo e uma nova reunião deverá ser agendada para dentro de três semanas.

Preliminarmente, estão em análise dentro do governo possibilidades como a desoneração de aparelhos utilizados nos serviços de banda larga e um escalonamento da ampliação do uso de internet de alta velocidade com perspectivas específicas para 2010, 2012 e para a ampliação da rede de comunicação em 2014, durante a Copa do Mundo de futebol.

Nesta tarde, o Ministério das Comunicações chegou a anunciar que o ministro Hélio Costa apresentaria na reunião com Lula uma proposta com metas de ampliar, por exemplo, para 30 milhões o volume de acessos fixos individuais no Brasil e atingir até 2014 o patamar de 60 milhões de acessos banda larga móvel, entre terminais de voz e dados. As informações de Costa, no entanto, não foram externadas no encontro.

O assessor do presidente, César Alvarez, e a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, divulgaram ao governo as linhas gerais do plano de banda larga, mas o próprio presidente pediu mais detalhes sobre a proposta, como o valor necessário para a implementação do projeto e possíveis fontes de recurso.

Por ora, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, diz não haver decisão sobre um eventual papel do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nas discussões.


Enquanto isso...

Brasil tem o 5º maior número de telefones do mundo
O Globo

RIO - O Brasil tem o quinto maior número de linhas telefônicas do mundo, 4,4% do total de telefones fixos e móveis existentes no planeta, e é o primeiro no ranking da América Latina, de acordo com pesquisa da consultoria Everis, de negócios, tecnologia da informação e outsourcing, que engloba dados de 49 países.

Segundo o estudo, o Brasil encerrou o ano passado com 41,1 milhões telefones fixos e 150,6 milhões de celulares. São cerca de 191,8 milhões de linhas, quase a população do Brasil, atualmente em 192.082.193 de habitantes.

No ranking geral, o primeiro lugar é ocupado pela China, com 999,6 milhões de linhas telefônicas, seguido pelos Estados Unidos, com 421,8 milhões, Índia, com 384,8 milhões e Rússia, com 232,1 milhões. Já os últimos lugares são ocupados, em boa parte, por países latino-americanos, como Paraguai, com 6,2 milhões, Bolívia, com 5,5 milhões e Uruguai, com apenas 4,5 milhões de linhas telefônicas. Apesar dos baixos números apresentados, esses países estão entre os que apresentaram maior crescimento de linhas, respectivamente, 20,9%, 40,3% e 12,5%.

"A telefonia móvel está em rápida expansão em todo o mundo. Os menores ritmos de crescimento apresentados por alguns países são explicados pelo fato de já existir um elevado número de linhas", afirma em nota Teodoro López, vice-presidente da Everis Brasil.

"Além disso, aqui se observa uma relação inversa entre PIB e renda e o crescimento no número de linhas: os cinco países com maior crescimento em telefonia móvel no período 2004 - 2008 (Bangladesh, Vietnã, Nigéria, Índia e Quênia) estão entre os mais pobres analisados pelo estudo", acrescenta.

No final de 2008, havia mais de 3,212 bilhões de linhas telefônicas móveis no mundo, um aumento de 18,5% em relação ao ano interior. A China mais uma vez é o país com mais celulares, com 634 milhões, seguida da Índia (346,9 milhões), Estados Unidos (270,5 milhões) e Rússia (187,5 milhões). Entre os países latino-americanos, Uruguai, Peru e Colômbia foram os que tiveram maior expansão no período analisado, com crescimento médio anual de 55,5%, 50,4% e 41,2, respectivamente.

Quanto aos preços, a diferença entre fixo e móvel é de 25% no Braisl e na Colômbia. Além disso, em seis de cada 10 países pesquisados o custo do móvel supera esse patamar em relação ao fixo. O Equador é o caso mais extremo, com o celular custando 700% a mais do que o fixo, seguido por Venezuela, onde a linha móvel é 253% mais cara que a fixa, e Argentina, com 160%.

No entanto, a América Latina não tem apenas países com custo alto de telefonia móvel. No ranking de países das linhas móveis mais baratas, encontram-se Bolívia, com linhas móveis 74% mais baratas que as fixas, Chile e Peru com 50%, México com 33% e Paraguai, com linhas móveis com preços 21% mais atrativos que a telefonia convencional.


***** COMENTANDO A NOTICIA:
No próximo post,  comentaremos, em um artigo específico, as conseqüências deste estatismo redivivo. Mas é preciso deixar claro uma coisa: a privatização da Telebrás foi uma das maiores conquistas sociais que o povo brasileiro pode viver nos últimos anos. Quiçá do mundo.

A Telebrás foi uma holding que controlava várias prestadoras de serviços telefônicos que atuavam nas unidades federativas do Brasil e a primeira operadora de longa distância (Embratel). A empresa estatal foi criada em 1972 no auge do regime instituído pelo golpe de 1964. Sua incumbência foi centralizar as empresas de telecomunicações concessionárias de serviços públicos no Brasil. E, como toda a estatal, representou mais atrasos do que avanços e progresso ao país. Ao seu tempo, telefone aqui era artigo de luxo, e a obtenção de uma linha se tornava mais rápida se obtida no mercado negro, tendo alcançado cerca de dois mil dólares e até mais.

O Sistema Telebrás foi privatizado no dia 29 de julho de 1998, e pelo modelo adotado, a exploração do mercado passou a ser feita por inúmeras companhias, estabelecendo-se uma competição que nos levou a ser o 5° maior país em número de linhas no mundo. Hoje, você compra um telefone no supermecado enquanto faz a sua compra do mes. Em qualquer esquina há revendores autorizados, e os modelos oferecidos representam o que há de mais avançaçado em tecnologia. E nem é preciso dizer o quanto tanta tecnologia representou para o uso maciço da internet no país inteiro. E isto só nos foi possível graças justamente à demonizada privatização contra a qual Lula e os petistas se insurgirtam  num movimento de boicote colossal.

Da mesma forma, em todas outras privatizações, quem ganhou foram os brasileiros, porque foi a partir delas, ao lado de outras medidas, programas e realizações que o Brasil alcançou a modernidade e estabilidade econômica.

Voltar para trás representa dizer abraçar-se a um retrocesso que só nos levará ao atraso. Está na hora do brasileiro dizer aos seus governantes o que realmente desejam. E, dentre as principais exigências, por certo, não será jogar no lixo as nossas maiores conquistas. O brasileiro,no fundo, deseja manter-se livre. E, seguir a cantilena petista, por certo, não nos garantirá a manutenção desta liberdade, pelo contrário...

Marido de blogueira cubana é atacado em Havana

Agencia Estado

SÃO PAULO - Reinaldo Escobar, marido da blogueira cubana Yoani Sánchez, foi agredido à luz do dia anteontem numa esquina de Havana por um bando de simpatizantes do regime comunista enquanto aguardava a chegada de agentes de segurança com quem havia marcado um encontro pela internet.

Escobar, de 62 anos, havia proposto um "duelo verbal" com os policiais acusados de terem agredido Yoani quando ela se dirigia a um protesto, no último dia 6. Yoani, filóloga, criou o blog Geração Y no qual publica críticas ao governo.

Escobar contou ter convocado os supostos agressores da mulher em sua página da internet para um encontro no bairro Vedado - num local conhecido de concentração de ativistas da União de Jovens Comunistas, que costumam vender livros e realizar concertos ali. Ao chegar com dois amigos ao local, Escobar logo começou a ser hostilizado. Em seguida, foi cercado, xingado e agredido, mas não ficou ferido.

"Essa rua é de Fidel", gritavam os manifestantes. O regime cubano acusa Yoani e Escobar de serem ligados a grupos lobistas interessados em desestabilizar o regime.

''Teria sido mais fácil não prender Duda''

Fausto Macedo, O Estado de São .Paulo

Desabafo é do delegado que deteve marqueteiro do PT

Cinco anos depois de comandar a Operação Rudis, que culminou com a prisão em flagrante do publicitário Duda Mendonça em uma rinha de galo no Rio, o delegado da Polícia Federal Antonio Cardoso Rayol persegue outro alvo, a própria aposentadoria, mas não consegue. O motivo são processos administrativos disciplinares abertos contra ele porque, segundo diz, "atreveu-se a prender o marqueteiro que é amigo do presidente da República".

"Eu acho que me aborreci mais do que ele (Duda)", declara Rayol, 32 anos de carreira. "Teria sido mais fácil para mim não prendê-lo. Depois de tantos anos é como se eu tivesse sido condenado." Para ele, os delegados que assumem investigações "contra influentes não têm segurança jurídica porque dependem de advogados amigos ou da assessoria do sindicato de classe".

Marqueteiro do presidente Lula e do PT, Duda foi detido no sítio Privê, Recreio dos Bandeirantes, palco da briga de galo, em outubro de 2004 - nove dias antes do segundo turno das eleições municipais daquele ano. Ele fazia a campanha à reeleição de Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo. Um comando da PF, dirigido por Rayol, invadiu a arena com 200 apostadores. Capturado, Duda disse: "O Brasil sabe que o meu hobby é esse."

"A operação provocou uma pressão política odiosa", protesta Rayol. "Foram instaurados processos administrativos disciplinares para apurar irregularidades. Mas não houve abuso. Fizemos um trabalho rotineiro, com o Ministério Público."

Na época, a PF era dirigida pelo delegado Paulo Lacerda. Rayol era titular da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente da PF do Rio. Ele enquadrou Duda por crime ambiental, apologia ao crime e quadrilha. "O juiz recebeu a denúncia da promotoria, mas ele (Duda) recorreu. Até hoje ele conseguiu nem ser julgado em primeiro grau com sucessivos recursos. Foi preso em flagrante, provas incontestáveis. Melhor coisa para ele é não ser julgado. Provavelmente, jamais será punido. Vai cair na prescrição."

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Eis aí a marca registrada do governo Lula. O império da vingança e perseguição cai como chumbo na cabeça de quem ousa denunciar seus crimes. Já para os companheiros do mensalão, desde se mantenham de bico fechado, sempre haverá um prêmio de compensação, com cargos bem remunerados e sem contrapartida de se ter que trabalhar.

De fato, se trata do governo organizado para o crime.

ENQUANTO ISSO...

Estudo aponta uso de peças obsoletas

Renée Pereira, Estadão

A expansão do sistema elétrico brasileiro tem elevado o número de equipamentos obsoletos nas subestações de transmissão, fato que aumenta o risco de acidentes. Estudo elaborado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), para o período 2008-2011, identificou 179 disjuntores (dispositivo que protege a instalação elétrica de sobrecargas) superados, que precisam ser substituídos, e outros 211 em estado de alerta, próximos da superação. Somados, representam 48% dos equipamentos avaliados no período.

O relatório, intitulado Estudo de Curto-Circuito, foi entregue em abril à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para auxiliá-la na fiscalização e modernização do sistema. Mas o ritmo de substituição dos equipamentos tem sido motivo de preocupação. Segundo especialistas, as obras não têm acompanhado a evolução do parque nacional, o que provoca restrições na operação do sistema. Para driblar o problema, têm sido adotadas medidas paliativas para reduzir riscos de danos na rede.

Em apresentação feita há cinco meses, no Encontro ONS/Agentes, o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, levantou o problema ao afirmar que "a substituição dos equipamentos superados estava ocorrendo em prazo incompatível com a entrada em operação das novas obras da rede, comprometendo os benefícios que seriam proporcionados pelas novas instalações".

Na ocasião, ele citou como exemplo a Subestação Estreito, prejudicada pela superação de equipamentos em outras instalações. Isso estaria restringindo a operação das usinas da bacia do Rio Grande, que poderia atingir 800 MW. Em entrevista ao Estado ontem, no entanto, Chipp disse que os disjuntores estão sendo trocados e frisou que a superação desses equipamentos não tem relação com o blecaute ocorrido na semana passada.

O presidente da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), José Claudio Cardoso, explica que, além de ser cara, a troca dos equipamentos depende de autorização da Aneel. Segundo ele, em alguns casos, se o custo for muito alto, a agência opta por fazer licitação - afinal o custo é repassado para a tarifa. Outra restrição, comenta o executivo, é que a troca exige a paralisação da operação da subestação. Cardoso comenta que um equipamento superado não tem capacidade para isolar um acidente, que pode se propagar para outras instalações e até explodir.

De acordo com o estudo do ONS, para 2011 o número de disjuntores superados sobe para 433 unidades, além de 230 em alerta. "O grande problema é que não há no setor elétrico vigilância na manutenção do sistema. Não adianta instalar um monte de linhas se não houver manutenção adequada", afirma o professor da USP, Ildo Sauer. "Vivemos uma crise de gestão e organização no setor elétrico."

Enquanto isso...

Relatório da ONS não deve sugerir obras para evitar novo apagão
Nicola Pamplona, Estadão

Diretor-geral da ONS diz que ''prevenir apagão como o que ocorreu é antieconômico'' e que 'nenhum país faz isso''

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ainda não havia concluído o relatório sobre o apagão do último dia 10, que atingiu 18 Estados brasileiros, mas o diretor-geral da entidade, Hermes Chipp, adiantou ao Estado que dificilmente vai sugerir obras para evitar a repetição do incidente. "Teria de fazer praticamente um sistema redundante. É antieconômico", afirmou Chipp, que passou o feriado da Consciência Negra na sede do ONS trabalhando no documento que deve ser entregue amanhã ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico.

O executivo já havia adiantado que três curtos-circuitos quase simultâneos provocaram o desligamento das linhas que trazem energia de Itaipu.

Segundo ele, o incidente tem pouca probabilidade de acontecer, o que elimina a justificativa para investimentos de grande porte.

Chipp defendeu ainda que o Brasil altere o critério de segurança, analisando os investimentos em reforço da rede de acordo com o impacto econômico que a falta de energia pode trazer. A seguir, os principais trechos da entrevista.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Por que será que, quanto mais esta gente estuda e explica, estuda e explica, a explicação sempre nos deixa com mais dúvidas sobre o que de fato aconteceu e muita insegurança sobre o que nos poderá acontecer?

Já se sabe que equipamentos obsoletos, falta de manutenção nas subestaçoes e linhas de transmissão, tudo somado, provocaram o apagão. Também a ministra Dilma que, para tornar o sistema mais seguro, afirma que isto implicaria em investimentos que provocariam aumento da tarifa, como se não já não bastasse ela ser uma das mais caras do mundo, com o consumidor pagando um plus a mais a título de seguro, justamente para cobrir os tais investimentos!

Ou esta turma toda está de porre e já não sabe mais do que está falando, ou são um bando de incompetentes que, uma vez descoberta a incompetência, achou que qualquer explicação idiota serviria para encobrir a má gestão e enganar o povo. Não serve, é preciso transparência, coisa da qual este governo é um zero à esquerda e à direita, e falar a VERDADE.

O brasileiro aprendeu a não ser idiota e, assim, esta conversa mole de especialistas e autoridades é uma tentativa cretina para enrolarem o país.

Se ainda tocamos no assunto é para ver até onde vai a desfacçatez. Por enquanto, só souberam produzir mentira e a enrolação...

Kofi Annan alerta Brasil por seu novo papel

Jornal do Brasil

No dia em que a política externa brasileira foi o centro das atenções internacionais devido ao encontro dos presidentes Lula e Ahmadinejad, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan elogiou os recentes avanços brasileiros, mas alertou o país de que sua crescente influência internacional traz novas responsabilidades. Segundo ele, elas atingem áreas como diplomacia, economia e meio ambiente.

Annan, que foi secretário-geral da ONU por dez anos e prêmio Nobel da Paz pelos esforços do órgão pela paz em 2001, esteve na segunda-feira no Rio para dar uma palestra durante o Seminário Nestlé Brasil Global. Diplomático, evitou críticas à visita de Ahmadinejad, preferindo lembrar que já se encontrou com ele. E fez uma comparação com reuniões que teve com o ex-presidente dos EUA George W. Bush.

- Encontrei-me com os dois num período de considerável tensão, bem maior que agora - disse Annan. - Havia algumas semelhanças entre eles. Os dois pareciam muito confiantes na justiça de suas causas.

Ele mencionou a importância do Brasil na Conferência de Copenhague, mês que vem, frisando que é justo que os países ricos façam cortes de emissões mais amplos que aqueles que se industrializam agora. E defendeu a entrada do Brasil no Conselho de Segurança.

- A proteção do meio ambiente e o combate às mudanças climáticas não são as únicas áreas nas quais o Brasil pode e deve liderar. Também pode usar sua influência política e econômica para pressionar por reformas na arquitetura institucional internacional. Inclusive em grupos como o G20, o Banco Mundial, o FMI e o Conselho de Segurança da ONU. Não há motivos para que, hoje, a composição do Conselho de Segurança reflita o contexto geopolítico de 1945. Estamos em 2009.

O ex-secretário-geral, porém, alertou que o novo papel do Brasil faz com que tenha maiores responsabilidades - mais uma vez, sem mencionar a polêmica visita de Ahmadinejad.

- Há muitas outras áreas nas quais o Brasil pode dar contribuições. Desde paz e segurança e defesa dos direitos humanos até a promoção de agricultura sustentável e o combate ao crime internacional - disse ele. - O Brasil desfrutou de uma década notavelmente bem-sucedida. Com estes sucesso vieram grandes benefícios, mas também responsabilidades enormes.

O ex-secretário-geral da ONU elogiou o que chamou de "programas inovadores de transferência de renda", e disse que o país deverá cumprir as Metas do Milênio de redução da pobreza até 2015, "enquanto a maioria dos países não conseguirá".

Oposição: Ahmadinejad está na Bolívia para conseguir urânio

Portal Terra



Apoiadores de Ahmadinejad fazem manifestação em La Paz
Foto: AFP
Líderes opositores bolivianos criticaram nesta terça-feira a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que chegou a La Paz depois de passar pelo Brasil, e disseram que o governante está na Bolívia com o objetivo de conseguir urânio para seu programa nuclear.

O deputado conservador Pablo Klinsky disse que o Irã está "atrás do urânio" e lamentou que o Governo do presidente boliviano, Evo Morales, "queira arrastar a Bolívia para palcos bélicos alheios", como o embate entre os Executivos de Venezuela e Colômbia ou a tensão no Oriente Médio.

Klinsky lembrou que o Governo de Israel denunciou há meses a suposta venda de urânio boliviano ao Irã, assim como "os esforços" do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, para evitar que isto aconteça.

Segundo o deputado, ElBaradei "chegou a oferecer a Evo Morales um pacote de ajuda com a condição de que não venda urânio ao Irã".

Além disso, Klinsky apontou que a empresa canadense Mega Uranium tem 17 jazidas de urânio registradas na Bolívia e que "existiria um projeto avançado de prospecção no norte de Potosí".

"É muito preocupante que Evo Morales queira envolver a Bolívia no projeto atômico do Irã, que tem fins bélicos", afirmou o parlamentar.

Frente a estas críticas, o Governo Morales insistiu em que a Bolívia não exporta nem produz urânio atualmente, como apontam versões do Governo de Israel que acusam ao país andino e a Venezuela de fornecer este material ao programa nuclear do Irã.

No entanto, o Executivo boliviano reconheceu que a região de Potosí tem um projeto para buscar urânio em uma antiga mina que foi parcialmente explorada em meados da década de 70.

A Embaixada do Irã na Bolívia afirmou em junho que não cooperará com este país na busca ou exploração de urânio para seu programa nuclear.

Ahmadinejad chegou à Bolívia hoje de manhã. Ele deve se reunir com Morales para assinar convênios bilaterais.

Esta é a segunda visita do presidente iraniano à Bolívia. Em setembro de 2007, ratificou com Morales uma aliança baseada em sua posição comum contra o "imperialismo" dos EUA e assinou um plano de cooperação pelo qual o Irã se comprometeu a investir US$ 1,1 bilhão em território boliviano.

Um ano depois, em setembro de 2008, Morales reafirmou em Teerã, em uma visita oficial, seu compromisso para lutar "contra qualquer forma de imperialismo".

Ahmadinejad chega à Bolívia após passar ontem pelo Brasil, onde se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda hoje à tarde, ele deve seguir para a Venezuela