sábado, setembro 22, 2007

Liberdade de expressão no Brasil ainda é problemática

Simone Sabino do Contas Abertas
.
Uma legislação incompleta e “seriamente problemática”, no que se refere à liberdade de imprensa e ao acesso à informação, e a perpetuação de normas datadas da época do regime militar são entraves inaceitáveis na democracia brasileira. Foi essa a conclusão da organização internacional de direitos humanos Article 19, depois de missão realizada no Brasil, em agosto deste ano, no intuito de analisar as condições da liberdade de expressão e do acesso à informação no país. No período, a organização que atua em mais de 30 países, realizou pesquisas em parceria com entidades da sociedade civil e do governo, além de jornalistas e membros dos veículos de comunicação do país.

Para a Article 19, o atraso na aprovação de um projeto de lei que visa alterar os critérios de acesso à informação e a existência de normas vagas e ultrapassadas limitam o direito ao conhecimento das informações públicas garantido na Constituição de 1988. O estudo considerou falha a Lei 11.111 de 2005, que trata dos critérios de definição de documentos confidenciais. A ONG recomendou ainda a adoção de padrões internacionais no que diz respeito a essa legislação. Entre eles, a máxima abertura, ou seja, a garantia de que “toda informação detida pelos órgãos públicos deve por princípio ser tornada pública, e esta presunção só deve ser abandonada em circunstâncias bastante limitadas”.

A organização elencou outros cinco itens que merecem mais atenção por parte da imprensa, do governo e da sociedade brasileira. Entre os dados mais alarmantes está a enorme quantidade de processos indenizatórios contra jornalistas por parte de políticos e juízes denunciados por corrupção. Segundo o documento, advogados e jornalistas estimam que, em média, exista uma ação indenizatória contra cada um dos jornalistas que trabalham nos cinco principais veículos de comunicação do Brasil.

O valor gasto com indenizações deste tipo este ano já estava em R$ 80.000, enquanto em 2003 ele somou apenas R$ 20.000. A imprensa atribui este número, em parte, a má preparação de alguns jornalistas, mas considera que a maior parcela dessas cobranças é resultante de "abuso de poder". Como parâmetro para confirmar tal abuso, o relatório mostra que 80% das decisões consideradas procedentes em instâncias inferiores são revogadas quando chegam ao STF (Supremo Tribunal Federal) o que, segundo a Article 19, evidencia uma possível pressão realizada sobre os juízes locais ou um baixo conhecimento das normas relacionadas à liberdade de expressão.

Outro ponto de destaque relacionado aos jornalistas, está na quantidade de violências físicas e psicológicas a que os profissionais da mídia ainda são submetidos no Brasil. A organização encontrou uma divergência entre os dados da ANJ (Associação Nacional de Jornais) que indica apenas oito casos de ataques à liberdade de expressão em 2006, ao passo que a FENAJ (Federação Nacional de Jornalistas) computou 68 casos no mesmo período.

A ONG recomendou a criação de um programa de proteção à testemunha – jornalistas e denunciantes - e incentivou a denúncia de qualquer ameaça ou repressão, considerada fundamental para que o combate a esta prática seja eficaz. Para os jornalistas escutados na pesquisa, a maior parte das agressões surgem de políticos, traficantes ou policiais corruptos e o número de abusos só não é maior devido à auto-censura já instituída nos órgãos de imprensa.

A democratização dos meios de comunicação foi outro aspecto que recebeu destaque. Tanto no que tange à concentração dos veículos de comunicação, quanto ao péssimo e demorado processo de concessão de licenças para rádios comunitárias no Brasil. O relatório também critica a ausência de um canal público, que o governo afirmou criar ainda este ano, e a ausência de políticas que incentivem o desenvolvimento de veículos independentes.

Segundo dados mostrados na pesquisa, apenas seis veículos comandam o mercado de TV no Brasil. Eles movimentam três bilhões de dólares por ano, sendo que, deste valor, a Rede Globo é responsável por mais da metade. Entre as soluções propostas pela ONG, no intuito de mudar esse quadro, estão a complementariedade dos setores público, privado e comunitário, a valorização da diversidade no processo de concessão de licenças e a adoção de regras claras e justas para a proteção do interesse público na radiodifusão.

A Article 19 elogiou, contudo, a forte atuação da sociedade civil brasileira no sentido de dar maior transparência às informações pública, por meio de campanhas e criação de ONGs. A organização internacional também ressaltou a iniciativa do governo de manter e aprimorar o Sistema Integrado de Administração Financeira ( SIAFI) com o objetivo de aumentar a transparência dos gastos dos diversos órgãos da administração pública federal, o que, segundo a organização, pode ser um facilitador do acompanhamento da execução das políticas públicas e do combate à corrupção.

Aos 46 de Brasília, o asco dos justos

Ubiratan Iorio, economista, Jornal do Brasil

Quem pensa nos 40 senadores que absolveram o réu e na meia dúzia de poltrões que preferiram lavar as mãos, dá imediatamente razão a Bacon, quando afirmou que a esperança é um bom desjejum, mas um péssimo jantar.

Quarenta e seis maus - péssimos! - brasileiros afogaram em um lago de lama, sob as trevas do voto secreto, a esperança de todo um povo, de que, afinal, um mínimo de ética e credibilidade seria restabelecido. A nação brasileira está chorando de vergonha. Os brasileiros de bem, de qualquer tendência política, estão decepcionados e sentindo justo nojo de Suas Excelências! A que ponto chegamos! Decorrem quase quatro meses desde que o arrogante absolvido foi denunciado por aquela revista. Nesse tempo, seu doentio apego ao cargo e sua vaidade, bem como a certeza de impunidade, levaram o Senado - indispensável em qualquer democracia - a esvair-se em descrédito e a jazer como está, inerte e inerme, por quanto tempo ainda não se sabe. Se tivesse realmente amor ao país e à coisa pública, o absolvido deveria ter pedido uma elementar licença para defender-se das pesadas acusações que se abateram - e vão continuar a cair - sobre sua cabeça. É intolerável alguém colocar suas pretensões políticas e amor ao poder acima do bem comum e do interesse público, mas 46 "representantes do povo" não pensaram assim.

Culpado ou inocente das acusações a ele imputadas, a trajetória política do presidente do Senado já é suficiente para revelar total falta de princípios, por mais parecer um minueto ou uma quadrilha, com trocas sucessivas de partido e de pares, sempre no embalo do que executam os músicos transitórios do poder: foi comunista na juventude; em seguida passou a integrar a tropa de choque de Collor; agora está com Lula; e, se amanhã ou depois, o presidente for alguém chamado Pafúncio, será, certamente, um ardoroso pafunciano...

Como está longe de ser o único dentre o conjunto de Suas Excelências a agir assim, sempre flutuando ao sabor das circunstâncias, precisava ser punido, até para servir como exemplo de que a fidelidade - em vários sentidos - é uma virtude.

Sinto a obrigação moral de manifestar, em nome de todos os brasileiros de bem, repúdio e indignação com o asqueroso, repugnante e nojento desrespeito ao povo brasileiro perpetrado pelos 46 de Brasília. Está patente que há 46 pessoas no Senado que não merecem sequer um emprego público dos mais humildes, quanto mais um mandato popular de senador ou senadora, delegado pelo voto dos que iludiram. Entre muitas outras razões, uma é suficiente: quem, sendo representante do povo, rejeita o clamor popular, não está, logicamente, representando o povo. Logo, não está honrando o mandato.

A quem pode interessar um Senado enfraquecido, para não dizer nocauteado? Ao governo? Creio que não, pois doravante - e com os seus motivos - a oposição bloqueará as votações importantes. Só se for para, na linha de Chávez, Morales e Rodrigues, sufocar o Parlamento, fortalecer o Executivo e, assim, partir para o tal terceiro mandato, algo absolutamente indefensável por qualquer verdadeiro democrata e que precisa ser rechaçado imediatamente! E que não venham alguns torcedores do PT de plantão dizer que estamos vendo chifres em cabeças de cavalos, pois no recém-realizado congresso do partido, uma das proposições tiradas foi, exatamente, a de acabar com o Senado e partir para um regime unicameral. Por isso, não é nenhum devaneio imaginar que alguns dos senadores que absolveram o réu, especialmente os petistas, o tenham feito com tal aberração em mente. Interessa ao absolvido? Só se ele acreditar que, depois do terremoto, conseguirá, por algum milagre, pôr novamente a Casa em ordem.

A nação quer saber os nomes dos 46 de Brasília, para não mais votar neles.

Quadrilha dirige o Senado, acusa Gabeira

SÃO PAULO - O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) disse ontem que começa esta semana uma campanha em prol da saída do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), absolvido na quarta-feira passada em sessão secreta do Senado no processo de perda de mandato por quebra de decoro parlamentar.

"O clima político está péssimo no Brasil porque o Senado decidiu secretamente, escondido, ir contra a vontade popular. Por isso, nos compete iniciar uma campanha na sociedade para derrubar o Renan Calheiros", destacou Gabeira, que participou ontem, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), de audiência pública sobre as mudanças climáticas.

Durante o evento, Gabeira fez duras críticas à absolvição de Calheiros. "O Congresso está sufocado e o Senado está dirigido por uma quadrilha. A corrupção tem um peso grande e um alto custo", destacou, reiterando que os interesses do País só serão conduzidos de maneira efetiva "se for reduzido o poder da quadrilha que domina o Congresso Nacional".

O parlamentar lamentou, ainda, que 85% da pauta do Congresso sejam dominadas por medidas provisórias (MPs) do governo. Ao falar da campanha para saída de Renan Calheiros, Gabeira citou a reunião da Frente Parlamentar em prol da luta pelo voto aberto, que ocorrerá hoje.

Gabeira acredita que há condições de se obter na Justiça a decisão favorável para que a próxima sessão de julgamento de Renan Calheiros (outros processos pendentes) seja aberta. "Também estou desenvolvendo uma campanha popular na internet denominada 'Se Entrega Corisco' para mostrar que Renan deve sair", emendou o deputado.

Gabeira falou ainda que é contrário à prorrogação da CPMF. "Eu vou votar contra", adiantou e voltou a criticar a absolvição de Calheiros: "Não se deve negociar a cabeça de Renan Calheiros pela CPMF. Deve-se votar contra o Renan e contra a CPMF", frisou.

O Gramsci das Alagoas

Nelson Motta, Folha de São Paulo

RIO DE JANEIRO - Um velho homem de esquerda, com seu passado de lutas, Renan Calheiros, absolvido pelos seus companheiros de causa, agradeceu citando Gramsci. Disse que a mídia está se transformando em partido político. Talvez porque, diante das vilanias, bandalheiras e traições dos partidos e dos políticos aos seus eleitores e ao país, o interesse público tenha obrigado a mídia a preencher esse vazio e assumir os compromissos desmoralizados pelos políticos.

Nem mesmo um militante partidário, desde que alfabetizado, acredita que empresas comerciais concorrentes como a Folha, o "Estadão", "O Globo", o "Zero Hora", a "Veja", a TV Globo, o SBT, a CBN, a RBS e os maiores veículos de comunicação do país, que disputam ferozmente leitores, espectadores e anunciantes, juntaram suas forças em uma conspiração para destruir as reputações ilibadas dos patriotas Renan e Zé Dirceu.

Para eles, só os veículos "independentes" -que vivem de publicidade do governo e de estatais- têm isenção para noticiar e comentar o mensalão, os sanguessugas e o caso Renan. Mas o povo é ingrato e despreza tantas qualidades, poucos compram as verdades deles. Talvez a maioria absoluta dos anunciantes e da população não saiba escolher os jornais, blogs, revistas e TVs para anunciar e para se informar. Só iluminados, como Dirceu e Renan, sabem como deve ser uma mídia democrática a serviço do país e dos cidadãos. O duro é convencer as pessoas a acreditar nela. E sobretudo neles.

Se os políticos e os partidos fizessem pelos seus eleitores uma pequena parte dos serviços prestados pela mídia independente -que não precisa deles nem do governo para sobreviver-, seríamos poupados de ouvir o Gramsci das Alagoas nos dar lições de ética e democracia.

E ele ainda nos chama de pessimistas...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Cerca de um mês e meio após haver assumido, fizemos um alerta ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, de que, muito mais do atuar no atacado, como foram suas primeiras ações levantando bandeiras nas questões do aborto, drogas e alcoolismo, precisaria o ministro ater-se no varejo, em razão da deterioração visível dos serviços de saúde pública.

Pouco tempo depois, começaram a pipocar no país o flagelo que se avizinhava: principalmente no Nordeste, mas regra geral em todo o país, a rede pública entrava em colapso, e nela se mantém até agora.

Impossível Lula desculpar-se com o mantra do “não sabia de nada”. Porque desta vez os avisos vêm se repetindo numa progressiva escala de alertas, sem que o governo tenha tomado as medidas que pudessem evitar o caos que ora assistimos. Estarrecidos e indignados.

Só o COMENTANDO A NOTÍCIA, mesmo sendo um pequeno blog com informações e opinião crítica, no curto espaço de tempo de um ano, editou cerca de dez artigos específicos. Agora se vá à grande mídia, jornais, revistas e televisões, e estaremos multiplicando em duas ou três dezenas de artigos e reportagens alertando o governo para o mal que se estava instalando. Assim, o apagão da saúde pública estava sendo aguardado para se instalar com todas as suas dores, sofrimentos e mortes, diante da falta de ação e da total omissão e irresponsabilidade de um governo que pouco está ligando para os padecimentos que a população mais pobre sofre, principalmente, ela que não tem plano de saúde e se socorre na rede pública para tratar-se.

Vejamos, pois, os mais importantes alertas produzidos neste espaço:

a.- Em 07 de agosto de 2006, comentamos aqui e publicamos trechos de um artigo publicado pela folha de São Paulo sob o título “O desmonte no Ministério Saúde”. Trecho:

“(...) Segundo o médico sanitarista de São Paulo, Dr. Luiz Roberto Barradas Barata, é preocupante e alarmente a falta de empenho do governo federal sob o comando do Presidente Lula, para permitir que a Saúde Pública no Brasil receba o tratamento que realmente precisa, e possa assim ser gerida com mais seriedade. Segundo o médio paulista, pesquisa feita em 2003 pela OMS em 71 países comprovava a boa avaliação do sistema brasileiro pelos usuários. Dos entrevistados, 97% disseram ter recebido a devida assistência do SUS; 86% dos pacientes obtiveram todos os medicamentos prescritos(...)”.

Alertava ainda o Dr. Barradas: “(...) Preocupa-nos constantes equívocos gerenciais do governo federal, na atual gestão, que vem enfraquecendo alicerces da saúde pública e desmontando políticas e programas exitosos”.

Clique aqui para o artigo completo.
.
b.- Já em 06 de janeiro do corrente ano, reproduzimos artigo de Soraia Costa, do Congresso em Foco, com o sugestivo título “A saúde em estado terminal “ (Clique aqui para o artigo completo).
.
c.- No mês seguinte, precisamente em 16 de fevereiro, publicamos artigo da Tribuna da Imprensa criticando o corte promovido pelo governo Lula no total de R$ 8,0 bilhões nas áreas sociais. (Clique aqui para texto completo)
.
.
d.- Recentemente, em 30 de agosto, foram dois artigos: um sob o título “O apagão da saúde pública” (Clique aqui), e outro, em que reproduzimos Editorial do Jornal do Brasil, “Mortes na conta do sistema falido” (Clique aqui).
.
Pois bem, vocês assistiram há poucas semanas o vai-e-vem na liberação de verbas pelo ministro Mantega para a Saúde. Foram cerca de R$ 2,0 bilhões, isto é, menos da metade do que o próprio governo havia podado do Orçamento em fevereiro deste ano.

Pois bem, abaixo disponibilizamos três links. São três pequenos vídeos. Cada um não dura mais do que 2 minutos. E o que neles se vê ? É a visão dos infernos. Gente pobre, simples, sendo constrangida e humilhada no mais terrível dos descasos. Gente que ali vai para recuperar a saúde, e sai pior, tratada como animais, tratados como escória. Gente que votou na cambada que ora se delicia nas tetas do governo federal e dão para a população, de quem por enquanto eles não precisam, uma banana do tamanho do país. Mais do que palavras cretinas, mais do que discursos imbecis, mais do que propaganda asquerosa, falsa e mentirosa, as cenas, além de chocantes, demonstram nas mãos de que tipo de raia ordinária o país está entregue e sendo desgovernado ladeira abaixo.

Vocês viram o que aconteceu com o apagão aéreo: são 353 cadáveres depositados nas portas do Planalto, clamando justiça. Por ano, 50 mil brasileiros jazem mortos frutos da insegurança pública. Mata-se aqui mais do que qualquer guerra espalhada pelo mundo. E ainda querem que louvemos o pai canalha disto tudo ? Impossível, não me peçam isto. E se alguma humanidade ainda existir na alma dos brasileiros, esta corja um dia ainda será chutada da vida pública do país.

E o que é pior, é que o irresponsável pelo desvario que tomou conta do país, ainda nos julga “pessimistas”. "Eu voltei [da viagem aos países nórdicos e à Espanha] convencido de que o Brasil não pode aceitar os discursos que nós fazemos diminuindo o Brasil, nem tampouco os discursos de algumas pessoas que tentam criar dificuldades para o Brasil".

Para ele, as críticas acontecem porque o Brasil foi colonizado. Lula também afirmou que é mais fácil ser elogiado no exterior do que aqui. "Muitas vezes nos trabalhamos com pessimismo e não conseguimos, dentro de nós mesmo, ter uma visão do Brasil tal como ele é, tal como as coisas acontecem. E sempre que acontece uma coisa boa, nós ficamos procurando uma ruim para ficar justificando o nosso discurso”.

Bom se, ao invés de viajar tanto e em todos os sentidos, Lula ficasse um pouco mais no Brasil e assistisse o fruto do seu governo de “glórias” como se pode observar nos vídeos a seguir, talvez nos poupasse de sua ignorância, de sua incompetência e de sua canalhice extremada.

Vídeo 1
Vídeo 2
Vídeo 3

O golpe já começou

João Ubaldo Ribeiro - O Globo

Vocês vejam como, em volteios e ironias, a vida nos dá constantes lições de humildade. Faz poucas semanas, argumentei aqui que não havia golpismo nenhum no Brasil, a não ser numa cabeça desvairada ou outra. Gira o mundo, passam os dias, e agora me encontro na obrigação de engolir minhas palavras. Fosse lá no bom sertão de onde vem o dr. Renan Calheiros, talvez um coronel me obrigasse a literalmente comer o jornal, como é de veneranda tradição regional. Pois não é que, num relampejo deflagrado pela Providência, numa reprodução modestíssima do estalo de Vieira, acaba de me aparecer com grande vividez toda a verdade, em sua nudez tão clara quanto imunda? Mas é obvio que há golpismo, como asseveram os governistas. Mais que isso, o golpe já está se desenrolando, com uma sorte e uma maestria sem rivais.

Só que o pessoal, o que, nas circunstâncias, é perfeitamente desculpável, esqueceu de falar que o golpe não vem do lado de cá, dos descontentes com eu e muitos outros, até mesmo a odiosa Zelite, que, aliás, vai se dar bem, como sempre, golpe ou não golpe. O golpe é do governo mesmo. Sei que com esta afirmação me arriscaria a ser acusado de calúnia. Mas não é calúnia, porque está tudo tão bem feitinho, tão arrumadinho, vai ser tudo tão dentro da lei e do apoio popular, que, ao dizer que o governo está dando um golpe, não o estou – o que caracteriza calúnia - acusando de crime, estou é achando esse pessoal sabido que é danado.

Jornal é lido por gente de todo tipo e me desculpo com aqueles que já sabem o que vou resumir simplificadissimamente. O Brasil tem um sistema bicameral, a Câmara de Deputados e o Senado Federal. A Câmara representa a população e, portanto, os Estados mais populosos tem mais deputados. Para evitar que esses Estados dominem o inteiramente os minoritários, o Senado tem um número igual de membros para cada Estado. E cumpre funções importantíssimas em nosso sistema. Entretanto, o dr. Berzoini, outro dia, praticamente declarou como projeto do PT a extinção do Senado. Sendo a cabeça do PT em São Paulo, a coisa ficaria muito facilitada, se não houvesse o Senado.
Agora, num julgamento que se pode rotular de clandestino, malocados como bandidos numa cafua em que a atmosfera mais se assimilava a uma reunião de Cosa Nostra com direito a porrada na entrada, os senadores, escondidos do povo que desrespeitam, envergonham, enganam, furtam (ponha aí o “raras exceções” de praxe, por favor, pois cá me impede momentaneamente a náusea) e atraiçoam, os senadores decidiram votar contra as convicções de praticamente toda a nação. Ou seja a esmagadora maioria do povo brasileiro, tenho certeza, considera hoje o Senado não mais que uma furna de parasitas, larápios incompetentes, negociantes da honra, hipócritas inexcedíveis, aproveitadores descarados e uma despesa desnecessária para o país. O Senado, finalmente, conseguiu firmar seu processo de putrificação e assim cumpre sua parte no golpe. Tenho certeza de que, se não a maioria, parte muito significativa do povo brasileiro votaria ou sairia à rua pela extinção do Senado. Portanto, ele está cumprindo muito bem o seu papel no golpe, esforçando-se ao máximo para mostrar que só serve para atrapalhar e vai continuar a atrapalhar, envolvido em processos e dissensões, para daqui a pouca o presidente dizer, com geral concordância pública, que o Senado não o deixa governar. Dá-se um jeito, perfeitamente legal e com feroz apoio popular, de acabar com o Senado.

Depois, acabar com a Câmara de Deputados é mole, sabe qualquer um que, se cuspir no chão fosse hábito brasileiro para expressar desprezo e repulsa, nadaríamos num mar de saliva, pois seria o que aconteceria sempre que se falasse em deputado e senador. Na nossa História recente, a Câmara tem empreendido uma campanha sem quartel para tornar “ deputado” e “ político” xingamentos desses de reagir com um murro na cara e um progresso por difamação e injúria. O povo despreza todos eles com equanimidade (botem as raras exceções outra vez, é só para não me prenderem com muita facilidade – já basta que o responsável por tudo o que estou atacando sou eu mesmo, como integrante da famigerada mídia ) e muita gente tem de tomar um antiemético quando um deles aparece na TV. Transforma-se ( é fácil, é só dar um empreguinho aqui. Uma graninha lá, uma garota de programa acolá) a atual Câmara numa Assembléia Constituinte e aprova-se uma nova Constituição de truz. Nem é preciso trabalhar muito, porque a de 37 está aí mesmo, para ser copiada ou servir de modelo, retiradas as partes mais progressistas. A admiração do presidente Lula por Getúlio Vargas vai ficar bem mais fervorosa.

Renan Calheiros, à custa de enorme desgaste pessoal,desempenhou e certamente desempenhará bravamente sua parte ( não a sua parte em dinheiro, que nada disso está provado e é por fora – tirem esse bicho daí ). Está quase tudo feito para se demonstrar cabalmente que tanto o Senado federal quanto a Câmara de Deputados são desnecessários e mesmo perniciosos, simulacros descartáveis de verdadeiras instituições democráticas. Creio que a maioria dos senadores e deputados continuará colaborando, tendo à proa o brioso senador Aloísio Mercadante ( que falou por si e assim sacrificou a biografia pela causa, pois, como se coment..., quer dizer, como se sabe, o PT liberou os votos de todos os seus membros ) e aquela outra ora me escapa, uma que lembra uma recepcionista de gafieira com problemas sintáticos.

E finalizo com um elogio aos antigos e à sabedoria que atravessa os séculos. Tudo isso me veio à mente quando me fiz a velha pergunta romana, que tantos eventos já esclareceu: Cui prodest ? – a quem aproveita? A mim, no momento, só me ocorre um Grande Aproveitador. A você ocorre quem?

Renan ameaça os petistas

Otávio Cabral, Revista VEJA.

O senador diz que não deixa a presidência, desafia quem pede sua saída e constrange parlamentares com suas chantagens

O senador Renan Calheiros escapou do primeiro processo de cassação com a ajuda dos parlamentares do PT e o aval do governo. Em troca, assumiu o compromisso de se afastar da presidência do Congresso até a conclusão dos outros três processos que tramitam contra ele no Conselho de Ética. Na semana passada, depois de um breve descanso em Maceió, Renan voltou à presidência. Ele negou que tivesse feito algum acordo. Mas fez e, pior, não cumpriu.

Os petistas, com razão, espernearam. O sempre discreto senador Tião Viana, vice-presidente do Congresso, reagiu: "A curto prazo, o cenário é de crise intensa; a disposição de Renan de se manter no comando da Casa causará problemas ao governo". Depois foi a vez de Aloizio Mercadante, o mais ativo defensor da absolvição de Renan e fiador do acordo: "O melhor para o senador Renan é que ele se licencie da presidência do Senado. Eu já disse isso reservadamente a ele, mas hoje me associo a todos os que pensam dessa forma". O presidente Lula, de quem Renan esperava uma manifestação de apoio mais contundente, continuou dizendo que o caso é um problema interno do Senado.

Para não cumprir o acordo, Renan Calheiros apontou para o peito dos aliados do PT sua arma predileta: a chantagem. Renan é dono de um arquivo de informações que, usadas irresponsavelmente contra seus colegas de Parlamento, podem ser devastadoras. Ele começou a fazer vazar para a imprensa segredos que podem arranhar a imagem dos petistas. A primeira vítima foi exatamente o senador Tião Viana, tão zeloso na tarefa anterior de absolver Renan. Assessores de Renan cuidaram de divulgar que Viana mantinha uma funcionária-fantasma em seu gabinete.

A corda entre os petistas e Renan Calheiros começou a esticar já na segunda-feira passada. Renan foi procurado em seu gabinete pelo próprio Tião Viana, portador de uma mensagem partidária: os petistas exigiam seu afastamento imediato, conforme o combinado. Renan disse que não arredaria o pé da presidência e fez ameaças veladas. Tentou mostrar que uma cisão com os petistas não interessaria a ninguém – muito menos a ele, Tião Viana. No dia seguinte, o jornal Correio Braziliense publicou que o petista mantinha uma funcionária-fantasma em seu gabinete. Silvania Gomes Timóteo, segundo o departamento pessoal do Senado, recebia mais de 6.000 reais de salário, mas nunca apareceu para trabalhar. Ela batia ponto na sede nacional do PT, em Brasília, onde assessora o tesoureiro do partido. Constrangido, Tião foi obrigado a dar explicações sobre o caso. Entre os petistas não há dúvidas de que a denúncia saiu do gabinete de Renan. "Não vou entrar no mérito agora nem acusar sem provas. Mas vou descobrir o autor dessa injustiça", afirma Viana. Não era propriamente uma injustiça, tanto que Tião Viana demitiu a funcionária-fantasma.

Renan Calheiros montou seu dossiê com informações comprometedoras contra os colegas usando a estrutura funcional do Senado – atitude indecorosa que, sozinha, já seria causa para abertura de um processo administrativo contra Calheiros. Logo após a revelação de que ele tinha as despesas pessoais pagas por um lobista de empreiteira, o senador começou a preparar sua artilharia de defesa. Convocou a seu gabinete o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, a secretária da Mesa, Cláudia Lyra, e o primeiro-secretário, senador Efraim Morais. Distribuiu tarefas a cada um deles. Agaciel foi encarregado de listar todas as contratações feitas pelos senadores. Efraim recebeu a missão de escarafunchar a prestação de contas da verba indenizatória que os parlamentares recebem a cada mês e elaborar uma relação de todas as viagens oficiais feitas por cada um dos senadores. Cláudia Lyra fez um mapeamento de projetos de interesse dos senadores junto ao governo. Renan ainda pediu a assessores do gabinete que reunissem detalhes dos processos criminais que tramitam na Justiça contra cada um dos senadores. Em um computador, Renan acrescentou aos arquivos dados de sua própria memória das relações com o governo, em que não faltam histórias de favores, nem sempre lícitos, prestados a alguns colegas. A munição reunida, segundo assessores do presidente, poderia levar um terço dos senadores ao Conselho de Ética. Seria um trunfo para Renan provar que não é pior do que ninguém no Senado.

A oposição acredita que pelo menos dez senadores do PSDB e do DEM tenham votado pela absolvição de Renan Calheiros motivados pelo que consta sobre eles nas fichas do presidente do Congresso. Agora, o arsenal está apontado para a testa dos petistas que ameaçam se rebelar. Além de Tião Viana, outros três senadores do PT estão na mira de Renan. O ex-líder do governo, Aloizio Mercadante, surpreendeu todos ao pedir votos contra a cassação do presidente do Congresso. Mercadante tinha lá seus compromissos com o governo, mas Renan deu uma ajudazinha. Fez chegar a Mercadante a notícia de que ele guarda reminiscências de uma certa reunião ocorrida no fim do ano passado, logo depois da eleição presidencial, da qual participaram, além do próprio Renan, líderes do PSDB e do Democratas. Mercadante teve assessores envolvidos no escândalo do chamado "dossiê dos aloprados", e a oposição queria pedir a abertura de um processo contra ele no Conselho de Ética. Com sua habilidade negocial, Renan conseguiu convencer os líderes a desistir da idéia. "Ele pode estar usando isso contra mim, mas nunca lhe pedi que me defendesse. Não fui denunciado, não existe nenhuma prova do meu envolvimento", diz Mercadante.

Na ficha que Renan guarda sobre a senadora petista Serys Slhessarenko está registrada outra história de gratidão. Serys foi apontada como um dos parlamentares envolvidos na máfia dos sanguessugas. Seu genro, funcionário do gabinete em Brasília, recebeu dinheiro da empresa beneficiada com verbas do Orçamento liberadas a partir de emendas apresentadas pela senadora petista. Renan articulou com sucesso para livrar a senadora de um processo de cassação e nunca revelou os detalhes do que sabe sobre o envolvimento dos petistas com os sanguessugas. "Renan nunca me ajudou e eu nunca precisei de ajuda, porque sou inocente", diz Serys. A líder do partido, Ideli Salvatti, uma canina defensora de Calheiros, é o alvo mais precioso das ameaças do senador. Renan já mandou dizer à senadora que instalará a CPI das ONGs assim que Ideli ou o PT derem sinal de que mudaram de lado. Ideli tem ligações umbilicais com petistas de ONGs envolvidas em desvios e financiamentos irregulares de campanhas em Santa Catarina, seu berço político. Na semana passada, em reunião da bancada do PT, oito dos doze senadores do partido defenderam que se fizesse uma manifestação formal pelo afastamento de Renan. Mas Ideli, ainda exercendo o papel de diligente defensora de Calheiros, convenceu os colegas a desistir da proposta em nome da "paz no Senado". Um confronto verdadeiro do PT com Renan Calheiros seria letal para o senador. Mas os senadores do PT estão dispostos a pagar o ônus para suas imagens que a artilharia de Renan pode provocar? Tomara que sim. O Brasil agradeceria.




Ou faltaram à aula ou estudaram no livro errado...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Vocês sabem o que aconteceu no Brasil no dia 13 de maio de 1888 ? Pois então, neste dia a Princesa Izabel assinou a famosa Lei Áurea, a que acabava com a escravidão no país.

Mas parece que alguns senadores ou alguns empresários, como querendo brincar de história, ou faltaram à aula no dia em que este episódio foi contado, ou andaram aprendendo como foi a História Brasileira naquela Nova História Crítica, escrita pelo escroque Mario Schmitt . Vocês não sabem quem é a figura? Ah, mas deveriam, porque foram os livros deste jumento que o governo Lula andou comprando para distribuição aos estudantes das escolas públicas. Sabem do que mais ? Apesar do veto a novas aquisições, em 2005, e de sua exclusão do Guia do Livro Didático de 2008, a Nova História Crítica continuou sendo distribuída pelo MEC. Só este ano, já foram enviados 89 mil exemplares da coleção a escolas públicas. O governo gastou R$ 12 milhões com uma obra que, pela quantidade de imbecilidades e grosseiras falsificações da história que contém, jamais deveria ter entrado numa sala de aula. A princesa Isabel é uma mulher "feia como a peste e estúpida como uma leguminosa" e o Conde d?Eu é um "gigolô imperial" que enviava meninas paraguaias para os bordéis do Rio de Janeiro.

Acharam pouco ? Pois a lista de sandices é imensa. De sobremesa segue mais uma das “delícias”: "Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum princezinho salvador?"

Pois não bastava as atrapalhadas cretinas que o presidente do senado andou aprontando (e continua), agora um grupo de senadores achou de serem mais realistas do que o rei e se intrometeram numa patacoada. Claro que a história, neste caso, deve ter dois lados. E sou inclinado a acreditar que um dos “lados” não está nada preocupado com “trabalho escravo”, e sim com alguma pilantragem de fundo financeiro. Os próximos dias deverão revelar quem tem ou não razão. Mas que há alguma forma de sacanagem, disto não se tem dúvidas. Da parte de quem é o que veremos.

Mas o surreal no caso é que a investigação de trabalho escravo, a cargo do Ministério do Trabalho, foi interrompida bruscamente. E não porque não exista trabalho escravo no Brasil. Existe e está espalhado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Aliás, graças a ações iniciadas no governo Fernando Henrique, mais e mais fiscais do Ministério do Trabalho tem autuado empresas e empresários para por fim a esta chaga que ainda infesta o país.

A reportagem é de Elvira Lobato para a Folha de São Paulo:

Governo pára ações contra trabalho escravo

Grupo do Ministério do Trabalho responsável pelo trabalho alega pressão de senadores em autuação a uma fazenda
Empresa responsável pela criação da comissão do Senado refuta a acusação de condições precárias de trabalho e quer investigação

A secretária de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho, Ruth Vasconcelos Vilela, suspendeu ontem as ações de fiscalização de combate ao trabalho escravo, em reação à intervenção de senadores na autuação aplicada à Fazenda Pagrisa, no Pará.

No início de julho, 1.064 trabalhadores (a maior parte, cortadores de cana) tiveram seus contratos rescindidos por estarem em situação considerada pelos fiscais análoga à de trabalho escravo.

Em carta enviada no final da tarde de ontem ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, Ruth Vilela, comunicou a suspensão da fiscalização e afirmou que os senadores desqualificaram a inspeção que constatou a existência de trabalho escravo e projetaram ""insegurança sobre as ações desenvolvidas pelo Ministério do Trabalho".

Por pressão de entidades empresariais do Pará, o Senado instaurou, há dez dias, uma comissão especial externa, de oito senadores, para averiguar as rescisões dos contratos trabalhistas feitas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, subordinado a Ruth Vilela, na Pagrisa. O presidente da comissão, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), e mais os senadores Romeu Tuma (DEM-SP), Kátia Abreu (DEM-TO), Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Cícero Lucena (PSDB-PB) estiveram, anteontem, na sede da fazenda, anteontem, em Ulianóplis, a 450 Km de Belém, e, depois ouviram moradores e empregados na Câmara Municipal.

A assessoria de Jarbas distribuiu nota, em Brasília, segundo a qual a relatora da comissão, Kátia Abreu, e o presidente consideram que a Pagrisa oferece condições adequadas de trabalho, contestando, portanto, a fiscalização.A fazenda é parte da Usina Pagrisa, produtora de açúcar e de álcool. A Petrobras suspendeu a compra de álcool da usina, em razão do relatório que apontou o trabalho escravo.

A fiscalização aconteceu entre 28 de junho e 8 de julho, e ela sofreu autuações por 21 supostas irregularidades trabalhistas. O Ministério Púbico do Trabalho, do Pará, abriu processo criminal contra a empresa sob a acusação de trabalho análogo a escravo.

No ofício enviado ao ministro Lupi, a secretária de Inspeção do Trabalho (que ocupou o cargo também durante o governo Fernando Henrique Cardoso) diz que suspendeu a fiscalização para assegurar que os fiscais tenham ""um mínimo de segurança para o correto e escorreito exercício de suas atribuições, livres da ingerência de fatores estranhos à ação administrativa"".

Outro lado
O diretor e acionista da Pagrisa, Fernão Villela Zancaner, disse à Folha que a empresa refuta a acusação de trabalho escravo e quer uma ""investigação profunda" sobre o caso. Segundo ele, durante a inspeção do Ministério do Trabalho, as federações da indústria, agricultura e do comércio do Pará, além da OAB regional, estiveram na fazenda.

Segundo ele, a criação da comissão no Senado foi iniciativa do senador Flexa Ribeiro, que também foi ao local enquanto acontecia a fiscalização. A mobilização política, segundo ele, se estendeu à Assembléia Legislativa do Pará.

O empresário disse que desde o bloqueio das compras de álcool pela Petrobras, a empresa aumentou a produção de açúcar e está armazenando o álcool que produz. Segundo ele, a empresa tinha 1.670 funcionários no momento da inspeção, e 1.064 tiveram rescisão contratual. Para Zancaner, os empregados foram seduzidos pelo seguro desemprego e pelas indenizações.

O Racismo de um tal Coronel Ciro...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
.
Ciro Gomes, ao melhor estilo do terrorismo vagabundo adotado pelo governo federal, deu uma declaração contra a oposição que se faz, em todo o país, contra a recriação da CPMF. Ora, Ciro esqueceu que ele está num país em que ainda vigora a democracia. Portanto, existe quem defenda o governo, e quem a ele se opõe. Respeitar a posição dos contrários, é um dever para qualquer democrata de meia pataca, quanto mais, quando estes democrata exibe um mandato parlamentar. Não concordar com esta ou aquela postura do governo, faz parte de toda uma estrutura política, porque em teoria, mesmo os contrários, os oposicionistas lá estão por vontade popular, foram eleitos por suas posturas. Ir contra eles, de forma agressiva e delinqüente, é sim uma agressão à sociedade.

Mas vamos ver o que diarréia verbal do Ciro produziu. A reportagem é da Yala Sena, da Redação do Portal Terra, que depois comentaremos.

“(...) O deputado federal e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) criticou os partidos de oposição nesta sexta-feira, em Teresina (PI), que defendem a extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). "Criticar a CPMF é assunto de branco que não quer pagar imposto para que o povo perca o Bolsa Família. Se acabar a CPMF, acaba o Bolsa Família. Isso é o que eles (oposição) querem e não têm coragem de dizer", afirmou Ciro Gomes.

Ele disse que o fim da CPMF pode ocasionar recessão e contribuir para o aumento da inflação. De acordo com o deputado, o imposto é responsável por um montante de R$ 40 bilhões por ano para o orçamento da União.

Sobre a queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontada na quinta-feira pela pesquisa CNI/Ibope, o deputado federal afirmou que a margem de erro é considerável, mas admitiu que a alta de preço de alimentos pode estar afetando a imagem do presidente.

"Há um componente novo, uma pequena alta dos preços nos alimentos. Estamos atentos e o presidente Lula está informado do assunto", disse Ciro Gomes. "Mas, humildemente, devemos olhar (a queda de popularidade) como conseqüência da 'novelização' dos escândalos e desse esforço quase golpista de que tudo que acontece no mundo é culpa do Lula. Até a queda de avião colocaram a culpa nele", criticou o parlamentar(...).”


Existe racismo às avessas, isto é, contra os brancos ? Sim, existe. E parece que se incrustou na figura bizarra de Ciro Gomes. Para este valente defensor de currais, quem se nega a pagar a CPMF é branco sonegador. Sua patética e infeliz declaração é de uma delinqüência dolorosa, e mereceria ser repudiada em qualquer canto do país. Aliás, o senhor Ciro por sua fala deveria ser processado. Seu racismo é repugnante. Provavelmente, veremos ou leremos uns e outros criticando esta declaração do coronel do Ceará, talvez alguém veja na frase alguma coisa a mais para simples indignação. Mas, no fundo, Ciro Gomes deveria ser execrado da vida pública, não apenas por conta de seu apelo racista e vagabundo, mas por se posicionar contra 90% da população que repudia a famigerada contribuição. E acrescente-se, também, que a tal CPMF não foi feita ou criada para bancar “programa social” nenhum, foi imaginada como uma forma de socorrer a saúde pública e, assim, melhorar a qualidade de vida do cidadão brasileiro. Diga-se logo que, dentre as regiões brasileiras que se socorrem da saúde pública, o Nordeste é, disparado, o campeão. E, coincidência ou não, é onde o serviço público de saúde está matando pela situação caótica em que se encontra.

Mas este bravo defensor dos fortes e desimpedidos, não levantou sua voz uma única vez para recriminar o assassinato em massa que a população nordestina está sendo vítima no interior dos hospitais públicos do nordeste, uma chaga vergonhosa para qualquer administrador público. Mas é valente para fazer uma declaração onde sequer dissimula sua raiva contra os “brancos sonegadores”, como se os negros do país, que são quase a metade da população, pudessem “concordar” com o “confisco” de que são vítimas em igualdade de condições no achaque praticado. Negros e brancos, senhor Ciro Gomes, são gente em iguais necessidades, em iguais indignações, e tanto um quanto outro são contrários a continuarem contribuindo para um governo com um expurgo que é desviado vergonhosa e criminosamente da saúde.

Demonstre, senhor Ciro, em que o governo aplicou a receita total recebida da CPMF desde 2003? Ou, melhor informar-se comparecendo ao site Contas Abertas para envergonhar-se de ver as baboseiras e molecagens praticadas com um dinheiro cujo apelo era salvar a saúde pública, e sequer 3% de sua arrecadação na saúde foi aplicada.

Quanto ao Bolsa Família, ninguém quer sua extinção. Quer sim seu melhoramento, quer sim que ele deixe de ser um programa assistencialista, a alimentar currais eleitorais de políticos defenestrados que se sustentam politicamente por sobre a miséria alheia. O que todo o brasileiro deseja é ser respeitado, quer ver que o dinheiro que lhe arrancam fruto de seu trabalho está correta e honestamente aplicado em favor da sociedade. E o que temos? A maior carga tributária do mundo, sustentando o maior bando de vigaristas do mundo. É o maior assalto fiscal do mundo para sustentar a pior e a mais indigna rede de serviços públicos do mundo. É o maior assalto praticado em torno de um povo, bancando a maior malha de corrupção impune do mundo.

É disto que se fala, é disto que se trata, é disto que o país inteiro está de saco cheio. Chega de sermos esbulhados e expropriados para ver o crescimento da fortuna de políticos sorrateiros e desonestos, basta de mensalões, sanguessugas, vampiros, furacões e outros bandoleiros achacando nossos bolsos em troca de coisa alguma, ou melhor, em troca do caos, da miséria, do desemprego, do descaso, enquanto a súcia se lambuza na lama da degradação impune.

Há muito dinheiro podre varrendo o desperdício praticado nas hostes da administração pública. Que se tenha respeito ao dinheiro que é arrancado dos trabalhadores e empresários deste país, que são obrigados a sustentar um bando de famigerados vampiros vagabundos, que se refestelam de forma sórdida feito gigolôs à custa do trabalho da nação que os sustentam no ócio e na pilantragem.

Quanto a queda na popularidade de Lula, Ciro ainda consegue se superar no besteirol e na indigência mental. O que está fazendo água não é apenas a parte dos escândalos, não é apenas a queda de um avião. Mas a total falta de governo, da falta de ética na gestão pública, nos intermináveis apagões que se sucedem intermináveis ao longo dos quatro anos e meio de desgoverno, descaso e de falta de decência. Quem governa o país, senhor Ciro Gomes, é Lula da Silva, portanto, é sua responsabilidade a falta de ação para por um basta no caos existente em todas as direções onde deveria estar presente o governo federal. O país não suporta mais assistir um discurso e uma propaganda a cantar as maravilhas de um paraíso que a realidade do dia a dia do cidadão desmente a cada segundo. A mentira oficial é um acinte para quem vive no Brasil e se vê obrigado a enfrentar a incompetência e irresponsabilidades oficiais. Os pobres estão indignados em ver prosperar a elite política em ações repulsivas, está revoltada em saber que lhe atiram esmolas, enquanto deputados, senadores e demais afins, na calada da noite, tratam de aumentar seus vencimentos, regalias, vantagens e privilégios de forma imoral. Como também está de saco cheio em ver que os banqueiros ganham fortunas e mais fortunas, o governo bate recordes e mais recordes na arrecadação de impostos, enquanto o povo sequer consegue um atendimento médico, não consegue ter sossego sequer dentro de sua própria casa, com medo de ser atingido por uma bala perdida, que entrou no país fruto do contrabando que não se combate, da insegurança que não se reprime.

Assim, sua fala é lixo tóxico, venenoso e ordinário. Só serve para alimentar as ratasanas que infestam a vida pública brasileira.

O monoglota incompleto, os traficantes de ideologia...

... E NOSSO EMBAIXADOR DA PAZ: FERNANDINHO BEIRA-MAR
Reinaldo Azevedo

Vamos acompanhar o governo Lula em três movimentos:

1 - O Apedeuta se encontrou com Hugo Chávez em Manaus. O ditador atacou o Congresso brasileiro. Em troca, Lula o afagou e afirmou que ambos enfrentam preconceitos porque são progressistas.

2 – Lula participou da tal reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e endossou afirmação de Guido Mantega de que a imprensa estrangeira é mais bem-informada sobre o Brasil do que a brasileira.

3 – Na reunião para fazer o balanço do PAC, o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e Dilma Rousseff (Casa Civil) atacaram relatório do TCU que aponta irregularidades em obras do plano.

Chávez e a narcoguerrilha
É claro que, às vezes, considero aborrecido bater em Lula. Ele é um chato, sem imaginação, representando sempre o mesmo papel. A ladainha cansa. Mas é necessário deixar registrado, nem que seja para a história, os marcos novos que ele vai estabelecendo na política nativa. A imprensa hoje dará conta de contenciosos entre os dois, irritações de ambos os lados etc. O fato é que o Congresso brasileiro voltou a ser atacado por um governante estrangeiro. E isso em solo nativo. Não só não se viu resposta, como Lula se comparou ao próprio ditador, dizendo que ambos são alvo de incompreensões porque fazem governos “progressistas”.

Chávez é um ditador reles. Está, aos poucos, cubanizando a Venezuela, que levará décadas para se levantar do desastre quando finalmente o tiranete for pendurado em praça pública, de cabeça para baixo. Mas Lula o adula, exalta as suas virtudes. Num discurso vagabundo, negou que haja qualquer disputa entre os dois para liderar o continente. Imaginem só: a economia brasileira é 10 vezes maior do que a venezuelana; o território, umas oito, e a população, umas sete. E, no entanto, Lula está dizendo que não há disputa por liderança. Iguala-se a Chávez. Mais uma vez, fica provado que ele sabe ser arrogante com os EUA e subserviente com ditadores de meia-tigela.

E tudo pode ser ainda pior. Há tempos, ataquei a idéia idiota de o Brasil ser um território neutro para um encontro entre os líderes na narcoguerrilha colombiana e o governo daquele país. Neutro por quê? Entre um governo eleito democraticamente e os assassinos e bandoleiros, não temos lado? Agora as coisas pioraram muito. Lula oferece o nosso país para um encontro entre Chávez e as Farc. O ditador negociaria com seus amigos a liberação de pessoas seqüestradas na Colômbia. Estranho? Para o estado brasileiro, sim. Não para Lula e seu PT. Afinal, eles são companheiros dos narcobandidos no Foro de São Paulo, que é a entidade que, de fato, coordenada o movimento de esquerdização da América Latina. Notem que o Planalto jamais condenou a guerrilha. E é ligeiramente hostil ao governo colombiano. Na posse de Álvaro Uribe, Lula se fez representar pela especialista em assuntos internacionais Marisa Letícia.

Imprensa
Lula endossou a afirmação do ministro proparoxítono da economia segundo a qual é preferível ler a imprensa estrangeira à brasileira porque aquela seria mais bem-informada sobre o Brasil. A propósito: em que língua o monoglota incompleto prefere ler as notícias sobre o país? É evidente que se trata de uma crítica injusta, de uma provocação cretina. Veja-se, por exemplo, o estardalhaço que se fez recentemente com os dados do IBGE. Com raras exceções, praticamente se escondeu o fato de que a renda média do brasileiro, em 2006, ainda era quase 10% inferior à de 1996. Atribuíram-se ao governo Lula conquistas que são de mais de uma década de estabilidade da economia. E Lula não reclamou.

Ele só não chia quando a imprensa erra. Porque quase sempre o faz a seu favor. O jornalismo de que ele não gosta é aquele que vigia o poder, que aponta as falhas, que denuncia as falcatruas, que investiga as irregularidades. No melhor dos mundos do PT, o mensalão teria sido deixado de lado, o dossiê fajuto teria sido ignorado (quando se descobriu a tramóia, claro; a armação, se bem se lembram, contou com a ajuda de certa imprensa); Renan Calheiros já estaria esquecido. É verdade: a imprensa estrangeira se interessa menos por alguns assuntos que são, com efeito, domésticos.

O Apedeuta come no prato em que comeu por mais de 20 anos. Lula é uma invenção de Golbery do Couto e Silva, dos padres da Igreja Católica e... da imprensa. Vi outro dia trechos de um programa que debatia a situação política brasileira. A moça, jornalista, em tom crítico ao PT, volta e meia falava dos compromissos históricos da legenda com a ética na polícia. É uma forma de petismo. Aliás, esse é o petismo original, essencial: acreditar que, de fato, em algum momento, essa conversa de ética era pra valer, e não um item de uma estratégia de poder. Basta olhar a história da esquerda e seus doutores (ainda que, às vezes, antípodas): Marx, Lênin, Stálin, Trotsky, Mão, Gramsci... Ampliem a lista o quanto quiserem: citem-me um texto, um miserável que seja, que possa servir de base para a teoria do partido ético. Mas o jornalismo ainda cai nessa conversa, como caiu no papo no metalúrgico milagreiro.

As rusgas de Lula com a imprensa são, na maioria das vezes, um caso de amor não-correspondido. É menor do que já foi, sei bem, mas ainda é gigantesco o amor das redações pelo PT e por Lula. Se não for exatamente por ambos, é por aquela conversa do “outro mundo possível”. O caldo de cultura é petista. Tudo o que se publicou aqui sobre livros didáticos ajuda a explicar um pouco a origem dessa deformação. A doutrinação vem de há muito e atinge as crianças muito cedo. Uma parte dos infantes, pobrezinhos, decide fazer jornalismo e praticar justiça social com o próprio teclado - quer dizer, com o teclado da imprensa capitalista...

TCU
Era mais uma fronteira que faltava transgredir. Não falta mais. Não estou cobrando que o governo goste do relatório do tribunal que aponta corrupção em obras do PAC. Mas que, ao menos, procedesse a uma apuração para, se fosse o caso, contestar o tribunal com números. Em vez disso, o que se viu? A desqualificação. Eis aí: eles não aceitam a vigilância do Congresso, do tribunal de contas, da imprensa ou da democracia. Trata-se de um trabalho permanente, contínuo, mais metódico do que se supõe, para degradar as instituições.Volto, para concluir, ao caso da imprensa. O mais triste disso tudo é que parte dela, sentindo-se atingida, vai tentar demonstrar a Lula que ele está errado, “amaciando” (como diria certo Lewandowski) em uma de suas tarefas, que é vigiar o poder. E Lula terá sido, então, parcialmente bem-sucedido em sua luta diária contra as virtudes da democracia.

PS: No encontro entre Chávez e as Farc, sugiro que Lula mande um observador de seu governo. Nessas horas, nada como um sábio. Em vez dos traficante de ideologia que pululam no Planalto, envie Fernandinho Beira-Mar, que fazia negócio com os narcomarxistas. Numa reunião de bandidos, o Brasil nunca faz feio. Não seria desta vez.