quarta-feira, novembro 25, 2009

ENQUANTO ISSO...

Estudo aponta uso de peças obsoletas

Renée Pereira, Estadão

A expansão do sistema elétrico brasileiro tem elevado o número de equipamentos obsoletos nas subestações de transmissão, fato que aumenta o risco de acidentes. Estudo elaborado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), para o período 2008-2011, identificou 179 disjuntores (dispositivo que protege a instalação elétrica de sobrecargas) superados, que precisam ser substituídos, e outros 211 em estado de alerta, próximos da superação. Somados, representam 48% dos equipamentos avaliados no período.

O relatório, intitulado Estudo de Curto-Circuito, foi entregue em abril à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para auxiliá-la na fiscalização e modernização do sistema. Mas o ritmo de substituição dos equipamentos tem sido motivo de preocupação. Segundo especialistas, as obras não têm acompanhado a evolução do parque nacional, o que provoca restrições na operação do sistema. Para driblar o problema, têm sido adotadas medidas paliativas para reduzir riscos de danos na rede.

Em apresentação feita há cinco meses, no Encontro ONS/Agentes, o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, levantou o problema ao afirmar que "a substituição dos equipamentos superados estava ocorrendo em prazo incompatível com a entrada em operação das novas obras da rede, comprometendo os benefícios que seriam proporcionados pelas novas instalações".

Na ocasião, ele citou como exemplo a Subestação Estreito, prejudicada pela superação de equipamentos em outras instalações. Isso estaria restringindo a operação das usinas da bacia do Rio Grande, que poderia atingir 800 MW. Em entrevista ao Estado ontem, no entanto, Chipp disse que os disjuntores estão sendo trocados e frisou que a superação desses equipamentos não tem relação com o blecaute ocorrido na semana passada.

O presidente da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), José Claudio Cardoso, explica que, além de ser cara, a troca dos equipamentos depende de autorização da Aneel. Segundo ele, em alguns casos, se o custo for muito alto, a agência opta por fazer licitação - afinal o custo é repassado para a tarifa. Outra restrição, comenta o executivo, é que a troca exige a paralisação da operação da subestação. Cardoso comenta que um equipamento superado não tem capacidade para isolar um acidente, que pode se propagar para outras instalações e até explodir.

De acordo com o estudo do ONS, para 2011 o número de disjuntores superados sobe para 433 unidades, além de 230 em alerta. "O grande problema é que não há no setor elétrico vigilância na manutenção do sistema. Não adianta instalar um monte de linhas se não houver manutenção adequada", afirma o professor da USP, Ildo Sauer. "Vivemos uma crise de gestão e organização no setor elétrico."

Enquanto isso...

Relatório da ONS não deve sugerir obras para evitar novo apagão
Nicola Pamplona, Estadão

Diretor-geral da ONS diz que ''prevenir apagão como o que ocorreu é antieconômico'' e que 'nenhum país faz isso''

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) ainda não havia concluído o relatório sobre o apagão do último dia 10, que atingiu 18 Estados brasileiros, mas o diretor-geral da entidade, Hermes Chipp, adiantou ao Estado que dificilmente vai sugerir obras para evitar a repetição do incidente. "Teria de fazer praticamente um sistema redundante. É antieconômico", afirmou Chipp, que passou o feriado da Consciência Negra na sede do ONS trabalhando no documento que deve ser entregue amanhã ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico.

O executivo já havia adiantado que três curtos-circuitos quase simultâneos provocaram o desligamento das linhas que trazem energia de Itaipu.

Segundo ele, o incidente tem pouca probabilidade de acontecer, o que elimina a justificativa para investimentos de grande porte.

Chipp defendeu ainda que o Brasil altere o critério de segurança, analisando os investimentos em reforço da rede de acordo com o impacto econômico que a falta de energia pode trazer. A seguir, os principais trechos da entrevista.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Por que será que, quanto mais esta gente estuda e explica, estuda e explica, a explicação sempre nos deixa com mais dúvidas sobre o que de fato aconteceu e muita insegurança sobre o que nos poderá acontecer?

Já se sabe que equipamentos obsoletos, falta de manutenção nas subestaçoes e linhas de transmissão, tudo somado, provocaram o apagão. Também a ministra Dilma que, para tornar o sistema mais seguro, afirma que isto implicaria em investimentos que provocariam aumento da tarifa, como se não já não bastasse ela ser uma das mais caras do mundo, com o consumidor pagando um plus a mais a título de seguro, justamente para cobrir os tais investimentos!

Ou esta turma toda está de porre e já não sabe mais do que está falando, ou são um bando de incompetentes que, uma vez descoberta a incompetência, achou que qualquer explicação idiota serviria para encobrir a má gestão e enganar o povo. Não serve, é preciso transparência, coisa da qual este governo é um zero à esquerda e à direita, e falar a VERDADE.

O brasileiro aprendeu a não ser idiota e, assim, esta conversa mole de especialistas e autoridades é uma tentativa cretina para enrolarem o país.

Se ainda tocamos no assunto é para ver até onde vai a desfacçatez. Por enquanto, só souberam produzir mentira e a enrolação...